Repórter SUS | Qual saúde temos direito, 70 anos pós-Declaração?


Direitos Humanos

Desigualdades sociais, racismo e desrespeito à diversidade são marcas na saúde do século 21

Ana Paula Evangelista |
"Há muito pouco tempo foi denunciado no RJ que as mulheres num momento grandioso, que é o momento da vida, tendo seus filhos algemadas". Cedeca Interlagos

Ao celebramos os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, como está a construção do direito à saúde?

No Repórter SUS dessa semana, produzido em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), a coordenadora do Departamento de Direitos Humanos da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Maria Helena Barros, aborda desafios impostos pelo atual cenário político para os direitos humanos no país, em particular suas repercussões no campo da saúde.

A pesquisadora fala sobre a saúde enquanto direito humano, que vai além da ausência de doenças,  passa por redução das desigualdades. “Vimos [recentemente] em todos os meios de comunicação de uma mulher que o filho nasceu no chão do hospital. De que pessoa a gente está falando? Qual está sendo o valor dado a essa vida? De que humanidade a gente está falando? Qual dignidade é essa? Por que um nasce num hospital com todos os cuidados, com todo o aparato técnico ligado à saúde, e o outro nasce ali no chão?”, compara Maria Helena.

A pesquisadora destaca ainda que trabalhar a saúde, na perspectiva dos direitos humanos, é mexer em questões de desigualdade, discriminação racial e desrespeito à diversidade. “Há questões fortes do racismo, um problema gravíssimo, estrutural em nossa sociedade. São muitas questões. Pensar a saúde como direito humano é pensar em diversas questões. É pensar em todas as homofobias, as discriminações que são feitas com os trans, os gays, com toda essa população que tem direito a ter suas expressões, tem direito a decidir o que fazer de seu corpo”.

Outro exemplo que ela aponta para a reflexão sobre a perspectiva dos direitos humanos, relaciona-se ao parto das mulheres encarceradas. “Há muito pouco tempo foi denunciado no Rio de Janeiro que as mulheres num momento grandioso, que é o momento da vida, as mulheres tendo seus filhos algemadas. Que saúde a gente está falando, que perspectiva humana a gente está falando?”, questiona.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Confira a edição desta segunda-feira (17) da Rede Lula Livre


Rádio

Nossa programação vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 9h45 às 10h, na Rádio Brasil de Fato e emissoras parceiras

Redação |
A atriz Lucélia Santos leu uma carta de agradecimento do ex-presidente Lula, que que recebeu o Premio Chico Mendes Gleilson Miranda/Secom

Na edição da Rede Lula Livre desta segunda-feira você vai saber mais detalhes do prêmio dado ao ex-presidente Lula neste fim de semana. Lula recebeu o prêmio Chico Medes de Florestania, concedido anualmente pelo governo do Acre para pessoas que encamparam ações em defesa do meio ambiente. Durante a premiação, a atriz Lucélia Santos leu uma carta de agradecimento do ex-presidente Lula.

Você pode ouvir a Rede Lula Lula Livre ao vivo de segunda à sexta-feira, das 9h45 às 10h, na Rádio Brasil de Fato e emissoras parceiras. 

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Ministro do STF critica gasto público de R$ 110 milhões com partido de Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a legislação que permite ao PSL, partido do presidente eleito, Jair Bolsonaro, ter direito a R$ 110 milhões em recursos públicos no próximo ano. Em palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o ministro defendeu uma “reforma política séria” que fortaleça o Legislativo e diminua o número de siglas partidárias no Brasil.

“O PSL, apesar de não a maior bancada, teve o maior número de votos em legenda, vai ter R$ 100 milhões. Isso é um absurdo, e não é porque é o PSL. Que empresa tem esse faturamento no Brasil?”, declarou Moraes, para quem no Brasil ficou mais fácil fundar uma legenda partidária do que abrir uma microempresa.

