Foto: Clarice Castro

Este governo e sua capacidade de nos transportar ao passado. Desta vez foi a nova campanha contra o uso de drogas, lançada pelo Ministério da Cidadania, com o slogan “Drogas, Diga Não”. É cópia purinha da frase que marcou a Guerra Contra as Drogas, nos EUA, na década de 1980. Just Say No, lembra-se? Datada e ineficiente.

No vídeo divulgado, jovens praticam esportes, namoram, se divertem, até que um aparece sentado no chão de um quarto, na penumbra, enquanto a tela mostra a frase: você nunca será livre se escolher usar drogas. Ohhh, que medo. As autoridades acreditam mesmo que adolescentes vão deixar de fumar baseado ou tomar ecstasy por causa de uma ameaça boba, que não funcionou nem no século passado? Usa-se droga por muitos motivos, inclusive porque é sedutor, diferente do discurso jeca do ministério.

O caminho apontado por especialistas nos Estados Unidos, onde se gasta muito dinheiro em pesquisa, para falar com adolescentes é informação e tratá-los como jovens adultos e não como crianças indefesas. Mesmo assim, sabemos que a maioria das ações falha em sua missão.

Nem no vídeo, nem no site do ministério, onde a campanha foi divulgada, há informações sobre entorpecentes, seus efeitos, estatísticas —até porque o governo não acredita nelas. Nada, além de um telefone.

O jeito Bolsonaro de prevenir o consumo de drogas é reflexo da ignorância. O presidente acha que seus críticos não se importam com crianças que fumam “paralelepípedos de crack”.

Mais uma de suas asneiras. O ministro Osmar Terra diz que a liberação do plantio da Cannabis, mesmo para fins terapêuticos, deve estimular o “consumo generalizado”. Baseado em que? Achismo.

Cobramos políticas públicas, mas o resultado é medíocre. As ações do governo sempre revelam falta de conexão com a realidade, de sensibilidade, além de profundo desprezo pela pesquisa científica.

Da FSP

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