Conheço Juliana Zamboni desde que abriu os seus lindos olhos verdes pela primeira vez, 32 anos atrás. É filha de uma irmã da minha esposa.

Jovem admirável, lutou muito – muito mesmo! – para se tornar advogada e constituir família. Hoje, luta para conciliar os cuidados com um lindo garotinho de 2 anos e suas exaustivas jornadas de trabalho.

Juliana e eu votamos para prefeito de forma diametralmente oposta nas últimas eleições municipais em São Paulo (2016).

Ela, como mãe, mulher de classe média idêntica a milhões de tantas outras, votou em João Dória.

Juliana votou coerentemente com seu desejo do melhor para todos. Até porque, nem coxinhas nem mortadelas ganham nada com governos ruins, sejam de direita ou de esquerda.

No dia em que escrevo, ela me enviou o seguinte texto – da própria lavra:

Sr. Prefeito:

Gostaria, de verdade, de saber como V. Sª. pensa.

Primeiro, em relação à saúde.

Meu marido é diabético e faz uso de insulina todos os dias. Vocês trocaram os insumos, a seringa é de péssima qualidade, sem lubrificação.

Agora, imagina só você ter que tomar mais de 4 picadas por dia e, ao invés de melhorarem a qualidade de vida dessas pessoas, só pioram (?!).

Acho que vocês não devem usar essas seringas, então não sabem do que estou falando.

Depois, resolvi colocar meu filho, de 2 anos, numa creche. Afinal, ele precisa começar a se socializar e aprender coisas para a idade dele, ter estímulos…

Qual foi a minha surpresa ao descobrir que a creche não tem quase nada de apoio da prefeitura. Após um mês de ele estar indo à creche e eu perceber que não se adaptava, fui tentar entender o que acontecia.

Simplesmente há 80 crianças (!!) num sobrado, sem espaço, sem mesas nas salas de aula.

Imagina se o seu filho estudasse num lugar assim, prefeito. Mais de oito horas num ambiente sem mesas, sem atividades, sem espaço externo para brincar…

LEMBRE-SE: NADA É DE GRAÇA, PAGAMOS MUITO CARO POR TUDO ISSO!

É UM ABSURDO que tenhamos que pagar plano de saúde e escola para que possamos ter saúde e educação de mais qualidade.

Temos que pagar duas vezes por tudo. Os impostos que pagamos deveriam ser melhor investidos.

Acho que se vocês usassem as escolas e a saúde públicas, talvez tivessem maior interesse em melhorar a qualidade desses serviços.

O que acham de fazer essa experiência?

Atenciosamente,

Juliana Zamboni

Cidadã, mãe, mulher, profissional, extremamente decepcionada com tudo que estamos vivendo.

Juliana fez a sua escolha eleitoral. Votou em Doria acreditando que poderia melhorar tantos serviços públicos dos quais necessita.

Mantivemos a seguinte conversa, via Whats App:

Eduardo: Parabéns, Juliana. Posso publicar sua carta?

Juliana: Pode, sim.

Eduardo: Valeu. Uma pergunta: você votou nele [João Doria]?

Juliana: Sim, votei.

Eduardo: Legal.

Eduardo: Bom texto. Escreva mais e me mande.

Juliana: Obrigada.

Eduardo: Posicionar-se é imperativo. Pelo seu filho, pelos que você ama, por você mesma e pela coletividade. Faz muito bem. Depois te mando o link.

Juliana: Oba! Legal. Estou cansada dessa palhaçada

Eduardo: Não está fácil ser brasileiro

Juliana: Não está, tio.

Eduardo: Nessas horas entendo a [minha filha] Gabi [prima de Juliana, que foi viver na Austrália]. Com salário de professora primária leva uma vida de sonho. Paz, segurança, serviços públicos perfeitos.

Juliana: Exatamente. Vários amigos estão indo embora do Brasil. Um casal já está na Austrália, outro no Canadá, outro no Texas… Enfim, todo mundo indo embora.

Eduardo: Diáspora.

Juliana: Essa é a tendência, todos indo embora aos poucos

Eduardo: Vou pôr uma música que minha geração ouvia quando achava que tudo estava perdido

Juliana: Qual música?

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