Monthjunho 2017

Ruas vazias, escolas sem aula e transporte parado dão tom da greve por direitos no DF


Greve

"Esvaziamento das ruas, empresas e instituições é o que sinaliza o êxito da greve", diz líder sindical

Cristiane Sampaio |
Esplanada dos Ministérios vazia, em Brasília, Cristiane Sampaio | Brasil de Fato

O movimento grevista anda a todo vapor no Distrito Federal (DF). Nesta sexta-feira (30), Brasília e várias cidades-satélite amanheceram com ruas vazias, universidade e escolas públicas sem aula, estações de metrô e ônibus sem passageiros e, principalmente, sem motoristas e cobradores. 

Isso porque os metroviários e rodoviários estão entre as dezenas de categorias locais que aderiram ao movimento nacional. Bancários, trabalhadores dos setores de telecomunicação, saúde, correios, do Poder Judiciário e do Ministério Público da União também pararam. 

De acordo com o Sindsep, Sindicato dos Servidores Públicos Federais do DF, pelo menos 70% dos trabalhadores cruzaram os braços hoje. Na Esplanada dos Ministérios, um grupo de servidores se reuniu em atividades de protesto contra as reformas. 

O secretário-geral da entidade, Oton Pereira Neves, que esteve no local, destaca que o esvaziamento das ruas, empresas e instituições é o que sinaliza o êxito da greve: “A gente tá aqui desde seis horas da manhã, a presença é pouca porque a orientação do sindicato é o pessoal ficar em casa e participar de atos como este aqui na sua própria cidade. (…) Muitos trabalhadores imaginam que a greve deve ser passeata, ato cheio de gente, como o ‘Ocupa Brasília’, mas não é isso. A greve é parar a produção, o serviço, a circulação. Não é uma coisa que aparece tanto, então, ainda mais sendo greve geral, é uma reeducação da classe pra entender o que é a greve geral, que não é uma manifestação numerosa, e sim ao contrário.

Um aspecto de realce na greve geral em Brasília é a participação dos servidores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esta é a primeira vez desde 1989 que a categoria aprova uma greve. Segundo a servidora Joana Alencar, é importante que a greve geral seja percebida como um movimento conjunto: “Não é uma questão só de uma categoria ou outra. É uma questão ampla, que diz respeito a todo o país, a todos os trabalhadores, a nós servidores públicos, as nossas famílias, que trabalham na iniciativa privada, todo mundo. Nós precisamos estar juntos, senão não funciona. Temos que nos mobilizar e ver que é uma causa comum, e não de uma categoria ou de outra”.

Povo vai às ruas contra as reformas em todo o Paraná

Texto e fotos por Gibran Mendes.

Agências bancárias, fábricas, escolas, refinarias e outros postos de trabalho amanheceram sem funcionários nesta sexta-feira (30) em Curitiba. A Greve Geral convocada pelas centrais sindicais também levou mais de 5 mil pessoas em um grande ato realizado em Curitiba.



No interior do Estado também aconteceram diversas manifestações, como em Foz do Iguaçu, Cascavel, Ponta Grossa e Umuarama, por exemplo. Este é o reflexo das propostas de reforma da previdência e trabalhista que vão acabar com a aposentadoria e os direitos trabalhistas no Brasil.

“Estamos diante de um cenário que não há outro caminho que não fazer a luta. São reformas que tiram direitos, sim. São projetos que levarão o Brasil a voltar décadas, um retrocesso imaginável. Nossa única opção é fazer esse enfrentamento e pressionar diretamente os deputados e senadores”, afirmou a presidenta da CUT Paraná, Regina Cruz.

Ela ainda lembrou que a central lançou o site “Na Pressão” com o intuito de facilitar o contato direto entre a população e os legisladores. “É mais uma ferramenta que está à disposição da classe trabalhadora com o objetivo de lutar contra estes retrocessos. É possível fazer o contato direto com cada parlamentar para mostrar que não vamos aceitar essas propostas que estão tramitando no Congresso Nacional”, completou.

