Conheça os malucos que querem votar em Bolsonaro

Militantes pela volta da monarquia, um motoqueiro com capacete, máscara de gás e armadura apropriada para enfrentar manifestantes, motorista fantasiado de Jair Bolsonaro, já com faixa presidencial, e máscaras do presidente norte-americano Donald Trump. Esses foram alguns dos personagens que povoaram a convenção que sagrou o deputado pelo Rio candidato a presidente pelo PSL – no evento, ele disse que é o ‘patinho feio’ da eleição 2018. O encontro reuniu uma plateia predominantemente masculina, estimada pelo parlamentar em 3 mil pessoas, em um auditório no Centro de Convenções SulAmérica, no Estácio, região central da cidade.

A propaganda monarquista foi feita pelo médico Bruno Hellmuth, de 68 anos, e pelo artista plástico José Geraldo Farjado. Diretores do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro, os dois foram à convenção levando uma bandeira do Brasil Império. Contaram que 20 pessoas do movimento foram ao lançamento de Bolsonaro. Hellmuth admitiu, porém, que o deputado não tem nada a ver com o movimento pela monarquia. Disse que foi ao lançamento porque há muitos monarquistas candidatos pelo PSL.

“Provavelmente, nem todos nós vamos votar em Bolsonaro presidente”, confessou. Afirmou, porém que o candidato é uma “boa alternativa”. “Ele é um contraponto aos governos anteriores. Com o alto grau de corrupção do Brasil, Bolsonaro é um candidato que não está envolvido em nenhum escândalo”, ponderou. O médico também argumentou que defende a restauração da monarquia no Brasil “porque a República evidentemente não deu certo”.

Outro que chamou atenção foi o empresário Safe Saffam, de 32 anos, que chegou com o corpo envolto em uma espécie de armadura de plástico. Ele afirmou que usa a roupa em protestos a favor de policiais e outros servidores públicos. Neste domingo, a fantasia tinha o objetivo de dar apoio a Bolsonaro. Para Safe, o candidato do PSL é o único que poderá diminuir os impostos cobrados do trabalhador. “O trabalhador trabalha muito e não sobra quase nada para ele mesmo. Parece que nós servimos apenas para votar e pagar impostos”, afirmou.

Já o motorista de ônibus Gilcimar Jasset, de 35 anos, morador de Nova Iguaçu, tentou se fantasiar de “Bolsonaro Mito presidente”, segundo esclareceu. Muito mais jovem que o deputado e sem nenhuma semelhança física com o “homenageado”, vestiu terno e gravata, uma faixa presidencial desproporcionalmente grande e colocou óculos escuros típicos de memes . Não ficou nada parecido. “Ele (Bolsonaro) é a nossa esperança. O povo está muito desmotivado. Tanta corrupção, tantas coisas acontecendo, que nós vimos nele a esperança de mudar esse quadro”, disse.

Panfletos anticomunismo marcam convenção

Em meio à polêmica sobre a menina que posou com Bolsonaro simulando – por indução do candidato – o cano de uma arma com a mão, circulavam pelo auditório crianças paramentadas como militares. Muitos ativistas usavam camisetas com o foto do rosto do deputado, também reproduzido em um painel atrás do palco na convenção. Outra cara que aparecia em camisas era a do herói da Revolução Cubana Ernesto “Che”Guevara. Com uma diferença: era retratado em uma placa de proibido.

Em meio à idolatria ao candidato, marcada por gritos de “Mito”, um grupo distribuía panfletos contra o comunismo. Segundo o texto, PT, PDT, PSOL, PC do B, PCO, PSTU, PSB e Rede são membros da Internacional Socialista. Na verdade, o PDT é o único partido brasileiro filiado à organização. O panfleto também acusa o Foro de São Paulo, de ter a filiação do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa sem objetivos políticos.

O texto diz ainda que PSDB e PT ignoraram o resultado do referendo de 2005, quando, afirma, “o povo escolheu pela (sic) permanência do direito do cidadão a portar armas para sua defesa, e impuseram o desarmamento à população brasileira”. Desde então, dizia o texto, os índices de criminalidade dispararam. A votação de 2005, porém, não abordou porte, mas comércio de armamento, que continuou liberado. “Hoje, a ameaça comunista é maior do que em 1964”, afirma o panfleto.

 

Com informações do Estadão.

 

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Incompetência tucana faz metrô de SP colapsar

Metrô bateu recorde no número de incidentes notáveis de janeiro a 11 de junho deste ano, na comparação com igual período de anos anteriores, desde 2000. São falhas consideradas graves, que podem causar paralisação ou redução na velocidade dos trens, atrapalhando a vida dos passageiros.

Levantamento exclusivo feito pela reportagem, baseado em dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, mostra que foram 44 incidentes notáveis no período analisado, o maior número desde 2000.

Esses problemas, ocorridos nas cinco linhas administradas pela companhia (exceto a linha 4-amarela, sob concessão da ViaQuatro), sob a gestão do governador Márcio França (PSB), provocaram de alguma forma dano na circulação dos trens por 61 horas (dois dias e meio) de janeiro até o início de junho. França assumiu em abril, no lugar de Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato à Presidência.

Em número de horas, 2018 só fica atrás de 2016, quando as falhas somaram 65 horas entre janeiro e 11 de junho (quando os dados foram solicitados à companhia).

O levantamento mostra ainda que a quantidade de falhas dentro do período analisado tem aumentado gradativamente desde 2014. Nos primeiros dez anos, a média era de 1 falha notável em pouco mais de 8 dias. Atualmente, o intervalo caiu para 1 a cada 4 dias.

