A Rádio França Internacional publicou uma matéria relatando diversos casos de turistas franceses e de outras nacionalidades que desistiram de viajar ao Brasil depois da eleição do “coiso”. As razões são as tendências autoritárias e o discurso machista, homofóbico e racista do presidente eleito.

Segundo a RFI, logo após as eleições, muitos franceses enviaram pelas nas redes sociais mensagens de preocupação e de tristeza a seus amigos brasileiros.

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A Rádio entrevistou estrangeiros que já conhecem ou que tinham interesse de visitar o Brasil pela primeira vez mas que, diante do atual cenário, desistiram de fazer uma viagem ao país.

A francesa Corinne Moutout foi uma das entrevistadas.

“Jurei para mim mesma que não colocaria os pés enquanto esse cara estiver no poder”, disse categoricamente Corinne, que afirma ter uma forte ligação com o país.

“O que tenho a dizer é que estou decepcionada que uma maioria tenha votado por um fascista”, declara Corinne. “Eu sei, por ter vivido anos na África, que existem países demais vivendo sob uma ditadura que não escolheram e agora temos uma maioria de brasileiros que escolhe para si uma ditadura. É insuportável”, diz.

Corinne explica que o sentimento é de que, após todas suas visitas, há uma face do Brasil que ela ignorou.

“Para mim, no país que eu conheço e que eu amo, era inimaginável que os brasileiros pudessem fazer uma escolha dessas. Por essa razão, não posso mais planejar uma viagem ao Brasil. Da mesma forma que não posso colocar os pés nos Estados Unidos de [Donald] Trump. Para mim, não é possível”.

“Não darei dinheiro a governo autoritário”

A atitude de Corinne Moutout, que faz oposição a governos que vão contra seus ideais democráticos, é a mesma de Marc Luc, parisiense que não conhece o Brasil, mas que tinha planos de visitá-lo no futuro.

“Sou alguém bastante engajado, temos todos nossos próprios valores e o novo governo brasileiro não tem nada daquilo em que eu acredito. A forma como ocorreu a campanha eleitoral, como Lula não pôde se apresentar… Tudo isso mostra que o novo governo não compartilha de meus ideais.”

“Nem na questão do autoritarismo, nem na repressão de minorias, numa política que não é nem aberta, nem progressista. Não tenho vontade de fazer turismo e dar dinheiro a um Estado que vai aplicar esses valores”, diz.

O francês afirma que o discurso agressivo de Bolsonaro não vai influenciar na escolha de todos os turistas, que querem apenas ver as praias e a vasta natureza do país, mas que isso deveria ser levado em conta na escolha de uma destinação.

“Para mim isso é muito importante. Tudo isso dá a impressão de um país onde o contexto social não é calmo. E se eu tiver que enfrentar a polícia, ou a justiça, porque houve uma agressão, eu não seria muito bem ouvido ou levado em consideração [pelas forças de ordem]”.

O brasileiro Tiago (nome alterado a pedido do entrevistado), que mora na França há vários anos, planejava ir festejar o carnaval em Recife em 2019 e matar a saudade, mas mudou de ideia após a eleição presidencial.

“Estou muito desgostoso com o resultado, com uma parte de minha família. É uma mistura de raiva, angústia, medo e frustração que tomou conta. Não estou com vontade de ir ao Brasil”, lamenta.

A reportagem da RFI ainda relata casos semelhantes de pessoas de outras nacionalidades que desistiram de vir ao Brasil por causa da guinada à extrema direita que o país tomou nas eleições de outubro.

Com informações da RFI.

Publicação de: Blog do Esmael