Ivo Pugnaloni: A queda por causa de erros básicos, fundamentais

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Novas rádios e TVs: a defesa que Lula e Dilma negaram sempre a si próprios e à Esquerda. Por quê?

por Ivo Pugnaloni

Agora que Dilma está muito perto de cair e um governo usurpador e degenerado apodera-se de Brasília e do Brasil, muitos historiadores e políticos à Esquerda e à Direita preparam-se para brindar-nos com as mais variadas análises.

Apontar erros será tão fácil, quanto excitante. Lula e Dilma tiveram muitos acertos, mais acertos do que erros.

Mas seus erros foram básicos, fundamentais.

E por isso, altamente interessantes do ponto de vista histórico. Para que não os cometamos outra vez.

Dentre esses erros existe um, porém que se destaca. Ele é tão evidente, tão básico, que quase nunca é comentado. Ele parece ser tido como algo natural e que “sempre foi assim”. Esse erro fundamental, que a Direita deve agradecer todos os dias ao Diabo, por Lula e Dilma terem-no cometido com tanto empenho e vontade foi:

Como seria possível que dois líderes nacionais de esquerda pudessem pensar em mudar um país, sem nunca ter dado um passo concreto para construir meios de comunicar-se diretamente com seu povo como um todo, mas apenas em discursinhos diários em inaugurações, editados e transmitidos ao sabor da Globo?

Como, Meu Deus, um líder experimentado como Lula poderia pensar em contrariar interesses tão poderosos, como os que contrariou como o Pré-Sal, o Banco dos BRICS, sem contar com o apoio dos meios de comunicação de massa do estado, do governo e das organizações sociais?

Como enfrentar inimigos tão poderosos sem ter meios de comunicação que mostrassem os avanços alcançados e os objetivos conseguidos por seu governo, até para cumprir uma obrigação com a transparência, princípio basilar da Constituição?

Como é que Lula e Dilma podem ter pensado em eleger sucessores, fazer frente aos golpistas de sempre, sem ter ajudado a sociedade a criar seus próprios meios de comunicação de massa, que chegassem aos corações e as mentes daqueles a quem seus programas e suas obras estavam beneficiando em todos os dias de seus mandatos?

Como Lula e Dilma pensaram em manter o apoio popular num país que cultua o ditado “Quem cala consente”, calando-se por anos, como se calaram frente aos que os caluniaram , ofenderam a sua dignidade, de sua família e os desrespeitaram e aos seus cargos, em todos os minutos e segundos de cada santo dia, usando para isso uma rede de meios de comunicação claramente articulada, cartelizada e coordenada?

E que era a única a falar?

Como foi que Lula e Dilma, com um passado ilibado, puderam deixar de exercer por tanto tempo o direito de defender sua honra e a honra do Partido que os elegeu, arriscando, nessa atitude suicida, não apenas a a sua imagem, mas a luta e o trabalho de uma militância que arriscou sua própria vida para libertar o Brasil de uma ditadura militar?

Como foi que Lula e Dilma imaginaram que programas como o “Minha Casa Minha Vida”, “Bolsa Família”, “PRONATEC”, “Mais Médicos”, “Luz para Todos”, poderiam perdurar por mais tempo do que seus mandatos, sem estarem inscritas em Lei por um Congresso eleito dentro de um clima de normalidade democrática, onde a Esquerda e não só a Direita, gozassem igualmente da propriedade dos meios de comunicação social e concorressem pelo menos em igualdade de condições?

Como foi que Lula e Dilma planejaram o futuro dos brasileiros e das brasileiras que viriam depois de seus mandatos sem nenhuma preocupação com aquilo que estava sendo incutido na cabeça e nos corações dessas 200 milhões de pessoas, dia e noite, por um conjunto de pouco mais de 10 bilionários que dominam 98% dos meios de comunicação de massa do Brasil, que cultivam dentro desses corações apenas o egoísmo e o consumismo, procurando retirar deles, qualquer ideia de solidariedade, de amor ao próximo, de igualdade?

A explicação que falta. Várias hipóteses

Lula e Dilma devem a todo o povo brasileiro, uma explicação sobre por que foram assim tão negligentes com o tema da comunicação social. Ainda mais agora, que devido a esse erro fundamental, o povo sofrerá nas mãos de uma oligarquia corrupta.

Vejam, não estou falando aqui em censura aos meios de comunicação da Direita. Não se toca aqui no sagrado direito de expressão de ninguém, muito menos da Direita. Mas sim do sagrado direito da Esquerda, como a Direita, também poder possuir meios de comunicação de massa. Eles já têm os deles, nós teríamos os nossos. Vamos ver quem conseguiria mais apoio da sociedade para sua visão de mundo.

Deve existir uma razão, válida ou não para esse erro básico, quase estúpido. Deve haver um motivo, “uma tática secreta”, uma razão que nós, simples mortais, não conseguimos alcançar. E Lula e Dilma precisam explicar para nós essas razões.

Salta à vista que alguma coisa muito estranha existiu. O desleixo com a comunicação social própria não pode ter sido obra do “acaso”. Ou “negligência”. Não existe negligencia em assunto tão importante.

Por isso, fazendo uma tentativa de encontrar uma razão, podemos traçar algumas hipóteses. Até para ajudar Lula e Dilma a nos darem uma explicação.

A primeira hipótese seria a do “Esquecimento”, segundo a qual, com tanta coisa para fazer, num país tão cheio de problemas, nossos líderes teriam “se esquecido”, completamente, de dedicar um tempinho para enfrentar o problema da comunicação social. Só que não. A tese do “esquecimento” não “cola.

Não é possível que políticos populares, com tanta tradição nas lutas da Esquerda, tenham apenas “se esquecido” desse “detalhe” da Comunicação Social, em meio a tantas outras prioridades. Afinal a comunicação é a principal dessas atividades. “Quem não se comunica, se trumbica”, já profetizava Abelardo Barbosa, o popular “Chacrinha”.

Como disse um “meme” outro dia; “Todo poder emana do povo. Mas o povo faz o que manda a Globo”

A segunda hipótese seria a da “Ingenuidade” , segundo a qual Lula e Dilma, por serem pessoas boas, de almas elevadas e muito crédulas, preocupadas com o bem estar de seu povo, teriam sido convencidas a acreditar nas boas intenções, no “elevado espírito democrático” dos Irmãos Marinho, da TV Globo e dos seus colegas donos da mídia golpista de sempre.

Essa hipótese da “ingenuidade” também não “cola”. Ainda mais quando nos lembramos que lotaram as presidências e os cargos comissionados da TV Brasil e da EBC com quadros praticamente cedidos pela Globo, dependentes de sua direção, que fizeram sempre o possível para que as mídias do governo federal nunca tivessem nenhuma estação de TV aberta ou Rádio FM em nenhuma capital do país.

A terceira hipótese (e essa eu já ouvi dentro do PT) é a “quase impossibilidade de conseguir uma concessão de TV ou rádio, pois todas estão na mão de políticos ou de pastores evangélicos”.

