Monthagosto 2017

Ultrafarma e Doria entram “juntos” em campo: “Doação seria até bem-vinda se revertesse para leite e transporte escolar cortados das crianças”, critica vereadora

por Conceição Lemes

Foi publicado no Diário Oficial do Município de São Paulo desta quinta-feira (31/08) o seguinte despacho:

Quem assistir daqui a pouco à transmissão da partida Brasil e Equador verá no campo o produto deste despacho: painéis de publicidade sobre a cidade de São Paulo.

Isso já aconteceu em 23 de março, no jogo Brasil e Uruguai, quando foi veiculada propaganda do programa Cidade Limpa.

O prefeito João Doria Jr., que já cortou até leite das crianças, foi criticado por fazer propaganda da cidade em mídia nacional que, soube-se, no dia seguinte, foi bancada pela empresa vendedora de remédios Ultrafarma, de Sidney Oliveira.

Para a partida de hoje, Doria mudou um pouco a estratégia. Talvez como vacina, já publicou o despacho da publicidade a ser veiculada e o doador. Será a mesma Ultrafarma.

Qual será o teor da propaganda desta vez?

Falará da Cidade Limpa?

Ou divulgará seus “feitos” na saúde pública?

Se em março se poderia colocar na conta do seu estilo marqueteiro, agora tem um objetivo óbvio: está em campanha para disputar a presidência da República.

Já o “magnânimo” Sydnei de Oliveira está fazendo doação para a Prefeitura –  na verdade, é para o Doria — a troco de quê?

Se a intenção fosse mesmo ajudar a Prefeitura, por que não repassou esse dinheiro para merenda? As crianças estão proibidas de repetir a refeição. Muitas têm como única refeição a que comem na escola.

Ou então para o programa de leite que Doria também cortou?

Ou ainda para reformar a Unidade Básica de Saúde República, na região central de São Paulo?

Em janeiro, o forro dessa UBS desabou e o governo Doria prometeu reabrir em 90 dias. Passaram-se oito meses (240 dias) e nada de reforma. Nessa quarta-feira (30/08), Doria disse que não será mais reaberta.

Doria prevê o fechamento de 50 UBS e todas as unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMA).

Há uma semana o Metro Jornal, com base na lei de acesso à informação, denunciou que faltam 2.360 médicos na rede pública da capital.

O secretário da Saúde, o médico cirurgiãoWilson Pollara, tal qual o ministro da Saúde, o engenheiro Ricardo Barros, jogou toda a culpa pela má gestão dos serviços nos seus colegas de profissão:

“O prejuízo no atendimento é causado por médicos contratados que faltam ao serviço, não por não ter médicos”

O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) reagiu à altura (na íntegra, ao final):

A fala de Pollara é um desrespeito com a categoria. Tanto médicos concursados, que trabalham na administração direta, ou de organizações sociais, são obrigados a trabalhar com péssimas condições em serviços que contam com o desabastecimento de insumos.

Mesmo com condições adversas impostas pela prefeitura, os médicos se esforçam ao máximo para oferecer assistência de qualidade para a população.

(…)

A falta de profissionais médicos no município de São Paulo acontece porque a prefeitura não tem uma política clara de provimento de recursos humanos na saúde.

Existe uma demanda por novos concursos públicos, a prefeitura não chama médicos já aprovados em concursos vigentes (não cumprindo sua promessa de campanha) e cada organização social tem a própria política de recursos humanos, o que dificulta a organização do trabalho médico no município.

Além disso, Doria reduziu o passe livre estudantil, extinguiu 51 linhas de ônibus, reduziu convênios de assistência social, encerrou oficinas culturais para crianças e adolescentes nos Centros Educacionais Unificados (CEU), reduziu apoio a grupos culturais

Para justificar os cortes, o prefeito alega ter herdado rombo de R$ 7,5 bilhões da gestão Fernando Haddad (PT).

Não é verdade. Quando Doria assumiu tinha R$ 5,4 bilhões nos cofres do município deixados pela gestão Haddad.

Para o ex-vereador Odilon Guedes, mestre em economia pela PUC-SP, o prefeito pode estar segurando a verba para aplicar no final de 2017 e início de 2018, ano em que serão realizadas eleições presidenciais e para governos do estado.

Em entrevista à RBA, Odilon Guedes disse:

“O governo Doria vive de marketing. É possível que esteja deixando para fazer investimentos e ações que impactem a população no ano eleitoral. Ele gosta de se proclamar gestor. Bem, o que se espera de um gestor é que saiba se virar na adversidade e não que saia simplesmente cortando tudo”

Reitero: o dono da Ultrafarma está bancando o Doria a troco de quê?

Será que ele ainda sonha com a ressuscitação do projeto de Doria de acabar com as farmácias públicas das unidades de saúde e os medicamentos serem entregues na rede privada ?

“Nesse tipo de publicidade não prevalece o interesse público da cidade. É mais uma jogada de marketing associando a figura do Doria à famosa camisa canarinho da seleção brasileira e que foi bastante explorada nas manifestações contra a Dilma”, critica a vereadora Juliana Cardoso (PT).

“Com certeza trata-se de uma doação para promover a gestão e que seria até bem-vinda se fosse para reverter os cortes de leite das crianças  e do transporte escolar”, arremata.


Secretário de Saúde de São Paulo culpabiliza médicos por má gestão dos serviços

Sindicato dos Médicos de São Paulo repudia fala de Wilson Pollara, pois prefeitura é a responsável pela má qualidade dos serviços de saúde

SIMESP

Em matéria publicada ontem, dia 24, no Metro Jornal, foi divulgado que faltam 2.360 médicos na rede pública da capital, os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação. Em resposta, o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Wilson Pollara, afirmou que “o prejuízo no atendimento é causado por médicos contratados que faltam ao serviço, não por não ter médicos”. O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) repudia a fala do secretário, que culpabiliza médicos pela má gestão dos serviços.

A fala de Pollara é um desrespeito com a categoria. Tanto médicos concursados, que trabalham na administração direta, ou de organizações sociais, são obrigados a trabalhar com péssimas condições em serviços que contam com o desabastecimento de insumos. Mesmo com condições adversas impostas pela prefeitura, os médicos se esforçam ao máximo para oferecer assistência de qualidade para a população.

Atualmente a maioria dos médicos que trabalha na rede da prefeitura são contratados por organizações sociais (OSs), que possuem ponto eletrônico. Esses médicos não só cumprem com a produtividade exigida pela OS, como também seguem a exigência de assiduidade, feita pelos empregadores.

