Monthnovembro 2015

Secretaria de Educação prepara “guerra” contra escolas ocupadas a partir desta segunda; ouça áudio da reunião que tratou de estratégias

 secretário da educação

Secretaria de Educação prepara “guerra” contra as escolas em luta!

Em reunião com 40 dirigentes de ensino, braço direito do secretário Herman anuncia que o decreto da “reorganização” sai na terça e lança estratégia para “isolar” e “desmoralizar” as escolas em luta, com o apoio da Polícia Militar

por Laura Capriglione, especial para os Jornalistas Livres, no Facebook, às 14h de 29/11/2015

Em reunião realizada agora há pouco, na antiga escola Normal Caetano de Campos, a primeira escola pública de São Paulo na era republicana, cerca de 40 dirigentes de ensino do Estado de São Paulo receberam instruções de Fernando Padula Novaes, chefe de gabinete do secretário Herman Jacobus Cornelis Voorwald, sobre como deverão agir a partir de amanhã para quebrar a resistência de alunos, professores e funcionários que estão em luta contra a reorganização escolar pretendida pelo governador Geraldo Alckmin.

A reunião foi realizada em uma sala anexa ao próprio gabinete do secretário. Jornalistas Livres estavam lá e escutaram o chefe de gabinete anunciar para os dirigentes de ensino que o decreto da “reorganização sai na [próxima] terça-feira”.

Segundo ele, “estava pronto na quinta passada (26/11) para o governador assinar”, mas pareceria que o governador não “tinha disposição para o diálogo”. A maioria na sala (todos “de confiança” do governo), suspirou de alívio, e Padula emendou: “Aí teremos o instrumento legal para a reorganização”.

Trata-se de uma gravação esclarecedora, que merece ser ouvida em sua íntegra pelo que tem de revelador. Nela, o chefe de gabinete Padula repete inúmeras vezes que todos ali estão “em uma guerra”, que se trata de organizar “ações de guerra”, que “a gente vai brigar até o fim e vamos ganhar e vamos desmoralizar [quem está lutando contra a reorganização]”. Fala-se da estratégia de isolar as escolas em luta mais organizadas. Que o objetivo é mostrar que o “dialogômetro” do lado deles só aumenta, e que a radicalização está “do lado de lá”.

Também importante foi o ponto em que o chefe de gabinete falou da estratégia de “consolidar” a reorganização. A idéia é ir realizando as transferências, normalmente, deixando “lá, no limite” aquela escola que estiver “invadida”. Segundo ele, o máximo que ocorrerá será que aquela escola “não começará as aulas como as demais”.

A reunião mencionou também o papel de apoio que a Secretaria de Segurança Pública, do secretário Alexandre de Moraes, está tendo, fotografando as placas dos veículos estacionados nas proximidades das escolas, e identificando os seus proprietários. Com base nessas informações, a Secretaria de Educação pretende entrar com uma denúncia na Procuradoria Geral do Estado contra a Apeoesp.

Padula contou como procurou o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, “A gente precisa procurar todo mundo, não é?”, dele recebendo a orientação para responder aos que se opõem à “reorganização”. “Vocês precisam responder”, teria dito dom Odilo ao chefe de gabinete do secretário Herman Jacobus Cornelis Voorwald. Dom Odilo teria afirmado ainda que “as ocupações nas escolas têm o objetivo de desviar o foco.

Foi interessante notar que a mesma reunião que insistia em denunciar a presença de partidos e organizações radicais entre os meninos e meninas contou com o anúncio solene da presença de um militante do Movimento Ação Popular, ligado ao PSDB e presença frequente nas manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Escute abaixo o áudio da reunião

Secretaria de Educação prepara “guerra” contra as escolas em l…PESSOAL! ATENÇÃO, ATENÇÃO! EXCLUSIVO!ESCOLAS EM LUTASecretaria de Educação prepara “guerra” contra as escolas em luta!Em reunião com 40 dirigentes de ensino, braço direito do secretário Herman anuncia que o decreto da “reorganização” sai na terça e lança estratégia para “isolar” e “desmoralizar” as escolas em luta, com o apoio da Polícia MilitarEscute abaixo o áudio da reunião. Por Laura Capriglione, especial para os Jornalistas Livres, às 14h de 29/11/2015Em reunião realizada agora há pouco, na antiga escola Normal Caetano de Campos, a primeira escola pública de São Paulo na era republicana, cerca de 40 dirigentes de ensino do Estado de São Paulo receberam instruções de Fernando Padula Novaes, chefe de gabinete do secretário Herman Jacobus Cornelis Voorwald, sobre como deverão agir a partir de amanhã para quebrar a resistência de alunos, professores e funcionários que estão em luta contra a reorganização escolar pretendida pelo governador Geraldo Alckmin.A reunião foi realizada em uma sala anexa ao próprio gabinete do secretário. Jornalistas Livres estavam lá e escutaram o chefe de gabinete anunciar para os dirigentes de ensino que o decreto da “reorganização sai na [próxima] terça-feira”. Segundo ele, “estava pronto na quinta passada (26/11) para o governador assinar”, mas pareceria que o governador não “tinha disposição para o diálogo”. A maioria na sala (todos “de confiança” do governo), suspirou de alívio, e Padula emendou: “Aí teremos o instrumento legal para a reorganização”.Trata-se de uma gravação esclarecedora, que merece ser ouvida em sua íntegra pelo que tem de revelador. Nela, o chefe de gabinete Padula repete inúmeras vezes que todos ali estão “em uma guerra”, que se trata de organizar “ações de guerra”, que “a gente vai brigar até o fim e vamos ganhar e vamos desmoralizar [quem está lutando contra a reorganização]”. Fala-se da estratégia de isolar as escolas em luta mais organizadas. Que o objetivo é mostrar que o “dialogômetro” do lado deles só aumenta, e que a radicalização está “do lado de lá”.Também importante foi o ponto em que o chefe de gabinete falou da estratégia de “consolidar” a reorganização. A idéia é ir realizando as transferências, normalmente, deixando “lá, no limite” aquela escola que estiver “invadida”. Segundo ele, o máximo que ocorrerá será que aquela escola “não começará as aulas como as demais”.A reunião mencionou também o papel de apoio que a Secretaria de Segurança Pública, do secretário Alexandre de Moraes, está tendo, fotografando as placas dos veículos estacionados nas proximidades das escolas, e identificando os seus proprietários. Com base nessas informações, a Secretaria de Educação pretende entrar com uma denúncia na Procuradoria Geral do Estado contra a Apeoesp.Padula contou como procurou o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, “A gente precisa procurar todo mundo, não é?”, dele recebendo a orientação para responder aos que se opõem à “reorganização”. “Vocês precisam responder”, teria dito dom Odilo ao chefe de gabinete do secretário Herman Jacobus Cornelis Voorwald. Dom Odilo teria afirmado ainda que “as ocupações nas escolas têm o objetivo de desviar o foco de Brasília”.Foi interessante notar que a mesma reunião que insistia em denunciar a presença de partidos e organizações radicais entre os meninos e meninas contou com o anúncio solene da presença de um militante do Movimento Ação Popular, ligado ao PSDB e presença frequente nas manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Posted by Jornalistas Livres on Domingo, 29 de novembro de 2015

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Publicação de: Viomundo

Grupo do tucano Beto Richa quer calar blogueiro: “Se eu não pagar os R$ 200 mil de multas,ficarei proibido de votar e até de tirar passaporte”

Tarso e Bandeira de Mello

Celso Antônio Bandeira de Mello (à direita) é um dos juristas que apoiam Tarso Violin

por Conceição Lemes

Tarso Cabral Violin é  advogado, professor de Direito Administrativo,autor do Blog do Tarso e presidente da Associação de Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná -ParanáBlogs.

