FUTURO

Às vezes ficamos lamentando a situação vexatória do país e esquecemos que muitas vitórias foram alcançadas

Robson Sávio Reis Souza* |
Sabemos que o caminho para a reconquista da democracia real é longo Joka Madruga

Às vezes ficamos lamentando a situação vexatória de um país que está sendo lançado ladeira abaixo, depois do golpe de 2016. Mas, esquecemos que muitas vitórias foram alcançadas nos últimos dois anos.

Vamos iniciar aqui um inventário de avanços políticos da resistência ao golpe. Graças a uma poderosa rede comunicacional que, desde a primeira hora, denunciou a ruptura democrática, foi-se consolidando a narrativa do golpe travestido de legalidade. Criou-se uma imensa polifonia jornalística e comunicacional, contrapondo com qualidade e profundidade a mídia empresarial-golpista; articulando parte da opinião pública progressista, a consolidar uma resistente narrativa contra os golpistas.

Há um ressurgimento potente de vários movimentos populares, principalmente ligados às questões de gênero (feministas e LGBT+), étnicos (movimentos negros) e geracionais (juventudes).  Os falaciosos discursos anticorrupção, que reduziram setores da classe média a “midiotas” e “manifestoches”, foram desmascarados e desnudaram o caráter moralista e classista do golpe.

Setores historicamente poupados das narrativas golpistas e que sempre se aliaram à Casa Grande foram solenemente desnudados nos últimos anos: as castas jurídicas incrustadas no Estado e capitaneadas por segmentos elitistas e antidemocráticos do Ministério Público, do Judiciário e das polícias, principalmente a Federal.

As esquerdas têm buscado construir consensos importantes em torno de projetos comuns para o país. Dos setores de esquerda nasceram e se consolidaram as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que se constituem em mecanismos potentes de formação política.

O golpe também lançou luz sobre os verdadeiros interesses de movimentos religiosos ultraconservadores que se espraiam pelo país, em parte bancado pelo financiamento estadunidense.

Por tudo isso e outras conquistas não narradas neste pequeno texto temos muito que comemorar.  

Sabemos que o caminho para a reconquista da democracia real é longo. Por isso, continuemos a evitar ilusões messiânicas; atuemos em diversas frentes, na consolidação de um projeto nacional. Retomemos as ações estratégicas de organizações de base, trabalhando a formação política; unifiquemos as lutas sociais e continuemos a criar novos mecanismos de informação e formação alternativos aos oligopólios da mídia.

*Robson Sávio Reis Souza é do Conselho Editorial do Brasil de Fato MG.