Monthoutubro 2015

Lula, o homem sem medo

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A vós que vos deixais mortificar por esse bombardeio de injustiças sobre o homem que operou o milagre da libertação de dezenas de milhões de brasileiros dos grilhões da pobreza e que promoveu a maior distribuição de renda já vista neste país, serenai vossos espíritos.

Todo aquele que contemplou com lucidez o olhar de Luiz Inácio Lula da Silva sabe que em sua alma o medo não se cria.

Perscrutei os espelhos de sua alma em busca de uma réstia de hesitação, de uma sombra de medo, de um fiapo de insegurança, mas não encontrei. Do olhar de Lula emana, tão-somente, energia que poderia iluminar uma nação.

Enquanto conversávamos, não prestava tanta atenção às palavras. Refletia sobre aquela figura mítica que tinha diante de mim. E sobre os inimigos poderosos que lhe espreitam cada passo, cada palavra, cada gesto.

Perguntava-me como podia se manter tão sereno e confiante a despeito da horda que anseia destruir não apenas o homem, mas as ideias que representa.

Disse a Lula que me preocupava com o ódio que lhe dedicam porque adentra o terreno do sobrenatural. O ódio que atraiu contra si ao pregar igualdade entre os brasileiros, converteu-se em religião. E o que é pior: os portadores desse ódio dispõem de recursos extraordinários.

Confesso que passei minutos intermináveis tentando enxergar nele algum medo do futuro, das conspirações que germinavam enquanto conversávamos, mas nada encontrei.

Tal era a serenidade em seu olhar enquanto eu listava tudo que poderia lhe suceder que cheguei a supor que ele não se dava conta dos riscos que corria. Insisti nesses riscos, mas ele não se abalava. Optei, então, por não perder mais tempo e direcionei a conversa para o quadro político, que ele já sabia que evoluiria como tem evoluído.
Se alguém pensa que Lula está surpreso com tudo que está acontecendo, engana-se. Há cerca de um ano ele já previa até onde seus inimigos iriam. E já imaginava que, em caso de surgirem maiores problemas na economia, os fracos de espírito o abandonariam.

Perguntei se não se arrependia de ter dado tanto poder à Polícia Federal e ao Ministério Público, de não ter engendrado mecanismos para se proteger caso toda essa liberdade a esses órgãos fosse usada para atacá-lo.

Não se arrepende. Para ele, o problema do Brasil sempre foi o medo que seus antecessores tiveram de dar liberdade aos órgãos de controle.

Lula acredita que os abusos que estão praticando contra si fazem parte do processo de amadurecimento de nossas instituições, e que caso seus inimigos voltem ao poder descobrirão que não há mais como se protegerem através do aparelhamento da Justiça, do MP ou da PF como o que promoveu Fernando Henrique Cardoso.

Nunca me esquecerei da serenidade de Lula diante do calvário contra si que já se anunciava e do qual ele tinha plena consciência.

Quando vejo muitos dos que o apoiam ficar mortificados diante das injustiças que ele vem sofrendo – como eu mesmo fico, inclusive -, busco coragem na lembrança de sua serenidade, de sua coragem, de sua fé inquebrantável na verdade e na justiça.
Homens como Lula não se dobram, não se amofinam, não desanimam. Para pessoas como ele, cada batalha perdida é uma lição e cada vitória é apenas mais um passo de uma jornada que não é só sua, mas de todos os viventes.

Uma jornada em busca da justiça social.

Ele certamente não se desespera diante das calúnias contra sua família – que jamais lucrou com seu sucesso estrondoso na política – enquanto familiares dos adversários amealham fortunas sem qualquer explicação razoável, como no caso da filha de José Serra, quem, há um par de anos, comprou, em sociedade com o homem mais rico do Brasil, parte de um negócio no valor de cem milhões de reais – e sem ninguém saber a origem de tanto dinheiro.

Lula não se desespera porque já esperava por isso. Ele já sabia que perscrutariam sua vida e a de sua família em busca de alguma mera evidência que pudessem usar. E sabe que não encontrarão.

Você perguntará: mas e se forjarem alguma coisa? Não importa. Ele não se deixará abater. Não tem medo. Inexplicavelmente, ele não teme a adversidade. Lula se considera filho da adversidade, pois foi através dela que se tornou o político mais importante do país.

Quando lembro da coragem que vislumbrei no olhar de Lula, chego a sentir vergonha de, vez por outra, deixar-me mortificar pelas injustiças que sofre. Então, inspirado nele, persisto. Tento fazer da força dele a minha força. Sugiro a você que pensa como eu, que faça o mesmo.

Publicação de: Blog da Cidadania

Dr. Rosinha: Os garífunas clamam por justiça, verdade e memória

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Estado hondurenho não reconhece os garífunas como indígenas 

Clamor garífuna

por Dr. Rosinha, especial para o Viomundo

“En ese tiempo solo llanto se escuchaba en la comunidad de San Juan. Los pájaros se ocultaban, las hojas de los esbeltos cocoteros se entristecieron y las olas del mar resistían a ser escuchadas, como si la naturaleza misma se negara a reaccionar ante el mandato del Divino Creador” 

“La Bahía del Puerto del Sol y la masacre de los Garífunas de San Juan” (página 59)

Na minha ignorância, nunca tinha ouvido falar do professor e escritor Victor Virgilio López Garcia, autor de doze livros, entre os quais o que retiro a frase acima. Tampouco tinha ouvido falar do seu povo, os garífunas.

Professor Virgilio, como é conhecido, é hondurenho. Conheci-o em uma recente viagem, a trabalho, a Honduras. Ele vive numa comunidade chamada Tornabe, costa do Atlântico de Honduras.

?Em Honduras, fiquei hospedado em um resort, desses que são verdadeiras ilhas de ostentação, com seguranças por todos os lados. Eu estava, portanto, ‘proibido’, por questão de segurança, segundo eles, de sair da ‘ilha’. Apesar dos avisos, não resisti e fui além da fronteira segura da ilha/hotel.

Caminhei pela praia e cheguei a uma comunidade pobre.

Ne?la, a primeira coisa que encontro é um barco debaixo de uma cobertura de palha de coqueiro e algumas redes coloridas penduradas. Recuado da praia, um cemitério. Cemitério de enterrar gente pobre.

Em seguida, ?vi na beira da praia algumas choças, sem paredes, também cobertas de palhas de coqueiros. Semelhantes às do nordeste brasileiro. Debaixo delas, algumas mesas rústicas e bancos. Imagino que devem servir de bares aos fins de semana.

Um rapaz caminha entre as cho?ças. Parece procurar alguma coisa. Imagino que, por ser segunda-feira, procura alguma coisa que porventura os visitantes de ontem (domingo) tenham perdido.

Dois homens, negros, pescam de linha. Paro para conversar. Pergunto o nome do local. “Tornabe”, responde? um deles?. E em seguida me diz: “nós que aqui moramos somos garífunas, temos uma língua própria”.

Curioso, começo a perguntar de onde vieram, se tem cantos e danças próprias. Respondem que foram trazidos da África para serem escravos em San Vicente e que dali fugiram para Honduras, Belize e Guatemala, e que vivem no litoral.

? A conversa foi curta, mas o suficiente para despertar minha curiosidade.?

No hotel, contei a um funcionário que havia estado em Tornabe e que gostaria de ter mais informações sobre os ?g?arífunas. Este funcionário, um descendente dos garífunas, informou-me que?, à noite, no hotel, haveria uma apresentação de dança e canto da cultura garífuna??. Disse também que? em Tornabe vive um homem, professor Virgílio, que é um dos maiores conhecedores da história e da cultura? daquele povo.

