A realidade ameaça abafar a voz de Bolsonaro na ONU

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Não tragam discursos. Tragam planos. O recado foi passado pelo secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, aos chefes de estado e de governo que começam a desembarcar nesta segunda-feira em Nova York.

O português sabe muito bem do que fala. Sua entidade vive provavelmente sua pior crise, em mais de 70 anos de história. E sua recuperação dependerá da vontade de líderes em trabalhar sobre planos concretos. E não mais um acúmulo de mentiras, declarações diplomáticas ou apertos de mãos.

No fundo, quando Jair Bolsonaro abrir a Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, ele estará discursando para uma entidade decadente. O déficit em suas contas, o cinismo ecoado nos corredores, a manipulação de valores humanistas para que governos atinjam seus objetivos de poder, a tentativa de acobertar violações sexuais pelas tropas de paz e a incapacidade de manter a segurança no planeta são apenas extratos de um profundo mal-estar.

Guterres sabe que o palco mundial está repleto de goteiras, fissuras e vive um clima de dúvidas sobre o futuro da entidade. Algo parecido ao que se viveu quando o mundo viu o fracasso do plano da Liga das Nações, há quase cem anos.

Por isso, ele precisa de líderes que tragam para a mesa um plano sobre como trabalhar de forma conjunta em diversas áreas. De líderes que entendam que fortalecerão a soberania de seus países justamente ao admitir que, sozinhos, não serão capazes de dar respostas a desafios que não respeitam fronteiras soberanas.

A convocação enfrenta uma enorme resistência: neste ano, o palanque será ocupado por chefes de estado e de governo cujos atos são antagônico com o propósito da ONU de buscar soluções globais para problemas globais. Não serão poucos os que evocarão a tal “soberania”, uma forma diplomática de alertar: não se metam por aqui.

Certamente Bolsonaro recorrerá ao conceito ao tratar da Amazônia. Mas ele não estará sozinho nesta onda nacionalista, populista e míope. Outros usarão a mesma palavra para falar de seu direito de fechar suas fronteiras aos refugiados, para justificar o protecionismo comercial ou para rejeitar qualquer prestação de contas em relação às denúncias de execuções de opositores aos regimes.

Mas se Bolsonaro quiser reverter sua imagem profundamente desgastada no exterior, ele não poderá apenas chegar com um discurso. O que o mundo quer saber do presidente brasileiro é o que ele pretende fazer pelo Brasil, por suas minorias, e qual será sua contribuição ao mundo.

Talvez o presidente não saiba, mas ele desembarca em uma entidade que usou a imagem da “Mulher Maravilha” para promover o direito das mulheres e meninas pelo mundo. A fantasia, porém, não salvou Ágatha.

Tampouco salvou Marielle Franco seus inúmeros alertas sobre os riscos que corriam os defensores de direitos humanos no Brasil.

Bolsonaro, se quiser responder ao apelo internacional, terá de dizer o que o seu Governo fará de concreto para garantir a verdade sobre crimes, do presente e do passado. O que fará para ampliar as garantias democráticas e proteger inclusive seus opositores.

Se o presidente quiser atender ao pedido, terá de levar consigo um plano para atacar o discurso do ódio e denunciar qualquer tentação autoritária.

E, claro, tentar esclarecer como sua visão de que “bandido bom é bandido morto” é compatível com a carta das Nações Unidas – um livro pequeno que talvez fosse uma boa leitura de bordo no trajeto para NovaYork.

O mundo ainda aguarda por planos concretos sobre como lidar com o fenômeno das mudanças climáticas, a maior ameaça aos direitos humanos e à sobrevivência no planeta. Declarar a soberania sobre a Amazônia, portanto, tampouco servirá. Salvo, claro, para ser aplaudido por seus fieis.

Dizer que o Brasil está comprometido com os povos indígenas, sem dar provas, será ridicularizado diante das poucas palavras de Raoni, indicado para o prêmio Nobel da Paz e para o prêmio Sakharov.

