FALA AÍ

Pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, Bruno Paes, responde a questão no quadro Fala Aí

Letícia Sepúlveda |
Operação do Comando Conjunto das forças de segurança no Complexo do Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em pesquisa do DataCrime, ferramenta de interpretação guiada por dados de segurança pública do Brasil, foi constatado que em 2016 ocorreram 54.053 casos de homicídios dolosos (com intenção de matar), uma taxa de 26,2 a cada 100 mil brasileiros. Em casos de letalidade policial foram 4.222 vítimas, taxa de 2,0, e em casos de latrocínio foram 2.666 mortos, com taxa de 1,3. 

Marina, estudante de psicologia, quer saber quais as soluções dos candidatos à presidência para melhorar a segurança pública no Brasil. 

“Meu nome é Marina, estudo psicologia. Queria saber se existe uma solução, e não uma proposta dos candidatos, para a segurança das pessoas aqui no nosso país.”

“Sou Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da Universidade de São Paulo (USP). Uma questão importante que vai ser colocada na campanha é justamente o papel da União para lidar com o tema da segurança pública. Isso foi pouco discutido nos últimos anos no Brasil, então o papel da União no trabalho com a segurança vai ser importante. É preciso repensar o modelo de segurança pública no Brasil, que basicamente tem sido nessas últimas décadas baseado no trabalho da polícia ostensiva, na prisão em flagrante e no aprisionamento de grande quantidade de pessoas. Cresceu muito o aprisionamento nos últimos vinte e cinco anos, passou de 90 mil para mais de 700 mil presos, as cadeias estão super lotadas. Mesmo assim o crime continua crescendo e a sensação de medo das pessoas continua crescendo. As prisões começam a ser modelos contestáveis de controle do crime, mesmo porque as gangues prisionais acabaram se fortalecendo com esse modelo nas prisões. Nas prisões aqui têm se formado os principais grupos do crime e do mercado de drogas, por exemplo. Então esse modelo tem que ser repensado. Repensar esse modelo diante da ineficiência dessas últimas décadas é fundamental nos estados, e isso tem que de alguma forma ser feito pela União que enxerga o problema como um todo. Pensar formas de incentivar políticas diferentes, políticas inovadoras e que invista mais na inteligência e menos na prática da guerra. A questão da prevenção é muito importante, porque quando você passa a apostar nesta guerra permanente e constante em determinados bairros, o Estado passa a ser visto nessas localidades super policiadas, onde as pessoas são vistas como inimigas e suspeitas, como opressor.”

Publicação de: Brasil de Fato – Blog