Monthmarço 2018

Emílio Rodriguez, sobre o golpe de 64 e o dia de Judas: É tempo de ocupar as ruas para combater o avanço do fascismo do governo Temer

Em memória dos mortos pela ditadura militar; também de Marielle Franco e Andesron Gomes, vítimas do avanço do fascismo nos dias atuais. Fotos: Lula Marques, AGPT, via Fotos Públicas, e divulgação

É tempo de combater o fascismo: o golpe de 64 e o dia de Judas

por Emílio Rodriguez, especial para o Viomundo

Hoje, 31 de março,  o golpe que deu início à ditadura militar completa 54 anos.

Neste ano, curiosamente, o funesto aniversário é num sábado de aleluia, portanto de malhação de Judas.

No nosso caso, do Judas Michel Temer, que traiu a democracia ao participar ativamente do golpe para derrubar a presidenta Dilma, os trabalhadores e a população mais pobre do Brasil, tirando-lhes direitos.

Não bastasse tudo isso, há quatro dias, o  presidente usurpador (MDB-SP) disse a empresários na Federação do Comércio de São Paulo, que o golpe de 1964 não foi um golpe de Estado, mas um “desejo do povo” por “centralização do poder”.

Que espécie de “desejo do povo” é esse, já que o povo não foi ouvido em eleições para presidente durante 26 anos?

Bem, é natural que o golpista Temer diga que não houve golpe de 1964.

Uma demonstração inequívoca de que nunca teve apreço pela democracia.

E tudo indica continuará não tendo.

Seus auxiliares, segundo o jornalista Ricardo Noblat, já ventilam a possibilidade de não haver eleições em 2018.

Por isso, hoje é um dia sob medida para o Judas Temer.

Por conta dele e demais golpistas vivemos tempos muito difíceis em que temos de tomar cuidado até com a cor da roupa que usamos, para não sermos agredidos por fascistas.

É como já disse Caetano Veloso: vivemos algo que lembra o momento do golpe militar.

O ódio  instilado pelos meios de comunicação criou um monstro que ameaça a devorar todos, inclusive os golpistas, como aconteceu com apoiadores do golpe de 1964, entre os quais Carlos Lacerda, a  própria OAB e grandes jornais, como Estadão,.

Estamos assistindo atentados contra lideres de esquerda, ódio violento dos ricos contra aqueles que querem a igualdade social.

Estamos assistindo a “justiça” praticar  injustiça.

Estamos assistindo setores do judiciário querendo implantar a ditadura do judiciário, violando a Constituição e ameaçando prender todo aquele que diverge de suas ideias.

Estamos assistindo o desmoronamento das instituições e a implantação da lei do mais forte.

Portanto, é tempo de luta.

Hoje mais do que nunca, é tempo de ocuparmos as ruas para dizer que queremos o restabelecimento da democracia, o fim do Estado de exceção e que não se rasgue a Constituição.

Nas ruas, estarão juntos conosco os Marighelas, Herzogs, Manoéis Fiel Filho, Zuzus, Iaras, os freis Titos e centenas de outros brasileiros que foram perseguidos, torturados e mortos pela ditadura militar.

De onde estiverem nos agradecerão por defender a democracia. Façamos isso também em memória deles.

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Publicação de: Viomundo

Pressão para STF prender Lula sairá pela culatra

Nunca se viu pressão igual à da mídia, da magistratura, do Ministério Público e dos militares sobre o STF para a Corte negar o habeas corpus a Lula. Essa pressão está sendo exercida mais sobre Rosa Weber por desprezo pela ministra, quem esses entes julgam titubeante e medrosa demais para levar sua opinião às últimas consequências. Essa pressão se tornará outro tiro no pé dos golpistas.

Matéria da revista Veja desta semana revela uma estratégia que está deixando a ministra Rosa Weber ofendida e revoltada. A reportagem a apresenta como titubeante em suas convicções, dizendo que ora pende para a prisão em segunda instância, ora para o contrário

O fato é que o voto de Weber em 2016 CONTRA a prisão em segunda instância foi muito claro e de difícil reversão por ter sido dado em cima de um fato inegável: o teor da Constituição Federal, que PROÍBE, com CLAREZA, que qualquer cidadão seja preso enquanto restar recursos à Justiça. Ponto.

Como se pode ver no voto de Rosa Weber em 2016 contra a prisão em segunda instância, não há espaço para ela mudar de posição. Sobretudo se for para se render à pressão insultuosa que a mídia lhe faz por julgar fracas suas convicções e, ela mesma, uma covarde

Uma romaria de magistrados e procuradores, no âmbito do forte corporativismo que tomou o Judiciário e o Ministério Público, tenta OBRIGAR o STF a tomar uma decisão que agrade essas corporações.

Para o STF, é insultuosa essa pressão. Parte do pressuposto de que os ministros precisam ser pressionados a fazer a coisa certa e que, sem essas pessoas pressionando durante o julgamento do mérito do HC de Lula, a Corte decidiria de outra forma.

Aliás, com prováveis milhares de pessoas do lado de fora do STF e centenas ou mais no interior do tribunal pressionando contra e a favor do habeas corpus de Lula, o que é muito mais provável é que a decisão acabe adiada.

O Blog da Cidadania obteve informações de que há um sentimento de grande parte dos ministros daquela Corte, incluindo a ministra Rosa Weber, no sentido de que não é possível tomar a decisão sobre prisão em segunda instância e sobre o HC de Lula debaixo de tal pressão.

A visão do Blog da Cidadania, portanto, é a de ou o habeas corpus será concedido a Lula ou a decisão será adiada. O STF sairia humilhado desse julgamento se cedesse à pressão. Pode até vir a ceder, mas de modo que não pareça que cedeu. Após se render a Aécio Neves e a Michel Temer, o STF precisa recuperar a imagem de Corte impermeável a pressões.

Resumo da ópera: ou Lula ganha o habeas corpus do STF ou o STF não decidirá nada sobre o caso e adiará a decisão. Das duas, uma.

