Monthjaneiro 2017

O golpe de Temer contra quem se acidentar no trabalho

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Dados do Portal da Transparência do governo do Estado de São Paulo mostram que Michel Miguel Elias Temer Lulia, nome de registro do presidente interino Michel Temer, teve rendimentos brutos de R$ 45.055,99 no mês de junho deste ano, valor bem acima do teto permitido pela Constituição. Descontados R$ 14.442,75 que ultrapassaram o teto, Temer recebeu mais de R$ 30 mil brutos. Com o imposto de renda, o líquido ficou em R$ 22.082,70. Esse valor é um absurdo quando comparado com o que recebe a grande maioria dos aposentados do país. O valor médio dos benefícios concedidos pelo INSS, em maio de 2016, foi de R$ 1.303,58 para os trabalhadores urbanos e de R$ 880,84 para os rurais. Célio Martins, na Gazeta do Povo, em 12.09.2016

COVARDIA

Reforma de Temer vai obrigar incapacitado a trabalhar

por Marcello Antunes, no PT no Senado

Nenhum trabalhador que sofre acidente durante sua atividade se aposenta porque quer. Com a Reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer, o instituto da readaptação está saindo de uma lei para se instalar no corpo da Constituição Federal.

A maldade está na criação de um instrumento que possa interferir diretamente na concessão da aposentadoria por invalidez permanente. A isso deve-se acrescentar que a reforma de Temer deixará de ser considerada “invalidez permanente” para ser chamada de “incapacidade permanente para o trabalho”.

Não é só uma mudança de nome. Atrás dessa alteração esconde-se o golpe contra aquele trabalhador que se acidentou. A reforma, se aprovada, exigirá que esse trabalhador ou trabalhadora acidentada passe por uma rigorosa perícia. Para não pagar a aposentadoria a esse acidentado, o governo golpista pretende exigir que sejam readaptados para o exercício de outro cargo compatível com a limitação sofrida, em sua capacidade física ou mental.

Essas mudanças previstas na PEC 287/2016 são outras formas de ataque aos trabalhadores, sejam eles servidores públicos ou segurados do INSS. A medida tem cunho apenas fiscal, ou seja, o governo golpista quer dificultar o acesso à aposentadoria por invalidez permanente para economizar, observa Wagner Friaça, estudioso do assunto.

O senador José Pimentel (PT-CE), que já foi ministro da Previdência durante o governo Lula, lançou uma cartilha que mostra como o governo de Temer tem como missão exterminar os direitos sociais, cuja lógica é tudo para os banqueiros e rentistas.

“A proposta mostra, com toda a clareza, a diferença abissal entre dois projetos de nação: um, eleito pelas urnas, simbolizado pelos governos Lula e Dilma; e outro, em implantação pelo governo ilegítimo. A diferença está na opção entre preservar os trabalhadores de uma forma geral, especialmente, os mais pobres ou defender os mais ricos na pirâmide social”, afirma Pimentel.

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Wadih Damous: Decisão de Cármen Lucia serve a vazadores

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Wadih Damous: Decisão de Cármen Lucia serve a procuradores e delegados que promovem vazamentos seletivos

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Decisão de Cármen Lucia é pela metade e protege cúpula do governo Temer, afirmam petistas

por Benildes Rodrigues, PT na Câmara

Os deputados da Bancada do Partido dos Trabalhadores, Wadih Damous (RJ) e Paulo Pimenta (RS) criticaram duramente a decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, que ao homologar as delações premiadas dos 77 executivos da Odebrecht, nesta segunda-feira (30), decretou sigilo dos depoimentos de funcionários e executivos da empresa.

“Nós sabemos que sigilos só valem para advogados de defesa e para os réus, porque para determinado órgão de imprensa esse sigilo é conversa fiada”, denunciou Damous.

“Então, a ministra Cármen Lúcia está errada. Se ela defende tanto a transparência, a moralidade, deveria concretizar isso no seu ato. Seu ato foi tomado pela metade. Além de ter homologado, ela deveria também determinar a quebra do sigilo. Porque já que nada é sigiloso, não vamos criar sigilos artificiais para permitir vazamentos seletivos”, afirmou Wadih Damous, que fez questão de deixar claro que é defensor da manutenção de sigilos, desde que seja para todos.

“Já que vaza para A, B, C D ou F, que vaze para todo mundo também, até porque a delação por si só não é prova”, sustentou.

Na opinião do deputado do PT do Rio de Janeiro, a magistrada segue o modus operandi do juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, da Policia Federal.

“Ela deve estar facilitando uma praxe que o juiz Sérgio Moro usa muito, que procuradores da República e delegados da PF também usam muito que é o do vazamento seletivo”, lembrou Wadih Damous.

Com essa prática, alertou o deputado, a ministra pode estar protegendo “um determinado senador que já foi citado mais de 30 vezes, em diversas investigações que apontam que ele teve suas despesas pagas por marqueteiros, com dinheiro proveniente de propina”.

“A ministra pode estar protegendo outro senador — atual ministro de Estado — que, segundo delação, teria recebido R$ 23 milhões em caixa dois. Ela pode estar protegendo um determinado ocupante da cadeira presidencial do Palácio do Planalto que, segundo delação, teria pedido propina no valor de R$ 10 milhões e já foi citado em diversas outras delações”, lembrou o petista.

Crise institucional – Na avaliação do deputado Paulo Pimenta, a decisão de manter o sigilo dos depoimentos da cúpula da Odebrecht pode agravar a crise institucional que o país vive. O deputado recomenda que a ministra Cármen Lucia retire o sigilo.

“É preciso que ela torne pública as 77 delações. Se isso não ocorrer estaremos diante de um fato inusitado. Conselheiros do Tribunal de Contas da união (TCU), que foram citados nas delações continuarão julgando como se nada tivesse acontecendo? Ministros de altas cortes do Poder Judiciário, eventualmente delatados e denunciados continuarão julgando como se não tivessem impedidos? ”, questionou Pimenta.

Lembrou também Paulo Pimenta que parlamentares, ministros do governo golpista de Michel Temer envolvidos no processo continuarão agindo como se não fizessem parte da investigação ou como se não tivessem interesse direto no resultado da ação.

“Só há uma maneira da sociedade brasileira ter tranquilidade: é que este processo seja conduzido com isenção por parte do Ministério Público Federal. É jogando luzes, tornando públicas para que possamos saber e acompanhar o conteúdo dessas delações”, disse Pimenta que ainda defende o amplo direito de defesa dos envolvidos, mas de maneira transparente.