Em junho deste ano, nós denunciamos aqui no Viomundo: Barão de Itararé e Artigo 19 repudiam multa de R$ 200 mil imposta ao Blog do Tarso pelo grupo do tucano Beto Richa.

O fato.

Nas eleições municipais de 2012, ele divulgou duas enquetes sobre os candidatos à Prefeitura de Curitiba.

Na época, a Resolução 23.364, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dizia que para divulgar enquetes era necessário informar “que não se trata de pesquisa eleitoral, e sim mero levantamento de opiniões, sem controle de amostra, o qual não utiliza método científico para a sua realização, dependendo, apenas, da participação espontânea do interessado” (o grifo é nosso).

Tarso publicou apenas que eram enquetes, não citou a frase acima exata.

O candidato do governador Beto Richa (PSDB-PR) era Luciano Ducci (PSB), que disputava a reeleição e perdeu para Gustavo Fruet,  ex-tucano convertido ao PDT. Ducci havia sido vice de Richa e assumiu a Prefeitura de Curitiba após o tucano se tornar governador  do Paraná.

Em agosto de 2012, os advogados de Ducci entraram com uma representação contra  Tarso, pessoa física, já que o seu blog não é pessoa jurídica. E pediram a aplicação de duas multas, no total de R$ 106 mil.

Tarso ganhou em primeira instância. O Ministério Público e o juiz entenderam que as multas eram um absurdo. Porém, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) acatou de forma unânime o pedido dos advogados de Ducci.

Tarso entrou vários recursos junto ao TSE, que, sem analisar o mérito, se negou a revisar a decisão do TRE-PR.

Resultado: Tarso tem mais alguns dias para quitar as multas que já chegam a quase R$ 200 mil.

Daí,  as campanhas de financiamento coletivo (crowdfunding) e solidariedade a Tarso.

Para isso foi criado o site de arrecadação e denúncia — Eu Tarso pela Democracia –, onde é possível contribuir financeiramente, assim como acompanhar o andamento das campanhas.

Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé (e seus núcleos estaduais, como a Baronesa de Itararé no Paraná), o Fórum Nacional pela Democratização da Mídia (FNDC) e a Comissão Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais apoiam crowdfunding do Tarso.

Jornalistas, blogueiros e internautas assinaram manifesto  em apoio à liberdade de expressão, à democracia e à campanha de financiamento coletivo de Tarso Cabral Violin.

Juristas também lançaram manifesto de solidariedade a Tarso e em apoio ao crowfunding. Entre os signatários, Celso Antonio Bandeira de Mello, Dalmo de Abreu Dallari e Fábio Konder Comparato:

 Independentemente das posições jurídicas, políticas e ideológicas de Tarso, entendemos que essas multas são totalmente desarrazoadas para uma pessoa física que não se utiliza de seu blog para fins financeiros, mas apenas como um espaço de cidadania e discussão sobre a Política, o Direito e a Administração Pública, para exercer o controle popular do Estado e lutar pela liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação.

Até hoje, 29 de novembro, as contribuições somam R$ 58.222,69. Faltam mais de R$ 100 mil.

“Se o crowdfunding não der certo, terei de fechar o Blog do Tarso, pois não é pessoa jurídica, não tem finalidade lucrativa e, assim, não haveria sentido na sua manutenção”,  afirma ao Viomundo.

“A blogueira cubana, que reclama da ‘ditadura’ na ilha, pode dizer o que bem entender em seu blog, viajar pelo mundo, descendo o sarrafo no governo de Cuba”, compara. “Na ‘democracia’ brasileira, eu poderei ter a minha vida financeira inviabilizada e ficar proibido de passar em concursos públicos, participar de eleições e até tirar de tirar passaporte.”

“O confisco do Estado e a limitação à liberdade de expressão são contrários aos direitos fundamentais constitucionais e, portanto, são contrários aos direitos humanos”, afirma. “E isso deve ser denunciado à Corte Interamericana de Direitos humanos.”

Aproveitei para conversar um pouco mais com o blogueiro/advogado Tarso Violin. Segue a íntegra da entrevista via e-mail.

Viomundo – De junho, quando você nos deu a primeira entrevista, para cá,  você tentou ainda algum recurso para reverter a condenação?

Tarso Violin — Na via judicial no Brasil praticamente não há mais nada a fazer. Talvez, se for possível uma denúncia na Corte Interamericana de Direitos Humanos, seria possível tentar paralisar a execução das multas no Brasil, mas é muito difícil.

Viomundo – Você ajudou a redigir o pedido de impeachment do governador Beto Richa, devido |à repressão violenta contra os professores do Paraná em greve, em 2014.  Isso pesou contra você?

Tarso Violin — Eu fiz o pedido de impeachment no começo deste ano, e as multas foram aplicadas em 2012. Portanto, o pedido de impeachment em si não pesou.

Mas antes de 2012 eu já fiscalizava o prefeito Beto Richa. Depois, fiz o mesmo com o governador Beto Richa, uma vez que sua administração neoliberal-gerencial é contrária à nossa Constituição, com terceirizações ilícitas, precarização da Administração Pública, retirada de direitos dos servidores públicos e atuações, que, a meu ver, ferem o princípio da moralidade.

Viomundo —  Você tem de levantar quase R$ 200 mil para pagar as multas. Como estão as ações  para ajudá-lo?

Tarso Violin — Veja só. Há uma blogueira cubana [Yoani Sánchez], considerada heroína pelos inimigos do regime social cubano, que reclama da “ditadura” na ilha.  Mas ela pode dizer o que bem entender em seu blog, viajar pelo mundo, descendo o sarrafo no governo de Cuba.

Na “democracia” brasileira, eu poderei ter a minha vida financeira inviabilizada e ficar proibido de passar em concursos públicos, participar de eleições e até tirar de tirar passaporte para viajar ao exterior.

Contra isso foi criado o site de arrecadação e denúncia, onde tem o manifesto dos juristas em apoio à causa, com assinaturas de Celso Antônio Bandeira de Mello, Dalmo de Abreu Dallari, Fábio Konder Comparato, e vários outros juristas, advogados, professores universitários e estudantes de Direito de todo o país. Assim como o manifesto dos comunicadores, blogueiros e internautas, com assinaturas de conceituados jornalistas, blogueiros, artistas, ativistas digitais e internautas que defendem a liberdade de expressão e a democratização da mídia.

Queremos levantar, ainda, a discussão sobre a lei de anistia a essas multas eleitorais, do deputado federal João Arruda (PMDB-PR), que simplesmente está parada no Congresso Nacional. Queremos pressionar para que o PL ande e seja aprovado.

Enquanto isso,  solicito a colaboração financeira e compartilhamento da campanha de todos.

Viomundo – Pretende levar o seu caso ao Conselho Nacional de Justiça ( CNJ)?

Tarso Violin — Há um órgão no CNJ que trata da liberdade de expressão, mas ele não é deliberativo, mas apenas informativo. Entendo que essa estrutura deva ser utilizada não apenas para o meu caso, mas por todos os blogueiros progressistas em casos de denúncias contra a liberdade de expressão.

Viomundo — Cabe ir à Corte Interamericana de Direitos Humanos?

Tarso Violin – Sim. Caso o crowfunding não dê totalmente certo nem haja anistia e eu tenha que pagar essas multas do meu bolso,  vou ter que fechar o Blog do Tarso, que não é pessoa jurídica, não tem finalidade lucrativa e, assim, não haveria sentido na sua manutenção. Esse confisco do Estado e essa limitação à liberdade de expressão são contrários aos direitos fundamentais constitucionais e, portanto, são contrários aos direitos humanos. E isso deve ser denunciado na Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Pretendo denunciar o caso em outras esferas no exterior, assim como a ONGs internacionais que lutam pela liberdade de expressão. Quanto mais gente souber desse absurdo antidemocrático aqui do Brasil, melhor.

Leia também:

Como a Folha fez manchete com insinuação mentirosa para atacar Lula

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Publicação de: Viomundo

Caso Wikipedia/filho de Lula é vingança da PF; show tem que continuar

filho de lula

 

A forma como a mídia apresentou conclusão descabida e maliciosa da Polícia Federal sobre o filho do ex-presidente Lula Luíz Cláudio dá a entender que ele teria entregado uma cópia de material da Wikipédia à empresa M&M em troca de 2,4 milhões de reais.

É uma maluquice. Significa que apesar do valor do negócio, a empresa do filho do ex-presidente sequer se deu ao trabalho de contratar alguém – por uma fração mínima do montante auferido – para produzir alguma coisa mais elaborada.

Ninguém seria tão estúpido. Basta um mínimo de bom senso para perceber que há alguma coisa estranha nessa história.

Começa pelo fato de que, a cada reprodução da reportagem do Jornal Nacional que fez essa denúncia, a história vai sendo cada vez mais distorcida. A reportagem relata conclusão da PF de que “partes do trabalho foram copiadas da internet, em especial do site Wikipédia”.

Na versão que se espalha, porém, o trabalho todo que a LFT Marketing Esportivo, de Luís Cláudio Lula da Silva, prestou à M&M teria sido integralmente extraído da enciclopédia eletrônica.

Como dizem, quem conta um conto aumenta um ponto…

Mas é isso mesmo, o trabalho foi “chupado” integralmente da internet? O que o acusado tem a dizer sobre isso? Como pode uma acusação dessa gravidade, feita em quase cinco minutos de reportagem, não conter o contraponto, o famoso “outro lado”?

O Blog foi atrás de ouvir esse “outro lado”, que, apesar de não parecer, existiu. E contém explicação que, se fosse veiculada pelo telejornal da Globo e pelas outras matérias da imprensa antipetista, permitiria ao menos o benefício da dúvida ao ex-presidente e seu filho.

Em primeiro lugar, vamos entender que o que a PF diz ter sido “o trabalho” da LFT Marketing Esportivo para a Marcondes & Mautoni, de Mauro Marcondes, empresário preso na Operação Zelotes, não é TODO o trabalho e, sim, apenas uma apresentação do trabalho que seria desenvolvido.

Repito: os 2,4 milhões de reais pagos à LFT não decorreram do material que a PF analisou, que foi apenas um briefing, uma apresentação do trabalho que seria prestado.

De acordo com a divulgação de trechos do relatório do IPL nº 1.424/15-4 revelados pela imprensa, a Polícia Federal criticou a qualidade dos trabalhos realizados para a Marcondes & Mautoni pela LFT Marketing Esportivo Ltda, de propriedade de Luís Cláudio Lula da Silva.

Segundo o advogado de Luíz Cláudio, Cristiano Zanin Martins, os relatórios entregues espontaneamente por Luís Cláudio à PF são “apenas uma parte da prestação de serviço contratada pela M&M, e não seu todo”.

Por que foi feita essa armação? Simples: porque a Polícia Federal e o Ministério Público não conseguiram apontar qualquer conduta ilegal de Luís Cláudio em relação aos assuntos investigados na chamada “Operação Zelotes”, mesmo tendo aberto, de modo ilegal, diversos procedimentos investigatórios e recorrido a medidas invasivas já reconhecidas por desproporcionais e ilegais pela Desembargadora Neusa Alves, do TRF da 1ª. Região.

Os fatos relacionados à “Operação Zelotes” são objeto de investigação do MPF através do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) nº4, de 24 de abril de 2014. A despeito disso, a PF instaurou o IPL nº 1.424, em 23 de outubro de 2015, com o mesmo objeto.

Para quem não sabe, não é legal a existência de vários inquéritos para tratar do mesmo objeto. Isso é uma aberração jurídica. Ainda assim, em ambos os procedimentos Luís Cláudio está sendo instado a apresentar as mesmas informações.

Seja como for, a ausência de elementos contra o filho de Lula fez com que o inquérito fosse concluído sem que houvesse qualquer elemento para o indiciamento do acusado.

Sim, é isso mesmo que você leu: a afirmação de que o filho de Lula extraiu da Wikipédia o material pelo qual a M&M teria pago 2,4 milhões de reais foi feita no âmbito da conclusão do inquérito que teria apurado esse “fato”, e esse inquérito foi concluído sem indiciar o filho de Lula.

É mole ou quer mais, leitor? Quer mais? Então vamos lá.

Em primeiro lugar, o material produzido pela LFT para a fase dos trabalhos que prestou à M&M e que foi analisado pela PF não se trata de obra concluída. O material que a PF analisou foi feito para avaliar e traçar cenários de mercado e tendências, considerando o objeto da contratação.

Todavia, foi interrompido o fluxo do trabalho por dificuldades enfrentadas pela contratante, a M&m, já que seu proprietário foi preso pela Operação Zelotes. O trabalho no valor de 2,4 milhões de reais, se fosse totalmente desenvolvido, seria muito maior e mais complexo.

Antes de mais nada, há que explicar que o know-how da LFT e da Touchdown Promoções de Eventos Esportivos Ltda – outra empresa de Luís Cláudio – e a compatibilidade dos valores por estas movimentados no seu mercado setorial foi objeto de análise e parecer do Professor Carlos Roberto Ferreira Ayres, da LA Consultores, e professor de Finanças Empresariais e de Mercado Financeiro das Faculdades de Economia e Administração de Empresas da Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP).

O trabalho da consultoria em questão comprova que duas empresas do filho de Lula são pioneiras na promoção e patrocínio do Futebol Americano no Brasil.

O estudo em questão revela que a LFT e Touchdown têm potencial para a exploração de um mercado avaliado em US$ 20 bilhões em 2013, nos Estados Unidos, e de cerca de US$ 1,26 bilhão anuais no País, o que equivaleria a 30% apenas do potencial de patrocínio projetado para a América Central e do Sul, com base na estimativa da empresa norte-americana IEG LLC.

Pelo Relatório da IEG (Sponsorship Report), especializada em informações estratégicas de marketing, o futebol americano fica com 70% das verbas globais de patrocínioOs trabalhos da LFT para a M&M voltaram-se a explorar exatamente esse potencial.