Lutas locais – No Paraná, os servidores públicos estaduais e de Curitiba também tinham outros motivos para protestarem. Ambas as categorias estão sofrendo com administrações que privilegiam a retirada de direitos em detrimento de outras políticas públicas.

“Unimos as pautas porque estamos vivendo um ataque contra os direitos em Curitiba, mas também a nível nacional. As reformas da previdência e trabalhista nos atinge também. Não só em nome da solidariedade de classe, mas também em nome das políticas públicas. Certamente fará com que a classe trabalhadora dependa ainda mais destes serviços públicos que estão sendo negadas em todas as esferas”, explica a coordenadora-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (SISMUC), Irene Rodrigues.

Durante a semana que passou, a Câmara de Vereadores, em uma votação às escondidas longe da sede do legislativo municipal, aprovou o chamado “Pacotaço” do prefeito Rafael Greca. Os projetos de lei trazem retrocessos no plano de carreira, na previdência e uma série de outros direitos da categoria.

No plano estadual os servidores há tempo sofrem com problemas relacionados ao governador Beto Richa. A secretária de finanças da APP-Sindicato, Marlei Fernandes, destacou esse histórico. “Estamos fazendo luta intensa no estado contra as mentiras do Beto Richa que mostra na televisão um Paraná maravilhoso, gastando ainda mais com propaganda, mas que não atinge de fato os direitos dos servidores públicos do Paraná. No caso da educação foi a retirada das horas atividade, impedimento de professores que ficaram doentes pudessem assumir aulas, um absurdo, e também a nossa data-base. Já são 15 meses sem reposição salarial, mais de 30 mil aposentados que tem os menores salários do estado sem reajuste”, enumerou.

Desafios – O dirigente da Confederação Sindical das Américas, Rafael Freire, acredita que o desafio agora é ampliar o diálogo com a população. “A mensagem central que estamos desafiados é explicar para a população o que significa a reforma trabalhista. Na previdência conseguimos. O risco é de nós voltarmos a padrões trabalhistas do século XIX. Esse é o desafio central que temos hoje”, avaliou.

Na mesma linha o representante do coletivo Advogados pela Democracia, Nasser Allan, criticou duramente a Reforma Trabalhista. “Essa reforma trabalhista é o maior processo de concentração de renda da história do País. Precisamos entender que País desejamos, qual é o modelo de sociedade que queremos. Esta é a discussão. Desejamos um país excludente? Pois é esse país que veremos com a reforma trabalhista. Concentração de renda não mão dos gra ndes empresários e do sistema financeiro”, projetou.

Interior – Em Foz do Iguaçu a mobilização foi realizada em frente ao Banco do Brasil, no calçadão do Centro da cidade. Em Ponta Grossa, Londrina e Cascavel, manifestações também foram realizadas durante a manhã desta sexta-feira.

A rodovia do Xisto, em Araucária, foi paralisada nas primeiras horas da manhã. A Refinaria Getúlio Vargas, localizada na cidade, também foi fechada pelos petroleiros. Outras cidades como General Carneiro e Umuarama também realizaram mobilizações.

O post Povo vai às ruas contra as reformas em todo o Paraná apareceu primeiro em Jornalistas Livres.

Publicação de: Jornalistas Livres

Greve Geral: USP na luta contra as reformas

(Clique nas fotos para vê-las em tamanho grande)

Na manhã de hoje (30) estudantes e funcionários da USP realizaram ato contra as reformas trabalhista e previdenciária.

A concentração começou por volta das seis e meia e, pouco depois, os manifestantes fecharam o acesso pelo Portão 1 da USP.

Agentes da CET colocaram cones para desviar o transito da rua Alvarenga e da avenida Afrânio Peixoto; viaturas da PM também estavam no local e a Força Tática se posicionou ao lado da guarita do P1.

Por volta das oito horas, os manifestantes saíram em marcha pela rua Alvarenga, fazendo um breve ato na estação Butantã do metrô, onde foram distribuídos panfletos sobre a greve geral.








