No mínimo, mais um crime

Elvino Bohn Gass, especial para o Viomundo

Um impeachment sem crime – portanto, golpista – levou Michel Temer à presidência da República.

Desde então, o governo vem promovendo uma sucessão tão grande de assaltos aos direitos do povo e do país, que é difícil dizer afinal, qual a maior atrocidade cometida pelos golpistas.

Muitos consideram o fim da CLT, por exemplo, como o grande crime do período Temer.

Há quem veja a retirada da Petrobras da condição de operadora exclusiva do pré-sal como algo ainda mais nefasto.

Mas muitos não têm dúvida de que a isenção total de impostos às petrolíferas estrangeiras – com prejuízo estimado de R$ 980 bilhões! – como a pior de todas as ações do golpismo.

Por certo que rasgar a CLT, entregar o pré-sal ou abrir mão de quase um trilhão de reais em impostos estão entre as mais graves delinquências já cometidas por um governo brasileiro.

Mas há outra, cuja consequência perversa deve garantir sua inclusão nesse rol de despautérios: a redução do reajuste do salário mínimo.

No apagar das luzes de 2017, Temer assinou o decreto que define o salário mínimo para 2018 em R$ 954.

O valor é inferior ao inicialmente previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (R$ 979) e menor até do que o votado pelo Congresso (R$ 965).

Na última hora, Temer decidiu por míseros 1,81% de reajuste, o mais baixo em 24 anos!

Para entender a extensão do dano desse decreto, basta pensar que 45 milhões de brasileiros, entre eles aposentados e pensionistas, vivem desse salário. Então, reduzi-lo é piorar as condições de vida dos que já percebem a menor de todas as remunerações.

Entre 2002 e 2016, quando o PT governou, o salário-mínimo no Brasil teve 77% de valorização real, acima da inflação.

Essa política afetou positivamente o mercado de trabalho e resgatou milhões de pessoas da pobreza.

Mas Temer acaba de destruir mais essa conquista: o reajuste de 1,81% foi muito inferior à inflação oficial do país em 2017, de 2,95%.

Trata-se, portanto, de uma decisão governamental socialmente desumana e economicamente burra.

A economia que o governo pretende fazer com o reajuste menor não leva em conta que os R$ 11 que Temer subtraiu dos trabalhadores (levando em conta apenas o valor aprovado no Congresso, de R$ 965), representam cinco quilos de arroz ou três quilos de feijão a menos na mesa.

Multiplique-se isso por 45 milhões e tem-se 225 milhões de quilos de arroz ou de 135 milhões de quilos de feijão que deixarão de ser comercializados.

Mas estamos falando de comida, não de números. Ou seja, a redução do mínimo deixa a economia mais fraca mas, pior do que isso, deixa boa parte do povo brasileiro com fome.

Por tudo isso, não há dúvidas de que vivemos, com Temer e seus aliados, tucanos & cia, um dos períodos mais desgraçados da história brasileira.

A tal ponto que, em algumas parcelas da população, especialmente na mais jovem, a rejeição do presidente golpista atinge 100%.

Sim, já não se encontra praticamente ninguém que defenda as medidas ruinosas de um governante que, além de tudo, tem contra si três denúncias gravíssimas: corrupção, obstrução da justiça e organização criminosa.

Elvino Bohn Gass é deputado federal (PT/RS), titular da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional

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Publicação de: Viomundo