Na noite seguinte fomos (eu e Luis) a Tornabe procurar o professor Virgilio.

?Chegamos e avistamos uma casa com várias pessoas sentadas pelo lado de fora, costume também das nossas cidades do interior, tomando a fresca (que aqui em Honduras é quente) do cair da noite.

Descemos do carro, e o Luis perguntou a todos da roda se sabiam como poderíamos encontrar o professor Virgílio. Uma moça perguntou: “por parte de quem?” Após a nossa autoapresentação, ela se vira, estende o braço e diz: “ele é o professor Virgílio”.

Cumprimentamos a todos e a todas, e, com dificuldade, vimos o Professor levantar-se e, como toda gente humilde e sincera, imediatamente ele nos convidou a entrar. Fomos conduzidos a um escritório/museu, tudo muito simples e, chamou a minha atenção, sem computador.?

O professor Virgilio é um homem magro, deve pesar cerca de 60 quilos. Estatura de pouco menos que 1,70 metro?. Na boca, arcada dentária completa.?

?Em um dado momento da conversa, como que dando a resposta a minha observação, apresenta  uma foto, pendurada na parede, e diz: “aquela era minha avó, morreu com mais de 80 anos e não faltava nenhum dente”. ?

?Vítima de quatro acidentes vasculares cerebral (AVCs), o professor Virgílio anda com alguma dificuldade e apoiado numa bengala.

Conversamos por mais de uma hora. Contou-nos que foi professor primário e agora está aposentado. Diz que começou a se interessar pelo seu povo ainda jovem, e que quando estudava gostava de escrever e ouvir as histórias dos mais velhos.

Relatou-nos que, aos domingos, tinha um programa de rádio chamado “Clamor Garífuna”, e que, para colocar o programa no ar, fazia algumas pesquisas sobre história, cultura e costumes do povo?.?

A partir deste programa e destas pesquisas, recebeu o estímulo para escrever o primeiro livro, que na língua garífuna se chamou “Lamunhuga Garifuna”,  que significa “clamor garífuna”.

?Conversamos por mais de uma hora e deste encontro só lamento uma coisa: não tê-lo gravado.?

?Na volta de Honduras, li o livro “La Bahía del Puerto del Sol y la masacre de los Garífunas de San Juan”, que conta o massacre do povo garífuna executado a mando do ditador Tiburcio Carías Andino, em 1937.

O ditador ficou no poder por 16 anos. Além de massacrar o povo trabalhador hondurenho, foi um serviçal da United Fruit Company.

A frase que coloco como epígrafe deste artigo descreve poeticamente os sentimentos do autor em relação ao massacre de seu povo, que até hoje clama por justiça. Até hoje, clama pela verdade e pela memória.

Dr. Rosinha, médico pediatra e servidor público, ex-deputado federal (PT-PR).

 

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Publicação de: Viomundo

Lula desmonta factoide “requentado” de Época: Manipula dados, não respeita contraditório e engana os leitores; vende como “exclusivo” tema já tratado por sua concorrente ainda mais mentirosa

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NOTA À IMPRENSA

O lado escuro do ”outro lado” no jornalismo sensacionalista de Época

31/10/2015 08:53

da Assessoria de Imprensa do Instituto Lula 

A revista Época especializou-se em distorcer e manipular documentos, muitos deles vazados de forma ilegal, para difamar e caluniar o ex-presidente Lula. Esta semana, a revista, e o autor da matéria, Thiago Bronzatto, fazem isso novamente.

A revista não tem interesse em entender ou reportar os fatos de forma fiel, quer apenas construir ilações. Não tem o que se chama de jornalistas investigativos: são apenas redatores sensacionalistas, operando documentos vazados ilegalmente. Não apresenta fatos, quer apenas especular e fazer barulho em cima de tais documentos, tentando criar factoides políticos, vender mais revista e fazer audiência em redes sociais.

Não respeita o contraditório e engana os leitores, vendendo como “novidade” matérias requentadas. Por exemplo, colocando a tarja “Exclusivo” na capa desta semana, para um tema tratado em agosto por sua concorrente mais famosa e ainda mais mentirosa.

Para simular que ouve o “outro lado”, quase toda sexta-feira envia à assessoria do Instituto Lula burocráticos e-mails com perguntas cifradas, que escondem tema principal da matéria e o teor das ilações. A essa altura da produção da revista, as teses e especulações já estão prontas e, muitas vezes, até divulgadas no twitter do editor-chefe.

Nestes e-mails, seus jornalistas disfarçam ou sonegam informações necessárias para as respostas adequadas, como aconteceu mais uma vez nesta sexta-feira. Procurada pelo repórter Thiago Bronzatto, com perguntas que remetiam a um relatório do Coaf vazado de forma ilegal para a revista Veja, em agosto, a assessoria de imprensa do Instituto Lula perguntou diretamente: “É sobre o relatório do Coaf que a Veja já deu em agosto?”. O repórter de Época se recusou a esclarecer essa questão simples. Pior: ele mentiu, associando as perguntas a diferentes operações da Polícia Federal e Ministério Público, quando na matéria ele diz, e não dá para saber se é verdade também, que obteve o documento através da CPI do BNDES.

A questão não é menor: existe hoje uma investigação sobre o vazamento das informações desse relatório do COAF. O ex-presidente Lula e a empresa LILS solicitaram ao Ministério da Justiça, ao Ministério da Fazenda e à Procuradoria-Geral da República que apurem, na competência de cada instituição, as responsabilidades pela violação criminosa do sigilo bancário da empresa de palestras criada por Lula após deixar a presidência da República, a LILS.

No e-mail, o repórter já criminaliza os fatos, ao dizer que Lula teria feito “operações atípicas” no “mercado segurador”. Na realidade Lula apenas adquiriu um plano de previdência privada com o dinheiro ganho em palestras. É isso que informa o relatório do COAF, vazado criminosamente para Veja e requentado pela Época.

Numa apuração honesta, não era necessário perguntar nada ao Instituto Lula; bastaria conferir a nota que emitimos em 18 de agosto.

Não há nada de ilegal na movimentação financeira do ex-presidente. Os recursos são oriundos de atividades profissionais, legais e legítimas de quem não ocupa nenhum cargo público: os valores mencionados no vazamento ilegal se referem a 70 palestras contratadas por 41 empresas diferentes, listadas no link acima. Todas palestras realizadas, contabilizadas e com os devidos impostos pagos. Tem palestra até para a Infoglobo, do mesmo grupo de comunicação que edita a revista Época.

Se Época acha que o valor pago é alto, poderia perguntar à direção do Infoglobo, que pagou o valor da palestra e que explicou, no jornal O Globo, que o fez por “participar de iniciativas que contribuem para o desenvolvimento e a promoção do Rio de Janeiro. Em 2013, com esse objetivo, a empresa apoiou a Fecomércio-RJ na realização de um seminário sobre o mapa do comércio no Estado do Rio. Além de divulgar o evento em seus jornais, a Infoglobo arcou com os custos dos palestrantes, inclusive do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”

Fazer palestras para uma empresa não implica em nenhuma outra relação e é uma prestação de serviço pontual que mantém a total independência do ex-presidente em relação ao contratante. Tanto que o ex-presidente ter feito uma palestra para a Infoglobo não o impede, ou sua família ,de mover processos contra o jornal, por exemplo, pela mentira contra o filho do ex-presidente publicada por Lauro Jardim em sua estreia em O Globo, na capa dominical do diário.  Mentira pela qual até hoje, nem o colunista nem o jornal se retrataram publicamente.

Jornalistas de Época caluniam, mais uma vez, ao chamar Lula de lobista e já estão sendo processados por isso na justiça, junto com o editor-chefe Diego Escosteguy.