“Se isso não ocorrer, a Rede Globo vai vazar aquilo que interessa a ela. Os advogados de defesa, a partir das homologações, passarão a pinçar fatos que interessam aos seus clientes. Aí, teremos uma manipulação de informação sobre aquilo que consta nas delações”, lamentou o petista, se mostrando preocupado com a situação.

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Prefeito de SP economiza em Educação para combater pichação

doria capa

 

Ano passado, São Paulo elegeu prefeito o apresentador de um programa de tevê que ninguém assistia. O multimilionário João Dória Júnior só conseguiu se eleger por conta do antipetismo fanático reinante na capital paulista, mas quem elegeu o atual prefeito foi, essencialmente, a periferia da cidade, como mostra o gráfico abaixo.

doria 1É nas periferias da capital paulista que reside a maior parte da população. A Zona Leste da cidade abriga nada mais, nada menos do que 4 milhões de habitantes, população maior que a do Uruguai e quase igual à do Paraguai.

Apesar disso, não surpreende reportagem do jornal Folha de São Paulo publicada nesta terça-feira (31/01) sob o autoexplicativo título “Doria foca zeladoria e empresários e dedica à periferia só 1 em 5 visitas”.

Em seu primeiro mês de mandato, segundo a Folha, “o prefeito João Doria (PSDB) deixou a periferia de São Paulo em segundo plano”. Só se surpreendeu o povo pobre que a mídia e os grupos fascistas dos bairros “nobres” enganaram.

A matéria faz média com Dória afirmando que, em seu início de governo, Haddad fez a mesma coisa. Porém, não é a presença física do prefeito que fala pelo seu foco de atuação, mas as medidas que ele efetivamente toma.

Dória passou o primeiro mês de gestão ocupando-se de temas que pouco importam à grande maioria da cidade, que está muito longe da área à qual se dedicou simplesmente para, como diz outra matéria da Folha, “fazer merchan” e “bombar na Web”.

doria 2É disso que a cidade precisa? É o centro expandido de São Paulo que precisa de maior atenção do prefeito?

Quem, como este blogueiro, reside nas regiões em que há de tudo – zeladoria, segurança, hospitais, escolas, transporte, comércio – sabe, também, que o centro expandido é a região menos populosa da cidade, apesar de ser seu cartão de visita porque é para lá que converge a população de todos os bairros nos dias úteis, para trabalhar, estudar etc.

Basta ir a esse “centro expandido” nos fins de semana para perceber que ninguém vive nessa região, que, quando as pessoas não têm que trabalhar ou estudar nela, fica vazia.

A população que lucrou com a eleição de Dória, ironicamente, é diminuta. Daria para elegê-lo vereador, mas nunca prefeito. Essa gente mora nos ditos bairros nobres, nos quais a concentração demográfica é muito baixa devido, também, ao tamanho dos imóveis.

Mas é a região que aparece na TV. Escorraçando ambulantes e pessoas em situação de rua da avenida Paulista e cobrindo paredes pichadas, por exemplo, os ricos dos Jardins e adjacências ficam contentes e passam a julgar esse um “bom prefeito”.

Essa é outra medida feita para atender a minoria da minoria dos paulistanos que vai trabalhar de carro enquanto a esmagadora maioria se espreme no metrô mais lotado do mundo, ainda que os ônibus tenham melhorado muitíssimo durante a gestão Haddad – hoje são novos, têm ar refrigerado, WI FI e trafegam em corredores de ônibus que funcionam, ao menos enquanto Dória não fizer como Kassab e encher esses corredores de carros particulares.

É justamente no tráfego, então, que Dória gastou boa parte de seu tempo em janeiro ao promover uma demagogia temerária que chegou às raias da loucura ao mentir para a população da cidade.

Dória divulgou dados falsos sobre mortes e acidente nas marginais Pinheiros e Tietê. Esses dados conflitaram com informações de relatório da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), órgão que também faz parte da gestão municipal.

De acordo com o insuspeito telejornal da Globo SPTV, os número divulgados pela equipe de Doria mostram que houve um aumento nas mortes e acidentes em 2016 na comparação com 2015, quando as velocidades nas vias foram reduzidas.

Com isso, o novo prefeito tentou desmoralizar o antecessor, que afirmava que com a redução da velocidade dos veículos o número de mortos no trânsito da cidade havia diminuído muito.

Segundo o gabinete da Secretaria de Comunicação da Prefeitura, os números reais que Dória acusou Haddad de distorcer seriam de 15 mortes em 2015 e 28 mortes em 2016. Ou seja, o prefeito anterior teria reduzido a velocidade dos veículos e as mortes no trânsito teriam aumentado.

Era óbvio que não poderia ser verdade. O que aconteceu foi que Dória simplesmente mentiu, achando que a mídia antipetista iria acobertá-lo. Ocorre que a nova gestão da capital paulista já preocupa muito essa mídia porque está tomando medidas extremamente irresponsáveis que fatalmente irão produzir escândalos em série.

A Globo, vendo a mentira ousada de Dória, chamou um técnico da administração municipal que, pelo visto, ficou com medo de cometer o que inclusive seria um crime e, assim, reconheceu que houve um “erro” na divulgação dos dados.

Na verdade, houve 46 acidentes com morte nas marginais em 2015, com 49 vítimas fatais e uma queda de 57,14% dessas mortes nas vias marginais paulistanas em 2016, com a implantação da redução da velocidade dos veículos.

O pior, porém, não é isso. Além de todas as medidas inúteis e/ou perniciosas que a nova administração vem adotando, há um contrassenso entre o discurso e a ação que merece ser ressaltado.

Matéria do igualmente insuspeito Estadão publicada em 24 de novembro de 2016 mostra que o ex-prefeito Fernando Haddad deixou seis bilhões de reais em caixa para Dória. As contas da cidade perfeitamente arrumadas. Apesar disso, Dória, mais uma vez, mente para a população.

Há algumas semanas, o novo prefeito anunciou que, devido a “graves problemas orçamentários”, iria reduzir “gastos da Secretaria de Educação que não estejam ligados diretamente ao ensino”.

O primeiro “gasto” com Educação a ser reduzido será o programa Leve Leite, que hoje atende estudantes da creche ao 9º ano da rede municipal. Segundo o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, a compra de material escolar e o transporte de alunos também irão sofrer cortes.

Nos últimos dias, apesar do conflito com estudantes, Dória anunciou que irá montar um dispendioso aparato só para impedir a pichação, com instalação de câmeras por toda cidade e contratação de 500 guardas civis para caçar pichadores. Além disso, mobilizará policiais do Deic para combater esses terríveis malfeitores.

