Monthsetembro 2015

Posições de candidato ao Ministério da Saúde são incompatíveis com o Mais Médicos

manoel e cunha

por Conceição Lemes

Na sexta-feira, 25 de setembro, o Viomundo denunciou: o deputado federal Manoel Junior  (PMDB-PB) no Ministério da Saúde pode ser a pá de cal no SUS; financiado por plano de saúde e por laboratórios farmacêuticos, sua especialidade é defender o privado.

Em 2014,  ele foi eleito com apoio financeiro da Bradesco Saúde e dos laboratórios farmacêuticos Biolab Sanus e Eurofarma, dos quais recebeu, respectivamente, R$ 105.667,66, R$ 100 mil e R$ 150 mil. Total: R$ 355.667,66

Manoel Junior é um dos três nomes oferecidos pelo PMDB à presidenta Dilma Rousseff para ocupar a Saúde. Da tropa de choque do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é o mais cotado, preferido pelo partido. Os outros dois nomes são os deputados federais Marcelo Castro (PMDB-PI) e Saraiva Felipe (PMDB-MG), já vetado por Dilma.

Em matéria publicada nesta segunda-feira no Estadão,  Manoel diz afirmou que não teve contato com os doadores que fizeram repasses a seu partido:

“Não sabia de onde vinha. Recebi do meu partido. Meu partido estava me designando aquilo e eu aceitei de bom grado”, afirmou Manoel Júnior. “Biolab? Não sei nem onde fica. Nem lembro que tinha plano de saúde (como doador). Minha preocupação era apenas na prestação de contas.”

A matéria do Estadão toca em outro ponto delicado. As críticas de Manoel Junior ao Programa Mais Médicos, a principal vitrine do governo Dilma na área de saúde:

Manoel Júnior diz que suas declarações foram descontextualizadas. Ele afirma ser favorável ao Mais Médicos e que apenas fez ressalvas à “importação” de estrangeiros. “O Mais Médicos é um programa exitoso. O governo conseguiu levar médicos aonde não tinha.”

Vamos por partes.

Em entrevista à TV Câmara (veja o vídeo abaixo), em 2013, Manoel Junior não só questionou o Programa Mais Médicos como é a favor do Ato Médico.

Manoel Junior criticou o fato de a presidenta Dilma ter vetado em julho de 2013 vários pontos do projeto de lei que  disciplina o exercício da Medicina no País. Também conhecida como Lei do Ato Médico, a norma determina que são privativas do médico atividades como indicação e execução de intervenção cirúrgica, sedação profunda e procedimentos invasivos (sejam terapêuticos ou estéticos), como biópsias, endoscopias e acessos vasculares profundos.

Se não fossem os vetos da presidenta Dilma, o projeto de lei, tal como foi aprovado pelo Congresso, transformaria, por exemplo, a prática da acupuntura em privativa dos médicos, o que iria contra a  Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do Sistema Único de Saúde.

Aliás, se fossem aplicadas as medidas sugeridas por  Manoel Junior ao Mais Médicos — acabar com a contratação por bolsa e exigir a revalidação no Brasil do diploma dos médicos estrangeiros — , o programa simplesmente não existiria.

Na verdade, a posição do deputado Manoel Junior é flagrantemente corporativista. Ele não defende o lado dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), mas, sim, as posições das entidades médicas, que estão em campanha feroz contra Dilma desde o primeiro mandato.

Em relação aos financiadores de sua campanha, relembramos, Manoel Junior diz ao Estadão: “Biolab? Não sei nem onde fica”

Para refrescar a memória, sugerimos ao nobre deputado que reveja a prestação de contas de 2010.

A partir de dicas do leitor FrancoAtirador nos comentários, fizemos uma consulta aos doadores e fornecedores de campanha no site do TSE.

Primeiro, acesse: http://spce2010.tse.jus.br/spceweb.consulta.receitasdespesas2010/abrirTelaReceitasCandidato.action

Agora, clique em Localizar Candidato.  Lembre-se de que o deputado federal Manoel Junior é da Paraíba, número 1515.

Depois, clique em Resumo.

Curiosamente, em 2010, lá estão a Biolab Sanus  (“Biolab? Não sei nem onde fica”) e Eurofarma. Cada uma colaborou com  R$ 84 mil, divididos em três parcelas de R$ 28 mil.

Além desses dois laboratórios farmacêuticos, aparecem outros três laboratórios farmacêuticos: Aché, INFAN Indústria Química Farmacêutica e Libbs.  Cada uma delas colaborou com R$ 84 mil, divididos em três parcelas de R$ 28 mil.

manoel 2010 1-002

Manoel 2010 2

Resultado da receita de 2010:  dos R$ 828.802,93 levantados, R$ 420 mil vieram de cinco laboratórios farmacêuticos. 

Ou seja, 2014, não foi exceção. Em 2010, Manoel Junior foi bancado também por laboratórios. Na eleição de 2010,  quase 51% dos recursos de campanha do deputado federal mais cotado para o Ministério da Saúde vieram da indústria farmacêutica.

Leia também: 

Manoel Junior no Ministério da Saúde pode ser a pá de cal no SUS 

O post Posições de candidato ao Ministério da Saúde são incompatíveis com o Mais Médicos apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Feltrin: Nova empresa de medição de audiência desinfla a Globo; quanto a Secom pagou a mais do que deveria pela publicidade?

Eduardo Cunha e dono da Globo

GfK: Record e SBT têm mais audiência do que Ibope diz

Ricardo Feltrin, no UOL, sugerido pelo Aldo

Dados da Gfk sobre audiência serão divulgados oficialmente na próxima semana

Os primeiros dados apurados pela empresa alemã GfK, que começou a medir o público da TV brasileira nas últimas semanas, apontam que a audiência de emissoras como Record e SBT é maior do que a registrada até hoje pelo Ibope.

A GfK passa a ser a concorrente do instituto, que até então detinha o monopólio na área.

O UOL teve acesso a algumas observações feitas após as primeiras medições do GfK. A primeira leva de dados consolidados só deverá ser divulgada na próxima semana pela empresa às emissoras que assinaram seu serviço (Record, SBT e RedeTV!).

