Monthabril 2018

Pimenta repele denúncia da PGR: Executivos e procuradores envolvidos na delação da Odebrecht deveriam estar na cadeia; vídeo

 

 

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Publicação de: Viomundo

“Foi uma tragédia anunciada”, diz vítima de tiros contra acampamento em Curitiba


Atentado

Em entrevista ao BdF, Márcia Koakoski aponta falta de policiamento nas proximidades do local

Cristiane Sampaio |
Marca de tiro em banheiro químico no acampamento Marisa Letícia; disparos foram realizados na madrugada de sábado Gibran Mendes

Em entrevista ao Brasil de Fato, a advogada Márcia Koakoski, uma das vítimas do atentado ocorrido no último sábado no Acampamento Marisa Letícia, em Curitiba, no Paraná, disse que o local estaria sem proteção policial. A queixa é comum também entre organizadores e outros integrantes do grupo. 

Para a militante, que dormiu no local durante três noites, a insegurança nos arredores teria criado condições para o ataque. Ela conta que o grupo já era alvo frequente de violência por parte de pessoas que circulam pelo bairro. Diante disso, a segurança passou a ser improvisada pelos próprios integrantes.  

“Nós fomos ofendidos do lado de fora de todas as formas. As pessoas passavam de carro, gritavam palavrões e jogavam pedra, paus, ovos. Ninguém pode dizer que não tinha conhecimento do que estava acontecendo. Foi uma tragédia anunciada”, diz.  

A advogada disse ainda que interpreta o atentado como um ataque à liberdade de expressão dos grupos que defendem os valores democráticos. 

“Foi um atentado à democracia porque o que estava sendo feito lá nada mais era do que o exercício da democracia. As pessoas estão se armando pra atingir as pessoas que discordam da sua opinião.”

Durante o atentado, a militante ficou levemente ferida. Ela prestou depoimento à polícia e aguarda o resultado do exame de corpo de delito. A outra vítima, o militante Jefferson Lima de Menezes, atingido por um tiro no pescoço, recebeu alta da UTI no final da tarde desta segunda. Ele agora está em observação na enfermaria e tem quadro estável. 

Um inquérito criminal foi aberto no sábado e três pessoas foram ouvidas. Jefferson de Menezes deverá prestar depoimento quando for liberado do hospital. A Polícia Civil trabalha dentro da linha de tentativa de homicídio. O advogado do acampamento, Ramon Bentivenha, destaca a preocupação do grupo com a celeridade das investigações e a identificação do criminoso, que ainda não foi identificado.

“A defesa vai continuar pressionando pra que haja uma investigação séria, tal como está ocorrendo, e que o crime seja elucidado o mais breve possível”, afirma. 

Em nota divulgada à imprensa, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa de Curitiba pediu que as pessoas que tenham qualquer informação sobre o caso entrem em contato com a polícia por meio do telefone 0800-643-1121. A ligação é gratuita e anônima. 
O Brasil de Fato procurou a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Paraná para tratar das críticas feitas nesta matéria.

O órgão disse que a Polícia Militar fazia rondas na região antes do atentado e que o trabalho teria sido reforçado após o ocorrido, com a utilização de mais viaturas. A assessoria não informou o contingente empregado.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Curitiba recebe novas caravanas para grande evento popular


1º de Maio

Solidariedade de apoiadores é um dos destaques na recepção dos viajantes 

Cristiane Sampaio |
Apoiadores de Lula durante atividades políticas e culturais no acampamento em Curitiba Mídia Ninja

Na véspera daquele que promete ser o maior evento já realizado no país para celebrar o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, no 1º de Maio, Curitiba (PR) recebeu uma série de militantes de diferentes estados e países.

Nesta terça (1º), a cidade será palco de uma intensa programação em referência ao Dia do Trabalhador. O evento é organizado por sete centrais sindicais e diversos movimentos populares.

No Acampamento Marisa Letícia, que abriga apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o público aumentou de 70 para cerca de 400 pessoas no intervalo de um dia.

Segundo a coordenadora do espaço, Edna Dantas, o local acolheu caravanas de estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e também do Equador.

