Monthsetembro 2016

Trajano se negou a assinar documento que o impediria de falar sobre política na ESPN

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Em choque, Trajano crê que atuação política influenciou sua saída da ESPN

Do UOL Esporte 30/09/2016 16:08

José Trajano deixou a ESPN após 21 anos na emissora e teve seu contrato rescindido na manhã desta sexta-feira. O jornalista ficou surpreso com a notícia e não esconde a tristeza após tantos anos de dedicação ao canal. Ele ainda acredita que seu posicionamento político acabou influenciando a decisão.

”Estou meio assim chocado, ninguém trabalha por tantos anos tendo fundado o canal, recebe um bilhete azul e fica tranquilo. Mas tenho recebido tanto conforto, que isso está me envaidecendo, mostra um trabalho bem feito, formador de muita gente. Eu levo o orgulho de ter feito o canal”.

Trajano ficou chateado pela forma como aconteceu a demissão em uma breve reunião. Ele diz que a presidência do canal justificou a saída como contenção de despesas, mas considera estranha a decisão diante do atual cenário político do país.

”Eu acho um pouco estranho nesse momento conturbado do país. Já me chamaram algumas vezes dizendo que seria melhor não falar nada de política. Eu sempre fui envolvido e nunca escondi as minhas preferências políticas. Achavam que pelo fato de eu ser um ‘talent’, onde eu estivesse eu estaria representando o canal”, disse.

”Houve um documento entregue no mês passado dizendo que havia uma norma da empresa que era de não se manifestar politicamente, disseram que era uma norma que veio dos Estados Unidos. Eu não assinei”.

José Trajano foi fundador da ESPN e trabalhou como diretor de jornalismo por 17 anos. Em 2011, ele deixou de ser executivo e permaneceu apenas como comentarista, especialmente do programa Linha de Passe. Apesar da tristeza de deixar a ESPN, Trajano está satisfeito com as várias manifestações de carinho que recebeu tanto de amigos quanto de uma geração de telespectadores que acompanhou o crescimento da ESPN.

”Um dia as coisas sempre acabam. O bom é que eu saio com o apoio de amigos queridos que ficaram chocados, do fã do esporte, de uma geração inteira que cresceu ali dentro e que hoje já têm filhos, ali já foi uma família. Tem muitas pessoas me ligando, gente que eu nem conheço, dizendo que fez jornalismo por minha causa. Isso me deixa feliz”.

Ao UOL Esporte, a ESPN negou que as manifestações políticas de Trajano tenham tido qualquer influência na rescisão do contrato. ”A ESPN sempre respeitou a posição política de todos os seus funcionários. Lamentamos que José Trajano não reconheça a nossa posição, sempre baseada em nossos valores de credibilidade, isenção e liberdade de expressão”, disse a emissora, em comunicado.

Diretor geral do canal no Brasil, German Hartenstein acredita que a saída do profissional fez parte de um processo natural e ainda teceu vários elogios ao jornalista. “O Trajano é um profissional há muitos anos na ESPN, são 21 anos de história. Ele teve uma atuação fundamental no crescimento da empresa, é um dos grandes responsáveis pelo canal estar onde está. A gente teve, ao longo dos anos, uma história muito rica, só tenho a agradecer pelo trabalho que ele fez. Assim como acontece com a carreira de muitos executivos, chega o momento em que não contamos mais com o apoio do Trajano. No meu balanço, o saldo é muito, muito positivo”, disse ao UOL Esporte.

Luiza Oliveira
Do UOL, em São Paulo

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Defesa de Palocci diz que “italiano” é apelido à procura de um personagem

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NOTA DA DEFESA DE ANTONIO PALOCCI

via CDN, por e-mail

A defesa de Antonio Palocci informa que, em seu depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira, o ex-ministro demonstrou, uma por uma, que as acusações não são procedentes.

Os policiais atribuem a Palocci uma suposta atuação em favor da aprovação da Medida Provisória 460/2009, que reduziria tributos para construtoras.

Ficou demonstrado que, como consta dos anais da Câmara Federal, Palocci, como deputado, votou contra a referida MP.

O então parlamentar também se empenhou para que o presidente da República vetasse a MP 460, pois considerava que ela causaria um rombo fiscal no Tesouro Nacional.

A defesa de Palocci demonstrou que o apelido italiano, utilizado por executivos da Odebrecht, não se refere ao ex-ministro.

Existe em poder da PF uma mensagem de e-mail de Marcelo Odebrecht a Marcio Faria na qual ele se refere a tal pessoa como sendo uma mulher.

“Estive com a Itália, ela saiu da reunião e voltou”, diz um trecho. Portanto tal pessoa não pode ser Palocci.

Há também uma mensagem na qual Palocci e “italiano” são mencionados, mostrando que se tratavam de pessoas diferentes. Resta, portanto, que italiano é um apelido à procura de um personagem.