Para o magistrado, o País deve ter voto distrital misto e endurecer a cláusula de barreira que limita a distribuição de recursos do Fundo Partidário e tempo de televisão de acordo com o número de votos recebidos pelos partidos.

Durante a palestra, o ministro também defendeu uma “autocontenção” do STF para evitar um protagonismo excessivo do Judiciário. Ele observou que as instâncias judiciais ganharam relevância após um enfraquecimento do Legislativo em função de denúncias e investigações. “Você não pode querer ser poder moderador, ter legitimidade como poder moderador, dar a última palavra como poder moderador, e querer estar no palco. Jogar e apitar ao mesmo tempo não vai dar certo”, afirmou.

Para Moraes, o Supremo deve defender o direito de minorias quando houver abusos para “impedir que a panela de pressão exploda”. “Em regra, na democracia, é a maioria que impõe de maneira democrática por meio do voto seus valores, mas a maioria não pode discriminar, desrespeitar e perseguir as minorias”, alertou.

Do Estadão

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Publicação de: Blog da Cidadania

Bolsonaro acha que escolas militares evitam homossexualidade

Durante inauguração de um colégio destinado a filhos de policiais militares do Rio de Janeiro, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) voltou a afirmar que as instituições militares “estão à frente em grande parte dos demais” porque, segundo ele, ainda impõe hierarquia e autoridade aos alunos. Em discurso, Bolsonaro disse que com o passar dos anos os professores perderam autoridade e as escolas do País passaram a “instituir outras coisas à sociedade, como por exemplo a mal-fadada ideologia de gênero”.

Bolsonaro esteve em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Ele participou da inauguração do colégio Percy Geraldo Bolsonaro, nome do pai do presidente eleito. A unidade é o terceiro colégio da Polícia Militar do Estado do Rio, e foi instalada em prédio cedido pela prefeitura no Jardim Gramacho.

“Ele (Percy) não era professor, mas naquele tempo exercia-se a autoridade, e com o tempo fomos perdendo tudo isso aí”, discursou o presidente eleito. “Hoje nós vemos que os colégios militarizados, colégios militares, estão na frente em grande parte dos demais. Não tem nada a ver no tocante à qualidade do professor, são muito parecidos. É que perdeu-se ao longo do tempo a possibilidade do exercício de autoridade por parte dos mestres. Muitos conseguem manter isso ainda, mas como regra isso foi deixado para trás.”

Na sequência, Jair Bolsonaro criticou a ideologia de gênero. “Com o tempo, passou-se a instituir outras coisas à sociedade, como por exemplo a mal-fadada ideologia de gênero, dizendo que ninguém nasce homem ou mulher, que isso é uma construção da sociedade. Isso é uma negação a quem é cristão, é uma negação a quem realmente acredita no ser humano. Ou se nasce homem, ou se nasce mulher”, afirmou.

Bolsonaro destacou também a importância de se inaugurar novas escolas. “A educação é o que realmente move uma sociedade, movimenta um país. O nosso Brasil é um País onde praticamente quase nada temos sobre pesquisa, desenvolvimento e inovação. O país que não tenha uma base sólida nesses quesitos está condenado a ser escravo de quem os tenha”, disse, para depois voltar a defender o modelo militar. “Ninguém consegue ordem e progresso se não tiver disciplina e hierarquia.”

Ao final do discurso, sugeriu que uma passagem bíblica fosse pintada em um dos muros da escola. Jair Bolsonaro estava acompanhado do filho Flávio Bolsonaro (PSL), que é deputado estadual no Rio e se elegeu senador. Eles saíram sem dar entrevistas.

Do Estadão

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Publicação de: Blog da Cidadania

Prévia do ‘PIBinho’ de 0,02 em outubro mostra economia estagnada


A prévia do Produto Interno Bruto (PIB) ficou próximo de zero no mês de outubro, 0,02% foi o percentual anunciado nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central. O IBC-Br é considerado pelo mercado uma prévia do PIB oficial, medido pelo IBGE. Os dados revelam, mais um vez, o quadro da mais longa recessão econômica vivida pelo país – e agravada pelo golpe contra a presidente Dilma Rousseff.