Assista à reportagem em vídeo

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Publicação de: Blog da Cidadania

Assessor de secretaria que investiga atentado a Lula também trabalha para Bolsonaro

Fotos Tijolaço e Facebook

Assessor da Secretaria que investiga tiros à caravana atua em comitê de Bolsonaro

PT e SESP-PR divulgam informações divergentes sobre os disparos; Bolsonaro diz que “aquele tiro é uma mentira”

Daniel Giovanaz e Poliana Dallabrida, do Brasil de Fato

O jornalista Karlos Eduardo Antunes Kohlbach, assessor de imprensa da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (SESP-PR), também se apresenta como assessor de imprensa do comitê de campanha do deputado Jair Bolsonaro (PSL) em Curitiba.

Esta semana, Kohlbach divulgou em um grupo de repórteres no WhatsApp a agenda oficial de Bolsonaro no Paraná.

No mesmo grupo, o assessor da SESP-PR informou o posicionamento da pasta sobre as investigações do atentado à caravana do ex-presidente Lula (PT).

Questionado pela reportagem do Brasil de Fato sobre o vínculo com o comitê, Kohlbach confirmou nesta quinta-feira (29): “Assessoria de imprensa é comigo”.

Por telefone, o jornalista explicou que o trabalho é eventual e não remunerado.

A função do assessor de imprensa é fazer uma ponte entre o assessorado e os repórteres e “essencialmente elaborar políticas e estratégias de comunicação” – conforme o Manual de Assessoria de Imprensa da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Divergências

A SESP-PR, o Partido dos Trabalhadores (PT) e o pré-candidato Jair Bolsonaro estão no epicentro das disputas de narrativa sobre o atentado à caravana de Lula.

A Secretaria declarou que Lula teria chegado de helicóptero à Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) no último dia 27, por isso não estaria no ônibus da caravana no momento do ataque a tiros.

Na mesma nota à imprensa, a assessoria divulgou que “não houve, por parte do ex-presidente, pedido de escolta”.

O pré-candidato Jair Bolsonaro foi além: declarou em entrevista coletiva nesta quarta-feira (28) no Paraná que “aquele tiro é uma mentira”.

As informações divulgadas pela SESP-PR foram contestadas pelo Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT-PR).

As lideranças estaduais do partido esclareceram que “Lula chegou no local em um dos ônibus da Caravana, no qual fez o trajeto de Quedas do Iguaçu a Laranjeiras, como foi presenciado por centenas de pessoas e por profissionais de diversos órgãos de imprensa”.

Quanto ao pedido de escolta, a equipe do ex-presidente divulgou um ofício protocolado na SESP-PR no dia 14 de março em que solicita “aos organismos de Segurança Pública do Estado do Paraná o apoio de medidas que possam garantir a segurança e tranquilidade para esses eventos”.

De acordo com Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do partido, a escolta policial deveria ser uma dessas medidas.

Serviço prestado ao comitê

Karlos Kohlbach assumiu o cargo comissionado na SESP-PR em janeiro de 2015, quando o deputado federal Fernando Francischini (PSL) estava à frente da pasta. Francischini é o principal apoiador da campanha de Bolsonaro no Paraná e tornou-se conhecido pela atuação no “massacre do Centro Cívico”, em 29 de abril de 2015, que deixou mais de 200 feridos durante protesto de professores em Curitiba.

O Brasil de Fato entrou em contato com o assessor na tarde desta quinta-feira (29).

Primeiro, via WhatsApp, para confirmar a atuação no comitê de campanha de Bolsonaro.

Em seguida, por telefone, para ouvir a versão de Kohlbach sobre um suposto acúmulo de funções.

Na conversa por telefone, o jornalista contradisse a informação enviada pelo WhatsApp – “assessoria de imprensa [do comitê de Bolsonaro] é comigo”.

Kohlbach declarou que o serviço de repasse de informações para a campanha de Bolsonaro é eventual e não configura uma relação de trabalho.

A colaboração com o comitê, sem remuneração, teria sido feita a pedido de Francischini, amigo pessoal do jornalista.

O trabalho como assessor de imprensa da SESP-PR não exige dedicação exclusiva.

Além das colaborações eventuais ao comitê de Bolsonaro e do deputado Francischini, Kohlbach também é autor de um blog de política no portal Massa News.

Na entrevista ao Brasil de Fato, o jornalista esclareceu que não publica no blog temas relativos à segurança pública do Paraná para não se valer de informações privilegiadas.

Edição: Ednubia Ghisi

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Publicação de: Viomundo

Artigo | Jesus não morreu pelos “nossos pecados” e sim por enfrentar o sistema


Páscoa

Os Evangelhos são claríssimos: Jesus morreu porque confrontou o Templo, um sistema de dominação e exploração dos pobres

Alberto Maggi |
Cruz (detalhe), Igreja do Espírito Santo e de S. Alessandro Mártir, Arquidiocese de Portoviejo, Equador Arcabas (Jean-Marie Pirot)

Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados. Essa é a resposta que normalmente se dá para aqueles que perguntam por que o Filho de Deus terminou seus dias na forma mais infame para um judeu, o patíbulo da cruz, a morte dos amaldiçoados por Deus (Gl 3,13).

Jesus morreu pelos nossos pecados. Não só pelos nossos, mas também por aqueles homens e mulheres que viveram antes dele e, portanto, não o conheceram e, enfim, por toda a humanidade vindoura. Sendo assim, é inevitável que olhando para o crucifixo, com aquele corpo que foi torturado, ferido, riscado de correntes e coágulos de sangue expostos, aqueles pregos que perfuram a carne, aqueles espinhos presos na cabeça de Jesus, qualquer um se sinta culpado … o Filho de Deus acabou no patíbulo pelos nossos pecados! Corre-se o risco de sentimentos de culpa infiltrarem-se como um tóxico nas profundezas da psiquê humana, tornando-se irreversíveis, a ponto de condicionar permanentemente a existência do indivíduo, como bem sabem psicólogos e psiquiatras, que não param de atender pessoas religiosas devastadas por medos e distúrbios.

No entanto, basta ler os Evangelhos para ver que as coisas são diferentes. Jesus foi assassinado pelos interesses da casta sacerdotal no poder, aterrorizada pelo medo de perder o domínio sobre o povo e, sobretudo, de ver desaparecer a riqueza acumulada às custas da fé das pessoas.