A essa hipótese risível confesso que respondi usando todo o sarcasmo que podia: “mas será que os presidentes da TV Brasil, se quisessem, se fosse essa a orientação do Lula ou da Dilma, não teriam dado ‘um jeitinho’ lá no governo, para conseguir uma concessão em cada capital, em cada cidade de porte médio? Será que eles não conheciam alguém lá no Ministério das Comunicações que poderia ajudar ?”

A quarta hipótese é a da “Inviabilidade Financeira”. E essa contrasta com o empréstimo de 1,6 bilhões que o BNDES com o aval do governo Lula, fez para a TV GLOBO, salvando o grupo da falência nas vésperas do vencimento de suas concessões no Rio e São Paulo.

Também não “cola”, pois implantar, operar e explorar serviços de radiodifusão e TV é prática comum não só de políticos e pastores mas de organizações sindicais patronais.

Não é possível que os mais de 15.000 sindicatos, federações e confederações de trabalhadores existentes no Brasil, que apenas de imposto sindical arrecadam 2,5 bilhões ao ano, fora as mensalidades dos associados, não pudessem, reunidos e estimulados pelo governo e pelos partidos da Esquerda, fazer a mesma coisa: construir uma rede popular de rádio e TV.

Isso é absolutamente comum em todos os países do mundo. E se justifica plenamente pela necessidade destes organismos sindicais se comunicarem com seus filiados, apresentarem suas atividades, exercer um salutar diálogo com a sociedade em torno dos temas culturais, políticos e filosóficos que seu papel exige. Evitando a unicidade do pensamento, estimulando a pluralidade de ideias e opiniões.

Se o BNDES tem 22% da Globocabo, o financiamento daquele banco estatal a projetos que criassem novas emissoras de rádio e TV, geridas e operadas por entidades representativas de trabalhadores, encontraria não apenas justificativa cultural e empresarial, mas garantias de lastro financeiro em contratos de publicidade, privada e oficial, recebíveis de contribuições e associados, promoções, etc.

A quinta hipótese, é a desculpa da “Obsolescência” da TV e do Rádio frente à redes sociais”, de todas, a pior desculpa e a mais amarela. Sem dúvida é a pior desculpa pois ao fim quer que enquanto a Direita usa armamento pesado, como a artilharia de calunias, o bombardeio de mentiras, os porta-aviões da enganação, pilotando enormes redes de radio e TV, a Esquerda deveria reagir limitando-se a dedilhar nos tecladinhos de “whastsupp”…e no “feice”…

Ainda mais agora, quando a velha oligarquia paulistana “quatrocentona”, de mãos dadas com os “coronéis” do nordeste e seus capangas, prepara o desmonte da legislação trabalhista e previdenciária para escravizar, de uma vez, o sofrido e enganado povo brasileiro. Acabando assim com avanços sociais que a sociedade, a duras penas vem criando desde a década de 30.

Com a palavra Lula, Dilma e (por que não), a Direção Nacional do PT, dos partidos de esquerda e todos os sábios marqueteiros, políticos, filósofos e pensadores responsáveis por estar o povo brasileiro nesse estado de letargia, desânimo, desinteresse e completo domínio cultural e político da Direita.

Expliquem direitinho para nós, o povo qual foi a razão pela qual vocês nunca deram um passo significativo para que tanto o Estado, como o Governo, como a sociedade brasileira pudessem ter acesso a outras rádios e TVs que representassem uma alternativa de informação, formação e opinião do que a Rede Globo e seus aliados?

E para o Lula (que afirmou que anda pensando em ser candidato em 2018) uma outra pergunta:

Você ainda acha que não precisamos criar uma rede popular de emissoras de rádio e TV, pois como disse o Dirceu para o Requião “a nossa rede já existe Requião! É a Rede Globo!”

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Publicação de: Viomundo

Jean Volpato: 62 anos depois da morte de Getúlio, novo ataque ao trabalhismo outra vez encabeçado pelos Marinho

Captura de Tela 2016-08-23 às 22.26.3662 anos depois da morte de Getúlio Vargas, a quem interessa retirar de cena um Partido dos Trabalhadores?

por Jean Volpato*

A Alemanha dos anos 1930, impulsionada pela grande crise de 29, foi marcada por uma grave desestabilização econômica, caracterizada pelo desemprego e pela hiperinflação.

Nesse contexto de crise foi que o discurso do partido nazista encontrou ampla aceitação na sociedade alemã. Assim Hitler chegou ao poder.

Um ditado antigo, no qual não recordo o nome do autor, afirmava que “loucos são aqueles que nós colocamos nos hospícios em tempos de paz, mas colocamos no poder em tempos de crise”.

Os nazistas montaram uma poderosa máquina de propaganda.

A tática nazista incluía o patrulhamento ideológico, a calúnia e a difamação, aplicando a frase atribuída ao chefe da propaganda nazista: “Uma mentira muitas vezes repetida vira verdade”.

Assim o governo de Hitler conseguiu convencer os alemães de que os judeus eram sujos, perversos, corruptos e traidores, responsáveis pela crise econômica que jogou os alemães na pobreza.

Tudo isso fundamentou a criação de leis que justificaram a perseguição, prisão, escravização, confisco de bens e o homicídio de milhões de judeus, dentro e fora dos campos de concentração.

Fenômeno idêntico pode ser observado no Brasil de hoje.

A velha imprensa empresarial, em especial a Rede Globo de Televisão, utilizando as mesmas técnicas de intimidação, patrulhamento ideológico liberal, calúnia e difamação, escolheu o maior partido de representatividade dos trabalhadores para negar sua legitimidade no Brasil.

O PT e suas principais lideranças têm sido alvos de escancarados e assombrosos ataques e perseguição.

Você já deve ter se perguntado algum dia o porquê a canoa de Lula vira manchete de uma hora no Jornal Nacional e as 18 delações do Senador Aécio Neves na Lava-Jato, não.

Ou porque os pedalinhos dos netos de Lula têm garantidos 24 horas na programação da Rede Globo, mas os R$ 23 milhões que o senador e atual ministro de Temer, José Serra, teria recebido de propina, já tenham caído no esquecimento popular.

O PSDB e boa parte dos políticos brasileiros, assim como a grande mídia, estão em defesa do status quo da elite brasileira.

Não é à toa que estamos vivendo um período muito parecido com aquele que colocou Adolf Hitler no poder na Alemanha da década de 30.

Aproveitam-se da crise econômica para colocar medo na população e deslegitimar o maior partido de representação aos trabalhadores em nosso país.

O ódio ao PT tem garantido uma cortina de fumaça que legitima os golpistas.

A venda colocada nos olhos dos brasileiros com a forte campanha midiática contra o PT vai garantir que o atual Governo Golpista de Michel Temer mexa nos principais direitos dos trabalhadores.

Hoje completamos 62 anos da morte de Getúlio Vargas, pai da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Getúlio se suicidou depois de uma forte campanha de difamação, ódio e calúnia.

Mais uma vez o mote da corrupção impulsionada por monopólios de comunicação, como o Diário Associados, de Assis Chateaubriand e Carlos Lacerda, serviram para golpear um governo com vertente trabalhista. No dia de sua morte a população saiu às ruas, indignada.

A Tribuna da Imprensa de Lacerda foi empastelada. A redação de O Globo foi atacada, carros do jornal foram destruídos.