A defesa de Luiz Cláudio apresentou às autoridades o teor completo do que seria o trabalho da LFT para a M&M, mas, claro, a nossa “gloriosa” mídia antipetista não se preocupou em oferecer tais informações ao público.
Confira abaixo, portanto, em que consistiria o trabalho a ser prestado pela LFT à M&M:

Estudo 1

Focou a estratégia de associar uma marca/empresa ao esporte, como fator gerador de grande impacto público. O estudo apontou as diversas vantagens das empresas em patrocinar esportes, tais como “alternativa à mídia convencional”, “reforço ou construção da imagem institucional”, “segmentação do público-alvo”, “rejuvenescimento da imagem”, “diversificação das metas estratégicas de propaganda” etc. O estudo mostrou também a necessidade de serem observadas diversas fases até a implantação do projeto de associação da marca ao esporte, tais como: “escolha dos líderes” – exemplos de personalidades e o perfil de cada uma (inspirador, autoritário, coercitivo, paternal etc); importância da “comunicação e divulgação, indicado os diversos meios; escolha do torneio, e, ainda, a realização de “avaliação final”;

Estudo 2

Tratou das oportunidades das Olimpíadas de 2016, no âmbito do marketing esportivo. Abordou características do Rio de Janeiro e do megaevento, detendo-se nos legados que resultarão das Olimpíadas e seus impactos. Apontou patrocinadores e apoiadores do evento, os “pacotes de mídia” existentes e o papel das mídias sociais. A partir desse quadro, delinearam-se as oportunidades efetivas geradas pelo megaevento e a possibilidade de criar “legado proprietário”, a criação da “casa dos países”, de forma que “as montadoras internacionais consigam utilizar desde o começo o processo das olimpíadas e consolidar a percepção de que as melhores marcas se fazem presentes;

Estudo 3

Verteu sobre a avaliação da “viabilidade de ações de patrocínio das arenas construídas para a Copa do Mundo”. O trabalho envolveu uma análise sobre as múltiplas funções de uma arena. Alguns dados geográficos e demográficos para o estudo são públicos e estão presentes na internet. Também foi abordada a média de público em cada arena nos torneios nacionais realizados em 2014. Enfrentou-se, também, as experiências de outros países no uso de arenas construídas para alguns eventos esportivos;

Estudo 4

Abordou o impacto da Copa do Mundo no desempenho de empresas patrocinadoras, descrevendo o que deve “servir de exemplo e referência” para qualquer companhia interessada nesse tipo de apoio. Destacou os fatores macro e microeconômicos que são determinantes no processo de patrocínio. O trabalho abordou a “Trajetória da imagem da Copa do Mundo no Brasil”, citando pesquisa Datafolha realizada em 2008, um ano após o País ser indicado como sede do evento. O estudo avaliou a trajetória da percepção dos brasileiros, que apoiaram e depois rejeitaram a iniciativa. E, ao final, fez a conexão com o segmento automobilístico, mostrando que a cadeia de valor dessa indústria tem potencial para colher os benefícios de grandes patrocínios considerando:

1. o fato de o automóvel estar vinculado aos consumidores no universo dos desejos;

2. existir intrinsecamente um desejo de compra do bem pelos consumidores;

3. os grandes centros urbanos serem foco de consumo de veículos e de informação esportiva;

4. as concessionárias poderem ser pontos de apoio e territórios esportivos colhendo os benefícios do fluxo de consumidores.

A Touchdown – promotora do Futebol Americano – e a LFT, especializada em ferramentas de marketing esportivo, são as duas maiores empresas no segmento brasileiro, em desenvolvimento.

Do torneio promovido pela Touchdown participam Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo, Santos, Corinthian e Portuguesa. Fazem ainda parte dos campeonatos regionais o Juventude (RS), T-Rex (SC), Vila Velha – Tritões (ES) e Tubarões do Serrado (DF). Times de inquestionável expressão em seu setor.

Dada a força do mercado no torneio administrado pela Touchdown, nada mais natural “que os investimentos em marketing esportivo voltados ao futebol americano se concentrem na LFT, face a natural complementaridade entre as atividades das duas empresas”, diz Carlos Ayres, autor do estudo feito para sustentar a lisura da atividade das empresas do filho de Lula.

A defesa de Luíz Clúdio informa, também, que os valores recebidos por seu cliente enquadram-se nas faixas de atuação em seu mercado e ele já informou à PF que destinou expressiva parte do montante recebido à realização dos Torneios Touchdown.

Luiz Cláudio pode provar isso, segundo sua defesa. Ou seja: os 2,4 milhões não foram pagos em troca de um papelucho copiado da internet, como quer fazer a matéria da Globo e as que repercutem essa tese maluca.

Mas o mais importante é que essa celeuma toda foi feita sem que tivesse havido indiciamento de Luíz Cláudio. Ora, dada a forma como a história da Wikipédia foi apresentada, no mínimo o inquérito onde essa versão surgiu deveria ter sido concluído com o indiciamento do acusado, mas não foi o que ocorreu.

A história da Wikipédia, no entender da defesa de Luíz Cláudio, não passa de uma vingança da PF por não ter conseguido reunir prova alguma contra o acusado que permitisse seu indiciamento. Assim, esse setor da PF teria optado por causar um “prejuízo de imagem” não o filho de Lula, mas ao pai dele.

Além disso, a intenção da PF teria sido oferecer um elemento para abrir mais uma investigação, apesar das outras em curso, apesar de que todas deveriam estar reunidas em um processo só, de acordo com a lei.

A fonte que conversou com o Blog deu uma explicação prosaica, porém muito eloquente, para essa aparente armação que procura transformar em escândalo uma investigação que foi concluída sem dar em nada:

“O show tem que continuar”

*

PS: conheça o trabalho das empresas do filho de Lula em matéria do jornal O Globo que você pode ler clicando aqui

Publicação de: Blog da Cidadania

Como a Folha fez manchete com insinuação mentirosa para atacar Lula

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A Folha mia para o banqueiro e late para o Lula

A Folha errou

29/11/2015 02h00

Luciano Coutinho, na Folha

No primeiro dia deste mês, a manchete desta Folha foi a reportagem “BNDES suavizou exigências para socorrer amigo de Lula”, na qual o jornal afirma que o banco contornou norma interna que impediria conceder empréstimos para empresa cuja falência tenha sido requerida.

A matéria insinua que o objetivo seria dar tratamento privilegiado à empresa São Fernando Energia e a seu acionista José Carlos Bumlai por conta de uma suposta relação com o ex-presidente Lula.

Não houve nenhuma flexibilização de normas internas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A operação referida pela Folha foi feita na modalidade indireta, em que o BNDES atua em parceria com bancos credenciados.

Nesse caso, a análise do crédito e o risco de inadimplemento (pagar os valores devidos caso o mutuário não o faça) são assumidos pelos agentes repassadores, que foram BTG e Banco do Brasil. Em particular, cabem aos agentes atestar que fizeram a análise cadastral, o que incluiu identificar e avaliar processos judiciais e apontamentos que ameacem a solvência do postulante final.

O jornal tentou fazer crer que a operação seria irregular em razão da suposta existência de uma norma interna que vedaria financiar uma pessoa jurídica contra a qual exista um pedido de falência. O normativo em questão, contudo, tem sua finalidade ligada intimamente à etapa de análise de crédito, que, repita-se, nas operações indiretas não cabe ao BNDES, mas aos repassadores da operação.

A Folha não tinha nenhum indício de que teria havido tráfico de influência, mas tentou por dias encontrar algo atípico na operação. Não encontrou nada, mas nem assim deixou de levar sua insinuação à frente.

O jornal também ignorou o contexto em que os financiamentos ao grupo ocorreram. O primeiro, em 2008, aconteceu em um período de crescimento do setor, quando o BNDES e outras instituições financeiras apoiaram dezenas de empreendimentos semelhantes.

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Nas operações da São Fernando Açúcar e Álcool, todos os procedimentos foram observados, as devidas garantias exigidas, o rating e o cadastro da empresa eram bons. O projeto foi concluído.

Em 2012, o financiamento indireto à São Fernando Energia ocorreu como parte da reestruturação do grupo, o que melhorou a posição de crédito do BNDES. Quando a empresa deixou de honrar com sua recuperação judicial, o banco não hesitou em pedir sua falência.