Com efeito, como a criminalidade em São Paulo está absolutamente sob controle, é uma ideia de “jênio” colocar policiais para caçar pichadores. As vítimas de latrocínio, que não param de subir no Estado, agradecem.

Um guarda civil metropolitano concursado pode custar até 5 mil reais mensais. Esses 500 GCM’s, pois, custarão 2,5 milhões de reais por mês, ou 30 milhões de reais por ano.

Some-se a isso o custo das câmeras, o dos policiais do Deic – que não vão trabalhar de graça – e teremos dinheiro que poderia garantir material escolar, transporte e muito mais para os estudantes.

Não se pode recriminar totalmente a população dos bairros ricos que não precisa de escolas públicas, que não precisa do poder público a não ser para embelezar os caminhos por onde passa com seus carrões, agora em alta velocidade. Essa gente tem o direito de pensar só em si, ainda que seja moralmente reprovável.

O que dói é ver toda a população pobre ou remediada, essa maioria dos paulistanos que vive na periferia, ser gravemente prejudicada só para os ricos da cidade não terem o desprazer de ver uma parede pichada. Como diz uma dessas pichações, “Em São Paulo falta Saúde e Educação, mas o problema é a pichação”

Publicação de: Blog da Cidadania

Heloisa Villela: Democratas choramingam, mas Trump tem apoio da maioria

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Wall Street chora

por Heloisa Villela, de Nova York

Donald Trump está fazendo exatamente o que prometeu e tem o apoio da maioria da população para barrar, nos aeroportos, imigrantes de países de maioria muçulmana. Mesmo que isso signifique bater a porta na cara de refugiados.

Aqueles que não têm para onde ir porque seus países foram intensamente bombardeados e destruídos pelos Estados Unidos, com uma contribuição decisiva do Nobel da Paz Barack Obama.

Os liberais americanos, que perigo!

Chuck Schumer é senador democrata do estado de Nova York há 18 anos. Dizem, nos bastidores, que tem a chave do cofre. É o contato direto com o dinheiro que Wall Street deposita na “causa” democrata.

Neste fim de semana ele reuniu um grupo de muçulmanos para denunciar a xenofobia de Trump e as lágrimas rolaram. O presidente não deixou passar em branco. Disse que quer o nome do professor de teatro de Schumer. O senador — e boa parte dos eleitores de grandes cidades do país — acusou Trump de ferir a Constituição com seu preconceito declarado.

Mas, é bom deixar claro. Trump TEM o apoio da maioria, o que uma pesquisa divulgada pouco mais de três dias após a divulgação da nova política deixou claro. Segundo a Universidade Quinnipiac, 48% dos entrevistados dão apoio às ordens executivas de Trump que barram os estrangeiros e 42% são contra.

A divisão evidenciada na eleição presidencial se repete agora: nos grandes centros, a população é contra. No interior, a favor. Trump perdeu nas grandes cidades, mas levou o resto.

É no mínimo curioso ver políticos e liberais, agora, reclamando que o país está colocando em risco o chamado “due process”, o devido processo legal. Não vi nenhum deles gritando quando Obama mandou matar Osama bin Laden sem o tal “due process” e ainda declarou que tinha feito justiça.

Em português seria um justiçamento. Execução sem direito a processo. É a realidade, nas ruas, para muitos afroamericanos, como demonstra a proliferação de flagrantes capturados por telefones nos últimos dois anos.

Como explicar um contingente tão grande da população americana dando apoio à xenofobia declarada de Trump? A situação econômica por si só e o desemprego não contam a história toda.

Desde o dia 11 de setembro de 2001 a televisão não para de martelar na tecla do terrorismo. É uma campanha constante, que descontextualiza os fatos. Ninguém analisa as causas, o envolvimento dos EUA na fabricação dos conflitos, os bombardeios que exacerbam a situação, a construção desenfreada de bases militares mundo afora, etc. Não.

Só o que se fala, mostra e discute é o perigo terrorista. Como se os terroristas brotassem da terra por geração espontânea. E tome medo. Espalhar o pavor é fácil. Aparentemente, lucrativo também. Rende pontos no ibope, vende-se mais armas e equipamentos militares, forma-se o caldo propício para apoiar exatamente essa política xenofóbica.

O partido democrata solapou a única oportunidade que tinha, em muitas décadas, de oferecer uma alternativa um pouco mais humanista a toda essa receita suicida.

Não era um candidato perfeito, mas era um contraponto claro a Donald Trump. Mas a máquina dos Clinton não permitiu a vitória do senador Bernie Sanders e lá se foi Donald Trump rumo à reta final, com a garantia de que tornaria “seguros” os apavorados americanos.

Não preciso repetir que são ataques de cidadãos americanos mesmo, dentro do país, que mais matam por aqui. Nem é preciso bola de cristal para prever que os liberais e a mídia continuarão choramingando a perda do poder. Mas não vão se voltar para as raízes dos problemas, nem denunciar as ameaças reais que o governo Trump representa para os Estados Unidos e o mundo.

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Publicação de: Viomundo

Juiz barra venda da petroquímica de Suape e dá aula de economia a Pedro Parente

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Estratégico. E daí?

enviado por CarlosC, com Redação

A Justiça Federal acaba de barrar mais uma negociata de gestão temerária na Petrobras, proibindo a “venda” (melhor seria chamar doação) das Plantas Industriais de SUAPE e CITEPE, obras do PAC recém inauguradas.

Essas unidades industriais estão sendo “vendidas” a preço irrisório e sem licitação.

Situadas no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, com excelente capacidade de escoamento e recebimento de produtos via marítima e terrestre, a Companhia Petroquímica de Pernambuco, PetroquímicaSuape, e a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco, Citepe, produzem respectivamente o ácido tereftálico purificado (PTA) e polímeros e filamentos de poliéster e resina para embalagens PET.

PROCESSO Nº: 0805433-25.2016.4.05.8500 — AÇÃO POPULAR
ÓRGÃO JULGADOR: 2ª VARA FEDERAL(TITULAR)
JUIZ FEDERAL TITULAR
AUTOR: JOAO CARLOS DO NASCIMENTO SILVA (e outro)
ADVOGADO: Raquel De Oliveira Sousa
RÉU: PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS (e outros)
ADVOGADO: Carla Patricia Veras Silver (e outro)

DECISÃO

1. Relatório

João Carlos do Nascimento Silva e Fernando Borges da Silva ajuizaram ação popular contra a Petrobrás S/A e a Agência Nacional do Petróleo — ANP, a pretender a anulação da venda Companhia Petroquímica de Pernambuco (Petroquímica SUAPE) e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (CITEPE).