A falta de profissionais médicos no município de São Paulo acontece porque a prefeitura não tem uma política clara de provimento de recursos humanos na saúde. Existe uma demanda por novos concursos públicos, a prefeitura não chama médicos já aprovados em concursos vigentes (não cumprindo sua promessa de campanha) e cada organização social tem a própria política de recursos humanos, o que dificulta a organização do trabalho médico no município.

A Secretaria de Saúde, ao culpabilizar o próprio profissional pela falta de médicos, demonstra um imenso desrespeito para com os profissionais dessa categoria. Com essa atitude, o secretário demonstra também desrespeito com a população e descaso com a saúde.

O post Ultrafarma e Doria entram “juntos” em campo: “Doação seria até bem-vinda se revertesse para leite e transporte escolar cortados das crianças”, critica vereadora apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Temer quer de todas as formas apressar entrega de mão beijada das riquezas nacionais


coluna

Governo está com muita pressa para facilitar a ação de mineradoras estrangeiras

Mário Augusto Jakobskind |
Temer viajou para a China para participar de uma reunião dos BRICS Isac Nobrega/PR

A Justiça Federal em Brasília decidiu suspender o decreto extinguindo a Reserva Nacional de Ouro e Cobre (RENCA), na Amazônia, por considerar totalmente ilegal a medida sancionada pelo governo golpista do putrefato Michel Temer. A Advocacia Geral da União vai apelar. Na verdade, o governo usurpador está com muita pressa para facilitar a ação de mineradoras estrangeiras, tanto assim que cinco meses antes do que Temer baixou, o ministro golpista das Minas e Energia Fernando Coelho Filho, adiantou no Canadá que aconteceria o decreto presidencial.

Pressionado, o governo golpista tentou enganar os incautos e baixou outro decreto em que afirma que garantiria a preservação do meio ambiente e as terras indígenas. Uma mentira do tipo que os responsáveis pelo programa governamental costumam revelar com a colaboração da mídia comercial conservadora. Se os golpistas pensam que convencem a opinião pública estão muito enganados, porque o putrefato político Michel Temer perdeu a credibilidade se é que algum dia a teve.

O que está acontecendo em relação à Renca é simplesmente uma repetição do que vem sendo feito habitualmente por este governo que representa e agrada apenas um setor minoritário, qual seja, os empresários que só se interessam  em investir visando o lucro fácil em detrimento da maioria a população brasileira. Essa é a verdade que os golpistas tentam esconder da população através de embromações midiáticas com a ajuda de alguns analistas de sempre.

A TV Globo com seus telejornais em todos os horários manipula grosseiramente informações com o claro objetivo, por exemplo, de os parlamentares aprovarem o que os “analistas” denominam de reforma da Previdência. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado, praticamente ignorada pela mídia comercial conservadora, comprova a falsidade sobre o propalado déficit da Previdência.  Mas a Rede Globo não está nem aí para essa informação e martela diariamente no déficit do orçamento devido ao aumento dos gastos com a Previdência.

Concomitante a isso, o Ministro da Fazenda e aposentado do Bank of Boston aparece com entrevistas do gênero chantagem, ou seja, se nada for feito com a Previdência o Estado brasileiro vai quebrar etc e tal. Ao mesmo tempo, o putrefato Michel Temer viaja para a China para participar de uma reunião dos BRICS e aproveitará a oportunidade para convencer os chineses para investir no Brasil em áreas do Estado que estão sendo privatizadas. Na verdade, o que prevalece para Temer é a ânsia de levar adiante o mais rápido possível a  entrega das riquezas do país. Aí pode ser qualquer um que esteja disposto a obter vantagens, independente da coloração política.

Ao mesmo tempo em que isso acontece, o governo golpista brasileiro abre a região Amazônica para a realização de exercícios militares, impostos pelos Estados Unidos, com a participação também da Colômbia e Peru. Os exercícios serão realizados em uma área próxima da fronteira com a Venezuela, país que já vem sofrendo sanções econômicas por parte do governo de Donald Trump com o claro objetivo de desestabilizar o governo bolivariano. A China, por sinal, se manifestou contra esse ataque norte-americano, que tem por objetivo criar uma situação de tamanha instabilidade que possa resultar em uma agressão militar.

Será apenas coincidência a realização de exercícios militares conjuntos na área Amazônica? Será que os militares brasileiros aceitarão de bom grado as manobras conjuntas que para muitos analistas podem resultar em uma agressão já colocada em pauta por Donald Trump ao admitir a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela?  Será que os militares brasileiros aceitarão repetir o que fizeram em 1965 ajudando os Estados Unidos na intervenção realizada na República Dominicana? Era um tempo em que o Brasil estava sob o domínio de um golpe empresarial militar e em que um ministro do Exterior, Juracy Magalhães,  afirmava, sem se envergonhar, muito pelo contrário, que o que “é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

Hoje, o Brasil está sob o domínio de um governo resultante de um golpe parlamentar, midiático e judicial sem a participação direta dos militares. Como para muitos os tempos hoje são outros, vale uma pergunta que não quer calar: será que aceitarão passivamente repetir o que fizeram há 52 anos, ajudando na derrubada de um governo que pretendia realizar reformas necessárias que o então governo dos Estados Unidos não aceitava em hipótese alguma? Hoje, a Venezuela rica em petróleo está na mira de Trump, o que em si é um perigo, que o Brasil não deveria se envolver.

Temer e sua gangue estão destruindo o Brasil desde 12 de maio de 2016

por Conceição Lemes

Hoje, 31 de agosto de 2016, faz um ano que a presidenta Dilma Rousseff foi afastada definitivamente da Presidência da República.

A mídia, em geral, está fazendo balanço desse afastamento definitivo.

Porém, um detalhe importante que tem passado ao largo da cobertura da mídia tradicional: o fato de que Temer e sua gangue estão no poder desde o dia 12 de maio de 2016, quando o Senado aprovou o afastamento de Dilma por 180 dias.

Uma carta publicada hoje no Guardian espelha isso.

Aproveitando-se dessa falha na cobertura, os golpistas estão aproveitando pra dizer que estão no governo só há um ano.

Temer, na verdade, começou a destruir conquistas do povo brasileiro já na primeira semana como ocupante da cadeira de presidente.