Em setembro, a atividade econômica havia registrado um resultado negativo de 0,16%. Os dados dessazonalizados –espécie de compensação para analisar períodos diferentes– foram divulgados nesta 2ª feira (17) pelo Banco Central.

Publicação de: Blog do Esmael

Coitado de quem tirou Queiroz no amigo secreto…

… Provavelmente ficará sem presente de Natal o amigo oculto [ou secreto] do ex-motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício de Queiroz, que desapareceu depois do escândalo do Coaf.

O ex-assessor do filho do presidente eleito Jair Bolsonaro sumiu após o Coaf revelar movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em um ano. Ninguém sabe ninguém viu.

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Nas redes sociais, há uma intensa campanha para localizar Queiroz.

‘Cadê Queiroz?’, pergunta o Brasil inteiro.

Enquanto Queiroz não aparecer e explicar a gafanhotagem, os Bolsonaro continuarão a sangrar em público e o amigo secreto permanecerá sem o presente de Natal.

Publicação de: Blog do Esmael

Retórica de Bolsonaro sobre médicos cubanos provoca desastre: 30% dos brasileiros inscritos não se apresentaram e outros 30% deixaram vagas na Saúde da Família para aderir ao Mais Médicos

Jamais faria um acordo com Cuba nestes termos (como o assinado em 2013 para a criação do Mais Médicos). Isso é trabalho escravo. […] Duvido que alguém queira ser atendido pelos cubanos. Presidente eleito Jair Bolsonaro

Bolsonaro, meu filho, quando o Sr. diz que Cuba fica com meu salário eu só penso nas seguintes questões: eu aceitei os termos de um contrato por livre e pessoal determinação; ciente de que, com esse dinheiro, minha mãe, irmãos, sobrinhos, primos, tios , vizinhos, famílias todas tem garantido o cuidado de sua saúde, sem pagar nada; ciente de que minha formação como médico é graças à criação de universidades públicas em todo o território nacional. Onde filhos de pedreiros, advogados, fazendeiros, faxineiras, empregados dos correios, médicos, etc compartilham a mesma sala de aulas sem discriminação por sexo, cor, ideologia, ou riqueza. Isso, Bolsonaro, chama-se igualdade. Médico cubano Yonner González Infante, em resposta a Bolsonaro

Adesão ao Mais Médicos cria buraco de 2.800 médicos em postos do Saúde da Família. […] Segundo o balanço, de 7.271 médicos que já tinham selecionado vagas no Mais Médicos até segunda-feira (26), 2.844 já pertenciam, aos quadros do programa Estratégia Saúde da Família. Folha de S. Paulo

Um terço dos brasileiros inscritos no Mais Médicos não se apresenta para trabalhar

do Deutsche Welle

Prazo para apresentação dos que suprirão saída dos médicos cubanos se encerrou sem comparecimento de muitos. Brasileiros ligados ao programa relatam total desassistência em comunidades, sobretudo do Norte.

A médica de família Marina Abreu admite que não conhecia a real complexidade do Brasil até começar a trabalhar como tutora de coordenadores do programa Mais Médicos.

No Norte do país, ela conheceu locais que nunca tinham recebido um médico, aonde só se pode chegar após longas viagens em barcos com furos e sem assentos. Ela se emociona ao falar sobre a situação das comunidades que voltaram a ficar sem atendimento após a saída dos profissionais cubanos no último mês.

“O programa vinha avançando e tinha passado da fase de novidade pela chegada dos médicos. Havia projetos em andamento e uma forte adesão aos tratamentos pela população, que criou vínculos com os profissionais. Estavam sendo feitos procedimentos como a colocação de DIU, que é simples, mas não era feito antes por uma série de limitações. O médico já conhecia aquela população e conseguia fazer um trabalho específico.”

Visando à reposição dos profissionais cubanos, o governo brasileiro abriu um edital para os médicos interessados em participar do programa.