A marcha seguiu pela Av. Vital Brasil até o cruzamento com a Av. Francisco Morato, onde bloquearam o acesso às pontes Eusébio Matoso, Bernardo Goldfarb e marginal do rio Pinheiros, assim como ocorreu na greve geral do dia 28 de abril deste ano.

Como os ônibus não puderam seguir pelas vias, os passageiros seguiram a pé pela ponte Bernardo Goldfarb.

Às dez horas, os manifestantes desocuparam as vias e retornaram ao campus da USP, encerrando o ato pacífico, sem ocorrências.

O ato foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP – Sintusp – e pelo Diretório Central dos Estudantes da USP – DCE Livre Alexandre Vannucchi Leme, com a presença de organizações do movimento estudantil.






O post Greve Geral: USP na luta contra as reformas apareceu primeiro em Jornalistas Livres.

Publicação de: Jornalistas Livres

Os gritos de “Fora Temer, fora Golpista” voltam às ruas de BH

Soa como piada, mas o assunto é sério. A situação do País é calamitosa, pois o (des)Governo atual surgiu de um golpe, é conhecido internacionalmente como trapalhão, foi delatado como corrupto e “chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”. Mesmo assim, o ilegítimo ainda quer tirar direitos e aposentadoria dos trabalhadores.

Hoje, contra essas atrocidades, em Belo Horizonte, petroleiros, metroviários, técnicos da UFMG, da saúde pública, além de professores da rede Estadual e profissionais da Copasa e da Cemig, entre outros, aderiram à greve geral e se juntaram a milhares de pessoas que protestavam pelo fim das Reformas Trabalhista e da Previdência pelo centro da Capital. A concentração do movimento teve início às 9h na Praça da Estação e os manisfestantes, com faixas e cartazes, se deslocaram em direção à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Robson Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, disse que a categoria também paralisou “atendendo ao chamado das Centrais Sindicais e ao clamor da população”. Segundo Robson, a luta é perversa e, por isso, “a esquerda tem que se unificar”.



O post Os gritos de “Fora Temer, fora Golpista” voltam às ruas de BH apareceu primeiro em Jornalistas Livres.

Publicação de: Jornalistas Livres

Bancários de São Paulo: Mais de 30 mil aderem à greve geral na capital

Foto: Seeb/sp

Bancários aderem à greve geral na capital

Em um balanço parcial, mais de 212 locais de trabalhos fecharam hoje (30) somente na capital de São Paulo, com mais de 30 mil trabalhadores

por Cecília Negrão, da assessoria de imprensa do Sindicato dos Bancários

Os bancários participam nesta sexta-feira (30) da greve geral, contra as Reformas da Previdência e Trabalhista e em defesa dos bancos públicos.

Um balanço parcial do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região mostra que 212 locais de trabalho, sendo 12 centros administrativos e 200 agências fecharam hoje (30). Estima-se que mais de 30 mil trabalhadores participaram das paralisações.

A partir das 17h, trabalhadores de todas as categorias se concentram no vão livre do Masp para um grande ato em defesa dos seus direitos.

“Os trabalhadores não aceitam retrocesso nos direitos trabalhistas. Vemos isso nas ruas, nas redes sociais e nas pesquisas de rejeição das reformas trabalhistas e previdenciárias, cujo índice é de 90% dos brasileiros, de acordo com pesquisa CUT-Vox. Entre os bancários, 80% da categoria votaram pela participação na greve desta sexta-feira e isso já é um resultado de apoio e mobilização contra a retirada de direitos. Não vamos aceitar desmonte nos direitos previdenciários e que rasguem a CLT. Por isso a forte adesão dos bancários de São Paulo e de todo o Brasil”, afirma a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e vice-presidente da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.