Em resumo, os autores alegaram que a Petrobrás estaria a promover a alienação sem observar as normas de licitação e que haveria prejuízo para a empresa, em razão do volume de recursos despendidos naqueles dois ativos e aqueles que ela iria receber na venda.

Além disso, alegou risco de dano irreparável, pois se a alienação se consumar, talvez não possa vir a ser desfeita, em razão da indenização que a empresa poderia se ver obrigada a pagar aos terceiros de boa-fé que comprassem aqueles bens.

Pediram o deferimento de liminar que suspendesse a venda daqueles ativos.

Ouvida, em resumo, a Petrobras afirmou a legalidade do procedimento e que, inclusive, o TCU havia autorizado sua execução, além da observância das normas simplificadas aplicadas a ela por força de decreto da Presidência da República.

Chamada a se manifestar, em resumo, a ANP alegou não ser parte legítima para a demanda e sustentou a legalidade de todo o procedimento.

É o relatório mais do que resumido. Passo a fundamentar minha decisão.

2. Fundamentação

Os autores populares parecem ter razão ao pedirem a suspensão do procedimento de venda daqueles ativos.

Por se tratar de bens de ente integrante da Administração Pública indireta, há a necessidade de serem observados os princípios do art. 37 da Constituição Federal de 1988 – CF/88, especialmente o da legalidade, publicidade e eficiência.

Numa análise superficial, parece que o procedimento adotado pela Petrobras, ainda que fundado em decreto regulamentar, não atende àquelas três diretrizes republicanas, pois a empresa não comprovou ter havido ampla publicidade da oferta daqueles ativos para venda, o que certamente atrairia mais interessados e poderia determinar a elevação do preço.

Além disso, não parece eficiente se ter desembolsado enorme soma na construção de dois empreendimentos de longo prazo e pretender deles se desfazer em tão pouco tempo (pelo que se pode aferir superficialmente, as empresas têm menos de dez anos de instalação).

Ora, é notório que empreendimentos industriais levam anos para que haja retorno do capital investido. E se levarmos em conta a queda abrupta dos preços do petróleo desde 2010, que caiu de U$ 120 por barril para U$ 30, haveria ainda mais demora para se obter de volta o capital investido.

Por outro lado, é no mínimo temerário vender ativos patrimoniais em momentos de crise econômica, em razão da depreciação que eles sofrerão por conta da situação de baixa do mercado, especialmente no caso de ativos da área do petróleo, produto estratégico para qualquer país, por ser o insumo básico da maioria esmagadora das demais indústrias.

Ainda que se possa alegar que se devem ser levados em conta os riscos do negócio e a dinâmica própria das operações empresariais, não me parece de acordo com a eficiência liquidar ativos tão caros — seja do ponto de vista econômico seja do ponto de vista estratégico — açodadamente e sem que se busque o melhor preço e a melhor oportunidade.

Especialmente no caso da Petrobrás, há ainda o fato dela ser sociedade de economia mista e a União poder fazer aportes de capital se necessário, para eventual socorro à companhia, o que justificaria maior prudência na venda de patrimônio.

Por outro lado, não se pode deixar de levar em conta o impacto que a alienação de tais ativos pode vir a ter na cadeia produtiva instalada no mesmo local, bem como nos empregos diretos e indiretos ali existentes, pois se a União pode bancar a manutenção de determinadas operações da companhia por questões de política econômica, como já o fez em passado recente, uma empresa estrangeira, como a que se apresenta como interessada na aquisição, pode simplesmente fechar as duas fábricas, com prejuízos ainda não estimados para o país, o Estado em que estão localizados e, o mais importante, para as pessoas ali empregadas direta ou indiretamente.

Há de se destacar que, se o negócio fosse tão ruim como defende a Petrobrás, não haveria interessado em sua compra num momento de notória crise mundial do setor petrolífero, nem haveria a necessidade de tamanha urgência na alienação.

Sobre a legitimidade da ANP, parece que ela está presente, pois como agência reguladora do setor, ela deve ser chamada a intervir sempre que houver discussão judicial sobre questões afetas ao seu conjunto de atribuições, inclusive por conta de sua experiência técnica.

3. Decisão

Amparado em tais razões, defiro a liminar requerida e determino à Petrobrás S/A que suspenda a alienação da Companhia Petroquímica de Pernambuco (Petroquímica SUAPE) e da Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (CITEPE), até ulterior deliberação deste juízo, sob pena de multa de R$ 250.000.000,00 (duzentos e cinquenta milhões de reais) em relação a cada umas das empresas, em prejuízo de outras sanções, inclusive de ordem criminal.

Intime-se a Petrobras com urgência para cumprir a decisão liminar.

Citem-se os réus para apresentar respostas no prazo de 15 (quinze) dias.

Intime-se a União para dizer se tem interesse no feito, no prazo de 5 (cinco) dias.

Intime-se o MPF para ter ciência de todos os termos do processo e para nele intervir como fiscal da lei.

Intimações necessárias.

Marcos Antonio Garapa de Carvalho

Juiz Federal da 3ª Relatoria da Turma Recursal/SJSE,

no exercício da titularidade da 2ª Vara.

(Ato nº. 615/2016-CR)

PS do Viomundo: A Petrobras vendeu as duas empresas à mexicana Alpek por U$ 385 milhões, sujeitos a “ajustes” (dívidas, inclusive). Sem licitação. Pedro Parente, o presidente da empresa, foi escalado pelos tucanos para desossar a estatal na gestão Temer, um fatiamento que inclui o pré-sal. Petróleo, como diria FHC, é coisa do passado! A Shell, a BP e a Exxon Mobil são empresas integradas, mas segundo o senador José Serra a Petrobras deve se concentrar em furar poço e deixar assuntos “estratégicos” para quem é do ramo. O Pentágono, por exemplo…

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A voz da Globo em tempos de Eike e Odebrecht: é tudo culpa do Lula

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Publicação de: Viomundo

Sardenberg articula o pensamento da Globo em tempos de Eike e Odebrecht

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“Provas” recolhidas no twitter

Da Redação

Em comentário na rádio CBN, Carlos Alberto Sardenberg colocou o milionário Eike Batista no colo de Lula e Dilma.

Referiu-se a fotos publicadas nos jornais “provando” a proximidade entre o trio e disse que Eike é o exemplo descarado do capitalismo “de favor”.