A Globo até o momento não faz parte desse “pool” de empresas e continuará usando apenas dados do Ibope. A Band, por sua vez, chegou a anunciar que integraria o grupo, mas o elevado custo desse novo serviço (a emissora já paga caro pelo Ibope, assim com as demais) a teria feito desistir semanas atrás.

Fontes do GfK, porém, afirmam que ainda está sendo discutida uma forma de manter a Band no portfólio de clientes.

Segundo esta coluna apurou, a nova medição não deverá provocar nenhuma “revolução” ou mudanças radicais no ranking atual das emissoras?abertas. Não. A Globo continua líder isolada, seja pelo GfK seja pelo Ibope.

Porém, a metodologia alemã já teria observado que o SBT, por exemplo, tem mais audiência matinal e à tarde do que a medida atualmente pelo?Instituto Ibope.

Outro dado é que, segundo os dados iniciais da GfK, a Record também tem mais público na faixa da tarde e à noite do que os números atuais medidos pelo Ibope.

A empresa alemã também está encontrando diferenças (em relação ao Ibope) entre algumas faixas etárias e sociais.

Segundo fontes ouvidas por esta coluna (que pedem anonimato), essa discrepância captada em medições iniciais pode indicar que a metodologia utilizada pelo GfK seria mais completa e ampla que a utilizada atualmente.

A empresa alemã estaria contemplando “significativas mudanças” nos estratos sociais ocorridos especialmente nos últimos dez anos.

O Ibope instala aparelhos em residências de acordo com um estrato obtido de acordo com dados demográficos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Segundo o Ibope, a distribuição de seus aparelhos de medição contempla todas as camadas sociais, de escolaridade e faixas etárias.

O GfK também teve de utilizar dados do IBGE para definir a instalação de seus aparelhos, mas seu departamento de pesquisa teria observado novas e importantes mudanças sociais e de renda nos últimos anos.

Por exemplo: uma parcela da população (e, claro, de profissionais) que no passado pertencia à classe C, hoje está na classe B e até mesmo na A, apesar de não ter mudado de profissão. O comportamento e perfil de consumo dessas pessoas, porém, mudaram drasticamente.

Um exemplo típico: 10 ou 20 anos atrás uma cabeleireira ou um pedreiro podiam ser enquadrados como representantes tradicionais da classe C. Só que hoje, devido a mudanças no mercado e no país, esses mesmos profissionais podem faturar, digamos, até R$ 10 mil por mês (lembrem-se, são só exemplos).

Por isso, embora tenham mantido a mesma profissão, hoje seu status e seus hábitos de consumo – e também como telespectadores – podem ter mudado radicalmente.

Ainda é cedo para saber como as emissoras, o mundo publicitário e, em especial, os anunciantes irão reagir aos novos dados de audiência medidos pela GfK, mas é óbvio que eles serão analisados detalhadamente e com atenção.

Mercado ganha?Embora muita gente acredite que uma segunda empresa medindo audiência pode servir apenas para criar confusão no mercado, alguns especialistas acreditam que é justamente o oposto disso: que eventuais discrepâncias que o GfK identificar também podem servir para aprimorar ainda mais estratégias publicitárias e de anunciantes na TV.

O Ibope tem hoje aparelhos instalados em cerca de 5.000 residências das 15 maiores regiões metropolitanas do país. Há promessa de elevar esse número para 6.000 ainda este ano.
Já o GfK instalou cerca de 6.600 aparelhos pelo país, e promete medir também o público de TV on demand e de sistemas como o Netflix.

Ricardo Feltrin, 51, é colunista do UOL, onde apresenta o programa Ooops! às segundas. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros.

PS do Viomundo: Comentário de um colega blogueiro via e-mail, se o motivo da queda repentina da audiência das novelas da Globo for resultado de um “ajuste” operado pelo Ibope para não passar vergonha diante da concorrência — “Caso seja verdade, e faz sentido, foi o Assalto do Século a anunciantes crédulos, a começar pela Secom …”.

O post Feltrin: Nova empresa de medição de audiência desinfla a Globo; quanto a Secom pagou a mais do que deveria pela publicidade? apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

PL do terrorismo será votado no Senado; pode afetar todos os movimentos populares do País

repressao1_0

PL TERRORISMO (PL 2.016/2017 na origem, PLS 101/2015 no Senado)

Tânia M. S. Oliveira – Assessoria jurídica PT/Bloco

No dia 13 de agosto último foi aprovada na Câmara dos Deputados a redação final do projeto de lei denominado de “antiterrorismo” (PL 2016/2017), enviado pelo Poder Executivo.

No Senado o projeto recebeu o número de PLC 101/2015.

Em regime de urgência, o PLC 101/2015 foi distribuído para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJ e para a Comissão de Relações Exteriores- CRE.

Na CRE foi designado relator o Senador Romero Jucá (PMDB/RR) e foram apresentadas 13 emendas, sendo 11 de autoria do Senador Humberto Costa (PT/PE) e 2 de autoria da Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM). Na CCJ não houve designação de relator.

Não tendo recebido parecer nas comissões e dado o limite do prazo, o projeto entra obrigatoriamente na pauta do Plenário a partir do dia 25/09/2015.

1. O texto aprovado na Câmara dos Deputados:

O projeto enviado pelo Poder Executivo foi substancialmente alterado na Câmara dos Deputados. Contudo, antes de fazer juízo de valor sobre as modificações, necessário entender o conteúdo aprovado.

O texto final regulamenta o disposto no inciso XLIII, do art. 5º, da Constituição Federal, disciplinando o terrorismo, tratando de disposições investigatórias e processuais e reformulando o conceito de organização terrorista; e altera as Leis nºs 7.960, de 21 de dezembro de 1989, e 12.850, de 2 de agosto de 2013.

A matéria foi aprovada na Câmara dos Deputados por meio de um substitutivo do relator, deputado Arthur Oliveira Maia (SD-BA).

O texto prevê pena de reclusão de 12 a 30 anos em regime fechado, sem prejuízo das penas relativas a outras infrações decorrentes desse crime. Segundo o parecer, o terrorismo é tipificado como a prática, por um ou mais indivíduos, de atos por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública.

Para o enquadramento com a finalidade explicitada, define como atos terroristas o uso ou a ameaça de usar explosivos, seu transporte, guarda ou porte, o que se aplica, ainda, a gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa.

De igual modo estarão sujeitos a pena de 12 a 30 anos os seguintes atos se qualificados pela Justiça como terroristas:

– incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado;
– interferir, sabotar ou danificar sistemas de informática ou bancos de dados;
– sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, de meio de comunicação ou de transporte; de portos; aeroportos; estações ferroviárias ou rodoviárias; hospitais; casas de saúde; escolas; estádios esportivos; instalações de geração ou transmissão de energia; instalações militares e instalações de exploração, refino e processamento de petróleo e gás; e instituições bancárias e sua rede de atendimento;
– atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa.

A proposta altera, ainda, a Lei das Organizações Criminosas (12.850/13) a fim de permitir a aplicação imediata de instrumentos de investigação nela previstos, tais como a colaboração premiada, o agente infiltrado, a ação controlada e o acesso a registros, dados cadastrais, documentos e informações.

Prevê, também, que poderá ser aplicada a Lei 8.072/90, sobre crimes hediondos, que já classifica o terrorismo nessa categoria.

Para elucidar que não deverão ser enquadrados como terrorismo os protestos de grupos sociais o texto faz uma ressalva explícita. A exceção inclui a conduta individual ou coletiva nas manifestações políticas, nos movimentos sociais, sindicais, religiosos ou de classe profissional se eles tiverem como objetivo defender direitos, garantias e liberdades constitucionais.

Em relação ao crime de financiamento do terrorismo, o relator aumentou a pena proposta pelo Executivo, de 8 a 12 anos para 15 a 30 anos de reclusão. Estarão sujeitos a essa mesma pena quem receber ou prover recursos para o planejamento, a preparação ou a execução dos crimes previstos no projeto.

Por seu turno, o ato de promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por meio de outra pessoa, a organização terrorista estará sujeito a pena de reclusão de 5 a 8 anos e multa. Essa pena será aplicada, também, a quem abrigar pessoa que se saiba ter praticado ou que vá praticar crime de terrorismo. Há exceção para o parente, ascendente ou descendente em primeiro grau, cônjuge, companheiro estável ou irmão da pessoa abrigada ou recebida.

Pena de 4 a 8 anos e multa será infligida a quem fizer publicamente apologia de fato tipificado como crime, ou de seu autor. Como agravante, a prática desse crime de apologia feita pela internet implicará aumento de um sexto a dois terços da pena.

No caso da realização de atos preparatórios de terrorismo, a pena, correspondente àquela aplicável ao delito consumado, será diminuída de um quarto até a metade. Isso inclui o recrutamento, a organização, o transporte e o treinamento de pessoas em país distinto de sua residência ou nacionalidade. Quando o treinamento não envolver viagem ou treinamento em outro país, a redução será de metade a dois terços da pena.

Se do crime previsto no projeto resultar morte, a pena será aumentada da metade e se resultar em lesão corporal grave, o aumento será de um terço. A exceção é para o crime em que isso for um elemento desejado (explosão de uma bomba em lugar de grande circulação, por exemplo). Igual agravante será aplicado se da ação resultar dano ambiental, com aumento da pena em um terço.

Em qualquer crime os condenados em regime fechado cumprirão pena em estabelecimento penal de segurança máxima.

O texto explicita que poderá ser usado o instituto da prisão temporária para os crimes relacionados ao terrorismo.

No que tange à competência para investigação criminal, processamento e julgamento, o projeto prevê que, pelo fato de esses crimes serem praticados contra o interesse da União, caberão à Polícia Federal e à Justiça Federal.

Por fim, o texto permite ao juiz, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público ou do delegado de polícia, decretar medidas para bloquear bens do investigado se houver indícios suficientes de crime relacionado ao terrorismo.

2. As emendas apresentadas no Senado

A Emenda nº 01 da Senadora Vanessa Grazziotin acrescenta um § 3º ao art. 2º do projeto para determinar que as definições da prática de terrorismo deverão ser reconhecidas por tratados ou convenções internacionais do qual o Brasil é signatário;

A emenda nº 02 da mesma autora inclui a Agência Brasileira de Inteligência – Abin como a coordenadora dos trabalhos de prevenção e combate aos crimes previstos na Lei, enquanto não regulamentada pelo Poder Executivo.

As emendas apresentadas pelo Senador Humberto Costa buscam, em larga medida, resgatar o texto original do Poder Executivo. Tratam, em regra, da revisão das penas majoradas na votação da Câmara dos Deputados, reduzindo-as em respeito ao princípio da proporcionalidade, buscando, ainda, solucionar os problemas da imprecisão, desproporcionalidade e da abertura excessiva proposta nos incisos da redação aprovada.

A emenda nº 03 é longa e modifica diversos dispositivos. Repõe as penas previstas no projeto original, transforma alguns dos tipos previstos em causas de aumento de pena, como no caso de danos a infraestruturas críticas, e de utilização de armas capazes de causar destruição em massa; condensa no art. 3º todas as condutas capazes de fazer surgir e funcionar uma organização terrorista, desde integrá-la até fornecer treinamento aos seus integrantes, prevendo para todas elas a mesma pena, para a manutenção da proporcionalidade.

A emenda nº 04 modifica, especificamente, o art. 2º, seus parágrafos e incisos (também incluído na Emenda nº 03). Modifica a redação do parágrafo, excluindo as condutas ali descritas como atos de terrorismo que podem ser consideradas de pouca gravidade, no caso concreto, para a tipificação do terrorismo: “saquear”, “depredar”, “interferir em banco de dados” e repõe termos retirados durante os debates na Câmara que serão objeto de análise a seguir.

As demais emendas são supressivas, de adequação de texto ou, como já dito, de ajustes na proporcionalidade das penas.

3. Ponderações sobre as emendas

A emenda nº 01 da Senadora Vanessa não indica carrear grandes problemas. As definições da prática de terrorismo são, ao menos em tese, reconhecidas nos tratados internacionais. Cada país possui sua legislação interna, respeitados os parâmetros dos acordos. É uma emenda inócua, exceto se houver algum elemento que esta assessoria não consegue vislumbrar.

Quanto à emenda nº 02 cabe ao Poder Executivo questionar a inclusão da ABIN no papel de a coordenadora dos trabalhos de prevenção e combate aos crimes previstos na Lei, enquanto não regulamentada pelo Poder Executivo. De todo modo a emenda atribui competência a um órgão do Poder Executivo, o que atrai o debate de constitucionalidade formal, devendo ser rejeitada.

A emenda nº 03 readequa o projeto ao original e faz importantes correções na aplicação das penas. O mesmo pode ser dito das demais (05 a 13).

Sobre a emenda nº 04 é preciso fazer uma ponderação. A par de efetivamente conferir melhor redação ao artigo de forma geral, suprimindo os incisos do § 1º que descrevem os atos de terrorismo em um rol amplo, abarcando condutas que podem ser de pouca gravidade no caso concreto para a tipificação do terrorismo a emenda repõe, contudo, na definição conceitual de motivação do terrorismo as “razões de ideologia e política” o que não se apresenta razoável.

É que, mesmo que seja mantido no parágrafo 3º a exclusão da tipificação “a conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais ou sindicais movidos por propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender ou buscar direitos, garantias e liberdades constitucionais” a generalização do conceito de motivação por “razões de ideologia e política”, a considerar a prática do sistema de justiça no Brasil, pode, efetivamente, agravar os ataques a movimentos sociais organizados e reivindicatórios.

Não é possível afirmar com clareza, pelo projeto de lei, o que é uma manifestação política legítima que seja substancialmente diferente de atos por “razões de ideologia e política”. Como se definirá que um movimento está “coagindo uma autoridade” (art. 2º na proposta de emenda) ou está “contestando, criticando, protestando” (art. 3º)? Ambos, ao que se sabe, podem possuir motivação “ideológica e política” e estarão sujeitos à livre interpretação das autoridades encarregadas da investigação, processamento e julgamento.

A propósito, esse é o recorte que faz parte, como emenda, do todo da crítica na análise a seguir que se relaciona ao mérito do projeto propriamente dito.

4. Por que tipificar “terrorismo”?

Após os ataques sofridos pelos Estados Unidos da América no início deste Século avolumou-se o debate sobre atos terroristas em todo o mundo. Ameaças são noticiadas de forma recorrente na imprensa, que, como é praxe, cria sensacionalismo em torno dos fatos, de tal modo que é difícil separar a compreensão de determinada prática terrorista dos discursos construídos sobre terrorismo, condição extremamente necessária para que se percebam as questões políticas e ideológicas que ocultam as manifestações sobre o tema.

A busca pela tipificação de um crime chamado “terrorismo” não é nova. Os problemas do tratamento jurídico-penal decorrem da falta de claridade conceitual aliada à flexibilização do princípio da legalidade, a adoção de penas desproporcionais e os discursos de guerra que norteiam e acompanham o tema. Não há nenhuma definição sobre o que se pretende regular, investigar e sancionar. Os diferentes tratamentos e ações conferidos pelos países do mundo demonstram que não existe consenso na definição de terrorismo no âmbito internacional.

A narrativa do debate sobre o terrorismo indica a formulação de uma jurisdição de exceção, em que se afastam os princípios, as regras e garantias do devido processo legal aplicáveis aos delitos em geral. A pressão de organismos internacionais – a exemplo do Gafi (Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo), oferecida como justificativa nos discursos das autoridades, é o motivo central dado pelo governo federal para a formulação e envio do projeto.

Nesse ponto reputo salutares as palavras da professora Marta Rodriguez de Assis Machado, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo em recente artigo publicado em um sítio da internet:

“…A necessidade de harmonização da legislação ao cenário internacional não move nossos representantes a promover reformas em um sem número de áreas em que nossa legislação está flagrantemente ultrapassada. Estamos na pré-história do debate sobre gênero e temos uma das legislações mais retrógradas sobre uso de entorpecentes do planeta, por exemplo. A pressão de organismos internacionais – a exemplo do Gafi (Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo), citado no documento legislativo – também é sentida de forma pouco uniforme por nossos representantes, vide a quantidade de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil que ainda não viraram norma jurídica interna. É, assim, muito difícil compreender as razões políticas explicitadas na propositura e tramitação dessa neste momento.”
(disponível em: http://brasileiros.com.br/2015/09/de-que-lado-esta-o-terror/)

Por outro lado, se há países onde, em tese ou pelas circunstâncias, se justifica uma tipificação do crime de terrorismo, certamente não é o caso do Brasil, em que não há registros da prática, e onde temos uma legislação penal por demais extensa e que cresce a cada dia. Obviamente, trasladar legislações internacionais sobre terrorismo demandaria fazer análise do contexto social brasileiro, sob pena de gerar mais abusos no sistema jurídico e contradições com as normas já existentes.

De forma geral o texto ora em debate no Congresso Nacional busca proteger bens que possuem conceitos indeterminados e imprecisos, sem obedecer a uma propriedade técnica e lógica que forneça os elementos para que se exerça a função de segurança e garantia do tipo penal. Assim é que a finalidade de praticar “terror social ou generalizado” é definição que, objetivamente, fica a critério da livre interpretação do aplicador da norma.

Em um país sem histórico de ataques que poderiam, ao menos em tese, ser enquadrados como terroristas – se consideradas as características dos atos internacionais – e com seríssimos problemas de violência policial contra cidadãos, inclusive em manifestações públicas e protestos, um sistema de justiça claramente seletivo, como afastar o receio de que a nova lei venha a ser um instrumento legal de maior repressão a movimentos sociais? Que garantia se tem que uma ressalva de que a eles não se aplica porque retirada a interpretação extensiva se não há qualquer clareza entre o que vem a ser “propósitos sociais ou reivindicatórios” ou a clara distinção entre “contestar, protestar” e “coagir” o governo?

O bastante provável – porque as estatísticas pós-vigência de leis com maior rigor punitivo o atestam – é que este será mais um instrumento normativo de alto potencial repressivo e um passo adiante para os exercícios de arbítrios do Estado.

Desse modo, em conclusão, a posição da assessoria é pela rejeição do projeto.

Entendendo, nada obstante, a dificuldade de que tal posição se estabeleça, em virtude de ser um projeto de autoria do Poder Executivo, indica-se que os Senadores façam as devidas ponderações, imponham a necessidade da aprovação das emendas apresentadas pelo Senador Humberto Costa, na tentativa de um texto “menos ruim”, com exceção de parte da emenda nº 04 que repõe no art. 2º os termos, “ou coagir autoridades nacionais ou estrangeiras a fazer ou deixar de fazer algo” bem como “razões de ideologia, “política”. Nesse ponto, propõe-se a retirada ou rejeição, pelos motivos acima expostos, com a consequente manutenção do caput do artigo como veio da Câmara dos Deputados.

Quem quiser aderir ao documento, terá de fazê-lo até dia 30, quarta-feira. Basta enviar e-mail paraanamelomoraes@gmail.com

Leia também:

André Singer: Adeptos do impeachment tem se aproveitado da Lava Jato para vender gato por lebre 

O post PL do terrorismo será votado no Senado; pode afetar todos os movimentos populares do País apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Coordenador da FUP a Serra no Senado: “É patriótico entregar nossas reservas de pré-sal às multinacionais?”

FUP, Serra e Zé Maria em Audiência no Senado

Fotos: André Oliveira/FUP

FUP em audiência com Serra: “É patriótico entregar nossas reservas às multinacionais”

do site da FUP

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, participou nesta segunda-feira, 28, de audiência pública no Senado, que debateu a participação da sociedade na gestão do Pré-Sal e os impactos do PLS 131/2015, que retira da Petrobrás a exclusividade na operação dessas reservas e a participação mínima em 30% dos campos. A audiência foi promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), a pedido do senador Paulo Paim (PT/RS). O senador José Serra (PSDB/SP), autor do PLS 131, participou do debate, que também contou com a presença do diretor da CUT, Vitor Carvalho, além de representantes da NCST, da Aepet e da Sociedade de Economia do Rio Grande do Sul (Socecon).

O coordenador da FUP, José Maria Rangel, começou sua fala, lembrando que a Lei 12.351/2010, que estabelece o regime de partilha para o Pré-Sal, foi amplamente discutida no Congresso Nacional, durante 15 meses, antes de ser aprovada e que, portanto, não se pode querer “mudar algo que é estruturante para o nosso país por um problema conjuntural pelo qual a Petrobrás está passando”.

Ele provocou o senador José Serra, que tem alegado que o seu projeto (PLS 131) é patriótico. “É patriótico a gente entregar nossas reservas para as empresas multinacionais?”, retrucou o coordenador da FUP, criticando a argumentação dos entreguistas de que mudar a lei trará novos investimentos para o país. “O setor petróleo no Brasil foi aberto em 1997 e qual foi o investimento que as multinacionais fizeram no nosso país nesses quase vinte anos?”, questionou José Maria, ressaltando que sem a Petrobrás, não haveria política de conteúdo nacional, nem o desenvolvimento da cadeia produtiva do setor.

“Como operadora única e sendo uma empresa do Estado, a Petrobrás é que vai ditar o ritmo de produção do pré-sal para evitar a produção predatória”, destacou o coordenador da FUP, esclarecendo que a participação mínima, prevista na lei de partilha e que José Serra quer acabar, é uma prática adotada também no regime de concessão, onde a orientação da ANP é de que a operadora tenha pelo menos 30% do campo.

José Maria Rangel provocou os parlamentares, declarando que “nesse momento, o Senado e a Câmara deveriam estar gastando energia, buscando resolver os problemas da Petrobrás”. Ele afirmou ainda que o governo tem que assumir sua responsabilidade como acionista majoritário da Petrobrás e financiar os projetos da empresa. “Isso não é novidade. Na crise do capital, em 2008, o governo Obama investiu 30 bilhões de dólares na General Motor e investiu agora 10 bilhões de dólares nas empresas exportados de gás dos Estados Unidos”, lembrou ele.

Ao encerrar a sua fala, o coordenador da FUP fez um chamado ao Congresso Nacional, ao governo e à sociedade para que denfendam a Petrobrás e o Pré-Sal. Não podemos tratar o pré-sal como se fosse um ônus para a companhia. Quantas empresas mundo afora gostariam de ter as reservas do pré-sal, cerca de 300 bilhões de barris de petróleo? Portanto, a Petrobrás, o governo e a sociedade brasileira não podem abrir mão disso”, afirmou.

fup no senado

Veja aqui a íntegra da fala do coordenador da FUP na audiência no Senado. 

Leia também:

André Singer: Adeptos do impeachment tem se aproveitado da Lava Jato para vender gato por lebre 

O post Coordenador da FUP a Serra no Senado: “É patriótico entregar nossas reservas de pré-sal às multinacionais?” apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Ao vivo, Roberto Amaral, Tarso Genro e Luciana Santos debatem: “A mídia e o ovo da serpente”

debatemidiaovodaserpente (1)

 

 

 

O post Ao vivo, Roberto Amaral, Tarso Genro e Luciana Santos debatem: “A mídia e o ovo da serpente” apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Alexandre Tambelli: Alessandre Molon, do PT para matéria de página inteira em O Globo

molon

ALESSANDRO MOLON: DO PT DIRETAMENTE PARA O GLOBO

por Alexandre Tambelli, nos comentários

O que chama atenção destas saídas de parlamentares do PT é que muitos dos políticos não saem do PT e se mantém em silêncio ou falam do(s) motivo(s) da saída do partido, apenas em uma Imprensa de esquerda, eles vão parar nas páginas da velha mídia e o pior, no dia seguinte.

Ontem o Deputado Alessandro Molon estava com página inteira em O Globo, justamente, no maior dos carrascos do PT, das esquerdas e do Brasil e acredita ser normal assim proceder.

Holofotes em O Globo é de uma incoerência só. Na verdade, mostra oportunismo e desvalorização do eleitor do Deputado Federal.

Realmente, a gente vê gente saindo do PT direto pras páginas amarelas da Veja, pra página inteira de O Globo e se questiona:
Esta gente tem algum comprometimento coletivo com uma sociedade mais igualitária e com as esquerdas ou quer um mandato para si? Um Projeto particular de Poder?

