O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), avalia que o impeachment de Dilma Rousseff fez muito bem ao Partido dos Trabalhadores. “O PT voltou a ser um ator político relevante”, declarou Maia em entrevista ao blog., nesta quinta-feira (13). Para ele, “o governo Michel Temer, da forma como está terminando, foi muito bom para o PT.” Acha que a situação seria outra se Dilma ainda estivesse no Planalto. “Nós íamos para uma convulsão social”, declarou Maia. O desemprego teria vitimado “mais de 20 milhões de brasileiros”. A inflação estaria “acima de 20%, 30%”. Haveria “um colapso.”

A despeito de tudo o que enxerga no retrovisor, Rodrigo Maia não se arrepende de ter ajudado a articular o impeachment, em 2016. Declarou que havia na época duas alternativas: manter o PT no Planalto para a oposição “ganhar a eleição em 2018” ou afastar Dilma e “reorganizar as contas públicas”. “Eu fiquei com a responsabilidade”, afirmou o deputado, hoje candidato à reeleição.

Preferido dos partidos do chamado centrão para continuar no comando da Câmara a partir de 2019, Maia disse torcer para que o Brasil atravesse os próximos quatro anos sem um novo impeachment. Não é bom”, disse o deputado, antes de tentar explicar por que a gestão de Temer tornou-se um mico: construiu-se “um governo parlamentar sem o parlamentarismo. Quer dizer: você teve a ocupação parlamentar do governo sem a prerrogativa de o Parlamento poder trocar o governo se o governo não vai bem.”

A avaliação de Rodrigo Maia é paradoxal, pois a Câmara, sob seu comando, teve duas oportunidades de se livrar de Michel Temer na fase pós-grampo do Jaburu. Entretanto, em vez de autorizar o Supremo a abrir ações penais que resultariam no afastamento do presidente, a maioria dos deputados preferiu enviar as acusações ao freezer. Deu-se algo diferente com Dilma, apeada graças a uma grande articulação. “Claro que teve atuação política”, declarou Maia. Mas o resultado foi “um governo muito pulverizado, muito dividido, muito de varejo.”

Rodrigo Maia estima que o petista Fernando Haddad, substituto de Lula na corrida presidencial, subirá rapidamente nas pesquisas, alcançando nos próximos dias um patamar acima de 15%. Aliado de Geraldo Alckmin, o deputado avalia que a ascensão fulminante de Haddad pode estimular o voto útil, aquele que vai para qualquer lugar, com a condição de que o PT não retorne ao Planalto. Ciro Gomes pode ser uma opção do eleitor antipetista, declarou Maia. Mas ele acredita que Alckmin será “o principal depositário” desse tipo de voto.

Na opinião do presidente da Câmara, o pedaço do eleitorado que torce o nariz para o PT se moverá quando a ascensão de Haddad se misturar a pesquisas que sinalizem as dificuldades de Bolsonaro de prevalecer num eventual segundo turno. Nessa hora, antevê Maia, os eleitores estacionados em candidaturas como as de João Amoêdo (3%) e Henrique Meirelles (3%) tendem a tonificar os índices de Alckmin. . “Mas como o Geraldo não é um campeão de carisma, as coisas dele são lentas. Acho que só vai acontecer ali, faltando três, quatro dias.” O deputado definiu o estilo de Alckmin com três palavras: “Devagar, devagar, devagar.” Na fase de formação das alianças partidárias, Rodrigo Maia flertou com o presidenciável Ciro Gomes. Levou para a mesa de negociações representantes dos partidos do centrão. Ainda hoje declara-se “convencido de que o apoio ao Ciro era o caminho para isolar o PT.”

Por que não fechou? “Apanhamos muito dos nossos eleitores. Os atores econômicos também se movimentaram muito contra. Os partidos acabaram compreendendo que o melhor caminho era o Geraldo.” Maia diz sentir-se confortável com decisão, pois Alckmin “é mais à direita do que o PSDB.” Sobre a hipótese de amargar uma derrota, o deputado resignou-se: “Perder é (parte) da democracia.”

 

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