No depoimento de mais de três horas, Antonio Palocci mostrou ainda que era contrário à concessão de empréstimos pelo BNDES a grandes empresas em condições especiais e que, portanto, não faz sentido acusá-lo de ter interferido no banco em favor da Odebrecht ou qualquer outra empresa.

“Como ministro ele tinha que se relacionar com todos os empresários de setores produtivos”, afirma José Roberto Batochio em relação aos questionamentos da imprensa sobre encontros de Palocci com executivos de grandes empresas.

Por fim, cabe reafirmar que Palocci jamais recebeu quaisquer valores da Odebrecht ou vantagens indevidas. E também que sua consultoria nunca teve contratos com empresas que tivessem relação com entes públicos. ?

PS do Viomundo: Apesar do depoimento, o juiz Sérgio Moro decidiu manter Antonio Palocci preso preventivamente.

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Erika Kokay: Quem era o presidente do conselho da Friboi?

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Zarattini desafia Lava Jato a investigar o trensalão

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Zarattini desafia Lava-Jato a apurar propinas em obras de metrô de São Paulo

Do PT na Câmara, 29/09/2016

Mais um capítulo é incluído na lista de irregularidades envolvendo as obras do Metrô de São Paulo, administrado, há mais de 20 anos, pelo governo do PSDB. Desta vez a Operação Lava Jato descobriu 32 mensagens trocadas entre executivos da Odebrecht com fortes indícios de que a empreiteira pagou propina a políticos para a realização das obras do metrô paulista (linha 2 — Verde e Linha 4 — Amarela), executadas pelo governador tucano Geraldo Alckmin.

Ao comentar o fato, o vice-líder da Minoria, deputado Carlos Zarattini (PT-SP) se mostrou descrente com os rumos das investigações. Segundo o parlamentar, as denúncias de corrupção envolvendo o metrô paulista já se arrastam por muito tempo sem que se chegue à responsabilização dos agentes envolvidos.

“Mais uma vez a gente vê evidências de ato de corrupção no metrô de São Paulo, administrado pelo governo do PSDB. Já vimos isso acontecer diversas vezes e, por diversas vezes, as investigações se iniciam e não são concluídas”, lamentou Zarattini.

O deputado citou a compra dos trens da empresa Alstom e inúmeros casos de desvios de recursos em obras que já aconteceram no metrô de SP e que ainda não tiveram solução. “Vamos ver se, desta vez, a Lava-Jato demonstra que não se preocupa exclusivamente com o PT e em buscar a criminalização do partido. Vamos ver se os promotores, a Polícia Federal e o Juiz Sérgio Moro se dedicam a aprofundar a investigação sobre o governo do Estado de São Paulo”, desafiou o petista.

Reportagem do jornal O Estado de São Paulo revela que dos 32 e-mails listados pela Polícia Federal, 20 tratavam especificamente das obras do Metrô de São Paulo. As mensagens partiam de diretores da empreiteira Odebrecht, responsáveis pela obra, para executivos do “departamento de propinas” e para Benedicto Barbosa Júnior, então presidente da Odebrecht Infraestrutura.

Ainda, segundo a reportagem, nas mensagens aparecem nove codinomes, destes, seis ligados às obras da Linha 2, onde o percentual de pagamentos de propinas e a porcentagens de pagamentos variam de 0,5% a 4%, e dois ligados às obras da Linha 4. A Odebrecht participou do consórcio que fez os lotes 1 e 2 da Linha 4 e também atuou na expansão da Linha 2, ligando as estações Ana Rosa e Imigrantes.

Entre os codinomes listados estão “santo”, “corintiano”, “santista”, “vizinho”, “cambada em SP”, que constam na planilha de pagamentos mensais da empreiteira para as obras do metrô de São Paulo. As investigações apontam que “santo” recebeu um montante no valor de R$ 500 mil em 2004.

O delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Filipe Hile Pace disse que alguns pagamentos eram solicitados “a título de contribuição para campanhas eleitorais”.

No entanto, o delegado aponta que, ao contrário da alegação de caixa 2, os pagamentos “encontravam-se diretamente atrelados ao favorecimento futuro da Odebrecht em obras públicas da área de interferência dos agentes políticos”.

Questionado sobre as possíveis ações que o parlamento poderia adotar para contribuir no aprofundamento das investigações, o deputado Carlos Zarattini reiterou a sua descrença.

“Normalmente nós temos tentado fazer isso e, mesmo quando não tínhamos maioria na Câmara, o PSDB se articula com partidos que eram da base do nosso governo, mas que em São Paulo são da base do governo Alckmin e consegue impedir o avanço da investigação”, disse Zarattini, se referindo a CPMI do Metrô de São Paulo instalada em agosto de 2014. O colegiado, entretanto, sequer realizou eleição para escolha do presidente e relator.

“Eu acredito que seria muito difícil a gente conseguir abrir uma investigação em Brasília, ainda mais agora que o governo federal é aliado do Governo do Estado de São Paulo”, ponderou Zarattini.