A morte de Jesus não se deve apenas a um problema teológico, mas econômico. O Cristo não era um perigo para a teologia (no judaísmo havia muitas correntes espirituais que competiam entre si, mas que eram toleradas pelas autoridades), mas para a economia. O crime pelo qual Jesus foi eliminado foi ter apresentado um Deus completamente diferente daquele imposto pelos líderes religiosos, um Pai que nunca pede a seus filhos, mas que sempre dá.

A próspera economia do templo de Jerusalém, que o tornava o banco mais forte em todo o Oriente Médio, era sustentada pelos impostos, ofertas e, acima de tudo, pelos rituais para obter, mediante pagamento, o perdão de Deus. Era todo um comércio de animais, de peles, de ofertas em dinheiro, frutos, grãos, tudo para a “honra de Deus” e os bolsos dos sacerdotes, nunca saturados: “cães vorazes: desconhecem a saciedade; são pastores sem entendimento; todos seguem seu próprio caminho, cada um procura vantagem própria”  (Is 56, 11).

Quando os escribas, a mais alta autoridade teológica no país, considerando o ensinamento infalível da Lei, vêem Jesus perdoar os pecados a um paralítico, imediatamente sentenciam: “Este homem está blasfemando!” (Mt 9,3). E os blasfemos devem ser mortos imediatamente (Lv 24,11-14). A indignação dos escribas pode parecer uma defesa da ortodoxia, mas na verdade, visa salvaguardar a economia. Para receber o perdão dos pecados, de fato, o pecador tinha que ir ao templo e oferecer aquilo que o tarifário das culpas prescrevia, de acordo com a categoria do pecado, listando detalhadamente quantas cabras, galinhas, pombos ou outras coisas se deveria oferecer em reparação pela ofensa ao Senhor. E Jesus, pelo contrário, perdoa gratuitamente, sem convidar o perdoado a subir ao templo para levar a sua oferta.

“Perdoai e sereis perdoados” (Lc 6,37) é, de fato, o chocante anúncio de Jesus: apenas duas palavras que, no entanto, ameaçaram desestabilizar toda a economia de Jerusalém. Para obter o perdão de Deus, não havia mais necessidade de ir ao templo levando ofertas, nem de submeter-se a ritos de purificação, nada disso. Não, bastava perdoar para ser imediatamente perdoado…

O alarme cresceu, os sumos sacerdotes e escribas, os fariseus e saduceus ficaram todos inquietos, sentiram o chão afundar sob seus pés, até que, em uma reunião dramática do Sinédrio, o mais alto órgão jurídico do país, o sumo sacerdote Caifás tomou a decisão. “Jesus deve ser morto”, e não apenas ele, mas também todos os discípulos porque não era perigoso apenas o Nazareno, mas a sua doutrina, e enquanto houvesse apenas um seguidor capaz de propagá-la, as autoridades não dormiriram tranquilas (“Se deixarmos ele continuar, todos acreditarão nele … “, Jo 11,48). Para convencer o Sinédrio da urgência de eliminar Jesus, Caifás não se referiu a temas teológicos, espirituais; não, o sumo sacerdote conhecia bem os seus, então brutalmente pôs em jogo o que mais estava em seu coração, o interesse: “Não compreendeis que é de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda?” (Jo 11,50).

Jesus não morreu pelos nossos pecados, e muito menos por ser essa a vontade de Deus, mas pela ganância da instituição religiosa, capaz de eliminar qualquer um que interfira em seus interesses, até mesmo o Filho de Deus: “Este é o herdeiro: vamos! Matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança” (Mt 21,38). O verdadeiro inimigo de Deus não é o pecado, que o Senhor em sua misericórdia sempre consegue apagar, mas o interesse, a conveniência e a cobiça que tornam os homens completamente refratários à ação divina.

* Alberto Maggi, biblista italiano, frade da Ordem dos Servos de Maria, estudou nas Pontíficias Faculdades Teológicas Marianum e Gregoriana de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversos livros, como A loucura de Deus: o Cristo de João, Nossa Senhora dos heréticos

* Francisco Cornélio, sacerdote e biblista brasileiro, é professor no curso de Teologia da Faculdade Diocesana de Mossoró (RN). Fez seu bacharelado no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum, em Roma. Atualmente, está em Roma novamente, para o doutorado no Angelicum (Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino), onde fez seu mestrado

Ato por justiça para Marielle e Anderson terá presença de Lula, Manuela e Freixo


Rio de Janeiro

O protesto suprapartidário vai unir as esquerdas contra o fascimo e violência no país e será no Circo Voador, às 18h

Redação |
O ato de segunda também defenderá o direito de Lula ser candidato e vai protestar contra a condenação do petista. Divulgação

Na próxima segunda-feira (2) acontece um ato em defesa da democracia e por justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes, executados no Rio de Janeiro, no dia 14 de março.

O protesto suprapartidário será no Circo Voador, às 18h, e reunirá o ex-presidente Lula,  o pré-candidato à presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos, o deputado estadual pelo PSOL do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, e a pré-candidata à presidência da República pelo PCdoB, Manuela D’Ávila.

A esquerda tem promovido diversas manifestações em conjunto desde o assassinato da ex-vereadora do PSOL e de seu motorista. Na última semana, após o atentado contra Lula, estiveram juntos no ato em Curitiba de encerramento da caravana os pré-candidatos Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela.

No Rio, o PCdoB e PT já declararam que abririam mão de candidaturas próprias para apoiar Freixo ao governo do Estado. Freixo, até o momento, negou essa possibilidade. Na última semana, ele defendeu a unidade da esquerda contra o fascismo no país, diante da execução de Marielle e os tiros contra Lula, e ainda lembrando que em 2018 já são 30 policiais mortos. “Essas violências não dividem a sociedade entre a direita e a esquerda, mas entre democracia e barbárie. Todas as vidas têm o mesmo significado! Temos diferenças políticas, que são fundamentais e devem ser debatidas, mas o fascismo tem que ser combatido por todos nós.”

O ato de segunda também defenderá o direito de Lula ser candidato e vai protestar contra a condenação do petista, pois segundo a defesa do ex-presidente, trata-se de um caso de lawfare (uso de recursos jurídicos para fins políticos). O habeas corpus de Lula será votado no dia 4 (quarta-feira) pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Segundo a presidenta do PT, a senadora Gleisi Hoffmann, a extrema direita quer ocupar espaço na política através do ódio e da intolerância. “Está mais do que na hora de a esquerda brasileira, junto com os movimentos sociais, se unirem e gritarem ao mundo o que está acontecendo no Brasil.”