Mais de seis décadas depois de sua morte, a história volta a se repetir. Mais uma vez um governo com viés trabalhista sofre um golpe.

Com amplo apoio das organizações Globo, o Brasil vive, sob o comando do presidente golpista interino Michel Temer, o maior desmonte dos direitos trabalhistas da história.

Na pauta a jornada de trabalho (oito horas diárias e 44 semanais), jornada de seis horas para trabalho ininterrupto, banco de horas, redução de salário, férias, 13º salário, adicional noturno e de insalubridade, salário mínimo, licença-maternidade, auxílio-creche, descanso semanal remunerado e FGTS.

Outro projeto em pauta, o PLP 257, resultará no congelamento dos salários, revisão dos benefícios e gratificações, demissão de servidores públicos, suspensão de concursos públicos, aumento da alíquota ou privatização da Previdência Social, limitação dos programas sociais.

O governo Temer também se esforça para aprovar a PEC 241/2016, que congela os investimentos públicos para os próximos 20 anos.

Na educação, essa PEC significa que nenhum centavo novo vai chegar para creches, escolas, universidades públicas e para melhorar o salário dos professores e praticamente inviabiliza as metas do Plano Nacional de Educação.

A proposta de privatização do SUS ganha cada dia mais força.

O ministro da Saúde do governo Temer já deu diversas declarações de que pretende extinguir a gratuidade da saúde para todos no Brasil.

Foi publicado no Diário Oficial da União proposta que cria grupo de trabalho para analisar a implementação de planos de saúde pagos pela população brasileira, favorecendo as chamadas “indústrias da morte, ou das doenças”.

A medida de Temer potencializa a lógica do mercado, colocando os serviços públicos não como direitos, mas como mercadorias.

Com a campanha nazista de ataque ao maior partido brasileiro de representação dos trabalhadores, o plano Temer de desmonte dos serviços públicos e ataques aos trabalhadores ganha uma confortável margem de implementação.

Não fica difícil concluir a pergunta desse título. A quem interessa retirar de cena um Partido dos Trabalhadores?

*Jean Volpato é jornalista, especialista em Gestão Estratégica em Políticas Públicas

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Publicação de: Viomundo

Mediocridade de adversários pode reeleger Haddad

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A eleição de 2018 começa a ser definida nas eleições municipais de 2016, mas, antes de qualquer outra eleição, a do prefeito de São Paulo lidera o simbolismo do que deverá ocorrer daqui a dois anos na sucessão de Dilma – ou, se o pior ocorrer, do usurpador que estiver na Presidência.

Nesse contexto, quem é paulistano de classe média sabe que, por ser do PT, a exitosa gestão do prefeito Fernando Haddad não é reconhecida por uma parcela dos paulistanos. Contudo, a antipatia partidária e ideológica não é maior do que o instinto de sobrevivência até das camadas médias que odeiam o PT.

Na noite da última segunda-feira (16), a TV Bandeirantes, como de costume, inaugurou a temporada de debates entre candidatos a cargos majoritários – um dia, quem sabe tenhamos debates entre candidatos ao Legislativo, o que impediria a eleição de tantos picaretas para vereador, deputado ou senador. Não só o desempenho dos candidatos, mas até sondagens do debate mostraram que Haddad se saiu melhor do que os adversários.

A principal surpresa da noite foi a presença de Celso Russomanno. Até horas antes do debate ele afirmava que a exclusão de candidatos do debate, como Luiza Erundina, por causa da nova legislação eleitoral, era injusta e, por isso, não participaria. Uma óbvia desculpa para fugir de enfrentar os adversários, já que está na frente nas pesquisas.

No primeiro bloco, os candidatos foram questionados sobre o que farão, se eleitos, para gerar empregos na cidade. Haddad citou obras da sua gestão, como a duplicação de diversas vias, graças à redução “a menos da metade” da dívida municipal. Ele também destacou a abertura de 100 mil vagas em creches, mas sofreu críticas de seus adversários.

Crítico do PT, João Doria (PSDB) disse que o caminho é captar “novos investimentos nacionais e multinacionais”. Ele disse que valorizará “o empreendedorismo” em áreas como “gastronomia e eventos” e “resgatará os valores da cidade”. Também afirmou que é importante “rezar para que a economia tenha outro desempenho”, em crítica direta à administração do PT no governo federal.

Já a ex-petista Marta Suplicy (PMDB) prometeu criar o “Banco do Povo, para dar oportunidade para aquela mulher que está em casa e quer fazer um salgadinho para vender, para quem quer comprar uma caixa de ferramentas”. Também prometeu “atuar em todas as obras inacabadas, que é o que mais existe nesta cidade”, em crítica a Haddad.

Apostando no discurso antipetista radical, Major Olímpio (Solidariedade) afirmou que é preciso “cumprir a lei” para gerar empregos. “O prefeito sancionou o Plano Diretor Estratégico, mas não o leu”, disse. Ele também chamou a administração petista na capital de “metástase” de uma “quadrilha”.

O prefeito Haddad e a senadora Marta criticaram as políticas de João Doria (PSDB) para minorias na cidade de São Paulo. A discussão começou quando Marta, em pergunta a Doria, o acusou de tratar minorias, como negros, cadeirantes e a população LGBT, como “penduricalhos”. O tucano rebateu: “Não chamei de penduricalhos”.

Em seguida, após pergunta de Doria a Haddad sobre a situação da saúde pública, o assunto voltou para as minorias. “Você tem o hábito de [falar em] cortar custos em áreas prioritárias”, disse o petista ao tucano, em referência a políticas para negros e mulheres.

Doria acusou Haddad de ter “o desempenho tão ruim” na saúde pública a ponto de desviar o assunto. Haddad respondeu: “Estou abismado com a sua falta de conhecimento da cidade. Você prometeu acabar com as secretarias da Juventude e LGBT, que poderiam existir, mas não existem”.

Haddad é um grande debatedor. Quem não conhece direito o prefeito de São Paulo pode conferir, abaixo, como ele triturou o adversário José Serra na eleição municipal de 2012.

Se depender de Haddad, ele será reeleito. Mas, obviamente, não depende só dele. Além de, previsivelmente, vir a ter a mídia contra si, ainda lutará contra o antipetismo da elite gritalhona dos Jardins, que pautou o resto da capital paulista no golpe contra Dilma.

Porém, em se tratando de gestão da cidade, até a parte menos irracional dessa elite não vai ter coragem de colocar subcelebridades de televisão na prefeitura, o que pode resultar em um desastre em uma cidade tão sensível como São Paulo.

Com efeito, se Dória ou Russomano se elegessem, com os planos que têm para beneficiar as camadas mais favorecidas da população, em pouco tempo reeditariam as manifestações de 2013, só que, agora, com razão, pois vão atuar para retirar direitos dos paulistanos mais carentes.

Mesmo os habitantes dos “bairros nobres” paulistanos sabem que Sampa é uma panela de pressão. Por isso, várias vezes venho me surpreendendo ao ver antipetistas dizendo que, diante do que está aí, vão ter que votar em Haddad para impedir que a cidade afunde.

Marta Suplicy enraiveceu os paulistanos em sua gestão. E, ao trair o PT e se unir à direita, seu eleitorado, residente na periferia, vai pular fora dela.  Junto aos ricos, não convence – dizem que uma vez petista, sempre petista.