“É uma chegada que melhora o clima do acampamento e da luta porque traz mais energia positiva. Além disso, depois, quando terminar o evento, as pessoas vão levar pros seus lugares de origem uma energia ainda maior de luta contra o golpe e em defesa da democracia”, disse a dirigente.

O metalúrgico Edson Soares Monteiro veio de São Bernardo do Campo e chegou pela manhã, depois de seis horas de viagem de carro juntamente com outros quatro amigos. Segundo ele, a receptividade das pessoas nos diferentes lugares relacionados à programação do campo progressista em Curitiba tem incentivado o grupo.

“É muito gosto ver a esquerda junta assim. É impressionante como nós somos fraternos. Nos locais onde nós passamos, a gente foi sentindo ainda mais a vida, a luta, e isso é muito bom, é gratificante”, afirma.

E, para receber os grupos que chegam a cada momento, vale contar também com a solidariedade dos parceiros que oferecem diferentes tipos de ajuda. 

Além das inúmeras doações que a vigília e o acampamento receberam desde a prisão do ex-presidente Lula (PT), há 23 dias, que vão desde envio de alimentos até colchões e travesseiros, os curitibanos que apoiam o movimento se articulam para não deixar faltar o que a mobilização tem de melhor: a solidariedade.

É o caso da cabeleireira Sônia Bandeira, que mora nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal, onde Lula está preso, e, desde o início, abriu as portas da própria casa para acolher militantes.

“A gente contribui com o pouco que tem, que é a solidariedade. Estou aqui há mais de 20 dias ajudando. Olha só minhas olheiras e minha cara de cansaço de tanto ficar pra lá e pra cá”, diz, apontando para o rosto.

Ao todo, mais de 500 pessoas passaram pelo local desde o início. Somente nesta segunda, ela conta que já foram mais de 200.  Cobrando apenas preços populares para ajudar no custeio das despesas da casa, Sônia não só abriga pessoas nos diferentes compartimentos do imóvel como cedeu o espaço do quintal para a montagem de barracas de camping.

Além disso, a cabeleireira serve café e aproveita pra conversar com os viajantes a todo momento.

“Eu sempre participo do boa-tarde pro Lula e, no restante do dia, fico atendendo as pessoas e conversando. Conheci muita gente boa aqui no meio desse movimento todo. Isso vai deixar coisas boas por aqui”, finaliza.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Direita perdeu guerra da comunicação no exterior

O atentado ao acampamento pró Lula literalmente encerrou a guerra internacional pela comunicação sobre o caso Lula e a derrubada de Dilma Rousseff em 2016. Há um clima de revolta e desconfiança pelo mundo afora contra a destruição da democracia brasileira. Essa guerra os golpistas perderam. E perderão também a guerra eleitoral de 2018. Essa, dentro do Brasil. É questão de tempo.

Há poucos dias, o Blog da Cidadania reproduziu reportagem do SBT na qual Raquel Sheherazade teve que admitir que o mundo reprovou a prisão do ex-presidente Lula.

Este espaço também reproduziu matéria do jornal O Estado de São Paulo que mostrou que o mundo reprovou o ataque a tiros à Caravana de Lula no Paraná.


Agora, o novo ato de loucura dos nazistas brasileiros provocou uma revolução internacional.

A imprensa de países como Argentina, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França e Inglaterra, entre outros, noticiou o ataque a tiros ao PT aos gritos de “Bolsonaro 2018” e citou um surto de ‘assassinatos políticos’ contra a esquerda brasileira concomitante à prisão do ex-presidente Lula.

O jornal francês Le Monde relata que “No Brasil, há dois feridos por tiros contra apoiadores de Lula” e que, no momento do “ataque”, o homem gritou “Bolsonaro”, segundo a correspondente Claire Gatinois.

O também francês Le Figaro, com despacho da agência France Presse, foi na mesma linha.

O inglês The Guardian lembrou os tiros anteriores contra a caravana de Lula e os que mataram a vereadora Marielle Franco. O correspondente Sam Cowie escreveu: “Conforme o país mergulhou na crise, houve um salto no número de assassinatos de ativistas e líderes políticos, rurais e ambientalistas”.

A revista alemã Focus relata “Vítimas feridas entre os apoiadores do ex-presidente Lula”. Nos sites do país, ecoou um despacho da agência alemã DPA dizendo que “a prisão do popular ex-líder têm agitado os brasileiros há semanas. Agora, aconteceu um incidente armado”.