Golpe 64 | Preservar a memória é fundamental para evitar novas práticas ditatoriais


Ditadura

Especialistas destacam opressão e violações a direitos praticadas durante os 21 anos de regime militar no Brasil

Cristiane Sampaio |
Ato realizado em 2014, quando a Comissão Nacional da Verdade publicou lista oficial de mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura Antonio Cruz/ Agência Brasil

Este domingo, 1º de abril de 2018, marca o aniversário de 54 anos do início da ditadura militar no Brasil. A data é referência de uma memória marcada pela opressão e pelo capítulo mais traumático da história recente do país. 

Segundo dados da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que se encerrou no final de 2014, o número oficial de mortos no Brasil durante a ditadura é de 434. Desse total, 210 foram considerados desaparecidos.  

Mas a realidade da noite que durou quase 21 anos (1964-1985) vai muito além dos dados oficiais. Segundo o pesquisador José Carlos Moreira da Silva Filho, da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), muitos dos episódios de violência não chegaram a ser catalogados.  

“Existem algumas questões que ficaram em aberto, que não foram aprofundadas, por uma série de razões, seja pela falta de condições, de tempo, de interesse político ou até pela dificuldade mesmo do fato”, complementa.

Segundo registros históricos, as violações de direito foram as mais diversas no período: desde ameaças e prisões arbitrárias até casos de estupro, sequestro, tortura e execuções sumárias. Líderes sindicais, políticos e estudantis eram os alvos preferidos dos ditadores, que temiam o contraponto e as denúncias de violações.

Mas outros grupos também foram atingidos. É o caso dos indígenas. Apesar da ausência de estatísticas seguras, a CNV estima que, pelo menos, 8.350 mil deles tenham sido mortos em decorrência da ação direta de agentes governamentais ou da sua omissão.

O presidente do Movimento Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, explica que os assassinatos estavam diretamente relacionados à resistência diante da construção de estradas que avançavam sobre territórios indígenas. Nesse contexto, tiveram destaque as obras da rodovia Transamazônica, que corta sete estados.  

“Eles foram eliminados de várias formas por estorvarem um projeto da ditadura. Foram vítimas por serem indígenas e estarem ali em situação de defender a terra onde viviam”, afirma Krischke.  

Camponeses também foram duramente oprimidos, em especial os que se organizavam nas chamadas Ligas Camponesas, que lutavam por melhores condições de vida na zona rural. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), somente entre os anos de 1980 e 1981, houve cerca de mil conflitos agrários, com mais de 1,5 milhão de pessoas vítimas de ameaças e outras violências.  

Krischke destaca que o contexto de repressão política ampliou a criminalização da luta agrária, atingindo fortemente os trabalhadores do campo. “Foi uma das primeiras preocupações da ditadura, que agiu fortemente para liquidá-los”, ressalta.

Exílio

A violência dos militares provocou a mudança de jornalistas, políticos e outros atores que se exilaram no exterior para fugir da repressão. O Movimento Justiça e Direitos Humanos, por exemplo, chegou a ajudar mais de 2 mil casos de pessoas ou famílias que buscaram abrigo fora do país.

 “Desde os primeiros momentos da perseguição da ditadura, em 1964, começamos a tirar os brasileiros perseguidos e levar especialmente para o Uruguai”, narra o presidente da entidade.    

Imprensa

A opressão ao trabalho de jornalistas também é uma marca do período. A Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, traçou o perfil das violações à atuação da imprensa a partir de uma amostra selecionada para estudo.

Numa análise de 50 casos de anistia política concedida a profissionais perseguidos, foram identificados 129 episódios de perseguição, uma média de 2,5 para cada jornalista.  

 “A imprensa naquela época teve muitos focos, espaços de resistência e de atuação que procuravam avançar um pouco além da censura, que era muito forte”, conta o pesquisador José Carlos Moreira da Silva Filho.

Segundo o levantamento, a violação mais presente foi o monitoramento do trabalho por parte dos órgãos de repressão, com 32,5% dos casos. Em seguida, vêm as prisões, com 23,3%, e, depois, os casos de tortura, que representam 12,4%.  

Dos processos analisados, houve ocorrência de clandestinidade e cassação de direitos políticos a 10% dos jornalistas pesquisados. Além disso, 9,3% acabaram exilados para fugir da repressão.

Um dos casos mais emblemáticos é o do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975 por agentes da ditadura. O caso, que permanece impune, foi levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos e deve ser julgado nas próximas semanas.

No entanto, o pesquisador José Carlos Moreira da Silva Filho ressalta que a grande imprensa assumiu um comportamento ambíguo no período.  

 “[Ela] teve um papel de maquiar o golpe, de emprestar veículos e recursos das próprias empresas de comunicação para os agentes da repressão, de publicar notícias falsas que, na verdade, eram pra encobrir assassinatos de presos políticos”, salienta.

Memória

Diante do histórico da ditadura e do acúmulo de experiências com o tema, Jair Krischke, que é referência na luta pelos direitos humanos, considera que o país precisa agora promover políticas de valorização da memória histórica relacionadas à ditadura.

Ele considera fundamental a luta contra todas as formas de opressão, para evitar novos regimes ditatoriais. “Nós temos que produzir vacinas politicas, pra que nunca mais se repita essa tragédia que acometeu no Brasil”, finaliza.

Caravana de Lula pelo Brasil: encerramento é destaque nos programas Brasil de Fato


Rádio

Programas vão ao ar nestes sábado e domingo em rádios de de MG, RJ, PE, SP e PR

Redação |
Programas vão ao ar nos sábados, com reprise aos domingos Gabriela Lucena | Brasil de Fato

Os programas do Brasil de Fato deste fim de semana (31 de março e 1 de abril) nas rádios de MG, RJ, PE, SP e PR trazem como destaque o encerramento da Caravana Lula pelo Brasil – etapa Sul -, incluindo o atentado com tiros contra os ônibus que levavam jornalistas nacionais e internacionais e legisladores, no estado do Paraná. 