Benildes Rodrigues

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Mauro Menezes: Jornal da Globo usa termo não usual para designar o cancerígeno amianto, privando público da noção do perigo

Trem Jornal da Globo

Fotomontagem: no topo, William Waack e Jorge Pontual; na coluna abaixo, Mauro Menezes, advogado da Abrea, a brasileira Fabíola Kroon e destroços da estação de trem de Nova Jersey (EUA)

por Conceição Lemes

Uma das matérias do Jornal da Globo dessa quinta-feira (29/09/2016) foi sobre o acidente de trem em Nova Jersey, nos EUA, que matou a brasileira Fabíola Bittar de Kroon e deixou dezenas de feridos. Ela estava parada na plataforma, quando foi atingida pelos destroços.

A reportagem durou 2 minutos. A partir de 1min45s, o correspondente Jorge Pontual (o vídeo está aqui; negrito é nosso), de Nova York, afirma :

A investigação das causas vai ser demorada, porque a estação destruída foi construída em 1907 e os destroços estão contaminados por asbesto que pode provocar doenças graves nos pulmões. Primeiro, será necessário descontaminar toda área.

 Aqui, do estúdio, o apresentador Willian Waack não fez comentário.

“Consternado com o trágico acidente, infelizmente, assisti, em meio à narrativa jornalística de uma rede brasileira de televisão, transmitindo em português, usar a palavra ‘asbesto’ para designar o cancerígeno amianto”, critica  Mauro Menezes, advogado da Associação Brasileira das Vítimas de Amianto (Abrea).

Asbesto e amianto são sinônimos, sim. Porém, no Brasil, usa-se amianto.

A própria indústria se refere ao seu produto, por vezes dissimulado com o qualificativo “crisotila”. É uma variedade, que não afasta o caráter carcinogênico do mineral, como assegurou a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2010.

“Teria sido mais adequado utilizar o termo consagrado em nosso país – amianto”, frisa. “Só assim os telespectadores teriam noção da proximidade que mantêm com esse perigo.”

Preciosismo? Não!

Primeiro: o amianto não é apenas questão de saúde ocupacional; é problema de saúde pública.

Segundo: a fibra assassina, como é chamada, causa asbestose (doença provoca endurecimento do pulmão, a pessoa morre por asfixia), câncer do pulmão e mesotelioma, tumor maligno que pode aparecer até 50 anos após o primeiro contato com o amianto.

O mesotelioma  atinge pleura (membrana que reveste o pulmão), pericárdio (membrana que recobre o coração) e peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal). É extremamente agressivo, incurável e fatal.

Ou seja:

* Ao não dizer expressamente que os destroços da estação de Nova Jersey estão contaminados por amianto, que causa câncer, o Jornal da Globo de certa forma minimizou aos olhos do público brasileiro o risco.

* Ao mesmo tempo, privou o telespectador de perceber a diferença brutal entre Brasil e os EUA  no que diz respeito à herança maldita de construções e resíduos contendo amianto.

“Lá, a prévia e delicada descontaminação dos destroços contendo amianto é algo protocolar, rigorosamente obedecido”, explica Menezes.

“Já aqui, nos encontramos na vergonhosa condição de país produtor e exportador de amianto, além de consumidor desenfreado e irresponsável, mercê das manipulações constantes da sombria e lucrativa indústria do setor”, denuncia.

“Enquanto nos EUA há consciência plena do risco assassino do amianto, aqui convivemos com a sua livre e perversa utilização”, arremata o advogado da Abrea.

Considerando que boa parte dos telespectadores não sabe que asbesto é amianto, por que, pelo menos, daqui William Waack não fez o reparo?

Por que falar para o umbigo? Seria para não relembrar que o amianto causa câncer?

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Izaías Almada: Quanto tempo levaremos para atravessar uma rua como as galinhas?

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A galinha e os brasileiros

Izaías Almada, em Nota de Rodapé

Numa instigante conversa/entrevista publicada no Brasil pela Editora Record (Não Contem com o Fim do Livro), o pensador e escritor italiano Umberto Eco e o pensador e grande roteirista de cinema francês Jean-Claude Carrière discorrem com maestria sobre alguns temas de extrema importância na atualidade, tais como, o saber, a cultura, a memória, o aprendizado e, sobretudo, sobre o significado da internet para o mundo contemporâneo, cujo surgimento interfere em todas as nossas atitudes, comportamentos e reflexões nesse início de século XXI.

Creio que não é exagero dizer que toda novidade excita a atemoriza.

A propósito de nos acostumarmos com uma novidade, qualquer seja ela, e na defesa da tese de que o livro tal como ainda existe, em papel, não sucumbirá diante da impressionante invasão do mundo cibernético nas nossas vidas, o professor Umberto Eco – com inegável bom humor – lembra que as galinhas levaram quase um século para aprenderem a não atravessar a rua.