Tomado por súbita amnésia, esqueceu que trabalha num império construído de braços dados com a ditadura militar.

Primeiro, a ditadura destruiu o empresário Mario Wallace Simonsen, dono da TV Excelsior, “suspeito” de proximidade com o deposto João Goulart — em seu telejornal, a extinta emissora chamou o golpe de 1964 de golpe, não de “Revolução”.

Depois, a ditadura ajudou a construir a Globo.

Deu a Roberto Marinho as concessões pretendidas e desenvolveu com dinheiro público a rede de telecomunicações que alcançou todo o território nacional, a Embratel, na qual a Globo ficou pendurada feito um parasita.

Ah, sim, para espalhar suas antenas a Globo ganhou terrenos de prefeituras e organizou as oligarquias locais em rede — hoje, na política o nome dessa rede é PMDB.

Podemos dizer sem medo de errar que a voz de Sardenberg só chega ao extremo da Amazônia graças às sementes plantadas por Roberto Marinho durante a ditadura, irrigadas com favores governamentais.

Mas, o mais espantoso no comentário de Sardenberg veio em seguida.

Não só Eike, argumentou ele, mas também as empreiteiras envolvidas na Lava Jato só se deram bem por causa de Lula.

Aqui, a amnésia é mais grave, já que é do conhecimento do mundo mineral que as grandes empresas de construção civil brasileiras foram financiadas pelas obras da ditadura militar e abasteceram fartamente os cofres de todos os partidos políticos, ou quase todos, desde então.

Para comprovar isso, basta consultar a lista da contabilidade da Odebrecht dos anos 80 (ver abaixo)!

Nela aparecem, dentre outros, o campeão da campanha das Diretas Já, Dante de Oliveira, que foi prefeito de Cuiabá, e o deputado federal e estadual Erasmo Dias, situados à época em extremos da política. Na lista, eles são respectivamente o Ceguinho e o Liquidificador, cujos nomes aparecem associados a obras da empreiteira feitas com dinheiro federal na capital de Mato Grosso e na Bahia.

A mistificação do comentário de Sardenberg seria apenas mais uma das muitas bobagens ditas por ele em rede de rádio ou TV, não estivesse o discurso a serviço de uma causa: Eike e a empreiteiras corruptas foram invenção do Lula, o Brasil está no estado atual por causa do Lula e, portanto, o PMDB, Temer e os tucanos não têm absolutamente nada a ver com isso.

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Publicação de: Viomundo

Empresa infiltrou espião entre ativistas que combatem o amianto; mistério sobre quem pagou araponga pode ser desfeito em Londres

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À esquerda, Laurie Kazan-Allen (topo) e Linda Reinstein. Ao centro, Fernanda Giannasi, símbolo da luta antiamianto no Brasil, e Rob Moore, o espião contratado pela K2. De cima para baixo, Jules Kroll (presidente do Conselho), Jeremy Kroll (CEO) e Matteo Bigazzi, o diretor-executivo da K2, em Londres. Jules é o fundador da famosa Kroll Inc. Bigazzi também trabalhou na Kroll antes de ir para a K2

por Conceição Lemes

Pelo menos há cinco décadas já se sabe que todos os tipos de amianto, ou asbesto, são cancerígenos, inclusive o crisotila ainda produzido, comercializado e utilizado no Brasil.

O contato com o mineral está associado principalmente a dois tumores malignos:  câncer de pulmão e mesotelioma, geralmente fatal e que atinge pleura (camada que reveste o pulmão), peritônio (camada que reveste o intestino) e pericárdio (camada que reveste o coração).

Mais de 60 países, inclusive toda a Europa, já o proibiram por completo. Recentemente o Canadá anunciou o banimento em 2 anos.

E a tendência desse número é crescer, devido às campanhas da rede mundial de ativistas pela proibição total da fibra assassina. Dela fazem parte estas três mulheres:

Laurie Kazan-Allen – Há 25 anos participa dessa luta. Em 2000, ajudou a fundar o International Ban Asbestos Secretariat  (IBAS, Secretariado Internacional do Banimento do Amianto), com sede no Reino Unido, onde é sua coordenadora.

Linda Reinstein – Tornou-se ativista a partir de 2003, quando o seu marido foi diagnosticado com mesotelioma de pleura e morreu. Preside a Asbestos Disease Awareness Organization (ADAO, organização de conscientização sobre as doenças do amianto, em tradução literal). Criada em 2004, a ADAO está baseada em Los Angeles, EUA. Seu objetivo é conscientizar sobre os riscos às pessoas afetadas pelo mineral cancerígeno.

Fernanda Giannasi – Engenheira do trabalho, auditora fiscal aposentada do Ministério do Trabalho, é cofundadora da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), criada em 1995. É o símbolo da luta antiamianto no Brasil.

Pois nesta terça-feira, 31 de janeiro de 2017, a atenção de Laurie, Linda e Fernanda estará voltada para o mesmo local: a Corte Real de Justiça, em Londres.

Motivo: mais uma audiência do caso da empresa que infiltrou um espião no movimento global pelo banimento do amianto.

Durante quatro anos — de 1º de junho de 2012 a setembro de 2016 – Rob Moore, trabalhando para K2 Intelligence, fez-se passar por um jornalista-documentarista simpático à causa do amianto, para reunir informações confidenciais sobre as principais lideranças mundiais, suas estratégias e planos futuros.

A K2, por sua vez, repassava as informações ao seu cliente, cujo nome se recusou a divulgar na última audiência, em dezembro de 2016.

K2 e Rob Moore são réus. Laurie Kazan-Allen, uma dos três demandantes do processo em curso na Inglaterra.

É razoável supor, informou o tribunal de Londres, que o cliente seja uma ou mais empresas da indústria de amianto de país produtor ou exportador do mineral ou que haja até mesmo envolvimento de membros de governo desses países.

Rússia, China, Brasil e Cazaquistão são os maiores produtores e exportadores no mundo.

“Esperamos que a corte britânica obrigue a K2 a revelar o nome do cliente — ou clientes — , que lhe pagou uma fortuna para fazer esse serviço sujo”,  diz, indignada, Fernanda Giannasi, que nos últimos 20 anos foi alvo de vários ataques da máfia do amianto no Brasil.

“Comparando com o modus operandi da K2, eu diria que os métodos usados na minha ‘estreia’ eram primitivos, jurássicos e previsíveis”, reconhece. “Quão sofisticados são os métodos atuais!”

“Talvez até por eu já ter sido espionada no Brasil, minha’ luz’ acendeu no momento em que conheci o Rob; eu não lhe passei nenhuma informação útil”, prossegue.