Nos EUA, a agência Associated Press crava “Atirador fere dois apoiadores de ex-presidente [Lula] do Brasil”.

A versão espanhola do El País também noticiou o ocorrido destacando que o “clima agressivo que foi instalado na política brasileira explodiu novamente na madrugada deste sábado com um episódio violento, novamente tendo como alvo os partidários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

O jornal argentino Clarín publicou matéria intitulada “Baleiam acampamento em defesa de Lula da Silva no Brasil: há 2 feridos”. A matéria informa que os tiros foram disparados com uma pistola 9mm do tipo usado pela polícia militar brasileira, o que sugere ao leitor que pode haver envolvimento do aparelho repressor do Estado, informação que já havia aparecido no assassinato de Marielle Franco, no qual ocorreu a mesma situação.

Por fim, as televisões do mundo inteiro repercutiram o mais novo lance desse processo infame de destruição da democracia brasileira, com prisões ilegais e assassinatos de líderes políticos de esquerda, como você verá no vídeo a seguir.

A repercussão no exterior do novo atentado ao PT só não foi maior ainda devido ao feriado internacional de primeiro de maio, mas os primeiros movimentos da imprensa estrangeira já mostram a perplexidade da comunidade internacional.

Os efeitos dos ataques à esquerda brasileira devem provocar, nas próximas semanas, várias manifestações internacionais pedindo ao governo brasileiro respeito á pluralidade política e à democracia.
A prisão do ex-presidente Lula já é vista internacionalmente como parte dos atentados à democracia brasileira por grupos de extrema direita.

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Publicação de: Blog da Cidadania

Num Brasil de duas Constituições, a democracia é incompleta


Estado

Entrevista especial da Revista IHU com Fábio Konder Comparato

João Vítor Santos |
O professor Fabio Konder Comparato AGPT

Desde 1824, pouco depois que se instaura a independência do Brasil, o país passa a ser regido por duas Constituições e isso atravessa toda a monarquia e os períodos de regime republicano, chegando aos dias de hoje. É o que acredita o jurista Fábio Konder Comparato. Para ele, essa é a razão pela qual até hoje se vive uma espécie de arranjo democrático. “Nunca fomos uma autêntica democracia, no sentido original da palavra na língua de Homero, porque entre nós o poder supremo, ou seja, a soberania jamais pertenceu ao povo (demos)”, destaca. Ou seja, sempre tivemos uma Constituição, por vezes muito bem-acabada, enquanto peça legal, e outra, como um código velado, que de fato funcionava na prática.

É o que chama de a Constituição “oficial” e a “subliminar”. A segunda sempre esteve focada na manutenção dos poderes de uma elite que até mesmo usava da própria “constituição oficial” para assegurar sua dominação. “Até mesmo durante os regimes autoritários ou ditatoriais, fizemos questão de promulgar uma Constituição. Assim foi em 10 de novembro de 1937 para justificar a instituição do Estado Novo getulista, e em 24 de janeiro de 1967 em pleno regime militar”, acrescenta.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Comparato destaca que nem todo processo constituinte que culminou na Carta Magna de 1988 foi capaz de romper com essa lógica. “Tratou-se, pura e simplesmente, de mais uma dissimulação política, dentre as inúmeras que tivemos em toda a nossa História, sempre com acentos de retórica. Em 1988, a Constituição simbólica tinha que enfatizar a soberania popular e os direitos humanos, para contrastar com o regime militar”, analisa. E recomenda: “o que este país precisa não é uma simples reforma constitucional, mas uma mudança de poder soberano, com o abandono da tradição oligárquica e uma profunda reforma de costumes”.

Fábio Konder Comparato possui graduação em Direito pela Universidade de São Paulo – USP e doutorado em Direito pela Université Paris 1. É professor Emérito da Faculdade de Direito da USP e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra, e especialista em Filosofia do Direito, Direitos Humanos e Direito Político. É também titular da Medalha Rui Barbosa, conferida pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

Comparato é autor dos artigos Brasil: A dialética da dissimulação, Cadernos IHU ideias, nº. 239, e  O poder judiciário no Brasil, Cadernos IHU ideias, n°.222. 