Na última sexta-feira (14/12), acabaria o prazo para que os 8.411 inscritos se apresentassem nos novos postos de trabalho. Entretanto, 2.520 (cerca de 30%) não compareceram.

A situação levou o Ministério da Saúde a prorrogar para a próxima terça-feira a data limite para início das atividades.

Outras 106 vagas do edital sequer tiveram interessados.

Elas correspondem a 31 localidades, sendo 23 municípios do Amazonas, Pará, Piauí e Rondônia, além de oito Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), unidades de responsabilidade sanitária federal correspondentes a uma ou mais terras indígenas.

Marina trabalhou até fevereiro deste ano como supervisora de DSEIs no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre. Há voos comerciais duas vezes por semana para lá, num avião que comporta de seis a oito pessoas. A alternativa é a viagem de barco, que dura oito horas.

“A maioria dos barcos não tem cobertura ou assento para encostar as costas. É bem precário e toma tempo. No Norte do Brasil, o clima define muito o que dá para fazer. Se chove muito, o rio fica cheio demais e se torna perigoso, pois a correnteza é forte e descem troncos e árvores inteiras que se soltaram. Quando chove pouco, o motor do barco não circula, e aí o barco pode virar porque o rio está barrento. A logística era difícil, complicada, e dá uma ideia de como é complexo fazer o atendimento em áreas indígenas.”

Como supervisora, Marina recebia relatos de situações em que não fora possível transportar pacientes para uma cidade maior, com melhor estrutura.

Se fosse necessário, os profissionais realizavam partos e suturas, pois não haveria tempo de chegar a um local com condições mais adequadas. Além dessa adequação, o trabalho nas DSEIs também demanda uma compreensão dos costumes da comunidade.

“Estávamos levando a medicina do homem branco para uma área indígena, e isso traz conflitos de medicação. A ideia não era impor a medicina do homem branco, e sim contribuir e colaborar com o que eles já praticam na medicina deles. No caso de etnias com pajés, o médico só entrava na aldeia com autorização dele. Há grupos que não têm o costume de ter banheiro, outras que não têm construções. O médico se adaptava àquilo e fazia o trabalho de orientação, principalmente. Quando necessário, fazia intervenção mesmo, com tratamento medicamentoso, sempre com consentimento ou de forma compartilhada com os pajés e demais lideranças.”

As áreas contempladas pelo Mais Médicos na região Norte apresentam um perfil populacional heterogêneo. Além dos povos indígenas, há ribeirinhos, quilombolas e também muitas comunidades de agricultores. No sul do Pará, está localizada a comunidade Vila Estrela, no município de Cumaru do Norte, onde trabalha o enfermeiro Valdir dos Reis. Ele conta que a população local está desassistida desde a saída do médico cubano que lá estava.

“O doutor Humberto García está fazendo muita falta. Nossa unidade funciona de 7h às 11h e de 14h às 17h. Ele cumpria rigorosamente os horários, o que infelizmente não se via entre os brasileiros que passaram por aqui. Nós ficamos de sobreaviso para qualquer eventualidade, qualquer emergência que surgir no período noturno e finais de semana também. A população não precisava mais ir para outras cidades para fazer esse tipo de atendimento, porque aqui tinha.”

Com a partida do profissional cubano, Valdir só consegue prestar os atendimentos primários e encaminhar os pacientes para o hospital mais próximo, que fica a 120 quilômetros de distância, sendo 80 quilômetros em estrada de terra. A comunidade conta com uma ambulância antiga, desgastada e pouco confortável. Mesmo serviços mais básicos, como atestados e pedidos de exames, não vêm mais sendo oferecidos.

No edital do governo, foram abertas três vagas para o município de Cumaru do Norte, sendo uma delas justamente na Vila Estrela. Elas haviam sido preenchidas, entretanto os profissionais desistiram após conhecer a realidade do local. Hoje, o Brasil tem cerca de 5 mil médicos especializados em Saúde da Família, para atender a mais de 25 mil unidades de saúde.