A lista de retrocessos  das duas primeiras semanas de governo Temer

por Kika Castro, em seu blog, via Altamiro Borges

Nem bem começou a era do presidente interino Michel Temer (PMDB) – que foi alçado ao poder após um golpe que afastou por 180 dias a presidente eleita Dilma Rousseff -, e já é possível detectar uma lista de medidas anunciadas ou previstas pelo novo governo que representam retrocesso ao país.

Sabe aquele retrocesso que eu torcia para que não ocorresse? Há uma diferença entre torcida (otimismo) e realidade (cada dia mais pessimista). E, neste post de hoje, quero esmiuçar essa diferença para quem não fez as contas ainda.

Quando este post for ao ar, Michel Temer completará 14 dias como presidente da República interino. Nesse período, contei 16 retrocessos, que listo abaixo, com links, para quem quiser se aprofundar melhor sobre cada item. Nos próximos dias, vou acrescentando os novos retrocessos (esperados) à lista e, daqui a algumas semanas, republico a relação atualizada.

Aí vai minha lista preliminar:

12/5 – Temer nomeou para ministros pessoas investigadas na Operação Lava Jato e também em outros crimes — demonstrando como o mote de “combate à corrupção”, usado para afastar Dilma do cargo para o qual foi eleita, era balela. Um desses ministros, Romero Jucá, da importante pasta do Planejamento, foi derrubado na segunda semana de governo, porque ficou demonstrado que ele apoiou o impeachment de Dilma para tentar bloquear a Lava Jato, que o investiga. A barganha de cargos também continuou no “novo governo”.

12/5 – Em sua reforma ministerial, Temer cortou uma pasta importante, como já demonstrado aqui no blog (e AQUI), a da Cultura. Foi tão criticado que voltou atrás erecriou o MinC dias depois. Como seu governo só tinha homens — pela primeira vez, desde a era do ditador Geisel (1974-79) –, Temer saiu convidando uma porção de mulheres para ocupar o MinC, mas todas recusaram o convite. Acabou ficando nas mãos de um homem mesmo, sendo este um dos governos menos plurais e representativos dos últimos tempos.

16/5 – Temer revê criação de áreas indígenas e desapropriações de terras, além do Marco Civil da Internet, que incomoda às operadoras de telefonia.

16/5 – Novo ministro da Justiça já pensa em reduzir a autonomia da Procuradoria Geral da República. Ele recuou do que disse em entrevista, mas ficou registrado…

17/5 – Ministro revoga a construção de 11.250 unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida destinadas a famílias com renda de até R$ 1.800.

17/5 – José Serra, novo ministro das Relações Exteriores, abriu fogo contra os países vizinhos e da África e já chegou ao Itamaraty querendo fechar embaixadas abertas pelo governo Lula. Uma burrice, como se lê nesta breve análise.

17/5 – Ministros de Temer querem legalizar jogos de azar, como bingos, cassinos e jogos do bicho. O Ministério Público Federal acha que essa medida incentivaria a corrupção e a lavagem de dinheiro.

17/5 – Novo ministro da Saúde já pensa em cortar verbas do SUS e programas importantes, como o Farmácia Popular. Depois recuou do que disse na entrevista, mas também ficou registrado…

18/5 – Temer escolhe como líder de seu governo na Câmara André Moura, um cara que responde a seis processos criminais no STF, sendo réu de crimes graves, como apropriação indébita, desvio de bens públicos e até envolvimento em tentativa de homicídio.

20/5 – Governo suspende novas contratações do Minha Casa Minha Vida.

20/5 – Temer exonera presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) nomeado por Dilma, apesar de a legislação prever mandato de 4 anos para ele. Temer quer até mudar a leipara adequar sua decisão. Coloca em seu lugar um jornalista ligado a Eduardo Cunha e a Aécio Neves que já começou censurando a participação de pessoas críticas ao governo Temer em programa jornalístico da TV pública.

23/5 – Governo suspende novas vagas para Pronatec e Fies.

23/5 – Governo quer acelerar privatizações, inclusive na área do petróleo. Mais informações AQUI, AQUI e AQUI.

23/5 – Temer prepara reforma trabalhista, que pretende derrubar direitos garantidos há décadas pela CLT.

24/5 – O tão esperado anúncio do pacote de ajuste fiscal do governo Temer, sob a batuta de Henrique Meirelles, nada mais foi que um arrocho social sem grandes efeitos na economia. Ver análise AQUI. A propósito, a reação do (deus) Mercado foi de dúvida.

24/5 – Temer vai abrir a exploração do pré-sal, retirando a obrigatoriedade de ficar nas mãos da Petrobras, o que atinge a soberania nacional e uma das maiores riquezas do país.

Retrocesso é um conceito subjetivo: depende da visão de mundo que nós temos sobre o que achamos melhor para nosso país. Por isso, se você discorda do meu conceito, fique à vontade para comentar.

Se você viu outros retrocessos já praticados por este governo de Michel Temer, comente também! Como eu disse, vou acrescentando à lista aos poucos. Tenho a impressão de que ela vai ficar cada dia maior.

O post Temer e sua gangue estão destruindo o Brasil desde 12 de maio de 2016 apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Pedro Celestino: Um ano depois do golpe, a soberania e o futuro do Brasil em liquidação

Brasília – DF, 31/08/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante declaração a imprensa após comunicado do Senado Federal sobre o Processo de impeachment. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Brasil em liquidação

por Pedro Celestino, no portal do Clube de Engenharia

O governo Temer, desde que assumiu, sob a justificativa de resolver pretensa crise fiscal, dedica-se a propor e implementar o desmonte sistemático das conquistas econômicas e sociais das últimas oito décadas, que levaram nosso país a passar da condição de mero exportador de produtos primários à de uma das maiores economias do mundo.

A arrecadação federal está em queda livre, é verdade, mas por conta da depressão da economia e conseqüente colapso da demanda, fruto da política econômica conduzida por banqueiros, tanto no Ministério da Fazenda como no Banco Central, dedicados a atender única e exclusivamente aos interesses do setor financeiro, privilegiado com generosas taxas de juro, as mais elevadas do planeta, o que faz com que quase metade da arrecadação federal se destine ao pagamento de juros, ao mesmo tempo em que são congelados todos os demais gastos da União.

A mesma lógica leva o país a manter mais de 380 bilhões de dólares em reservas internacionais, muito mais do que o necessário para o pagamento das nossas contas externas.

Alardeia-se, mais e mais, a crise fiscal, para impor como única saída a venda, a toque de caixa, de ativos estratégicos indispensáveis ao nosso desenvolvimento.

Compromete-se o futuro do país nas próximas décadas.

Assim, propõe-se desfigurar o BNDES, como se fosse um banco privado qualquer, e não o principal indutor do nosso desenvolvimento industrial.

Acelera-se o desmonte da Petrobras, fatiada para que passe apenas a ser produtora de óleo, e amplia-se a venda a petroleiras estrangeiras das reservas do Pré-Sal, a maior descoberta de óleo dos últimos 30 anos no mundo; nesse ritmo, dentro de 5 anos seremos grandes exportadores de óleo e importadores de derivados e petroquímicos, tal como os países do Oriente Médio.

Propõe-se agora privatizar as hidrelétricas da Eletrobrás e entregar ao “mercado” a responsabilidade de organizar o sistema elétrico. Energia passará a ser tratada como mercadoria, negociada em bolsa; as tarifas, que já são as mais altas do mundo, fruto de sucessivos erros cometidos desde 1995, subirão ainda mais, inviabilizando o desenvolvimento industrial.

Na mineração, três recentes Medidas Provisórias reformulam o marco regulatório do setor (Código de Minas), extinguem o Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) e reorganizam a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), tudo com o propósito explícito de desnacionalizar o aproveitamento dos nossos recursos naturais.

Ciência, tecnologia e educação são desorganizadas, e encaradas como negócio a atrair crescente apetite estrangeiro.

O Sistema Único de Saúde (SUS), único meio de acesso popular à saúde e a medicamentos, é esvaziado para que seguradoras estrangeiras passem a “cuidar” da área.

Por fim, várias medidas anunciadas e em vias de implementação atingem a soberania brasileira, entre as quais se destacam a privatização do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC); a emenda constitucional que elimina o monopólio da União nas atividades de exploração, pesquisa e produção de energia nuclear; e o corte de verbas no âmbito do Ministério da Defesa prejudicando o andamento de projetos estratégicos, como o submarino a propulsão nuclear, o projeto SISFRON e aquisição dos caças para a Força Aérea.

Como se vê o tratamento proposto para o equacionamento da crise fiscal consiste apenas na liquidação, como xepa de fim de feira, de ativos pertencentes ao nosso povo, comprometendo o futuro da nação.

A persistir este rumo continuaremos em crise, apenas mais pobres, pelo que impõe-se à sociedade, pelas suas entidades representativas, empresariais, de trabalhadores, dos intelectuais e acadêmicos, resistir para impedir a continuidade do desmonte.

Leia também:

Temer entrega o ouro… e o chumbo, o manganês, o nióbio

O post Pedro Celestino: Um ano depois do golpe, a soberania e o futuro do Brasil em liquidação apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Dilma Rousseff: Judicial attacks against Lula represent ‘the coup’s second stage’


Exclusive Interview

Brazil's ex-President reflects on the impacts of neoliberalism implemented under the Temer administration

José Eduardo Bernardes |
Former Brazilian President Dilma Rousseff Mídia Ninja

Former Brazilian President Dilma Rousseff spoke with Brasil de Fato in an exclusive interview to discuss the current state of affairs in her country. 

The interview marks one-year since Brazil’s first female president was illegitimately impeached as the head-of-state by the country’s politically conservative congress. On August 31, 2016, Brazil’s Senate voted 61-20 to impeach the leftist president for allegedly violating budgetary laws.

“They intentionally created a process to have me removed from government. They also bought votes from two hundred and seventeen deputies that have continuously defended the impunity of president Temer,” Dilma told Brasil de Fato.  

She went on to argue that the country is entering the second stage of a “coup”, as certain members of the Brazilian judiciary and political opposition parties are seeking to delegitimize and discredit President Lula da Silva in the lead up to the 2018 presidential elections. 

“Impeachment is only the first stage of the coup. The second stage is very conservative and reactionary, on the one hand, and extremely radical, on the other. The second stage forms part of an attempt to prevent Lula from participating in the 2018 elections by manufacturing judicial “facts” against him,” the former head-of-state said. 

Current President Michel Temer, Rousseff’s Vice President, replaced the leftist leader in May of last year, when the political trial that temporarily suspended her presidency began. 

Since Rousseff’s removal, Temer’s government has rolled back many of the policies implemented under her administration that protected workers, women, nature and Black and Indigenous people. His government has one of the lowest approval ratings in Brazil’s history.

Meanwhile, it is alleged that President Temer negotiated bribes from Brazilian food conglomerate JBS. However, earlier this month, the lower house voted against allowing the Brazilian Supreme Court to move forward with charges against him. 

Despite having a record low approval ratings Temer has been able to maintain congressional support to block the probe against him. 

In her interview, Rousseff emphasized the need to implement political reform in the country, which formed a key part of her 2014 presidential campaign platform. 

She also criticized and highlighted the series of ongoing privatization measures being carried out under the Temer administration such as the proposal to privatize Eletrobras. 

“This proposal stems from the neo-liberal ideological belief that the state should be removed from all economic activities including the provision of basic services such electric energy,” Rousseff stated. 

Under the previous two administrations, led by former presidents Lula da Silva (2003-2011) and Dilma Rousseff (2011-2016) from the Workers Party (PT), Eletrobras became one of Brazil’s largest utility companies, currently generating around 40% of Brazil’s electricity.

“So, this measure is neoliberal in essence. One of the fundamental principles of neoliberalism is to withdraw the state from all economic activities. This is especially true in the area of ??energy mainly due to its lucrative nature,” Rousseff added. 

The sale of Eletrobras is still waiting approval from various government bodies such as the special privatization council along with other government and industry regulators. 

Meanwhile, Brazil’s biggest unions have threatened to continue strike actions, if more workers are laid off at a time when the country is experiencing high unemployment rates of 13%.

PR: Festa em Quatro Barras leva ao público sementes crioulas e agricultura familiar


Agroecologia

Confira esse e outros destaques culturais para os próximos dias

Redação |
Sementes crioulas são variedades tradicionais de sementes, que guardam a riqueza natural das nossas terras Joka Madruga

[1/09 8h]

O município de Quatro Barras recebe, no próximo domingo (3), a 5ª Festa Regional das Sementes Crioulas. O evento tem o objetivo de fortalecer e valorizar o modelo da agricultura familiar, praticado na contramão do modelo dominante da agricultura em larga escala. A agroecologia tem por prioridade o desenvolvimento de uma produção livre de agrotóxicos e transgênicos, garantindo o alimento e a saúde às próximas gerações. 