Outro dos destaques é a saúde dos atingidos pelo crime ambiental da Samarco em Mariana (MG). Um exame de sangue e urina, feito pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) e divulgado na última semana, em 11 pessoas do município de Barra Longa, surpreendeu ao mostrar que todos apresentaram alto nível de níquel. Em níveis como esse, a substância pode causar doenças de pele, queda de cabelo e outras ainda desconhecidas.

Confira os outros destaques por edição e ouça a versão que mais lhe agradar:

Em São Paulo e Sorocaba, há também a coluna de Mouzar Benedito, sobre as tradições da quaresma, dicas de alimentação saudável no outono e muita música com Bruno Viola, Gustavo Mioto, Jorge e Mateus, Silvano Sales e Arlindo Cruz.
 

A sintonia do programa em São Paulo é na Rádio Imprensa (102.5 FM), aos sábados e domingos às 7h.  Em Sorocaba, na Rádio Super (87.5 FM), o programa vai ao ar sábado às 12h, com reprise aos domingos no mesmo horário. 

A edição de Pernambuco mergulha na história da questão agrária no Nordeste brasileiro, ecoando as vozes do passado e as lutas atuais que exigem o cumprimento da reforma agrária em todo o país. Contamos com a participação de Jaime Amorim, dirigente nacional do MST; 

O contexto histórico no país também está presente na análise do cientista social Eduardo Mara, da Consulta Popular. Ele aborda o potencial que o Congresso do Povo possui para alterar o cenário de retirada de direitos populares e esmagamento da democracia;
Opina sobre o primeiro jogo da decisão inédita entre Central e Náutico, no Campeonato Pernambucano e também levanta algumas curiosidades da quase centenária Patativa de Caruaru;

Os pernambucanos ouvem o programa na Rádio Clube (720 AM) aos sábados às 7h, com reprise aos domingos no mesmo horário. 

A edição de Belo Horizonte aborda também a agressão que os trabalhadores da educação sofreram pela Polícia Militar enquanto realizavam ato para divulgar a greve dos professores do estado. Noticia o cancelamento de atendimentos e serviços por falta de repasses de verbas no Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais e traz uma entrevista com  Ana Júlia Guedes, integrante da União Nacional dos Estudantes que explica como a juventude brasileira está se organizando para defender a educação no país.

Na Rádio Autêntica (106.7 FM), em Belo Horizonte, o programa é veiculado às 11h de sábado, com reprise no domingo às 7h. 

O programa do Rio de Janeiro trata dos genocídios: Rocinha e Maricá choram seus mortos e exigem o fim do extermínio da população negra. E o tema da violência está presente no quadro Repórter SUS, em como a saúde física e mental são também afetadas. Há também uma entrevista com Celso Amorim, que fala sobre a intervenção econômica. O programa destaca ainda o novo álbum do Cordel do Fogo Encantado e aborda os benefícios da camomila, que é muito mais do que uma erva calmante. 

No Rio de Janeiro, a sintonia é na Rádio Fluminense (540 AM), todo sábado às 9h, com reprise aos domingos no mesmo horário.

No Paraná, você ouve aos sábados na Rádio Princesa (87.9 FM) às 10h. Os programas também estão disponíveis na Radioagência Brasil de Fato. 

Secretaria de Segurança de Richa já mentiu quatro vezes sobre atentado a Lula e pode estar se preparando para culpar a vítima

Francischini e Bolsonaro em campanha em Curitiba (Foto Facebook)

Aquilo é crime organizado em movimento. Nós botamos esses bandidos para correr. A polícia do Paraná não aceita bandido. Lula não pode continuar solto fazendo campanha e nós todos assistindo esse bandido rindo da nossa cara. Frases do deputado federal Delegado Francischini, ex-secretário de Segurança do Paraná, principal apoiador de Jair Bolsonaro no Estado, ao discursar ao lado de seu candidato ao Planalto, no aeroporto de Curitiba, em 28.03.2018

No meu entender, na minha percepção, aqueles tiros foi armado por parte deles mesmos, como no período militar muitas vezes eles fabricavam um cadáver para botar culpa no outro lado. Jair Bolsonaro, em entrevista a uma TV do Paraná

Governo do Paraná pode repetir farsa do Riocentro contra o PT

por Ricardo Amaral, no GGN, sugerido por Franco Atirador 

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná não tem a menor condição de conduzir um inquérito isento sobre o atentado a tiros contra a caravana do ex-presidente Lula na rodovia entre as cidades de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, na noite da terça-feira, 27.

Há fortes indícios de que se caminha para a construção de uma farsa semelhante ao inquérito do Ricocentro.

A primeira reação da Secretaria, tão logo o atentado foi denunciado à imprensa e pelas redes sociais, foi divulgar uma nota oficial escandalosamente mentirosa.

Afirmava que Lula teria feito o percurso de helicóptero e que o PT não havia solicitado escolta para caravana.

A primeira mentira foi prontamente derrubada pelo testemunho dos jornalistas (inclusive os da imprensa empresarial) que viram Lula embarcar em um dos ônibus da comitiva em Quedas do Iguaçu e desembarcar no campus da UFFS em Laranjeiras do Sul.

E no dia seguinte, pela divulgação do vídeo do desembarque, mostrando Lula sendo recebido, na porta do ônibus, pelo reitor Jaime Giollo.

A segunda mentira foi desmentida pela divulgação do ofício do PT do Paraná, com data de 28 de fevereiro, solicitando segurança para a caravana e informando detalhadamente ao comando da Polícia Militar do Paraná todo o trajeto da caravana no estado, rodovia por rodovia.

Depois que um perito confirmou que as marcas nas laterais e vidros dos ônibus eram de balas, redes sociais da direita e da polícia do Paraná espalharam a versão de que os tiros teriam sido disparados quando os ônibus estavam parados, o que contradiz todos os depoimentos, inclusive o relatório da Polícia Rodoviária Federal.

E numa quarta mentira, a Secretaria de Segurança divulgou que a caravana teria mudado o percurso sem avisar as autoridades, o que se desmente pelos testemunhos e pelos vídeos.

