Foto Ricardo Stuckert

Da Redação

O ex-presidente Lula, mesmo cumprindo pena, derrota qualquer adversário nos cenários de segundo turno propostos pelo Datafolha na pesquisa divulgada neste domingo, 15: 59% contra 41% de Marina, 64% x 34% de Geraldo Alckmin e 61% x 39% de Jair Bolsonaro.

Isso ajuda a explicar os fogos e os buzinaços da noite da prisão de Lula, no sábado, 7 de abril: os adversários políticos dele se beneficiam enormemente de uma eventual retirada da candidatura do ex-presidente, que o PT pretende registrar em agosto.

Também é por isso que a direita trata de naturalizar o fim da carreira política de Lula.

Embora a leitura da Folha é de que o apoio a Lula tenha enfraquecido — num cenário de primeiro turno, caiu de até 37% para 31% –, o fato é que muitos eleitores já consideram o ex-presidente carta fora do baralho e exercem outras escolhas, o que é absolutamente natural.

Isso não significa que Lula perderia os votos, se de fato concorrer.

Está aí justamente o nó da questão e o maior desafio diante do PT: com a extensão da prisão de Lula, que pode permanecer encarcerado durante alguns anos, impedido de contato com eleitores, como mantê-lo ativo através de intermediários no cenário eleitoral?

De olho nisso, os conservadores tentam isolar o ex-presidente completamente, impedindo-o de receber visitas de políticos e atacando o acampamento que mantém o foco dos militantes em Curitiba — e no próprio Lula.

No cenário em que Lula aparece como candidato em primeiro turno, ele tem 31%, contra 15% de Bolsonaro, 10% de Marina Silva e 8% de Joaquim Barbosa, 6% de Geraldo Alckmin e 5% de Ciro Gomes.

Sem Lula, Bolsonaro lidera com 17%, Marina tem 15%, Ciro Gomes e Joaquim Barbosa aparecem com 9%.

Os dados indicam que Lula é capaz de transferir até 2/3 de seus votos, o que continua sendo suficiente para levar um candidato indicado por ele ao segundo turno — algo crucial numa eleição tão pulverizada.

Hoje, pelos números, o mais factível seria o pedetista Ciro Gomes.

Os candidatos Fernando Haddad, Jacques Wagner, Manuela DÁvila e Guilherme Boulos ainda aparecem dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2% para mais ou para menos.

A maior surpresa da pesquisa é o considerável apoio ao ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, que ainda não confirmou sua candidatura pelo PSB.

Para complicar ainda mais o cenário dos tucanos, ele cresce tirando votos de Geraldo Alckmin.

Apesar da prisão, a eleição de 2018 continua tendo o ex-presidente Lula no centro do tabuleiro. E desenha um cenário devastador para os tucanos, promotores de primeira hora do golpe de 2016.

Também demonstra que a especulada chapa Joaquim Barbosa-Marina teria futuro, por juntar o apelo da luta contra a corrupção com o dos que sairam de baixo e ascenderam socialmente.

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Publicação de: Viomundo