Doria é ridículo. Trata-se de um ricaço que pouco conhece a cidade fora dos ditos “bairros nobres” e que é, quase que declaradamente, o candidato da elite branca paulista.

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Russomano tem mais chances? É relativo. Se continuar comparecendo a debates, será desmascarado como foi em 2012, ao propor que quem usasse ônibus em percursos mais longos pagasse passagem mais cara. Russomano é o pior inimigo de si mesmo. Vai acabar se entregando ao longo da campanha.

Todos sabem que São Paulo está sendo bem administrada. A maioria das ações de impacto da prefeitura são bem avaliadas. A redução da velocidade dos veículos na capital tem alta aprovação, os corredores de ônibus têm alta aprovação, as ciclovias têm alta aprovação…

Só o que impede Haddad de ser um prefeito super bem avaliado é o antipetismo obsessivo de larga parcela dos paulistanos, mas parte importante desse contingente pode ser chamado à razão e convencido a abandonar uma aventura como colocar uma metrópole da importância de São Paulo nas mãos de aventureiros como Dória e Russomano.

Erundina é uma mulher séria, apesar do apoio em 2014 a Marina Silva e sua independência do Banco Central, mas não vai sair do lugar. Seu partido, até de forma injustificada, assusta os paulistanos; quanto à Marta, se há uma coisa que brasileiro detesta são os traidores. Até nas cadeias eles são execrados. E Marta é o que costumam chamar de “traíra”.

Publicação de: Blog da Cidadania

Katarina Peixoto: Resistência internacional ao golpe prepara luta contra “ditadura suave”

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O Tempo de Dilma Rousseff: a razão por que resistimos

por Katarina Peixoto*

A história é a luta pelo passado. Essa boutade é mais fecunda que intuitiva, pois quer dizer, entre outras coisas, que história é uma experiência sobre o presente e sempre sobre o presente, e que é por meio dessa experiência e do embate normativo que a embala que poderemos dispor dos marcos para identificar o passado.

E nada dessas coisas é fácil de ver, num contexto de luta cotidiana e exaustiva, em que o Brasil foi jogado nos últimos dois anos, mesmo para democratas que não se apequenaram nem cederam à avalanche golpista que se espalha e dissemina destruição e medo pelo país.

Como a leitora e o leitor poderão acompanhar, ao longo deste livro, o que consta nessas entrevistas, manifestos, sentença do Tribunal Internacional, ensaios, artigos e poema, é aquilo que Amartya Sen chama de “fundamentação plural” da denúncia de uma flagrante injustiça: a deposição ilegal de Dilma Rousseff.

Há várias linhas de abordagem do que se passa no Brasil, hoje, voltadas a diagnosticar e evidenciar a destruição voraz em curso, e também com vistas a apontar caminhos de refazimento da vida dos direitos sob uma ordem constitucional.

Em todos e em cada um dos documentos aqui registrados, consta o compromisso com a temporalidade e a experiência encarnadas na figura de Dilma Rousseff.

Estadista de envergadura incomum na história brasileira, primeira mulher eleita e reeleita presidenta, formada na luta armada contra a última ditadura, economista, herdeira do trabalhismo e do legado, como gosta de dizer, de enxergar a ideia de estado nacional, de Getúlio Vargas. Dilma Rousseff responde por todas e cada uma das iniciativas inspiradoras da grande transformação brasileira, dos últimos 13 anos.

Responde pelos programas anticíclicos, pelas políticas de reconhecimento e ampliação do escopo dos direitos, e responde pelo fortalecimento e consolidação de uma certa estabilidade institucional hoje violada.

Impoluta e não messiânica, Dilma causou e causa desconcertos em todas as forças políticas do país e a sua tenacidade segue interpelando os golpistas e incomodando os arautos de uma perseguição sem precedentes, contra si.

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Na guerra política em que o país foi mergulhado, a figura da mulher jamais ocupou tamanha centralidade.

De despreparada a louca, de furiosa a comunista, passando, é claro, pela acusação demencial de ter cometido algum mal feito.

A todas e a cada uma dessas vilanias, Dilma respondeu e segue respondendo com altivez, republicanismo e caráter.

Dilma tem um ethos raro, de quem se entregou a uma luta maior que si: é virtuosa e, ao mesmo tempo, mergulhada na história.

Assim é que, desde o início dos procedimentos golpistas, dedicou-se a uma espécie de pedagogia da resistência: em cada fala, denuncia ponto a ponto a inconsistência e eventualmente o caráter absurdo das acusações.

Repete ponto por ponto, desfaz qualquer hipótese de consistência nas acusações falaciosas que compõem o enredo macabro do “crime de responsabilidade”, que não há nem nunca houve.

E segue defendendo a democracia, o sufrágio, as políticas de estado voltadas à realização da ideia de estado nacional, democrático, solidário, soberano.

Dizer que Dilma Rousseff é inocente é justo, mas insuficiente.

Dilma é de tal maneira virtuosa, que age com a clareza que poucos têm, em meio à gigantesca instabilidade em que fomos todos jogados.

Mantém o tom de sobriedade que parece estranho, até, quando não frágil.

Não nos enganemos com essa figuração, no mais das vezes, contaminada de misoginia, estranhamento e desconcerto frente a quem reconhece a república como fim em si.

As oligarquias golpistas terão sobre si, para a história, a mancha de conspurcarem, de novo, contra o que Dilma significa e é.

Essas coisas existem numa temporalidade que não está nos jornais e nas televisões oligopólicas, nem no jogo eleitoral espetacularizado.

Estão na história, nesse tempo em que a razão se realiza. Esse tempo e essa figuração constituem e constituíram a razão por que resistimos.

Um dos maiores méritos desta coletânea consiste em contemplar, tanto em declarações distantes, como em testemunhos carregados de afetividade, o compromisso com a democracia no presente.

Esse compromisso tem uma natureza moral e política sem fronteiras, e o olhar distante carrega consigo uma possibilidade de clareza muitas vezes para nós interdita, em meio à instabilidade em que fomos jogados.

E há também o elo afetivo, sentimental e biográfico dos brasileiros desterrados e dos estrangeiros que acompanham e resistem à destruição da ordem constitucional brasileira e se solidarizam com a resistência.

Com a força da solidariedade, do compromisso intelectual e da generosidade que constituem os valores da democracia, a nossa democracia, jovem e hoje crepuscular, será acolhida na resistência e sobreviverá ao desastre que se anuncia.

Não é de pouca monta documentar o que estamos vivendo e tampouco é comum.

Esta é a terceira parte de uma trilogia de coletâneas que documentam com raro rigor e compromisso, aliados, o estado da destruição em curso no Brasil.

O golpe contra a expansão do direito e das oportunidades conquistados após anos de resistência a uma ditadura torna-se cada dia mais nítido e, ao mesmo tempo, despudorado.

Vencemos a batalha semântica sobre o golpe e os usurpadores contribuíram de maneira inaudita para este esclarecimento: o país hoje é governado por uma força usurpadora de ocupação que não foi eleita, que pretende realizar uma agenda reiteradas vezes rejeitada nas urnas e que é inelegível, dadas as decisões já transitadas em julgado, a respeito da elegibilidade de parte dos senhores golpistas dirigentes do golpe.