O erro da Folha foi grave, pois lançou uma suspeição indevida sobre o BNDES, que se espalha nas redes sociais e contribuiu para associar o nome do banco a operações policiais.

Para ser aprovado, um financiamento no BNDES passa pela avaliação de pelo menos duas equipes de análise e dois órgãos colegiados, num processo que envolve mais de 50 pessoas. Ingerências impróprias são virtualmente impossíveis.

O banco tentou em vão por 25 dias obter uma retratação da Folha. A concessão foi abrir este espaço de artigos, que não tem o mesmo impacto de uma manchete de domingo.

Embora a nova Lei de Direito de Resposta seja um avanço, optamos por não nos valer de seus mecanismos judiciais para reestabelecer mais rapidamente os fatos para os leitores.

O BNDES não teme o debate e nem ser avaliado por suas opções estratégicas. Mas as informações precisam ser fidedignas para que a discussão seja justa.

LUCIANO COUTINHO, 69, economista e professor da Unicamp, é presidente do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

Leia também:

Jânio de Freitas: Cerveró levou propina da Alstom durante o governo FHC

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Publicação de: Viomundo

Escolas ocupadas: “Estudantes e comunidades nunca mais serão os mesmos”, creem educadores

escola ocupada

Nas ocupações, alunos valorizam escolas contra um discurso de ataque à coisa pública

LIÇÕES QUE FICAM

‘Estudantes e comunidades nunca mais serão os mesmos’

Legado político e pedagógico das ocupações das escolas de São Paulo já podem ser projetados, acreditam educadores

Gisele Brito, especial para Observatório da Sociedade Civil, via RBA, sugerido por Emílio Lopez

Menos de 20 dias depois do início da primeira ocupação de uma escola estadual, em Diadema, o movimento de estudantes que tentam impedir o fechamento de 94 unidades de ensino segue forte em várias cidades de São Paulo. A ação obrigou o governo do estado a cancelar o Saresp nas escolas tomadas, mudar locais de provas da Fuvest e enfrentar uma contundente derrota no Judiciário, que entendeu que, de fato, faltou diálogo com estudantes e professores que sofreriam os impactos da medida e, por isso, as reintegrações de posse não seriam adequadas.

O governo ainda resiste em dar aos estudantes o que eles querem e insiste na “reorganização”, inclusive gastando R$ 9 milhões para tentar encucá-la na população por meio de publicidade.

Dado o histórico pouco afeito ao diálogo do governador Geraldo Alckmin (PSDB), talvez, as escolas realmente sejam fechadas. Mas para educadores ouvidos pelo Observatório, as lições que ficam do movimento já são perenes.

Nas escolas ocupadas, os estudantes têm manifestado satisfação em aprender novos conteúdos a partir da experiência política, cultural e colaborativa. Eles assumem várias facetas do protagonismo. Além de terem de cuidar da rotina, o que inclui se reunir, deliberar e cuidar da segurança, alimentação, limpeza, programação, comunicação e solução de conflitos internos, ainda assumiram papel político de peso na atual conjuntura.

“É uma mobilização ímpar. Ultrapassa tudo que poderíamos pensar em planos de ensino”, avalia a pedagoga e doutoranda em educação Crislei de Oliveira Custódio. “Mais que qualquer proposta construtivista, é uma experiência política de fato. Nas escolas construtivistas, há toda uma programação para o protagonismo, mas que acaba sendo um simulacro do que seria uma experiência democrática em um espaço público. Nesse caso, é mais interessante porque partiu dos alunos, eles estão se organizando nessas coisas cotidianas. Nas escolas construtivistas, ainda é preciso uma permissão do adulto, que decide o que será democratizado”, pondera.

Para o educador Ruivo Lopes, da Ação Educativa, o movimento deixa claro que não se deve subestimar nenhuma criança ou adolescente ao se pensar em políticas públicas, especialmente na educação. “A mensagem que fica é que esses estudantes têm projeção de vida, desejos próprios e condições de intervir na sua própria realidade. Eles já venceram todo o aparato de subestimação”, argumenta.

Os dois educadores ainda ressaltam como a iniciativa dos secundaristas é carregada de valorização das escolas, em um momento em que há um discurso deliberado contra as coisas públicas. A explicitação de um senso de pertencimento fortalece as unidades mobilizadas como equipamento público, fincado no coração das comunidades, que vão além da sala de aula. São locais de encontro, de troca, de lazer. Educativas em sentido muito mais amplo.

Além disso, o movimento conseguiu realizar um dos grandes objetivos de currículos escolares: trazer a comunidade para dentro da escola. Isso fica explícito na mobilização de pessoas para colaborar com aulas e oficinas, que têm mantido efervescente o ambiente das escolas ocupadas, mesmo nos finais de semana.

“Tanto já se falou em trazer as pessoas para a escola, usando festas, criação de conselhos e outros mecanismos. Sempre foi muito difícil, porque em geral a gente identifica como instituição do Estado e não como coisa pública, nossa. Um milhão de pessoas já escreveram sobre isso. E aí, numa coisa super de uma hora para outra, que não era um projeto do governo, se consegue”, ressalta Crislei. “Fico pensando como serão essas escolas depois da ocupação. Certamente é um divisor de águas”, aponta a pedagoga.

“Eles não voltam a ser os mesmos. E se as escolas derem espaço, elas serão transformadas para aquilo que sempre desejamos nos processos educativos”, acredita Ruivo.

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Publicação de: Viomundo

O que o procurador não procurou: Cerveró levou propina da Alstom durante o governo FHC; Brasil engavetou investigação, mas Suiça confiscou dinheiro

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Delcídio para nós

por Janio Freitas, na Folha, sugerido pelo FrancoAtirador

As dúvidas sobre a propriedade da prisão de Delcídio do Amaral, decretada por cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, vão perdurar por muito tempo. Assim como a convicção, bastante difundida, de que a decisão se impôs menos por fundamento jurídico e equilíbrio do que por indignação e ressentimento com a crença exposta pelo senador, citando nomes, na flexibilidade decisória de alguns ministros daquele tribunal, se bem conversados por políticos.

Às dúvidas suscitadas desde os primeiros momentos, estando o ato do parlamentar fora dos casos de prisão permitida pela Constituição, continuam tendo acréscimos. O mais recente: Delcídio planejou a obstrução judicial que fundamentou a prisão, mas não a consumou. E entre a pretensão ou tentativa do crime e o crime consumado, a Justiça reconhece a diferença, com diferente tratamento.

A sonhadora reunião de Delcídio até apressou a delação premiada de Nestor Cerveró, buscada sem êxito pela Lava Jato há mais de ano. Ali ficou evidente que seu advogado Edgar Ribeiro estava contra a delação premiada. Isso decidiu o ex-diretor da Petrobras, temeroso, a encerrar aceitá-la, enfim.

Em contraposição às dúvidas sem solução, Delcídio suscitou também temas e expectativas que tocam a preocupação ou a curiosidade de grande parte da população. Sabe-se, por exemplo, que Fernando Soares, o Baiano, ao fim de um ano depositado em uma prisão da Lava Jato, cedeu à delação premiada. O mais esperado, desde de sua prisão, era o que diria sobre Eduardo Cunha e negócios com ele, havendo já informações sobre a divisão, entre os dois, de milhões de dólares provenientes de negócios impostos à Petrobras.