Marina Abreu, que estudou Medicina em Cuba, destaca a valorização que essa especialidade recebe no país caribenho.

“Antes de fazer outra especialização, todos os médicos que se formam em Cuba precisam fazer dois anos de residência em Saúde da Família. Além disso, o curso é completamente voltado para a medicina de família e comunidade. A disciplina de Medicina Geral e Integral é oferecida em todos os anos. Desde 2014 vem se tentando no Brasil fazer com que essa área seja a principal disciplina do curso, o que é feito desde sempre em Cuba.”

Além de prorrogar o prazo de apresentação dos médicos inscritos no edital até a próxima terça-feira, o Ministério da Saúde também estendeu a inscrição até este domingo.

Houve picos de instabilidade no site, causados pelo grande número de acessos, o que pode ter ocasionado dificuldades no momento da inscrição. Estrangeiros formados no exterior e sem registro no Brasil também podem participar.

A DW Brasil entrou em contato com o Ministério da Saúde para indagar se há um planejamento específico da pasta para as áreas mais remotas que não vêm atraindo interesse dos médicos brasileiros. Até o fechamento da reportagem, não houve retorno.

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Publicação de: Viomundo

Primeira PPP do Metrô de SP é desfeita após gastar R$ 2,6 bi em obras abandonadas


Desperdício

Consórcio Move São Paulo não conseguiu concluir nenhum trecho da obra paralisada, mas rendeu recursos a campanhas tucana

Rodrigo Gomes |
Canteiro de obras da Estação Freguesia do Ó, sem previsão de conclusão Estado de São Paulo

Depois de gastar R$ 2,6 bilhões e não concluir nenhum trecho em três anos de trabalho, a primeira Parceria Público-Privada das empreiteiras Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC – que formaram o consórcio Move São Paulo – com a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) teve seus contratos rescindidos ontem (13), conforme publicação no Diário Oficial do Estado de São Paulo.

O objetivo era construir a linha 6-Laranja. A via ligaria o distrito de Brasilândia, região noroeste da capital, à estação São Joaquim da linha 1-Azul, na região central, O trajeto de 19 quilômetros contaria com 15 estações e deveria proporcionar conexões com duas linhas da companhia de trens (linhas 7 e 8) e com a linha 4-Amarela do metrô, além da linha 1.

A linha foi anunciada em 2008 (transição do governo tucano de Geraldo Alckmin para o do também tucano José Serra) com previsão de conclusão parcial em 2012, Mas foram iniciadas em 2015. Um ano depois, já em outra gestão do ex-governador Geraldo Alckmin, foram abandonadas.

Nesse período, o governo paulista gastou R$ 984 milhões para realizar todas as desapropriações de imóveis necessárias à passagem da linha. O gasto ficou 46% maior do que o previsto. Além disso, foi investido R$ 1,7 bilhão nas obras hoje paralisadas. R$ 680 milhões vieram do governo paulista e pouco mais de R$ 1 bilhão de empréstimos do BNDES. O custo total da obra era estimado em R$ 9 bilhões.

O principal problema teria sido a dificuldade das empreiteiras em obter empréstimos por estarem envolvidas em esquemas de corrupção. No ano passado, executivos da Odebrecht declararam em acordo de delação premiada que o custo da obra incluía recursos a serem destinados a financiamento da campanha de Alckmin à reeleição em 2014. 

Duas empresas estrangeiras foram sondadas pela Move São Paulo para assumir a obra, mas declinaram: A espanhola Cintra Ferrovial e a chinesa China Railway Engineering Corporation. Os equipamentos e canteiros de obras serão vigiados por funcionários pagos pelo consórcio nos próximos meses.

A previsão é de que a linha recebesse 630 mil passageiros por dia. E a concessão às empreiteiras seria de 25 anos. As obras tiveram início com acelerada ação de desapropriação de imóveis. No entanto, com o abandono das obras, muitos escombros das casas demolidas não foram sequer removidos dos locais.