“Estou furiosa de ter gasto tempo com esse criminoso”, revolta-se. “É ultrajante! Temos o direito de saber quem está por trás do espião do amianto, assim como as informações que ele levantou e repassou.  Se for o caso, até tomar medidas judiciais contra esses impostores.”

EMPRESA QUE CONTRATOU ESPIÃO É DE FUNDADOR DA KROLL

Tem uma frase que os americanos usam bastante:  “o lobby  do amianto tem o melhor que o dinheiro pode comprar”.

A prática confirma. No mundo inteiro, sempre foi assim.

Mas, desta vez a sua ação criminosa se superou.

Em 8 de dezembro de 2016, o The Guardian publicou uma denúncia gravíssima sobre o esquema de espionagem da K2, embora até o momento não se conheçam todos os envolvidos nem a extensão dos danos causados.

Parece script de filme de James Bond, o agente secreto fictício 007 do serviço de espionagem britânico, criado pelo escritor Ian Fleming em 1953.

Infelizmente, não é.

Trata-se da vida real, envolve um espião que não é nenhum mocinho “do bem” e uma importante empresa de inteligência corporativa, a K2 Intelligence Ltd.

Sediada em Nova York, com escritórios em Los Angeles, Londres, Madrid, Tel Aviv e Genebra, a firma foi fundada em 2009.

Pertence a Jeremy Kroll (CEO) e a seu pai Jules Kroll (presidente do Conselho), considerado o fundador da indústria moderna de investigações corporativas.

Jules é simplesmente o criador da famosa Kroll Inc, que ele vendeu em 2004 por US$ 1,9 bilhão.

A K2 contratou Rob Moore para executar o “Projeto Amianto”.

O objetivo era ter acesso a informações que os integrantes da rede mundial antiamianto nunca compartilhariam voluntariamente com a indústria ou seus agentes, entre os quais o próprio Moore, se soubessem quem ele realmente era.

Por exemplo, dados sobre campanhas futuras pelo banimento, divisões internas entre os vários grupos sobre a conveniência e probabilidade da proibição em um determinado país.

Daí, Rob Moore se fazer passar por um jornalista-documentarista.

Segundo o tribunal de Londres, documentos e relatos demonstram que do começo ao final do “Projeto Amianto”, K2 e Matteo Bigazzi estiveram envolvidos nas irregularidades cometidas por Rob Moore.

Matteo Bigazzi é o diretor-executivo da K2 em Londres. O site da empresa apresenta-o como “perito em fraudes transfronteiriças e investigações de corrupção”.

Anteriormente,  ele havia sido diretor associado da Kroll Associates em Londres e Milão.

Em um dos relatórios que constam do processo, Moore identifica-o como “diretor de projeto” e o seu único ponto de contato em relação a informações confidenciais.

Bigazzi e Moore juntos, segundo o Tribunal de Londres, elaboraram a estratégia de abordagem de Laurie Kazan-Allen, do IBAS, em Londres.

Ela foi a porta de entrada para a espionagem de todo o movimento e de suas principais lideranças.

CONQUISTAR A CONFIANÇA E ACESSO A INFORMAÇÕES CONFIDENCIAIS

Em junho de 2012, Moore aproximou-se de Laurie com o pretexto de ser um jornalista que planejava fazer um documentário sobre os perigos do amianto.

Em um dos documentos do processo, Moore [identificado como DNT até 19 de dezembro de 2016, quando a Justiça britânica suspendeu o sigilo sobre seu nome] conta que realizou pesquisas para dar credibilidade jornalística ao que propunha. Os dados em parênteses são relativos às páginas e referências do processo:

“Eu fui capaz de identificar várias notícias, ângulos, temas que seriam de interesse genuíno para um documentário. E estou confiante de que posso entrar neste mundo com relativa facilidade e com um alto nível de legitimidade e credibilidade “(RM5 p83).

Ele afirma:

” Eu gostaria de me envolver com o IBAS e LKA [Laurie Kazan-Allen, a Segunda Requerente] da maneira a mais genuína e sincera possível para que eu possa estabelecer tanto uma conexão intelectual como emocional com LKA “(RM5 p83).

Ele também explica que à medida que fosse construindo uma relação de confiança com Laurie, ele poderia começar a fazer perguntas mais detalhadas sobre o IBAS:

“Quanto mais eu for capaz de explorar suas reivindicações, mais capacitado fico para fazer as perguntas-chave. Este é um ponto importante”.

Em depoimento ao tribunal, Richard Meeran, advogado de Laurie, disse que, dentro dessa estratégia, Rob Moore pensou inicialmente em criar um site chamado “Britishspring.org”:

(…) permitirá que eu pergunte a LKA questões mais pessoais sobre como ela organizou o IBAS, como administra, como ela conseguiu expandi-lo para produzir campanhas de relacionamento em outras partes do mundo, e como tudo isso é financiado.

Richard prossegue:

Moore não criou o tal site chamado Britishspring.org, mas ainda neste ano criou um outro website para uma instituição de caridade chamado Stop Asbestos (Pare o Amianto), que mais uma vez era simplesmente uma camuflagem, de modo que ele tivesse uma desculpa para continuar a infiltração na Rede da Segunda Requerente. 

O site Stop Asbestos fica aquiRob Moore  envolveu  nele figuras importantes do movimento internacional para ajudar a colaborar — inclusive financeiramente — com seus projetos.

Abaixo um recorte da capa. Depois, a lista dos colaboradores. Estes dois prints foram tirados nesta segunda-feira, 30 de janeiro, às 20h52, hora de Brasília.

Stop print capa

Stop print-001

Assim, fingindo partilhar dos mesmos objetivos em relação à prevenção das doenças relacionadas ao amianto e à indenização das vítimas ou familiares, Rob ganhou a confiança de Laurie.

Através dela,  sempre se passando por jornalista-documentarista e invocando ser irmão de Charlotte Moore, diretora de conteúdo da respeitável BBC inglesa, ele teve acesso à rede mundial de ativistas, fez entrevistas com os principais protagonistas, participou de conferências e reuniões restritas tanto na Grã Bretanha quanto em outros países.

“Fui apresentada a Rob Moore por Laurie Kazan-Allen, que sugeriu que ele participasse da nossa conferência  anual para coletar imagens e entrevistas para o documentário sobre amianto”, informa Linda Reinstein, CEO da ADAO.

Moore participou de duas conferências internacionais da ADAO; 2013 e 2015, ambas em em Washington, DC.