Olhando para o atual panorama político brasileiro fica-me a dúvida sobre se um dia aprenderemos a viver em democracia. E de quanto tempo precisaremos para isso?

Porque a democracia é também um aprendizado, um aprendizado que requer paciência – é claro – desde que seus intervenientes estejam dispostos a conviver com ideias contrárias e/ou divergentes, que não agridam a constituição por qualquer “dá cá aquela palha”, que respeitem os valores da cidadania, que entendam o significado da justiça como elemento de equilíbrio e não como uma forma de envergonhar a política. E que não atirem a primeira pedra, sobretudo, aqueles que têm o telhado de vidro.

Não é por acaso que estamos diante de uma aberração política: um país governado por sicários levados ao poder por um golpe jurídico parlamentar dos mais idiotas, mas nem por isso menos efetivo.

O Brasil se tornou republicano em 1889 e desde então vivemos num entra e sai de governos democráticos e de governos autoritários.

Como sociedade não nos conseguimos equilibrar, sempre submissos a interesses de classe. Fanatismos ideológicos ou religiosos são invocados sempre que a Casa Grande se sente ameaçada pela senzala. Falta-nos orgulho nacional, sobra-nos o entreguismo, a subserviência cultural, o desinteresse pela própria política, enfim, somos uma espécie de fundo de quintal dos que querem e sabem o que fazer para nos manter em tal situação.

1889. De lá para cá são 127 anos. Mais de um século, portanto. E ainda não aprendemos a atravessar a rua como as galinhas o fizeram em menos de um século.

Que eu saiba, e até prova em contrário, o cérebro das galinhas é bem menor que o da maioria dos brasileiros.

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Fátima Oliveira: Só resta ao povo reagir à ‘Ponte’ do Temer

Captura de Tela 2016-09-30 a?s 21.45.16Foto: Lula Marques, da Agência PT, via Fotos Públicas

‘Uma Ponte para o Futuro’ é ajuste estrutural x Estado de bem-estar

Fátima Oliveira, em O TEMPO

Médica – fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_

Michel Temer, sem nenhum pudor, em seu discurso na ONU, defendeu o “processo de impeachment de Dilma Rousseff como legal e legítimo” (20.9.2016). Sem novidades!

Todavia, ele foi mais despudorado no discurso após almoço com empresários e investidores na sede da American Society/Council of the Americas (21.9.2016), ao confessar: “Há muitíssimos meses atrás (sic), nós lançamos um documento chamado ‘Ponte para o Futuro’ porque verificávamos que seria impossível o governo continuar naquele rumo e até sugerimos que adotasse as teses que nós apontávamos. Como isso não deu certo, não houve a adoção, instaurou-se um processo que culminou agora, com a minha efetivação como presidente da República” (“Temer: impeachment ocorreu porque Dilma recusou ‘Ponte para o Futuro’, “Carta Capital”, 23.9.2016).

Reavivando a memória. Em 10.7.2016, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentou o que dizia ser a salvação nacional: a Agenda Brasil – alicerçada no neoliberalismo, até propondo “a possibilidade de cobrança diferenciada de procedimentos do SUS por faixa de renda” e outras insanidades. Nada vingou!

Voltaram à carga no documento “Uma Ponte para o Futuro” (Fundação Ulysses Guimarães, do PMDB).

Renan Calheiros disse que ali estava “o primeiro passo que o PMDB dá no sentido de tirar o país da inércia e do pessimismo”. “Em linhas gerais, o programa previa menos segurança e direitos aos trabalhadores, trabalhos por mais anos aos idosos e medidas que, na prática, poderiam inviabilizar os direitos universais de acesso a serviços públicos” (programa da lavra do neoliberalismo, doutrina orientadora do ajuste estrutural, na contramão do programa da eleita Dilma Rousseff).

O PMDB exigia que o governo brasileiro abandonasse a busca do Estado de bem-estar (“welfare state”) e adotasse, nos planos político, econômico e social, uma agenda estribada na injustiça social, iniciada em 1979, sob o governo de Margareth Thatcher na Inglaterra, seguido na década de 80 por outros países ricos.

Na América Latina, a implantação de programas neoliberais começou no Chile (Pinochet). No Brasil, o ajuste estrutural começou tardiamente, em 1989.

“No final do governo Sarney vivíamos o início do ‘desmonte’, porém a grande inflexão aconteceu com Collor de Melo e se fortaleceu com FHC” (“Ajuste estrutural, pobreza e desigualdades de gênero”, in “Iniciativa de Gênero: CFemea, SOS Corpo, Articulação de Mulheres Brasileiras”, 2003).

Destaco que os governos Lula e Dilma não romperam com o receituário neoliberal. Aplicaram os “remédios” do ajuste estrutural em doses não letais, inclusive porque o sonho do PT era restrito a ser um gestor humanizado da crise do capitalismo – o que explica a vertente das políticas sociais que marcam Lula como o melhor presidente do Brasil para o povo.