Repetir o que a embaixadora do Brasil disse na ONU há duas semanas – que o país era “exemplo e inspiração” ao mundo no que se refere aos direitos humanos – soará como um slogan tão mentiroso quanto a palavra “democrática” no nome oficial do regime de Pyongyang.

Ágathas, Marielles e Raonis, portanto, ameaçam ofuscar qualquer tentativa de Bolsonaro de transformar o palanque da ONU em uma operação de publicidade global.

Elas representam a realidade do país, marcado por uma política pública de extermínio – de pessoas, do estado de direito, dos direitos humanos ou de bromas.

Imperdoável e intransigente, essa realidade dos crimes diários ameaça abafar a voz do presidente e fazer um barulho ensurdecedor. E em todos os idiomas oficiais das Nações Unidas.

Do El País

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ONU censura Brasil por morte de Ágatha

Foto: Gilvan de Souza/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

O alto comissariado da ONU para Direitos Humanos confirmou que recebeu uma denúncia de movimentos de favelas do Rio de Janeiro por conta da morte da garota Ágatha Vitória Sales Félix, de 8 anos de idade.

A iniciativa foi liderada pelas entidades Papo Reto, Fórum Grita Baixada, Instituto Raízes em Movimento, Fórum Social de Manguinhos, Mães de Manguinhos, Movimento Moleque, Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência e Arquitetxs Faveladxs, em conjunto com a organização de direitos humanos Justiça Global.

A denúncia visa o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel e contra o Estado Brasileiro pela execução da menina. Na sexta-feira, Ágatha foi atingida por um tiro quando seguia para casa acompanhada de seu avô, na favela da Fazendinha. Ágatha foi levada à UPA do Alemão, mas não resistiu aos ferimentos. “Podemos confirmar que recebemos a carta”, afirmou a ONU, por meio de uma porta-voz.

A entidade destacou que, recentemente, a alta comissária Michelle Bachelet “expressou preocupação sobre a violência policial no Brasil”. “Ela insistiu sobre como a violência policial está afetando de forma desproporcional as pessoas de descendência africana ou pessoas vivendo em favelas”, disse.

“Além disso, ela expressou preocupações sobre o discurso público que legitima as execuções sumárias e o fato de que esses assassinatos estão ocorrendo em um contexto em que há uma ausência de responsabilização”, disse.

Os comentários de Bachelet, na semana passada, deixaram o governo brasileiro irritado. O presidente Jair Bolsonaro rebateu, fazendo apologia ao regime de Augusto Pinochet, responsável pela morte de seu pai.

Neste domingo, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos – orgão da OEA – também se pronunciou, pedindo a “identificação e determinação de responsabilidades pela morte da menina Ágatha, durante uma operação policial no Rio de Janeiro”.

“O Estado deve investigar de maneira urgente e diligente, e sancionar os responsáveis”, declarou a entidade internacional.

Do UOL

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Lula fala ao Opera Mundi sobre diplomacia e política internacional

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu na quarta-feira (18) entrevista exclusiva ao diretor de redação de Opera Mundi, Haroldo Ceravolo Sereza, na sede da Polícia Federal, em Curitiba. A íntegra desta entrevista, na qual o petista fala sobre temas internacionais, será publicada nesta segunda-feira (23).

Da posição da esquerda após a queda do Muro de Berlim à relação do Brasil com os EUA; da política externa do governo Bolsonaro ao Mercosul; de Alca ao Foro de São Paulo, Lula falou durante uma hora de assuntos atuais e históricos que influenciam os rumos da política mundial.

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“Nesse instante em que a humanidade vive, em que ainda você tem quase um bilhão de pessoas passando fome, o mundo estava precisando de mais progresso, de mais desenvolvimento, de mais crescimento e de mais acessibilidade de alimentos às pessoas pobres”, afirmou o ex-presidente.

“Essa crise que nós estamos vivendo agora carece de liderança política, porque crise política se resolve com discussão política. A esquerda tem que pensar um novo discurso e assumir efetivamente a necessidade de que só vale a pena governar se você tiver com o povo no centro de todas as decisões”, disse.

Veja o teaser da entrevista de Lula a Opera Mundi:

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As informações são do Opera Mundi.