Sobre a patética campanha de parte da imprensa tradicional e familiar brasileira contra Lula e sua família, que só esse mês rendeu 5 capas ofensivas de revistas semanais contra ele, o ex-presidente, com tranquilidade, declarou na última quinta-feira em Brasília:

“Eu só queria que vocês não ficassem preocupados com esses problemas porque digo sempre: ninguém, podem ter certeza, ninguém precisa ficar com pena. Se tem uma coisa que aprendi na vida é enfrentar adversidades. Podem ter certeza. Se o objetivo é truncar qualquer perspectiva de futuro, então vão ser três anos de muita pancadaria. Três anos. E podem ficar certos: eu vou sobreviver. Não sei se eles sobreviverão com a mesma credibilidade que eles acham que tem. Mas eu vou sobreviver.”

ÍNTEGRA DA TROCA DE E-MAIL COM THIAGO BRONZATTO, FUNCIONÁRIO DA REVISTA ÉPOCA

Thiago Bronzatto – Redação Época Brasília – Editora Globo tbronzatto@edglobo.com.br
30 de outubro de 2015, 11:25

Caros,

Tudo bem?

Estamos fazendo uma matéria para a próxima edição da revista ÉPOCA na qual mencionaremos o ex-presidente Lula. Vocês poderiam, por favor, me ajudar a esclarecer as dúvidas abaixo?

1-) No âmbito da operação Zelotes, foram identificados repasses de recursos da empresa L.I.L.S. para os filhos do ex-presidente e as suas respectivas empresas. Qual a razão dessas transferências?

2-) Qual a posição do ex-presidente Lula em relação à intimação da PF para ouvir o seu filho Luis Cláudio?

3-) No âmbito das investigações da Lava Jato e do MPF, há informações de que Lula tenha realizado movimentações financeiras no mercado segurador consideradas atípicas. O ex-presidente tem conhecimento disso? Qual a sua posição?

Estamos fechando hoje às 16h. Qualquer dúvida, estou nos contatos abaixo.

Aproveito este e-mail para reiterar o pedido de entrevista presencial com o ex-presidente Lula, enviado no dia 29 de junho deste ano, conforme sugerido pelo próprio Instituto Lula em nota publicada em seu site. Até agora, não tive nenhuma resposta sobre a minha demanda.

Abraço e obrigado,

 

Resposta da Ass. De Imprensa do Instituto Lula imprensa@institutolula.org
30 de outubro de 2015, 13:25

Caro Thiago,

É sobre o relatório do Coaf que a Veja já deu em agosto?

Att,

 

Thiago Bronzatto às 13:29

Caro,

Trata-se de matéria diferente, como você deve ter percebido em nossas perguntas.

Abraço,

Thiago

Ass. De Imprensa Instituto Lula às 13:54

Caro,

Que é outra matéria é óbvio. O tempo espaço impede que uma matéria da Época em outubro seja a mesma da Veja em agosto. Seria até plágio.

O documento base, o qual você não identifica, nem explica, como é habitual nos seus “outros lados”, parece o mesmo, pelas perguntas 1 e 3. Como não tenho certeza ser o mesmo, perguntei. E você não respondeu.

Sobre esse documento, há uma investigação em curso sobre o vazamento das informações nele, que estavam sob sigilo de justiça.

A Veja fez até um infográfico com ele na época, com perdão do trocadilho.

Tiago, a gente já respondeu ao seu pedido de entrevista faz tempo, você apenas falha em compreender isso e faz esse copiar-colar toda a sexta-feira. Não haverá entrevista para a Época, porque a revista é considerada um lixo, como foi publicamente dito. E pela existência de ações judiciais e a necessidade de correções factuais em matérias anteriores que a revista Época, e você especificamente, jamais fizeram.

Atenciosamente,

Thiago Bronzatto, às 14:02

Caro, eu gostaria apenas que você respondesse objetivamente as minhas questões. Posso considerar o seu e-mail como resposta oficial da assessoria de imprensa do Lula?

Abraço,

Thiago

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula, às 14:19

Caro Thiago,

E eu gostaria apenas que você fizesse matérias de forma objetiva, imparcial, sem sensacionalismo e com correção factual. E também com  a devida checagem de informações, sem pegadinhas e realmente interessado em ouvir o outro lado. Mas como dizem os Rolling Stones, você não pode ter sempre o que você quer.

Todos os meus e-mails para você, assim como todas as suas mensagens para mim, podem se tornar públicos a qualquer momento que você quiser ou que nós quisermos, como já fizemos em outras ocasiões.

Atenciosamente,

Leia também:

Na ditadura, DOPS de Bauru respeitava o horário comercial

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Publicação de: Viomundo

Maria Izabel Noronha: Fechar escolas e superlotar salas de aula é crime!

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Foto: Apeoesp

Fechar escolas e superlotar salas de aulas é um crime!

por Maria Izabel Azevedo Noronha, via assessoria de imprensa da Apeoesp

A chamada “reorganização” da rede estadual de ensino promovida pelo Governo do Estado de São Paulo está repleta de contradições e não se sustenta em bases pedagógicas e argumentos plausíveis.

Temos dito, e reafirmamos, que esta verdadeira bagunça que o Governo Alckmin está fazendo, com o fechamento de 94 escolas e mudanças em outras 752 unidades visa tão somente o corte de gastos, a “racionalização” administrativa e financeira, o “enxugamento” da máquina do Estado, enfim, a aplicação do receituário neoliberal do Estado mínimo, concepção sempre implementada pelo PSDB aos serviços públicos.

A tese de que é preciso separar crianças menores de crianças maiores e separar crianças e adolescentes não tem nenhuma sustentação pedagógica e não tem nada a ver com ciclos de aprendizagem. Em sua correta acepção, os ciclos reúnem estudantes de acordo com seus estágios de aprendizagem, pouco importando suas idades. O que o Governo Estadual está fazendo é um retrocesso, um rompimento com os avanços que experimentamos nos últimos anos e a quebra do ensino fundamental de nove anos. É um retorno à seriação, aos tempos em que, em plena ditadura, tínhamos separados o primário, o ginásio e o segundo grau.

O Governo tenta justificar as barbaridades que está fazendo, por exemplo, dizendo que quer implantar escolas de “ciclo único” (termo incorreto, como já vimos), mas entre as 94 escolas que quer fechar, 40% já são de “ciclo único”. Diz que vai investir no ensino médio, mas 10% das escolas a serem fechadas são de ensino médio. Diz que quer melhorar a qualidade do ensino, mas muitas escolas que serão fechadas têm médias mais altas no IDEB e no IDESP, que são indicadores de avaliação nacionais e estaduais.

Afinal, como acreditar em um Governo que tergiversa tanto? Primeiro, fecharia ou alteraria a situação de 30% das escolas; depois, não fecharia escolas, agora anuncia o fechamento de 94 unidades que sequer são as mesmas cogitadas inicialmente.

Esta bagunça vai alterar muita coisa na vida de estudantes, suas famílias e professores. Fechar escolas é enviar estudantes para outras unidades, superlotando salas de aula. Da mesma forma, fechar o noturno ou uma etapa de ensino em uma unidade é sobrecarregar as demais da região ou a rede municipal. Não apenas serão afetadas escolas com as quais o Governo mexe diretamente, mas toda a rede, pelo “efeito cascata”.

No caso dos professores, será mais difícil compor jornada em apenas uma unidade escolar, se ministrarem aulas para o segundo ciclo do ensino fundamental e no ensino médio. Professores das escolas que serão fechadas irão disputar aulas com os colegas das demais unidades, assim como os das escolas “reorganizadas”. Se não conseguirem aulas, poderão ficar “adidos”, ou seja, “encostados”, recebendo salários menores.

