O governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), afirmou em nota que ‘não fará nenhum pré-julgamento’ sobre o secretário da Casa Civil, Guto Silva (PSD), alvo da delação premiada do ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná (DER-PR) Nelson Leal Júnior. O delator da Operação Lava Jato relatou ao Ministério Público Federal que entregou R$ 100 mil, em mãos, em 2014, ao então deputado.

Guto Silva nega qualquer irregularidade. O secretário, que está licenciado da Assembleia Legislativa do Paraná, afirmou que a declaração do delator ‘é inverídica’ e que são ‘apenas palavras ao vento’.

Na nota, Ratinho Jr informou que ‘pediu esclarecimentos ao chefe da Casa Civil que confrontou a delação e afirmou ser falsa, garantindo que tem plenas condições de provar judicialmente que é uma declaração mentirosa’.

“O governador não fará nenhum pré-julgamento. Não há um fato jurídico, nenhum processo iniciado pelo Ministério Público ou na Justiça contra o chefe da Casa Civil. O governador mantém sua determinação de rigor na gestão pública e transparência dos atos, e determinou ao chefe da Casa Civil que aja com celeridade no esclarecimento e na sua defesa de forma pública”, declarou o governador do Paraná.

O que diz o delator?

Nelson Leal Júnior declarou que o valor foi solicitado por José Richa Filho, o Pepe Richa, irmão do ex-governador do Estado Beto Richa (PSDB), ao então presidente da Econorte, Helio Ogama – também delator -, em 2014. A Lava Jato afirma que Nelson Leal Júnior era o principal responsável pelo esquema fraudulento no DER-PR.

À Procuradoria da República, o delator afirmou que os R$ 100 mil solicitados por Pepe Richa a Helio Ogama ‘seriam utilizados na campanha eleitoral do então candidato a deputado Guto Silva (Luiz Augusto Silva)’. Em 2014, Guto Silva foi eleito pelo PSC com 45.313 votos. O parlamentar declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) R$ 255.920,00 em bens.

No ano passado, o deputado foi reeleito com 66.412 votos. Guto Silva declarou R$ 504.387,91 em bens.

Nelson Leal Júnior relatou à Lava Jato que, em agosto de 2014, ‘no dia em que Helio Ogama foi realizar a entrega do valor solicitado em espécie, nem José Richa Filho, nem Luiz Claudio estavam no prédio do DER’. Para os investigadores, o delator referiu-se a Luiz Cláudio da Luz, ex-assessor de Pepe Richa.

“Luis Claudio disse ao colaborador que, por conta da ausência dele e de José Richa Filho, o colaborador (Nelson Leal Júnior) deveria receber o montante de R$ 100 mil de Helio Ogama e entrega-lo a Guto Silva, o qual já estava avisado de que deveria buscar o dinheiro na sala do colaborador no DER”, afirmou.

“Conforme previsto por Luis Claudio, Helio Ogama procurou o colaborador em sua sala e entregou ao mesmo o valor de R$ 100 mil; que, em seguida, no mesmo dia, Guto Silva foi até o DER e, na sala do colaborador, recebeu das mãos deste o valor de R$ 100 mil solicitado por José Richa Filho à Econorte.”

Em janeiro, Helio Ogama foi interrogado em ação penal na 23ª Vara Federal de Curitiba. Na ocasião, o ex-presidente da Econorte citou uma ‘ajuda política’ de R$ 100 mil a um ‘deputado ou candidato’, sem tocar no nome de Guto Silva.

“Ele (Nelson Leal Júnior) pediu ajuda política, seria para um deputado ou candidato, que seria cem mil reais. Eu dificultei um pouco, mas devido à várias insistências, eu arrumei para ele cem mil reais, entreguei na sala dele”, contou.

Do Estadão

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