O site antagonista funciona como uma espécie de porta-voz oficioso da Lava Jato. Os três sujeitos que pilotam o site falam quase que como parte da força-tarefa de Curitiba. Dão diretrizes e apontam alvos para a operação.

Cumpre-me repetir um dos episódios mais impressionantes envolvendo a Lava Jato e o Antagonista.

Em abril deste ano, durante depoimento de Marcelo Odebrecht, o site Antagonista transmitiu a sessão sigilosa. Ao vivo. Um advogado de Lula, presente ao depoimento, protestou e exigiu que os celulares de todos fossem verificados para descobrir quem transmitiu. Moro negou.

Os presentes ofereceram celulares voluntariamente, mas, certamente, algum deles escondeu o celular que transmitiu a sessão. Isso foi possível porque Moro dispensou a obrigatoriedade de os presentes entregarem seus aparelhos para verificação. Alguns, porém, decidiram entregar seus aparelhos voluntariamente.

Segundo matéria do Estadão ficou tudo por isso mesmo, como se um fantasma tivesse transmitido o depoimento. Moro, sem perícia, disse que nenhum dos aparelhos transmitiu e não exigiu revista dos presentes para saber se portavam aparelho que não apresentaram.

 

O caso ocorreu poucas semanas após este blogueiro ter sido alvo de operação da PF em sua residência que o levou para depor coercitivamente sobre acusação da Lava Jato de Eduardo Guimarães ter “avisado” Lula sobre a 24ª fase da Lava Jato.

No dia da operação, o site Antagonista já dava detalhes sobre meu depoimento poucos minutos após ter sido concluído e eu ter sido liberado.

O tempo todo, O Antagonista fala sobre a Lava Jato como se tivesse informações “de dentro”, como se fosse parte da força-tarefa de Curitiba. Foi o que ocorreu hoje, 14 de novembro de 2017, em vídeo de um dos sujeitos que pilotam o Antagonista publicado no YouTube.

O Antagonista está dizendo que, quando a Polícia Federal fez a operação de busca e apreensão na casa de Lula, teria deixado de revistar uma das salas. A argumentação do sujeito é meio confusa, mas, enfim, ele acusa os policiais que revistaram o instituto Lula por não terem vasculhado essa sala e, ao mesmo tempo, diz que um dos envolvidos pela Lava Jato teria sido avisado pelo Blog que “vazou” a operação contra Lula em 4 de março de 2016, ou seja, o Blog da Cidadania.

O que o Antagonista não conta é que seu site tem uma história bem interessante, também.

Em outubro, vazou um áudio obtido pela revista VEJA em que o diretor da J&F Ricardo Saud conversa com Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred, primo do senador afastado Aécio Neves, sobre as preocupações do grupo empresarial com pagamentos de caixa dois eleitoral realizados ao marqueteiro Paulo Vasconcelos, que comandou a campanha do senador tucano à Presidência da República em 2014.

Segundo Saud, a JBS, uma das empresas do grupo J&F, pagou 12,3 milhões de reais ao marqueteiro. Apesar de Paulo Vasconcelos ter emitido notas fiscais em favor da JBS, nenhum serviço teria sido prestado, o que preocupava Saud.

“Tem uma coisa que está me preocupando demais”, disse Saud ao primo de Aécio. “O Paulo Vasconcelos vai sair chamuscado, você sabe, né? Eu paguei 12,3 milhões para ele de nota. Eu não tenho nenhum serviço desse cara. Não tem nada, zero”, continuou o executivo. O primo de Aécio, que foi um dos coordenadores de campanha do tucano, pareceu se preocupar com o que ouviu de Saud. “Isso é grave. Tem que resolver isso”, disse Fred.

O executivo da J&F estava preocupado que a Polícia Federal pudesse apreender blocos de notas fiscais frias emitidas por Paulo Vasconcelos. “Semana que vem tem jeito de a gente encontrar o Paulo [Vasconcelos] e a Andrea [Neves, irmã de Aécio]? Não pode deixar. Vai sair o Paulo Vasconcelos. Aí, meu amigo, se derem uma batida lá e forem no talão de nota, vão pegar 12,3 milhões da JBS na data da campanha do Aécio sem nenhum serviço pra nóis. O que você acha que vai ser? Sem nenhum serviço pra nóis”, diz Saud.

