POLÍTICA

O sindicalista Doriel Barros falou também da importância das eleições proporcionais no estado

Iyalê Tahyrine e Vinícius Sobreira |
Doriel é presidente da FETAPE desde 2010 e encerra a sua segunda gestão em 2018. Idelbrando Gutemberg

Nascido em Águas Belas, no agreste pernambucano, Doriel Saturnino de Barros iniciou a luta sindical em 1994.

Em 1997, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do seu município e, desde 2010, é presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pernambuco (Fetape).

Em entrevista ao Brasil de Fato Pernambuco, Doriel fez um balanço de suas gestões a frente da Federação e também do cenário político estadual.

Brasil de Fato – Como você avalia nesses oito anos de gestão as políticas públicas federais para a agricultura familiar?
Doriel Saturnino de Barros – Eu cheguei na Fetape em 2002, quando assumi a Diretoria de Política Agrária, depois me tornei vice-presidente e em 2010 assumi a presidência, que se encerra em 2018. Vivi um tempo na Fetape no governo anterior e depois no governo de presidente Lula e a gente teve a oportunidade de acompanhar esse momento de retomada do nosso país, os avanços que a gente pôde acompanhar e participar foram enormes para a agricultura familiar.

De 2016 para cá, com a derrubada da presidenta Dilma e a entrada de Michel Temer na Presidência, como as famílias agricultoras sentiram o efeito desse golpe?
Nós estamos enfrentado um momento de retrocessos de conquistas, de direitos, por um Congresso Nacional conservador que não tem nenhuma preocupação social ou com o desenvolvimento. Tanto é que nos últimos meses após o golpe a gente tem acompanhado mudanças na Constituição que tem ferido de morte o nosso povo. Basta lembrar da reforma trabalhista que submete nosso povo trabalhar como escravo, recebendo salários menores e tendo que trabalhar mais, o corte do teto dos gastos que também provoca e já está provocando menos recursos chegando nos municípios para atender a população.

Qual o balanço que você faz desses últimos anos estando à frente da FETAPE?
A Fetape é sem dúvida uma das grandes federações do Brasil, é uma responsabilidade muito grande de presidir uma federação como essa. Passaram pela presidência da Fetape nomes como do nosso saudoso Manoel Santos que foi deputado estadual reeleito e infelizmente já não está mais conosco. Inclusive no próximo dia 16 de maio vamos inaugurar a nova sede. Vamos encerrar a gestão com sentimento de dever cumprido, inclusive novamente vamos para um desafio de poder mobilizar nossa base para retomar o espaço que perdemos na Assembleia Legislativa de forma unificada. Não teremos duas candidaturas do movimento sindical rural disputando no mesmo espaço e essa foi uma conquista importante de unificar toda a base em torno dessa retomada na Assembleia Legislativa e meu nome está colocado nessa disputa.

Existe um debate de se o PT se alia ao governo Paulo Câmara, sendo hoje oposição ou se o partido lança candidatura própria. Como você avalia as teses de candidatura própria ou de aliança?
O PT é um partido extraordinário porque mesmo com os ataques que vem recebendo da imprensa, com tudo que tem ocorrido com o seu maior líder preso, o presidente Lula, o partido permanece porque ele é formado pelas pessoas que realmente conseguem fazer um debate político na sociedade e entender que partido é um instrumento importante para fazer as transformações. É evidente que hoje existe um debate interno com nomes inclusive para disputar o Governo do Estado.

Apesar de tudo isso que tem acontecido nós temos três nomes disputando a pré-candidatura pelo PT e isso é uma coisa boa. Zé de Oliveira é um companheiro militante, assim como Odacy que é um grande quadro e já mostrou isso quando foi prefeito lá de Petrolina, e agora na condição de deputado estadual e a companheira Marília Arraes, que é muito corajosa, que veio para partido num momento muito difícil, numa demonstração de muita capacidade de enfrentamento e de luta. Então hoje, sem dúvida o partido debate e tem datas definidas para poder decidir se vai com a candidatura própria ou aliança.

Portanto, eu tenho dito em todas as oportunidades que tenho estado que sou defensor da candidatura própria, apesar de ter uma relação de companheirismo e amizade de Odacy, mas tenho me manifestado porque acho que a candidatura de Marília pode agregar mais em relação ao estado, valorizando o nomes dos companheiros, mas vejo que o nome dela hoje se apresenta com mais força e o partido vem construindo.

Então, claro, vou contribui no que puder, para termos uma candidatura forte, mas unificada, mas com a possibilidade para a gente eleger também deputados federais e estaduais porque isso é fundamental para que a gente possa governar Pernambuco ou Lula governar o Brasil. Não se pode apenas olhar a candidatura majoritária como se ela fosse resolver todos os problemas e esquecer as proporcionais. Os deputados são fundamentais para garantir a governabilidade e aquele projeto que na verdade as organizações defendem. Não adianta eleger Marília e um parlamento com deputados que pensam completamente diferente. O que vai prevalecer? A gente viu o que aconteceu com Dilma.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog