Monthoutubro 2016

Lava Jato admite que faz acusados cumprirem pena sem julgamento

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No último domingo, o corista mais ousado da Lava Jato e um outro menos conhecido vieram a público para um novo showzinho, desta vez sem power point. Os procuradores da República Deltan Dallagnol e Orlando Martello trataram de defender a Operação das críticas crescentes que está recebendo, basicamente, por abuso de poder e partidarismo.

O show foi encenado na página A3 da Folha de São Paulo, na sessão Tendências/Debates. Ocupou a página de alto a baixo. No texto em questão, sem auxílio de power point os procuradores tiveram que preencher o espaço com outro tipo de diversionismo. Vamos ao show, então. Quem sabe o leitor encontre a confissão da Lava Jato.

Continuo em seguida à matéria da Folha abaixo reproduzida.

dallagnol-1Achou? Imagino que sim. Mas caso alguém não tenha encontrado, impressione-se com o que os dois procuradores dizem sobre as acusações de abuso da Lava Jato: “ 3% estão encarcerados sem condenação”

Só?! Como assim, “só”? Pelas contas da Lava Jato, ela acusou 241 pessoas em 52 investigações e só 3% dessas pessoas estão cumprindo pena sem julgamento. Assim, segundo a Lava Jato, em torno de 7 pessoas estão encarceradas e cumprindo pena sem condenação, ou melhor, sem terem tido direito a um julgamento justo.

É pouco?!!

Assassinos costumam aguardar o julgamento em liberdade. Para acusados de crimes não-violentos, começar a cumprir pena sem ter sido julgado ou preso em flagrante é um abuso, uma medida ditatorial. Não se explica.

Mas hilariante mesmo é a explicação de Dallagnol e Martello sobre por que a Lava Jato só prende petistas ou aliados de petistas. Segundo eles, é porque o PT estava no Poder, de modo que só existiria corrupção no partido que governa.

É mesmo? Será verdade?

Pergunta: a Odebrecht, a OAS, a Camargo Correia e outras máfias da construção pesada que começaram a roubar ainda no regime militar e que roubaram a Petrobrás são as mesmas Odebrechet, OAS, Camargo Correia etc. que prestaram serviços ao metrô de São Paulo, à CPTM, ao Rodoanel?

Quem está no poder no Estado de São Paulo, responsável pelo metrô, pela CPTM e pelo Rodoanel, e em tantos outros Estados e municípios? É o PT?

Mas se são as mesmas Odebrecht, OAS, Camargo Correia e companhia, então não dá pra entender. Se são as mesmas empresas, por que a roubalheira que promoveram junto ao governo do Estado de São Paulo não é investigada?

Ou será que as denúncias de que elas roubaram também em São Paulo não são verdadeiras?

A Lava Jato só investiga corrupção da Odebrecht, da OAS, da Camargo Correia e do raio que as parta se essa corrupção envolver petistas. Como a corrupção que essas empresas promovem nos Estados e municípios não interessa aos procuradores da República e delegados da PF porque atinge diretamente o PSDB, não rola investigação.

Aliás, com muito atraso há uma encenação de que está sendo investigada alguma coisa contra José Serra – após anos de investigações que ignoraram o que as empreiteiras faziam em São Paulo ou Minas Gerais, onde os esquemas movimentaram muito mais dinheiro que na Petrobrás.

Faz tempo que a Lava Jato não consegue explicar por que suas investigações são seletivas. E agora não consegue explicar como é possível que o Brasil mantenha pessoas cumprindo pena de encarceramento sem terem tido direito a um julgamento justo.

Mas o que assusta mesmo é Dallagnol e Martello acharem que há pouca gente presa sem julgamento. Fiquei esperando que ele se gabasse de “só” estar torturando psicologicamente os encarcerados sem julgamento pela Lava Jato, de não praticar torturas físicas.

Publicação de: Blog da Cidadania

Moniz Bandeira: Danos causados pela Lava Jato à economia brasileira já superam em muito o custo da corrupção

 

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Moniz Bandeira aponta interferência dos EUA no golpe que derrubou Dilma e critica atuação do MP, PF e Judiciário

Do PT na Câmara

O historiador e cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira faz várias críticas a segmentos da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário por estarem atuando de forma politizada e seletiva para tentar atingir, principalmente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em especial no âmbito da Operação Lava-Jato.

Em entrevista ao jornal A Tarde, de Salvador (BA), ele condenou a atuação “antinacional” desses setores, que muitas vezes têm passado “por cima das leis, como senhores de um poder absoluto e incontestável”.

Para Moniz Bandeira, parece que “o Estado brasileiro está se desintegrando”.

Na entrevista , ele aponta também a interferência dos Estados Unidos na efetivação do golpe que derrubou a presidenta legítima Dilma Rousseff.

Sua tese central é de que os EUA aliaram-se com segmentos do empresariado brasileiro, junto com setores do MP, Judiciário e da mídia, para construir no Congresso o caminho para a derrubada de um governo alinhado aos interesses nacionais, colocando em seu lugar um totalmente submisso a Washington, como é o caso do usurpador Temer.

A abertura da exploração do pré-sal para empresas estrangeiras é um dos principais motivos.

O juiz Sérgio Moro é uma das principais expressões dos agentes locais a serviço de Washington, pondera Moniz Bandeira, pois atua de forma a prejudicar empresas nacionais que competem em mercados externos.

“Os danos à economia brasileira superam, em escala muito maior, todos os prejuízos que a corrupção que ele diz combater”, afirma Moniz Bandeira.

O cientista político acabou de lançar mais um livro: A desordem mundial (Ed. Civilização Brasileira), um amplo estudo do caótico cenário internacional.

Aos 80 anos, ele também tem sido homenageado pela sua vasta obra e história de vida de intelectual engajado.

Em junho, foi homenageado pela União Brasileira de Escritores. No dia 4, a homenagem é na USP.

Leia a íntegra da entrevista :

Em seu livro A desordem mundial, o senhor aborda diversos pontos de tensão ao redor do mundo. O mundo retrocedeu na busca pela paz entre as nações? Como o Brasil do golpe parlamentar / impeachment se encaixa neste complicado tabuleiro de xadrez?

Desde o governo do presidente Lula da Silva, o Brasil, conquanto mantivesse boas relações com os Estados Unidos, inflectiu em sua política exterior no sentido de maior entendimento com a China e a Rússia e empenhou-se na conquista dos mercados da América do Sul e África, a favorecer as empresas nacionais, como todos os governos o fazem.

Ao mesmo tempo, reativou a indústria bélica, com a construção do submarino atômico e outros convencionais, em conexão com a França, a compra dos helicópteros da Rússia e dos jatos da Suécia, países que aceitaram transferir a tecnologia, como determinou a Estratégia Nacional de Defesa, aprovada pelo Decreto Nº 6.703, de 18 De dezembro de 2008.

E essa transferência de tecnologia, que os Estados Unidos não aceitam realizar, é necessária, indispensável, ao desenvolvimento econômico e à defesa do Brasil, pois “la souveraineté est la grande muraille de la patrie”, conforme o grande jurista Rui Barbosa proclamou, ao defender, na Conferência de Haia (2007), a igualdade dos Estados soberanos.

Outrossim, ele advertiu, citando Eduardo Prado, autor da obra A ilusão Americana, que não se toma a sério a lei das nações, senão entre as potências cujas forças se equilibram. Esta lição devia pautar a estratégia de segurança e defesa nacional.

O Brasil é e sempre foi um pivot country no hemisfério sul devido à sua dimensão geográfica, demográfica e econômica, a maior do hemisfério, abaixo dos Estados Unidos, apesar da assimetria.

E constituiu com a Rússia, Índia e China o bloco denominado BRIC, contraposto, virtualmente, à hegemonia dos Estados Unidos, e abrir uma alternativa à preponderância do dólar nas finanças e no comércio internacional.

Tais fatores, inter alia, como a exploração do petróleo pré-sal sob o controle da Petrobrás, dentro de um contexto em que os Estados Unidos deflagraram outra guerra fria contra a Rússia e, também, contra a China, concorreram para que interesses estrangeiros, aliados a poderoso segmento do empresariado brasileiro, sobretudo do Sul do país, encorajassem e financiassem o golpe parlamentar, conjugando a mídia e o judiciário, com o apoio de vastas camadas das classes médias.

Como o senhor viu o processo do impeachment e a ascensão de Michel Temer ao poder? Como em 1964, há quem diga que o golpe / impeachment atende a interesses norte-americanos — desta feita, no pré-sal. O senhor acredita nesta hipótese?

O Estado brasileiro parece desintegrar-se. Nem durante a ditadura militar a Polícia Federal invadiu o Congresso.

Ela ganhou uma autonomia, que não podia ter, não respeita governo nem a Constituição, e muitos de seus agentes são treinados e conectados com o FBI, DEA, CIA etc.

Os promotores-públicos e juízes, por sua vez, passam por cima das leis, extrapolam, como senhores de um poder absoluto e incontestável. Estão incólumes.

Quase nunca são penalizados. E, quando o são, afastados das funções, continuam a receber suas elevadas remunerações, dez vezes ou mais superiores aos dos juízes da Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos e outros países altamente desenvolvidos, segundo a European Commission for the Efficiency of Justice (CEPEJ) e outras fontes.

Certos magistrados do STF comportam-se como políticos partidários. Outros, que se deviam resguardar, fazem declarações públicas, antecipando julgamentos, e afiguram como se estivessem intimidados pela grande mídia, um oligopólio, uníssono na condenação, aprovação ou omissão de fatos.

O Congresso está pervertido, muito dinheiro correu para a efetivação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, canalizado pela CIA e ONGs, financiadas sustentadas pelas fundações de George Soros, USAID e National Endowment for Democracy (NED), dos Estados Unidos.

E esse golpe de Estado, que começou com as demonstrações em São Paulo, no estilo recomendado pelo professor Gene Sharp, no seu manual Da Ditadura à Democracia, traduzido para 24 idiomas, atendeu a interesses estrangeiros, entre os quais, mas não apenas, não o único, a exploração das camadas de pré-sal, que, de acordo com a Lei 12.351 estaria a cargo da Petrobras, como operadora de todos os blocos contratados sob o regime de partilha de produção, condição esta anulada pelo projeto 4.567, em tramitação na Câmara de Deputados.

Todo o alicerce da república, proclamada com o golpe de Estado de 1889, está podre. É um lodaçal.

Como o senhor vê o juiz Sergio Moro? Herói inquestionável para uns, inquisidor a serviço da plutocracia para outros, ele é sinônimo de polêmica, inclusive, por que passou por um estágio no FBI, segundo a filósofa Marilena Chauí.

O que Marilena Chauí disse é, virtualmente, certo. De qualquer modo, o fato é que o juiz Sérgio Moro, condutor do processo contra a Petrobras e contra as grandes construtoras nacionais, realizou cursos no Departamento de Estado, em 2007.

No ano seguinte, em 2008, o juiz Sérgio Moro passou um mês num programa especial de treinamento na Escola de Direito de Harvard, em conjunto com sua colega Gisele Lemke. E, em outubro de 2009, participou da conferência regional sobre “Illicit Financial Crimes”, promovida no Rio de Janeiro pela Embaixada dos Estados Unidos.

A Agência Nacional de Segurança (NSA), que monitorou as comunicações da Petrobras, descobriu a ocorrência de irregularidades e corrupção de alguns militantes do PT e, possivelmente, passou informação sobre o doleiro Alberto Yousseff a delegado da Polícia e ao juiz Sérgio Moro, de Curitiba, já treinado em ação multijurisdicional e práticas de investigação, inclusive com demonstrações reais (como preparar testemunhas para delatar terceiros).

Não sem motivo o juiz Sérgio Moro foi eleito como um dos dez homens mais influentes do mundo pela revista Time.

Seu parceiro, o procurador-geral Rodrigo Janot, acompanhado por investigadores federais da força-tarefa responsável pela Operação Lava Jato, em fevereiro de 2015, foi a Washington buscar dados contra a Petrobrás e lá se reuniu com o Departamento de Justiça, o diretor-geral do FBI, James Comey, e funcionários da Securities and Exchange Commission (SEC).

Sérgio Moro e o procurador-geral da República Rodrigo Janot atuaram e atuam com órgãos dos Estados Unidos, sem qualquer discrição, contra as companhias brasileiras, atacando a indústria bélica nacional, inclusive a Eletronuclear, levando à prisão seu presidente, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva.

E ainda mais eles e agentes da Polícia Federal vazam, seletivamente, informações para a mídia, com base em delações obtidas sob ameaças e coerção, com o objetivo de envolver, sobretudo, o ex-presidente Lula.

Os danos que causaram e estão a causar à economia brasileira, interna e externamente, superam, em uma escala muito maior, imensurável, todos os prejuízos que a corrupção, que eles dizem combater.

E continua a campanha para desestruturar as empresas brasileiras, estatais e privadas, como a Odebrecht, que competem no mercado internacional, América do Sul e África.

No Brasil e no mundo, parece estar ocorrendo uma espécie de levante conservador antiprogressista. Quem o senhor acha que está por trás da paranoia anticomunista que desenterraram lá dos anos 1950 em pleno século 21? A quais interesses serve este tipo de manipulação da opinião pública?

Não estou a ver nenhuma paranoia anticomunista no Brasil nem na Europa.

Em São Paulo, os grupos de pessoas que levantaram a questão do comunismo, nas demonstrações contra a presidente Dilma Rousseff, eram inexpressivos e ninguém levou a sério.

Aldo Rabelo, dirigente do PC do B, foi ministro da Defesa do Brasil e nenhum problema houve com as Forças Armadas.

Como o notável historiador Eric Hobsbawm, que conheci em Londres em 1978, disse certa vez à agência de notícias Telam, da Argentina, “já não existe esquerda tal como era”, seja socialdemocrata ou comunista.

Ou está fragmentada ou desapareceu. Ele toda a razão tinha.

Entretanto, o elevado desenvolvimento tecnológico favoreceu a concentração de riqueza e de poder e as disparidades sociais aumentaram ainda mais nos países da periferia do sistema capitalista, alimentando o fundamentalismo religioso, em meio à instabilidade política.

E oito anos após o colapso financeiro de 2007/2008, mais de 44 milhões de pessoas estão desempregadas nos países da Europa e nos Estados Unidos.

Mesmo assim, as grandes corporações bancárias e industriais, o capital financeiro internacional, tratam de impor ao país reformas no sentido de acabar com os direitos sociais, conquistados pela classe trabalhadora ao longo do século XX.

E, ainda mais, os Estados Unidos pretendem eliminar a legislação nacional dos diversos países para que os interesses das megacorporações multinacionais, do capital financeiro, sobrepujam a soberania dos Estados nacionais nas relações econômicas e comerciais, conforme estatuídas nos dos Tratado de Parceria Transatlântica (TPA), Tratado Trans-Pacífico (TTO) e Tratado Internacional de Serviços (TISA).

Mas a resistência aumenta.

Numan Kurtulmus, vice-premiê turco, declarou (no dia 20 de outubro), que a operação para libertar Mossul (Iraque) do Estado Islâmico e a guerra na Síria podem levar Estados Unidos e Rússia a um conflito direto, uma “3ª Guerra Mundial”. E ainda há a situação complicada na Ucrânia. Isto vai de encontro ao tópico das “guerras por procuração” que o senhor desenvolve em seu livro. Estamos a caminho de um conflito global?