Informado dos depoimentos de Baiano, eis um dos comentários que o senador faz a respeito: ele “segurou para o Eduardo”. Há menções feitas por Baiano que não foram levadas adiante pela escassa curiosidade dos interrogadores. Caso, por exemplo, de um outro intermediário de negociatas citado por Baiano só como Jorge, sem que fossem cobradas mais informações sobre o personagem e seus feitos. Mas saber tudo o que há de verdade ou de fantasia em torno do presidente da Câmara é, neste momento, uma necessidade institucional e um direito de todo cidadão.

Se Fernando Baiano “segurou para Eduardo Cunha”, a delação e os respectivos prêmios -a liberdade e a preservação de bens- não coincidem com o que interessa às instituições democráticas e à opinião pública. E não se entende que seja assim.

Entre outras delações castigadas de Delcídio, um caso esquisito. Investigadores suíços confirmaram, lá por seu lado, que Nestor Cerveró tinha dinheiro na Suíça. Procedente de suborno feito pela francesa Alstom, na compra de turbinas quando ele trabalhava com Delcídio, então diretor Gás e Energia da Petrobras em 1999-2001, governo Fernando Henrique. A delação do multipremiado Paulo Roberto Costa incluiu o relato desse suborno. Mas a Lava Jato não se dedicou a investigá-lo e o procurador-geral da República o arquivou, há oito meses. Os promotores suíços foram em frente.

Na reunião da fuga, Delcídio soube com surpresa, por Bernardo, que Cerveró entregara o dinheiro do suborno ao governo suíço, em troca de não ser processado lá. É claro que a Lava Jato e o procurador-geral da República estiveram informados da transação. E contribuíram pela passividade. Mas o dinheiro era brasileiro. Era da Petrobras. Foi dela que saiu sob a forma de sobrepreço ou de gasto forçado. Não podia ser doado, fazer parte de acordo algum. Tinha que ser repatriado e devolvido ao cofre legítimo.

A Procuradoria Geral da República deve o esclarecimento à opinião pública, se fez repatriar o dinheiro do suborno ou por que não o fez. E, em qualquer caso, por que não investigou para valer esse caso. Foi ato criminoso e os envolvidos estão impunes. Com a suspeita de que o próprio Delcídio seja um deles, como já dito à Lava Jato sem consequência até hoje.

Mas não tenhamos esperanças. Estamos no Brasil e, pior, porque a ministra Cármen Lúcia, no seu discurso de magistrada ferida, terminou com este brado cívico: “Criminosos não passarão!” [toc-toc-toc, esconjuro] Foi o brado eterno de La Passionaria em Madri, que não tardou a ser pisoteada pelos fascistas de Franco. De lá para cá, em matéria de ziquizira, só se lhe compara aquele [ai, valei-me, Senhor] “o povo unido jamais será vencido”, campeão universal de derrotas.

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Publicação de: Viomundo

Beatriz Cerqueira: Samarco está fazendo terrorismo econômico em Mariana e região

beatriz cerqueira

Outro caminho: “Esse modelo não serve à população. Só nos trouxe morte, devastação, destruição”

CUT Minas quer CPI para investigar mineração nos governos do PSDB

Presidenta da central no estado diz que é preciso apurar responsabilidades e omissões na tragédia de Mariana e combater a influência do poder econômico das mineradoras sobre a política

por Redação RBA publicado 27/11/2015 11:42, sugestão de Marize Muniz

São Paulo – Para a presidenta da CUT de Minas Gerais, Beatriz Cerqueira, o maior crime ambiental da história do Brasil, cometido pela Samarco, Vale e BPH, em Mariana, sintetiza as consequências do modelo de privatização praticado durante o período de Fernando Henrique Cardoso na Presidência. A entidade se mobiliza para que a Assembleia Legislativa mineira instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue a atividade de mineração no estado, seus beneficiários e as omissões na fiscalização que resultaram na tragédia.

Em entrevista ontem (26) à Rádio Brasil Atual, Beatriz afirmou a necessidade de se enfrentar o poder econômico e aponta que muitos políticos tiveram suas campanhas financiadas pelas mineradoras, o que compromete a atividade legislativa e fiscalizatória sobre o setor.

“O algoz está se transformando na vítima, e a vítima se transformando em culpada pelo crime que aconteceu, a ponto de termos, na cidade, manifestação a favor da continuidade da mineração sem nenhuma modificação na política”, detalha a dirigente à repórter Marilú Cabañas, ao denunciar a influência do poder econômico das empresas do setor instaladas em Minas.

“É importante fazer o enfrentamento ao que a Samarco e a Vale hoje fazem em Mariana. Essas empresas controlam todo o processo relacionado ao crime que elas mesmas cometeram. Elas controlam a cena do crime, o acesso dos jornalistas ao local, a relação dos atingidos por esse crime. Inclusive impedem que os movimentos populares e sociais tenham acesso”, denuncia a presidenta da CUT-MG.

Ela espera que a instalação de uma CPI apure a fundo as condições da mineração no estado, nos últimos 12 anos de administração tucana, de 2002 a 2014, quando 12 pedidos de investigação do setor foram arquivados, durante as administrações de Aécio Neves e Antônio Anastasia. “Acho essencial que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais dê uma resposta mais concreta ao que está acontecendo. E essa resposta concreta, não tenho dúvidas, seria uma CPI.”

Beatriz denuncia também a precarização das relações de trabalho no setor da mineração, lembrando que os trabalhadores vitimados na tragédia em Mariana sequer tinham vínculo direto com as empresas Samarco, Vale e BPH, pois eram terceirizados.

A presidenta da CUT-MG questiona o resultado da privatização no mineração. “A venda do patrimônio brasileiro serviu para quê? Para Minas Gerais, além de ter significado a transferência da nossa riqueza para a iniciativa privada e bilhões de reais em lucro, significou também a morte das pessoas, da comunidade, do rio Doce, com o comprometimento da bacia que atinge mais de 200 municípios mineiros. É um crime de dimensões que ninguém ainda consegue descrever completamente.”

Ouça a entrevista:

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Publicação de: Viomundo

Ignacio Delgado: Petistas de Santa Luzia enchem o meu coração de esperança

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Campanha do PT na década de 1980

DE SANTA LUZIA A DELCÍDIO

Ignacio Godinho Delgado, especial para o Viomundo

Em 9 de julho de 2015 fui convidado a debater com o Núcleo do PT de Santa Luzia, em Juiz de Fora, os rumos da reforma política que tramitava no Congresso e o andamento da crise política que acuava o governo Dilma. Acossado por um pessimismo visceral, enchi-me de esperança ao ver que, no bairro da cidade sempre nomeado como o “berço do PT em Juiz de Fora”, velhas práticas, há muito desparecidas da vida partidária, ainda se sustentavam.

Em Santa Luzia o PT não se converteu num partido cartorial, mas subsiste como um organismo vivo, reunindo pessoas para debater política e organizar sua atuação, como imaginávamos, ao final da década de 1970, deveria ser um partido “de tipo novo”, capaz de operar como um instrumento dos trabalhadores para fazer valer seus interesses, no dia a dia, e para a construção de um projeto de país que reduzisse a desigualdade e forjasse uma Nação justa e solidária.

Na reunião, a perplexidade era geral, com os seis meses de desacertos do governo Dilma, enredado numa política de ajuste desenvolvida sem qualquer debate com seus parceiros sociais, tropeçando na articulação política no parlamento e inoperante na comunicação.

Ademais, persistia o movimento golpista, liderado pela mídia, sustentado pela oposição parlamentar e encorpado pelas manifestações domingueiras das hordas fascistas, germinadas pela diuturna pregação do ódio efetuada por meios de comunicação oligopolizados, alinhados com a direita.