Veja também:

Fotos e vídeos das paralisações em todo o Brasil

O post Bancários de São Paulo: Mais de 30 mil aderem à greve geral na capital apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Trabalhadores trancam vias no Recife e interior em apoio à greve


GREVE GERAL

Da madrugada ao fim da manhã dezenas de bloqueios foram registrados

Vinícius Sobreira |
Na cidade de Pesquera, Agreste pernambucano, indígenas do povo Xukuru se somaram à Frente Brasil Popular, MST e demais sindicatos da região. Frente Brasil Popular/Pesqueira

A Justiça é mãe dos ricos e algoz dos pobres

No fim da manhã de hoje (30/6), o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o tucano Aecio Neves a retomar seu mandato como senador pelo Estado de Minas Gerais, ao mesmo tempo em que negou o pedido de prisão preventiva feito pelo Procurador Geral de Justiça (PGR), Rodrigo Janot, contra o mesmo Aecio.

Aecio estava proibido de exercer as funções de senador desde o dia 18/5 pelo ministro do STF Edson Fachin e foi denunciado pela PGR no último dia 2. As acusações são graves: corrupção passiva e obstrução de Justiça. Motivos não faltaram.

Aécio e sua irmã Andrea Neves passaram a ser investigados a partir da delação premiada de executivos da JBS. Eles pediram R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS. O diálogo em que Aécio pede o dinheiro a Joesley foi gravado secretamente pelo empresário, que fechou acordo de delação premiada.

A Polícia Federal rastreou o valor e constatou que parte dele foi entregue por um executivo da JBS ao primo de Aécio Frederico Pacheco de Medeiros, que repassou o dinheiro a Mendherson de Souza Lima, na época assessor do senador Zezé Perrella, o homem do helicóptero capturado com meia tonelada de pasta base de cocaína.

Para Aecio, valem todas as garantias individuais…

Marco Aurélio Mello considerou que o senador tucano não poderia ser preso senão em flagrante. O ministro do Supremo também achou que a prisão preventiva também não seria apropriada, porque Aecio não fugiria nem obstruiria a Justiça, apesar de o senador, por meio de uma série de contatos com o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, ter deixado “clara a sua intenção de interferir” para que a investigação sobre irregularidades na licitação da Cidade Administrativa de Minas Gerais ficasse com “um delegado específico” na corporação.

Marco Aurélio errou ao livrar a cara de Aecio dessa maneira?

Não errou. Essas garantias deveriam ser asseguradas a todos os cidadãos brasileiros, independentemente de origem, raça, classe social ou status.

Moinho resiste: enterro de Leandro Souza Santos, no cemitério da Vila Formosa (zona leste)

O revoltante é que o acesso à Justiça, como se sabe, está vedado aos pobres.

Veja o caso do menino Leandro Souza Santos, de 19 anos, morador da favela do Moinho, na região central de São Paulo. Negro, usuário de drogas, pobre, carroceiro, o rapaz foi perseguido por policiais da Rota, a tropa de elite da PM estadual. Toda a favela viu Leandro fugindo desesperado pelas ruas de terra da comunidade, às 9h30 da terça-feira (27/6), se esconder no casebre de outra moradora, e ser trancafiado na residência, até a execução final, por três tiros disparados pelos policiais.

O comandante da PM disse que a ação visava a coibir o tráfico de drogas na região central da cidade. Sei…

Se Leandro transportasse 500 quilos de cocaína, como aconteceu com o senador Zezé Perrella, provavelmente estaria a salvo dos braços da lei. Zezé, como se sabe, está livre leve e solto, porque é capaz de contratar grandes escritórios de advocacia, influenciar aliados, comprar lealdades.

A mesma lógica é a que leva Aecio a se safar sempre…

Como Leandro era um menino paupérrimo, nem acesso à Primeira Instância da Justiça ele teve. As balas da PM condenaram-no, liminarmente e de forma irrecorrível, à morte. Agora, seu corpo jaz numa cova rasa no cemitério da Vila Formosa.

E tem quem chame isso de Justiça.

O post A Justiça é mãe dos ricos e algoz dos pobres apareceu primeiro em Jornalistas Livres.

