Edilson Dantas / Agência O Globo
Edilson Dantas / Agência O Globo

Lula é o primeiro e mais importante beneficiado da jabuticaba aprovada ontem pelo Supremo Tribunal Federal. A corte proibiu a prisão depois da condenação em segunda instância, mas salientou que a medida não serve para assassinos e estupradores, que representam riscos para a sociedade. Quer dizer, apenas ladrões e corruptos serão beneficiados. Mas isso não importa mais. O que importa é que Lula está sendo solto com base na decisão do STF, como bem poderia sair pelo cumprimento de um sexto da pena, de acordo com o código do processo penal.

A forma que se dá a liberdade do ex-presidente, porque seu caso ainda não transitou em julgado, serve muito mais aos planos políticos do líder petista. Significa, em outras palavras, que ele ainda não foi condenado. Lula é inocente, estabeleceu ontem o STF. E como inocente vai percorrer o país e liderar um movimento em favor da sua corrente política e, muito mais importante, vai trabalhar contra o governo Bolsonaro. Ao deixar a prisão, Lula se transforma imediatamente num rival de tamanho e peso que até aqui Bolsonaro não vira.

É cedo para dizer qual será o resultado político do retorno de Lula ao cenário. Mas será importante. Muito importante. Ninguém pode negar ou fingir desconhecer a estatura do ex-presidente. Mesmo preso, teve força suficiente para colocar o ex-prefeito Fernando Haddad no segundo turno da eleição presidencial do ano passado e ainda obter quase 45% dos votos no segundo escrutínio. Não é pouco. Ninguém na oposição se compara a Lula.

Mesmo não sendo capaz de alterar a correlação de forças no Congresso Nacional, Lula livre muda inteiramente a retórica política nacional. O discurso da oposição, que de resto parecia não ter existido até aqui, será nitroglicerinado ao ponto da combustão com Lula nas ruas. Será impossível ignorar a sua presença. Mesmo sem mandato e apesar de estar respondendo a seis inquéritos, inclusive o do triplex do Guarujá, o ex-presidente se transformará imediatamente no principal articulador anti-Bolsonaro do país.

O barulho que vai se ouvir a partir de agora será igual ao que se produziu na prisão do ex-presidente. Depois, com o tempo, tende a esmorecer. Mas enquanto estiver solto, Lula seguirá fazendo política, construindo entendimentos à esquerda, pavimentando caminhos para as eleições municipais do ano que vem e já olhando para 2022. Lula livre vai mexer com o Brasil.

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