Eles pretendem governar como não houvesse amanhã, porque sabem que eles não têm amanhã. Estão, portanto, prontos para liquidarem com o passado e com as condições de possibilidade da luta sobre o passado.

Para nós, que organizamos este livro e para muitos dos autores, nada parecido se viu ou viveu, no Brasil, em nossas vidas.

Mas para muitos dos que estão conosco, na Resistência Internacional, esta é a história de uma variação sobre um tema perseverante, uma espécie de repetição.

Como toda repetição, tem suas peculiaridades e similaridades e estas comparecem na pluralidade de abordagens aqui representadas.

Há elementos repetitivos como a queda nos preços das commodities. A especulação característica da crise do petróleo dos anos 70 do século passado ganhou uma nova roupagem: mais bélica, mais claramente política e intrinsecamente operadora do ataque às democracias fragilizadas economicamente da América Latina.

A análise sobre o que se passa contra o Brasil e a Venezuela hoje não faz nem fará qualquer sentido se retirarmos o petróleo, sobretudo as reservas futuras e a tecnologia do Pré-Sal, de seu diagnóstico.

Também vivemos, nos EUA, na Europa e no Oriente Médio, um quadro de tensão, instabilidade crescente e de avanço de forças autoritárias e obscurantistas cujos precedentes menos remotos também estão em fins dos anos 70.

A grande diferença talvez resida na simultaneidade e na dinâmica interna das comunicações e da consolidação de dispositivos democráticos e intelectuais, disponíveis hoje de maneira incomparável aos processos de fechamento passados.

Não será tampouco esclarecido o escopo do atual golpe sem um olhar atento para a debilidade da nossa democracia.

Esta fragilidade se tornou evidente diante de dois grandes mercados dominantes e sem o menor controle democrático, de maneira que seguem desregulados, como fossem verdadeiros mercados-sombra. Vem daí o maior ataque a nossa democracia.

Trata-se de dois mercados cuja regulamentação segue adiada e menosprezada, inclusive pelas forças de esquerda, até há pouco cúmplices ou reféns das chantagens produzidas pelo jogo deles característico: o financiamento eleitoral e o mercado de informações.

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral, a eleição presidencial de 2014, da qual Dilma Rousseff saiu vitoriosa e reeleita com mais de 54 milhões de votos ora anulados pelo golpe, custou mais de 500 milhões de reais declarados.

Este é um valor que parece revelar um grande desafio para a democracia brasileira: em primeiro lugar, é preciso questionar se há e por que há e haveria a necessidade de uma campanha eleitoral com custo tão elevado.

Em segundo, se este custo não deriva da fragilidade da consciência democrática e da ausência de uma cultura de disputa aberta por interesses e poder.

Em terceiro lugar, cabe interrogarmos por que os governos democráticos que obtiveram, e quando obtiveram, maiorias parlamentares, não se dedicaram a regulamentar e a disciplinar (oferecer um teto de gastos de campanha, por exemplo), quando tiveram força para fazê-lo.

Há outras questões, é certo, mas estas dariam início a uma discussão democrática.

O segundo mercado-sombra é o da informação, isto é, da mídia.

No Brasil, não há, rigorosamente, mercado de informações. Há um peculiar e pré-moderno sistema oligárquico-familiar, que veicula e advoga um ideário a um só tempo escravocrata e ultraliberal, e que se constituiu no rastro da última ditadura, como é o caso da Rede Globo e da Rede Brasil Sul, paradigmaticamente.

São sete famílias que comandam as pautas, que igualam manchetes, que detêm televisões, jornais, rádios e agências de notícias que não respondem a ninguém, que mal tributam (quando não sonegam) e que constituíram um véu de ignorância e ódio racista contra o que é democrático, popular e institucional.

Esses dois mercados-sombra são denunciados, analisados, diagnosticados e comentados nos textos desta coletânea.

E a sua consideração atravessa as análises de sobreviventes da última ditadura, professores universitários, pesquisadores de renome, brasilianistas, juristas, publicistas e políticos portadores de um olhar externo sobre o estado das artes sombrias que ameaçam a nossa democracia.

Esses mercados sombra permitiram que os valores da democracia sempre fossem depreciados e mesmo ridicularizados e que os valores do ultra individualismo e do ultra liberalismo financeiro fossem tomados como medida do que o Brasil merece.

Esses valores, finalmente, penetraram de tal maneira as externalidades da vida intelectual de burocratas e jusnaturalistas investidos de funções legais, que passaram a circular livremente, como detivessem autonomia e pudessem vigorar a despeito de nossa ordem constitucional.

E assim o país assiste a um ataque sem precedentes não apenas ao que é democrático e legítimo historicamente, como à ideia elementar de república, às prerrogativas das separações de poderes, ao artigo quinto da constituição.

Assim é que a atual força de ocupação usurpadora do Brasil evidencia que as oligarquias do país abdicaram do processo eleitoral e anularam o sufrágio como critério último de legitimação.

A sua agenda, para se realizar, depende da regressão de nossa democracia a níveis sem precedentes ao menos há quatro gerações. E a reinstalação do Gabinete de Segurança Institucional, o soi disant Plano Nacional de Inteligência, bem como a figuração da força de ocupação do ministério da justiça do golpe, apontam para a repressão instalada e coordenada, nacionalmente, a partir do palácio do planalto e do executivo federal.

Destruíram o processo penal, arregimentaram direito material para a lide processual e invadiram, ilegitimamente, as esferas de exercício e controle da vida institucional do país.

É por isso que documentar a razão por que resistimos tem um sentido histórico.

Nos dias que antecedem à consumação do golpe em curso, que o dão como irreversível, cabe-nos lembrar, nesta oportunidade, da razão por que temos razão em resistir.

O Brasil ameaçado pelo atual golpe é um país que exterminou a fome endêmica e promoveu a maior ascensão social da história da humanidade no intervalo de tempo em que o fez.

É o país que retirou da miséria e da pobreza o equivalente à população da França, num intervalo de 10 anos, talvez menos.

E o fez ampliando investimentos em pesquisa, em políticas de cultura, em aumento significativo de vagas nas universidades, em ampliação dos campi universitários, em oferta de cursos técnicos e no maior programa de habitação popular da história do país.

É o país que reconheceu o racismo e incluiu políticas de enfrentamento e combate ao racismo no seu arcabouço republicano.

E é o país que, apesar de seu machismo atroz, repulsivo e ecumênico, em todas as forças políticas, elegeu e reelegeu uma mulher, para o mais alto cargo da república, ora ameaçada.

Trata-se de um país continental que é muito mais rico, desenvolvido, dinâmico, letrado, com mais doutores, mais médicos, mais alfabetizados e mais organizados, politicamente, do que o país golpeado pela última ditadura.

Somos mais ricos, temos mais ativos, mais autoconsciência e organização política e popular do que tínhamos em 1964.

Ao contrário do que se passou, então, não contamos com uma promessa de país, somente.

Contamos com uma experiência de transformação, sem precedentes, na história deste país tão injusto com os seus desvalidos.

Chegará o tempo em que a luta por este passado será vencida por nós, os irredentos e resistentes, representados nesta coletânea e na trilogia de coletâneas.

Chegará o tempo em que a medida da mudança, segundo o antes e o depois, como nos lembra Aristóteles, ficará clara.

Aí, então, chegará o tempo de Dilma Rousseff, na história da reconquista da democracia, o princípio e o fim que nos move.

Até lá, e nesse caminho, seguiremos do lado certo da história, como ela, Dilma, não para de nos dizer. Uma boa leitura.

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Publicação de: Viomundo

CUT Minas, os trabalhadores e a resistência ao golpe: Plenária hoje, a partir das 14h

cut minas

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Publicação de: Viomundo

Rumo serto.

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Publicação de: Chuva Ácida

A esquerda festiva e o caviar nosso de cada dia

POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
Hoje não interessa falar a sério.
Porque vou fazer a minha homenagem a um pessoal que sempre foi injustiçado pela
história: a esquerda festiva. Aliás, um dia destes, um leitor habitual deste
espaço escreveu a me “acusar” de ser da tal esquerda festiva. Ou “caviar”, como dizem os seguidores daquela mula sem cabeça que dá pelo nome de Rodrigo Constantino. Não sei se a
intenção era me chatear. Mas não chateou. Afinal, esse é o meu time.
Onde mais eu poderia estar,
leitor e leitora? É óbvio que prefiro estar onde está o pensamento humanista e, principalmente, onde
houver festa. Muita festa. É uma coisa que aprendi desde o primeiro livro do
Marx, o Groucho. Foi ele quem ensinou esta preciosa lição:
– Eu bebo para que as pessoas
fiquem interessantes.
Só há uma diferença. É que antes,
nos tempos mais inflamados, eu bebia cerveja e hoje prefiro vinhos de
qualidade. Sinal dos tempos. Ah… e eu sou daqueles socialistas que querem
socializar a riqueza, ao contrário dos caras que andam por aí a socializar a
pobreza. Catso, é não é que virei esquerda caviar? Então…
– Desce uma Moët & Chandon, companheiro. 
Quem é da minha geração concorda. Qualquer pessoa com dois dedinhos de testa e os tomates no lugar só podia ser da esquerda festiva. Por pouco íamos escapando aos anos de chumbo. Eu só me
vi como ser político ativo quando a ditadura já estava a desabar de podre.
Então, com a milicada a deixar o poder e a abertura a chegar, tínhamos motivos
de sobra para comemorar. Tchim, tchim.
Mas cá entre nós, leitor e leitora,
sempre achei meio chata a ideia de revolução armada. Não gosto de armas. Nunca
dei um tiro na vida. E não sou chegado em violência. É por isso que prefiro
fazer as minhas revoluções numa mesa de bar. Espocar só do champanhe. Até porque
a revolução das pessoas e das ideias é essencial para todas as outras revoluções. E todos sabemos que não há ambiente mais
revolucionário que uma mesa de bar.
INJUSTIÇAS
Ah… e há injustiças que o mundo precisa
corrigir. A maioria das pessoas parece não reconhecer, mas ser de esquerda é difícil
para cacete. Vamos analisar: como é que um cara acaba aderindo ao ideário da
esquerda? Ora, é preciso ler muito. Ler, ler, ler. E olhe que esses autores de
esquerda escrevem feito loucos, com teorias cada vez mais complicadas. O leitor
precisa de resistência de maratonista.
Outra coisa chata é o estereótipo
(que vem dos anos 60). Todo mundo vê os homens de esquerda como uns caras
barbudos que não tomam banho, usam sacolas a tiracolo e boinas estranhas. E as
mulheres são umas desgrenhadas, que não cuidam da aparência e não raspam os
sovacos. Mas, no que me diz respeito, o fato é que as mulheres de esquerda são
muito interessantes. Porque elas também se cuidam. E têm o que dizer.
Outra injustiça é ser chamado de
radical. A palavra foi deturpada pela direita. Ser radical é ir à raiz dos
problemas (o que é bom), mas alguém fez acreditar que os radicais são um monte
de gente de turbante pronta a explodir tudo. Até houve um tempo em que éramos
“xiitas”. Ainda são? É que essas estereótipos mudam muito.
Antes, quando Saddam Hussein era
amigo, os xiitas eram bandidões ferozes. Mas depois da queda e do cadafalso
para o ditador, eles voltaram a ser pessoas simpáticas. Ah… a história e os
seus relativismos.
Viu como é difícil, leitor? Agora
você entende que depois de tanto preconceito e perseguição, a gente bem que
merece uma festinha para compensar. Um brinde a la revolución. Tchim, tchim. E termino com o meu lema
: “liberdade,
igualdade, fraternidade. Com caviar e
Moët & Chandon para todos, claro”.

É a dança da chuva.

Publicação de: Chuva Ácida

Ativista do MBL e candidato a vereador será denunciado por crime eleitoral

holiday capa

 

Na última sexta-feira, o ativista do Movimento Brasil Livre Fernando Holiday, candidato a vereador pelo DEM de São Paulo, foi detido na Câmara Municipal paulistana durante evento de homenagem aos 90 anos do líder cubano Fidel Castro.

A homenagem havia sido proposta pelo vereador Jamil Murad. Durante o discurso do vereador, que também é presidente do PC do B paulistano, Holiday arrancou um cartaz da cerimônia e passou a insultar os presentes, alegando que estavam apoiando um “ditador”.

O atraso mental desses grupos fascistas é impressionante. Será que o candidato a vereador pelo DEM teria coragem de promover alguma agressão na embaixada dos Estados Unidos por conta da relação amistosa que o presidente Barack Obama estabeleceu com Cuba?

holiday

O tal Holiday teve que ser retirado à força do salão da Câmara Municipal de São Paulo pela GCM (Guarda Civil Metropolitana). Foi levado ao 1º Distrito Policial, na rua da Glória, para prestar depoimento.

Abaixo, vídeo que este blogueiro gravou para denunciar a atitude criminosa desse indivíduo e que contém as imagens da agressão criminosa dele.

Em primeiro lugar, devemos nos lembrar de que quem promoveu agressão desse calibre se dizia “apartidário” antes de se filiar ao Democrata para disputar uma cadeira de vereador. Contudo, foi ficando claro que de apartidário esse moço não tem nada. E o pior é na companhia de quem anda aquele que pleiteia seu voto para se eleger vereador.

holiday 1

Em segundo lugar, o vídeo deixa claro que essa agressão fascistoide se tratou de estratégia para criar um fato político para a campanha de Holiday a vereador. Esse é o tipo de coisa que eu ou qualquer outro candidato sério jamais faria para obter votos, mas esse candidato parece não medir esforços, consequências e limites para alcançar o objetivo ao qual se propôs.

O mais preocupante é que o autor desse crime eleitoral ameaça São Paulo de se eleger e levar para o legislativo paulistano esse tipo de comportamento truculento, antidemocrático, irresponsável e, vale dizer, literalmente criminoso.

Pouco após a planejada agressão, seu autor postou em seu perfil no Facebook, tal qual um troféu, o resultado de seu golpe (baixo) publicitário. Diante disso, a minha campanha já estuda representar ao Ministério Público Eleitoral contra esse cidadão.