O polo maior de tensão não é Mossul. É Aleppo, na Síria. Lá os Estados Unidos estão em um beco sem saída.

A cidade, a segunda maior e mais importante da Síria, sob intenso bombardeio, está na iminência de cair sob o domínio completo das forças de Bashar al-Assad. E se Aleppo cair, Damasco, que já conquistou Latakia, Homs e Hama, dominará praticamente toda a Síria.

Essas cidades concentram 70% da população e os mais significativos redutos industriais e praças de comércio do país, cujo resto do território é quase todo deserto.

Os Estados Unidos, entretanto, continuam a sustentar a resistência dos que chamam de “rebeldes moderados”, na verdade, terroristas da Jabhat Fatah al-Sham (Frente da Conquista da Síria), Jabhat al-Nusra, ramo de al-Qaeda na Síria, Ahrar al-Sham e mais diversos grupos jihadistas.

Por volta do dia 20 de outubro de 2016, a Rússia enviou dois maiores navios de sua Marinha de Guerra, o cruzador de combate Pyotr Velikiy (099), movido a energia nuclear, e o porta-aviões Almirante Kuznetsov para o leste do Mediterrâneo, com a tarefa de instituir uma zona de exclusão naval de 1.500km, ao longo do litoral da Síria, e enfrentar qualquer ataque de países do Ocidente contra Damasco.

Por outro lado, uma fragata da Marinha de Guerra da Alemanha e o porta-aviões Charles de Gaulle já se dirigiram para a mesma região.

Quanto à Ucrânia, Washington está consciente de que a Rússia não vai devolver a Criméia e Kiev alternativa não tem senão reconhecer a autonomia da região de Donbass, Donetsk e Luhansk.

Não creio, porém, que a Rússia e os Estados Unidos/OTAN cheguem, diretamente, a qualquer confronto armado seja por causa da Ucrânia ou da Síria. Uma guerra nuclear aniquilaria toda a humanidade.

Há quem defenda os Estados Unidos como o país mais democrático do planeta. Mas logo no primeiro capítulo do seu livro, o senhor relata uma tentativa de golpe fascista em 1934, alinhado ao governo alemão hitlerista e bancado pela elite econômica ianque. Há ainda o histórico de intervenções (abertas ou secretas) que os EUA praticam em todo o mundo, inclusive no Brasil, sempre vendendo sua ideia de “democracia”, também amplamente documentado em sua obra. O mundo ficaria melhor sem essa política intervencionista? Ou ela serve ao equilíbrio de poder?

Os Estados Unidos, devido às suas tradições culturais e políticas e ao elevado desenvolvimento do capitalismo, precisavam e precisam conservar a mantra do “excepcionalismo”, do exemplo de democracia perfeita etc.

Porém, a suposição de que lá nunca houve golpes de Estado não corresponde propriamente aos fatos históricos.

Se nos Estados Unidos não houve golpes militares, ocorreram quatro assassinatos de presidentes e cinco atentados, que fracassaram.

Constituíram atos de violência e aparentemente resultaram de conspirações, para mudança de governo.

Abraham Lincoln (1865), James Garfield (1881), William McKinley (1901) e John F. Kennedy (1963) foram assassinados.

E Andrew Jackson (1835), Franklin D. Roosevelt (1933) (como presidente eleito), Harry S Truman (1950), Gerald Ford (1975) e Ronald Reagan (1981) sofreram tentativas de assassinato.

No entanto, na América espanhola, apesar da instabilidade, nunca geralmente ocorreu a necessidade de matar o presidente, o que só ocorreu em meio de uma revolução ou de um golpe militar, como, e.g., no Chile (Manuel de Balmaceda, 1891), Bolívia (Gualberto Villarroel, 1946) e Chile (Salvador Allende, 1943).

Quase sempre bastou que o Exército se rebelasse, desse um golpe e expulsasse ou exilasse o presidente.

É necessário, entretanto, não esquecer que os golpes de Estado, ocorridos, sobretudo, a partir da Segunda Guerra Mundial, como no Brasil, Argentina, Chile etc., foram encorajados pelos Estados Unidos, cujas intervenções, diretas e/ou indiretas, só produziram, desde o fim da Guerra Fria, guerras, terror, caos e catástrofes humanitárias.

A onda do ódio conservador atualmente em voga tem dado força a candidatos de perfil bastante controverso, como Donald Trump, Marine Le Pen e no Brasil, Jair Bolsonaro. O senhor acredita que eles possam chegar ao poder em seus países? Que consequências adviriam da eleição deles?

Jair Bolsonaro é caricatura, comparado com Donald Trump e Marine Le Pen. Não creio que esse coronel, uma reminiscência grotesca do que houve de pior na ditadura militar, pudesse ser eleito presidente no Brasil.

Os fatores que alimentam as candidaturas de Donald Trump (Hillary Clinton é uma excrescência neoconservadora, responsável também pela sangueira na Líbia) e Marine le Pen são outros e diversos.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama, do Partido Democrata, é igual ou pior que seu antecessor George W. Bush, neoconservador do Partido Republicano.

Na França, François Hollande, do Partido Socialista, é da mesma laia que seu adversário conservador e colonialista Nicolás Sarkozy. Entre les deux mon cœur balance. Je ne sais pas laquell au pis-aller. E daí é que Marine le Pen desponta.

O senhor será homenageado pelos seus 80 anos na USP. Como se sente?

Sinto-me confortado. É um reconhecimento de minha obra.

Fiz meu doutoramento na Universidade de São Paulo, onde sempre tive e tenho muitos amigos desde meus 20 anos de idade.

Sinto muitas saudades e, infelizmente, meu coração, enfermo, não mais me permite voar cerca de 11/12 horas para rever o Brasil.

Morei muitos anos em São Paulo e lá vivi, clandestinamente, durante a ditadura militar. E profundamente grato sou as homenagens que meus queridos amigos e colegas da União Brasileira de Escritores (UBE) e a Universidade de São estão prestar-me, aos meus 80 anos.

Vejo que meu trabalho, ao longo de tantas décadas, não foi em vão. Frutificou.

Qual sua relação com a Bahia hoje? O senhor tem memória afetiva daqui? Sente falta?

Apesar de viver tantos anos longe, nunca deixei de amar a Bahia, onde nasci e me criei, até 18/19 anos de idade, quando passei para o Rio de Janeiro e São Paulo e então me tornei citizen of the world.

Porém meus vínculos com a Bahia nunca se desvaneceram. São e continuam profundos. Sou descendente de Garcia d’Ávila, da Casa da Torre, e de Diogo Moniz Barreto, que chegou à Bahia com Tomé de Sousa e foi primeiro alcaide-mor de Salvador.

Aí estão minhas raízes, que se alastraram pelo Recôncavo e adjacências.

Tenho muitas saudades da Bahia, a Bahia histórica, a Bahia que sempre cultivou a cultura e deu ao Brasil grandes escritores, poetas, romancistas, e homens de ciência.

Na Bahia, recebi uma educação humanística, desde o Colégio da Bahia, até o primeiro ano, na Faculdade de Direito, no Portão da Piedade, o que me valeu para toda a minha vida e carreira acadêmica, como cientista político e historiador.

Nas duas instituições de ensino tive excelentes professores, dos quais guardo as melhores recordações.

E sinto muito orgulho por haver recebido da Faculdade de Filosofia e Ciências Humana da UFBA, importante universidade de meu Estado natal, ora sob a gestão do eminente reitor, Prof. Dr. João Carlos Salles, o título de Dr. honoris causa.

Sim, sinto falta de tudo, que tive, na minha infância e adolescência, da comida, das moquecas, mas, até hoje, conquanto a viver na Alemanha há mais de 20 anos, não dispenso a pimenta e a farinha.