O capital financeiro, que é apátrida – a ele não interessa o bem-estar do povo, apenas como se multiplicar e maximizar lucros –, acionou a vassalagem nacional para fazer valer o ideário neoliberal explícito e completo tal qual está no “Uma Ponte para o Futuro”!

Para Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima, o “Uma Ponte para o Futuro” na verdade é uma ponte para o passado, pois é um “pacote de maldades do PMDB, disfarçado de agenda para ‘reconstruir o Estado’; traz, entre outras, medidas como desvinculação de gastos da União com saúde e educação, desindexação de salários (inclusive o mínimo), ajuste fiscal, privatizações e desregulamentação ampla, geral e quase irrestrita”.

Resta ao povo reagir.

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Em debate, Jandira detona Globo pelo apoio ao golpe de 2016; emissora responde citando seu apreço pela democracia; veja o vídeo

Da Redação

Em defesa da TV Globo, depois das críticas da candidata a prefeita do Rio, Jandira Feghali (PCdoB), a apresenta Ana Paula Araújo disse:

1. A Globo não tem “obrigação” de promover debates, ou seja, não se trata de uma concessão pública que deve satisfação à sociedade que lhe concede o direito de uso do espectro eletromagnético;

2. Ao fazer o debate, a Globo “se expõe” a críticas — quando, na verdade, deveria pairar sobre a sociedade, uma vez que ela pode criticar mas não pode ser criticada;

3. “Não é a TV Globo que está sendo avaliada”– mais uma vez, é a ideia de que a emissora paira acima de todas as críticas e da própria sociedade que lhe dá o direito de explorar uma concessão pública.

Sobre o apreço da Globo pela democracia, basta lembrar o editorial “Ressurge a Democracia”, do golpe civil-militar de 1964, ou o editorial “Julgamento da Revolução”, de 1984! Ou seja, vinte anos depois do golpe a Globo ainda chamava o golpe de Revolução!

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Nos bastidores do jornalismo, uma lição prática — e assustadora — sobre o “dois pesos, duas medidas”

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por Luiz Carlos Azenha

Em 2005, como repórter da TV Globo de São Paulo, fiz uma de minhas primeiras reportagens investigativas depois de retornar ao Brasil vindo da posição de correspondente da emissora em Nova York.

O produtor era Luiz Malavolta. Foi sobre uma empresa de seguros, a Interbrazil, que participou de um esquema de financiamento de campanha do PT em Goiânia, via caixa dois.

Viajei para a capital de Goiás com o produtor Robson Cerântula.

Constatamos a partir de testemunhas que, de fato, o esquema tinha existido. Adhemar Palocci, o Paloção, irmão do então ministro Antonio Palocci — à época, homem forte do governo Lula — foi citado como o caixa do PT em Goiás.

Tentamos ouví-lo em Brasília, sem sucesso — ele ocupava então o cargo de diretor de Engenharia da Eletronorte.

O motivo do caso ir parar em Brasília é que foi “abraçado” por uma das três CPIs que, simultaneamente, investigavam o mensalão petista e o governo Lula.

Uma “embaixatriz” da Globo na capital me conduziu a gabinetes de parlamentares que poderiam ter interesse no assunto. Como, pessoalmente, faço questão de não estabelecer relações promíscuas de fonte com autoridades — que, em minha opinião, acabam contaminando a independência do repórter –, fui levado a tiracolo: conversei brevemente com Aloizio Mercadante, Heráclito Fortes, ACM Neto, parlamentares que supostamente tinham trânsito com o jornalismo da emissora.

O dono da Interbrazil não atendeu à primeira convocação para depor. Acabou sendo levado pela PF, numa espécie de condução coercitiva. Assisti ao depoimento: em outras palavras, ele disse que de fato tinha doado por fora ao PT, especialmente em material de campanha, mas que fizera o mesmo para muitos candidatos de outros partidos. Seguiu-se uma longa lista: PSDB, PMDB, PP, etc.

Como a Interbrazil tinha sofrido intervenção, ele se dispôs a fazer levantamento nos arquivos da empresa sobre todos os que tinham recebido contribuições. Ele não admitiu, mas obviamente o dinheiro foi dado a título de abrir portas para a seguradora no mercado, especialmente nas apólices de empresas públicas.

A CPI pretendia convocar Adhemar Palocci para depor, mas o requerimento foi derrotado depois que o ministro da Fazenda ameaçou renunciar se isso acontecesse — Palocci, como amigo do mercado, tinha então relação “amigável” com a Globo.

Para minha surpresa, depois do registro do depoimento do dono da seguradora, a emissora simplesmente desistiu do caso. Não se interessou em correr atrás daqueles arquivos que, revelados, poderiam comprometer outros partidos além do PT. Existe uma grande diferença entre “ouvir dizer” e vivenciar pessoalmente uma situação. Ali ficou límpido, cristalino: dois pesos, duas medidas.