Por exemplo, um professor PEB II, com jornada de 40 horas semanais, hoje recebe R$ 2.415,89 em início de carreira. Na disputa por aulas, poderá ter sua jornada reduzida para 30 horas semanais ou 24 horas semanais de trabalho, com redução salarial.

No limite, poderá ficar adido, recebendo salário equivalente à jornada inicial (12 horas semanais de trabalho). No caso do PEB II, significa míseros R$ 724, 77. No caso de PEB I, poderá passar de R$ 2.086,93 (40 horas semanais) para irrisórios R$ 626,07. O que está em jogo é a sobrevivência desses professores. O Governo do PSDB quer mesmo transformar o magistério em um “bico”.

Veja a tabela salarial completa:
Salários na rede estadual de ensino de São Paulo
Professor de Educação Básica II
Jornada de trabalho
Salário inicial
40 horas semanais
R$ 2.086,93
30 horas semanais
R$ 1.81,91
24 horas semanais
R$ 1.449,52
12 horas semanais
R$ 724,77
Professor de Educação Básica I
Jornada de trabalho
Salário inicial
40 horas semanais
R$ 2.086,93
30 horas semanais
R$ 1.565,20
24 horas semanais
R$ 1.1252,17
12 horas semanais
R$ 626,07

Por essas e tantas outras razões não aceitaremos essa bagunça! Juntamente com estudantes, pais, funcionários de escolas, movimentos sociais, sindicatos, centrais sindicais, estamos e vamos continuar nas ruas, levando bem alto nosso Grito pela Educação Pública de Qualidade no Estado de São Paulo.

No dia 10 de novembro, a partir das 12 horas, em estado de greve, realizaremos nova assembleia estadual e, mais um vez, vamos realizar um grande ato público com toda a comunidade no Palácio dos Bandeirantes.

Fechar escolas públicas e superlotar salas de aula é um crime e o Governo Estadual não ficará impune!

Maria Izabel Azevedo Noronha é presidenta da Apeoesp

Veja também:

Passeata de professores, alunos, pais e movimentos sociais contra o fechamento de escolas da rede pública paulista

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Publicação de: Viomundo

Pedro Serrano: A mídia alternativa é reprimida cada vez mais, inclusive com o apoio da grande mídia

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Mídia e justiça

A mídia alternativa e a liberdade de expressão

A grande mídia tem sido beneficiada por um afrouxamento de seus limites. Já a mídia alternativa é reprimida, inclusive com o apoio da grande mídia

por Pedro Estevam Serrano, em CartaCapital

Discutir as relações entre mídia e liberdade de expressão se faz cada vez mais necessário no Brasil, na medida que a desigualdade de direitos entre veículos tradicionais e plataformas menores se acentua. No caso da dita grande imprensa, esse direito é bastante dilatado, ao ponto de ser quase impossível alguém, que se julgue ofendido por algo que ela tenha veiculado, sair vitorioso em um pleito judicial.

É reiterada na nossa jurisprudência a dificuldade de se obter uma condenação de um grande órgão de imprensa. Em geral, as ações de defesa da honra acabam não progredindo ou sendo julgadas improcedentes e é nítida a percepção de que os tribunais têm protegido a liberdade de expressão da mídia comercial, desidratando eventuais limitações desse direito.

De fato há uma tendência mundial de desidratação dos limites da lei de expressão e a favor da total liberdade de imprensa, o que é muito positivo. No entanto, no Brasil, ao contrário do que ocorre em outros lugares do mundo, isso é feito em favor de uma minoria, e não em prol da cidadania, o que gera distorções com consequências perversas para a democracia.

Enquanto a grande mídia tem sido beneficiada por um afrouxamento cada vez maior de seus limites, sites, blogs e aqueles que escrevem para a chamada mídia alternativa têm sido reprimidos, inclusive com o apoio da grande mídia.

É crescente o número de ações contra eles, o que, inclusive os tem inviabilizado financeiramente.

Um caso emblemático dessa situação é o do blog Falha de S.Paulo. Em 2010, o jornal Folha de S.Paulo, por meio de uma liminar, conseguiu que a página que satirizava suas publicações fosse retirada do ar, sob pena de pagar multa diária de R$ 10 mil, caso o mantivesse.

A alegação foi de “uso indevido da marca”, o que não se justifica, uma vez que a intenção dos criadores do blog não era se apropriar da marca, mas apenas exercer sua liberdade de expressão por meio de sátiras, como, aliás, se vê em abundância em veículos da grande mídia.

Mais recentemente, portais como o Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim,Revista Fórum, editado pelo Renato Rovai, Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães, O Cafezinho, de Miguel do Rosário, Viomundo, de Luiz Carlos Azenha, Luis Nassif entre outros, foram processados,  por pessoas e veículos ligados à grande mídia.

Essa aplicação desigual do direito à liberdade de expressão é muito grave, ainda mais quando prejudica justamente agentes de formação de opinião que oferecem um contraponto no debate público, uma gama mais plural de informação e que representam um ponto de vista político que está presente na sociedade, mas que não tem espaço na mídia comercial.

Os blogs e blogueiros “sujos” têm o importante papel de representar um mínimo de pluralidade de opinião na democracia brasileira e estão sendo claramente reprimidos.

Isso é reflexo de um problema maior, que é a não universalização dos direitos humanos e fundamentais no Brasil. O direito à vida e à integridade física, por exemplo, como tenho reafirmado em vários outros textos, são persistentemente suspensos para as parcelas mais pobres da população, que habitam as periferias dominadas pela violência generalizada.

Vejamos outro exemplo. É curioso lembrar que até bem pouco tempo eram transmitidos ao vivo pela TV aberta bailes de carnaval frequentados pela elite carioca, cujo carro chefe da festa era a erotização excessiva de seus foliões. Homens e principalmente mulheres seminuas, em suas diminutas fantasias, eram glamourizados e davam entrevistas aos repórteres ou apresentadores que “cobriam” esses eventos.

Hoje os bailes funks das periferias são reprimidos por manifestações bastante semelhantes e, muitas vezes, viram caso de polícia. Isso demonstra que as expressões culturais de natureza erótica protagonizadas pela elite são amparadas pelo direito como livre expressão artística e cultural, enquanto aquelas manifestadas pela pobreza são coibidas.

Seja no aspecto social ou político, não há universalização do direito à livre expressão no Brasil. Ele é apropriado ou pela elite das comunicações ou pela elite econômica, que exercem censura e coação sobre a liberdade de expressão alheia.

O cerceamento e a persecução às mídias alternativas, onde expressões mais à esquerda encontram circulação, são ainda uma repressão de natureza política e um dos sinais mais perversos da relação promíscua que há entre mídia e jurisdição no Brasil.

É onde essa relação acaba servindo para reprimir o próprio direito de imprensa e o direito à expressão, em favor de que seja exercido por uma minoria detentora dos grandes meios.

Nossa democracia tem muito a se desenvolver, o que só será possível com a ampliação e a universalização de diretos, sobretudo o de livre pensamento e expressão. Suprimir os direitos dos mais frágeis é minimizar a aplicação do Estado de direito e atrasar a construção de uma cidadania verdadeiramente consistente.

* Pedro Estevam Serrano é advogado, professor de Direito Constitucional da PUC-SP e e pós-doutorado pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

 

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Publicação de: Viomundo

Quem elegeu Cunha que embale; não cobrem do PT sua cassação

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Confesso que estou perdendo a paciência. E o que me leva a dizer isso nem é o maior dos absurdos que se vê no cenário político, é só mais um. Qual seja, a avalanche de cobranças ao PT para que peça oficialmente a cassação de Eduardo Cunha.