Publicação de: Jornalistas Livres

Manifestantes são detidos e sindicato é invadido pela PM em dia de greve


Mobilização

Em diversas cidades houve repressão policial; em São Paulo, polícia tomou celular de manifestantes e as encaminhou ao DP

Mayara Paixão |
Manifestantes sendo detidas na região central de São Paulo pela Polícia Militar Jornalistas Livres

As mobilizações nacionais em defesa de direitos e contra as reformas de Michel Temer (PMDB) registram casos de repressão contra manifestantes e um sindicato. Nesta sexta-feira (30), houve repressão policial em alguns atos e militantes foram detidos em São Paulo, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, já um sindicato no Rio de Janeiro foi invadido por policiais.

Desde cedo, diversas categorias estão paralisadas, além de sindicatos e movimentos populares realizando paralisações e atos por todo o país. Os protestos fazem parte da chamada “greve por direitos”, convocada por todas as centrais sindicais, que se mobilizam contra as reformas previdenciária e trabalhista. Atos públicos em apoio à paralisação, chamados pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, também ocorrem em diversas cidades.

São Paulo

Na capital paulista, duas militantes da Central de Movimentos Populares (CMP), foram detidas pela polícia militar, em torno das 8:30. Elaine Gonçalves da Silva e Antonia Glaucia de Araújo estavam comprando o café da manhã em uma padaria na Região Central quando foram abordadas e detidas por policiais sem maiores justificativas, aponta o movimento. Mais cedo, as duas tinham participado do trancaço que ocorreu no cruzamento da Avenida São João com a Ipiranga.

“Eu estava tomando um café, aí os policiais chegaram já me puxando, me jogaram dentro da viatura, falaram que era para eu ir para a delegacia, me bateu, tomou meu celular e ficou ouvindo os meus áudios, me algemaram. Eu não tinha nada a ver com isso, foi terrível”, relatou Elaine, em vídeo publicado pela central.

Na avaliação de Raimundo Bonfim, coordenador da CMP, a ação reflete o processo de “criminalizar a luta social e impedir o direito, assegurado na Constituição Federal, de se manifestar à luz do dia”.

“Como sempre, a Polícia Militar brasileira, mas em especial a do estado de São Paulo, comandada por Geraldo Alckmin do PSDB, age com o modus operandi deles em manifestação: total repressão”, completa o dirigente que, nesta manhã, também foi ameaçado de detenção na manifestação que ocorreu na Rodovia Anchieta.

Elaine e Antonia foram encaminhadas para o 3º Distrito Policial para averiguação. O Brasil de Fato tentou contato com o DP para esclarecer os motivos da detenção, mas não obteve resposta até a publicação da matéria. As manifestantes já foram liberadas.

Santa Catarina

As mobilizações feitas no estado de Santa Catarina foram palco de grande repressão da Polícia Militar, que usou balas de borracha e bombas de efeito moral, de acordo com relatos dos manifestantes. Dois militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram detidos pela PM, segundo eles, sem apresentação de justificativas, durante o trancamento da BR 101, na altura do município de Navegantes.

“Eles chegaram atirando. A gente estava bem tranquilo, assim como os motoristas. Não tinha nenhum motivo para eles chegarem como chegaram. Começaram a atirar e nós corremos para o posto de gasolina para nos proteger”, relatou Révero Ribeiro, do MST, que estava presente no momento das detenções.

“A segunda pessoa que foi presa tinha ido tentar conversar com a polícia e foi algemada, em uma atitude completamente repressiva, porque  as algemas só devem ser usadas quando a pessoa apresentar resistência à prisão”, comentou a advogada do movimento Daniela Cristina Rabaioli, sobre as circunstâncias da detenção.

A Polícia Militar não informou para qual local os manifestantes estavam sendo levados. Para a advogada, que acompanha o caso, isso já representa uma arbitrariedade, já que é direito do cidadão ser informado para onde será levado. 