Entrevista publicada originalmente no jornal A Tarde

Leia também:

Pochmann: A PEC 241 altera profundamente a política ecônica e social, tal como o AI-1 da ditadura

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Publicação de: Viomundo

Flávio Dino: Nas eleições municipais, antipolítica ganhou nas metrópoles

Flávio Dino - reprodução uol

Dino: Vitória significa se deslocar para o centro da sociedade, ampliar as alianças (Reprodução: UOL)

Dino: vitória da Direita não dura

Lava Jato vai determinar futuro do Governo Temer

por Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada, 31/10/2016 

O ansioso blogueiro entrevistou por telefone, na segunda (31/X), o governador do Maranhão, Flavio Dino, do PCdoB, que confirmou uma ampla vitória nas eleições para prefeitos no Estado, inclusive, no segundo turno, em São Luís, com Edivaldo Holanda Jr, do PDT.

PHA: Primeiro, o que significa essa vitória em São Luís?

Dino: Duas questões fundamentais explicam essa importante vitória. Primeiro, a capacidade de gerar resultados positivos para a população — políticas públicas, obras, serviços. E, em segundo lugar, destaco uma articulação política ampla, uma ampla frente de partidos, capaz de sustentar a candidatura do Edivaldo e leva-lo à vitória. Acho que a combinação dessas duas coisas explica o sucesso que tivemos em São Luís e na imensa maioria das cidades do estado.

PHA: O senhor concorda com a tese, hoje, na manchete dos jornais principais daqui do Sul, de que houve uma guinada significativa à direita e uma vitória acachapante do PSDB?

Dino: Em primeiro lugar, é claro que houve uma guinada à direita. Não me parece duradoura, mas é significativa, sem dúvida. Acho que é típica de períodos de crise econômica muito profunda, já se estende por quase uma década, dizimando empregos e perspectivas de progresso social.

Não me parece, contudo, que você possa identificar uma força partidária como vitoriosa na eleição. Isso me parece mais torcida do que propriamente análise. Na verdade, o que nós tivemos foi a vitória de uma ideologia, hoje, hegemônica, marcada pela anti-política. E isso se traduziu, por exemplo, na vitória do absenteísmo no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em Porto Alegre — e em São Paulo também, no primeiro turno.

Então, na verdade, nós temos mais uma hegemonia da anti-política do que, propriamente, a vitória de um único ator partidário isolado. A bem da verdade, quem perdeu a eleição foi a política.

De um modo geral, o sistema partidário da Nova República foi posto em cheque. Basta olhar que foram candidatos inorgânicos, desvinculados a essa trajetória, que venceram em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte.

PHA: O senhor falou que a vitória não é duradoura. O que fazer para que, em 2018, o campo de esquerda possa ganhar de novo?

Dino: É preciso uma revisão programática, olhar menos para trás e mais para a frente. Acho que seria um grande erro incorrer nessas armadilhas dos setores conservadores, que cobram uma suposta autocrítica. Acho que não é esse o esforço principal.

Na verdade, é preciso reconstituir um programa baseado nas ideias de desenvolvimento e de direitos sociais e serviços públicos. E, a partir desse programa, constituir uma frente política ampla, capaz de sustentá-lo, e de dialogar com o eleitor médio — o chamado centro político.

Quando eu me refiro ao centro, não falo do partido A, B ou C, mas, sim, ao centro na sociedade.

Esse eleitor médio que acabou optando ou por alternativas exóticas, especialmente nesse segundo turno, ou por, simplesmente, se ausentar.

É esse cidadão, é essa cidadã quem deve ser novamente atraído pela esquerda a partir de um novo programa.

PHA: O seu companheiro de partido, o ex-ministro Aldo Rebelo, e o próprio presidente Lula, com quem estive recentemente, falam que é preciso fazer um movimento em direção ao centro do espectro político. É a isso que o senhor se refere?

Dino: Não me refiro a isso em termos partidários, porque me parece que isso, hoje, é até inviável. Me refiro mais do ponto de vista da sociedade. Acho que, por uma série de razões, inclusive pelo massacre midiático pós-2013, a esquerda acabou indo muito pro canto do ringue, ficando muito até no gueto, num certo sentido, reduzida a 20% ou 25% da sociedade.

Quando eu refiro a disputar o centro, me refiro menos a partidos, a legendas partidárias, e mais ao que se passa na sociedade, em que esse eleitor, que não se identifica com a ideologia A ou B, acabou, nesta eleição — ao meu ver, em razão da crise econômica –, sendo atraído por figuras bastante esquisitas, bastante estranhas.

Ou pela ideia de que a política não é capaz de resolver seus problemas. Isso se traduz nessa enorme ausência das urnas.

Eu acho que o sistema partidário vem como uma consequência dessa compreensão, de que você precisa ter um discurso mais amplo.

Acho que a derrota dos candidatos do PSOL no segundo turno mostra que é um grande equívoco você não procurar dialogar com setores sociais mais amplos. Muito mais do que partido A ou B.

Não sei exatamente o que Lula e Aldo estão pensando, mas eu imagino que isso, uma reorganização partidária, é consequência mais de uma atitude política em relação à sociedade do que propriamente você olhar apenas pro Congresso Nacional.

PHA: O que que o senhor imagina que será o governo Temer daqui pra frente? Ele dura?

Dino: Depende de um fator imponderável na conjuntura, que ninguém domina, ninguém de dentro do sistema político institucional domina, que é a Operação Lava Jato. Acho que essa é a variável bastante poderosa pra responder essa questão, pra definir isso.

Acho, portanto, equivocada essa ideia de que houve um plebiscito em 2016 e, nesse plebiscito, o Golpe foi vitorioso. Acho que não foi nada — rigorosamente nada — disso.

Essa questão não passou na cabeça do povo na hora de votar.

Muito mais pesou a crise econômica, o desemprego, a quebra de perspectiva de melhoria da qualidade de vida do que propriamente questões pertinentes à corrupção ou Golpe ou algo do tipo.

Portanto, acho que a eleição municipal de 2016 não responde à tua pergunta. Acho que tua pergunta está muito mais vinculada ao que vai acontecer com a Operação Lava Jato — que, acho, está num momento crucial de responder, inclusive, às críticas quanto à seletividade de suas atitudes.

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Publicação de: Viomundo

Marcio Pochmann: A PEC 241 altera profundamente a política econômica e social, tal como o AI-1 da ditadura

castelo Branco, temer e meirelles
A política econômica e social do golpe

A PEC 241 rebaixa apenas gastos públicos não financeiros, e altera radicalmente a orientação política econômica e social. Tal como o AI-1 da ditadura, de 52 anos atrás, com a limitação dos gastos públicos

por Marcio Pochmann, na RBA,31/10/2016

Tal como em 1964, os golpistas de 2016 também não se satisfizeram com a retirada arbitrária do presidente eleito democraticamente. Essa foi apenas a primeira parte, necessária para que a implantação de uma nova política econômica e social se tornasse possível, pois pelo voto isso dificilmente ocorreria.

Logo no início da ditadura civil-militar (1964-1985), alguns democratas descontentes com o governo de João Goulart declararam apoio ao golpe, imaginando tratar-se apenas de pontual e circunstancial limpeza política, capaz de permitir a imediata sequência do regime democrático. Ledo engano: concomitantemente com a imposição do Ato Institucional (AI) número 1, a política econômica e social antidemocrática foi sendo implementada, tendo como objetivo imediato o estabelecimento do teto dos gastos públicos.

Pode parecer coincidência, mas não é. Os golpistas de 2016, tão logo se estabeleceram, buscaram passar da retórica à prática, lançando os primeiros passos da nova política econômica e social antidemocrática.