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‘Lei Ágatha’ pode impor nova derrota a Sérgio Moro no Congresso

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Morte da pequena Ágatha Félix, 8 anos, pode não ter sido em vão. O congresso nacional está prestes a homenageá-la derrubando de vez a excludente de ilicitude do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro.

Que diabo é essa excludente de ilicitude? É uma espécie de licença para a polícia matar. Esse dispositivo empoderaria, de vez, as forças de segurança relativizando seus crimes — como esse que matou Ágatha e outras 15 crianças ao longo deste ano.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deu o comando neste fim de semana a seus pares ao se solidarizar com os familiares de Ágatha.

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“É por isso que defendo uma avaliação muito cuidadosa e criteriosa sobre o excludente de ilicitude que está em discussão no Parlamento”, cravou Maia.

Na semana passada, a comissão especial que analisa o projeto anticrime já havia sinalizado que mandaria para as cucuias o afrouxamento de punições para excessos de policiais.

A ‘Lei Ágatha’, qual seja, a derrubada da excludente de ilicitude, será mais uma derrota para Moro no Congresso. Mas vem outro revés mais duro ainda: a CPI da Vaza Jato.

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Publicação de: Blog do Esmael

“Escusa” que Moro usou com Teori e agora quer estender a policiais corre risco no Congresso

O juiz poderá reduzir a pena até a metade ou deixar de aplicá-la se o excesso [de policiais] decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção. Inciso que seria adicionado ao artigo 23 do Código Penal pela Lei Anticrime de Sérgio Moro. Chama-se “excludente de ilicitude”.

Jamais foi a intenção deste julgador, ao proferir a aludida decisão de 16 de março, provocar tais efeitos e, por eles, solicito desde logo respeitosas escusas a este Egrégio Supremo Tribunal Federal. Juiz federal Sergio Moro, depois de tramar com procuradores da Lava Jato, levantando em data acordada com eles o sigilo de grampos telefônicos do ex-presidente Lula (que incluiam conversa da ex-primeira dama Marisa) com objetivos políticos, dentre os quais ‘deixou passar’ diálogo entre Lula e a presidenta Dilma Rousseff, gravado fora do horário que o próprio Moro havia determinado como limite para as interceptações e de autoridade, Dilma, que tinha foro no STF. O então ministro relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, anulou os grampos envolvendo Dilma.

É por isso [pela morte da menina Ágatha] que defendo uma avaliação muito cuidadosa e criteriosa sobre o excludente de ilicitude que está em discussão no Parlamento. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, no twitter

Moro veste a carapuça e diz que morte de menina nada tem a ver com seu projeto

POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

36 horas após a morte de Ágatha Félix, Sergio Moro deu-se ao trabalho de ir ao Twitter, para fazer uma manifestação sobre as declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de que o episódio levaria a uma reavaliação das propostas de seu pacote anticrime.

“Não há nenhuma relação possível do fato com a proposta de legítima defesa constante no projeto anticrime.”

Duas frases antes alega que já cumpriu a obrigação burocrática: “Lamentável e trágica a morte da menina Agatha. Já me manifestei oficialmente.”

Esqueceu-se de dizer que só na tarde de hoje, enquanto à observação de Maia veio correndo rebater.

Talvez nada diga mais que isso sobre haver relações entre as políticas de segurança pública e o número de mortes causadas por ações policiais que, no Rio, foram responsáveis por mais de 40% dos homicídios praticados no Estado.

A PM é uma instituição militar e, como qualquer instituição militar, espelha-se nas ordens de seus chefes, as “autoridades constituídas”.

Quando elas propõem ampliar a licença para matar – e mais ainda, a licença para atirar – induzem seus comandados a não temer as consequências de um disparo imprudente.

Tudo vem sendo feito para isto.

Quando o Presidente da República diz que vai indultar policiais condenados por assassinatos, o ministro da Justiça diz que não serão processados e o governador manda “mirar na cabecinha” e atirar, será possível que isso não crie um estado de ânimos beligerante entre policiais, já historicamente cevado pelos discursos repressivos?