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Que paradigma de democracia foi pensado ao longo do processo de formulação da Constituição Federal de 1988?
Fábio Konder Comparato – A Constituição atual seguiu o paradigma da de 1946, com aperfeiçoamentos em matéria de direitos humanos e instituições de democracia direta, como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular legislativa. Mas se tais instituições têm sido levadas a sério é outra história.

Como podemos compreender nossa atual construção democrática?
É preciso entender que sempre tivemos duas Constituições: a oficial e a subliminar. Essa duplicidade começou em 1824, logo após a Independência, quando promulgamos nossa primeira Constituição. Como bem assinalou Sérgio Buarque de Holanda [1], “dificilmente se podem compreender os traços dominantes da política imperial, sem ter em conta a presença de uma Constituição ‘não escrita’ que, com a complacência dos dois partidos, se sobrepõe em geral à Carta de 1824 e ao mesmo tempo vai solapá-la”.

Esse sistema de duplicidade constitucional vigorou desde então, sem cessar. Até mesmo durante os regimes autoritários ou ditatoriais, fizemos questão de promulgar uma Constituição. Assim foi em 10 de novembro de 1937 para justificar a instituição do Estado Novo getulista, e em 24 de janeiro de 1967 em pleno regime militar, iniciado com o golpe de 1964. Em ambos os regimes tivemos “constituições”. Os governantes todo-poderosos fizeram, aliás, questão de modificá-las inúmeras vezes, até mesmo por Decreto-Lei, chegando inclusive a introduzir pelo chamado Ato Institucional nº 5 um regime de terrorismo de Estado. O que não impediu seus redatores de exagerar no cinismo, declarando na introdução desse ato que a assim chamada “Revolução de 31 de março de 1964” institucionalizou uma “autêntica ordem democrática, baseada na liberdade e no respeito à dignidade da pessoa humana”.

Como compreender a cooptação feita pela histórica oligarquia nacional ao que foi pensado para ser a “Constituição Cidadã”?
Tratou-se, pura e simplesmente, de mais uma dissimulação política, dentre as inúmeras que tivemos em toda a nossa História, sempre com acentos de retórica. Em 1988, a Constituição simbólica tinha que enfatizar a soberania popular e os direitos humanos, para contrastar com o regime militar.

Quais as maiores lacunas da Constituição?
Cito duas grandes lacunas da Constituição, ou seja, normas constitucionais que exigem a promulgação de lei complementar para terem vigência efetiva, lei essa cuja votação continua “esquecida” pelo Congresso Nacional, quase 30 anos depois de promulgada a Constituição. A primeira é o imposto sobre grandes fortunas, previsto no art.153, inciso VII. A segunda é a proibição de monopólio ou oligopólio, direto ou indireto, dos meios de comunicação social (art. 220, § 5º). Por óbvia coincidência, ambas as lacunas dizem respeito a interesses diretos da camada oligárquica.

Como o senhor avalia o sistema político brasileiro? Esse sistema solidifica ou falseia o conceito de república, baseada na representação democrática?
A Constituição de 1988 abre-se com a proclamação solene de que “a República Federativa do Brasil, (…) constitui-se em Estado Democrático de Direito”. Infelizmente, até hoje não instituímos uma autêntica República nem muito menos um verdadeiro Estado Democrático de Direito. Não instituímos uma autêntica república, no sentido que os romanos davam à expressão res publica, porque como já dizia frei Vicente do Salvador, em seu livro de 1627, “nem um homem nesta terra é repúblico, nem zela ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular”. Nunca fomos uma autêntica democracia, no sentido original da palavra na língua de Homero, porque entre nós o poder supremo, ou seja, a soberania jamais pertenceu ao povo (demos).

E, para completar o vazio político, tampouco chegamos a instituir um Estado de Direito, no qual todo poder decorre do Direito e não da vontade humana, ainda que seja de todo o povo.