A linha mais antiga do Metrô é também aquela com o maior número de problemas relatados —4 em cada 10 foram registrados na linha 1-azul. Desde 2000, foram registradas 444 falhas notáveis nessa linha, ou 37,4% do total. Segunda linha mais antiga, a 3-vermelha vem logo a seguir, com 30% dos problemas graves.

Administrada pela iniciativa privada, a linha 4-amarela já registrou neste ano 16 falhas notáveis. Em todo o ano passado, foram apenas dois casos a menos (18).

A linha 4 considera como incidente notável uma falha que interfere na prestação do serviço (circulação de trens) por tempo três vezes maior do que o intervalo entre trens programado para o período.
No geral, os números são relativos somente a problemas técnicos, não levando em consideração, por exemplo, paralisações causadas por passageiros na pista.

Professor do Mackenzie Campinas, o engenheiro de tráfego Luiz Vicente Figueira de Mello Filho afirma que manutenções preventivas e preditivas (quando se faz um checklist procurando pelos problemas) são fundamentais para detectar problemas antes que ocorram, evitando a paralisação do sistema.

“Se não houve aumento de frequência, o número de viagens continua o mesmo, então é claro que está diretamente relacionado à perda de processo de manutenções preventivas e falta de metodologias na manutenção preditiva, aquela que faz a checagem diária”, diz.

Mello Filho afirma que o orçamento de 2019 tem que ser discutido agora, com um volume maior para a manutenção. “Quais são as alternativas que temos para que a população não seja prejudicada nessa condição?”, questiona.

Os passageiros também têm notado o aumento no número de falhas no metrô. Para eles, a qualidade do serviço não é a mesma de anos atrás.

“Chega uma hora em que você se acostuma com o que está errado, o que não faz sentido”, afirma o dentista Giovanni Demarchi, 25, que usa a linha 1-azul diariamente entre o Paraíso de a Vila Mariana.
O Metrô afirma que foi considerado pelo quarto ano consecutivo como melhor meio de transporte pelo Datafolha.

A companhia diz que o número de incidentes notáveis está dentro dos padrões internacionais de qualidade e é proporcional ao número de viagens realizadas, passageiros transportados e quilômetros percorridos. Afirma ainda que os eventos não necessariamente causam interrupção no serviço.

Segundo o Metrô, os dados mostram a qualidade e “altíssima disponibilidade” do sistema, porque todos os dias faz 3.700 viagens, com índice de disponibilidade que supera os 99% na média.

Afirma também que “é natural” que quando novas estações e linhas iniciem prestação de serviço, como no caso da 5 e da 15, o número de ocorrências aumente, “seguido de uma grande queda”.

 

Com informações da Folha de S. Paulo.

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Impactos do racismo na assistência à saúde das mulheres negras


Desigualdade

O racismo institucional contraria princípios e diretrizes do SUS e políticas públicas destinadas às mulheres negras.

Hildevânia Macêdo* |
Pesquisa do Ministério da Saúde de 2014 aponta as desigualdades na assistência à saúde das mulheres negras em relação as brancas. Christian Woa

O racismo continua se constituindo como um entrave à garantia do direito à saúde, dificultando a assistência à saúde, que deveria garantir e efetivar as políticas públicas equitativas. As desigualdades raciais e seus efeitos na saúde refletem o racismo institucional, contrariando os princípios e diretrizes do SUS e das políticas públicas destinadas à saúde de mulheres negras. 
Como afirma Fernanda Lopes, “A luta contra o racismo requer produzir reflexão e ação contra o modo pelo qual essa subordinação se realiza”. A categoria raça foi redescoberta recentemente e tem sido um operador sensível para identificar as desigualdades e as iniquidades que vulnerabilizam a população negra. Conforme dados do Ministério da Saúde (2014), existe uma diferença no atendimento às mulheres negras: estas recebem menos tempo de atendimento médico que mulheres brancas e compõem 60% das vítimas da mortalidade materna no Brasil. 
Em relação ao parto, somente 27% das negras tiveram acompanhamento, ao contrário das brancas que somam 46,2%, além de outras desigualdades como quando se trata de anestesias, e informações pós-parto, como aleitamento materno. As mulheres negras estão mais submetidas ao aborto inseguro em maior proporção quando comparada com as mulheres brancas, contribuindo substancialmente para a mortalidade materna. 
É nesse sentido que o movimento feminista e o movimento de mulheres negras tem se colocado como sujeitos políticos no enfrentamento dos sistemas ideológicos e nas desigualdades produzidos por eles a partir da autonomia, afirmação da diferença, igualdade, incidência na pactuação, monitoramento e avaliação das políticas e programas governamentais. Esse olhar feminista e antirracista, se constitui como estratégia para enegrecer a saúde pública, e exigir que a gestão pública considere a questão racial como conceito norteador na elaboração e implementação das políticas públicas, e assim contribuir com a desnaturalização da inferiorização da negritude e do feminino.
Desse modo, é possível perceber os reflexos de uma sociedade capitalista de tradição escravocrata e o quanto os impactos desta sociedade afetam a saúde e a qualidade de vida das mulheres negras. No entanto, o enfrentamento ao racismo não deve ser unicamente institucional, pois as discriminações raciais não são um problema apenas da saúde pública, estão imbricadas no tecido social estruturante de uma sociedade racista e patriarcal. É necessário que os profissionais e trabalhadores da saúde junto à população lutem por um SUS antirracista.

