Da Redação

Iniciada na terça-feira, 14, a polêmica em torno do suposto recuo do recuo do governo Bolsonaro em relação aos cortes de verbas da Educação seguiu nessa quarta-feira,15.

Manchete da reportagem publicada na Folha e UOL  às 21h:  Ministro afirma que convenceu Bolsonaro a manter cortes.

A matéria de  Ângela Boldrini e Paulo Saldaña diz:

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, confirmou nesta quarta-feira (15) que recebeu uma ligação de Jair Bolsonaro, em que o presidente mandava recuar nos cortes em universidades, mas que conseguiu convencê-lo a manter os bloqueios de verba.

Segundo Weintraub, ele teria explicado ao presidente que não se tratavam de cortes, mas de contingenciamento de verbas. Assim, diz, Bolsonaro teria concordado em não recuar.

A afirmação de que houve um pedido do presidente contradiz a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), e joga mais lenha na fogueira da Câmara.

O telefonema foi feito na terça-feira (14), durante reunião que o presidente tinha com líderes dos partidos de PV, Pros, PSC, Avante, PSL e Cidadania. As siglas, apesar de independentes, ensaiavam aproximação com o governo.

Os deputados relatam que Bolsonaro ligou para Weintraub e ordenou o recuo. Em seguida, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, entrou na sala para demover o presidente da ideia.

Na terça, o governo negou que haveria recurso, e a líder do governo chamou o relato de deputados de “boato barato”.

A frase inflamou os ânimos de parlamentares como Capitão Wagner (Pros-CE). O deputado criticou o governo e disse que “tudo vira fake news quando tem contradição com o governo”.

“A ligação eu vou explicar. Os deputados ouviram o presidente falando comigo, mas não eu falando com o presidente”, afirmou o ministro.

Mas a verdadeira razão, tudo indica, é outra.

A pista está em post da repórter Andreia Sadi, publicado às 8h21 dessa quarta-feira no G1, embora ela não a ressalte.

O filósofo e professor Antônio David, leitor do Viomundo, nos alertou sobre o trecho (o negrito é dele)

O ministro da Casa Civil [Onyx Lorenzoni] O ministro da Casa Civil disse ao blog que “houve confusão”. Ele afirmou que, após o encontro do presidente com o grupo de parlamentares, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, recebeu ligações de interlocutores do mercado financeiro – preocupados com a notícia de que o contingenciamento seria suspenso.

Perguntei-lhe: Então foi o mercado financeiro que fez o Bolsonaro recuar?!

Antônio David comentou:

Na verdade,nem está claro se houve recuo. O interessante nessa reportagem é que nela foi explicitado o que todo mundo sabe: o contingenciamento na educação é uma exigência do mercado financeiro.

Ele acrescentou:

Ou seja, se houve (ou se houver) recuo, foi (será) por pressão social, da comunidade acadêmica e científica e da imprensa, e contra o mercado financeiro. O mercado financeiro não quer recuo, quer que haja contingenciamento.

Publicação de: Viomundo