Se apenas 1% dos policiais militares do Rio de Janeiro forem estimulados por este discurso, são 450 homens armados prontos a atirar por um nada.

Como, no caso do Alemão, em um motoqueiro que não parou, quem sabe por não ter habilitação ou possuir documentos vencidos da moto. Isso seria razão para levar um tiro de fuzil?

E quantos outros policiais, mesclados às milícias – leia aqui, nas notícias de hoje, milicianos e PMs “patrulhando” juntos na periferia do Rio e fazendo chacinas na periferia – estariam dispostos a aproveitar o generoso patrocínio para matar por poder e dinheiro?

Sim, há toda a relação possível entre açular tropas já mal formadas e com parca compreensão dos seus deveres legais e transformá-las em agentes da morte.

Ao mesmo tempo, transformar os defensores da lei e do respeito às garantias cidadãs em aliados dos bandidos, inimigos da polícia, defensores do crime e das violências dos criminosos.

É preciso tornar as vítimas inocentes desta guerra suja apenas acidentes de percurso.

Publicação de: Viomundo

Kennedy Alencar diz que Bolsonaro, Moro e Witzel oferecem a “paz dos cemitérios”

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O jornalista Kennedy Alencar comentou a manifestação tardia do ministro da Justiça, ex-juiz Sérgio Moro, sobre o assassinato da menina Ágatha Felix, no Rio de Janeiro.

Segundo Kennedy; Bolsonaro, Moro e Witzel oferecem aos brasileiros, mas especialmente a pobres e negros de comunidades carentes, “a paz dos cemitérios”.

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Bolsonaro e Moro ‘apanham’ nas redes por silêncio sobre assassinato de Ághata

Confira o comentário do jornalista:

Sobre a nota de Moro:

“O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, lamenta profundamente a morte da menina Ágatha e confia que os fatos serão completamente esclarecidos pelas autoridades do Rio de Janeiro. O governo federal tem trabalhado duro para reduzir a violência e as mortes no país, e para que fatos dessa espécie não se repitam”.

Ou seja, não disse nada além de mentiras.

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Publicação de: Blog do Esmael

Gleisi apresenta solução para a crise econômica do Brasil; assista ao vídeo

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A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), apresentou neste domingo (22) um “Plano Emergencial de Emprego e Renda”.

Segundo a dirigente petista, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e Paulo Guedes enfiaram o País no atoleiro e não têm proposta para tirá-lo de lá.

Gleisi garante que a solução apresentada por ela vai solucionar a crise econômica do Brasil com a criação emergencial de 7 milhões de empregos.

“O aumento de renda é mais uma questão de vontade política”, afirmou. “Vamos resolver o problema de endividamento, acelerar a produção e melhorar o consumo.”

Gleisi apresentou centrais:

1- criação de empregos emergenciais;

2- retomada obras públicas;

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3- revisão e ampliação do programa Minha Casa Minha Vida; e

4- renegociação de contratos de concessão.

Para Gleisi Hoffmann, a solução para a crise econômica é botar dinheiro na mão do povo e fazer a economia girar. “É criando muito emprego”, disse.

Assista ao vídeo:

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Publicação de: Blog do Esmael

Romanelli: O dia que derrotamos o obscurantismo da Escola Sem Partido

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O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB) relata o périplo para derrotar o obscuro e inconstitucional projeto Escola Sem Partido na Assembleia Legislativa do Paraná.

“O cerceamento do exercício docente fere a Constituição ao restringir o papel do professor”, escreve o parlamentar socialista.

Romanelli explica o distinto público o conceito de pluralidade de ideias no ambiente escolar.

“A escola é, por natureza, um ambiente essencialmente político, assim como todas as nossas relações também são políticas. Não é um espaço da doutrinação política e nem religiosa. A escola é laica, e é também política. Não é política partidária. É um espaço para a disseminação do pensamento crítico.”

Leia a íntegra do texto:

O dia em que derrotamos o obscurantismo

Luiz Claudio Romanelli*

“Luz, mais luz” (Goethe)

O dia 16 de setembro de 2019 ficará marcado como um dia histórico na Assembleia Legislativa do Paraná. Por 27 votos contrários e 21 a favor, o plenário derrotou o projeto da Escola sem partido. Foi uma decisão acertada, porque o projeto é terrivelmente inconstitucional e ilegal.