Ela também apresentou que o receio se baseia em um precedente do ano de 2010, quando um militante do movimento foi detido e ficou incomunicável e sem acesso à defesa por cerca de 12 horas, já que a PM não informou para onde ele tinha sido encaminhado. “A incomunicabilidade do preso é uma violação muito grave de direitos”, completa.

Após cerca de três horas, os advogados souberam que os dois militantes foram levados para uma delegacia no município de Itajaí.

Momento de detenção de um dos militantes do MST em Santa Catarina | Foto: CUT

Rio de Janeiro

No Rio, representantes do Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu denunciam que a Polícia Militar teria invadido, sem identificação, a sede do local pela manhã, pouco antes do ato que acontece no município.

Um dos dirigentes do Sindicato, Zé Roberto, relatou, em conversa com o Brasil de Fato, que a PM adentrou o local por volta das 9h e tentou levá-lo detido, mas a mobilização dos trabalhadores presentes a impediu. “Foi um artifício para desmobilizar os trabalhadores que participam agora de um grande ato em nova Iguaçu. Querem tentar impedir e barrar, a todo o momento, a nossa luta”, disse o dirigente.

A reportagem entrou em contato com a Delegacia de Polícia Judiciária Militar de Nova Iguaçu por telefone e por e-mail, mas não obteve resposta até o fechamento deste texto.

Porto Alegre

Dois dirigentes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) foram detidos na manhã desta sexta, durante um piquete em frente à garagem da empresa Carris, em Porto Alegre (RS). Segundo a assessoria de imprensa, os dois manifestantes foram levados ao Palácio da Polícia e já foram liberados.

A CTB preferiu não informar os nomes dos dirigentes da central que foram detidos. Segundo a entidade, os dois militantes estavam em frente à garagem da empresa de transporte quando foram abordados por dois policiais à paisana, que os fizeram ajoelhar no chão e os deram socos. Um deles ficou com o rosto inchado pelos golpes, mas não prestou queixa ou se dirigiu a um hospital, segundo relato.

Pelas redes sociais circulam informações de detenções de outros dois dirigentes da CSP Conlutas; contatada pela reportagem, a organização não passou informações oficiais do ocorrido.

O Brasil de Fato entrou em contato com o Palácio da Polícia, que não soube informar sobre o caso, e ainda aguarda retorno da Revisão do Flagrante da Divisão de Justiça Judiciária, em Porto Alegre.
 

Obsceno: Governo propõe tirar R$ 103 milhões da Educação para regularizar emissão de passaportes

Crédito da foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil, via Fotos Públicas

Governo propõe tirar recursos da Educação para normalizar emissão de passaportes

Projeto foi enviado ao Congresso nesta quinta-feira pelo poder Executivo

por Eduardo Besciani e Cristiane Jungblut, no Globo, dica de Marcelo Zero 

BRASÍLIA – O governo propôs retirar R$ 102, 3 milhões de dotação orçamentária do Ministério da Educação para normalizar a emissão de passaportes para a Polícia Federal. O projeto, elaborado pelo Ministério do Planejamento, foi enviado ao Congresso nesta quinta-feira. A proposta gerou desconforto na Comissão de Orçamento do Congresso, que pediu a indicação de outra fonte de receita.

De acordo com o projeto, o governo retiraria orçamento destinado à capacitação e formação inicial e continuada para educação básica, de programas de alfabetização de jovens e adultos, de ações de graduação, pesquisa e extensão e de iniciativas de valorização da diversidade e promoção de direitos humanos.

O presidente da comissão, senador Dário Berger (PMDB-SC) pediu ao ministro do Planejamento a indicação de outra fonte. Segundo ele, o governo concordou em trocar a fonte de receita, retirando a dotação de convênios com organismos internacionais.

Relator do projeto, o deputado Fernando Francischini (SD-PR), que é delegado da Polícia Federal, vai continuar em Brasília para apresentar seu parecer nesta sexta-feira. A proposta será votada na Comissão Mista de Orçamento na próxima terça-feira, dia 4 de julho. O projeto precisa ser votado em plenário, mas 21 vetos trancam a pauta do Congresso. Não há ainda sessão do plenário convocada.