O deslocamento do ex-presidente no comboio ocorreu conforme o que foi informado em ofício ao comando da Polícia Militar do Paraná, em duas rodovias, uma delas estadual.

O fato é que, em 15 estados percorridos pela caravana Lula Pelo Brasil, desde agosto passado, a Secretaria de Segurança do Paraná foi a única que não forneceu escolta policial nas rodovias desde a entrada da caravana no estado.

Foi negligente e omissa diante das agressões à caravana.

A única exceção foi a contenção de milícias que atacaram a comitiva em Foz do Iguaçu, no dia 26.

Na manhã do atentado, quando se planejava um deslocamento de Lula em helicóptero, desde Foz do Iguaçu até Quedas do Iguaçu, o coronel Washington Lee Abe proibiu o pouso no Quartel da PM, local normalmente utilizado para este fim.

Lula teve de se deslocar de avião até o aeroporto de uma cidade próxima, ficando mais uma vez exposto a emboscadas nas rodovias.

O coronel Lee é o mesmo que postou ataques a Marielle Franco nas redes.

Agora, a Secretaria do Segurança do Paraná está se valendo do submundo da imprensa (IstoÉ, Augusto Nunes, Cláudio Humberto etc.) e das redes sociais de direita para plantar a mentira de um auto-atentado.

Reforça os incentivadores da violência política, como Jair Bolsonaro (que posou para fotos com PMs no aeroporto de São José dos Pinhais) e Geraldo Alckmin, que deu uma declaração desastrada em busca dos votos da extrema direita ensandecida.

Desmoralizada pelas imagens e testemunhos isentos, inclusive dos jornalistas que cobriam o deslocamento da caravana, a Secretaria de Segurança do Paraná afastou da condução do inquérito o delegado natural, Fabiano Oliveira.

Após uma entrevista em que declarou que o inquérito investigaria tentativa de homicídio contra os membros da caravana, Fabiano foi substituído pelo delegado Hélder Lauria, que decidiu investigar apenas “tiros com danos materiais”.

Manipulado politicamente pelo governador Beto Richa e pelo ex-secretário bolsonarista Fernando Francischini, o inquérito sobre o atentado caminha para repetir a farsa do inquérito do Riocentro, em 1981.

No caso Riocentro, as provas e testemunhos indicavam que o sargento Rosário morreu e o capitão Machado foi gravemente ferido quando tentavam explodir uma bomba contra o público do show do Primeiro de Maio.

Assim como fez a Secretaria de Segurança do Paraná, a ditadura substituiu o comandante natural do Inquérito Policial Militar por um preposto.

E o relatório do coronel Job Lorena de Santana concluiu que os agentes do DOI-Codi foram vítimas da esquerda.

Não será surpresa, portanto, se o governo Beto Richa e a secretaria de Segurança controlada por Francischini apresentarem, daqui a alguns dias, um relatório apontando algum petista ou sem-terra como supostos autores dos disparos.

E a farsa se repetirá.

Leia também:

Boulos, sobre Bolsonaro: “Bandido, criminoso, sem vergonha!”

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Publicação de: Viomundo

Na grande imprensa brasileira, todo dia é 31 de março

Passaram-se 54 anos, mas a grande imprensa corporativa brasileira continua em 31 de março de 1964. Nascida do dinheiro dos impostos de TODOS os cidadãos deste país, dinheiro que foi entregue a meia dúzia de famílias para que produzissem um império de comunicação que propagandearia o regime ao Brasil e ao mundo, essa imprensa continua praticando o mesmo tipo de enganação que os militares idealizaram.

O golpe de 1964 ocorreu sob ação da imprensa para mobilizar grupos sociais interessados em manter a desigualdade econômica, social e até étnica neste país. Essa mesma imprensa – mesmo Globo, mesma Folha, mesmo Estadão – e alguns veículos surgidos mais tarde, após o golpe, fizeram, em 2016, o mesmo que 52 anos antes.

O 31 de março de 1964 marcou o apogeu do anti jornalismo, do uso da linguagem jornalística para ajudar a promover ruptura democrática, violação do voto popular, violência desumana contra pessoas cujo crime era divergir da opinião da minoria que usurpara o poder…

Nesse aspecto, a imprensa corporativa brasileira continua onde estava 54 anos antes, atuando não com a finalidade de informar, mas de convencer, de moldar opiniões e fazer chantagens com assassinatos de reputação como moeda de troca ou como arma contra adversários políticos.

31 de março é dia de lembrar do que já fizeram neste país os mesmos grandes grupos de mídia que passado mais de meio século continuam usando o mesmo modus operandi. E, para isso, nada melhor do que usar confissão dessa imprensa do mal que já fez este país, ainda que não admita que continua fazendo esse mal.

Com você, leitor, o mea culpa das Organizações Globo

***

O GLOBO

31 de agosto de 2013

Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro

https://oglobo.globo.com/brasil/apoio-editorial-ao-golpe-de-64-foi-um-erro-9771604

A consciência não é de hoje, vem de discussões internas de anos, em que as Organizações Globo concluíram que, à luz da História, o apoio se constituiu um equívoco

31/08/2013 17:00 / atualizado 31/08/2013 17:33

RIO – Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.

Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.

Há alguns meses, quando o Memória estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto.

Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.

Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas.

De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje no ar:

1964

“Diante de qualquer reportagem ou editorial que lhes desagrade, é frequente que aqueles que se sintam contrariados lembrem que O GLOBO apoiou editorialmente o golpe militar de 1964.

A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História. O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e o “Correio da Manhã”, para citar apenas alguns. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.

Naqueles instantes, justificavam a intervenção dos militares pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos — Jango era criticado por tentar instalar uma “república sindical” — e de alguns segmentos das Forças Armadas.

Na noite de 31 de março de 1964, por sinal, O GLOBO foi invadido por fuzileiros navais comandados pelo Almirante Cândido Aragão, do “dispositivo militar” de Jango, como se dizia na época. O jornal não pôde circular em 1º de abril. Sairia no dia seguinte, 2, quinta-feira, com o editorial impedido de ser impresso pelo almirante, “A decisão da Pátria”. Na primeira página, um novo editorial: “Ressurge a Democracia”.

