UBS Jardim Tietê I, em São Mateus, Zona Leste da capital. Foto: Mandato de Juliana Cardoso

Pacientes enfrentam filas intermináveis na saúde

Gestão Bruno Covas cria protocolo que dificulta pedidos de exames

por Juliana Cardoso*

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) das regiões do Itaim Paulista, São Mateus e de Guaianases, na zona leste da cidade, levam em torno de seis meses para conseguir agendar uma consulta com médicos especialistas na rede municipal.

Esse é o tempo médio de espera registrado no Boletim CEinfo, divulgado em junho pela Secretaria Municipal de Saúde. Os dados são relativos aos atendimentos prestados durante o ano passado.

No Itaim Paulista, o paciente esperou em média 193 dias para conseguir passar por especialista, em São Mateus 171 dias, enquanto em Guaianases foram 146 dias. O prazo padrão na cidade foi de 110 dias.

Como se não bastasse esse sofrimento com a longa espera, recentemente uma medida administrativa da Prefeitura tornou o acesso aos médicos especialistas e aos procedimentos ainda mais difícil, um autêntico calvário.

A gestão do prefeito Bruno Covas publicou em maio um novo protocolo, restringindo aos médicos das Unidades Básicas de Saúde (UBS) as solicitações de exames.

Pelo protocolo os clínicos gerais que atuam nas UBS e no Programa Estratégia de Saúde em Família (ESF) podem requisitar apenas quatro tipos de exames.

Os demais 41 exames só podem ser pedidos pelos médicos especialistas. Estão alinhados nestes casos procedimentos considerados rotineiros como ultrassom de próstata para detectar incidência de câncer no local ou o ultrassom transvaginal.

A área da saúde da cidade de São Paulo nesta gestão foi transformada em campo de experimentos com maldades sem fim e ilusões espalhadas pelos governantes, além de explicações pouco convincentes para a restrição aos pedidos de exames.

A Secretaria Municipal de Saúde afirmou em nota à imprensa que as solicitações que não se enquadrem no protocolo poderão ser atendidas mediante as justificativas clínicas, “não com a intenção de serem proibitivas, mas sim de orientação”.

A dura realidade, porém, é que em março 482 mil pessoas aguardavam consulta com especialistas. Outras 178 mil esperavam por exames, quase um ano após o ex-gestor João Doria ter anunciado que havia zerado a fila de exames médicos com o seu propalado Corujão da Saúde”.

Essa fake news do Corujão e agora esse protocolo perverso têm o claro objetivo de reduzir o tamanho da fila de espera para exames de imagem não pela eficiência do atendimento prestado, mas pela dificuldade ao acesso.

Afinal, é uma fila para chegar ao clínico geral, outra para ter a guia do exame emitida pelo especialista, outra para agendamento do exame e outra para retorno com laudo para o especialista.

*Juliana Cardoso é vereadora (PT-SP). Integra  a Comissão de Saúde da Câmara Municipal.

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Publicação de: Viomundo