A emissão de passaportes foi suspensa pela Polícia Federal na quarta-feira após ter sido atingido o limite de dotação orçamentária para a atividade. A PF esclareceu que até dispõe de recursos financeiros, mas que não pode manter a emissão por questões burocráticas.

O governo enviou o projeto em uma tentativa de minimizar os danos causados pela suspensão do serviço. Somente após a aprovação do projeto e a sanção pelo presidente a emissão poderá ser normalizada.

Este valor de R$ 102,3 milhões é o apontado pela Polícia Federal para normalizar o serviço de emissão de passaportes até o final do ano.

PS do Viomundo: Quando se imagina que o governo do usurpador Temer já praticou todo tipo de indecência, vem mais uma. Tirar dinheiro da Educação para emitir passaportes é o fim da picada. Até o senador da base ficou constrangido e pediu para trocar a fonte dos R$ 103 milhões. O governo concordou. O fato é que não teve a mínima vergonha em mandar para o Congresso projeto com a proposta tão safada. Obsceno.

Veja também:

Fotos e vídeos das paralisações em todo o Brasil

O post Obsceno: Governo propõe tirar R$ 103 milhões da Educação para regularizar emissão de passaportes apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Doria apunhala Alckmin ao lado de Ricardo Amaral, Paulo Henrique Cardoso e Maitê Proença

Doria (des)embarca ao ritmo de ‘Take Five’

por Cristian Klein, no Valor Econômico

Temer quer que os brasileiros acreditem que ele não sabe como Deus o colocou na Presidência da República.

Mas, na falta de intervenção divina ou parlamentar, João Doria faz de tudo para chegar lá pelo caminho natural das urnas.

Alckmin que se cuide. O prefeito de São Paulo, criatura política do governador, se espraia por plateias para além dos territórios bandeirantes.

Encorpa a pré-candidatura em viagens que mal escondem o propósito. Doria está em campanha.

Em nove dias, veio duas vezes ao Rio de Janeiro para convescotes nos quais foi incensado como saída eleitoral para a crise.

O tucano insiste que o PSDB não deve desembarcar do governo Temer. Mas Doria embarca e desembarca de aviões que alçam seu voo para o Planalto.

Já esteve em Belo Horizonte, Porto Alegre e Florianópolis. Nesta quarta-feira, em Brasília, cumpriu agenda frenética, digna de líder nacional do partido ao se encontrar com os presidentes da Câmara e do Senado, com a bancada de deputados federais do PSDB, com o líder da legenda no Senado, jantaria com parlamentares e fez palestra na Fecomercio.

Doria movimenta-se à vontade. Ocupa espaços e forja alianças estaduais, embora desperte um tipo de entusiasmo comedido — muito diferente do fanatismo que o concorrente da ultradireita, Jair Bolsonaro, consegue inocular.

O prefeito tem uma entonação tão forte de apresentador de telejornal, de quem pronuncia cada sílaba precisamente, que o discurso soa um tanto frio, artificial, muito medido, pouco espontâneo.

Na noite carioca de terça-feira, o tucano foi o homenageado de Boni, Paulo Marinho e Ricardo Amaral em um “cocktail/supper” que atraiu cerca de 150 interessados a ouvi-lo, num evento típico de pré-campanha. Mas de pré-campanha tucana, diga-se: audiência selecionada, garçons servindo Veuve Clicquot e banda de jazz tocando a insidiosa “Take Five”, consagrada por Dave Brubeck — num clima de cilada.

Fomentada pelo PSDB fluminense e sugerida pelo próprio prefeito a Ricardo Amaral, a reunião no Gávea Golf Club teve como objetivo “estreitar os laços [de Doria] com a elite do empresariado do Rio”.

