DESMONTE

Após o episódio, o prefeito Marcelo Crivella confirmou o corte de 239 equipes que vai impactar 550 mil cariocas

Eduardo Miranda |
Hospital Lourenço Jorge não tinha certificado de aprovação dos Bombeiros Divulgação

O incêndio que atingiu no último sábado (3) o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, é mais um episódio do descaso da Prefeitura do Rio com a saúde pública. Após o episódio, o prefeito Marcelo Crivella confirmou o corte de 239 equipes em 2019, que vai impactar 550 mil cariocas que dependem de atendimento. 

Pelo menos quatro pacientes que estavam internados na área de emergência morreram em decorrência do incêndio. Na última quarta-feira (7), o Corpo de Bombeiros informou que não foram localizados documentos e o Certificado de Aprovação que comprovem a regularização do hospital. 

“É importante ressaltar que estar em conformidade com as medidas de segurança contra incêndio e pânico é uma obrigação de todos. É de responsabilidade dos administradores dos imóveis o cumprimento da legislação vigente. É imprescindível a cultura da prevenção na sociedade”, diz a nota dos Bombeiros enviada ao Brasil de Fato

Um documento da própria Prefeitura registra, ainda, que a gravidade da segurança do trabalho no saúde pública não atinge apenas o hospital da Barra. O Souza Aguiar, no Centro, também se encontra na mesma situação e mais de 20 unidades de atendimento na cidade não têm sistema anti-incêndio. 

Para Cíntia Teixeira, da área de saúde do trabalhador da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), há uma negligência por parte de gestores públicos para discutir detalhes básicos e importantes para a segurança de hospitais, escolas e outras instituições. Mas ela vai além e afirma que a omissão da Prefeitura tem relação direta com as políticas públicas atuais. 

“Falar desses eventos indesejados é falar de uma conjuntura de sucateamento do Sistema Único de Saúde, com unidades de saúde do município resistindo ao desmonte. São vários ataques muito recentes, desde a PEC do Teto de Gastos, a alteração da política nacional da estratégia de saúde da família e o corte na saúde do Rio de R$ 725 milhões em 2019, proposto pela Prefeitura”, enumera Cíntia Teixeira. 

Nesta quinta-feira (8), a organização “Nenhum serviço de saúde a menos” realiza uma plenária às 18h30 para debater a situação da saúde pública na cidade. O evento será na Rua Américo Brasiliense, 158, em Madureira, na zona norte. 

Em meio à crise na saúde, Crivella fala em reeleição 

Em meio ao caos instaurado na cidade em diversas áreas, mas com maior gravidade na saúde, o prefeito Marcelo Crivella, que se elegeu com o slogan de que sua maior tarefa era “cuidar das pessoas”, anunciou na última segunda-feira (5), em entrevista ao jornal “O Dia”, que será candidato à reeleição para continuar no comando da capital fluminense. 

Brasil de Fato entrou em contato com a Prefeitura do Rio para questionar as causas do incêndio, os desdobramentos e medidas que serão tomadas e a razão para as mortes, mas até o fechamento desta reportagem nenhum órgão respondeu às perguntas. 

Publicação de: Brasil de Fato – Blog