Entre os feridos (no topo, à direita) durante o ato em Igarapé (MG), a professora aposentada Maria Coeli Bitarães, diretora estadual do Sind-UTE/MG, e  o professor César Augusto, de Betim. Fotos: Gilson Carvalho/ Sind-UTE/MG

Da Redação, com informações do Sind-UTE e O Tempo

Imagine as imagens acima caindo em suas mãos sem legenda ou qualquer outra identificação junto.

Certamente, sem pestanejar, alguns cravariam: é a Polícia Militar (PM) do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), agindo contra os movimentos sociais.

Afinal, a violência da PM paulista  é marca registrada do governo tucano.

Essas fotos, porém, retratam a truculência da PM de Minas Gerais na última quarta-feira (28/03) contra educadores em greve de Igarapé, município com 35 mil habitantes da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em rede social, Beatriz Cerqueira, coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), denunciou:

O policial militar mirou para acertar os testículos de um professor. Outra professora levou um tiro na perna. Outra, levou uma “gravatada”. Vários professores atingidos por tiros de balas de borracha. Várias bombas de gás lacrimogêneo foram usadas e a delegacia de polícia da cidade foi fechada para impedir que as agressões feitas contra professores fossem registradas.

Beatriz frisou:

Isso foi em São Paulo, Polícia Militar do Alckmin? Não! Isso aconteceu em Minas Gerais. Do governador Fernando Pimentel.

Espero que sua solidariedade e indignação não sejam seletivas a ponto de ignorar quando a Polícia Militar de Minas Gerais bate em professora!

Na próxima quarta-feira (04/04), a pedido do Sind-UTE-MG, a atuação da PM contra os educadores em Igarapé será debatida em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

“Há relatos de que a polícia agiu de forma abusiva, com uso de força desproporcional e utilização de balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, ferindo diversos manifestantes”, diz o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) em requerimento (abaixo) à presidência da Comissão de Direitos Humanos, pedindo a audiência pública.

Rogério Correia, que é 1º secretário da ALMG, assistiu várias vezes aos vídeos mostrando a violência em Igarapé.

“Desde sempre, a polícia daqui [Minas Gerais] é truculenta com os movimentos sociais”, observa o deputado petista ao Viomundo.

Tanto que, segundo ele, a Comissão de Direitos Humanos da ALMG já pautou o tema dezenas de vezes.

“Durante os governos dos tucanos Aécio e Anastasia era prática comum. E com o Pimentel, vira-e-mexe aprontam, mesmo que não recebam ordens”, observa.

“A violência da PM mineira durante ato pacífico dos professores faz parte do autoritarismo em curso com morte de Marielle Franco e os tiros contra a caravana do ex-presidente Lula”, avalia, preocupado.

EM NOTA, PM DIZ QUE NA HORA NÃO HOUVE RECLAMAÇÃO DE FERIDOS; VÍDEO DESMENTE

Os profissionais da Educação da rede estadual Minas estão em greve desde 8 de março.

Cobram do governador Fernando Pimentel (PT) o pagamento do piso salarial e do 13º, cumprimento dos acordos assinados, fim do parcelamento dos salários, entre outras reivindicações.

Em Igarapé, 100% da categoria – aproximadamente 200 profissionais – aderiu à paralisação.

Na manhã da última quarta-feira (28/03), como parte da campanha, aconteceram atos regionais para fortalecimento do movimento, com atividades junto à comunidade escolar e estudantes. Um desses atos foi em Igarapé.

A concentração começou logo cedo, na Praça Matriz. Depois, os manifestantes caminharam até a Rodovia Fernão Dias.  Na BR-381, ao bloquearam uma das pistas, os educadores foram imediatamente reprimidos pela PM.