*É psicóloga, feminista negra e ativista da Articulação de Mulheres Brasileiras e do Movimento de Mulheres Negras na Paraíba.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Para vencer o consórcio golpista, PCdoB conclama PT, PDT, PSB e PSOL à unidade já no 1º turno

Clécio Almeida/PcdoB

PCdoB conclama unidade do campo progressista para vencer eleições

da Assessoria de Comunicação do PCdoB

Os membros do Comitê Central do PCdoB, reunidos neste fim de semana (dias 20 a 22), na sede nacional do partido na capital paulista, para a 3ª reunião da direção nacional, debateram e deliberaram posição sobre a situação política e o projeto eleitoral da sigla para 2018.

Em nota, aprovada neste domingo (22), o PCdoB, reafirma a necessidade de unidade do campo progressista para vencer as eleições de outubro e derrotar a agenda neoliberal representada pelas candidaturas da direita. Para isso, o Partido faz um chamamento ao PT, PDT, PSB, Psol e outras forças progressistas para a construção desta unidade.

A direção nacional comunista, reitera ainda que a pré-candidatura de Manuela d’Ávila seguirá intensificando o empenho para que seja viabilizada “a união do campo progressista, condição imperativa para que alcancemos a quinta vitória do povo”.

O objetivo desta vitória, segundo os comunistas, é “retirar o Brasil da crise e encaminhá-lo a um novo ciclo de desenvolvimento soberano com geração de empregos, distribuição de renda e direitos”, aponta o documento.

Segue abaixo a integra da Nota:

PCdoB conclama PT, PDT, PSB e PSOL: Unidade desde já

Aberto o calendário das convenções partidárias, vem à tona uma nítida orquestração das forças conservadoras que entronizaram o desastroso governo Temer para tentar vencer as eleições presidenciais com uma candidatura do consórcio golpista.

Desenha-se uma coesão do campo político da direita e centro-direita em torno do candidato do PSDB Geraldo Alckmin.

Faz parte dessa orquestração tentar isolar o candidato do PDT Ciro Gomes e, também, concorrentes do tucano pertencentes ao seu espectro político e, ainda, manter a candidatura do MDB, Henrique Meirelles, com o intuito de descolar Alckmin de Temer.

Não se deve subestimar esse movimento de reforço a Alckmin e nem o candidato de matiz fascista Jair Bolsonaro, mas a disputa presidencial está longe de estar definida, seguirá acirrada e de resultado incerto, mesmo com o líder das pesquisas, o ex-presidente Lula, mantido arbitrariamente encarcerado.

O PCdoB prossegue a luta pela liberdade do ex-presidente e pelo seu legítimo direito de ser candidato. Alckmin carregará nos ombros, mesmo que se esquive, o governo que imputou grande sofrimento e tragédias ao nosso povo; e seu programa é antinacional, antipopular e autoritário.

Neste cenário, o PCdoB reafirma a convicção de que a estratégia política da esquerda e das demais forças democráticas, populares e patrióticas deve ter por centro a vitória eleitoral em outubro, o que exige marcharem unidas desde já.

Para isto, o PCdoB conclama o PT, PDT, PSB, PSOL e demais forças progressistas a construírem a unidade, já no primeiro turno, para vencer as eleições, derrotar a agenda neoliberal e neocolonial de Alckmin, Temer e Bolsonaro, retirar o Brasil da crise e encaminhá-lo a um novo ciclo de desenvolvimento soberano com geração de empregos, distribuição de renda e direitos.

Da parte do PCdoB, reiteramos que Manuela d’Ávila, que segue com sua exitosa pré-campanha, renovará seu empenho para que se viabilize a união do campo progressista, condição imperativa para que alcancemos a quinta vitória do povo.

São Paulo, 22 de julho de 2018

Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

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João Damasceno: Em defesa do desembargador Favreto

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Publicação de: Viomundo

João Damasceno: Favreto, tal como Victor Nunes Leal, Hermes Lima e Evandro Lins e Silva, pauta a sua conduta pela lei e a justiça

TRF-4 e STF

Desembargador Favreto, uma referência

Na história todos tomamos partido, mesmo quando isto negamos ou queiramos esconder. Há no judiciário um amplo segmento de juízes que têm a lei e a justiça como referências para suas condutas e que pautam suas atuações pela legalidade

por João Batista Damasceno, em O Dia

O regime empresarial-militar de 1964 reforçou a truculência nas práticas político-sociais, dentre elas, perseguição aos adversários, cassações de direitos políticos e condenações sem provas, além de incentivo a atividades ilegais de grupos paramilitares.

Parcela do Judiciário esqueceu o que é o Direito e aderiu ao arbítrio.

O Ministério Público, criado pelo instituidor do pacto coronelista, Campos Sales, não tinha autonomia e subjugou-se facilmente.

Com a Constituição de 1988 ganhou autonomia demais e, por vezes, pensa não haver limites legais para suas atuações.

Em 1965 o general Riograndino Kruel, que em 1958 na chefia da policia no Distrito Federal autorizara um grupo de policias a atuarem clandestinamente para acabar com criminosos, instaurou inquérito contra o governador de Góias, Mauro Borges, sem autorização da Assembléia Legislativa.

Um ministro do STF deferiu liminar em habeas corpus em favor do governador.

Mas, o general descumpriu a liminar. O presidente do STF, ministro Ribeiro da Costa, ciente de sua responsabilidade institucional, reagiu e declarou que, se as ordens judiciais não fossem cumpridas, fecharia o STF e entregaria as chaves ao sentinela de plantão.

O presidente Castelo Branco determinou o cumprimento da liminar e foi ao STF desculpar-se.

O ministro do Exército Costa e Silva, da linha dura, ficou contrariado com a supremacia da justiça sobre o arbítrio.

O ministro Victor Nunes Leal articulou a mudança no Regimento Interno do STF e foi prorrogada a permanência de Ribeiro da Costa na presidência do tribunal, até sua aposentadoria.

