A sugestão de grupo do Facebook para um usuário de esquerda

Da Redação

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos e o FBI se juntaram em outubro de 2010 para desenvolver técnicas para transformar o Facebook numa ferramenta de vigilância.

Documentos divulgados juntamente com o livro No Place to Hide, do jornalista Glenn Greenwald, revelam que a Agência de Segurança Nacional [NSA] e o FBI fizeram parceria através da qual desenvolveram técnicas para explorar os chats do Facebook, capturar fotos privadas, obter endereços de IP e obter dados privados de perfis.

Os dois parágrafos acima, de um texto do Venture Beat,  são mero exemplo das dúvidas que pairam sobre a maior rede social do planeta, com mais de 2 bilhões de usuários.

Depois da Índia e dos Estados Unidos, o Brasil é o terceiro país do mundo com o maior número de usuários.

Tanto a direita quanto a esquerda acusam o empresário Mark Zuckerberg de calibrar os algoritmos do Facebook para beneficiar esta ou aquela corrente política, mas ele parece interessado acima de tudo em fazer dinheiro.

Ninguém duvida, no entanto, da influência do Facebook na vida das pessoas: muitas passam horas por dia na rede social.

Postam fotos, fazem fofocas, reencontram amigos, trocam informações relevantes.

De outra parte, correm o risco de se isolar em universos paralelos da política, que se autoalimentam.

Por se tratar de uma empresa privada, o Facebook não dá satisfações a nenhum poder público.

É aí que mora o perigo.

A ilustração do topo do post mostra um grupo sugerido a um usuário de esquerda: Brasileiros de Direita, com a foto de Jair Bolsonaro.

Trata-se de uma tentativa de expor opiniões divergentes a um usuário de esquerda e criar um saudável debate online, uma ágora digital?

Ou alguém, mesmo que não seja o criador ou um integrante do grupo, pagou para impulsionar conteúdo favorável a Jair Bolsonaro?

Alguém, nos Estados Unidos, pagou a algum preposto de Zuckerberg para mexer no algoritmo e dar um empurrãozinho nas postagens favoráveis ao Mito?

Isso é impossível de acontecer?

Recentemente, Mark Zuckerberg disse a funcionários de sua empresa que a senadora democrata Elizabeth Warren representa uma “ameaça existencial” ao Facebook.

Com o esquerdista Bernie Sanders se recuperando de um problema cardíaco aos 78 anos de idade, a senadora desponta como a mais formidável ameaça à reeleição de Donald Trump em 2020.

Trump deve sofrer impeachment na Câmara dos Deputados, que tem maioria democrata.

Mas o Partido Republicano é tão refém dele quanto o PSL de Jair Bolsonaro.

Trump deve sobreviver à votação do impeachment no Senado, onde os republicanos têm maioria.

Pelo menos este é o quadro de hoje.

Recentemente, Warren escreveu uma série de tweets sobre o Facebook:

O Facebook tem um poder incrível para afetar as eleições e nosso debate nacional. Mark Zuckerberg está dizendo aos funcionários que ele vê um governo Warren como uma ameaça “existencial” ao Facebook. O público merece saber como o Facebook pretende usar sua influência nesta eleição.

Por exemplo, Trump e Zuckerberg se conheceram na Casa Branca há duas semanas. Sobre o que eles conversaram?

Após essa reunião, o Facebook silenciosamente mudou suas políticas sobre “desinformação” em anúncios, permitindo que os políticos exibissem anúncios que já foram desmascarados por verificadores de fatos independentes e não partidários.

Dito de outra forma, o Facebook agora concorda em exibir anúncios políticos com mentiras conhecidas.

Eles estão permitindo que Trump gaste mais de U$ 1 milhão por semana em anúncios em sua plataforma, inclusive aqueles que transmitem a mesma mentira que estações de TV não querem transmitir.