Este é justamente o caso da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 que trata do teto para os gastos públicos, mas sem mexer nas enormes despesas financeiras que alicerçam o rentismo no Brasil. Se confirmada, a PEC 241 não apenas colocará o rebaixamento dos gastos públicos não financeiros, como o social, mas alterará profundamente a orientação da política econômica e social, assim com o AI-1 da ditadura realizou há 52 anos, com a limitação dos gastos públicos.

Dessa forma, tende a haver a liquidação da base da economia social assentada nos grandes complexos do Estado de bem-estar social, especialmente no âmbito da seguridade social (saúde, previdência e assistência social) e educação, que se mostram favoráveis ao avanço do gasto social relativo ao PIB. Atualmente, por exemplo, o gasto social agregado se aproxima ao equivalente a 23% do PIB, quase 10 pontos percentuais a mais do que o verificado em 1985 (13,5%).

Em síntese, constata-se que de cada R$ 4 gastos no país, um vincula-se diretamente à economia social. Se for contabilizado também o seu efeito multiplicador, pode-se estimar que quase a metade de toda a produção de riqueza nacional se encontra relacionada direta e indiretamente com a dinâmica da economia social.

De maneira geral, registra-se também que o rendimento das famílias depende, em média, de quase 1/5 das transferências monetárias derivadas das políticas previdenciárias e assistenciais da seguridade social brasileira. Antes da Constituição Federal de 1988, as famílias não chegavam a deter, em média, 10% dos seus rendimentos com transferências monetárias. Enquanto na base da pirâmide social, o peso das transferências monetárias no rendimento das famílias cresceu 4,1 vezes em quase três décadas (de 7% para 29%), no cume aumentou 2,4 vezes (de 8% para 19%).

A aprovação da Emenda Constitucional 241 eleva a instabilidade, com a ruptura do acordo político de 1988, e dissolve parcela significativa do dinamismo possível da produção pela economia social. Mas ao contrário dos golpistas de 1964, os atuais não dispõem de soluções possíveis para reativar o conjunto das atividades econômicas e sociais do país.

Ao contrário, tende-se a assistir a prevalência da incapacidade de crescimento econômico, lançando a sociedade à convivência com a trajetória da regressão inimaginável dos indicadores sociais e econômicos.

* Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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Rudá Ricci: O “não voto” e os evangélicos ganharam as eleições municipais

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Marcelo Crivella (PRB) eleito prefeito do Rio de Janeiro em segundo turno. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil, via Fotos Públicas

por Rudá  Ricci, no Facebook

O que mudou ideologicamente?

Quem ganhou as eleições municipais que terminaram ontem?

Eu jogaria minhas fichas no “não voto” e nos evangélicos.

Seguidos pelo forte personalismo revestido de “apolítico”, o que joga água no moinho do desencanto com a democracia e o jogo de conquista do convencimento popular.

Quem perdeu? O PT.

O PCdoB quase dobrou o número de prefeituras que governa e o PSOL foi a estrela, pela esquerda, dessas eleições.

Neste caso, a redução da presença da esquerda nas prefeituras se confunde com a redução da presença petista. Não de toda esquerda. O que enseja uma leitura mais panorâmica deste quadro institucional.

O PT não apostou, principalmente durante a gestão Dilma, na esquerda e muito menos no seu crescimento.

Não propôs uma frente como a uruguaia.

Ao contrário. Caminhou para o lado oposto.

Lula já havia apostado na aliança com Maluf para eleger Haddad.

Antes, reeditou Collor e Sarney. Em Minas, blindou o então governador Aécio Neves.

Ora, esta lógica não daria razão à polêmica frase de Frei Betto, para quem o PT era governo, mas não tinha o poder?

Para não parecer fatalista, reedito a hipótese com outras palavras: as gestões lulistas não teriam fortalecido as lideranças conservadoras na última década e isolado a esquerda?

Temos a tendência em fazer leituras periodizadas do movimento histórico. Ajuda a racionalizar e sintetizar.

Mas, não raro, embaça a relação entre causa e efeito e dificulta a apreensão da dinâmica interna que transita entre um período para outro.

Muitas vezes, nem houve ruptura entre um período e outro, mas uma transição suave e cheia de contradições e paradoxos.

Assim, questiono: as forças conservadoras teriam surgido do nada nos últimos dois anos ou a mudança real se limitaria ao debacle petista?

De outra maneira: houve, efetivamente, mudança na composição ideológica dos governos ou mudança menor, de siglas que agora governam no lugar do PT, mas que já governavam com o PT?

O eleitor teria ficado mais conservador?

Enfim, o balanço das eleições municipais merece algo mais profundo que o fatalismo marqueteiro vem sugerindo nos últimos tempos.

Há, de fato, uma direita (e extrema direita) emergente no Brasil.

Mas o eleitor teria mudado efetivamente de ideologia?

Houve, efetivamente, uma mudança radical da cultura política do país em dois anos?

E, finalmente, o que concretamente teria levado à queda do PT ou a esta mudança ideológica do país (se ela efetivamente se alterou, hipótese que não me convence)?

Minha hipótese é: as respostas não estão nas siglas partidárias, mas no “não voto” e no crescimento dos evangélicos na política brasileira.

Leia também:

Paulo Nogueira: A aterradora confissão de Dallagnol 

 

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Sind-UTE/MG realiza hoje assembleias para debater os ataques à Educação pelo governo golpista

Bia

Ações e calendário de luta e mobilização

do site do Sind-UTE/MG

31/10  (segunda-feira) – Em todo o Estado, realização de assembleias com as comunidades escolares envolvendo escolas estaduais, municipais, universidades, Institutos Federais para debater  sobre os impactos da PEC 241, a reforma do ensino médio e os ataques que a educação está sofrendo.

10/11– Paralisação estadual com atos em todas as regiões do estado e no maior número de municípios que conseguirmos articular .

11/11 – Dia de Greve Geral chamada pela CNTE e convocada pela CUT e demais Centrais sindicais, com ato em Belo Horizonte.

25/11 – Dia de Paralisação Geral convocada pela CUT e demais Centrais sindicais.

 30 de novembro a 02 de dezembro – Nova data para a realização da Conferência Estadual da Educação. A proposta é de que o Sind-UTE/MG abra a atividade à participação de alunos e também dos movimentos que fazem a resistência aos ataques conta a educação.

Leia também

Breno Tardelli: Passou da hora de repensar a corte que toda semana elimina um direito da população

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Paulo Nogueira: A aterradora confissão de Dallagnol de que até aqui a Lava Jato pegou apenas um lado

Dallagnol

A desconcertante confissão involuntária de Deltan Dallagnol

por Paulo Nogueira, no DCM, em 30/10/2016 

Escondidinha, uma nota na primeira página da Folha de hoje traz o que se pode definir como uma confissão aterradora.

A nota chama para um artigo de Deltan Dallagnol e outro procurador, e o título é este: “Lata Jato avança ao atingir todos sem distinção”.

Vou repetir, tamanha a importância da frase:

“Lata Jato avança ao atingir todos sem distinção”.

Quer dizer: agora, e somente agora, a Lava Jato atinge — alegadamente — a todos?

Ao longo de todo este tempo Moro e seus comandados trataram de destruir o PT. Num jogo combinado com a mídia, a começar pela Globo, armaram operações cinematográficas quando se tratava de prender pessoas de alguma forma vinculadas a Lula.

Como esquecer as cenas da condução coercitiva de Lula para um depoimento para o qual ele sequer fora convocado?

E o vazamento ilegal das falas entre Lula e Dilma?

E tantas, tantas, tantas outras coisas que colaboraram decisivamente para a derrubada de Dilma e que, pelo script previsto, levariam a tirar Lula do caminho em 2018?

Uma democracia foi destruída. 54 milhões de votos foram incinerados para que a plutocracia chegasse ao lugar a que não consegue pelas urnas.