Depois do golpe dentro do golpe, a linha dura, tendo à frente Costa e Silva, assumiu a presidência da República e iniciou a brutalização institucional com a proibição da organização da Frente Ampla, decretação do AI-5, supressão das liberdades, fim do habeas corpus e cassação dos ministros do STF Victor Nunes Leal, Hermes Lima e Evandro Lins e Silva.

Em 16/02/68 nomeara para o STF Carlos Thompson Flores, avô do atual presidente do TRF-4, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz.

Na história todos tomamos partido, mesmo quando isto negamos ou queiramos esconder.

Há no Judiciário um amplo segmento de juízes que têm a lei e a justiça como referências para suas condutas e que pautam suas atuações pela legalidade tal como Victor Nunes Leal, Hermes Lima e Evandro Lins e Silva o faziam.

Na atualidade tenho por referência o desembargador Rogério Favreto, um marco da resistência em prol do Estado Democrático e de Direito.

João Batista Damasceno é doutor em Ciência Política e juiz de Direito

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Publicação de: Viomundo

“Qualquer voz subalternizada que se levante é voz utópica”, diz Conceição Evaristo


RESISTÊNCIA

Ao lado do Pastor Ariovaldo Ramos, escritora protagonizou a mesa de encerramento do 2° Festival Internacional da Utopia

Júlia Dolce |
Vereador Eduardo Suplicy (PT) se somou aos debatedores da mesa de encerramento do 2° Festival Internacional da Utopia Júlia Dolce

Existem várias formas de pensar uma utopia, algumas muito distantes da nossa realidade, outras nem tanto. “Uma forma de utopia é ter uma mesa de um festival internacional composta por dois negros”, interpretou o Pastor Ariovaldo Ramos dando início ao debate “Utopia”, que encerrou o Festival de mesmo nome, realizado na cidade de Maricá, no Rio de Janeiro, entre a quinta-feira (19) e este domingo (22). Além de Ariovaldo, o debate trouxe a presença da renomada escritora Conceição Evaristo e, simbolizou, para uma plateia composta, na sua maioria, por jovens negros, uma esperança na atual conjuntura política.

Os debatedores discutiram sobre o conceito ideal de sociedade no debate que também contou com a presença do vereador da cidade de São Paulo Eduardo Suplicy (PT), o prefeito de Maricá, Fabiano Horta (PT), e o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Joaquín Piñero.

Em sua percepção diante da afirmação do pastor Ariovaldo, Conceição Evaristo destacou que a composição da mesa representava uma exceção que, por si só, simbolizava a busca por uma utopia.

“É perigoso esse discurso de que nós, exceções, escritores, juízes, advogados negros, estamos aqui porque o racismo está arrefecendo. Como se fosse uma questão de estudar para chegar aqui. As exceções servem para pensar as regras, e quantos de nós que estudaram, não ficaram pelo caminho? Todos os lugares da nação brasileira pertence a nós, negros”, pontuou a escritora, vencedora do Prêmio Jabuti de Literatura e candidata à ocupar a cadeira número 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL), podendo se tornar a primeira mulher negra na instituição.

“Assim, qualquer voz subalternizada que se levante é um exemplo de voz utópica. O que deve nos mover é a crença de que buscamos uma sociedade justa”, completou a escritora. Em sua fala, Joaquín Piñero destacou que a mesa pretende enviar uma carta à ABL, reforçando a laureação de Evaristo.

Golpe

Diante da sensação de distopia que o país vive, com o golpe que retirou a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) e os desmontes de diversos direitos pelo atual governo, Evaristo destacou a potência do período de reorganização da resistência, utilizando como metáfora os movimentos da capoeira.

“Nesse momento, quando percebemos a perda de direitos trabalhistas, todo o discurso do Escola sem Partido, a própria prisão de Lula, quando vemos o impeachment de Dilma, dá a sensação de que não tem jeito. É preciso ficarmos muito atentos para não ficarmos em um tempo de distopia. Mas podemos pensar também que muitas vezes o silêncio é fala, é retaguarda, são momentos de potencialização para quando a voz explodir, explodir com mais violência. Gosto muito de pensar na capoeira, o momento em que o corpo recua não é quando ele está saindo da luta, mas sim se potencializa. Quando retorna para o jogo, retorna com mais potência ainda. Então o silêncio pode ser um momento para nos organizarmos e outra vez retomarmos nossa utopia”, disse.

Nesse sentido, o pastor Ariovaldo, que é integrante da Frente de Evangélicos pelo Estado de direito, lembrou a importância da militância e da luta, principalmente nas ruas, contra o que considera “o golpe de Estado mais hediondo praticado contra um povo nos tempos modernos”.

“Eu gostaria de uma utopia que precisasse apenas de um projeto a longo prazo, como gostaria! Mas isso não é mais possível. Há utopias, como a cristã, que esperam uma ação divina. Mas a minha utopia exige de mim militância, exige que eu tome partido. Foram mais de 300 anos de uma nação sem o mínimo de referência aos nossos ancestrais, que construíram esse país com sua vida. Então minha utopia também é uma sociedade em que haja igualdade absoluta”, afirmou, convocando a militância evangélica para realizar trabalho de base, entregando folhetos contra a prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e pela reconstrução da nação brasileira.

A mesa foi encerrada com um agradecimento do prefeito Fabiano Horta, que pontuou a importância do Festival Inertnacional da Utopia para a cidade de Maricá e seus visitantes. “Esse festival despertou muita gente para o que deveria ser uma sociedade, esse é um dos legados dele, porque nossa utopia é sempre a luta, onde construímos nossa humanidade”, afirmou. Os convidados receberam cestas de produtos da reforma agrária do MST, e foram aclamados por representantes do movimento negro de Maricá.