Imagine, leitor, se todos os candidatos a cargos públicos eletivos começarem a agredir as campanhas uns dos outros. Adeus democracia. A disputa pelo poder se dará entre aqueles que se julgarem bons de briga. Em lugar de ideias, teremos que medir a eficiência de socos, pontapés e outros golpes.

Não é assim que se faz política, não é assim que se consegue votos, não assim que pessoas sérias e honradas se portam. O grande risco que a sociedade paulistana corre é o de alguém como Fernando Holiday se eleger. É contra esse fascismo desabrido que me candidatei a vereador. É contra essas pessoas capazes de fazer qualquer coisa para atingir seus objetivos que todos os brasileiros sérios e lúcidos devem se levantar.

Não me candidatei à toa. As armações, as artimanhas de gente como essa podem até funcionar. Pode ser que o povo da minha e os de outras cidades se deixem enredar por esses golpes sujos, mas, como cidadão, é meu dever fazer o que estiver ao meu alcance para evitar que gente assim se eleja. E, se se eleger, lutar para que não cometa no Legislativo ou no Executivo atos como o que você viu acima.

Você que é de São Paulo ou de qualquer outra parte do Brasil, reflita sobre o risco que este país está correndo nas eleições deste ano. Se gente como esse Holiday se eleger, a política brasileira vai ficar ainda pior do que é. A direita tem muita gente que não presta, mas o que vimos nesse vídeo supera tudo que conhecemos, pois mostra a direita partindo para a agressão física.

Não assistirei a tudo isso sem fazer nada. Por mais difícil que possa ser, não vou me omitir. A minha parte é me propor a enfrentar esse tipo de gente na Câmara de São Paulo, já que é nos Palácios que pessoas assim podem cometer os atos que prejudicarão a todos. Independentemente de conseguir ou não os votos necessários, pelo menos a minha parte eu estou fazendo.

Nunca me omiti e não será agora que começarei. Abaixo o fascismo!

Publicação de: Blog da Cidadania

Nassif: Toffoli e a operação fruto da árvore envenenada, provavelmente para livrar Aécio e Serra das delações da OAS

xadrez do toffoli

O xadrez de Toffoli e o fruto da árvore envenenada 

Luis Nassif, no GGN, 22/08/2016 

Entramos em um dos mais interessantes quebra-cabeças da Lava Jato: a operação fruto da árvore envenenada, possivelmente montada para livrar Aécio Neves e José Serra das delações da OAS. Trata-se do vazamento parcial da delação do presidente da OAS Léo Pinheiro, implicando o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Peça 1 – o teor explosivo das delações

Já circularam informações de que as delações da OAS serão fulminantes contra José Serra e Aécio Neves. Até um blog estreitamente ligado a Serra – e aos operadores da Lava Jato – noticiou o fato.

Em muitas operações bombásticas, pré-Lava Jato, os acusados valiam-se do chamado “fruto da árvore envenenada” para anular inquéritos e processos. A Justiça considera que se o inquérito contiver uma peça qualquer, fruto de uma ação ilegal, todo o processo será anulado. Foi assim com a Castelo de Areia. E foi assim com a Satiagraha.

Na Castelo de Areia, foi uma suposta delação anônima. Na Satiagraha, o fato dos investigadores terem pedido autorização para invadir um andar do Opportunity e terem estendido as investigações a outro.

Peça 2 – os truques para suspender investigações.

Vamos a um arsenal de factoides criados para gerar fatos políticos ou interromper investigações:

Grampo sem áudio – em plena operação Satiagraha, aparece um grampo de conversa entre Gilmar Mendes, Ministro do Supremo, e Demóstenes Torres, senador do DEM. Era um grampo às avessas, no qual o conteúdo gravado era a favor dos grampeados. Jamais se comprovou a autoria do grampo. Mesmo assim, com o alarido criado Gilmar conseguiu o afastamento de Paulo Lacerda, diretor da ABIN (Agência Brasileira de inteligência). Veículo que abrigou o factoide: revista Veja.

O falso grampo no STF – Recuperada a ofensiva, matéria bombástica denunciando um sistema de escutas no STF. Era um relatório da segurança do STF, na época presidido por Gilmar Mendes. Com o alarido, cria-se uma CPI do Grampo, destinada a acuar ainda mais a Polícia Federal e a ABIN. Revelado o conteúdo do relatório, percebeu-se tratar de mais um factoide. Veículo que divulgou o falso positivo: revista Veja.

O falso pedido de Lula – em pleno carnaval da AP 470, Gilmar cria uma versão de um encontro com Lula, na qual o ex-presidente teria intercedido pelos réus do mensalão. O alarido em torno da falsa denúncia sensibiliza o Ministro Celso de Mello, o decano do STF, e é fatal para consolidar a posição dos Ministros pró-condenação. Depois, a única testemunha do encontro, ex-Ministro Nelson Jobim, nega veementemente a versão de Gilmar. Veículo que disseminou a versão: revista Veja.

O caso Lunnus – o grampo colocado no escritório político de Roseane Sarney, que inviabilizou sua candidatura à presidência. Caso mais antigo, na época ainda não havia sinais da aproximação de Serra com a Veja.

O suborno de R$ 3 mil – o caso dos Correios, um suborno de R$ 3 mil que ajudou a deflagrar o “mensalão”. Veículo que divulgou: Veja. Fonte: Carlinhos Cachoeira, conforme apurado na CPI dos Correios.

Peça 3 – a fábrica de dossiês

Com base nesses episódios, procurei mapear os pontos em comum entre os mais célebres dossiês divulgados pela mídia.

Confira:

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Fato 1 – na Saúde, através da FUNASA o então Ministro José Serra contrata a FENCE, empresa especializada em grampo, o delegado da Polícia Federal Marcelo Itagiba e o procurador da República José Roberto Figueiredo Santoro.

Fato 2 – em fato divulgado inclusive pelo Jornal Nacional, Santoro tenta cooptar Carlinhos Cachoeira, logo após o episódio Valdomiro Diniz.

Fato 3 – Cachoeira tem dois homens-chave. Um deles, o araponga Jairo Martins, seu principal assessor para casos de arapongagem. O segundo, o ex-senador Demóstenes Torres, seu principal agente para o jogo político. Ambos têm estreita ligação com o Ministro Gilmar Mendes: Demóstenes na condição de amigo, Jairo na condição de assessor especialmente contratado por Gilmar para assessorá-lo.

Fato 4 – todos os principais personagens do organograma – Serra, Gilmar, Cachoeira, Demóstenes e Jairo – mantiveram estreita relação com a Veja, como fontes, como personagens de armações ou como fornecedores de dossiês.

Não se tratava de meros dossiês para disputas comerciais, mas episódios que mexeram diretamente com a República. O organograma acima não é prova cabal da existência de uma organização especializada em dossiês para a imprensa. São apenas indícios.

Peça 4 – a denúncia contra Toffoli.

Alguns fatos chamam a atenção na edição da Veja.

Fato 1 – já era conhecido o impacto das delações de Léo Pinheiro sobre Serra e Aécio (http://migre.me/uJKsj). Tendo acesso à delação mais aguardada do momento, a revista abre mão de denúncias explosivas contra Serra e Aécio por uma anódina, contra Toffoli.