Direto pras páginas dos meios de comunicação mais à direita que conhecemos? Mais antinacionalistas? Mais anti-petistas? Mais anti-esquerdistas? Cadê o comprometimento ético com a Ideologia que se crê o Político exercitar no cotidiano e defender nos parlamentos?

No Facebook os eleitores do Molon não estão do seu lado, se sentem traídos pelo que pude notar nos comentários.

O maior carrasco do PT é a velha mídia, os eleitores do PT e do Deputado vivem criticando a parcialidade e as mentiras e perseguições contra petistas no Jornal O Globo.

E o Deputado aceita e ganha página inteira em O Globo no momento exato de sua saída do partido dos trabalhadores. Se a moda pega… E, o pior, que é sempre assim.

Apanha anos e anos e, de repente, saem do PT e se abrem as cortinas da velha mídia.

Heloísa Helena, Marina Silva, Luciana Genro, Marta Suplicy, Alessandro Molon, etc.

Agora, não esperemos que o ideário, a Ideologia da esquerda tenha voz na velha mídia nesta saída do Deputado Molon. Só quase tem voz falas depreciativas sobre o PT, porque está queimando o filme do PT, do Governo da Presidenta Dilma, de Lula e das esquerdas por tabela.

Tenta ver se o Molon quiser mudar o script da conversa, se ele não fizer o papel de convertido à direita se vão lembrar-se dele.

Vão nada. Vai virar a Heloísa Helena 2.0.

Somem suas plataformas, ideias e microfones à disposição. O microfone é pra falar mal do PT, do Governo Federal, de Lula e das esquerdas e só.

Está tudo errado. Quer sair do PT, saia, mas não vá no dia seguinte dar entrevista à velha mídia.

Ela vai aproveitar o momento, somente para descer mais um pouco a lenha no PT, no Governo Federal, na verdade, o PT e o Governo Federal são só biombos para atacar a esquerda como um todo e tirar umas casquinhas do LULA em benefício da direita política.

Não há nenhum interesse na velha mídia em defender bandeiras da esquerda, que, supostamente, um Deputado progressista possui. O Molon é usado e se deixa usar, mas o deixar-se usar só traz prejuízo. Não ganhará votos à direita e cria antipatia da esquerda. A Heloísa Helena, a Marina Silva, a Luciana Genro pouco progrediram suas carreiras políticas ao saírem do PT. Ficam na conta do chá em votos.

Viram aquele candidato que para direita continuam sendo petistas e para as esquerdas viram traidores ou oportunistas, aqueles que querem tirar proveito do momento político em benefício próprio e a centro-esquerda os ignora.

Veja a quantidade de rejeição da Luciana Genro na centro-esquerda por suas falas, que colocam o PT e o PSDB no mesmo barco e que na hora em que ela fala mal do PT se dá até repercussão na velha mídia; diferente de quando ela crítica o PSDB ou o Capitalismo ou o Mercado Financeiro ou fala de Socialismo.

Uma última coisa: Nunca vi Deputado, Senador, Governador entrar no PT ou sair do PT para um PSOL, PCdoB e ter alguma repercussão na velha mídia. Só dá repercussão quando o sujeito sai do PT e se presta ao papel de falar mal do PT e aceita ingressar em legendas amigáveis à velha mídia.

Alguém já viu?

Leia também:

Olavo Carneiro: Lamento pela saída de Molon e a crise no PT

O post Alexandre Tambelli: Alessandre Molon, do PT para matéria de página inteira em O Globo apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Olavo Carneiro: O lamento pela saída de Alessandro Molon e a crise no PT

molon2 A saída de Molon e a crise do PT

por Olavo Carneiro, sugestão de Igor Felippe

Antes de mais nada é preciso reconhecer que a saída do companheiro Molon do Partido dos Trabalhadores é uma grande derrota. Uma dupla derrota.

É uma derrota para as fileiras daqueles que acreditam, dentro do PT, no socialismo, na política pautada pela ideologia e não troca de favores, nas alianças programáticas. Derrota para a esquerda petista.

Mas é também uma derrota por ver um quadro como o Molon aderir ao jeito de pensar e agir da maioria do PT que tem levado a destruição do mesmo e que Molon tanto criticava. Pensamento e prática calcados na reprodução de mandato a qualquer custo, no individualismo e eleitoralismo.

A militância da Articulação de Esquerda e o Molon travaram juntos boas batalhas no PT-RJ e na sociedade fluminense. Na candidatura a prefeito em 2008, quando muitos no PT já praticavam o hábito de trair as candidaturas do partido. Nas críticas e construções de oposição à subordinação ao PMDB no Rio de Janeiro por falta de identidade programática. Subordinação essa recorrentemente exigida por Lula, e mais uma vez em curso capitaneada de forma errática por Quaqua presidente do PT-RJ.

Atuamos juntos no Coragem para Mudar, articulação da militância contra apoio ao Eduardo Paes, quando as outras tendências e lideranças do RJ se calavam ou apoiavam a aliança com o PMDB. Depois iniciamos o movimento Novo Tempo para a disputa interna do partido no PED em 2013, que lamentavelmente Molon optou no último momento por apoiar uma chapa defensora da aliança com Cabral, Picciani, Paes e cia. Recentemente nos juntamos no Saída é Pela Esquerda, esforço de criar um campo político no PT-RJ antagônico a aliança com PMDB nas eleições da cidade do Rio de Janeiro. A essa iniciativa se somaram a tendência Democracia Socialista, o senador Lindbergh Farias, os ex-deputados Jorge Bittar e Robson Leite e o vereador Reimont.

Em janeiro deste ano a AE-RJ aprovou resolução onde defendia a unificação das esquerdas no Rio de Janeiro para debater e construir plataforma política unitária que desembocasse em uma possível aliança eleitoral em 2016. A aliança se dando em torno de ideias e convicções poderia buscar os melhores nomes para encabeçar a chapa. A AE identificava que o melhor nome para o PT pôr à disposição era do companheiro Molon.

Sendo assim nosso empenho militante se dava e se dá na construção coletiva de projeto coletivo.