Pontuavam dois ex-presidentes do Banco Central, Arminio Fraga e Carlos Langoni; Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP) David Zylbersztajn; os irmãos Rubem e Roberto Medina; o presidente da Associação Comercial do Rio, Paulo Protásio; o neurocirurgião Paulo Niemeyer; Oskar Metsavaht (Osklen); entre outros.

Políticos, não muitos. O prefeito Marcelo Crivella não foi, mas compareceram seu secretário de Urbanismo, Indio da Costa (PSD) — cotado para a eleição a governador — e os deputados estaduais tucanos Carlos Osorio e Luiz Paulo Corrêa da Rocha.

A atriz Maitê Proença, aos 59 anos, estava entre os destaques da ala feminina. Boa parte dela permanecia sentada nos sofás enquanto os demais ouviam Doria, de pé.

O discurso do prefeito, de 30 minutos, seguiu o mesmo roteiro padronizado do almoço que fizera, na semana passada, no Copacabana Palace.

Apresenta a trajetória de vida com toque popular — do “self-made man” que estudou em escola pública e teria começado a trabalhar aos 13 anos — e com acenos à esquerda e ao Nordeste, pelo pai baiano, deputado federal cassado pela ditadura.

Fala da gestão na prefeitura e, por fim, passa à exaltação programada e raivosa contra a “sem-vergonhice” de Lula e do PT. Mais racional e articulado que Bolsonaro, o tucano arranca aplausos esparsos, puxados por simpatizante próximo.

É certo que são plateias majoritariamente elegantes de empresários, advogados, integrantes do Judiciário. Mas a recepção ao discurso é menos efusiva que a provocada pelo ex-militar, também em pré-campanha pelo país.

Bolsonaro tem lotado aeroportos onde invariavelmente é carregado nos braços por uma turba de fanáticos seguidores do radicalismo de direita. Mesmo para públicos supostamente mais cultos, intelectualizados, educados, suas ideias empolgam e são capazes de provocar uma adesão fervorosa, quase religiosa.

Estamos no plano dos dogmas. Talvez isso explique o clima de euforia que o deputado despertou em abril no clube Hebraica. Ali, parte da comunidade judaica se hipnotizou com o discurso, a despeito do preconceito e do extermínio de que os judeus foram vítimas na Alemanha nazista.

Em vídeo que circula pelas redes sociais, Bolsonaro propaga que as minorias terão que se render à maioria ou simplesmente desaparecer. É o pensamento nu e cru do jurista Carl Schmitt para quem a democracia deveria ser expressão da força da maioria, sem as salvaguardas dos direitos individuais previstos pelo liberalismo.

Fora da Hebraica, a ala progressista da comunidade protestava na rua contra a palestra, na qual Bolsonaro atacava índios, mulheres, homossexuais e descendentes de quilombolas.

“Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”, disse, em declaração pela qual foi processado pelo Ministério Público Federal.

Na mesma ocasião, Bolsonaro disse ter cinco filhos, dos quais quatro homens, mas que deu “uma fraquejada e depois veio uma mulher”.

Doria gosta de falar de Bia, mãe de seus três filhos, que apesar de catarinense, conheceu no Rio. A cidade, conta, lhe rendeu “três dos melhores anos de sua vida”, quando presidiu a Embratur. O paulista afaga os cariocas.

Doria faz “speechs” sob medida para gerar identidade e busca agradar os interlocutores de plantão. Bolsonaro quer neles incitar seus instintos mais primitivos.

O ponto em comum entre os dois é a minoria ideológica a ser atacada, aqueles que o prefeito chama de “istas”: petistas, psolistas, esquerdistas em geral, e os profissionais com potencial de questionar suas ideias, os especialistas e os jornalistas.

Na disputa interna do PSDB, cada vez menos velada, Doria acrescenta mais um grupo à sua lista: os alckmistas.

Veja também:

Renan, ao se despedir: Cunha governa da cadeia

O post Doria apunhala Alckmin ao lado de Ricardo Amaral, Paulo Henrique Cardoso e Maitê Proença apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

© 2017 bita brasil

Theme by Anders NorénUp ↑