Como assim? O PT?! Por que? Por acaso foi o PT que elegeu Cunha presidente da Câmara?!

Quem vê o noticiário, pensa que o Congresso inteiro quer derrubar Cunha e só o PT não adere. Vamos dar uma volta por esse noticiário para conferir, para que não digam que estou exagerando.

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Ufa! Parece muito a você? Pois saiba que não é nem uma fração não só das reportagens, mas também da virtual avalanche de textos opinativos – colunas, editoriais, artigos – que cobram que o PT resolva a merda que fizeram PSDB, DEM, PSB, PMDB e outros bichos em fevereiro deste ano, quando elegeram alguém como Eduardo Cunha para presidir a Câmara dos Deputados.

Agora eu pergunto: por que o PT? Por que não cobram do PSDB que crie vergonha na puta da cara e traga seu discurso “ético” para a realidade parando de apoiar o gangsterismo com que Cunha atua para se manter no cargo e, portanto, protegido das investigações?

Todos sabem que Cunha tem uma tropa de choque na Câmara que usa para intimidar seus pares. O tal “Paulinho da Força”, talvez o mais notório pau-mandado de Cunha – que declarou que estará com ele “até o fim” -, apresentou denúncia contra o mandato do líder do PSOL, Chico Alencar, e pediu sua cassação.

Sou insuspeito de apoiar o PSOL, mas quem, em sâ consciência, pode acreditar em acusação de corrupção contra esse parlamentar? Pode-se acusar o PSOL de tudo, menos de se envolver em negociatas – até porque não tem como, pois não tem poder para barganhar.

Sabe como Cunha consegue praticar esses atos de gangsterismo à luz do sol, leitor? Graças ao PSDB em peso e, em menor proporção, a parte do PMDB e de outros partidos da base aliada ou da oposição, o dito “baixo clero” que colocou Cunha “naquela” cadeira da qual comanda toda sorte de picaretagens.

Apesar disso, sou surpreendido por alguns leitores de boa-fé e preocupados com o noticiário acima, que me perguntam “até onde são verdadeiras” essas “notícias” sobre a “leniência do PT” com Cunha, reproduzidas acima.

É o poder da mídia de propor ideias distorcidas ao público. A massividade e a esperteza de quem produz essas notícias é tal que consegue fazer até simpatizantes do PT ficarem preocupados pelo fato de o partido não peitar Cunha sozinho.

Sim, porque o que a mídia tucana e a oposição mais querem é que o PT e o governo Dilma invistam com força contra Cunha para ele colocar o impeachment em pauta e transformar a governança do país em uma roleta, pois, apesar de o STF estar disposto a barrar deformações da lei para “facilitar” a derrubada de Dilma, se houver número para votar seu impedimento obviamente que não haverá como evitar.

Ora, note-se que é uma operação muito bem arquitetada. Primeiro, produzem uma leva de pesquisas mostrando que a popularidade de Dilma continua baixa – e, mesmo se tivesse melhorado um pouco (e não deve ter melhorado), pesquisa alguma registraria. Em seguida, mais uma avalanche de números ruins sobre a economia.

Acuados pela opinião pública, os deputados poderiam resolver, vá lá, lavar as mãos e empurrar para o Senado a decisão sobre o mandato da presidente, quem, nesse momento, teria que se afastar do cargo.

É tudo que a oposição e (grande) parte do PMDB querem.

O mais provável é que isso não aconteça, mas não é certeza. A oposição e a mídia querem jogar com a sorte. Vai que…

Entendeu, leitor?

Ora, o PT até poderia propor a cassação de Cunha, mas desde que fosse viável. Porém, é óbvio que PMDB e PSDB, os fieis da balança, não o acompanhariam. Aí, o PT pede, não consegue e Cunha se vinga jogando o país em meses a fio de incertezas que tratarão de afundar ainda mais a economia, criando um caos que muitos ainda não entenderam que é justamente o que a direita midiática quer.

É isso mesmo, meu prezado leitor: a oposição aposta no caos, conta com ele, anseia por ele. Caos na economia, caos institucional. Em tal situação, entraria triunfante em cena, tomando o poder sem qualquer dificuldade, propondo a uma sociedade desesperada que lhe permita “resolver o problema deixado pelo governo inconpetente de Dilma”.

Não caia nessa, PT. Derrubar Cunha não é sua responsabilidade. Além disso, quem deve derrubá-lo em breve não é o Legislativo, mas o Judiciário, pois sua situação está ficando cada vez mais insustentável.

Sobre a imagem no alto deste post, caso alguém não tenha matado a charada sobre quem é o político que mostra, eis a solução do quebra-cabeça. Trata-se de um híbrido dos dois políticos da foto abaixo.

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Publicação de: Blog da Cidadania

Perseguido pela ditadura, Florestan Fernandes acabou vítima de erro médico, impunidade e corporativismo

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Myrian Rodrigues Fernandes e Florestan Fernandes em 1944

O adeus em um olhar: a vida e a morte de Florestan Fernandes

Florestan Fernandes Jr, na Folha de S. Paulo, sugerido por Antônio David

28/10/2015 13h38

“Não sei se é técnica do pessoal dos Estados Unidos para me convencer a ficar por aqui ou se é tudo realmente verdade. Inclusive, falaram-me da prisão do Octavio Ianni e, mais tarde, que ele fora solto. […] Com exceção do pessoal de casa, recebi muitas cartas aconselhando-me com ardor [a] evitar essa decisão que, para mim, é inevitável. […] Disseram-me que andam espalhando nas universidades que eu pretendo voltar porque “vou aderir” ao atual governo. É uma perversidade e tanto.”

Trechos da carta enviada pelo meu pai para minha mãe, Myrian Fernandes, em 24 de março de 1971, o pior momento da ditadura militar. Dois anos mais tarde, Florestan decide voltar ao Brasil e correr os riscos de sua decisão.

florestan 1Trecho de carta de Florestan Fernandes para Myrian Rodrigues Fernandes. Acervo Pessoal

Em agosto de 1995, dias antes de passar pelo transplante de fígado no Hospital das Clínicas de São Paulo, ele me disse que tinha bons motivos para acreditar que a contaminação teria sido proposital. Acostumado desde pequeno a lutar pela sobrevivência, Florestan não se abateu, mas lutou firme contra a doença. Fez dieta, parou de beber socialmente e cumpriu à risca o tratamento médico.Para a surpresa da família e dele próprio, foi em um hospital, e não nos porões da ditadura, que a vida dele ficaria comprometida. Em uma transfusão de sangue realizada por causa de uma cirurgia ele foi contaminado pelo vírus da hepatite C. A infecção provocou uma cirrose hepática que durou 21 anos até levá-lo à morte.

Nesse período sua barriga inchou, a pele amarelou e não foram poucas as hemorragias. Em uma delas ele perdeu muito sangue e pediu para ser levado ao Hospital do Servidor Público Estadual. E qual não foi minha surpresa quando, ao chegar ao hospital meia hora depois, o encontrei em uma fila enorme, que começava dentro do pronto-socorro e terminava do lado de fora do prédio. Teimoso, Florestan argumentava que não iria furar a fila mesmo estando em situação de risco. Por sorte, alguns plantonistas perceberam a gravidade e levaram o paciente para ser examinado e medicado.

Emocionei-me logo na entrada da pequena sala. Em um painel com vários informes havia um recorte da coluna de meu pai na Folha, cobrando do governador recursos para o Hospital do Servidor. Poucos dias se passaram e mais uma hemorragia. E, pela primeira vez, ele teve uma confusão mental. Estava claro que ele já não tinha mais condições físicas para enfrentar um possível transplante.