Entre outras excrescências, o projeto previa que cartazes fossem colocados nas escolas públicas e privadas do Paraná, determinando limites aos educadores para evitar o “doutrinamento ideológico” por parte de professores em salas de aula. Uma proposta obscurantista e retrógrada, digna de um Estado de exceção.

Desde que o projeto de lei foi apresentado, fui uma firme opositor da proposta. Em 2015, quando a primeira versão do projeto foi apresentada, escrevi: “A escola sem partido é uma ação de grupos conservadores que pretendem interromper a consolidação de valores básicos, no ambiente escolar, como o respeito à diversidade e pluralidade. O que a escola sem partido defende é uma escola sem pensamento. Ou talvez, sem alguns pensamentos que eles julgam inconvenientes.

Como deputado, jurei defender a Constituição e o projeto é flagrantemente inconstitucional.

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Kennedy Alencar diz que Bolsonaro, Moro e Witzel oferecem a “paz dos cemitérios”

A Constituição Federal estabelece em seu artigo 22 que é competência privativa da União dispor sobre diretrizes e bases da educação nacional. A liberdade de ensinar e o pluralismo de ideais constituem diretrizes para a organização da educação impostas pela própria Constituição. Compete exclusivamente à União dispor a seu respeito. O Estado não pode sequer pretender complementar essa norma, deve se abster de legislar sobre o assunto.

A proposta contraria princípios legais, políticos e pedagógicos que orientam a política educacional brasileira, que no processo de consolidação da democracia, apontam para autonomia dos sistemas de ensino na elaboração dos projetos político pedagógicos, a liberdade de ensinar e aprender, o pluralismo de ideais e concepções pedagógicas, a gestão democrática da escola, a valorização da diversidade humana e a inclusão escolar.

O cerceamento do exercício docente fere a Constituição ao restringir o papel do professor, estabelecer censura a determinados conteúdos e materiais didáticos, além de proibir o livre debate no ambiente escolar. Seria um enorme retrocesso se tivesse sido aprovado.

Instituições como o Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná (OAB-PR), o Ministério Público Estadual e o Conselho Estadual de Educação também manifestaram-se publicamente contra a proposta. Foram unânimes em rejeitar a constitucionalidade do projeto, que fere a liberdade de ensino.

Além disso, o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade em todas as ações diretas contra projetos similares a esse. Foram suspensas as aplicações desse tipo de lei.

No dia 18, apenas dois dias depois de rejeitarmos o projeto, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), com pedido de medida cautelar, para suspender qualquer ato do poder público que autorize ou promova censura a professores no ambiente escolar.

De acordo com a PGR, a medida foi motivada pelo crescente número de leis e movimentos que buscam implantar um modelo de ensino que contraria o modelo educacional vigente, definido pela Constituição Federal e regulamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Entre os movimentos apontados pela PGR, está o escola sem partido.

“A escola é o espaço estratégico para a construção de uma sociedade de pessoas que se dirigem umas às outras de forma ética, sendo essencial, a tal propósito, a abordagem de questões como gênero, identidade de gênero e orientação sexual”, defendeu Dodge.

Pesquisei na Ouvidoria da Secretaria de Estado da Educação os atendimentos realizados referentes ao tema “doutrinação”. No Paraná temos com 2143 escolas, 35 mil turmas, 100 mil professores e aproximadamente um milhão de alunos. Somente neste ano letivo já foram ministradas 22 milhões de aulas. De fevereiro a agosto deste ano, a Ouvidoria recebeu 15.690 registros de reclamações. E quantas foram as queixas sobre “doutrinação”? Trinta e quatro queixas ou 0,0001%. É um percentual absolutamente irrisório e que comprova que o ambiente escolar no Paraná não é de doutrinação ou permissividade.

A escola é, por natureza, um ambiente essencialmente político, assim como todas as nossas relações também são políticas. Não é um espaço da doutrinação política e nem religiosa. A escola é laica, e é também política. Não é política partidária. É um espaço para a disseminação do pensamento crítico.