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) informou ter aplicado R$ 259 milhões em multas ao consórcio. Não há previsão para retomada das obras. 

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Temer sobre Dilma: Uma senhora correta e honesta

O ilegítimo presidente Michel Temer (MDB) afirmou que a ex-presidenta Dilma Rousseff é “uma senhora correta e honesta”. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa Poder em Foco, no SBT, na madrugada desta segunda (17).

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“Eu tenho a impressão de que ela é uma senhora correta e honesta. Eu não tenho essa impressão de ela seja alguém que chegou ao governo para se apropriar das coisas públicas”, disse.

Na entrevista, o ilegítimo também minimizou o fato de ter dado um golpe na ex-presidenta Dilma Rousseff.

“Eu apanhei o governo numa situação de muita contestação. Quando o presidente é impedido, assume o vice, com toda naturalidade”, afirmou.

Publicação de: Blog do Esmael

A política econômica de Bolsonaro: entre o nacionalismo de fachada e o neoliberalismo


Economia

A economista e ex-secretária de Finanças de São Paulo concedeu entrevista ao programa "No Jardim da Política"

Juca Guimarães |
"Os bancos públicos importantes, a Petrobras, que tem capital aberto etc e tal. Tudo isso tá na mira desse pessoal", alerta a economista Foto: IEA/USP

As medidas econômicas do governo de extrema direita de Jair Bolsonaro que empurram o país para o abismo do ultraliberalismo foram analisadas pela economista Leda Paulani, ao vivo durante o programa “No Jardim da Política”.

Durante a entrevista, a professora do departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP) e professora visitante da Universidade Federal do ABC (UFABC), alerta para um aprofundamento do que chamou de ‘tsunami de privatizações’, no futuro governo. “Os bancos públicos importantes, a Petrobras, que tem capital aberto etc e tal. Tudo isso tá na mira desse pessoal”.

Paulani, que foi assessora-chefe do gabinete de Finanças da Prefeitura de São Paulo (2001-2003) e secretária Municipal de Planejamento, Gestão e Orçamento da Prefeitura (2013-2015), também não acredita em mudanças positivas na economia e no investimento público já comprometido com a Emenda 95, assinada em 2016 pelo governo Michel Temer, congelando por 20 anos os gastos sociais em áreas essenciais, como educação, saúde e assistência social.

Confira os principais trechos da entrevista:

No Jardim da Política: Como a senhora vê a medida do governo de juntar os ministérios da Fazenda e do Planejamento no mesmo ‘guarda-chuva’. Quais as vantagens e desvantagens de ter um super ministério com tantos poderes para Paulo Guedes?

Leda Paulani: Muito pouco foi anunciado de fato, ele nem tinha programa de governo, não só na área de economia, mas em diversas áreas. O que aconteceu é que na área de economia, a despeito de não ter um programa explícito, a gente consegue deduzir o que vem pela frente considerando as características dos tais superministros do tipo ‘posto Ipiranga’ [para onde devem ser direcionadas todas as perguntas], como o Paulo Guedes.

Ele é um economista ultraliberal, aquele que acha que o Estado, a princípio, não deveria nem existir. Porém, como o Estado precisa existir dentro da economia capitalista, porque na economia de mercado ele tem que garantir as regras, a garantia jurídica dos contratos. Então, admite-se o Estado, mas ele tem que ser o menor possível. Tem que se meter o menos possível no jogo do mercado.

Isso leva a um aprofundamento do programa neoliberal que foi abraçado integralmente pelo governo Temer. Na realidade, nos governos anteriores do PT não se abandonou o neoliberalismo. Em muitos momentos, a política econômica foi a do neoliberalismo, mas algumas coisas foram contra. Por exemplo, houve um breque nas privatizações, os próprios programas sociais, pelos impactos que tiveram, acabaram influenciando o fortalecimento do Estado, o que não era bem visto pelo liberalismo e o neoliberalismo. A política externa foi também o contrário do que se esperava de uma país neoliberal.