O ADEUS EM UM OLHAR

Cheguei em casa já tarde da noite. Na secretária eletrônica, uma mensagem de minha mãe. Ela dizia que estava levando meu pai para o Instituto do Fígado do Hospital das Clínicas. Depois de vários anos, o médico Silvano Raia informava que havia encontrado um fígado compatível com as necessidades de meu pai.

Nós três sabíamos. Apesar do otimismo do dr. Raia, que previa uma sobrevida com qualidade por muitos anos após o transplante, sabíamos que meu pai, aos 75 anos e muito debilitado, não tinha boas possibilidades de sobreviver a uma cirurgia tão complexa.Corri ao HC a tempo de encontrar meus pais no corredor da internação. Frágil, de bengala na mão e com a voz rouca, Florestan esboçou um sorriso e com um certo alívio disse: “Ainda bem que você veio”.

Depois de duas décadas desde a transfusão de sangue contaminado, os médicos Silvano Raia, que foi secretário de saúde de Paulo Maluf, e seu fiel escudeiro e assistente Sérgio Mies –ambos à frente do Instituto do Fígado– diziam estar prontos para realizar com sucesso um transplante inédito em um homem em plena terceira idade.

O velho sociólogo decidiu confiar na capacidade da equipe que realizaria a cirurgia. Motivos não faltaram. Logo na primeira consulta, depois de um minucioso exame, Raia disse com toda a convicção que meu pai tinha pulmões, rins e coração de um homem de cinquenta anos. Afirmou, em alto e bom som, que meu pai tinha total condição de fazer a cirurgia, que o transplante seria um sucesso e que ele teria uma sobrevida de pelo menos 20 anos.

Chegamos ao setor de internação: camas distribuídas em um grande corredor e separadas uma das outras apenas por uma cortina branca. Minha mãe despediu-se do marido e voltou para casa a fim de descansar e se preparar para dias difíceis. Eu fiquei ao lado da cama, de mãos dadas com meu pai. Às vezes fazia um carinho em sua cabeça. Foi uma longa noite, na qual conversamos sobre a vida. Ele lamentou o fato de, até aquele momento, eu não ter tido um filho. Quando a enfermeira entrou para prepará-lo para a cirurgia, saí do pequeno quarto e liguei para minha mãe, avisando que em alguns minutos começaria a operação. Perguntei se ela gostaria de trocar algumas palavras antes do transplante. Emocionada, ela me respondeu: “Não, já nos despedimos pelo olhar”.

O dia estava amanhecendo quando meu pai foi levado para a sala de cirurgia. Fui ao lado dele até uma grande porta. Era a linha final de duas vidas repletas de emoção, amor, admiração e respeito. Dei um beijo em seu rosto e fingi otimismo. As duas portas se fecharam e eu desabei a chorar.

A cirurgia não foi nada fácil e durou várias horas. Meu pai foi levado para a UTI. Os médicos disseram que o transplante tinha sido um sucesso e que, dependendo da recuperação, em breve ele iria para casa. Silvano Raia foi mais longe: disse que meu pai tinha acordado e que chegou a ler os jornais. Entrei no quarto e a realidade era outra. Vi-o desacordado, entubado e recebendo medicamentos intravenosos. Alguma coisa estava errada. O otimismo do médico não correspondia à realidade. Como meu pai poderia ter lido jornal daquele jeito?

Na madrugada daquela noite o telefone tocou, fazendo meu coração disparar. Atendi. “Florestan, aqui é Silvano Raia, infelizmente seu pai não resistiu e acaba de falecer. Uma pena. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.” Liguei para minhas irmãs, para meus amigos e para minha mãe.

Amanheceu o dia e os colegas jornalistas já estavam a postos falando ao vivo da frente do hospital. No velório, realizado no prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, havia estudantes, professores, funcionários, parentes e muitas autoridades. Minha mãe estava sóbria e firme, consolando filhos e netos. Fiquei admirado com a atitude dela, que não desmoronou por um minuto sequer.

Não demorou muito e o dr. Silvano Raia me ligou pedindo que eu fosse imediatamente à diretoria do hospital, pois eles tinham algo muito sério para falar comigo. O que poderia ser tão sério para me tirar do velório de meu pai? Silvano recusou-se a dizer por telefone. Desligou. Alguns minutos depois, voltou à carga: “Florestan, você vai ter que vir para cá imediatamente. Ocorreu um erro na UTI que provocou a morte do seu pai. Vamos precisar fazer autópsia para saber a causa da morte.” Com a minha negativa, Raia ameaçou: “Se você não vier aqui a polícia vai até o velório pegar o corpo do seu pai”. Respondi: “Então faça isso, mande a polícia vir pegar o corpo na frente da primeira-dama do país, Ruth Cardoso, de ministros, do governador Mário Covas, de artistas, intelectuais e políticos como Lula e Plínio Sampaio. Tudo transmitido ao vivo pelas emissoras de televisão”.

O velório transcorreu normalmente. No crematório da Vila Alpina é que viria a surpresa. Vários carros da polícia aguardavam do lado de fora. Fui encaminhado junto com minha mãe para uma sala onde um chefe de polícia tinha um mandado para levar o corpo para o IML. Minha mãe desabou. Aos prantos, pediu que eu não permitisse aquela violência. Pedro Dallari, advogado e amigo da família, deu-nos uma boa solução: realizar a solenidade até o fim e, depois que todos já tivessem ido embora, o corpo seria levado para autópsia. E assim foi.

IMPUNIDADE E CORPORATIVISMO

O IML fez a autópsia e encaminhou o corpo para o crematório. Cheguei à Vila Alpina às dez da manhã. Na porta, vários colegas repórteres aguardavam a minha chegada. Todos olhavam tristes para mim e, respeitando minha dor, não se aproximaram, apenas fizeram sinais com a mão e a cabeça. No estacionamento, um rosto amigo, o querido Tom Figueiredo, um publicitário que conheci ainda na época em que meu pai estava fora do país. Ele me abraçou e disse: “Faltei ao trabalho porque sei que hoje você vai precisar de um amigo”. Entramos no prédio e Tom fez o reconhecimento do corpo por mim.

Silvano Raia convocou uma entrevista coletiva e pediu que eu ficasse ao seu lado durante sua fala. Respondi que de maneira nenhuma. Depois de tudo o que aconteceu, eu também queria explicações. Raia cancelou a entrevista e desapareceu.

Com o prontuário nas mãos constatei que o quadro clínico de meu pai estava longe de ser bom, como os médicos afirmavam. Descobri que, durante a cirurgia, o coração parou algumas vezes e foi reanimado. Ao ser levado para a UTI, os rins já não funcionavam, os pulmões também estavam com problemas e o fígado transplantado sofreu um processo de rejeição. Para piorar, na noite em que meu pai faleceu, a enfermeira de plantão ausentou-se do quarto por muito tempo e a máquina de hemodiálise, sem sangue, passou a bombear ar nas veias do paciente. Uma quantidade tão grande de ar que, segundo o legista, isso antecipou em algumas horas o que ocorreria de qualquer maneira.

Em seu livro sobre Florestan Fernandes, o jornalista Haroldo Ceravolo cita a declaração de Irineu Velasco, diretor do HC em 1995, feita à “Veja” de 6 de setembro de 1995: “A morte do sociólogo era certa. O seu caso poderia ser comparado ao de um paciente terminal com câncer que é atropelado por um caminhão ao atravessar a rua”. O fígado transplantado estava infectado com a bactéria causadora da sífilis, o que obrigou os médicos a utilizar uma dose elevada de antibióticos depois da operação. Com tudo isso, meu pai entrou rapidamente em um processo de falência múltipla de órgãos.