A honestidade e compromisso do Molon com a construção de uma sociedade justa, fraterna e igualitária não está em questionamento. Nem a alta qualidade do seu mandato. Muito menos o consideramos um traidor. Mas sua movimentação solitária de saída do PT, sem se quer informar aos seus companheiros, está a serviço de qual projeto coletivo? Qual a estratégia que a orienta? Como contribui para enfrentarmos e superarmos a atual crise da esquerda brasileira que se traduz, gostemos ou não, na crise do PT?

Desse modo lamento a decisão e a forma individualista como foi tomada.

É verdade que o PT cada vez mais se mostra impermeável a mudanças do seu funcionamento interno burocratizado, de sua estratégia de conciliação de classes, da ênfase na institucionalidade tradicional.

Nosso foco deve ser travar o bom combate por mudanças no PT, considerando inclusive o papel que isso joga para o presente e para o futuro da esquerda brasileira. Sem nenhum fetiche de organização ou patriotismo partidário.

No mesmo sentido que devemos, nós os militantes de esquerda, atuar na construção da Frente Brasil Popular, sem sectarismo de partidos, movimentos ou lideranças. Espero ver contribuindo o Molon e tantas outras personalidades. Assim como os diversos partidos e movimentos.

Defender a democracia e a mudança da política econômica devem orientar nossos mais sinceros esforços.

Significado mais amplo

A desfiliação do Molon é um fato de grande importância para o partido e para os setores progressistas, no plano nacional e estadual. Mais pelo o que expressa em termos estruturais na organização da esquerda em nosso país do que o caso específico.

A saída de Molon é uma expressão do aprofundamento da dispersão em curso da esquerda brasileira. Entre os anos 1980 e 2000, o PT exerceu hegemonia política e ideológica sobre os diversos setores da esquerda no Brasil.

Essa hegemonia foi se enfraquecendo nos últimos 10-15 anos e só agora é percebida pela sua aceleração com a fragilidade do partido potencializada pela fragilidade do governo. Importante dizer que a dificuldade de percepção se deu em boa medida pela mistura entre governo e partido, pela ilusão com a popularidade governamental e incapacidade de leituras de cunho estratégico. Quem tentava tal separação era chamado de esquerdista e purista e perdeu força dentro do partido e mesmo na sociedade.

Essa perda de hegemonia vem aparecendo de várias formas. Uma delas é o importante e negligenciado debate sobre o papel ainda a desempenhar na organização de ideias, utopias e ações concretas pelos partidos políticos. Desde a década passada cresce no Brasil, em consonância com o resto do mundo, a noção de que os partidos não são mais importantes e/ou necessários e toda energia social e militante por transformações deve ser depositada nos chamados movimentos sociais.

A perda de hegemonia do PT também ocorreu, e vem ocorrendo, com a crescente criação de novas siglas e/ou distribuição de quadros nelas. Algo acelerado e mais em virtude de interesses eleitorais do que pelo surgimento de arranjos ideológicos e identidades entre seus membros. Em geral as siglas atuais, à esquerda ou direita do PT, não carregam novidade programática e ideológica.

Enquanto o governo manteve popularidade o PT inchou, a tendência agora é o contrário. Mas isso com a complacência das direções e lideranças do Partido ao abandonar na prática uma estratégia socialista para o Brasil e adotar como norte a administração do capitalismo melhorando a vida do povo.

O que assistimos então é uma crise de projeto da esquerda brasileira, fruto da crise do PT que se encontra sem rumo estratégico com o fim das condições políticas de conciliação de classes promovida por Lula e Dirceu desde 1995. Crise do PT que não consegue romper com o eleitoralismo imediato e, portanto, mantém alianças e subordinações nos estados a setores reacionários e conservadores. Crise do PT que pratica relações de clientelismos, golpes, fraudes em suas disputas internas, com falta de respeito às regras aprovadas e pactuadas nas instancias como se vê agora no processo Congressual da JPT ou no PED de 2013.

Leia também: 

Manoel Junior no Ministério da Saúde pode ser a pá de cal no SUS 

O post Olavo Carneiro: O lamento pela saída de Alessandro Molon e a crise no PT apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Que tal discutir comunicação na Saúde? Fiocruz realiza debate nesta terça e quarta

flyer_midiasociais_pensesus

Fiocruz realiza debates sobre comunicação, informação e democracia nos dias 29 e 30/9

da Assessoria de Comunicação do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz, via e-mail

Qual é o papel da comunicação e da informação para a democracia e o direito à saúde? Como garantir o direito à comunicação e à informação em saúde e nos espaços de participação social, como Conselhos e Conferências? De que maneira a intersetorialidade pode contribuir para a formulação de políticas públicas?

Visando debater essas e outras questões o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz) realiza o I Diálogo PenseSUS – Democracia, comunicação, informação e direito à saúde: mobilização para a 15ª Conferência Nacional de Saúde, nos dias 29 e 30 de setembro de 2015, no campus Manguinhos da Fiocruz, que fica na Av. Brasil, 4.365 – Pavilhão Haity Moussatché, Rio de Janeiro.

Idealizado como uma atividade preparatória da Fiocruz para a 15ª Conferência Nacional de Saúde, que acontece em dezembro de 2015, em Brasília, o I Diálogo parte do reconhecimento do direito à comunicação e à informação como fundamentais para se ter acesso ao direito à saúde e garantir a participação social na consolidação do SUS. Neste sentido, o evento reunirá diferentes atores sociais para promover um debate acerca de questões atuais que permeiam os direitos humanos e as políticas de saúde em sua articulação com a comunicação e a informação.

Dentre os palestrantes estão: Michely Ribeiro (Rede Lai Lai Apejo – População Negra e AIDS e Conselho Nacional de Saúde), Bia Barbosa (Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social), Maria do Socorro de Souza (Conselho Nacional de Saúde), João Brant (Secretaria Executiva/Ministério da Cultura) e Rogério Carvalho Santos (Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa/Ministério da Saúde), dentre outros.

O I Diálogo PenseSUS é aberto a pesquisadores, gestores, estudantes, ativistas sociais, usuários dos serviços de saúde e demais interessados nas discussões no campo da comunicação, informação e saúde. Trata-se do primeiro de uma série de debates do site PenseSUS – A reflexão fortalece essa conquista (www.pensesus.fiocruz.br).