Na sequência, Saud sugere uma manobra para esquentar as notas de Vasconcelos, simulando a prestação de serviços do marqueteiro para a JBS. “Se ele quiser, eu dou pronto pra ele um vídeo ou um catálogo, produção interna nossa, e ele assina, faz de conta que ele fez”, diz Saud. “Por que ele não faz um contrato comigo? Vai ter que fazer retroativo dentro desse mês. Tem que resolver dentro desse mês”, disse. “Pode deixar”, diz Fred.

Depois da conversa com Fred, Saud se reúne com o próprio Paulo Vasconcelos. No encontro, o executivo da J&F diz ao marqueteiro que os dois precisam forjar serviços para justificar o repasse dos 12,3 milhões de reais. “Vão falar que era caixa dois. Precisamos achar o produto”, afirma Saud.

Vasconcelos responde que, do valor total, só recebeu 2,5 milhões de reais. O dinheiro, segundo ele, era o pagamento de análises de pesquisas e do cenário eleitoral feitas a Joesley Batista durante a campanha de 2014. Haveria provas disso, como os registros de entrada do marqueteiro no prédio da J&F.

Vasconcelos também ponderou que Henrique Meirelles, então presidente da holding J&F, participou de uma dessas reuniões na qual ele tratou da corrida presidencial para Joesley. Saud atalha o interlocutor, deixando claro que os investigadores não aceitarão essa narrativa nem acreditarão que o marqueteiro de Aécio Neves, em meio à disputa ao Planalto, encontrou tempo para trabalhar como consultor.

“Como é que uns homens desses (referindo-se à cúpula da J&F), que sabem mais do que todo mundo, estão fazendo pesquisa, diagnóstico?”, pergunta Saud, em tom de ironia. Vasconcelos capitula: “Então, me ajude a te ajudar”.

Vasconcelos foi citado no começo do ano por este Blog na matéria “Marqueteiro de Aécio fez o site de Mainardi”.

Aécio Neves, quando foi candidato do PSDB à Presidência da República, em 2014, contratou o marqueteiro Paulo Vasconcelos, citado pelo primo de Aécio. Em 2002 e 2006, fez as campanhas do tucano ao governo de Minas, ambas vitoriosas. Em 2010, coordenou as campanhas de Aécio ao Senado e Antônio Anastasia ao governo de Minas. Foi o responsável pela propaganda eleitoral de Márcio Lacerda (PSB), prefeito de Belo Horizonte e parceiro dos tucanos, em 2008.

Paulo Vasconcelos é, também, o dono da Webcitizen, empresa que há vários anos vem mantendo relações com o site O Antagonista, pertencente ao jornalista Diogo Mainardi. Segundo a imprensa vem divulgando, delações da Odebrecht afirmam que o senador Aécio Neves era pago por meio de repasses a uma das agências de publicidade de Paulo Vasconcelos.

Ocorre que Vasconcelos e/ou sua agência, Webcitizen, prestaram vários serviços a Mainardi, como ele mesmo admitiu em seu site.

Ano passado, o Blog da Cidadania recebeu a informação de que a empresa do marqueteiro de Aécio Neves também foi a responsável pela confecção do site Antagonista e, assim, entrou em contato com o Vasconcelos, mas não obteve resposta.

Porém, o Blog da Cidadania também manteve contato com o sócio de Vasconcelos, senhor Fernando Barreto, e obteve respostas às suas perguntas. Confira, abaixo, a troca de e-mails.

Como se vê, esse site Antagonista tem muitas histórias interessantes para contar. Inclusive sobre si mesmo e seus idealizadores…

Assista, abaixo, o vídeo do ataque do Antagonista a esta página e, em seguida, vídeo que publiquei na TV Cidadania sobre retaliação desse site por eu ter revelado suas relações com o governo de Minas Gerais quando o PSDB estava no poder.

 

O post Antagonista manda Lava Jato atacar Blog da Cidadania apareceu primeiro em Blog da Cidadania.

Publicação de: Blog da Cidadania