por Marco Aurélio Mello

Há uma ditadura nos meios de comunicação no Brasil.
A ordem é não noticiar casos de suicídio.
O argumento é o de que toda vez que um suicídio ganha as manchetes, outras pessoas são encorajadas a fazer o mesmo.
Haveria aí o componente da glamourização, da publicidade.
Ora, seguindo o mesmo raciocínio, então não devíamos divulgar crimes hediondos, nem sequestros, muitas vezes transmitidos ao vivo, em tempo real, certo?
O suicídio é mais comum do que imaginamos.
Só de pessoas conhecidas foram dois, em menos de doze meses.
Há outras tantas tentativas que tive notícia, mas que não chegaram a ser efetivadas.
Se por incompetência do autor, ou apenas para chamar a atenção pouco importa.
O que leva a pessoa a tirar a própria vida?
Há várias hipóteses.
Pode ser uma obsessão, uma grande desilusão; um desequilíbrio psíquico ou, simplesmente, um gesto heroico, de coragem.
Isto mesmo, coragem.
Não estou querendo com isso enaltecer o gesto, longe de mim.
Só reconheço que é preciso de coragem para por fim à própria vida.
Por quê?
Porque o medo da morte é o que faz a gente viver.
Quando a gente desiste de viver é porque não vemos mais sentido em estar aqui e antecipamos a única certeza que temos, a de que vamos morrer.
A foto que ilustra o texto é de uma jovem de 30 anos que foi encontrada morta em seu apartamento no último fim de semana.
Em respeito à família, aos amigos e à ela própria não vou divulgar sua identidade.
Posso testemunhar que ela carregava uma enorme tristeza, algo que nem ela sabia direito explicar porque.
Passou por tratamentos e acompanhamento médico.
Pode ser que fosse herança genética?
Pode, mas isso não é razão para que as pessoas da família se culpem.
Não há culpados, porque não há crime.
O que posso dizer é que todo nosso silêncio em torno do tema não a ajudou.
E, ao contrário dos ditadores da imprensa, não nos ajudará nunca.
Temos sim que falar sobre o suicídio.
Temos sim que tentar entender o que leva determinadas pessoas a agir de forma extrema.
Porque se houver um padrão de comportamento ele deve ser conhecido e estudado.
Ainda que, em respeito aos que optam por tirar a própria vida, venhamos a aceitar o suicídio passivamente no futuro.

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Publicação de: Viomundo