A expectativa geral, que subsistiu durante todo o mês de julho, era de que, em agosto, se projetava um desfecho, com a deflagração do processo de impedimento de Dilma, o que exigiria uma firme resposta dos petistas e dos movimentos sociais, apesar de acabrunhados pelos desacertos do governo.

Saí da reunião revigorado, certo de que tal resposta viria. Em agosto frustrou-se o golpe, um tanto pela ocorrência da reação orquestrada por entidades como a CUT, mas principalmente pela percepção, entre lideranças empresariais, de que o cenário de incerteza a ser aberto com um eventual afastamento de Dilma poderia ser, digamos, muito ruim para os negócios.

A isso se somava a falta de unidade da oposição, com diferentes projetos e cálculos políticos, esvaziando a disposição aventureira de Aécio Neves, Carlos Sampaio, Roberto Freire, Ronaldo Caiado, Paulinho da Força e Gilmar Mendes, para nomear apenas alguns dos personagens mais truculentos da direita brasileira.

O próximo encontro com a tentativa de golpe foi ao final de outubro, a partir da orquestração entre Eduardo Cunha e a oposição, no sentido de revisar os procedimentos de deflagração do processo de impedimento, logo esvaziados pelo STF. A partir daí, com Eduardo Cunha acuado pelas exuberantes evidências de seus elos com o esquema de corrupção armado contra a Petrobrás, tudo parecia indicar a possibilidade de uma mudança de rumo e de ambiente.

O ano já nem parecia tão perdido para a luta em favor do aprofundamento da democracia, da defesa dos interesses nacionais e a da preservação dos direitos do trabalho. Conquanto os elos entre os oligopólios da mídia e a representação parlamentar continuem a desautorizar qualquer esperança numa reforma democrática da comunicação social no Brasil, a vulnerabilidade dos políticos diante da ação da imprensa, frequentemente destruindo reputações com denúncias sem provas, resultou na aprovação do direito de resposta, que serve como um contrapeso ao comportamento irresponsável da mídia.

Noutra frente, a decisão do STF eliminou o financiamento privado das campanhas eleitorais, prenunciando a possibilidade da constituição futura de representações políticas mais afinadas com a cidadania e esvaziando uma das raízes mais importantes de processos de corrupção.

Além disso, a revisão do marco regulatório do Pré-Sal e a introdução da terceirização em atividades fins, duas medidas cruciais para a direita, centrais aos propósitos entreguistas e à perspectiva de retomada do crescimento a partir da precarização das relações de trabalho, não prosperaram como se imaginava no congresso e, por certo, se viessem a ser, eventualmente, bem-sucedidas em sua tramitação parlamentar, seriam vetadas pela presidenta Dilma.

Por fim, nas ruas minguavam as ações fascistas e ganhavam proeminência o movimento das mulheres contra o conservadorismo e Cunha, a ação dos estudantes de São Paulo contra a fúria obscurantista de Alckmin, as mobilizações promovidas por articulações como a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo. No âmbito do governo, até sinais de revisão na política de ajuste sugeriam a perspectiva de um final de ano mais sereno e um 2016 mais promissor. Os ventos pareciam soprar em direção diversa do que se verificara até antão, ao longo deste tempestuoso 2015…

Neste momento aparece a gravação do senador Delcídio como uma bomba a embaralhar novamente todo o jogo. Embora sua divulgação não tenha partido da Operação Lava a Jato, seu impacto seria de proporção diversa se as investigações ligadas a essa última tivessem o interesse efetivo de apenas desbaratar a quadrilha que se instalou na Petrobrás desde meados da década de 1990 (senão antes), conforme diversos pronunciamentos dos delatores premiados.

Isso, sem dúvida, favoreceria o debate amplo sobre a necessária revisão dos dispositivos licitatórios nas relações entre o poder público e as empresas, bem como sobre a estrutura de governança das estatais, na esteira da punição aos envolvidos em processos de corrupção, independente do partido aos quais pertençam.

Se assim o fosse, estaríamos colhendo frutos positivos para as mudanças institucionais capazes de mitigar os mecanismos geradores da corrupção.  Mas não…

Apesar da abundância de indícios a vincular políticos de oposição ao mesmo esquema de financiamento de campanhas no Brasil, inclusive o da Petrobrás, e dos inúmeros casos de corrupção protagonizados por figuras destacadas da direita política, o que se  vê é a seletividade nos vazamentos dos delatores da Lava a Jato; sua ocorrência em momentos chave do processo político, para responder ou esvaziar ações e eventos negativos para a direita; a estranha reorientação de uma operação como a Zelotes, convertida numa operação menor de perseguição a Lula, desdenhando de seu propósito original, que acabaria por alcançar figuras destacadas da burguesia brasileira, em conluios corruptos que sustentam a prática da sonegação; os estranhos e ilegais elos que existem ligando segmentos da Polícia Federal, do judiciário e a mídia, sob a vista complacente do Ministério da Justiça e do próprio poder judiciário;  a construção de um discurso que mira apenas criminalizar uma agremiação política, o PT, tomada como o inimigo do povo no discurso fascista que aborda o fenômeno da corrupção como um traço da natureza de tal agremiação, que só pode, então, ser extirpada.

Espera-se que, de alguma forma, se desperte a consciência democrática contra este cenário e possamos punir culpados e debater as raízes e os remédios institucionais contra a corrupção. Já os petistas que se nutrem do espírito de Santa Luzia esperam do partido a punição cabal dos envolvidos em processos de corrupção, responsáveis diretos pelos achaques diários a que têm sido submetidos militantes e filiados, além de candidatos a coveiros do mais importante instrumento construído pelos trabalhadores brasileiros para corrigir as iniquidades que marcam a trajetória do capitalismo no país.

a é petista da primeira hora. É Professor Titular da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), nas áreas de História e Ciência Política, e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia-Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (INCT-PPED). Doutorou-se em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1999, e foi Visiting Senior Fellow na London School of Economics and Political Science (LSE), entre 2011 e 2012.

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Publicação de: Viomundo

Gerson Carneiro: Dilma governando com o inimigo; veja o vídeo

Da Redação

Em 28 de abril de 2014, o  senador Delcídio Amaral (PT-MS) concedeu entrevista ao  ao programa Tribuna Livre, da FM Capital (95,9), de Campo Grande.

Questionado se a queda de Dilma nas pesquisas por causa das denúncias de corrupção na Petrobras afetaria a sua candidatura, Delcídio, gaguejando, respondeu: “A minha candidatura é bem descolada [de Dilma]…”

Gerson Carneiro nos enviou o vídeo com essa fala acompanhado desta mensagem:

Estando ciente desse posicionamento, será que Dilma nomearia Delcídio líder do seu governo? Ou foi por falta de aviso? O fato é que Dilma passou esse tempo todo governando com o inimigo. Quem precisa de inimigo quando se tem aliado que se descola como ele”

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Publicação de: Viomundo

Viomundo desmascara nota de presidente da Assembleia: “Aliados de Alckmin são cúmplices do fechamento das escolas”, acusa o deputado Rillo

Painel

Capez, presidente da Alesp, anuncia o resultado da votação da emenda 20; acima dele o painel com os votos dos deputados

 por Conceição Lemes

No dia 22 de novembro, o Viomundo denunciou: Deputados pró-Alckmin aprovam fechamento das 94 escolas; PT, PCdoB e PSOL foram contra; quem são os inimigos da rede pública.

O resultado caiu como bomba nas redes sociais.