Na programação, está prevista uma conferência de abertura com o tema “Reflexão e perspectivas para a participação social em saúde”, além das mesas redondas sobre “Comunicação, informação e direitos humanos”, “Comunicação e informação em pauta” e “Descentralização, regionalização, articulação em rede e intersetorialidade nas políticas públicas”. Todo o evento será transmitido ao vivo, via internet.

Inscrições, programação completa e mais informações podem ser acessadas em http://portal.fiocruz.br/dialogospensesus. Os participantes receberão certificado eletrônico de participação. Haverá transmissão on-line.

flyer1_campanha_pensesus_CNS_finalCampanha: “Conte a história das Conferências de Saúde com fotos”

Paralelamente ao evento, o Icict lança a campanha “Conte a história das Conferências de Saúde com fotos”. O objetivo é reunir um mosaico virtual disponível no site, com imagens de diferentes momentos deste marco da participação social e da formulação de diretrizes para as políticas públicas de saúde no país.

Se você já esteve em atividades de alguma Conferência de Saúde, seja nacional, seja estadual ou municipal e tem fotos, participe. Para colaborar com a campanha, basta enviar seus registros para o e-mail pensesus@fiocruz.br, com o nome do fotógrafo e ano da edição do evento, e ajude a ilustrar a trajetória das Conferências.

SERVIÇO

I Diálogo PenseSUS – Democracia, comunicação, informação e direito à saúde: mobilização para a 15ª Conferência Nacional de Saúde

Data: 29 e 30 de setembro de 2015, das 9h às 17h, com entrada franca

Local: Biblioteca de Manguinhos, Fiocruz, que fica na Av. Brasil, 4.365 – Pavilhão Haity Moussatché, Manguinhos, Rio de Janeiro

Inscrições, programação completa e mais informações: http://portal.fiocruz.br/dialogospensesus

Leia também: 


Manoel Junior no Ministério da Saúde pode ser a pá de cal no SUS 

O post Que tal discutir comunicação na Saúde? Fiocruz realiza debate nesta terça e quarta apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Comandante do Exército ridiculariza grupos que pedem “intervenção militar”

malucos capa

 

Faz pelo menos quatro meses que um grupo de homens e mulheres – e até crianças, vistas no local amiúde – montou um acampamento na calçada em frente ao portão principal de acesso ao quartel-general do Exército, no Ibirapuera, Zona Sul da capital paulista, para pedir um golpe militar contra a presidenta Dilma Rousseff.

malucos 1

Em nota oficial, o responsável pelo Comando Militar do Sudeste, general João Camilo Pires de Campos, informa que o comando não irá se posicionar sobre o acampamento:

O Comando Militar do Sudeste não se manifesta sobre atos políticos. “O posicionamento do Exército Brasileiro, em qualquer circunstância, é de atuar com isenção e dentro da legitimidade e legalidade, conforme o previsto no Art. 142 da Constituição Federal

Ironicamente, esse grupo tão original cita justamente o artigo 142 da Carta Magna como “justificativa” para a sua tão sonhada “intervenção militar constitucional”. Leia o que diz o texto constitucional:

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

Não se sabe que tipo de interpretação esses pirados deram ao texto acima, já que determina justamente o contrário de “intervenção militar”. O texto diz, claramente, que cabe às Forças Armadas a “garantia dos poderes constitucionais” e que só podem intervir de alguma maneira em alguma coisa por iniciativa desses poderes, quais sejam, Executivo, Legislativo e Judiciário.

O grupo de acampados é composto, majoritariamente, por pessoas de meia idade e idosos. Na internet, reúnem-se em uma página do Facebook ao qual deram o nome de Movimento Brasileiro de Resistência (MBR), o qual está convocando um “outubro negro” que promete “matar pela pátria” em meio a exaltações a “Deus”.

Veja a convocatória

malucos 2

Ao fundo do acampamento, o prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo. Funcionários da Casa relatam que, na verdade, os acampados costumam aparecer no local mais para tirar fotos e aparecer em vídeos e depois vão embora. Não sabem precisar quem fica lá durante a noite. Durante o dia, há um revezamento entre os protagonistas da iniciativa.

Como essas pessoas residem na região do acampamento, fica fácil a encenação de estarem vivendo no local para enganarem incautos na internet.

Não se sabe ao certo, porém, o que pretendem essas pessoas, já que ninguém acredita em uma intervenção militar, forma como a proposta de golpe militar é chamada por grupos de extrema direita.

Aliás, neste domingo (27) o comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, 63 anos, deu uma entrevista ao jornal Correio Brasiliense em que chega a debochar do acampamento de malucos diante do QG do Exército.

Villas Boas diz que “Não há hipótese de os militares voltarem ao poder” e espanta-se com as propostas de “intervenção militar constitucional” baseada no artigo 142 da Constituição, como pregam grupos de extrema direita. Diz Villas Boas:

É curioso ver essas manifestações. Em São Paulo, em frente ao Quartel-General, tem um pessoal acampado permanentemente. Eles pedem “intervenção militar constitucional” (risos). Queria entender como se faz

O comandante do exército quer entender como se pode fazer uma intervenção militar “constitucional” se a Constituição prega exatamente que militares não podem fazer intervenção alguma em nada a não ser por ordem dos poderes constituídos, nos quais o presidente da República ocupa o cargo de “comandante em chefe” das Forças Armadas.

Abaixo, vídeos mostram os delírios dessas pessoas mês após mês. Arme-se com senso de humor, pipocas e assista. Não posso negar que achei divertido.

 

27 DE JULHO

 

11 DE AGOSTO

 

6 DE SETEMBRO

 

20 DE SETEMBRO

Publicação de: Blog da Cidadania

Antonio Luiz Costa: Marta Suplicy diz “a gente quer um país livre da corrupção”. Com Eduardo Cunha, senadora?!

Antonio Luiz MC Costa, no twitter – @ALuizCosta, sugerido, por Julio Cesar Macedo Amorim

Marta 3

Marta 2

Marta 1

 

 

O post Antonio Luiz Costa: Marta Suplicy diz “a gente quer um país livre da corrupção”. Com Eduardo Cunha, senadora?! apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

© 2017 bita brasil

Theme by Anders NorénUp ↑