A divisão ideológica do mundo na Guerra Fria, entre Leste e Oeste, comunistas e capitalistas, se reproduzia, em maior ou menor medida, em cada país. No Brasil, ela era aguçada e aprofundada pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo, a saída negociada para que ele, vice, pudesse assumir na renúncia do presidente Jânio Quadros. Obteve, então, os poderes plenos do presidencialismo. Transferir parcela substancial do poder do Executivo ao Congresso havia sido condição exigida pelos militares para a posse de Jango, um dos herdeiros do trabalhismo varguista. Naquele tempo, votava-se no vice-presidente separadamente. Daí o resultado de uma combinação ideológica contraditória e fonte permanente de tensões: o presidente da UDN e o vice do PTB. A renúncia de Jânio acendeu o rastilho da crise institucional.

A situação política da época se radicalizou, principalmente quando Jango e os militares mais próximos a ele ameaçavam atropelar Congresso e Justiça para fazer reformas de “base” “na lei ou na marra”. Os quartéis ficaram intoxicados com a luta política, à esquerda e à direita. Veio, então, o movimento dos sargentos, liderado por marinheiros — Cabo Ancelmo à frente —, a hierarquia militar começou a ser quebrada e o oficialato reagiu.

Naquele contexto, o golpe, chamado de “Revolução”, termo adotado pelo GLOBO durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter no Brasil uma democracia. Os militares prometiam uma intervenção passageira, cirúrgica. Na justificativa das Forças Armadas para a sua intervenção, ultrapassado o perigo de um golpe à esquerda, o poder voltaria aos civis. Tanto que, como prometido, foram mantidas, num primeiro momento, as eleições presidenciais de 1966.

O desenrolar da “revolução” é conhecido. Não houve as eleições. Os militares ficaram no poder 21 anos, até saírem em 1985, com a posse de José Sarney, vice do presidente Tancredo Neves, eleito ainda pelo voto indireto, falecido antes de receber a faixa.

No ano em que o movimento dos militares completou duas décadas, em 1984, Roberto Marinho publicou editorial assinado na primeira página. Trata-se de um documento revelador. Nele, ressaltava a atitude de Geisel, em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI5, restabeleceu o habeas corpus e a independência da magistratura e revogou o Decreto-Lei 477, base das intervenções do regime no meio universitário.

Destacava também os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos, mas, ao justificar sua adesão aos militares em 1964, deixava clara a sua crença de que a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana. E, ainda, revelava que a relação de apoio editorial ao regime, embora duradoura, não fora todo o tempo tranquila. Nas palavras dele: “Temos permanecido fiéis aos seus objetivos [da revolução], embora conflitando em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir a autoria do processo revolucionário, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, ‘por exigência inelutável do povo brasileiro’. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento’ ou ‘golpe’, com o qual não estaríamos solidários.”

Não eram palavras vazias. Em todas as encruzilhadas institucionais por que passou o país no período em que esteve à frente do jornal, Roberto Marinho sempre esteve ao lado da legalidade. Cobrou de Getúlio uma constituinte que institucionalizasse a Revolução de 30, foi contra o Estado Novo, apoiou com vigor a Constituição de 1946 e defendeu a posse de Juscelino Kubistchek em 1955, quando esta fora questionada por setores civis e militares.

Durante a ditadura de 1964, sempre se posicionou com firmeza contra a perseguição a jornalistas de esquerda: como é notório, fez questão de abrigar muitos deles na redação do GLOBO. São muitos e conhecidos os depoimentos que dão conta de que ele fazia questão de acompanhar funcionários de O GLOBO chamados a depor: acompanhava-os pessoalmente para evitar que desaparecessem. Instado algumas vezes a dar a lista dos “comunistas” que trabalhavam no jornal, sempre se negou, de maneira desafiadora.

Ficou famosa a sua frase ao general Juracy Magalhães, ministro da Justiça do presidente Castello Branco: “Cuide de seus comunistas, que eu cuido dos meus”. Nos vinte anos durante os quais a ditadura perdurou, O GLOBO, nos períodos agudos de crise, mesmo sem retirar o apoio aos militares, sempre cobrou deles o restabelecimento, no menor prazo possível, da normalidade democrática.

Contextos históricos são necessários na análise do posicionamento de pessoas e instituições, mais ainda em rupturas institucionais. A História não é apenas uma descrição de fatos, que se sucedem uns aos outros. Ela é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los.

Os homens e as instituições que viveram 1964 são, há muito, História, e devem ser entendidos nessa perspectiva. O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país.

À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”

 

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Publicação de: Blog da Cidadania

Rogério Correia: PM de Minas agiu de forma abusiva e truculenta contra professores, ferindo vários durante ato pacífico; veja vídeos

Entre os feridos (no topo, à direita) durante o ato em Igarapé (MG), a professora aposentada Maria Coeli Bitarães, diretora estadual do Sind-UTE/MG, e  o professor César Augusto, de Betim. Fotos: Gilson Carvalho/ Sind-UTE/MG

Da Redação, com informações do Sind-UTE e O Tempo

Imagine as imagens acima caindo em suas mãos sem legenda ou qualquer outra identificação junto.

Certamente, sem pestanejar, alguns cravariam: é a Polícia Militar (PM) do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), agindo contra os movimentos sociais.

Afinal, a violência da PM paulista  é marca registrada do governo tucano.

Essas fotos, porém, retratam a truculência da PM de Minas Gerais na última quarta-feira (28/03) contra educadores em greve de Igarapé, município com 35 mil habitantes da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Em rede social, Beatriz Cerqueira, coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), denunciou:

O policial militar mirou para acertar os testículos de um professor. Outra professora levou um tiro na perna. Outra, levou uma “gravatada”. Vários professores atingidos por tiros de balas de borracha. Várias bombas de gás lacrimogêneo foram usadas e a delegacia de polícia da cidade foi fechada para impedir que as agressões feitas contra professores fossem registradas.

Beatriz frisou:

Isso foi em São Paulo, Polícia Militar do Alckmin? Não! Isso aconteceu em Minas Gerais. Do governador Fernando Pimentel.

Espero que sua solidariedade e indignação não sejam seletivas a ponto de ignorar quando a Polícia Militar de Minas Gerais bate em professora!