Os deputados estaduais do Paraná reconheceram que o ambiente escolar do Paraná é um espaço de amor, de respeito, de acolhimento, de reconhecimento das diferenças, um ambiente absolutamente plural de pensamento e liberdade.

Boa Semana! Paz e Bem!

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PSB.

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Enterro da menina Ághata gera comoção e protesto contra Witzel

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O enterro da menina Ágahta Vitória Sales Félix, de 8 anos, na tarde deste domingo (22), no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio, foi marcado por forte comoção e protestos contra o governador Wilson Witzel (PSC). Centenas de populares acompanharam o cortejo e gritavam “Witzel assassino”, “polícia assassina” e queremos paz”.

A menina foi assassinada depois de ser atingida com um tiro de fuzil de um PM no Complexo do Alemão na sexta-feira (20). Ághata estava dentro de uma kombi.

O pai e a mãe de Ágatha seguiram o cortejo em silêncio. A mãe segurava uma boneca da turma da Mônica que era da menina. O tio, contou que ela estava ensinado inglês a ele. “Eu, com 28 anos, e ela estava me ensinando inglês. Peço que orem para que esta violência acabe e nenhuma família seja destruída como a minha está”, disse Cristian Sales.

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Emocionado, o avô de Ágatha, Ailton Félix, pediu justiça para a neta. “Alguém tem que acabar com isso. Uma criança não merece passar por isso. Um pai, um avô, uma mãe, não merecem passar por isso. Mataram uma inocente, uma garota inteligente, estudiosa, obediente, de futuro. Cadê os policiais que fizeram isso? A voz deles é a arma. A da minha neta era o lápis e um caderno. Ela fazia balé, fazia inglês, era uma filha exemplar. Até quando o governo vai acabar com as famílias? Até quando isso vai acontecer?”, questionou, diante do caixão”.

Ágatha era filha única. Sonhava em ser bailarina. Era estudiosa e não gostava de tirar notas baixas.

No cemitério várias pessoas relatavam os casos de violência policial em suas comunidades  e bairros.

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Efeito Bolsonaro: Bachelet afirma que sente ‘pena pelo Brasil’

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A Alta Comissária dos Direitos Humanos da ONU e ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, afirmou que sente “pena pelo Brasil” ao recordar a defesa que o presidente Jair Bolsonaro fez recentemente da ditadura de Augusto Pinochet no Chile, na qual justificou a morte do pai da socialista pelo regime.

No início do mês, com a Amazônia em chamas em consequência dos incêndios florestais, Bachelet criticou a “redução do espaço cívico e democrático” no Brasil. Bolsonaro respondeu com elogios à ditadura de Pinochet (1973-1990).

“Se há uma pessoa que diz que em seu país nunca houve ditadura, que não houve tortura, bem, que dia que a morte de meu pai por tortura permitiu que (o Chile) não fosse outra Cuba, a verdade é que me dá pena pelo Brasil”, disse Bachelet em entrevista à Televisão Nacional do Chile (TVN).

O capitão da reserva do Exército e atual presidente do Brasil elogiou a “coragem” da ditadura chilena para deter a esquerda e “comunistas como seu pai”, um general da Aeronáutica que morreu na prisão em 1974 depois de ser torturado pelo regime.

Bachelet afirmou que a “redução do espaço democrático não acontece apenas no Brasil”, em uma longa entrevista à TVN, divulgada parcialmente neste domingo pelo jornal La Tercera, na qual considera que na área de direitos humanos “não existe nenhum país perfeito”.

Em outros temas, a ex-presidente voltou a se defender de novas informações da imprensa que vinculam sua campanha para conquistar o segundo mandato à frente do Chile em 2014 a contribuições da empreiteira brasileira OAS.

“Minha verdade é a mesma de sempre. Eu não tenho, nunca tive vínculos com OAS nem com qualquer outra empresa”, disse Bachelet, que considerou “estranho” o retorno do tema à imprensa.

Fonte: Agence France-Presse

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