Raia sabia de tudo isso quando me ligou para comunicar a morte, mas mesmo assim dispensou a autópsia. Ocorre que o médico de plantão colocou em seu relatório o erro com a hemodiálise. As informações caíram na rede do hospital, e os dados estavam à disposição no sistema interno de registros. Pela manhã, quando Raia chegou ao HC, foi chamado às pressas na sala da direção, que cobrou dele a falta da autópsia.

O primeiro julgamento do médico foi no próprio HC. Houve a abertura de um processo interno pelo hospital e eu fui ouvido por uma comissão. Nessa audiência, os médicos deixaram claro que não levariam adiante uma punição para o dr. Raia. Crucificariam a enfermeira e ponto final. Fiquei tão indignado que, em certo momento da reunião, me levantei e disse: “Senhores, não vamos mais perder o nosso tempo, isso aqui é um grande teatro. Está claro que o corporativismo irá levar à absolvição dos médicos responsáveis pela morte do meu pai”.

Dito e feito: dias depois, Raia e Mies foram absolvidos. A enfermeira condenada, já afastada, acabou se escondendo (ou foi escondida). Conversei com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que me contou que, durante todo o tratamento do meu pai, Raia telefonou diversas vezes para falar do estado do paciente amigo. FHC disse que, nessas oportunidades, o médico tentou convencê-lo a ajudar a colocar em pé o Hospital do Fígado que ele, Silvano Raia, queria construir.

Certo dia recebi em minha casa uma intimação para comparecer ao julgamento no Conselho Regional de Medicina (CRM). Raia me procurou e marcou uma conversa na unidade do Hospital Albert Einstein da Avenida Brasil, em São Paulo. O encontro foi rápido. Ele pediu que eu não o atacasse no CRM. Alegou ser inocente e não ser responsável pelos erros cometidos no tratamento e na morte de meu pai. Eu disse para ele ficar tranquilo. Se ele realmente era inocente, não deveria temer.

No dia da primeira audiência, falando para uma plateia de médicos, tentei quebrar o corporativismo. Fiz um discurso mostrando que naquele momento estavam sendo julgados dois professores titulares da USP: o médico e a vítima, meu pai. Fiz um discurso tão emotivo e denso que, ao final da sessão, Raia foi punido com uma advertência. Ficou furioso e saiu dizendo o diabo para mim. Meses depois recebi outra intimação do CRM, dessa vez para julgar um recurso feito por Raia. Dois dias depois recebi outro comunicado informando que o julgamento havia sido cancelado sem previsão de data.

Tempos depois descobri que o julgamento não havia sido cancelado coisa alguma. Com a minha ausência, Raia conseguiu ser absolvido. Recentemente Sérgio Mies me telefonou disposto a contar tudo o que sabia, mas não tive estômago para me encontrar com ele. Imagino que ele teria detalhes importantes para me dar. Mas minha mãe, cansada de tanto sofrimento, pediu para encerrar o caso. Não traria meu pai de volta, a justiça não seria feita e a saudade não seria reduzida.

Nota: Este texto estará na edição de número 25 da revista “Margem Esquerda”, editada pela Boitempo, que circula a partir do dia 16/11.

Veja também:

Em discurso, Lula diz que vai resistir a “três anos de pancadaria”; acompanhe a íntegra

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Publicação de: Viomundo

Exército pune general que pregou golpe e bancou homenagem a Ustra

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Comandante do Exército demite general que pediu “despertar de luta patriótica”

Declaração doi dada pelo general Antonio Hamilton Martins Mourão a oficiais da reserva

29/10/2015 – 21h39min

do Zero Hora

O Comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, decidiu demitir o general Antonio Hamilton Martins Mourão do Comando Militar do Sul e transferi-lo para a Secretaria de Economia e Finanças do Exército, em Brasília. O general Mourão, assim, perde o poder de falar para tropa. A decisão foi tomada depois de reunião do alto comando do Exército em Brasília, nesta semana.

A mudança foi em virtude das declarações dadas por ele em fala a oficiais da reserva, quando fez duras críticas à classe política e convocou os presentes para “o despertar de uma luta patriótica”.

A fala do general foi questionada nesta quinta-feira pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores, que questionou o ministro da Defesa, Aldo Rebelo, sobre a fala do general, que teria dito que “ainda tínhamos muitos inimigos internos, mas que eles se enganavam achando que os militares estavam desprevenidos” e que teria feito uma provocação, incitando os militares ao dizer: “Eles que venham!”.

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No início desta semana, outro problema. O Comando Militar do Sul fez uma homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, questionado pela Comissão da Verdade como torturador durante o regime militar. O Comando do Sul chegou a expedir convite para a cerimônia.

Esta postura do general Mourão acrescenta um ingrediente à crise política que o governo Dilma já vive. O Planalto havia deixado este assunto à cargo da Defesa porque não quer trazer mais esta questão para dentro do palácio.

Para o lugar do general Mourão irá o general Edson Leal Pujol, que estava na Secretaria de Economia e Finanças do Exército.

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Comissão da Anistia emite nota de repúdio à homenagem póstuma feita pelo Exército para o coronel Ustra, acusado de tortura

Brilhante Ustra nasceu em 1932 em Santa Maria e chefiou o DOI-CODI em São Paulo, sendo considerado torturador da ditadura militar pelo poder judiciário

do Diário de Santa Maria

A Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, emitiu nota contra a homenagem póstuma feita pelo Exército, em Santa Maria, ao coronel santa-mariense Brilhante Ustra, que morreu em outubro, em Brasília. Na quarta, outras duas entidades também havia divulgado nota de repúdio.

A nota diz que a Comissão da Anistia “repudia a decisão do comandante da 3ª DE em promover ‘solenidade em homenagem’ a Carlos Alberto Brilhante Ustra, um homem declarado oficialmente pela Justiça brasileira e pela Comissão Nacional da Verdade como torturador da ditadura. As Forças Armadas pertencem a todo o povo brasileiro e não merecem a indignidade de serem instrumentalizadas politicamente para este ato infame e vergonhoso à democracia e à memória das vítimas. Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça.”

O PT de Santa Maria também fez nota de repúdio, considerando a homenagem a Ustra uma afronta à democracia e às vítimas da ditadura e seus parentes.

Na quarta-feira, o comandante da 3ª Divisão do Exército, em Santa Maria, general de divisão José Carlos Cardoso, disse que as entidades tinham o direito de se manifestar, mas não iria comentar o assunto. Ele afirmou que foi feita apenas uma menção a Ustra na solenidade.

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Suplicy: Intolerância exibida por candidata sem voto levou à ditadura

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Publicação de: Viomundo

Suplicy: Intolerância exibida pela candidata sem voto levou à ditadura

do SigaJandira (reprodução parcial)

Bruno Trezena: Secretário, como começaram as agressões na livraria, secretário? E o que você sentiu na hora?

Eduardo Suplicy: Um grupo minoritário, aproximadamente de 15 pessoas, desde antes de começar a entrevista do Prefeito Haddad, agiu de forma muito desrespeitosa, gritando palavras, agitando faixas, procurando atrapalhar a entrevista programada das 10h às 12h de sábado, no auditório Eva Herz, da Livraria Cultura. Ele estava lotado, com mais de 150 pessoas, e muitos queriam assistir a entrevista. A jornalista Fabíola Cidral e o próprio Prefeito precisaram ser muito enfáticos para que aquele grupo permitisse que a entrevista se desenvolvesse normalmente. Acalmou-os um pouco quando deu a oportunidade para que três deles formulassem perguntas. O Prefeito respondeu muito bem a todas as perguntas, demonstrando profundo conhecimento da cidade e das iniciativas que está desenvolvendo.