Nas Memórias de um Sargento de Milícias, há um episódio famoso que bem define entre nós a predominância do poder pessoal da autoridade. Querendo livrar seu jovem afilhado do castigo que lhe impusera o major Vidigal, a comadre protetora foi procurá-lo, e ele, querendo atalhar a conversa, foi logo dizendo:

“– Já sei de tudo, já sei de tudo.
– Ainda não, senhor major, observou a comadre, ainda não sabe do melhor e é que o que ele praticou naquela ocasião quase que não estava nas suas mãos. Bem sabe que um filho na casa de seu pai…
– Mas um filho quando é soldado, retorquiu o major com toda gravidade disciplinar…
– Nem por isso deixa de ser filho, tornou Dona Maria.
– Bem sei, mas a lei?
– Ora, a lei… o que é a lei, se o Senhor major quiser?…
O major sorriu-se com cândida modéstia”.

Há fatos que revelam certo esgotamento do projeto da Carta Magna? Quais?
Lamento dizê-lo, mas o que este país precisa não é uma simples reforma constitucional, mas uma mudança de poder soberano, com o abandono da tradição oligárquica e uma profunda reforma de costumes. Em sua viagem famosa a bordo do Beagle, entre 1831 e 1836, Charles Darwin permaneceu algum tempo no Brasil. Sua apreciação sobre nossos costumes foi devastadora: “Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados”.

Segundo a Constituição, o Poder Judiciário tem a capacidade de intervir quando houver lesão ou ameaça a direitos. Como avalia a forma que o Judiciário hoje vem exercendo esse papel?
O Poder Judiciário não tem apenas a capacidade de intervir quando houver lesão ou ameaça a direitos. Ele tem o dever de fazê-lo, sob pena de prevaricação.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

No dia em que faz 39 anos, Jefferson, vítima do atentado ao acampamento, sai da UTI

Reprodução Facebook

Jefferson, vítima de fascista que atirou no acampamento Lula Livre, sai da UTI

No dia em que completa 39 anos, sindicalista que fazia a segurança voluntária do acampamento na hora do ataque fascista, é desentubado e vai para o quarto do hospital

por Marize Muniz, portal da CUT

O presidente do Sindicato dos Motoboys de Santo André, Jefferson Lima de Menezes, 38 anos, vítima de um tiro no pescoço, na madrugada deste sábado (28), saiu da UTI do Hospital do Trabalhador nesta segunda-feira (30), está em um quarto do hospital e deve receber alta médica nesta terça, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora.

Hoje ele completa 39 anos de idade e os acampados cantaram um sonoro ‘parabéns a você’ para o sindicalista.

Jefferson está com a família e recebeu a visita da senadora Gleisi Hoffman (PR), presidenta do PT Nacional, e do senador Lindberg Farias (PT-RJ), na tarde desta segunda.

Na hora que os fascistas atacaram o Acampamento Marisa Letícia, em Curitiba, Jefferson fazia a segurança voluntária do acampamento.

Quando foi socorrido, foi entubado e colocado em coma induzido porque a bala atirada por um fascista que gritava “Bolsonaro, presidente” entrou um pouco abaixo da orelha e saiu embaixo do queixo, fechando a traqueia e impedindo o sindicalista de respirar.

O local desinchou, o paciente já está respirando sem dificuldades e a ventilação mecânica não é mais necessária.

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Publicação de: Viomundo

“O primeiro de maio é patrimônio da classe trabalhadora”, diz direção nacional do MST


Dia do/a trabalhador/a

Ato unificado em Curitiba marca defesa de direitos pós-golpe e campanha pela liberdade do ex-presidente Lula

Juliana Gonçalves |
Grande ato do 1º de maio de 1980: quando a luta de classes está à flor da pele, dia de festa vira dia de luta Memorial da Democracia

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), junto com as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, se une às mobilizações do 1º de maio, Dia Nacional do Trabalhador e da Trabalhadora, celebrado nesta terça-feira.

Pela primeira vez desde a redemocratização do país, as sete maiores centrais sindicais brasileiras (CUT, Força Sindical, CTB, NCST, UGT, CSB e Intersindical) farão ato unificado na data, com o mote ‘Em Defesa dos Direitos e por Lula Livre’. 

João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST, reafirma a importância da efeméride como dia de luta e lembra outros pontos que se incorporam ao debate nacional. “Este governo golpista continua ainda tentando fazer a reforma da previdência, é importante para barrarmos e, por fim, é a tentativa de privatização das estatais brasileiras, em especial da Eletrobrás, que vai dar um prejuízo significativo ao estado e ao conjunto dos trabalhadores com a desnacionalização de uma área como essa, não podemos aceitar”, afirma.