Eu e Malavolta ainda pretendíamos investigar um dirigente da Susep, a Superintendência de Seguros Privados — indicação do PT — sobre o qual havia alguns indícios, mas desistimos depois que ele apareceu em carne e osso na redação da TV Globo de São Paulo, para cumprimentar nosso chefe hierárquico. Ao que parece ele tinha muita intimidade com os negócios do Banco Roma, que pertenceu à família Marinho.

Mais tarde, através do Malavolta, fiquei sabendo que a investigação da Interbrazil tinha tido origem no alto escalão da emissora, a partir de araponga baiano que, segundo ele, era ligado ao deputado ACM Neto.

Desde então, olho com grande desconfiança para “vazamentos”. A quem interessam? A quem servem?

Num deles, relativo à Operação Castelo de Areia, recebi os relatórios da Polícia Federal sobre apreensões feitas na contabilidade paralela da empreiteira Camargo Corrêa. Ali constava uma anotação sobre o blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, que supostamente teria recebido apoio publicitário da empresa por interferência do tucano Andrea Matarazzo. Descartei a informação, por julgar o valor irrelevante — era uma reportagem de TV de alcance nacional.

Como era período pré-eleitoral, eu e o editor da reportagem decidimos não focar em nomes, mas no fato de que a empreiteira fazia os pagamentos a um verdadeiro zoológico: Abelha, Macaco, Gambá e assim por diante. Pré-Lava Jato, a Castelo de Areia apenas confirmou o que eu tinha visto no caso da Interbrazil: o financiamento empresarial a políticos via caixa dois é amplo, geral e irrestrito. Não foi inventado pelo PT, embora seja compreensível a decepção dos eleitores com um partido que se dizia “diferente de tudo o que está aí”.

A Castelo de Areia levantou graves suspeitas sobre as obras do Metrô e do Rodoanel, em São Paulo, estado que é governado pelo PSDB desde Mário Covas. Mas… a operação foi anulada na Justiça. Nunca ficamos sabendo quem eram as pessoas por trás de todos aqueles codinomes.

Hoje a Polícia Federal diz que Feira é o marqueteiro João Santana e Italiano o ex-ministro Guido Mantega. Duas pessoas ligadas ao PT. Mas, e o Abelha? E o Santo? E o Careca?

Hoje tenho o costume de ler na íntegra todos os relatórios divulgados pela Polícia Federal. Na medida do possível, tento ouvir na íntegra os depoimentos dados à Lava Jato.

Constato a imensa distância que existe entre o conjunto das informações obtidas pela PF e o resumo que aparece nos jornais ou nas emissoras de TV.

De um lado, informações que me parecem relevantes são descartadas. Do outro, depoimentos sem nenhum suporte factual, como o que Marcos Valério deu à Lava Jato, se transformam em manchetes: Lula e o PT teriam sido chantageados, o que é uma forma oblíqua de insistir que ambos estão envolvidos na morte do ex-prefeito Celso Daniel, o que já foi descartado por ao menos duas investigações.

Mas, em tempo de redes sociais, o que vale são as manchetes. É o jornalismo declaratório em ação: Donald Trump desconfia que Obama não nasceu nos Estados Unidos! O suficiente para fazer uma não notícia sobreviver por quatro, cinco anos… como aconteceu no caso de Trump. Aliás, foi o “ato inicial” da carreira política dele.

Muitas vezes o problema começa já na análise das informações colhidas pela PF. Os analistas enxergam suspeita em todas as menções a Lula, por exemplo, mas não se preocupam quando MBO, o Marcelo Bahia Odebrecht, cita Aécio Neves, Alckmin ou a Globo. Reproduzimos aqui trechos dos relatórios referentes a anotações feitas por Marcelo em seu celular.

Captura de Tela 2016-09-29 a?s 20.03.19É preciso saber, sim, o que MBO quis dizer quando escreveu “coordenação lista $ com PT”, mas notem que logo abaixo ele escreve: “Aecio Neves?”.

O “DGI Chaves vs Lula” aparece destacado pelo analista, mas e o “Alckimin vs AR”?

E o “Darc vs Edu Campos”, ou o “Emb vs Globo”, ou o “PAN vs Globo”? O que significa “apoio a ANeves?”

Meu ponto é que os recursos da Polícia Federal são finitos e, como vi acontecer dentro da TV Globo (veja em O que eu pretendia dizer na TV sobre as ambulâncias de Serra), muitas vezes a distorção se dá pelas escolhas: onde concentrar os recursos da investigação?

Espero que não seja o caso, lamentaria se fosse: investigações politicamente dirigidas, que buscam atender a demanda de um público que, por força do bombardeio midiático, já condenou antecipadamente todos os remotamente ligados ao PT.