Acompanhe:

Ao boletim do sindicato,  Luiz Fernando de Souza Oliveira, diretor estadual do Sind-UTE/MG e coordenador da Sub-sede Betim, relata:

“Fomos atacados pela PM, que agiu impiedosamente, apenas porque tentávamos dialogar com a sociedade sobre os motivos da greve, que aqui em Igarapé atinge 100% das escolas estaduais. Nosso propósito era dizer aos pais, mães e aos nossos estudantes porque foi preciso radicalizar o movimento. Não houve motivo para que a Polícia Militar nos tratasse assim, com tamanha força e violência. A maioria dos manifestantes eram mulheres e pessoas idosas”.

“Nem conversa houve antes, os policiais já chegaram atirando”,  diz no vídeo abaixo Denise Romano, diretora estadual do Sind-UTE/MG.

Em três momentos, ela se refere a feridos, que precisam ser socorridos.

As imagens  são ruins. Nós o reproduzimos por conta do áudio.

Nós fizemos uma busca no portal do governo de Minas.

O governador Fernando Pimentel não se manifestou sobre a ação da PM em Igarapé.

Em nota publicada em O Tempo, a Polícia Militar afirma, entre outras coisas, que “não houve reclamação de feridos neste momento , o que teria ocorrido cerca de duas horas após a ação”.

Leia abaixo a íntegra da nota da PM:

A Policia Militar de Minas Gerais, acerca das indagações a respeito do policiamento escalado, durante a manifestação ocorrida em 28 de março de 2018, às margens da Br381, região de igarapé, esclarece o seguinte:

O efetivo foi escalado com o intuito de dar segurança aos cerca de 200 manifestantes, prevenindo a possibilidade de ocorrências contra os que ali se manifestavam e demais pessoas, os quais se reuniram na Praça Central de Igarapé, por volta de 08:00h.

Foi feito contato com a direção do movimento, Presidente do SindUT de Igarapé, Sra. Jaqueline, orientando sobre a atuação da PM e sobre os cuidados que deveriam ser observados para manutenção da ordem pública. PM faria a cobertura do evento para garantia dos direitos e deveres dos manifestantes, ocasião em que foi acordado que não haveria fechamento de vias, visando o não prejuízo do direito de ir e vir dos cidadãos locais.

O comboio de manifestação foi escoltado, tendo a PM fechado todos os cruzamentos da cidade para garantia da segurança da população.

Na marginal da BR 381, o caminhão do Movimento convergiu no sentido contrário do informado indo em direção ao leito da BR381, onde permaneceu na margem direita da rodovia. Neste instante, os manifestantes adentraram ao leito da BR 381 correndo e gritando, gerando sérios riscos de acidentes e, com isso, pararam por completo o trânsito na rodovia.

Destaca-se que havia trânsito intenso, além de ser um trecho de elevada velocidade. Foi iniciada a verbalização em alto tom de voz com os manifestantes que estavam bloqueando a via, argumentando sobre o direito de locomoção dos usuários da via e advertindo-os acerca dos aspectos legais que dão legitimidade à ação policial militar.

No entanto, os manifestantes resistiram. Dessa forma, iniciou-se a dispersão, de maneira moderada, ocorrendo violenta resistência por parte de alguns manifestantes mais exaltados, tendo um deles, de compleição física avantajada, agredido a um dos militares e sendo arrebatado pelos demais, no ato de sua prisão.

Foram realizados dois disparos de elastômero e empregadas três granadas de munição química, ocorrendo a dispersão, conforme normas legais vigentes. Não houve reclamação de feridos neste momento, o que teria ocorrido cerca de duas horas após a ação.

O Comando da Unidade, bem como a Sub Corregedoria da Segunda Região da Policia Militar, acompanham os fatos.

Porém, diferentemente do que diz a nota da PM, houve reclamação sobre os feridos, sim, durante a própria manifestação. Isso pode ser ouvido no vídeo.

Segundo  sindicato, os profesores foram atendidos na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Igarapé.

A propósito. “Para impedir que o Sindicato e a categoria registrassem o boletim de ocorrência, a delegacia local fechou suas portas”, relembra Beatriz Cerqueira.

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Publicação de: Viomundo