Somando ao ato nacional que ocorre em Curitiba, João Paulo ressalta a necessidade de outros atos tomarem o Brasil amanhã. “É importante que tenhamos outros primeiros de maio em outras capitais, cidades menores. O 1º de maio é patrimônio da classe trabalhadora, e tem que ser transformado em um primeiro de maio de luta”, pontua.

Clique e confira a programação dos atos em todo o país

Nalu Farias, da Marcha Mundial das Mulheres, acredita que a prisão de Lula marca um aprofundamento do golpe e início da criação de um estado de exceção. “O primeiro de maio é um dia de luta muito importante para o conjunto da classe trabalhadora, nós do movimento de mulheres sempre participamos, e este ano nosso centro é a luta pela reivindicação de ‘Lula Livre’ porque temos a compreensão de que a prisão do Lula sem provas, um preso político, representa nesse momento aspectos emblemáticos do que é o golpe no Brasil”, explica a militante.

A prisão de Lula, que dialoga com a criminalização crescente dos movimentos populares, é o ponto de unidade que deve também ser explorado neste ato de Curitiba, segundo João Paulo. “Reafirmar a necessidade da unidade das centrais com os movimentos populares e partidos progressistas e a possibilidade desse primeiro de maio ser unificado numa cidade simbólica como Curitiba é muito importante não só para as centrais, mas para o conjunto dos movimentos populares que há mais de dois anos estão em luta contra o governo golpista”, conta.

Em Curitiba, a movimentação contará com a presença de artistas a partir das 14h na Praça Santos Andrade (Praça da Democracia). Às 16h, haverá o ato político com a presença dos presidentes das centrais sindicais, representantes dos movimentos populares e parlamentares.  O local fica a aproximadamente nove quilômetros da sede da Polícia Federal, onde Lula é mantido como preso político, desde o dia 7 de abril.

Na capital de São Paulo, a manifestação será na Praça da República, a partir do meio dia.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Saiba tudo sobre a estreia da Rádio Brasil de Fato nesta terça

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Análise: Belchior e a dimensão política das letras do autor


Poesia política

Há um ano, o Brasil perdia um cantor e compositor em sintonia fina com a realidade do povo brasileiro

Pedro Silva* |
Belchior é considerado um dos maiores expoentes da música brasileira Arquivo

Antonio Carlos Gomes Moreira Belchior Fontenelle Fernandes (ele brincava dizendo que era o maior nome da MPB), nascido em Sobral, região norte do estado do Ceará, desde muito cedo se dedicou à música e alçou voos inimagináveis para um “rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.”

Inúmeras matérias e análises sobre seu legado foram feitas nos últimos dias em jornais e blogs do país, mas gostaria de destacar, em mais um texto/homenagem, a dimensão política das letras do autor, sobretudo, se pensarmos nos desafios históricos da constituição do Brasil enquanto país-nação e sobre os caminhos para chegarmos a esta utopia.

Sem desconsiderar a densidade e complexidade estético-literária-filosófica que perpassa o conjunto de seu trabalho musical, avalio que o ponto de ligação e coerência da sua obra é a política. Esta compreendida também, em perspectiva gramsciana, enquanto cultura (visão de mundo, moral, valores e posição sobre a realidade).

Essa afirmação pode ser constatada desde seus primeiros discos, em assertivas e metáforas que demarcam explicitamente o sofrimento e a luta do povo brasileiro, “gente honesta, boa e comovida, que caminha para a morte pensando em vencer na vida”; no sentimento de latino americanidade, “para que o sol apareça sobre a América do Sul”; na denúncia contra a ganância das elites, já que “a única forma que pode ser norma é nenhuma regra ter, é nunca fazer nada que o mestre mandar, sempre desobedecer, nunca reverenciar” e na esperança que o “novo sempre vem” contra as várias formas de asceticismo e conservadorismo. Posição escrita e entoada de forma contundente, mas nada panfletária, arraigada por um lirismo e sensibilidade singulares, “canto torto feito faca”.

