José Cruz | ABr
José Cruz | ABr

As recentes ameaças de intervenção de Jair Bolsonaro em órgãos de controle e investigação, como Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Polícia Federal (PF), geraram mal-estar e desconfiança em categorias profissionais que antes viam com simpatia o governo federal, além de pôr em xeque o futuro da Operação Lava Jato. Entre as reações de integrantes dos órgãos, houve desde a ameaça de renúncia coletiva das chefias até a deflagração de um “contra-ataque”, em que técnicos do segundo escalão da Receita ameaçaram interromper serviços como a emissão de CPF e restituição do Imposto de Renda.

Na Medida Provisória que transferiu o Coaf do Ministério da Economia ao Banco Central, na última segunda-feira, Bolsonaro abriu espaço para indicações políticas em um conselho deliberativo. Na Receita, em que diz ser alvo pessoal de “devassa”, sugeriu uma troca. Na PF, disse que Ricardo Saadi, superintendente do Rio de Janeiro, seria trocado por uma questão de “produtividade”.

A PF do Rio conduz a Operação Furna da Onça para apurar desvios na Assembleia Legislativa do estado. Um dos gabinetes suspeitos de desviar salário de servidores é do hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente. A investigação está suspensa por ordem do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

Apesar de Saadi não ter atuado no caso, aliados do presidente admitem que Bolsonaro o via com maus olhos por não ter agido para diminuir a exposição de seu fil ho.

Os disparos de Bolsonaro contra os órgãos de controle atingiram em cheio o ministro da Justiça Sergio Moro. O presidente afirmou a jornalistas que poderia trocar não só o superintendente do Rio, como também o diretor-geral, Maurício Valeixo, indicado por Moro para o cargo em razão de sua atuação na Lava-Jato. Pessoas próximas a Moro o aconselharam até a renunciar, informou a colunista Bela Megale, do jornal O Globo.

A interlocutores, o ministro tem dito que conversou com o presidente, que lhe assegurou de que a relação entre os dois está firme.

Críticas de procurador da Lava-Jato

A atitude de Bolsonaro também suscitou críticas no procurador da Força-Tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, que afirmou em entrevista ao jornal Gazeta do Povo que o presidente se apropriou da pauta anticorrupção durante a campanha, mas, agora, se distancia dela. “Ele coloca em segundo plano essa pauta quando faz mudanças no Coaf e desprestigia o auditor da Receita Federal Roberto Leonel (indicado por Moro para o Coaf), que trabalhou na Lava Jato”, disse Dallagnol.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição no Senado, fala em retrocesso democrático nas intervenções de Bolsonaro e defende que a Medida Provisória do Coaf seja rejeitada pelo Congresso Nacional.

Para Tania Prado, presidente do sindicato de policiais federais em São Paulo, Receita, Coaf e PF fazem parte do sistema nacional de integridade, um conjunto de instituições que atua pela transparência e para que a administração pública não cometa desvios:

— Quando esses órgãos são mexidos pelo governo, ficam sujeitos a ingerências de todo tipo. Essa mudança no Coaf não foi por acaso. No primeiro momento, o ministro Sergio Moro queria fortalecer (o órgão).

De Extra

 

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Publicação de: Blog da Cidadania