Ele fotografou o que aparecia em cada slide das apresentações e fez inúmeras entrevistas com especialistas médicos, advogados e vítimas de amianto.

“Hoje, sabendo o criminoso que é, digo que ele se infiltrou nas conferências da ADAO para coletar informações sobre o movimento antiamianto americano”, supõe Linda.

Moore usou também o nome de Laurie, para se apresentar por e-mail a Fernanda Giannasi.

Na mensagem, disse ser amigo de Laurie, que sabia que Fernanda iria a Washington participar da conferência da ADAO e que queria entrevistá-la para o documentário sobre os perigos do amianto.

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“Ele até me convidou para jantar e eu, por pura intuição, pedi a uma advogada holandesa para ir junto como testemunha”, relata.

“Ele nos levou a um pub no centro de Washington; ficava distante do hotel em que todos nós estávamos reunidos. Hoje entendo que era para estar longe das vistas dos demais”,  pontua.

“A rigor, eu não tinha por que desconfiar, já que tinha o salvo conduto de ser amigo da Laurie”, continua.

“Mas, por uma razão mais intuitiva do qualquer outra coisa, assim que ele se aproximou, eu suspeitei”, relembra.

“Além de não lhe dar qualquer  informação útil, declinei de participar de seus projetos, que me pareceram mirabolantes e inatingíveis para quem dizia não ter nenhum financiamento“, explica.

RECEBEU R$ 1,82 MILHÃO PARA LUDIBRIAR ATIVISTAS

Durante os quatro anos de espionagem, Rob Moore reuniu 35.000 documentos, incluindo e-mails, apresentações em power point, imagens, fotos,  textos, arquivos de áudio, cerca de 500 horas de gravações.

Foi realmente trabalho sofisticado de espionagem pelo qual ele recebeu da K2 Inteligence um total de £460,000 (libras esterlinas), sendo £ 336.015, provenientes de salários, e £ 336.015, de reembolso de despesas.

Isso significa em reais, considerando o valor de hoje da libra, um total de R$ 1,82 milhão.

De acordo com o tribunal de Londres, o objetivo final era difamar e desacreditar a rede mundial de ativistas perante governos e organizações que ela pretendia atingir.

Para isso, era preciso descobrir informações que pudessem ser utilizadas para sugerir que a rede era financiada por quem tinha interesse financeiro na questão. E que esse era o verdadeiro motivo do movimento pela proibição do amianto e não as razões de saúde pública.

Em setembro de 2016, Laurie soube das verdadeiras intenções de Rob Moore depois de receber uma dica de outra ONG com a qual ele se envolveu, segundo o tribunal.

Foi um choque para ela e para os outros ativistas.

De um lado, imensa decepção com alguém que julgavam amigo.

De outro, angústia e preocupação com a extensão dos danos causados pelo uso indevido e disseminação de informações altamente confidenciais sobre estratégias de campanha e litígios da rede, inclusive entre membros do grupo, coletadas durante quatro anos.

“Me sinto traída”, queixa-se Linda Reinstein.

“Me senti usada. O meu prejuízo é o menor possível, pois não passei nenhuma informação e muito menos recursos para ajudá-lo a financiar seu  falso documentário, até porque a a ABREA sobrevive de recursos ínfimos e doações mensais de seus membros ”, observa Fernanda Giannasi. “Porém, ele mentiu, me enganou; para mim, uma atitude inaceitável.”

Do relatório de Rob Moore constam também informações altamente pessoais que ele obteve e enviou para Bigazzi sobre Laurie, como seus hábitos de gastos, como se cuida, seu estado de saúde.

O tribunal informa que, como bem sabe Rob Moore, a saúde de Laurie, de 69 anos, é frágil.

Em 2013, ela sofreu um grave infarto, ficou 12 dias na UTI e quase morreu.

Apesar disso, segundo o tribunal, Rob continuou a usar Laurie, explorando implacavelmente sua boa vontade em relação a ele, o que aconteceu ao longo de 4 anos.

Ele chegou ao cúmulo de apresentar à K2 o tempo gasto para escrever uma carta de solidariedade ao marido de Laurie, quando ela estava na UTI, reivindicando o seu pagamento.

Em depoimento ao tribunal, Richard Meeran, advogado de Laurie, disse que ela ficou devastada ao descobrir que havia sido traída por DNT, agora desmascarado:

“Ela passou por sentimentos de negação, confusão, ultraje emocional, agitação emocional, angústia, choque, angústia e ansiedade. Ela questiona a validade do trabalho que  fez nos últimos quatro anos e o valor do trabalho de sua vida.

 “Ela disse que se sente como a vítima de um ataque agressivo e íntimo. Ela tem tido problemas para dormir e sofre uma sensação de imensa vergonha por ter sido aprisionada por DNT e pela K2”

Por enquanto, três pessoas, todas de Londres, estão processando Rob Moore e a K2. Uma delas é Laurie Kazan, como já dissemos no início.

Para o tribunal, as condutas de Rob Moore, K2 e Bigazzi causaram extenso prejuízo aos demandantes. Houve violação de confidencialidade, além de humilhação.

O tribunal diz também que a conduta deles foi incrivelmente prejudicial aos demandantes no nível profissional.

Os demandantes reivindicam que todos documentos obtidos por Rob Moore sejam devolvidos, inclusive os que foram repassados a K2 e a Bigazzi.

Eles querem também saber o que foi repassado para o cliente da K2 e ele seja proibido de usar quaisquer das informações obtidas.

Diante de tudo isso, a pergunta óbvia: o que levou Fernanda Giannasi a não cair na armadilha de Rob & Cia?

Ela mesma expõe:

* O que me deixou meio intrigada  foram algumas perguntas e estilo de ele perguntar. Me lembrou muito o interrogatório ao qual fui submetida em 2000 por dois arapongas da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), no governo FHC.

* Ele fazia uma pergunta sobre qualquer assunto só para iniciar, aí colocava outra no meio, que é a que lhe interessava. Depois, ficava voltando sempre à questão-chave.

* Era um vai e volta em perguntas sobre financiamento dos movimentos e de seus membros, como se buscasse uma contradição, uma confissão num momento de descuido, queria saber intrigas e desavenças entre membros do grupo de ativistas.

* Enfim, era nitidamente um interrogatório.

* Além disso, a forma como ele me olhava, parecendo querer ler minha alma e meus pensamentos, me deu calafrios. Aquilo me deixou desconcertada. Literalmente, um déjà-vu.

Rob bbc-001Nesse domingo, 29 de janeiro, a BBC publicou  no Sunday Times uma nota onde afirma que “Charlotte Moore não teve nenhum envolvimento neste caso e que este assunto não tem nada a ver com ela.”