Postura compreendida pela própria identidade entre criador e criatura. De uma vida sertaneja e suburbana, membro de uma família com duas dezenas de filhos, um “jovem que desceu do norte e no sul viveu na rua” e teve que enfrentar uma “metrópole violenta que extermina os miseráveis, negros párias, teus meninos”. Nas memórias infantis de cantadores e de uma densa formação cristã, quando ainda “havia galos, noites e quintais”, “numa terra onde o céu é o próprio chão”.

No estudo de línguas e medicina e da fome e frio sentidos na pele, “com diploma de sofrer de outra universidade, com fala nordestina e querendo esquecer o francês”. No sucesso e admiração profunda de fãs e músicos e pela necessidade da reclusão e do reencontro consigo mesmo, como quem está “sempre em perigo e a vida sempre está por um triz, com um coração delinquente juvenil, suicida, sensível demais”.

Belchior, de forma universal e particular carregou e traduziu a alma e a voz de um povo, até a morte. Numa realidade marcada pela “violência, trogloditas, traficantes, neonazistas, farsantes, barbárie, devastação”, seu eco torna-se cada vez mais atual e necessário para edificação de uma pátria soberana, popular e “brasileiramente linda”.

As frases entre aspas foram retiradas, e em algumas com pequenas alterações, das seguintes canções, respectivamente: Apenas um rapaz latino americano; Pequeno perfil de um cidadão comum; Voz da América; Como o diabo gosta; Como os nosso pais; A palo seco; Fotografia 3×4; Baihuno; Galos, noites e quintais; Carisma; Tudo outra vez; Brincando com a vida; Baihuno, Brasileiramente linda.

* Pedro Silva é militante da Consulta Popular e professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Jeferson Miola: Diante da omissão da CNBB ao arbítrio, só resta a esperança de o Papa Francisco ter compaixão com o povo brasileiro

 Coletiva de Imprensa da 56ª Assembleia Geral da CNBB, em 19 de abril Foto: CNBB

A omissão da CNBB diante do arbítrio

A 56ª Assembléia Geral da CNBB teve início dia 11 de abril, apenas 4 dias após a prisão política do ex-presidente Lula.

Tendo como tema “Diretrizes para a formação de presbíteros”, a Assembleia da CNBB reuniu quase 500 bispos da igreja do Papa Francisco durante 10 dias, até 20 de abril, na cidade de Aparecida/SP.

Muito chama atenção a mensagem da conferência nacional dos bispos do Brasil ao povo de deus (na íntegra, abaixo) publicada ao término do evento.

O conteúdo anódino da mensagem contrasta com a realidade de injustiça, exclusão social, sofrimento humano, miséria, desemprego e perseguição política derivada do golpe de Estado e da ditadura jurídico-midiática que devastam o país.

A mensagem registra que

Vivemos um tempo de politização e polarizações que geram polêmicas pelas redes sociais e atingem a CNBB”, e esclarece que “A CNBB não se identifica com nenhuma ideologia ou partido políticoAs ideologias levam a dois erros nocivos: por um lado, transformar o cristianismo numa espécie de ONG, sem levar em conta a graça e a união interior com Cristo; por outro, viver entregue ao intimismo, […]”.

Apesar de reivindicar que “Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”, a CNBB não fez nenhuma menção a episódios que se enquadram no que seriam critérios para o posicionamento pastoral da entidade, como o assassinato da Marielle e do Anderson, os atentados contra a caravana do Lula, a escalada da violência no campo, o genocídio de pobres e mulheres, a fascistização do Brasil e a.

Em clara alusão à participação de Dom Angélico Bernardino [bispo emérito da Diocese de Blumenau] no encontro ecumênico realizado no sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo em 7 de abril em homenagem a Dona Marisa, a mensagem frisou que

A Conferência Episcopal, como instituição colegiada, não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da Igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos”.

Em 1964, setores conservadores da Igreja Católica hegemonizaram o posicionamento oficial da CNBB de apoio ao golpe civil-militar que destruiu a democracia, pois significava a graça da “Virgem de Aparecida ter escutado os clamores do povo e livrado o Brasil da ameaça comunista” [Frei Betto, Igreja Católica e o Golpe de 1964].

Como diz Karl Marx no 18 Brumário de Luís Bonaparte: a história se repete, a primeira vez como tragédia; a segunda, como farsa.