Fato 2 – a matéria de Veja se autodestrói em 30 segundos. Além de não revelar nenhum fato criminoso de Toffoli, a própria revista o absolve ao admitir que os fatos narrados nada significam. Na mesma edição há uma crítica inédita ao chanceler José Serra, pelo episódio da tentativa de compra do voto do Uruguai. É conhecida a aliança histórica de Veja com Serra. A reportagem em questão poderia ser um sinal de independência adquirida. Ou poderia ser despiste.

Peça 5 – a posição do STF e do PGR

Um dos pontos defendidos de maneira mais acerba pelo Ministério Público Federal, no tal decálogo contra a corrupção, é a relativização do chamado fruto da árvore envenenada. Querem – acertadamente – que episódios irregulares menores não comprometam as investigações como um todo.

Se a intenção dos vazadores foi comprometer a delação, agiram com maestria.

Sem comprometer Toffoli, o vazamento estimula o sentimento de corpo do Supremo, pela injustiça cometida contra um dos seus. Ao mesmo tempo, infunde temor nos Ministros, já que qualquer um poderia ser alvo de baixaria similar.

Tome-se o caso Gilmar Mendes. Do Supremo para fora até agora, não houve nenhum pronunciamento público do Ministro, especializado em explosões de indignação quando um dos seus é atingido. E do Supremo para dentro? Estaria exigindo providências drásticas contra o vazamento, anulação da delação? Vamos aguardar os fatos acontecerem. Mas certamente, Gilmar ganha um enorme poder de fogo para fazer valer suas teses que têm impedido o avanço das investigações contra Aécio Neves.

A incógnita é o PGR Rodrigo Janot. Até agora fez vistas largas para todos os vazamentos da operação mais vazada da história. E agora?

Se ele insiste na anulação da delação, a Hipótese 1 é que está aliado a Gilmar na obstrução das investigações contra Aécio e Serra. A Hipótese 2 é que está intimidado, depois do tiro de festim no pedido das prisões de Renan, Sarney e Jucá. A Hipótese 3 é que estaria seguindo a lei. Mas esta hipótese é anulada pelo fato de até agora não ter sido tomada nenhuma providência contra o oceano de vazamentos da Lava Jato.

De qualquer modo, trata-se de um ponto de não retorno, que ou consagra a PGR e o Ministério Público Federal, ou o desmoraliza definitivamente.

Afinal, quem toca a Lava Jato é uma força tarefa que, nas eleições presidenciais, fez campanha entusiasmada em favor do candidato Aécio Neves. Bastaria um delegado ligado a Serra e Aécio vazar uma informação anódina contra um Ministro do STF para anular uma delação decisiva. Desde que o PGR aceitasse o jogo, obviamente.

Será curioso apreciar a pregação dos apóstolos das dez medidas, se se consumar a anulação da delação.

PS1 – A alegação dos procuradores, de que o vazamento teria partido dos advogados de Léo Pinheiro, visando forçar a aceitação da delação não tem o menor sentido. Para a delação ser aceita, os advogados adotariam uma medida que, na prática, anula a delação? Contem outra.

PS 2 – N semana passada o procurador Carlos Fernando dos Santos lima já mostrava deconforto com a delação da OAS, ao afirmar que a Lava Jato só aceitaria uma delação a mais de empreiteiras. Não fazia sentido. A delação depende do conteúdo a ser oferecido. O próprio juiz Sérgio Moro ordenou a suspensão do processo, sabe-se lá por quê. E nem havia ainda o álibi do vazamento irrelevante.

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Publicação de: Viomundo

Eleonora de Lucena: O que está em jogo é a própria ideia de país; Senado será julgado pela história

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Truculência

por Eleonora de Lucena, na Folha de S. Paulo, em 22/08/2016 

O Brasil entrou no centro da disputa geopolítica mundial. Tem riquezas naturais, mercado interno, posição estratégica. Construiu economia diversificada e complexa, terreno para grandes empresas nacionais e ambiente potencial para desenvolvimento de tecnologias de ponta.

Os Estados Unidos, acostumados a nadar de braçada no continente, começaram a ver o avanço chinês no que consideram seu quintal. Investimentos, comércio, parcerias com os orientais cresceram de forma exponencial.

Não parece ser coincidência a intenção norte-americana de voltar a ter bases militares na América do Sul (na sempre sensível tríplice fronteira e na Patagônia, que vigia o estreito de Magalhães, curva entre dois mundos). Nem parece ser ao acaso a escolha dos alvos do momento: a Petrobras, as grandes empresas e até o programa nuclear.

Nos últimos anos, o país mostrou zelar por sua autonomia e buscou alianças fora da influência dos EUA. Com China, Rússia, Índia e África do Sul, o Brasil ergueu os Brics e um banco de desenvolvimento inovador.

Aqui, reforçou o Mercosul -alvo imediato de ataque feroz do interino, afoito em mostrar serviço para o Norte e ressuscitar relações subalternas.

Esse contexto maior escapa da verborragia conservadora, ansiosa em reduzir a crise atual a um confronto raso entre supostos corruptos e hipotéticos éticos.

Bastaram poucas semanas para deixar evidente a trama hipócrita e podre do bando que tenta abocanhar o poder.

O que está em jogo é muito mais do que uma simples troca de governo. É a própria ideia de país.

Falar de luta de classes e de projeto nacional deixou alguns leitores ouriçados. Mas, apesar da operação de marketing em curso, os objetivos do atropelo à Constituição são claros: concentrar riqueza, liberar mercados, desnacionalizar a economia, desmantelar o Estado.

O discurso dos sem-voto que se aboletaram no Planalto tenta editar um macarthismo tosco, elegendo um inimigo interno. Agridem os de vermelho (sempre eles!), citados como os culpados de todo o mal, numa manobra conhecida dos movimentos fascistas desde o início do século 20.

Quem se atreve a discordar do rolo compressor elitista é logo tachado de “maluco” pelos replicantes da direita raivosa. Dizem que os que apontam as contradições atuais são saudosos do século 19.

Viúvos do século 19 são os que querem agora surrupiar direitos e restabelecer condições de exploração do trabalho daqueles tempos. Com a retórica de uma suposta modernidade, atacam conquistas sociais e pregam o desmonte da corajosa Constituição de 1988.

Alegam que a matemática não permite que o Estado cumpra suas funções perante os cidadãos. Para eles, a matemática deve servir apenas aos mais ricos e a seus juros maravilhosos. Num giro chinfrim, mandam às favas o tal controle do deficit público: gastam tudo para atender corporações, amigos e ganhar votos.

Com uma cortina de fumaça, arriscam confundir esquerda com autoritarismo. Projetam, assim, no adversário, os seus desejos ocultos. Afinal, o programa dos não eleitos só poderá ser implantado integralmente num regime de força, que censure e elimine a voz dos mais fracos.

As exibições de truculência absurda nos estádios da Olimpíada, proibindo manifestações de “Fora, Temer!” e rasgando os direitos constitucionais de livre manifestação e opinião, parecem ser uma terrível amostra de tempos sombrios pela frente.

O Senado vai enfrentar o julgamento da história.

 

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Publicação de: Viomundo

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