E agora somos obrigados a engolir que a Lava Jato é, aspas e gargalhadas, “apartidária”? Isenta?

Coloquemos assim: a Lava Jato tem a isenção que está fixada na missão do Jornal Nacional. Nela, o JN diz que noticia os fatos do dia com “isenção”.

A Lava Jato foi, desde o início, tão isenta quanto o Jornal Nacional.

As coisas saíram do controle de seus mentores, e da própria mídia, quando delatores graúdos citaram pessoas, de novo aspas e gargalhadas, “acima de qualquer suspeita”.

Veio o caos, para os administradores da Lava Jato e para a imprensa. Nenhum entre eles poderia esperar que da Odebrech saísse a informação preciosa de que Serra recebera 23 milhões de dólares num banco suíço para a campanha de 2010.

E atenção: em dinheiro de 2010. Hoje, seriam 34 milhões.

A confusão entre as corporações jornalísticas ficou estampada notavemente nisso: a Folha deu manchete e o JN ignorou.

O fato é que mudaram as circunstâncias: Moro já não é o mesmo. Caminha para ser o juiz de primeira instância de origem. Hoje é menor do que foi ontem, e amanhã será menor do que é hoje.

E a ideia disparatada de Dallagnol de que a Lava Jato “avança ao atingir a todos sem distinção” merece que evoquemos Wellington.

Só acredita nela quem acredita em tudo. A não ser que a tomemos como uma confissão de que ela até aqui pegou apenas um lado.

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Advogado de Lula rebate artigo de procuradores da Lava Jato: “Deixa ainda mais evidente a perseguição política”

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Cristiano Zanin. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Nota sobre o artigo na Folha

O artigo publicado hoje na Folha de S. Paulo por dois procuradores da República, que atuam na Lava Jato, longe de superar a perseguição política dirigida a alguns partidos políticos e, particularmente, ao ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva, apenas deixa tal abuso ainda mais evidente.

A Lava Jato promove verdadeira guerra jurídica, mediante o uso manipulado das leis e dos procedimentos jurídicos, para perseguir seus inimigos políticos, fenômeno que é documentado por especialistas internacionais como “lawfare”.

Por que será que o PSDB não está dentre os partidos “mais atingidos” pela Lava Jato? Por que documentos que envolvem seus políticos tramitam em sigilo, em nome do “interesse público”, ao passo que aqueles relativos a Lula, inclusive os que têm sigilo garantido pela Constituição Federal, são devassados e expostos a todos em nome do mesmo “interesse público”? Não há como responder. Uma rápida consulta às reportagens produzidas pela própria Folha – a exemplo de outros veículos de imprensa – comprova a tese de dois pesos e duas medidas. Há muito a mídia perdeu sua imparcialidade.

Nações desenvolvidas não permitiriam que a Lava Jato deixasse de cumprir a lei, como ocorre no Brasil. Mas os procuradores não pensam assim, bem como o próprio TRF4, que julga os recursos da Lava Jato. Quando a lei é deixada de lado – seja por qual motivo for -, é o próprio Estado Democrático de Direito que está em risco. Você que está lendo esta publicação aceitaria ser investigado e julgado sem o rito das leis, mas, sim, pelas regras de conveniência de procuradores e juízes – por melhores que sejam suas intenções? É evidente que não!

Cada alegação dos procuradores em relação a Lula foi fulminada no campo jurídico por peças robustas que apresentamos nos autos e que podem ser consultadas em www.abemdaverdade.com.br. Ou seja, no plano estritamente jurídico, as frívolas acusações foram todas superadas pela defesa. Mas a Lava Jato, ao menos em relação a Lula, não busca o debate jurídico, mas o uso da violência da lei para promover perseguição política. Pretende reescrever a história. Pretende desconstruir a imagem e a reputação do ex-Presidente. E, para isso, usam da aparência da legitimidade de um procedimento, que devido processo legal nada tem!

Não é preciso ir longe para perceber isso. A denúncia apresentada contra Lula em 14/09/2016, com 172 páginas, não é uma peça jurídica; mas política. Aliás, depois que o próprio juiz Moro reconheceu, em recente despacho, que nenhum recurso relativo aos três contratos da Petrobras ali tratados foi destinado “diretamente a Lula”, a acusação perdeu qualquer sentido. Mas esse fato foi usado não para encerrar o caso, como seria de rigor, mas para indeferir provas que foram requeridas!

Se os procuradores e o juiz do caso efetivamente buscassem uma investigação legitima e dentro do devido processo legal, não estariam focados em uma pessoa – Lula -, mas sim em fatos.

Não estariam promovendo acusações sem materialidade em rede nacional, com auxílio de assessoria de imprensa e, ainda, o uso de powerpoint semelhante a similar até já condenado pela Suprema Corte Americana, por violar a garantia da presunção de inocência.

Não estariam violando inúmeras garantias fundamentais e desafiando até mesmo alguns dogmas do direito de defesa – como, por exemplo, ao grampear advogados formalmente constituídos (mesmo após terem sido alertados 2 vezes para empresa de telefonia) e divulgar as conversas mantidas com seu cliente.

Há, ainda, um derradeiro aspecto que deve ser registrado. O artigo de hoje pretendeu legitimar as ações da Lava Jato, citando o exemplo de combate à corrupção promovido por Hong Kong.

MAS O EXEMPLO MOSTRA JUSTAMENTE O CONTRÁRIO! Aquele país, após constatar que a polícia e o ministério publico não estavam efetivamente preparados para promover o combate ISENTO à corrupção, adotou o sistema do ICAC – Independent Comission Against Corruption.

Toda investigação relacionada à corrupção do sistema eleitoral, do judiciário e de outras áreas especificas é realizada naquele País por comissões INDEPENDENTES multidisciplinares – com máximo respeito às garantias individuais, que, posteriormente, entregam o resultado a um comitê de procuradores que irá decidir se é o caso de buscar a punição funcional ou penal dos envolvidos.

LÁ, OS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO (E MUITO MENOS O JUIZ QUE IRÁ JULGAR O CASO) NÃO PARTICIPAM DIRETAMENTE DA INVESTIGAÇÃO E, PORTANTO, NÃO FICAM “CONDENADOS A CONDENAR” ALGUÉM, COMO ESCREVEU LULA EM ARTIGO PARA A FOLHA.

Nós sempre citamos o exemplo de Hong Kong como um CONTRAPONTO aos abusos da Lava Jato. Diga-se de passagem, ainda, que a Lava Jato, neste ponto, viola até mesmo o que foi decidido pelo STF no RE 593.727, que reconheceu o poder de investigação do Ministério Público apenas em situações excepcionais, quando a política não tem condições de promover a investigação.

Na Lava Jato todos – polícia, MPF e juiz – investigam, acusam e julgam! Enfim, a deturpação, a seletividade e a perseguição saltam aos olhos. E os procuradores precisam realmente conhecer o sistema de Hong Kong para verificar que lá eles não cometem os erros que estamos cometendo no Brasil, colocando em risco não apenas os empregos, a economia, mas, sobretudo, o Estado Democrático de Direito.

 Cristiano Zanin

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Publicação de: Viomundo

Esquerdas só voltam ao poder se construírem um projeto único

esquerda

 

 

Tive um debate meio longo por Whats App com uma importantíssima liderança do PSOL.  A conversa se deu por conta de comentário que fiz à minha lista naquela rede social. O texto curto gerou polêmica naquele grupo em virtude de conter críticas à esquerda em geral, culpando-a pela queda de Dilma e pela ressureição de uma direita que todos julgavam morta.

Porém, o que tenho a dizer sobre esse debate ficará para o fim do texto. Antes, vale fazermos algumas reflexões primordiais para o entendimento do que está acontecendo.