Diante das Diretrizes da CNBB para a formação de presbíteros, só resta a esperança de que o Papa Francisco haverá de ter compaixão para com o povo brasileiro.

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MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE DEUS

O que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo (1Jo 1,3)

Em comunhão com o Papa Francisco, nós, Bispos membros da CNBB, reunidos na 56ª Assembleia Geral, em Aparecida – SP, agradecemos a Deus pelos 65 anos da CNBB, dom de Deus para a Igreja e para a sociedade brasileira. Convidamos os membros de nossas comunidades e todas as pessoas de boa vontade a se associarem à reflexão que fazemos sobre nossa missão e assumirem conosco o compromisso de percorrer este caminho de comunhão e serviço.

Vivemos um tempo de politização e polarizações que geram polêmicas pelas redes sociais e atingem a CNBB. Queremos promover o diálogo respeitoso, que estimule e faça crescer a nossa comunhão na fé, pois, só permanecendo unidos em Cristo podemos experimentar a alegria de ser discípulos missionários.

A Igreja fundada por Cristo é mistério de comunhão: “povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (São Cipriano). Como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (cf. Ef 5,25), assim devemos amá-la e por ela nos doar. Por isso, não é possível compreender a Igreja simplesmente a partir de categorias sociológicas, políticas e ideológicas, pois ela é, na história, o povo de Deus, o corpo de Cristo, e o templo do Espírito Santo.

Nós, Bispos da Igreja Católica, sucessores dos Apóstolos, estamos unidos entre nós por uma fraternidade sacramental e em comunhão com o sucessor de Pedro; isso nos constitui um colégio a serviço da Igreja (cf. Christus Dominus, 3). O nosso afeto colegial se concretiza também nas Conferências Episcopais, expressão da catolicidade e unidade da Igreja. O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, 23, atribui o surgimento das Conferências à Divina Providência e, no decreto Christus Dominus, 37, determina que sejam estabelecidas em todos os países em que está presente a Igreja.

Em sua missão evangelizadora, a CNBB vem servindo à sociedade brasileira, pautando sua atuação pelo Evangelho e pelo Magistério, particularmente pela Doutrina Social da Igreja. “A fé age pela caridade” (Gl 5,6); por isso, a Igreja, a partir de Jesus Cristo, que revela o mistério do homem, promove o humanismo integral e solidário em defesa da vida, desde a concepção até o fim natural. Igualmente, a opção preferencial pelos pobres é uma marca distintiva da história desta Conferência. O Papa Bento XVI afirmou que “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com a sua pobreza”. É a partir de Jesus Cristo que a Igreja se dedica aos pobres e marginalizados, pois neles ela toca a própria carne sofredora de Cristo, como exorta o Papa Francisco.

A CNBB não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político. As ideologias levam a dois erros nocivos: por um lado, transformar o cristianismo numa espécie de ONG, sem levar em conta a graça e a união interior com Cristo; por outro, viver entregue ao intimismo, suspeitando do compromisso social dos outros e considerando-o superficial e mundano (cf. Gaudete et Exsultate, n. 100-101).

Ao assumir posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, a CNBB o faz por exigência do Evangelho. A Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Isso nos compromete profeticamente. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada. Se, por este motivo, formos perseguidos, nos configuraremos a Jesus Cristo, vivendo a bem-aventurança da perseguição (Mt 5,11).

A Conferência Episcopal, como instituição colegiada, não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da Igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos.

Neste Ano Nacional do Laicato, conclamamos todos os fiéis a viverem a integralidade da fé, na comunhão eclesial, construindo uma sociedade impregnada dos valores do Reino de Deus. Para isso, a liberdade de expressão e o diálogo responsável são indispensáveis. Devem, porém, ser pautados pela verdade, fortaleza, prudência, reverência e amor “para com aqueles que, em razão do seu cargo, representam a pessoa de Cristo” (LG 37). “Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor” (Papa Francisco, Mensagem para o 52º dia Mundial das Comunicações de 2018).

Deste Santuário de Nossa Senhora Aparecida, invocamos, por sua materna intercessão, abundantes bênçãos divinas sobre todos.

Aparecida-SP, 19 de abril de 2018.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília – DF
Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

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Publicação de: Viomundo

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