O governo Temer muda tudo isso e adota a cartilha liberal. O governo Bolsonaro vai aprofundar isso. Não há dúvida pelo perfil do Paulo Guedes.

Isso significa o que?

Bom, é toda a tentativa de reduzir ainda mais o papel do Estado. Neste bojo, vai a continuidade da redução dos direitos trabalhistas, a usurpação dos direitos trabalhistas, até a reforma da Previdência e a privatização em alto grau.

É a privatização de tudo o que se conseguiu preservar, bem ou mal, deste tsunami de privatizações que já vem desde os anos 1990. Os bancos públicos importantes, a Petrobras, que tem capital aberto etc e tal, mas o controle ainda é do Estado. Tudo isso tá na mira desse pessoal.

Há uma contradição entre o que o Paulo Guedes representa e o discurso nacionalista do Jair Bolsonaro que, olhando para outros governos autoritários, tem perfil de maior participação e controle do Estado.

Isso se relaciona também com a questão de chamar ou não este governo de fascista. Essa ideologia ou essa forma de gerir o Estado, de fascista. No fascismo clássico, aqueles movimentos políticos que deram origem ao termo eram supernacionalistas. Esse nosso não. Ele é hierárquico, é autoritário, mas no nacionalismo, mesmo o do Bolsonaro, é um nacionalismo de fachada.

Porque o sujeito que é nacionalista não bate continência para a bandeira [norte-] americana, muito menos para um assessor nível cinco do presidente americano. Por que bater continência para uma bandeira que não é a do meu país? Esse nacionalismo do Bolsonaro, pra mim, é de fachada.

Anteriormente, ele abraçou algumas ideias contra as privatizações e coisa e tal, que aí sim haveria o choque com essa visão do Paulo Guedes. Mas, certamente, foi dito que se [Bolsonaro] continuasse com essa visão, ele não conseguiria o apoio do mercado, dos ultrarricos e dos setores que queriam varrer a esquerda do comando do País. Daí, rapidamente, ele apareceu com o Paulo Guedes e mudou o discurso.

Se ele fosse realmente nacionalista, como diz que é, independentemente do que pensa sobre o Estado ter empresas, ou se deve ou não privatizar as empresas, jamais bateria continência para a bandeira [norte-] americana.

O próximo governo anunciou posições sobre a política econômica que podem ter forte impacto na economia. Uma delas é tomar partido nessa guerra comercial entre EUA e China. Ele falou também em levar a Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém.

Os três maiores produtos de exportação do Brasil são hoje: o minério de ferro, a soja e o petróleo cru. E a China é o nosso maior parceiro. E temos também os países árabes no caso da carne de boi, que é o quinto ou sexto produto. Depois do petróleo, vem o café e o açúcar. Nós temos um único produto industrializado na lista dos dez principais itens de exportação, em termos de valor, que são os automóveis. E o nosso principal comprador de automóveis é a Argentina, com quem o Bolsonaro também se indispôs, porque disse que não ia fazer a primeira visita à Argentina, porque descobriu que o Macri [presidente argentino] tinha elogiado o Fernando Haddad [candidato do PT nas eleições 2018] em algum momento da vida; então, é de uma infantilidade inacreditável.

Eu penso que os exportadores estão se mexendo muito para consertar os estragos [das falas e ameaças de Bolsonaro] porque o grande capital exportador de bens agrícolas e de baixo valor agregado, que é o que nos tornamos infelizmente, não devem estar nem um pouco tranquilos com esse tipo de posicionamento. Porque está indispondo o país, do ponto de vista diplomático, com os principais parceiros dos principais produtos que o Brasil tem para exportação.

Se a gente tem hoje uma relativa tranquilidade, do ponto de vista das contas externas, pelo nível de reservas que conseguiu acumular, é pelo fato que esses produtos foram muito bem sucedidos nos últimos anos em termos de preços e volumes.