Ao longo dos últimos quatro dias, o Festival da Utopia reuniu milhares de pessoas em debates sobre as perspectivas de saídas democráticas para o país. Além disso, também contou com diversas atrações nos espaços como a Feira da Reforma Agrária e Economia Solidária, a Culinária da Terra e a Tenda Literária Paulo Freire. O Festival também apresentou uma série de atividades culturais, peças e shows de artistas como Martinho da Vila, Maria Rita e Marcelo Jeneci. Neste domingo (22), o Festival será formalmente encerrado como um show dos rappers Emicida, na Praça Central, e Bnegão, no Acampamento da Juventude, em São José do Imbassaí.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Campanha arrecada fundos para financiar caravana Semiárido Contra a Fome


Mobilização

Contribuição mínima é de R$ 25 e tem recompensas. Caravana vai percorrer 4,3 mil km em 14 dias

Redação |
A caravana pela democracia e contra a fome no Brasil começa no dia 27 de julho Arte/CSCF

Para financiar as despesas da Caravana Semiárido Contra a Fome, que vai percorrer boa parte do Brasil, em 14 dias, para denunciar a volta da fome e pedir a continuidade das políticas públicas sociais, foi criada uma campanha de arrecadação de fundos. As doações, que dão direitos a retribuições e recompensas, são a partir de R$ 25.

Quem quiser colaborar só precisa acessar a campanha neste link e fazer a doação. 

A campanha foi dividida em quatro etapas, de acordo com as fases das caravana, que vai percorrer mais de 4.300 quilômetros, partindo do sertão de Pernambuco até a capital federal.

A caravana começa no dia 27 de julho, em Caetés (PE), e terá paradas estratégicas em: Feira de Santana (BA), Guararema (SP), Curitiba (PR) até o destino final Brasília (DF), no dia 05 de agosto, onde a caravana pretende denunciar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a situação de fome que atinge o país. 

Em cada cidade haverá ações organizadas pelos movimentos e entidades locais como debates em universidades, feiras, atos de rua, reunindo milhares de pessoas.

O golpe político de 2016, promovido por Michel Temer (MDB), instaurou um grande retrocesso no Brasil causando impactos muito maiores que a escassez ou a falta de água. 

“No nosso processo de construção de uma proposta de política de convivência com o semiarido, temos sempre colocado no centro do debate de que a fome não é um fenômeno natural, diferente da seca, a fome é resultado da ausência ou da nao prioridade do povo na promoção da políticas públicas”, disse Cristina Nascimento, coordenação da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) pelo Estado do Ceará.

Segundo Cristina, no período de 2003 a 2016, vários programas como Fome zero, Bolsa Família, Programas de cisternas , Brasil Sem Miséria , aposentadoria rural, PAA e PNAE , entre outros, trouxeram o povo para dentro do orçamento público numa outra perspectiva. “Tudo isso é outras tantas ações possibilitaram tirar o Brasil do mapa da fome. Demos um passo que parece curto mas foi um passo histórico”, disse.

“O que vivemos hoje é resultado dos retrocessos, dos cortes no orçamentos para programas como os de convivência com o semiárido, das famílias sendo cortadas do Bolsa família, dos programas pra agricultura familiar sem orçamento nenhum e tantos outros retrocessos que aconteceram nos últimos dois anos. O golpe foi mais impactante para famílias pobres, negras, das comunidade urbanas e rurais . Por isso que gritar contra a fome é necessariamente gritar pelo retorno da democracia”, disse Cristina.

Doações

A meta de arrecadação da campanha de financiamento da caravana é R$ 150 mil. O dinheiro será usado para despesas com logística, hospedagem e alimentação para todos os participantes. Para se ter uma ideia, esse valor é equivalente aos custos de 90 pessoas, entre agricultores e agricultoras, lideranças, técnicos e jornalistas.

Para quem doa, por exemplo R$ 50, a recompensa, além do agradecimento pela colaboração com o projeto, é um kit de cinco cartões postais com ilustrações inspiradas no cotidiano semiárido. 

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

“A forma como a sociedade pensa as crianças é como vê as mulheres”, avalia doula


DIREITOS DAS MULHERES

Pesquisadora Morgana Eneile defende que a esquerda deve mudar a forma como lida com crianças para desalienar mulheres

Pedro Ribeiro Nogueira, com colaboração de Marcelo Cruz e Julia Dolce |
"Mudar o olhar sobre as crianças é mudar o ponto de vista de sociedade: as crianças pertencem a sociedade, todos maternam" Marcelo Cruz

Dona de uma fala provocativa e certeira, Morgana Eneile, professora e doula, presidenta da Associação de Doulas do Rio de Janeiro, pesquisadora de juventude, educação e processos sociais na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), participou neste sábado (21), do debate sobre o Rio de Janeiro e seus desafios, no 2º Festival Internacional da Utopia, em Maricá (RJ).

Em sua intervenção, conclamou que a esquerda – e a sociedade como um todo – repense de maneira profunda a forma como trata suas mulheres e crianças, assim como as pessoas negras e a juventude. Perguntada sobre o encarceramento feminino, foi bastante enfática ao dizer que “precisamos libertar essas mulheres e pensar outras formas de lidar com o crime que não passem pelo punitivismo”. 

Eneile também ressalta a importância de encararmos que todos participamos da “maternagem” e avançar cada vez mais em espaços políticos que se abram para as crianças e tirem a mulher do lugar de invisibilidade no nascimento. “Quantas redes de apoio à mães são formadas por homens?”, questiona.

