Da Redação

O deputado Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, escreveu em sua página do Facebook que o ministro da Justiça Sérgio Moro cometerá prevaricação se não pedir ao Panamá dados da offshore que é sócia de uma empresa que fez negócios com o senador Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.

“E agora Moro? Ex-juiz é obrigado a pedir documentos ao Panamá sobre esquema dos Bolsonaros, vai fazer?”, perguntou o parlamentar.

Acrescentou: “Um dos maiores paraísos fiscais do mundo, o Panamá só fornece as informações aos países que solicitam cooperação judicial; se não fizer o pedido, Moro cometerá crime de prevaricação”.

Flávio Bolsonaro, como se sabe agora, fez fortuna no mercado imobiliário com transações suspeitas, obtendo lucros altos em curto espaço de tempo.

Alguns negócios foram fechados com uma empresa de nome MCA, que tem como sócia uma offshore baseada na Cidade do Panamá.

O então deputado estadual comprou, entre dezembro de 2008 e setembro de 2010, 12 salas do condomínio comercial Barra da Tijuca — e as revendeu de uma vez, em outubro de 2010, à MCA Exportação e Participações Ltda., com lucro de R$ 504,9 mil.

“O MP-RJ chamou atenção para o fato de a pessoa jurídica que adquiriu os imóveis ter como sócia a Listel S.A. Trata-se de uma empresa com sede no Panamá, inscrita na Receita Federal do Brasil como holding de instituições não-financeiras. Desde junho de 2010, uma instrução normativa do fisco brasileiro considera o Panamá paraíso fiscal”, informou o diário conservador Valor Econômico.

Em tese, negócios imobiliários simulados podem esquentar dinheiro de corrupção ou auferido por milicianos, com empresas-ônibus — seria a Listel uma? — servindo para transferir valores até refúgios fiscais.

“Refúgios” e não “paraísos”, que tem conotação positiva — quando o objetivo dos ricaços é sonegar impostos.

De acordo com o jornal da família Marinho, o “caso Flávio torna-se teste à independência de Moro”.

O Valor informou que o MPRJ solicitou cooperação ao Ministério da Justiça para apurar o caso. “No caso panamenho, o país é signatário de acordo datado de novembro de 2011 que dispõe sobre auxílio jurídico mútuo em matéria penal”, aduziu.

Conforme descreveu a Folha de S. Paulo, “o subfaturamento nas operações imobiliárias pode ter como objetivo lavar dinheiro obtido ilegalmente. O comprador com dinheiro sujo paga ao vendedor por fora, geralmente em espécie, a fim de obter um bem de valor real maior do que o declarado. O dinheiro volta limpo quando a revenda é realizada”.

Segundo a revista Veja, o MPRJ apurou que Flávio torrou R$ 9,425 milhões em transações envolvendo 19 imóveis.

Num caso emblemático, “em 27 de novembro de 2012, ele comprou, por 140 mil reais, um apartamento na Avenida Prado Junior, em Copacabana – 15 meses depois, em fevereiro de 2014, vendeu o imóvel por 550 mil reais, o que representa um lucro de 292%”.

Segundo a Agência Estado, documentos que o MPRJ utilizou para pedir a quebra de sigilo de Flávio Bolsonaro, do ex-PM Fabricio Queiroz e de dezenas de ex-funcionários de gabinetes parlamentares demonstram que Queiroz fez saques em dinheiro vivo de R$ 661 mil, entre janeiro de 2016 e junho de 2018.

O MPRJ vai investigar a conexão entre os saques de Queiroz e as transações imobiliárias de Flávio.

Publicação de: Viomundo