Programação 

A Festa espera um público de mil pessoas, entre representantes da agricultura familiar, entidades e de organizações sociais, além da comunidade urbana. Entre as atividades, está previsto um almoço agroecológico, além de exposições e feirantes que levam ao evento suas sementes, mudas, artesanato e alimentos prontos para o consumo. 

Você sabia? 

Sementes crioulas são variedades tradicionais de sementes, selecionadas durante décadas, que guardam a riqueza natural das nossas terras. Livres de veneno, são produzidas por agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas e indígenas. 

Para ficar por dentro 

Feira Regional das Sementes Crioulas 2017 

Quando: Domingo, 3 de setembro, das 9h às 19h 

Onde: Portal do Itupava – rua Jacó Zattoni, 2719, Quatro Barras (PR)

Agenda cultural

[CINEMA] Corpo Elétrico 

O quê: A cinemateca de Curitiba exibe o aclamado filme Corpo Elétrico, que conta a história de Elias e seus sonhos com o mar. Depois de uma noite fazendo hora extra no trabalho, ele e seus colegas decidem sair e tomar uma cerveja. É quando novas possibilidades de encontros surgem no horizonte de sua vida. 

Quando: 31/08 a 06/09, de terça a domingo 

Onde: Cinemateca de Curitiba – rua Presidente Carlos Cavalcanti, 1174, Centro de Curitiba 

Quanto: R$10 e R$5 (meia entrada) 

[ EXPOSIÇÃO ]  Alemanha dos anos 30 por Bertolt Brecht  

O quê: A mostra é composta por 16 cartazes com poemas de Brecht escritos durante o seu exílio da Alemanha hitlerista – além das traduções, em português, o texto original, em alemão, foi inserido no cartaz. A exposição é o resultado de um projeto do Departamento Acadêmico de Linguagem e Comunicação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 

Quando: De 30/09 a 30/10 

Onde: pátios da UTFPR – Av. Sete de Setembro, 3165, Centro de Curitiba 

Quanto: Entrada franca. 

[EXPOSIÇÃO] Palavras do Paraná  

O quê: Para apresentar um pouco do vasto e rico universo da literatura paranaense, a Biblioteca Pública do Paraná e a Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) organizam a exposição “Palavras do Paraná”, que reúne 11 dentre os principais autores do Estado (como Helena Kolody e Dalton Trevisan). A mostra integra o Mês da Literatura, no hall da SEEC.  

Quando: 24 de agosto e 29 de setembro de 2017, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h  

Onde: Hall da SEEC – Rua Ébano Pereira, 240, Centro de Curitiba. 

Quanto: Entrada franca. 

[MÚSICA] Segunda edição do Samba da Resistência 

O quê: O Samba da Resistência é um projeto voltado a resgatar músicas sociais e políticas sobre a resistência popular no Brasil. O objetivo do encontro é valorizar a música brasileira. Para o próximo encontro está preparado um repertório especial com João Bosco, Gonzaguinha, Chico Buarque, Martinho da Vila, Nelson Cavaquinho, Criolo, João Nogueira, entre outros. 

Quando: Sábado, 2 de setembro 

Onde: Mimesis Conexões Artísticas – Rua João Manoel, 74, bairro São Francisco, em Curitiba. 

Quanto: Entrada livre com nome na lista até 01 de setembro – ver “Samba da Resistência” no Facebook e publicar nome no mural. Na hora, a entrada custará R$ 5.

Moradores de santuário ecológico em MG cobram proteção de Mata Atlântica


Ameaça

Local guarda resquícios de biodiversidade e pelo menos dez mineradoras atuam na região

|
Empresas estariam cometendo abusos e intimidando ambientalistas e agricultores familiares Sarah Torres / ALMG

A estadualização da Área de Proteção de Ambiental (APA) do Santuário Ecológico de Pedra Branca, em Caldas (Sul de Minas), de modo a garantir maior proteção contra a exploração desenfreada de granito. Essa foi a principal reivindicação apresentada à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em audiência pública nesta quarta-feira (30/8/17). O requerimento para a atividade é de autoria do deputado Rogério Correia (PT).

Ao menos dez mineradoras atuam na região da unidade de conservação municipal. Segundo os participantes da audiência, elas têm se utilizado do poder econômico para cometer abusos, intimidar ambientalistas e agricultores familiares e se manter em atividade impunemente, apesar de algumas já terem sido autuadas pela fiscalização.

O Santuário Ecológico de Pedra Branca, situado no distrito de Pocinhos do Rio Verde, guarda resquícios de Mata Atlântica e grande biodiversidade. Após mobilização da comunidade, uma área de 12 mil hectares foi transformada em APA pela Lei Municipal 1.973, de 2006, ação que se mostrou ineficiente diante da voracidade das mineradoras.

No entendimento dos participantes da reunião, uma APA estadual abrangendo, além de Caldas, os municípios vizinhos de Santa Rita de Caldas, Ibitiúra de Minas e Andradas, mereceria maior atenção do Estado.

Deputados vão cobrar providências

Foram apresentados requerimentos para a realização estudos técnicos pelo IEF e a notificação do MP – Foto: Sarah Torres

Ao final da audiência, o deputado Rogério Correia apresentou dois requerimentos sobre o assunto, assinados também pelos deputados Dilzon Melo (PTB) e Geraldo Pimenta (PCdoB).

O primeiro é para que sejam realizados estudos técnicos pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) para viabilizar a medida. O segundo é para notificar os Ministérios Públicos (MP) Estadual e Federal para que apurem a prática de crimes contra a Mata Atlântica, protegida por legislação federal.

“A palavra santuário já diz tudo. O que está ali precisa ser protegido”, definiu o deputado Rogério Correia. “Não podemos permitir a exploração predatória que, ao final, só deixa buracos e lagoas de rejeitos”, apontou o deputado Geraldo Pimenta.

Já o deputado Dilzon Melo questionou a ausência de representantes da área ambiental que respondam pelo Estado como um todo. Ele sugeriu que os moradores levassem suas reivindicações à Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram) no Sul de Minas e ao Conselho Gestor da APA (Congeapa). “O conselho está lá para ouvi-los”, afirmou, sendo imediatamente alvo de protestos. Vários dos presentes afirmaram que as três instâncias citadas não estavam abertas ao diálogo.

Fiscalização – O titular e o diretor de Fiscalização da Supram no Sul de Minas, José Oswaldo Furlanetto e Bruno Eduardo da Nobrega Tavares, respectivamente, prometeram mais empenho, mas lamentaram a falta de estrutura. Segundo este último, o órgão é responsável por 171 municípios.