Partamos da premissa de que, em política, decretar morte, derrota, vitória ou até hegemonia de alguém ou algum partido é um erro fatal. Eu, como muitos da esquerda, cometi esse erro em relação ao PSDB e ao DEM. Achei que os partidos estavam acabados e, agora, vejo a direita cometer o mesmo erro decretando a morte do PT e da esquerda em geral antes da hora.

Em política, porém, tudo é conjuntural. Não há bem que sempre dure ou mal que nunca acabe. Entretanto, os operadores da política sempre sonham com a “vitória final” ou têm pesadelos com a derrota eterna.

Desde que chegou ao poder central em 1994, o PSDB elegeu quase cem deputados federais na mesma legislatura e viu esse número cair a menos de cinquenta nas legislaturas seguintes. Em 2012, o ex-governador José Serra não conseguiu se eleger prefeito da capital paulista e quase chegou em terceiro lugar no primeiro turno.

O PSDB parecia liquidado.

Quatro anos depois, o partido ressurge como a grande força política nacional. Fez barba, cabelo e bigode na eleição municipal.

Porém, o PSDB não ganhou mais eleitores, o PT é que perdeu muitos. A esquerda em geral perdeu muitos eleitores. E não perdeu para a direita ou para o centro, perdeu para o doutor voto nulo ou para a doutora abstenção.

Daí que dizer que o PT ou a esquerda estão mortos também é, no mínimo, cometer o mesmo erro de setores da esquerda ao acharem que a direitona estava inviabilizada, e que após mais de uma década de ascensão social o povão jamais iria querer de volta políticas de direita que reduzem direitos e acabam com programas sociais.

Como se vê, o povo pode mudar rápida e radicalmente de ideia.

O problema da direita é que ela acha que vai conseguir governar para sempre pisoteando o povo, e isso não rola. A crise cambial de 1999 afundou o PSDB e este passou todo o segundo mandato de FHC chafurdando nas políticas neoliberais que venderam patrimônio público a preço de banana e não cuidaram do social ou dos interesses dos trabalhadores.

E após o desastre com Fernando Collor, que afundou o país, e com FHC, que se pensou que o reergueria mas manteve a vida do povo piorando, esse mesmo povo decidiu fazer o impensável, dar uma chance ao demonizado Lula, aquele que Collor dizia que iria tomar as casas das pessoas para colocar várias famílias dentro.

O PT conseguiu um dos governos mais longos da história brasileira graças ao mal causado pelo PSDB entre 1995 e 2002. Nos mesmos oito anos, Lula fez tudo diferente. Fez a vida do povo melhorar. Dilma conseguiu manter o welfare state verde-amarelo pelo primeiro mandato inteiro, mas na metade do segundo mandato foi sabotada pela oposição de esquerda, que conseguiu fazer manifestações gigantescas aceitando ao seu lado todo o lixo da sociedade que estivesse disposto a ir à rua.

Neonazistas e toda sorte de extremistas de direita viram ali a possibilidade de darem um golpe mortal na esquerda e acabarem com aquela história de dar dinheiro público para pobre.

Em 2013, sob uma desculpa qualquer (no caso, aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus em São Paulo), o PSOL, o PSTU, a Rede, um grupo de professores e alunos da USP e alguns movimentos sociais e setores da esquerda mais radical do PT conseguiram derrubar a popularidade de Dilma de mais de 60% para 30% em três incríveis semanas.

Com a maior cidade do país convulsionada por atos gigantescos de protesto, a ideia que sobressaiu à cabeça das pessoas era a de que se tanta gente estava na rua reclamando o país teria que estar ruim, e se o país estava ruim a culpa era de quem governava esse país, ou seja, Dilma!

No ano seguinte, Dilma já havia recuperado um pouco de popularidade, mas essa mesma esquerda teve a ideia de gênio de atacá-la de novo acusando-a de usar dinheiro da saúde e da educação para fazer a Copa do Mundo. Manifestações imensas todo dia martelavam na cabeça das pessoas que Dilma e Lula eram dois déspotas que com o povo morrendo nos corredores dos hospitais decidiram gastar dinheiro em estádios de futebol.

Claro que o dinheiro investido na Copa foi pago pela realização da Copa. Não completamente porque setores da esquerda e a direita em peso fizeram campanhas para aconselharem os turistas a não virem para o Brasil porque haveria uma guerra civil aqui.

Vídeos bem produzidos e em inglês ajudaram e diminuir o número de turistas e o lucro que o país teria com a Copa.

No fim de 2014, Dilma, após ter sido reeleita com grande dificuldade devido a ataques da direita e da esquerda na campanha e no ano anterior, nomeia Katia Abreu como ministra da Agricultura…

O mundo caiu. Katia promoveria um genocídio no campo, apesar de que o ministério da Agricultura não cuida da questão fundiária.

Ao fim, Katia Abreu não cometeu um único ato que justificasse a celeuma da esquerda e ainda foi a mais fiel aliada de Dilma até o último segundo. Isso afora o fato de que lavou a nossa alma ao atirar uma taça de champanha na cara de José Serra.

Aí chegamos a 2015. Janeiro. Dilma toma medidas básicas na economia. Uma delas foi em relação ao seguro desemprego. Como os pedidos de seguro estavam aumentando apesar de o desemprego até então vir caindo, ela baixou medida para acabar com as fraudes restringindo um pouco o acesso ao benefício.

Antes de poder explicar o ajuste fiscal, que poderia ter sido feito em seis meses e com baixo custo, a esquerda brilhante faz abaixo-assinado de “intelectuais” que ao pedir que Dilma cumprisse o programa com que ganhou a eleição, na prática a acusou de estelionato eleitoral.

Enfim, a direita jamais teria conseguido reduzir tanto a popularidade de Dilma sem ajuda da esquerda. A direita estava desacreditada, em crise, seus partidos diminuindo a cada eleição. O PFL mudou o nome para DEM e mesmo assim continuava minguando.

A esquerda que depois que a vaca tinha ido pro brejo foi à rua “contra o golpe” é a mesma esquerda que meses antes acusava Dilma de “estelionato eleitoral” e que afirmava que PT, PSDB e PMDB eram todos “a mesma coisa”, afirmação que a PEC 241, a reforma trabalhista e a terceirização que Temer está pondo em prática mostram que é uma afirmação imbecil.

Naquele debate que citei lá no primeiro parágrafo, debate que tive com uma liderança importante do PSOL, pude confirmar meu maior temor, o de que a esquerda vá demorar muito para entender o erro que cometeu. E isso porque uma parte considerável da esquerda brasileira perdeu o rumo, perdeu a relação com a realidade. Não aceita nenhuma crítica por tudo que fez de 2013 até a recente eleição municipal, quando se dividiu de forma burra e, assim, viu a direita crescer como nunca antes na história deste país.

Porém, não foram muitos argumentos para mostrar àquela pessoa que seus conceitos sobre o PT e sobre como se deve governar, quando se chega ao poder, estão fora da realidade. Após minha última resposta, a pessoa não escreveu mais nada. Porque não haveria argumentos. E se houver, que alguém por favor me dê a resposta que o psolista em questão não deu.

Ai vai o trecho do debate anunciado no primeiro parágrafo.