Além disso, defendeu também o direito ao prazer, ao ócio, à experimentação, à transformação pessoal e à mudar os caminhos da sua vida para toda a população – e não apenas para os setores privilegiados da sociedade. 

“Como pobre foi muito estranho para as pessoas que eu quisesse trabalhar numa área de cultura. Porque afinal de contas você é pobre, você tem que fazer algo prático, exercer uma função que te dê dinheiro, para você se sustentar”, pontua Eneile.

Confira abaixo a íntegra da entrevista de Morgana ao Brasil de Fato.

Brasil de Fato: O que Rio vive hoje com a intervenção militar e quais são as saídas populares para essa conjuntura?

Morgana Eneile: A intervenção militar tem um dado de invasão, no sentido do que a gente já tinha de precariedade, ou seja, a gente já tinha uma vida precária, já tínhamos um quadro de encarceramento de jovens e mulheres crescendo exponencialmente. Isso por si só já demonstra que essa intervenção não acumula para um Rio que têm condições de se pensar sem viol?ncia. E pensar do ponto de vista da violência os desafios do Rio, é pensar outro modelo de inclusão de mulheres e de jovens que altere o sentido com o qual a sociedade e as instituições se pensam. Em especial em relação às mulheres e jovens negros e negras que vivem hoje em uma situação de base de pirâmide e são transformados em vítima ao invés de potência.

Ao investir nesse processo, de alternar o processo da pirâmide, priorizando nessas populações, vai muito além de qualquer processo de encarceramento ou de punição que temos hoje aplicados na nossa sociedade.

Como realizar processos de escuta e participação popular que potencializam essas transformações?

O processo de escuta parte da noção de que é muito comum que o estado pense as políticas a partir do que ele acha que tem que oferecer. E o fato dele achar que as mulheres e jovens devam ser manicures e cabeleireiras, pedreiros e assistentes de elétrica, sem querer desmerecer essas profissões que são essenciais para nossa sociedade, mas impõe a uma determinada camada da sociedade que ela não tem direito à escolher qualquer outra coisa, que ela não tem o direito de viver e ser plena inclusive do ponto de vista de demorar à escolher.

Isso faz toda diferença do ponto de vista da política pública quando você convoca essas populações a se pensar e se refletir inclusive para além do que eles são hoje. Quando você constrói esse tipo de política, tem que ter por parte do estado, uma habilidade de compreender que as pessoas têm o direito ao desejo, a pensar o que querem ser e não só a receber do estado o que ele acha que convém naquele momento àquela pessoa a partir do seu endereço, da sua cor e da sua condição de vida, de jovem, de mulher e o fato dela ser negra e impor a ela um papel determinado pelo racismo estrutural e mesmo fortemente pelo racismo institucional.

Quando a gente pensa que essa alteração passa pela participação social que tem hoje esse dado de novidade, que por exemplo, quando uma empresa faz uma propaganda sem uma mulher negra, porque representatividade importa, quando ela não contém um jovem negro, você percebe que a sociedade hoje grita.

E vamos continuar gritando porque esse é o lugar do processo. E se isso, se o estado não souber escutar para formular as políticas, caberá às mulheres e aos jovens quebrarem todas fileiras, todos muros que estiverem pela frente. O tempo em que os jovens e as jovens, que as mulheres negras, tinham para esperar que o estado fizesse algo por eles já está passando. Nós vamos ocupar os espaços e se tiverem outras pessoas nos espaços que são nossos, a gente vai dizer o seguinte: levanta que esse lugar é meu.

Em sua fala você desenvolveu um discurso sobre como o desejo, sobre o direito ao ócio, ao prazer, à indecisão, às potencialidades. Isso, como você apontou, é um privilégio de poucos…

Uma das coisas mais estranhas que eu pude vivenciar na minha vida é que como pobre foi muito estranho para as pessoas que eu quisesse trabalhar numa área de cultura. Porque afinal de contas você é pobre, você tem que fazer algo prático, exercer uma função que te dê dinheiro, para você se sustentar. Porque as coisas vinculadas ao prazer geralmente são ligadas a coisas que você estabelece como direito posterior. Quando você vai discutir numa situação de um debate político, é muito comum que o debate da cultura seja o último. Porque ele tem a ver com ócio, desejo, prazer, felicidade e sentir-se pleno.

Só que, numa lógica cotidiana, para que você vá pensar nisso, ou desejar isso, primeiro você tem que estar saudável, depois você tem que estar educado, depois você tem que ter infraestrutura, mobilidade, é como que o direito de existir de forma plena só possa existir para quem tem todas as condições para isso.

Quando a gente aceita nos colocarmos enquanto sociedade em um lugar em que não temos direito ao prazer enquanto não tivermos educação, saúde, moradia, esgoto, enfim, se a gente tiver que esperar que todas demandas da nossa existência – que são importantes – se concretizarem para ser feliz, para ter direito à plenitude, isso é de uma crueldade que nada mais é algo inculcado pelas classes privilegiadas de que não temos direito à isso, ao prazer, aos espaços culturais, a viver e experimentar as coisas. Nós temos direito à experimentação, é um direito cada vez mais necessário para promover outra sociedade, que as pessoas entendam que experimentar faz parte da condição de infância e juventude, que não se encerra quando a gente vira adulto.

A gente tem que experimentar porque temos o direito de ser plenos e ser plenos quer dizer que temos que viver o prazer e desejar inclusive não fazer nada. Isso não é um direito dos ricos. Vamos nos recuperar isso para gente, de mudar quando quiser e de construir um novo caminho sempre que tivermos desejo de andar por outros sentidos de forma mais feliz.