Na próxima quarta-feira (04/04), a pedido do Sind-UTE-MG, a atuação da PM contra os educadores em Igarapé será debatida em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

“Há relatos de que a polícia agiu de forma abusiva, com uso de força desproporcional e utilização de balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, ferindo diversos manifestantes”, diz o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) em requerimento (abaixo) à presidência da Comissão de Direitos Humanos, pedindo a audiência pública.

Rogério Correia, que é 1º secretário da ALMG, assistiu várias vezes aos vídeos mostrando a violência em Igarapé.

“Desde sempre, a polícia daqui [Minas Gerais] é truculenta com os movimentos sociais”, observa o deputado petista ao Viomundo.

Tanto que, segundo ele, a Comissão de Direitos Humanos da ALMG já pautou o tema dezenas de vezes.

“Durante os governos dos tucanos Aécio e Anastasia era prática comum. E com o Pimentel, vira-e-mexe aprontam, mesmo que não recebam ordens”, observa.

“A violência da PM mineira durante ato pacífico dos professores faz parte do autoritarismo em curso com morte de Marielle Franco e os tiros contra a caravana do ex-presidente Lula”, avalia, preocupado.

EM NOTA, PM DIZ QUE NA HORA NÃO HOUVE RECLAMAÇÃO DE FERIDOS; VÍDEO DESMENTE

Os profissionais da Educação da rede estadual Minas estão em greve desde 8 de março.

Cobram do governador Fernando Pimentel (PT) o pagamento do piso salarial e do 13º, cumprimento dos acordos assinados, fim do parcelamento dos salários, entre outras reivindicações.

Em Igarapé, 100% da categoria – aproximadamente 200 profissionais – aderiu à paralisação.

Na manhã da última quarta-feira (28/03), como parte da campanha, aconteceram atos regionais para fortalecimento do movimento, com atividades junto à comunidade escolar e estudantes. Um desses atos foi em Igarapé.

A concentração começou logo cedo, na Praça Matriz. Depois, os manifestantes caminharam até a Rodovia Fernão Dias.  Na BR-381, ao bloquearam uma das pistas, os educadores foram imediatamente reprimidos pela PM.

Acompanhe:

Ao boletim do sindicato,  Luiz Fernando de Souza Oliveira, diretor estadual do Sind-UTE/MG e coordenador da Sub-sede Betim, relata:

“Fomos atacados pela PM, que agiu impiedosamente, apenas porque tentávamos dialogar com a sociedade sobre os motivos da greve, que aqui em Igarapé atinge 100% das escolas estaduais. Nosso propósito era dizer aos pais, mães e aos nossos estudantes porque foi preciso radicalizar o movimento. Não houve motivo para que a Polícia Militar nos tratasse assim, com tamanha força e violência. A maioria dos manifestantes eram mulheres e pessoas idosas”.

“Nem conversa houve antes, os policiais já chegaram atirando”,  diz no vídeo abaixo Denise Romano, diretora estadual do Sind-UTE/MG.

Em três momentos, ela se refere a feridos, que precisam ser socorridos.

As imagens  são ruins. Nós o reproduzimos por conta do áudio.

Nós fizemos uma busca no portal do governo de Minas.

O governador Fernando Pimentel não se manifestou sobre a ação da PM em Igarapé.

Em nota publicada em O Tempo, a Polícia Militar afirma, entre outras coisas, que “não houve reclamação de feridos neste momento , o que teria ocorrido cerca de duas horas após a ação”.

Leia abaixo a íntegra da nota da PM:

A Policia Militar de Minas Gerais, acerca das indagações a respeito do policiamento escalado, durante a manifestação ocorrida em 28 de março de 2018, às margens da Br381, região de igarapé, esclarece o seguinte:

O efetivo foi escalado com o intuito de dar segurança aos cerca de 200 manifestantes, prevenindo a possibilidade de ocorrências contra os que ali se manifestavam e demais pessoas, os quais se reuniram na Praça Central de Igarapé, por volta de 08:00h.

Foi feito contato com a direção do movimento, Presidente do SindUT de Igarapé, Sra. Jaqueline, orientando sobre a atuação da PM e sobre os cuidados que deveriam ser observados para manutenção da ordem pública. PM faria a cobertura do evento para garantia dos direitos e deveres dos manifestantes, ocasião em que foi acordado que não haveria fechamento de vias, visando o não prejuízo do direito de ir e vir dos cidadãos locais.

O comboio de manifestação foi escoltado, tendo a PM fechado todos os cruzamentos da cidade para garantia da segurança da população.

Na marginal da BR 381, o caminhão do Movimento convergiu no sentido contrário do informado indo em direção ao leito da BR381, onde permaneceu na margem direita da rodovia. Neste instante, os manifestantes adentraram ao leito da BR 381 correndo e gritando, gerando sérios riscos de acidentes e, com isso, pararam por completo o trânsito na rodovia.

Destaca-se que havia trânsito intenso, além de ser um trecho de elevada velocidade. Foi iniciada a verbalização em alto tom de voz com os manifestantes que estavam bloqueando a via, argumentando sobre o direito de locomoção dos usuários da via e advertindo-os acerca dos aspectos legais que dão legitimidade à ação policial militar.

No entanto, os manifestantes resistiram. Dessa forma, iniciou-se a dispersão, de maneira moderada, ocorrendo violenta resistência por parte de alguns manifestantes mais exaltados, tendo um deles, de compleição física avantajada, agredido a um dos militares e sendo arrebatado pelos demais, no ato de sua prisão.

Foram realizados dois disparos de elastômero e empregadas três granadas de munição química, ocorrendo a dispersão, conforme normas legais vigentes. Não houve reclamação de feridos neste momento, o que teria ocorrido cerca de duas horas após a ação.

O Comando da Unidade, bem como a Sub Corregedoria da Segunda Região da Policia Militar, acompanham os fatos.

Porém, diferentemente do que diz a nota da PM, houve reclamação sobre os feridos, sim, durante a própria manifestação. Isso pode ser ouvido no vídeo.

Segundo  sindicato, os profesores foram atendidos na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Igarapé.

A propósito. “Para impedir que o Sindicato e a categoria registrassem o boletim de ocorrência, a delegacia local fechou suas portas”, relembra Beatriz Cerqueira.

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Publicação de: Viomundo

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