Continuamos aguardando, por exemplo, que a Operação Caça Fantasmas, da Polícia Federal, amplie seu escopo para descobrir porque uma herdeira de Roberto Marinho pagou as taxas de manutenção de três empresas offshore à Mossack & Fonseca, a fábrica de empresas laranjas do Panamá — “a serviço de ditadores e delatores”, como destacou o insuspeito O Globo — quando as empresas nominalmente são ligadas a Lucia Cortes Pinto, uma modesta moradora do bairro do Grajaú, no Rio de Janeiro. As empresas são a Vaincre LLC, a Juste e a AA Plus. Esperaremos sentados.

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Publicação de: Viomundo

Quando é que o “Santo” e o “Careca” vão responder à Justiça?

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“Santo”, “Careca” e a lista da Odebrecht

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog, via Blog do Miro

Embora já tenha chegado a sua 35a. fase, a operação Lava Jato não conseguiu livrar-se da acusação de trabalhar de modo seletivo, reproduzindo um traço historicamente nefasto da Justiça brasileira, onde o Estado “é usado como propriedade do grupo social que o controla”, nas palavras da professora Maria Sylvia de Carvalho Franco, no estudo Homens Livres na Ordem Escravocrata.

Neste universo, que descreve o Brasil anterior a abolição da escravatura, onde o grilhão, a chibata e o pelourinho eram instrumentos banais de manutenção da ordem para os habitantes da senzala, o “aparelho governamental nada mais é do que parte do sistema de poder desse grupo, um elemento para o qual se volta e utiliza sempre que as circunstâncias o indiquem como o meio mais adequado.”

Dias antes de Guido Mantega ter sido forçado a deixar o centro cirúrgico do Alberto Einstein, onde sua mulher era operada de um câncer, para cumprir um mandato de prisão, descobriu-se um fato ao mesmo tempo chocante e instrutivo.

A Justiça Federal foi incapaz de descobrir o endereço residencial de Pimenta da Veiga, ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, para lhe entregar uma notificação relativa a AP 470, o Mensalão (Rubens Valente, Folha de S. Paulo, 15/9/2016). Não se trata de um caso com muitas dúvidas.

Em 2005 a Polícia Federal encontrou quatro cheques do esquema de Marcos Valério, no valor de R$ 75.000 cada um, na conta do ex-ministro. Pimenta alegou que eram pagamentos por honorários que exerceu num serviço como advogado. Não mostrou documentos nem apresentou casos concretos em que atuou.

O próprio Valério alegou, na CPI dos Correios, que havia ajudado Pimenta a pagar a conta do tratamento de saúde de um filho. Não convenceu. Mesmo assim, o caso já dura dez anos, o que configura outra ironia de longo curso.

Quando resolveu procurar Henrique Pizzolato, o dirigente do PT condenado a 12 anos e sete meses no STF, o Ministério Público fez investigações no Paraguai, Argentina e Espanha, até que chegou ao interior da Itália para localizá-lo na casa de um sobrinho. Enfrentou uma disputa na Justiça daquele país para garantir que Pizzolato fosse trazido para cumprir pena no Brasil, embora tivesse passaporte italiano.

A principal denúncia contra o antigo diretor do Banco do Brasil envolve um pagamento de R$ 326.000, quantia 10% superior aos R$ 300.000 de Pimenta. O detalhe é que Pizzolato sempre alegou que o dinheiro não era para si, mas para o PT no Rio de Janeiro. Verdade ou não, os R$ 326.000 nunca surgiram em sua conta nem foram confirmados pela quebra de seu sigilo bancário ou fiscal.

Ao contrário do que ocorreu com o dinheiro entregue a Pizzolato, os recursos destinados a Pimenta foram pagos em quatro prestações e descobertos pelo delegado Luiz Fernando Zampronha, da Polícia Federal, e mais tarde arquivados no inquérito 2474 – aquele que o Supremo não examinou quando julgava a AP 470.

Mesmo considerando antecedentes tão notáveis sobre o caráter seletivo das investigações que envolvem políticos brasileiros, a representação da Polícia Federal que pediu a prisão de Antonio Pallocci, Branislav Kontic e Juscelino Dourado causa um choque inegável.

Isso porque a leitura das primeiras 30 páginas sobre o esquema de pagamentos clandestinos do chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, um departamento destinado a sustentar esquemas políticos, nada informa sobre o ministro ou o Partido dos Trabalhadores mas é muito revelador sobre o conhecimento da PF sobre o esquema de corrupção do PSDB paulista.

Na página 13, por exemplo, descreve-se a partilha de uma propina de 0.9% sobre um investimento de US$ 20,6 bilhões. Na página 17, uma troca de email entre executivos da Odebrecht deixa claro que estamos falando da linha 2 do Metrô, um investimento que seria particularmente rico em denúncias de superfaturamento e gastos suspeitos. Na página 18, surgem pseudônimos de quem irá receber o dinheiro.

Em outra passagem, aparecem iniciais que poderiam identificar empresas envolvidas. Nas páginas seguintes, surgem várias planilhas, com detalhamento de datas, prazos e acordos. Na página 36, informa-se que o DGI, sigla usada para designar propina, pode subir de 5% para 8% em determinada obra. Também se descobre que, além da linha 2, a linha 4 do metrô entrou na dança.