Você também falou da questão de como a esquerda lida com as crianças nos espaços políticos e no geral. Sobre o cuidado de todos e de como a presença da infância é enriquecedora e não apenas isso, ela permite desalienar as mulheres dos espaços de participação.

A maneira como a sociedade pensa as crianças tem tudo a ver com como a sociedade pensa as mulheres, né? Porque tem um efeito enorme, que a gente percebe e combate como doula, na minha função de doula, que é quando as mulheres engravidam elas viram um ente fora do tempo. Elas passam a serem tocadas – sem desejarem serem tocadas -, elas passam a ter sua vida tornada pública e exposta, como se aquela barriga fosse um patrimônio de todas as pessoas da sociedade. O problema é que essa criança nasce. E quando ela nasce essa mulher é jogada para dentro de casa, invisibilizada, passa uma relação de puerpério em que nem a rede pública nem a privada tem uma previsão de um processo de acolhimento, seja na saúde mental ou no seu bem estar, é como se ela tivesse feito um processo de recolhimento que acaba sendo imposto por um período muito longo.

Eu defendo que as mulheres possam o ser o que elas quiserem, inclusive donas de casa, mães exclusivas, que tenham tempo e possam se dedicar exclusivamente a isso, mas aí que está: o fato de que as mulheres passam por esse processo de recolhimento faz com que elas saiam da cena, elas saem da cena e se tornam invisíveis. Nem políticas se tornam, porque elas estão tão invisibilizadas que nem condições de fazer uma participação social ativa e que conduza um processo de demarcação de território propriamente dito do ponto de visto político. Logo, quando a gente diz: “mais políticas para mulheres”, todas as vezes que essas ações não envolvem espaços de acolhimento de crianças, eles produzem exclusão, ao invés de produzir inclusão.  Porque você vai incluir um grupo de mulheres mas vai deixar de fora um grupo grande de mulheres.

“As crianças merecem participar da vida da sociedade”, afirma Morgana. (Foto: Marcus Correa via Flickr/Creative Commons) 

Durante muito tempo o movimento feminista discutiu essa compulsoriedade da maternidade como não sendo mãe. Negando esse papel da maternidade. Só que não é isso mais que as jovens mulheres hoje pensam. Jovens mulheres hoje pensam de que precisam estar nesses espaços inclusive com seus filhos. Essas crianças merecem participar da vida da sociedade e o processo de pensar o que é a maternagem é um processo que pensa a maternagem de forma ampliada. Todas e todos maternam. O que é maternar? Maternar no sentido de que o processo de criação das crianças não pertence a quem a pariu. Não pertence a família próxima. Pertence a um sentido de que a sociedade deve a essa criança um lugar melhor e que para que ela não seja invisibilizada ela precisa estar nos lugares. Isso colabora para a autonomia das mulheres – porque faz com que elas não fiquem dependentes de uma rede de apoio que as suportes, geralmente formada por outras mulheres, raramente a rede de apoio de uma mulher é formada por um homem. É formada por mulheres que abrem mão do protagonismo para que a mais nova tenha algum protagonismo e autonomia.

Então é um círculo que precisa ser quebrada e para isso a sociedade tem que assumir, inclusive nós, as pessoas progressistas e de esquerda, temos que assumir que conviver com as crianças é algo normal, habitual, esperado. Devemos esperar que as crianças estejam com a gente, contar que haverão crianças, e não ter aquele certo incômodo de ter uma criança chorando ou uma mãe amamentando, porque elas sentem, percebem, e ninguém quer levar seu filho para um ambiente onde terá uma cara feia. Mudar o olhar sobre isso é mudar o ponto de vista de sociedade, as crianças pertencem a sociedade, todos maternam, então que a gente consiga absorver as crianças cada vez mais. 

E sobre a questão dos bebês presos, que é um pouca absurda…

É absurdo, mas é uma saída. Houve um crescimento expressivo nos últimos 10 anos da população encarcerada. No caso das mulheres isso é em uma proporção muito maior. Temos um alto índice de mulheres encarceradas que nem apenadas estão. E um grande número de mulheres que poderiam estar vivenciando um outro tipo de regime e não estão, sem que haja explicação para isso. Há dois anos, houve um caso muito impactante de uma mulher que deu à luz sozinha em uma solitária, dentro do [Presídio Feminino] Talavera Bruce. Ela deu à luz sozinha, gritou a noite inteira, todos os requintes de crueldade- e não podemos esquecer que se trata de uma mulher negra. Logo após, o que ocorre, uma vez que elas não têm direito a uma pena alternativa, e muitas delas nem apenadas estão, só estão encarceradas, nem puderam passar pelo processo de liberdade assistida.

“Precisamos libertar essas mulheres, devolvê-las às suas famílias e construir algum tipo de lógica que não seja punitivista para as mulheres”. (Foto: Agência CNJ via Flickr/Creative Commons)

Por isso há uma unidade materna infantil para onde elas são transferidas com seus bebês. Claro, que se você for ver essa unidade, ela é fisicamente mais organizada, não tem uma estrutura prisional da forma como você tem na memória, de uma cela. Mas é uma prisão. E esses bebês ficam com as gestantes até seis meses e depois são entregues para a família, e se não houver família, vão para uma instituição. Ou seja, porque as mulheres não podem ir para casa com seus bebês? E onde estão os parentes dessa criança? Quando uma mulher é encarcerada, em ampla maioria dos casos, a família se desfaz, e você tem as crianças espalhadas em um processo que poderia ser diferente. No Paraná, temos cerca de 3 mil mulheres encarceradas, mas metade delas tem penas alternativas de liberdade assistida. Precisamos libertar essas mulheres, devolvê-las às suas famílias e construir algum tipo de lógica que não seja punitivista para as mulheres em situação de crime.
 

