por Marco Aurélio Mello

Ontem caminhei com meus filhos pelo bairro onde moro em São Paulo.
Fomos almoçar comida de boteco boa e barata.
Aqueles pratões, que o individual dá para dois e o de dois dá para três e ainda sobra.
Trata-se da região central da cidade, onde tudo acontece ao mesmo tempo.
Tem ruído, música alta, poluição atmosférica, sujeira…
Tem comércio, serviços, ambulantes…
E tem gente, muita gente, das classes médias e pobres.
Tem moradia digna, indigna, tem ocupação e tem muita, muita especulação.
Prédios inteiros vazios esperando a chamada revitalização chegar.
Revitalização como se não houvesse vida de sobra…
Na minha rua, por exemplo, não tem mais um fio da rede elétrica exposto.
Só árvores.
Ficou uma beleza!
Mas o que tem aumentado mesmo ultimamente são moradores em situação de rua.
Excluídos, refugiados, despejados, esquecidos…
Eles ficam por ali por quê?
Porque se sentem protegidos.
Porque são abrigados e acolhidos.
E principalmente porque não passam fome.
Se queres tirar a dignidade de um homem deixe-o sem comer.
E, neste quesito, salve, sempre tem alguém disposto a ajudar.
Estes sim verdadeiros cristãos.
Em contrapartida, vira-e-mexe temos aquelas campanhas que dizem para a gente não dar esmola.
Hipócritas!
Ajudar é o nosso “agir localmente”.
É claro que ninguém gosta de ver um dependente químico jogado na rua durante o dia.
Assim como ninguém gosta de ver lixo esparramado nas calçadas.
Mas se o Estado é incapaz de prover justiça e assistência social como fazer?
Cruzar os braços?
Nos bairros ricos do entorno as pessoas encontraram uma saída: aumentaram a segurança.
Homens de preto com rádios comunicadores expulsam o povo pobre de lá.
Trata-se de uma escolha, como varrer a sujeira para debaixo do tapete.
Uma hora a franja aparece.
E pensar que por trás de tudo isso estão estes canalhas que controlam os meios de comunicação, o consumo e os poderes.
Nossa resistência é pacífica, mas não é silenciosa.
É só uma questão de tempo.
Uma hora a massa faminta vai acordar.
Porque nossa vitória é líquida e certa.

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Publicação de: Viomundo