Na região da APA, foram contabilizadas 32 denúncias, 31 delas averiguadas. Contudo, Tavares não detalhou as medidas tomadas.

Unidos em defesa de tesouro ameaçado

A defesa de uma APA estadual uniu o representante do MP, um especialista ambiental e um dos principais ambientalistas da região. O primeiro, o coordenador regional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente da Bacia do Rio Grande, Bergson Cardoso Guimarães, defendeu que somente a mobilização da sociedade pode se contrapor à força da atividade minerária.

“Os Codemas (órgãos municipais de defesa do meio ambiente) não são estruturados”, afirmou. Para piorar, a vaga da Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas no Congeapa foi dada ao representante da associação das mineradoras da região, conforme denunciou o engenheiro agrônomo do órgão, João Paulo de Lima Braga.

O especialista lamentou que após a criação e zoneamento da APA, o plano de manejo, fundamental para limitar a atividade minerária, foi esquecido. Segundo ele, a importância do santuário remonta aos estudos realizados, ainda no século XIX, pelo biólogo sueco Anders Fredrik Regnell.

Atualmente, foram detectadas ao menos 14 espécies de flora ameaçadas, entre elas a Phlegmariurus regnellii, samambaia que cresce em fendas de rochas somente dali e da qual restam 50 indivíduos. “A Mata Atlântica ali é muito singular”, definiu.

Segundo ele, a APA também é importante como corredor ecológico e manancial, pois guarda as nascentes do Rio Verde, e sua destruição teria impacto direto nas bacias dos rios Pardo e Mogi-Guaçu e no abastecimento de água em São Paulo.

Tabu – Em 2014 foi criada a Aliança em Prol da APA da Pedra Branca, organização que congrega várias entidades com o intuito de combater o impacto ambiental da mineração. “Falar sobre mineração em Caldas é tabu, mas esse é atualmente o principal polo de conflito socioambiental no Sul de Minas, inclusive com ameaças de morte”, revelou seu presidente, Daniel Tygel.

Ele apontou que a atividade, que surgiu ali há 30 anos e gera cerca de 280 empregos, é responsável por apenas 1% da arrecadação do município de 14 mil habitantes, contra 70% da agricultura familiar, atividades que tem séculos de história.

Exclusive interview | Lula says: “Globo was one of the main articulators of the coup”


analysis

Former president points out that "it is necessary to give hope to the people that another Brazil is possible"

Brasil de Fato |
"I learned that the Brazilian people are very strong and are very generous", says ex-president Ricardo Stuckert

In an exclusive interview with Brasil de Fato while traveling through nine Northeastern states by bus, former President Luiz Inacio Lula da Silva comments on the reasons for the coup that took Dilma Rousseff out of the presidency and who is behind this conspiracy. Lula also comments on the need for the people to keep up the fight against setbacks and for democracy, and to continue to believe in politics. Regarding the Temer government’s position on the Venezuelan crisis, he shoots: “It is ridiculous a coup government, illegitimate, enemy of its own people, wanting to teach democracy lessons to Venezuela.” 

Brasil de Fato: In your opinion, what was the reason for the coup against Dilma Rousseff?

Lula: As a matter of fact, the conservative forces never accepted the outcome of the 2014 elections. The majority of the people voted for the continuity of the popular government and rejected the return of neoliberalism, but the right wing refused to respect the people’s democratic choice. They have the media monopoly and an enormous economic power, so they were sure they were going to defeat us. But despite the massacre of the press against us, the population did not allow itself to be manipulated. They voted to stop the historic setback announced by the tucanos [members of the PSDB], they voted so the country would keep following the path of national independence, development, income distribution and social inclusion. Just the day after the election, the sabotage against Dilma’s government and the conspiracy to overthrow it, began. It was damaging agendas after damaging agendas, both in the Chamber of Deputies and in the Senate, to cripple the economy, to scare investors and consumers, while government projects, so necessary to the country, did not pass or were completely disfigured. What has become more clear by now, even for many people who have been deceived by the lies of the press, is that it was not a coup only against Dilma or the Workers’ Party [PT]. It was a coup against public education and healthcare, a coup against the rights of workers and pensioners, a coup to privatize public enterprises and the Pre-Salt, a coup to denationalize the Amazon, a coup against the country.

How do you evaluate the role of the media and more specifically of Rede Globo in the coup?

The great communications monopolies were decisive for the coup. Rede Globo, in particular, was one of its main articulators and its great propagandist. The coup would not have been possible without the systematic attack and sordid campaign of demoralization that Rede Globo made against Dilma’s government and the PT. To ease the path the coup, it helped stifle the accusations against the coup leaders (the shielding of Aécio Neves is a blatant example of this), which would only appear after the President was overthrown. Globo did not hesitate to ally itself with Eduardo Cunha to sabotage the government and scandalously protected him until he finished his dirty work. It sold to the country the false idea that all of the nation’s problems were created by the PT, and that removing the PT from the government would suffice – even if it would hurt the rule of law and democracy – for Brazil to become a marvel. Today, without any shame, it tries to convince the workers and poor people that the people will live better without labor rights and retirement.

Sérgio Moro, a judge from a lower court, convicted you in the legal action regarding the apartment in Guarujá. You are also being prosecuted in other judicial processes. Why are you being prosecuted by the Justice?

Judge Moro says, in the sentence that condemned me, that the said apartment is not mine, but that it does not matter. Those responsible for the Car Wash [Operation] have said that there is no evidence against me, but that they have the personal conviction that I am guilty. For years, they’ve scoured my life down, and they have been unable to find a single illegal act of mine as President, but that does not matter to them, either. Everyone knows that a basic principle of law, which is sacred in all true democracies, is that the burden of proof lies with the accuser, not the accused. For others, this principle holds true. Not for me. My innocence is more than proven in the records, but this is simply not taken into account. I have 40 years of public life, dedication to the workers, the poor, the country. Is this my crime? Having taken Brazil off the hunger map? I can not settle for so much arbitrariness. What is the reason for this partisan type of justice? I even think that those who have plotted the coup cannot accept that Lula will run for the presidency again.

If elected, what steps will you take to improve the lives of the people and the course of the country?

