Julgamento

Mobilizações foram chamadas pela Frente Brasil Popular, entidade que reúne movimentos, partidos políticos e sindicatos

José Eduardo Bernardes |
Ex-presidente participa de ato contra o golpe em abril de 2016 Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

Movimentos populares, intelectuais e artistas estão mobilizados para acompanhar o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Porto Alegre, no Tribunal Regional Federal da 4ª região, no próximo dia 24 de janeiro.

Mas o apoio a Lula começa já neste final de semana. Neste sábado (13), diversas capitais pelo país organizam atos em defesa da democracia e do direito do ex-presidente de disputar as eleições presidenciais de 2018.

Os atos são organizados pela Frente Brasil Popular, entidade que reúne movimentos populares, partidos políticos e centrais sindicais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Em São Paulo, o Lançamento do Comitê Popular em Defesa da Democracia e de Lula, será às 11h da manhã, no diretório municipal do PT. Em Porto Alegre, a mobilização acontece nos Arcos da Redenção, no Parque Farroupilha, com aulas públicas da filósofa Marcia Tiburi, da senadora e presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, e da pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB, Manuela D’ávila.

Já em Brasília, a concentração para o ato acontece na Feira da Ceilândia, às 10h30. Outro movimento de apoio a Lula será organizado pela Frente Brasil Popular na cidade de Joinville, em Santa Catarina, com uma aula pública com a jurista Carol Proner.

Segundo Gleisi Hoffmann, é importante que os movimentos populares se articulem na defesa do ex-presidente neste momento.

“Os Comitês dão visibilidade material à campanha em defesa da democracia e do Lula ser candidato. E ao mesmo tempo, mobilizam não só a militância, mas também pessoas que querem ter uma forma de participar desse processo de defender a democracia e o Lula”, disse a presidenta do PT.

Irregularidades

O julgamento do Tribunal Federal de Porto Alegre aconteceu em tempo recorde. O recurso de Lula começou a tramitar no tribunal no dia 23 de agosto, 42 dias depois da condenação pelo juiz Sérgio Moro, no caso do “Tríplex do Guarujá”. O recurso também passou à frente de outras sete ações da operação Lava Jato, cujos recursos haviam chegado antes ao Tribunal.

Para a senadora, a sentença do juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente dispensou argumentos jurídicos e se baseou apenas em convicções. Por isso, os comitês pela democracia são vitais para que o processo legal seja respeitado.

“Como nós estamos tendo uma decisão, uma atuação política do Judiciário, nós achamos que o Judiciário tem que ser pressionado de forma política, a se pautar pelo devido processo legal e por argumentos jurídicos. Tanto que vários juristas, pelo menos 122 juristas, se posicionaram em artigos que foram publicados em um livro, exatamente questionando isso”. 

Diálogo

A vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Jessy Dayane, que integra a Frente Brasil Popular, destaca que os comitês serão um espaço de diálogo com a sociedade.

“Para enraizar o debate sobre o que está acontecendo em nosso país e denunciar mais um passo do golpe de Estado no Brasil, que é a tentativa de inviabilizar a candidatura de Lula à Presidência do Brasil em 2018. Além de cumprir com esse papel, de ampliar o debate, o diálogo com a sociedade, também cumpre o papel de ferramenta de organização do povo”. 

Além de juristas, artistas e intelectuais têm demonstrado apoio ao ex-presidente. Sérgio Mamberti, Maria Casadevall, Osmar Prado, Chico César, Bruno Garcia, entre outros, gravaram vídeos para a campanha em defesa de Lula.

Já os ex-presidentes Rafael Correa, do Equador, José Mujica, do Uruguai, Cristina Kirchner, da Argentina e Ernesto Samper, da Colombia, se solidarizaram com Lula e assinaram o manifesto que pede a presença do ex-presidente no pleito deste ano, chamado “Eleição Sem Lula é Fraude”.