Cobrados por estudantes, pais e professores de cidades que terão escolas fechadas em 2016, vários deputados acusaram o golpe. Entre eles, Luiz Fernando Machado (PSDB/região de Jundiaí), Carlos Cézar (PSB/região de Sorocaba) e a deputada Maria Lúcia Amary (PSDB/sudoeste do Estado e Sorocaba).

deputado Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), soltou o comunicado abaixo (os grifos são nossos):

Emenda 20 capez chia 1

Diante da tentativa de Capez  de desmentir a denúncia do Viomundo, algumas perguntas são inevitáveis sobre o teor do seu comunicado:

–  Será que o deputado não teria entendido direito a matéria?

– Ou estaria sofismando, pois, como os tucanos em geral, sabe que conta com a benevolência e a blindagem da imprensa?

–  Ou teria recorrido à nota para aliviar a barra dos seus colegas junto às respectivas bases,  já que ficaram mal na foto?

– Ou estaria com amnésia súbita em relação ao tema que foi votado na Assembleia no final da noite de 18 novembro, quando ele presidia a sessão?

– Ou estaria com um surto da famosa síndrome do filho feio não tem pai?

– Ou seria tudo isso junto e misturado?

Aos fatos.

Em nenhum momento, a reportagem do Viomundo  disse que se tratava de projeto de lei específico sobre a  malfadada “reorganização” escolar do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Tratamentos, isto sim, da emenda nº 20 ao PL do fundo de pobreza, cujo objetivo era impedir a “reorganização”, consequentemente proibir o fechamento de 94 escolas da rede pública estadual de ensino.

Em nota (na íntegra, ao final), o deputado estadual João Paulo Rillo (PT) contesta Fernando Capez.

“O presidente, estranhamente, desconhece no comunicado o debate e a votação sobre o tema, ocorridos na Assembleia Legislativa, embora tenha presidido a sessão”, atenta.

Na nota, Rillo “reafirma a responsabilidade dos parlamentares aliados de Geraldo Alckmin como cúmplices do fechamento de escolas, anunciado pela Secretaria Estadual da Educação”.

AJUDANDO A REFRESCAR  A MEMÓRIA DOS ALIADOS DE ALCKMIN

Em seu comunicado, Capez diz que deputados aliados vêm alegando a inexistência de votação sobre o fechamento das escolas.

Primeiro, os deputados sabem que não isso procede.

Segundo, como observa Rillo em sua nota, “dificilmente alguém poderia se manter indiferente ao tema, com quase 200 escolas ocupadas e um ruidoso debate travado em todo o Estado”.

Em 28 de outubro deste ano, vale relembrar, Alckmin enviou à  Alesp dois projetos de lei acoplados:

*O PL nº 1404/2015, reduzindo o ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias) para remédios genéricos (18% para 12%) e aumenta o da cerveja (de 18% para 23%) e o do fumo (de 25% para 30%).

*O PL nº 1.405/2015, instituindo o Fundo Estadual de Combate à Pobreza do Estado, cujos recursos virão do aumento do ICMS para a cerveja e o fumo.

Com base na justificativa  do PL do fundo de pobreza, a bancada do PT, apoiada pelos deputados do PSOL e do PCdoB, apresentou uma emenda, para tentar impedir a “reorganização” escolar de Alckmin, que levará ao fechamento de 94 escolas e à reestruturação de outras 782 unidades.

A emenda, que recebeu o número 20, acrescentaria um terceiro artigo ao projeto de lei 1.405/2015.

A emenda 20 vedava explicitamente “qualquer reorganização ou readequação” que leve ao fechamento de escolas, diminuição de salas, especialmente no horário noturno (os grifos são nossos).

Emenda 20 - capez chia

Os  dois projetos — 1.404 e 1.405 —  foram aprovados na 74ª sessão ordinária da Alesp, realizada em 18 de novembro.

Em seguida, na mesma sessão, os deputados votaram  as emendas ao PL nº 1.405/2015, entre as quais a nº 20como mostra o resumo da ordem do dia de 18 de novembro de 2015.

Abaixo apenas o que diz respeito à emenda nº 20, desde o momento em que o deputado Carlão Pignatari (PSDB) a coloca em votação até ser rejeitada pelo plenário.

Emenda 20 - capez chia 2

João Paulo Rillo é quem encaminha a favor da aprovação da emenda nº 20, em nome do PT. Abaixo, em vídeo, parte da sua fala na tribuna da Casa.

O próprio deputado Fernando Capez é quem anuncia o resultado:

O SR. PRESIDENTE – FERNANDO CAPEZ – PSDB – Sras. Deputadas, Srs. Deputados, participaram do processo de votação 55 Srs. Deputados: 47 votaram “não”, mais este deputado na Presidência, quorum suficiente para rejeitar a Emenda 20, Item 4 da votação. Em votação as demais emendas.

Ou seja, por 47 votos a 7, a base do governo Alckmin rejeitou a emenda nº 20. As bancadas do PT, PCdoB e Psol votaram a favor.

A emenda nº 20 vedava explicitamente “qualquer reorganização ou readequação” que leve ao fechamento de escolas, diminuição de salas, especialmente no horário noturno.

Logo, votar contra a emenda 20 significou votar, sim, a favor do fechamento das 94 escolas e da reestruturação de outras 782.

Foi o que fizeram 47 deputados da base do governo Alckmin — o PSDB em peso– , que rejeitaram a emenda que proibia o fechamento das 94 escolas, demonstrando que são inimigos, sim, da rede pública de ensino.

Por isso, reproduzimos, de novo, a lista dos deputados que votaram contra a emenda nº 20.

Veja quem são os 47 inimigos da rede pública de ensino no Estado de São Paulo

inimigos da escola publica

Nota do deputado João Paulo Rillo (PT-SP) sobre votação de emenda contra o fechamento de escolas

da assessoria do parlamentar, via e-mail

“O deputado João Paulo Rillo contesta o comunicado do dia 24 de novembro do presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez, e reafirma a responsabilidade dos parlamentares aliados de Geraldo Alckmin como cúmplices do fechamento de escolas, anunciado pela Secretaria Estadual da Educação. O presidente, estranhamente, desconhece no comunicado o debate e a votação sobre o tema, ocorridos na Assembleia Legislativa, embora tenha presidido a sessão.

Os deputados tiveram a oportunidade de se manifestarem contrários ao fechamento de escolas ao votarem, no dia 18 de novembro, emenda de iniciativa da bancada do PT ao artigo 3º do projeto de lei 1.405/2015, sobre a criação do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza. A emenda pretendia vedar “qualquer reorganização ou readequação da Rede Estadual de Educação que implique fechamento de unidades escolares, decréscimo da oferta de salas”, reconhecendo que o combate e a erradicação da pobreza estão diretamente ligados à Educação.

Os deputados aliados do governo Alckmin votaram contra e, conforme o comunicado do presidente Capez, vêm alegando a inexistência de votação sobre esse assunto na Assembleia. Dificilmente alguém poderia se manter indiferente ao tema, com quase 200 escolas ocupadas e um ruidoso debate travado em todo o estado. E, diante do mau uso da oportunidade oferecida pelos deputados do PT e pelos demais parlamentares de oposição para se posicionarem contra o governo e afirmarem seus compromissos com a Educação, os defensores de Alckmin terão uma nova chance de expiarem suas culpas votando contra a meta 21 do Plano Estadual de Educação, aquela que fixa prazo para a municipalização do ensino fundamental e é o combustível da iniciativa do governo de fechar escolas”.

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Publicação de: Viomundo

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