Após o término da entrevista, cumprimentei o Prefeito e os jornalistas. Ao sair, pouco antes do Prefeito, um rapaz me fez uma pergunta sobre como será o financiamento das campanhas. Respondi que era contra as contribuições de pessoas jurídicas e a favor de transparência em tempo real por meio da página eletrônica de cada partido e candidato de toda e qualquer contribuição. Foi então que aquele pequeno grupo de pessoas, que haviam estendido uma faixa de críticas diversas, começou a gritar – “Suplicy, vergonha do Brasil”. Aproximei-me dos mesmos com a disposição de dialogar, mas como se recusaram a qualquer diálogo, só queriam gritar, sem procurar saber a verdade sobre quaisquer fatos, eu disse a uma das moças que ela era golpista e fui embora. Minutos depois, quando o Prefeito saiu do auditório, mais uma vez o grupo de pessoas começou a gritar ofensas a ele, que acompanhado de pessoas, logo saiu.

BT: Como militante histórico e gestor da pasta de Direitos Humanos de São Paulo, de que forma o senhor avalia o crescimento de uma onda conservadora e reacionária no país?

ES: Ao presenciar o ato inter-religioso na Catedral da Sé, no último domingo, em memória dos 40 anos do assassinato de Vladimir Herzog, e ouvir as palavras de seu filho Ivan, refleti sobre como aquelas pessoas intolerantes, desrespeitosas e antidemocráticas é que levaram o Brasil a viver tragédias como as caracterizadas pelos tristes episódios do regime militar .

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Mulher que hostilizou Suplicy e Haddad será expulsa do PSOL, diz Jean Wyllys

Por iG São Paulo | 27/10/2015 12:16 – Atualizada às 27/10/2015 14:35

“A direção do partido vai acelerar a expulsão da fascista”, diz Willys sobre partidária que concorreu em 2012 pelo PSOL

Na noite da segunda-feira (26) o deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ) publicou em seu perfil no Facebook um texto intitulado “Como responder a uma fascista [ou um pedido de desculpas a Eduardo Suplicy e a Fernando Haddad]”. Nele, o deputado afirma que Celene Carvalho é filiada ao (PSOL) e está em processo de expulsão. A mulher integrou um grupo de manifestantes contrários ao Partido dos Trabalhadores (PT) que se exaltou na saída do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), no último sábado (24) na Livraria Cultura, depois de uma sabatina realizada pela rádio CBN. Suplicy, que é secretário de Haddad, acompanhava o debate do correligionário e foi atacado verbalmente pela mulher.

Em vídeo divulgado nas redes sociais no sábado (24), o grupo hostiliza Eduardo Suplicy, sob os gritos de “Suplicy vergonha nacional”. Em uma discussão, Celene grita: “Aqui não é PT, não. Aqui, vocês estão na terra de quem trabalha. Aqui é trabalho, aqui é terra dos coxinhas! Não somos sustentados, não!”

Celene Carvalho disputou o cargo de prefeita de São Lourenço (MG) pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), nas eleições de 2012. Ela obteve 1,15% dos votos (370 votos) e não foi eleita; a cidade tem população aproximada de 41.650 habitantes.

Wyllys esclareceu no texto: “A representação do PSOL em Minas informou que já havia pedido o afastamento da fascista. Porém, como o pedido de afastamento não fora devidamente encaminhado à Comissão de Ética da direção nacional do partido, Celene continuava constando da lista de filiados do PSOL. Mas, com esse episódio, a direção nacional do partido vai acelerar a expulsão da fascista.”

Jean Wyllys acredita que “Celene tenha se infiltrado no PSOL devido às disputas internas. Tendo em mente apenas a informação de que o partido nascera de uma dissidência do PT, a fascista deve ter achado que o PSOL seria terreno fértil para seu antipetismo doentio e certamente contou com o apoio de algum dirigente que pretendia usá-la nas disputas internas”.

O iG tentou contato com Celene Carvalho, mas não obteve retorno.

PS do Viomundo: É óbvio que o Viomundo aderiu ao boicote à Livraria Cultura. Experimentem fazer o que os manifestantes fizeram no lançamento do livro do FHC, por exemplo. A segurança e a polícia vão aparecer em 30 segundos…

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Na ditadura, DOPS de Bauru respeitava o horário comercial

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Publicação de: Viomundo

Intimação às 11 da noite, em casa de mulher grávida: na ditadura, em Bauru o DOPS respeitava o horário comercial

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Zola: culpado até prova em contrário

Intimação de filho de Lula, às 23 horas, é prova do “país da meganhagem”

POR FERNANDO BRITO · 29/10/2015, no Tijolaço

Tenho afirmado aqui que o Brasil virou o país da “meganhagem”.

A Polícia passou a servir para produzir espetáculos políticos.

A polícia ter ido  ao apartamento de Luis Cláudio Lula da Silva   por volta das 23 horas da terça-feira, logo após ele ter chegado, com a mulher grávida, da festa de aniversário do pai é reveladora dos métodos que se empregam quando, em lugar de apurar, busca-se intimidar e humilhar.

Não é difícil acreditar que, até, os policiais estivessem de “campana” próximos ao Instituto Lula para segui-lo e intimá-lo assim que chegassem em casa.

Trata-se, é bom lembrar, de pessoa que não é acusada de nada, não está indiciada, tem endereço certo – aliás, apontado como suspeito por ter sido cedido por seu padrinho de batismo!

O tal depoimento seria hoje, quinta-feira, e havia obvio tempo hábil para que fosse feita, por exemplo, na manhã seguinte.

De novo, não é por ser apenas em relação ao filho do ex-presidente, é em relação a qualquer pessoa que não tem uma ordem de condução judicial, que apenas é intimada a prestar esclarecimentos.

É que quando se faz o que é desnecessário, é claro, está se fazendo algo com deliberada intenção em algo.

E, neste caso, o de provocar constrangimento.

Havia “risco de fuga”? Indicio de crime em flagrante? Qual o perigo que representava um rapaz com sua mulher grávida para ser perturbado neste horário? Onde estavam os policiais, “campanando” um ato particular onde se encontrava a Presidente da República? Com que fim, já que havia endereço sabido e não era aquele?

Infelizmente, não há na Polícia Federal chefes com capacidade de convocar seus subordinados a explicarem porque de uma notificação feita nestas circunstâncias e não segundo os procedimentos de praxe.

E não há, no Ministério da Justiça quem chame a direção da Polícia Federal às falas.

Porque aquilo é uma instituição da República e não o playground da meganhagem para fazer a sua politicagem de cabecinhas de pitbull.

PS do Viomundo1: Meu pai, militante comunista, era absolutamente contra a luta armada durante a ditadura militar. As idas de agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) à minha casa eram duplamente arbitrárias: sem mandado e sem “crime presumido”. Éramos cinco crianças estupefatas com aqueles homens que saiam com sacos de estopa cheios de livros “suspeitos”. Romances de Zola, por exemplo. Ah, mas tinha uma coisa: os agentes do DOPS em Bauru sempre respeitaram o horário comercial.

PS do Viomundo2: Quer dizer que um procurador alheio à Operação Zelotes incluiu de última hora as empresas do filho de Lula na lista de busca e apreensão da PF, aprovada pela juíza que é casada com o prefeito tucano de Blumenau, aliado de Aécio Neves? Vai vendo.

PS do Viomundo3: A direita é burra. Está agindo com tal extremismo que vai despertar simpatia popular por Lula, o perseguido.

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Em discurso, Lula diz que vai resistir a “três anos de pancadaria”; acompanhe a íntegra

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Publicação de: Viomundo

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