Também tem a posição do Bolsonaro em relação ao Mercosul. Ele disse que não vai priorizar os acordos feitos no âmbito do Mercosul.

Não à toa a [Confederação Nacional da Indústria] CNI se posiciona contra essa ideia do Bolsonaro, porque os nossos parceiros compradores dos poucos produtos industrializados do Brasil, onde a gente tem alguma importância e relevância, são os países do Mercosul. No caso dos carros, as vendas são quase 100% para países latino-americanos e a maioria do Mercosul.

Até antes do golpe de 2016, a política externa do Brasil, com o chanceler Celso Amorim, a quem eu respeito muitíssimo, era uma política externa altiva e ativa. Altiva porque não fazemos alinhamentos incondicionais com ninguém. Ativa pelo motivo de mobilizar as forças do mundo fora do eixo dos países mais desenvolvidos, para reequilibrar o mundo de alguma forma, por meio da diplomacia. A diplomacia tem consequências efetivas e materiais.

Toda movimentação em torno dos BRICS [bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul], o Brasil teve um papel fundamental, foi a secretaria. A disposição da diplomacia brasileira em construir efetivamente os BRICS foi fundamental e o mesmo foi com o Mercosul. Isso desagrada um país imperial e imperialista como os EUA. Eles não ficam tranquilo com isso. Eles estavam vendo aqui os potenciais rivais, o Brasil menos enfim, mas a China, Rússia e Índia se unindo junto com o Brasil e África do Sul. Foi se criando uma força que começou a incomodar.

O mesmo acontece com o Mercosul, porque se o Mercosul se fortalece o alinhamento quase automático que os países da América Latina tiveram, ao longo do século 20 todo, com a política americana deixa de existir.

Isso aconteceu quando se combinaram vários governos de países da América Latina indo para o centro e centro-esquerda. Isso fortaleceu a ideia do Mercosul e afetou, por esse lado, os interesses dos americanos.

O governo Bolsonaro já se aliou claramente ao governo americano incondicionalmente. Voltou a ser uma relação inerte e subserviente.  Em vez de altiva passa a ser subserviente à grande potência americana, como se isso fosse uma boa medida para a economia, e não é.

Alguns especialistas dizem que no começo do novo governo pode acontecer um “voo de galinha”, dando a impressão de melhora curta com algumas medidas. A senhora concorda?

Eu acho difícil até pelo comportamento da economia agora no último trimestre. Quando um governo ganha, e este não é um governo de continuidade e que, a princípio, deve mudar muita coisa, nem a economia e nem a sociedade esperam o calendário virar para o dia 1º, para pensar diferente ou agir diferente, tomar decisões de modo diferente.

Hoje o que faz com que a economia tenha um crescimento tão pífio, e o desemprego se alastre, é que a taxa de investimento brasileira está muito baixa, baixíssima. A gente quando tem a ajuda de componente externo não fica tão ruim, mas quando não tem piora muito.

O investimento público está absolutamente contraído por conta da política da austeridade, da política da PEC dos gastos [Emenda 95] e tudo mais. Você precisa cortar os gastos e o primeiro gasto que você corta é aquele que você pode decidir se faz ou não, que são os investimentos, porque tem muitos gastos que são impositivos e não dá para cortar.

Por isso, os investimentos públicos já estão afetados há muito tempo e os investimentos privados precisam primeiro poder formar expectativas, com segurança, e que essas expectativas sejam boas.

Quando há uma mudança de governo isso já começa a ser sentido na economia, já começa a ter um reflexo. As pessoas sabem que vai mudar o governo. Então, se houvesse algum impacto pelo simples fato da mudança [eleição do Bolsonaro] isso já teria aparecido. E pelo o que indicam os dados do terceiro trimestre, a produção industrial vai cair mais uma vez. Com muita boa sorte a gente vai fechar o ano com 1,4% de crescimento, o que é pífio considerando que a gente teve mais de 8% de queda do PIB [Produto Interno Bruto], em 2015 e 2016.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

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