A Vaza Jato prova que Moro e seus procuradores ocultaram grampos ilegais de telefonemas de Lula para várias pessoas. As conversas mostram a razão de Lula ser nomeado ministro do meu governo: rearticular politicamente a base parlamentar e tentar sustar o golpe em andamento. Parte do estrago causado à democracia pela Lava Jato é irreversível. O Judiciário, porém, ainda pode cumprir o seu papel constitucional, corrigindo ilegalidades e anulando decisões partidarizadas. Duas decisões hoje sabidamente ilegais foram a prisão de Lula, para impedi-lo de se eleger presidente, e o impeachment contra mim sem crime de responsabilidade. Sem a reparação das injustiças, o Estado Democrático de Direito não será plenamente restabelecido. Dilma Rousseff, no twitter

Da Redação

Caiu como bomba a reportagem da Folha de S. Paulo deste domingo mostrando que a Lava Jato agiu de forma seletiva quanto aos grampos feito nas ligações telefônicas do ex-presidente Lula quando ele estava para ser nomeado ministro da então presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

O que interessa a gente vaza, o que não interessa a gente esconde.

O que a Lava Jato e Moro decidiram esconder foram grampos que demonstravam que Lula estava reticente quanto a aceitar o cargo e que, portanto, não buscava o ministério para obter o foro privilegiado e escapar da alçada do juiz Sergio Moro.

Assim sendo, o telefonema entre Lula e a ex-presidenta Dilma, vazado ilegalmente e com grande fanfarra, assumiu outro contexto: o de um acerto clandestino para permitir a Lula “se esconder no ministério”, quando conversar não reveladas, algumas delas com o então vice-presidente Michel Temer, mostram que o objetivo de Lula era essencialmente a articulação política.

Da maneira como foi feito o vazamento, o ministro Gilmar Mendes, do STF, se viu pressionado pela TV Globo, pelos militares e pela opinião pública a barrar a indicação de Lula para a Casa Civil em decisão monocrática, selando o destino de Dilma Rousseff.

O impeachment da mandatária tornou-se apenas questão de tempo.

Lava Jato tramou contra Lula e Dilma e mudou a história do Brasil

Reportagem da Folha e do Intercept revela métodos ilegais

por Kennedy Alencar, em seu blog

É gravíssima a reportagem publicada hoje pela “Folha de S.Paulo” e o “The Intercept Brasil” com o título “Conversas de Lula mantidas sob sigilo pela Lava Jato enfraquecem tese de Moro”.

A reportagem revela que Moro, policiais federais e procuradores da República agiram para interferir no processo político a fim de evitar a nomeação de Lula para a Casa Civil no governo Dilma e contribuíram para radicalizar o ambiente político no país, tramando a queda da então presidente do PT do poder.

Leiam a reportagem e os diálogos na íntegra no final deste texto. Procuradores celebram estratégia política e ilegal. Sem humanidade, chamam Lula de “9”, numa referência pejorativa aos nove dedos do presidente, que perdeu um deles em acidente de trabalho.

Deixam claro que seguiram orientações de “Russo”, apelido de Moro, que agiu como acusador e não juiz na Lava Jato.

Todos demonstram ter ciência de que praticavam ilegalidades e alguns zombam disso no Telegram.

Neste episódio, vazaram o que interessava para manipular a opinião publica, criar mobilizações nas ruas contra o governo e envenenar o debate político.

Moro, agentes da PF e procuradores mantiveram em segredo diálogos de Lula com o então vice-presidente Michel Temer na busca de um entendimento para evitar o impeachment.

Esconderam também toda a hesitação do petista em aceitar ser ministro da Casa Civil.

Quem acompanhou os bastidores de verdade e tinha informação na época sabe que o motivo principal daquela articulação era tentar salvar o governo, não obter foro privilegiado no STF.

Mas a Lava Jato, ciente disso, manipulou a opinião pública e mudou o rumo da história do país para que chegássemos hoje ao governo Bolsonaro.

Até agora, muita gente dizia que a Lava Jato contribuiu para o impeachment.

Essa reportagem mostra que a Lava Jato atuou para que Dilma fosse derrubada e jogou ilegalmente para prender Lula.

Isso não é papel do sistema judicial. É uma forma de corrupção grave. Autoridades públicas têm compromisso com a lei que os criminosos não possuem.

Se as ações de Moro, delegados da PF e procuradores da República são um combate legal à corrupção, o país está frito.

Está nas mãos de um estado paralelo que persegue inimigos políticos. Ontem foi Lula. Amanhã serão os críticos desses messiânicos que abusaram do seus poderes.

Se o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República, o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e o Congresso tinham dúvidas de que precisam tomar providências para investigar e punir crimes e abusos de poder das estrelas da Lava Jato, a reportagem de hoje elimina qualquer hesitação ou objeção a uma resposta dura da parte de nossas instituições.

Leiam a reportagem. Vejam os diálogos da Lava Jato sobre conversas de Lula. Leiam os resumos de conversas grampeadas de Lula com Temer e aliados.

Tirem suas conclusões se são métodos de um Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal de uma democracia plena ou de uma república de bananas.

A lei e o jornalismo devem valer para todos. A Vaza Jato está dando uma contribuição ao combate à corrupção no Brasil. Só não enxerga quem não quer.

Publicação de: Viomundo