It’s early to speak as a candidate, much less as an elected representative. Rather, we must prevent the coup plotters from destroying the social rights that were hard won by the Brazilian people in the last decade. And prevent them from privatizing, at a despicable price, public enterprises. And it is also necessary to ensure that the next elections are indeed free and democratic, that the attempt to criminalize left wing and popular movements does not prevail. But I do not doubt that Brazil has a way. I really trust in the future of Brazil. A new government, a legitimate one, the fruit of the popular vote, with a progressive vision for the country, can perfectly take Brazil out of the quagmire in which it is today. We have already ruled the country and proved in practice that Brazil could be a sovereign nation, with real economic growth, job creation, income distribution, social inclusion and expansion of educational opportunities at all levels. For this, it is necessary to believe that the popular classes are not a problem, but a solution. When the poor of the city and the countryside can buy again, that is when business will sell again, and industry will produce and with that, investment will return. It will also be very important to elect a better Congress than the current one, with more representatives of the workers, peasants, women and young people.

For all that Brazil has been through – such as the coup, unemployment, corruption, media manipulation – many people do not believe in politics anymore. What should we do in the face of this hopelessness?

I do not think we have the right to give up. My mother taught me that. We always have to fight, always try to make tomorrow better. I’m 71, and I do not want to give up, so a young man has no right to give up. I did not give up surviving when I was born in a region where many children died before the age of five. I did not give up organizing the workers during the dictatorship. I built with my companions the largest political party in Latin America, and I was president of Brazil for two terms, the best evaluated by the people until today. If I got all this without a college degree, no rich dad, why should a young man give up? If you think politics is bad, get into politics and try to yourself, be the militant or political leader you dream of for Brazil.

Today, who are the main adversaries so we can have a country with social justice, solidarity and opportunity for all?

I think today there are a lot of people resentful in Brazil, many people who are in a bad mood, thinking that selfishness will solve something. Many entrepreneurs want to take the rights of workers and retirees without realizing that if the worker and retiree do not have money, they will not consume what is produced. The great strength of our economy is the internal market. Then he may think he’s going to do well as an enemy of the workers and eventually his sales will fall. Some people resent the improvement of the life of the poorest and want a country for the few, only for a third of the population. Some people defend almost going back to slavery. These people need to understand that this is not good even for them because a country for a few is a weak, insecure, unstable country. Such a country does not attract foreign investors, it attracts only parasites in search of quick wealth, that come to extract natural resources or buy cheap companies. A society of solidarity is not only a matter of justice – even if it is the most important – but also of necessity. When the poor and the workers improve their lives, the whole society lives.

What do you recommend regarding organization and focus to the Brazil Popular Front [Frente Brasil Popular] to advance the fight against the setbacks and for democracy?

I think the Front is an extraordinary thing because it brings together different sectors of society – workers from the countryside and the city, women’s movements, racial equality movements, against sexual discrimination, environmentalists, young people, not to mention the progressive intelligentsia – to analyze Brazil and to fight for its transformation. It has been fundamental in resisting the political and social setbacks. And it certainly can be very important in the recovery of a popular project for the country. I think the focus of the Brazil Front is correct, combining formulation and permanent mobilization. I also think it is very important that we explain to the people what we are advocating. Even for those who have been in favor of the coup, so they can realize that they have been deceived and are also losing their labor rights and their retirement benefits. It is necessary to give hope to the people that another Brazil is possible and that, with a popular government, better days will come.

Often, politicians decide the lives of Brazilians and the country in closed in offices in Brasilia. You have already made many trips through the countryside of Brazil, in caravans like this one, now, in the second semester. What did you learn about our people in these experiences?

I learned that the Brazilian people are very strong and are very generous and that one cannot govern the country from Brasilia, from the Paulista Avenue or the south zone of Rio. For someone living in these regions, a program like Lights for All may mean nothing. But it brought electricity, brought many Brazilians to the 21st century. Without light, a young man cannot study. Without feeding himself, with a good lunch at school, the young man cannot study. We have created the Food Acquisition Program, which supports local farmers and reinforces the school lunch with healthy food, and today it is being destroyed. The children have to eat, but they also have to have clothes to go to school. To receive the benefit, the Bolsa Família requires that the children go to school. Without transportation, a young man from the countryside cannot study. We created the Caminhos da Escola program, which took school buses through the countryside of Brazil. Without water, how can you live, even more, study? We installed millions of cisterns in the hinterland. And if you do not have a college, how do you study? We expanded universities, Federal Institutes of Education, technical schools, bringing them to the countryside. There were hundreds of new university extensions in every state of the country. Bahia had only one federal university; today, it has four. I know the size of this country personally, that it is not small, and whoever governs it cannot have a small mind or soul. You have to listen to the people, take the road, talk, seek solutions, give strength to civil society. And you have to open the palace to the people, to make civil society participate in the construction of solutions for the country. 
 
How do you evaluate the US government’s threats in the face of the situation in Venezuela? How should Brazil have acted in the peace process in Venezuela?

It is unacceptable that Trump makes military threats to Venezuela. In fact, to any country, in any region of the planet. Venezuela has the right to self-determination. It is the Venezuelan people who must freely decide the fate of the country. If there is an institutional crisis, it is necessary to overcome it through dialogue and political negotiation, but always respecting the rulers who were elected by popular vote, within the democratic rules, as was the case of President Chávez and as is the case of President Maduro. In 2003, when Venezuela was experiencing a similar crisis, I proposed the formation of a group of friendly countries of Venezuela, quite plural, that ended up contributing to the restoration of normality and peace. Today, unfortunately, Brazil has no moral authority to help. It is ridiculous that a putsch government, illegitimate, enemy of its own people, wants to teach democracy lessons to Venezuela. When we return to having a democratic and popular government, Brazil will once again collaborate, without undue interference with the sovereignty of our neighbors, to consolidate peace and democratic stability in South America.

Tudo que conquistamos está em risco, avalia ex-ministra de Políticas para as Mulheres


Governo Temer

Para Eleonora Menucci, programas nos governos Lula e Dilma foram fundamentais para garantir maior autonomia às mulheres

Monyse Ravena |
Até 2016 as mulheres eram titulares de 93% dos cartões do Bolsa Família e de 73% das cisternas implementadas no semiárido. Elza Fiuza/ABr

Na semana em que se completa um ano do golpe no Brasil, com a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff do cargo da presidência da República no dia 31 de agosto de 2016, Eleonora Menucci, ex-ministra de Política para as Mulheres no governo Dilma, avalia que as conquistas realizadas em relação a equidade de gênero nos últimos anos correm sérios riscos no governo golpista de Michel Temer. “Não podemos pensar em um aprofundamento da democracia sem se pensar na equidade de gênero”, avalia.