[PS do Viomundo1: Emissoras dos Estados Unidos se negaram a transmitir anúncios pagos de Trump ou apoiadoras cujo conteúdo inclua comprovadamente fake news]

Aqui está um exemplo de anúncio que o Facebook deixou Trump exibir, apesar de ser obviamente falso:

A senadora reproduziu então um post pago dizendo que os democratas pretendem repelir a Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que diz: “Sendo necessária uma milícia bem ordenada para a segurança de um Estado livre, o direito do povo a possuir e portar armas não poderá ser violado”. Os democratas, na verdade, defendem LIMITAR a venda de armas no país, não repelir a Segunda Emenda.

O Facebook já ajudou a eleger Donald Trump uma vez, porque eles estavam dormindo ao volante enquanto a Rússia atacava nossa democracia — permitindo que contas estrangeiras falsas executassem campanhas publicitárias para influenciar nossas eleições.

Não há indicação de que os executivos de Zuckerberg ou do Facebook tenham concordado com o papel que o seu despreparo teve no ataque bem-sucedido, mas demonstram que não compreendem o que precisa ser feito para impedir outro ataque nas eleições de 2020.

De fato, desta vez eles estão indo além, tomando medidas deliberadas para ajudar um candidato a enganar intencionalmente o povo americano, enquanto enxergam a candidatura de outros (especificamente, a minha) como uma ameaça “existencial”.

Precisamos de responsabilidade. Isso deve começar com o Congresso e as autoridades estaduais apropriadas, abrindo investigações e conduzindo audiências para fazer com que os executivos do Facebook expliquem as políticas e práticas da empresa — sob juramento.

PS do Viomundo: Muitos usuários brasileiros do Facebook já passaram por experiências bizarras com a plataforma, sejam de direita ou de esquerda.

As decisões de suspensão de contas ou de postagens são obscuras, arbitrárias e não obedecem a um padrão.

O governo chinês obviamente proibiu o Facebook no país para ter controle e censurar as redes sociais.

Por outro lado, livrou-se de ter um executivo norte-americano como Mark Zuckerberg, que nunca foi eleito e obviamente visa lucro pessoal, tomando decisões obscuras entre quatro paredes que podem ter forte impacto social.

Num exemplo anedótico, mas para nós significativo, o Viomundo decidiu promover um post com dinheiro do próprio bolso por entendê-lo significativo, em defesa de um povo que adoece na Amazônia, o Munduruku, que mora no vale do rio Tapajós.

O post era todo baseado em reportagens feitas in loco e em informações oficiais do Ministério Público Federal.

O Facebook aprovou o impulsionamento mas, no meio do caminho, informou que havia “algo” de errado, sem especificar qual era o problema.

Foi que falamos mal das mineradoras? Do Aécio Neves? Dos donos do Banco Itaú, que controlam a exploração do nióbio em Araxá? Da denúncia do MPF contra a Ourominas?

Não há diálogo com os prepostos do Zuck. Pelos padrões da plataforma, o Stálin era um democrata, que pelo menos ensaiava um julgamento.

Enquanto isso, com uma CPI das Fake News nas mãos e uma eleição logo ali, no horizonte de 2020, a esquerda brasileira dorme em berço esplêndido, fazendo suas lives no Facebook como se nada estivesse acontecendo…

De outra parte, Eduardo Bolsonaro visita Steve Bannon e Carlos Bolsonaro mantém e provavelmente turbina sua milícia digital de olho no ano que vem.

Mesmo que Mark Zuckerberg rejeitar a convocação de uma CPI brasileira, o que provavelmente fará, o Congresso marcaria posição: são mais de 130 milhões de brasileiros usuários do Facebook.

“Escuta aqui, seo Mark, o senhor fatura horrores no Brasil e nos deve, sim, uma satisfação! Vai deixar a família Bolsonaro deitar e rolar no Facebook? Vai garantir isenção na plataforma?”

Porém, o viralatismo do brasileiro sempre fala mais alto!

Quanto aos candidatos esquerdistas em 2020, se tomarem outra surra de Bolsonaro através das redes sociais, vão aparecer nos cantos e gritando “não passarão”.

Já vimos esse filme.

Publicação de: Viomundo