Afirma também que “a BBC não é parte, não está envolvida e não deu apoio, nem prestou qualquer depoimento no assunto em questão”.

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Senador Requião e deputado Pimenta pedem fim do sigilo das delações da Odebrecht já

Requião diz que divulgação de delações deveria ocorrer antes de eleição das Mesas

De O Povo, 30/01/2017 | 09:54

O senador (PMDB-PR) afirmou nesta segunda-feira, 30, ao Broadcast Político que o ideal seria que o conteúdo das homologações das delações da Odebrecht fosse divulgado antes da eleição para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado.

Para ele, o Legislativo está numa situação “constrangedora” — já que poderá eleger parlamentares para cargos do comando das duas Casas Legislativas que futuramente poderão ser alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Estamos numa situação muito constrangedora neste processo”, avaliou o senador, ao ressalvar que, sem a íntegra das delações, não se pode fazer nada para eventualmente discutir os nomes para o comando das duas Casas.

A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, decidiu homologar as delações dos 77 executivos da Odebrecht. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira pela manhã. Contudo, Cármen manteve o sigilo em relação à divulgação do conteúdo das colaborações premiadas.

A eleição para a Mesa do Senado está marcada para esta quarta-feira, dia 1º, e para a Mesa da Câmara, no dia seguinte.

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), afirmou que a eventual divulgação dos acordos de colaboração premiada dos executivos da Odebrecht poderá atingir as cúpulas dos Três Poderes, e não apenas a do Legislativo.

Ele não quis avaliar antecipadamente o impacto que o procedimento poderia ter para as candidaturas de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), respectivamente, aos comandos da Câmara e do Senado.

Tanto Maia quanto Eunício já foram citados por executivos da empreiteira antes da delação ter sido homologada. Os dois negam quaisquer irregularidades.

“Não faço prejulgamento nem juízo de valor”, disse Caiado, ao avaliar que, quaisquer que sejam os delatados, é preciso ter conhecimento detalhadamente os supostos benefícios que a empreiteira tinha em troca de cobrança de propina.

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Efeito cascata da Lava Jato ameaça os bancos

Captura de Tela 2017-01-30 a?s 11.42.56Afundou…

Força-tarefa dos bancos tenta evitar quebra de empresas

Instituições criaram equipes especializadas em ajudar na reestruturação das companhias antes que a situação financeira se torne insustentável

Mônica Scaramuzzo e Renée Pereira , em O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2017

Depois de amargarem perdas com a deterioração financeira de grandes empresas, que entraram em recuperação judicial ou estão envolvidas na Lava Jato, os maiores bancos privados do País — Itaú, Bradesco e Santander — começaram, nos últimos meses, a se organizar para evitar uma crise ainda maior.

A preocupação é que essa onda de recuperações se intensifique e provoque um efeito cascata de estragos na já combalida economia do País.

Com equipes especializadas, esses bancos criaram departamentos totalmente focados na reestruturação de médias e grandes empresas. A ideia é trabalhar de forma preventiva, antes que o problema leve mais companhias a um processo de recuperação judicial ou falência — o que é prejudicial também para o balanço dessas instituições, que no último ano tiveram de fazer provisões para perdas bilionárias.

Os casos mais emblemáticos foram os da Oi, com dívidas de R$ 65 bilhões, e da Sete Brasil, criada para entregar sondas para a Petrobrás, com débito de R$ 20 bilhões.

Fontes de mercado afirmam que há uma watch list (lista de monitoramento) de cerca de R$ 300 bilhões em dívidas de médias e grandes empresas na mira de bancos para reestruturação. Esse valor exclui a dívida da Oi e parte das renegociações de dívidas já feitas por algumas das empresas do grupo Odebrecht.

Seleção. A qualquer sinal de alerta sobre a saúde financeira de empresas, seja pela piora de indicadores do balanço ou por atrasos em contas (dívidas ou impostos, por exemplo), as equipes de reestruturação desses bancos entram em ação para tentar estancar o problema de forma preventiva.

“Queremos nos antecipar ao problema”, diz Eduardo Armonia, diretor responsável pela área de reestruturação e recuperação de crédito de atacado do Itaú. “A queda da rentabilidade de uma empresa ou atraso de pagamento já acendem um alerta para o banco.”

Diante de uma grande quantidade de empresas em dificuldades — seja por causa da crise econômica ou por causa da Lava Jato –, o time de reestruturação dos bancos inicia o pente-fino pelos setores nos quais as instituições têm maior exposição. Nessa lista estão os segmentos de construção, infraestrutura, varejo, revenda de carros e mercado imobiliário.

Partindo dos setores, esses executivos afunilam as análises até chegar às empresas mais frágeis. Em alguns casos, as companhias não têm noção da realidade que vivem e precisam ser alertadas pelos bancos, diz o vice-presidente do Bradesco, Domingos Abreu, responsável pela área de crédito e reestruturação.

Com esse diagnóstico em mãos, as instituições financeiras oferecem um “pacote de ajuda”, que vai desde tomar ativos como garantia e alongar as dívidas até buscar um novo investidor para injetar capital na empresa.

Em muitas situações, a venda de ativos é a melhor saída. Foi o que ocorreu com a Renova Energia, uma das maiores geradoras de energia eólica do País. A empresa rolou uma parte de seus débitos e vendeu ativos para honrar compromissos. Inicialmente a reestruturação buscava um sócio para capitalizar a empresa — o que foi adiado com a venda de um parque eólico por R$ 650 milhões.

Outro que está em reestruturação é o grupo Rossi, que tenta evitar o mesmo caminho da concorrente PDG, cuja recuperação judicial é dada como certa. Fontes afirmam que o grupo renegocia o alongamento das dívidas e está em conversas para dar imóveis como garantia. A empresa não quis se pronunciar.

Escalada. A mudança de postura dos bancos é explicada pela rápida escalada dos pedidos de recuperação. Só no ano passado, 1.863 empresas entraram com pedidos na Justiça — volume 44% superior ao de 2015, com 1.287 ocorrências.

“Criamos essa estrutura em 2015 por causa da piora na economia, do aumento das recuperações e da Lava Jato”, diz Gustavo Alejo Viviani, superintendente executivo de negócios de recuperação da área de atacado do Santander.

Para este ano, a recuperação da economia, com a queda dos juros e aumento dos preços das commodities, deve dar algum alívio às empresas. Mas os bancos seguem atentos e querem evitar um déjà vu de 2016.

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