Foi ali, na estação Pinheiros, que em 2007 ocorreu um acidente trágico, que provocou a morte de sete pessoas, engolidas por uma cratera. Quando se refere ao consórcio encarregado da obra da linha 4, um executivo da Odebrecht usa a palavra “vencedor” assim mesmo, entre aspas, o que chama a atenção durante a leitura, pelo reforço da ironia. Também se registra na mesma passagem o pagamento de duas parcelas de R$ 250.000 destinadas a uma autoridade identificada como “Santo”.

A verdade é que, além de dois vereadores do PSDB paulistano citados nominalmente, ao lado de quantias relativamente modestas num contexto de pagamentos milionários — R$ 6.000 e R$ 3.000 – não há menção explícita a nenhuma autoridade de escalão mais alto. São elas que recebem pagamentos de R$ 200.000 ou R$ 250.000 por mês — por vários meses.

Embora José Serra e Geraldo Alckmin sejam mencionados como suspeitos óbvios por pessoas que conhecem os bastidores do caso, a verdadeira pergunta consiste em saber por que não se buscou apurar sua identidade real — fosse qual fosse. Boatos não resolve. Suspeita que não é apurada também não. Não há motivo para segredinhos. Os fatos estão descritos em documentos públicos.

O tempo passa e quem se beneficia é o acusado, seja quem for. Como acontece com tantos colegas de Pimenta da Veiga no mensalão PSDB-MG, as acusações acabam prescrevendo.

Durante um bom período, um personagem conhecido como “Italiano, visto como o protagonista das investigações que envolvem Antonio Palocci, foi identificado com outro ministro, Guido Mantega.

Após um trabalho de checagem, procurando compatibilizar nome de assessores e eventos descritos em diversas trocas de mensagem, a Polícia Federal concluiu que Palocci era o “Italiano.” Foi com base nessa visão que fez a representação e, numa cena indispensável para alimentar o já previsível de carnaval televisivo, conduziu o ministro para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

O problema é que entre as palavras civismo, virtude que tem sido frequentemente associada a Lava Jato, e cinismo, palavra comum no vocabulário de seus críticos, a única diferença consiste numa letra.

Se não há motivo para suspeitas prematuras nem acusações irresponsáveis, não há razão jurídica aceitável para se manter na penumbra a identidade de personagens conhecidos como “Santo” e “Careca” nos emails da Odebrecht. Elas devem ser conhecidas e investigadas, com o mesmo rigor dispensado a Antonio Palocci — a menos que, aceitando a troca do “v” pelo “n”, aceite-se que há uma seleção política para alvos do Judiciário.

Neste caso, é preciso admitir que não estamos investigando nem a corrupção nem a troca de favores. Mas um partido e seus dirigentes, o que só é aceitável sob ditaduras. Não se quer justiça, mas política, colocando o estado “a serviço do grupo social que o controla,” como escreve Maria Sylvia de Carvalho Franco, referindo-se às instituições que mantinham a escravidão.

A tragédia da linha 4, na qual sete pessoas perderam a vida, só reforça a necessidade de um esclarecimento completo a respeito da identidade e do papel de “Santo” e “Careca.”

A assumida intimidade de Fernando Henrique com Emílio Odebrecht, principal acionista do grupo, muito mais influente naquele período, que é descrita com tanta intimidade no Diário da Presidência, é mais uma razão para isso. Como se aprende pela leitura, FHC chegou a imaginar que o pai de Marcelo Odebrecht poderia ajudá-lo num programa de investimentos públicos destinado a redesenhar o capitalismo brasileiro. Está lá, no volume 1. A mudança do coração da economia sob orientação da Odebrecht. Entendeu?

A seletividade, sabemos todos, produz anedotas como uma Justiça que não consegue descobrir o endereço de um antigo ministro, Pimenta da Veiga. Mas não só.

Roberto Brant, que foi ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, também foi apanhado na rede de Marcos Valério. Recebeu um cheque de R$ 100.000. Disse que era contribuição para sua campanha. Acredito sinceramente que, como tantos, estava falando a verdade. Não importa. O fato é que seu destino foi outro. Renunciou ao mandato e ficou livre, enquanto parlamentares do PT, na mesma situação, marchavam no cadafalso da AP 470.

Na nova vida, fora de Brasília, Brant não teve de escapar de oficiais da Justiça. Pelo contrário. Um belo dia, lhe chegou o convite para uma missão nobre. Preparar a versão final de um projeto político de mudanças para o país. Foi assim que, uma década depois de ser apanhado com um cheque de Marcos Valério, tornou-se o autor do texto final de um documento chamado Ponte para o Futuro, projeto que deu o esqueleto ideológico para o golpe de 31 de agosto.

Deu para entender como tudo se liga com tudo?

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Publicação de: Viomundo

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