Por Esmael Morais

Publicado em 12/07/2019

Bolsonaro-meio-ambiente

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21 deputados e três senadores assinam uma carta enviada aos embaixadores da Noruega, Nils Martin Gunning, e da Alemanha, Georg Witschel, em defesa do Fundo Amazônia.

O programa de combate ao desmatamento, que tem os dois países europeus doadores, tem sido alvo de críticas do governo, que quer alterar as regras de gestão e as estruturas das iniciativas, que contam com o apoio de organizações socioambientais.

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“Expressamos nossa profunda preocupação em relação aos compromissos do Brasil para a implementação do Fundo Amazônia, inclusive ameaças de extinção desse importante fundo”, afirma a carta.

Na verdade, o governo Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não tem interesse em combater o desmatamento. Por eles, a Amazônia toda pode virar pasto e plantação de soja. Mas eles também não querem perder a grana do Fundo.

Leia carta dos parlamentares:

Excelentíssimos senhores embaixadores da Noruega, Nils Martin Gunneng, e da Alemanha, Georg Witschel,

Na oportunidade em que cumprimentamos V.Exas expressamos nossa profunda preocupação em relação aos compromissos do Brasil para a implementação do Fundo Amazônia, inclusive ameaças de extinção desse importante fundo.

O Fundo Amazônia é uma conquista brasileira desde que o Brasil instituiu sua política ambiental. Ele é fruto de esforços históricos da sociedade para o enfrentamento ao desmatamento das florestas na Amazônia e seus desdobramentos na qualidade de vida dos brasileiros e na perda de biodiversidade, riqueza fundamental para nosso desenvolvimento e para o clima regional e global.

O Fundo foi fruto de uma construção política complexa e de alto nível, concretizada em 2009 pelo Ministério do Meio Ambiente em conjunto com a Presidência do BNDES. Naquele momento (às vésperas da COP de Copenhagen em 2009) o Brasil conseguia reverter as altas taxas de desmatamento. De 2009 até 2014, o Brasil foi um dos maiores parceiros na luta pela queda das emissões em nível global com a redução em mais de 85% das taxas de desmatamento na Amazônia. Uma conquista brasileira com efeitos positivos globais.

O fundo, nesse período de 2009 até hoje, se consolidou com um dos instrumentos econômicos mais importantes não somente pelo volume de recursos, mas sobretudo pela qualidade de seus projetos, inclusive tendo como seus maiores tomadores os governos estaduais e o próprio governo federal, além das organizações sociais e instituições locais da Amazônia. Uma governança participativa e transparente também foi considerada um de seus pontos fortes.

Os parlamentares que subscrevem essa carta reafirmam sua forte preocupação com a tentativa de alteração pelo governo federal brasileiro desse fundamental instrumento para o cumprimento de nossas metas (NDCs) de redução de desmatamentos. Também reafirmamos nosso forte propósito de defender incondicionalmente os compromissos brasileiros relativos ao Acordo de Paris. Sem dúvida um instrumento fundamental para o cumprimento da retomada do controle dos desmatamentos ilegais que infelizmente dão sinais de novo aumento expressivo de cerca de 88% em relação ao ano passado, segundo dados oficiais do INPE.

Diante do exposto, nos colocamos à inteira disposição dos Senhores Embaixadores para contribuir com a busca de soluções que assegurem que não haja ruptura e retrocessos nesta importante cooperação internacional no marco da ambiciosa e necessária agenda ambiental e climática global que todos queremos ver efetivada.

Brasília, 11 de julho de 2019

Assinam essa carta os seguintes deputados e deputadas federais, senadores e senadoras:

Nilto Tatto, coordenador da Frente Parlamentar Mista Ambientalista;
Rodrigo Agostinho, presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara;
Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara;
Tadeu Alencar, líder do PSB na Câmara;
Ivan Valente, líder do PSOL na Câmara;
Daniel Almeida, líder do PCdoB na Câmara;
Joenia Wapichana, líder da Rede Sustentabilidade e coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Povos Indígenas;
Fred Costa, líder do Patriota na Câmara;
Alessandro Molon, líder da Oposição na Câmara;
Jandira Feghali, líder da Minoria na Câmara;
Helder Salomão, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara;
Leonardo Monteiro, presidente da Comissão de Legislação Participativa da Câmara;
Benedita da Silva, presidenta da Comissão de Cultura da Câmara;
Heitor Schuch, coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Agricultura Familiar;
Patrus Ananias, coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional;
Bira do Pindaré, coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa das Comunidades Quilombolas;
Afonso Florence, coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa das Organizações da Sociedade Civil;
Airton Faleiro
Camilo Capiberibe
Edmílson Rodrigues
Talíria Petrone
Senador Randolfe Rodrigues, líder da Rede Sustentabilidade no Senado
Senador Fabiano Contarato, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado
Senadora Eliziane Gama

Publicação de: Blog do Esmael