—–

 

[30/10 10:22] Eduardo Guimarães:

O suicídio da esquerda começou com as jornadas de junho, quando a própria esquerda tirou a ultradireita do armário e fez a popularidade de Dilma cair de 65% para 30% em 3 semanas. Depois, o “não vai ter Copa”, com a esquerda acusando Dilma de tirar dinheiro da Saúde e da Educação pra gastar com a FIFA. Depois, a esquerda fez uma celeuma em dezembro de 14 por conta da nomeação de Katia Abreu, e, em janeiro de 15, fez um manifesto de “intelectuais” acusando Dilma de estelionato eleitoral. Boulos chegou a dizer à Folha em entrevista há uns meses atrás, que o governo Dilma era “indefensável”. Exangue por autoflagelação, a esquerda se dividiu na eleição deste ano (sobretudo em Sampa e Rio) e, debilitada, foi enfrentar uma direita vitaminada. É a esquerda que a direita ama

[30/10 13:17] PSOLISTA:

Ah, Eduardo me poupe. Parece garoto de DCE. Fique aí com seu autoengano. Continue acreditando em sua narrativa particular e ressentida. Enquanto isso, os golpistas que o PT e o PC do B carregaram no ventre todos esses anos, alimentando-os com muito dinheiro, triunfam. Acorda, Alice! É muita “ingenuidade” (pra não dizer burrice nem irresponsabilidade) ceder cargos e orçamentos para direita mais caricata e achar que isso não traria nenhuma consequência em termos de melhora da capacidade de mobilização deles. Acorda, Alice! E pior do que ter escolhido aliados ruins, foi terem ficado tão parecidos com esses aliados na maioria das vezes.

[30/10 13:28] Eduardo Guimarães:

Como governa sem aliança?  Eu que sou Alice?  Ensine-me como o Freixo governaria sem aliança?

[30/10 13:32] PSOLISTA:

Aliança (em torno de um programa claro de governo; em que os mentores do programa se tornam como um maestro de uma orquestra que deve executar bem uma determinada partitura, pondo pra fora o instrumentista que desafina por incompetência ou má fé ou corrupção) é uma coisa; loteamento de funções públicas de distribuição de cargos em troca de horário de tevê nas eleições e de currais eleitorais é outra! O PT e o PC do B optaram pelo modus operandi de sempre. Nós queremos e vamos ser um maestro de uma orquestra! Entendeu a diferença? Espero que sim!

[30/10 13:35] Eduardo Guimarães:

Você então está me dizendo que se o PSOL vencer no Rio conseguirá governar com partidos impuros como o PMDB mas este não exigirá cargos para apoiar o prefeito?  O PT só precisava ter pedido aos seus aliados impuros pra não exigirem cargos pra votar matérias de interesse do governo? É isso?

[30/10 13:44] PSOLISTA:

Não governaremos com o PMDB. Governaremos com os movimentos sociais e a sociedade civil decente organizada. É assim que o PMDB na Câmara terá que fazer um aposição ao nosso governo vigiada por esse setores que nos apoiam.

[30/10 13:47] Eduardo Guimarães:

Há um projeto ou uma medida do governo para ser votados. O prefeito, governador ou presidente precisam de maioria no Legislativo. Os movimentos sociais e a sociedade civil não votam, quem vota são os vereadores, deputados e senadores. Porém,  o PSOL só terá uma minoria ínfima dos votos no Legislativo se não fizer aliança. Com quem será essa aliança?

[30/10 13:54] PSOLISTA:

Sociedade civil e movimentos sociais não votam, mas pressionam os que votam.

[30/10 13:58] Eduardo Guimarães:

PMDB, PSDB, PTB, PP, PR, PSD, DEM,  PPS,  PSB eram imensa maioria do Congresso durante os governos Lula e Dilma. Esses partidos estariam preocupados com as pressões dos atingidos por barragens ou dos sem-teto ou da CUT ou do MST? Sem ter um exército para tomar o poder e governar sem o Legislativo, sem ter maioria no Legislativo e sem ter montanhas de dinheiro para vencer campanhas eleitorais de parlamentares, só resta à esquerda fazer alianças e ceder cargos se eleger algum chefe de Executivo que, sem aliados e sem exército,  pode ser facilmente derrubado no presidencialismo à brasileira

Publicação de: Blog da Cidadania

Janio de Freitas: Democracia alguma tem leis que permitam práticas abusivas feitas com “boas intenções”, como quer a Lava Jato

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Confronto entre Congresso e Judiciário ainda deve se agravar

por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo, em 30/10/2016

O confronto entre Judiciário e Congresso está destinado a agravar-se, sem que pareça possível levar a algo positivo, de qualquer ponto de vista. O incidente que incluiu Renan Calheiros não foi ocasional, fez parte da tensão entre as duas instituições. Mas não é a causa do agravamento previsível e ameaçador.

Nos dias que precediam o incidente, Sergio Moro deu várias estocadas no Congresso. Como sempre, não falou só por si. Chegou mesmo a um mal disfarçado ultimato. Não foi em entrevista ligeira, pouco pensada. Foi na Assembleia Legislativa do Paraná que concitou o Congresso a “mostrar de que lado se encontra nesta questão” –a corrupção.

Quatro dias antes, Moro dirigia-se a juízes e servidores do Paraná ao dizer que, se aprovado o projeto contra abuso de autoridade (não só de magistrados), a decisão do Congresso “vai ser um atentado à independência da magistratura”.

Tidas mais como provocações do que defesa de ideias, as investidas de Moro têm exacerbado irritações, no Congresso, a ponto do senador Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB a serviço de Temer como líder do governo, dizer que “Moro se considera o superego da República”.

O juiz de primeira instância que se sobrepôs ao Supremo Tribunal Federal e ordenou a ação policial no Senado agiu, no mínimo, sob influência da autovalorização que juízes e procuradores fazem, no caso combinada com o desprestígio do Congresso.

Fez útil demonstração para aferir-se o ponto em que está a desarmonia funcional e institucional de Judiciário e Congresso. Como antecipado pela própria presidente do Supremo, com a reafirmação do radicalismo corporativo exposto, para muitos pasmos, já no discurso de posse.

É nesse ambiente que os congressistas estão para injetar dois excitantes poderosos. São os processos de votação, com as discussões preliminares e emendas, do projeto contra abuso de autoridade, proposto pelo Senado; e do projeto de pretensas medidas de combate à corrupção, de iniciativa da Lava Jato e complacente com abusos de autoritarismo.

Moro dá a entender que pode admitir alguma emenda nos dez pontos originários do seu grupo. Mas Deltan Dalagnol dá o tom da exigência beligerante: as dez medidas devem ser “aprovadas em sua totalidade”. Explica: “Para trazer para o Brasil o que existe em países que são os berços da democracia mundial”. Mas não explicou o que é isso –democracia mundial.

Democracia alguma tem leis que permitam práticas abusivas de policiais, procuradores e juízes se feitas com “boas intenções”, como quer o projeto da Lava Jato. Muitas “democracias” têm CIA, M-15, M-16, Mossad; outros têm NKVDs variados.

Por aqui já tivemos DOI-Codi, SNI, esquadrões da morte oficializados. Todos esses na criminalidade inconfessa como parte da hipocrisia “democrática”, e não de imoralidade legal.

Tudo indica que os dois projetos recebam emendas que lhes excluam fugas ostensivas e autoritarismos covardes. Para obter o que quer, porém, a Lava Jato não pôde evitar alguma perda de controle das delações. E isso muda a divisão de forças na Câmara e no Senado, em vários aspectos. Um deles, referente ao Judiciário, à Lava Jato e a determinadas legislações. A propósito, já se leu ou viu que Romero Jucá fez escola com sua convocação para “acabar com essa sangria” de tantas delações.

De outra parte, tudo indica que os contrariados pelas emendas, frustrados nesse capítulo dos seus planos tão pouco ou nada brasileiros, adotem formas de acirrar as tensões e os enfrentamentos, como réplica ao Congresso. E o façam de acordo com as liberdades extremadas e as prepotências que se permitem.

Perspectivas, portanto, que não fogem à regra do Brasil atual. Quando o que é dado como favorável é infundado.

Leia também:

Eloísa Machado: A decisão do Supremo parece ter sido feita sob encomenda

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Publicação de: Viomundo

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