Em 2003, na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi criada a Secretaria de Política para Mulheres (SPM), com status ministerial e orçamento próprio. Segundo o governo federal, até 2016 as mulheres eram titulares de 93% dos cartões do Bolsa Família e de 73% das cisternas implementadas no semiárido brasileiro, assim como de 89% das moradias da faixa 1 – menor renda – do Minha Casa Minha Vida. 

A ex-ministra destaca que o primeiro grande avanço foi a criação da SPM, e o segundo a sanção da Lei Maria da Penha para o combate a violência contra a mulher, ambos no governo Lula. Já o governo da ex-presidenta Dilma foi responsável por sancionar a PEC das domésticas, que conferiu os direitos assegurados na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) a 17 milhões de trabalhadoras domésticas, a maioria delas mulheres. Além disso, foi sancionada a lei do feminicídio, tornando hediondo tal crime.

“Tudo que conquistamos está em risco. A principal política de Estado para as mulheres é a aposentadoria que indicava menor idade e menor tempo de contribuição, reconhecendo e respeitando as diferenças de gênero. Mas agora está em risco com o desmonte da aposentadoria que Temer está fazendo”, destaca Menecucci. 

A presença das mulheres em todas as atividades da caravana tem sido massivas. Crédito: Julia Dolce.

Autonomia

Na passagem da caravana Lula pelo Brasil, a presença de muitas mulheres em todas as atividades chama atenção. Titulares de muitos programas sociais dos governos Lula e Dilma, elas têm sido maioria nas ruas e veredas por onde a caravana passa. A ex-ministra Eleonora Menecucci participou do ato em Mossoró, no Rio Grande do Norte, cidade que teve o primeiro voto feminino do Brasil, na última segunda-feira (28). 

Desde 2005, a agricultora Lindinalva Martins, também presente no ato de Mossoró, constrói cisternas no semiárido potiguar. “Fui para uma capacitação de 17 dias sobre cisternas, achei que era só para entender a teoria, mas quando cheguei lá era para colocar a mão na massa”, conta. 

Passado o curso, Linda, como é conhecida, começou a construir cisternas no Assentamento Barreira Vermelha, em Mossoró, onde mora, e nas comunidades vizinhas. “Hoje capacito outras pessoas na construção de cisternas aqui no estado. No início os homens diziam que isso não era serviço de mulher, depois viram que dávamos conta”, relata.

Ela conta que a vida mudou radicalmente depois que começou a construir cisternas: entrou no movimento de mulheres, facilita cursos, viaja, cursou Pedagogia da Terra pelo Programa Nacional de Educação em Áreas de Reforma Agrária (Pronera) e hoje trabalha em uma Organização Não Governamental.

Todas essas mudanças vieram durante os governos do ex-presidente Lula e da ex-presidenta Dilma. “Antes deles nós não tínhamos onde morar, trabalhávamos em uma fazenda onde trocávamos nossa mão de obra por metade do que produzíamos. Agora nós temos terra e um lar, e eu tive a oportunidade de formação”. 

Na família de 11 irmãos, ela foi a primeira a ter acesso à universidade. “Também tiveram muitas melhorias para os agricultores, além das cisternas, o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) ajudava muito”, comenta. A Caravana volta hoje (31) ao estado de Pernambuco e segue até o próximo dia 5 de setembro no Maranhão.

Com 5 milhões de colombianos no território, Venezuela firma compromisso com migrantes


Vizinhos

Em visita à região fronteriza entre Venezuela e Colômbia, Arreaza defendeu a boa relação entre a população dos dois país

Fania Rodrigues |
Encontro entre chanceler venezuelano e migrantes colombianos, muitos dos quais refugiados Fania Rodrigues/Brasil de Fato

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, realizou um encontro com a comunidade colombiana que vive em território venezuelano. O evento, que aconteceu no estado de Táchira, região andina que faz fronteira com a Colômbia, tinha como objetivo reafirmar o compromisso social do governo venezuelano com os mais de 5 milhões de colombianos que saíram de seu país fugindo da guerra civil, da perseguição política, da violência do paramilitarismo e das condições sociais degradantes.

No momento em que muitos venezuelanos cruzam a fronteira em busca de novas oportunidades para superar a crise econômica, os cidadãos colombianos que vivem em Táchira relatam como foram recebidos em solo venezuelano nos últimos 15 anos.

“Aqui fomos muito bem recebidos pelo governo e pelo povo da Venezuela. Tivemos oportunidades, estudamos, conquistamos a casa própria e vivemos em condições melhores”, afirma a professora Marlene Iralda. Ela conta que quando chegou ao país tinha apenas a quarta série primária e, hoje, depois de terminar os estudos, trabalha em um programa de formação profissional.

O músico German Vive, integrante do Movimento pela Paz na Colômbia, mora na Venezuela há 15 anos. Ele cruzou a fronteira fugindo da perseguição política. “A Colômbia é o país em que defensores dos Direitos Humanos mais morrem. Por ser de esquerda, também sofri perseguição política e tive sair do país”, relata o colombiano.

Histórias de superação como a dele e a de Marlene não faltam no município de García de Hevia, em Táchira. Nessa região, 45% da população é conformada por colombianos, segundo dados da prefeitura local. Na Venezuela, os colombianos têm acesso a todos os programas sociais do governo. 

Durante o encontro, o ministro Jorge Arreaza destacou que embora a relação com o governo colombiano esteja estremecida, a relação entre os cidadãos colombianos e venezuelanos é a melhor possível. “Estamos destinados a sermos povos irmãos. Formamos parte da mesma pátria de Bolívar. Os colombianos nunca foram maltratados aqui e nunca foram utilizados como instrumento de guerra contra o governo colombiano. Nós estamos sempre buscando o diálogo com o governo da Colômbia”, afirmou o chanceler, em resposta às sucessivas críticas feitas pelo governo do presidente Juan Manuel Santos ao país vizinho.

Além disso, na última semana, o embaixador dos EUA na Colômbia, Kevin Whitaker, afirmou que teme uma “aventura militar por parte dos venezuelanos contra seus vizinhos”. A declaração do diplomata estadunidense foi repudiada por Arreaza: “Isso é um absurdo, é uma provocação, mas nós não vamos cair em provocação. Sempre buscamos ter uma relação de respeito com o governo colombiano”.

Na entrevista concedida ao jornal colombiano El Espectador, o embaixador dos EUA defendeu sanções ainda mais duras contra a Venezuela. Ele afirmou que outros países, assim como os EUA, devem aplicar o bloqueio internacional e suspender as relações comerciais com a Venezuela.

© 2017 bita brasil

Theme by Anders NorénUp ↑