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Antologia ‘Lula Livro’ reúne textos e desenhos contra a prisão do ex-presidente


Literatura

Ao todo são trabalhos de 86 autores que se posicionam contra o golpe jurídico que quer tirar Lula das eleições

Redação |
Livro-manifesto em defesa de Lula será lançado no dia 28, em Paraty (RJ) Ricardo Stuckert

No dia 28 de julho, em um dos vários eventos paralelos durante o festival literário em Paraty-RJ, será lançada a antologia Lula Livre / Lula Livro, organizada pelos escritores Ademir Assunção e Marcelino Freire, reunindo autores como Augusto de Campos, Chico Buarque, Raduan Nassar, Aldir Blanc, Alice Ruiz, Chico César, Frei Betto, Laerte, Eric Nepomunceno, Noemi Jaffe, Chacal, Caco Galhardo, Marcia Denser, Gero Camilo, Raimundo Carrero e Xico Sá, entre outros.

Ao todo, o livro-manifesto reúne oitenta e seis escritores e cartunistas brasileiros, de todas as regiões do país, com  contos, poemas, crônicas e cartuns cuja temática é a luta popular pela liberdade do ex-presidente Lula.

Segundo os organizadores Ademir Assunção e Marcelino Freire a publicação manifesta o inconformismo dos autores, “que consideram a prisão de Lula uma aberração jurídica-política-midiática, com o objetivo maior de tirá-lo das eleições presidenciais deste ano, no tapetão, na cara-dura”.

Além da versão impressa, com 184 páginas, Lula Livre / Lula Livro terá um site na internet com os contos, poemas, crônicas e cartuns e a disponibilização do PDF da publicação.

“Fazia muito tempo que os escritores não tomavam um posicionamento conjunto tão vigoroso. Os descalabros que estão acontecendo no País desde o golpe de 2016 é que criaram a necessidade dessa manifestação político-literária”, dizem Ademir e Marcelino.

Estão sendo planejadas ações junto aos movimentos sociais para divulgar e repercutir o livro-manifesto em todo o Brasil e também no exterior.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Tereza Cruvinel: Esquerda subestima quadro criado com apoio do centrão a Alckmin

Foto: Govesp

O novo quadro

por Tereza Cruvinel, no Jornal do Brasil 

O candidato tucano Geraldo Alckmin volta a ser peça do jogo com o apoio do Centrão. Ganha um tempo de TV colossal, capilaridade e máquina, mas vincula-se também ao que há de mais atrasado e melhor representa a “velha política”.

A bola agora rola no campo da esquerda, em resposta à jogada do adversário da centro-direita. E a resposta, por ora, não foi a busca da unidade, como fez a direita, mas o acirramento da disputa entre PT e PDT pelo apoio do PSB e do PC do B.

No dia em que o mercado e o empresariado só não soltaram fogos de artifício para festejar o feito do candidato preferido, com a Bolsa subindo e o Real se valorizando, o PDT sagrou Ciro candidato em situação de isolamento, sem vice e sem alianças.

Em seu discurso, ele voltou a defender Lula, acenou aos possíveis aliados da esquerda e até ao empresariado produtivo.

Dever de ofício: o capital agora voltou a apostar tudo no tucano, depois de ensaiar até a assimilação de Bolsonaro, na busca de candidato capaz de evitar a vitória da esquerda. Vale dizer, de Ciro ou do candidato de Lula.

Na disputa pelo apoio do PSB e do PC do B, ambos divididos entre apoiar Ciro ou o PT, Lula autorizou o ex-prefeito Fernando Haddad a divulgar ontem os cinco eixos básicos de seu programa de governo.

Buscou assim o contraste com Ciro, que andou fazendo concessões programáticas ao Centrão, inutilmente. O flerte com o bloco só lhe trouxe desgaste em seu próprio campo, onde tenta agora se recuperar.

No PSB a divisão interna é tão dramática que levou o governador de São Paulo, Marcio França (que antes defendia o apoio a Alckmin) a sugerir o lançamento da senadora Lídice da Mata (BA) como candidata própria do partido para evitar a difícil escolha.

Lídice acaba de ter sua candidatura ao Senado sacrificada numa aliança com o PT da Bahia, que preferiu um aliado conservador do PSD. Ingratidão do PT.

Ela aparou o golpe, em nome da aliança local e vai concorrer à Câmara. Lançar-se candidata a presidente só para dar conforto ao partido seria um segundo e maior sacrifício, que deixaria fora do Congresso um dos melhores quadros do PSB. Ela recusou o cálice.

A profundidade da divisão sugere que não haverá decisão antes da convenção/congresso do dia 5 de agosto.

O fracasso das negociações de Ciro com o Centrão pode ter favorecido o grupo pró-PT, mas pode ser também que o PSB opte pela solteirice. Cada estado ficaria livre para fazer seu jogo “e seríamos mais um partido sem projeto nacional”, lamenta o líder Júlio Delgado.

O Comitê Central do PC está reunido desde ontem, debruçado sobre o mesmo dilema.

O forte boato de que Lula teria convidado a candidata Manoela D’Ávila para ser sua vice não se confirmou.

Antes disso, o PT vai insistir no apoio do PSB, ou mesmo em sua neutralidade, para que não apoie Ciro. O tempo é mais curto para o PC do B. Sua convenção será na quarta-feira.

A esquerda subestima o novo quadro agora criado.

A união conservadora com Alckmin não ficará só no apoio do Centrão. Irá muito além, formando uma coalizão poderosa, decidida a levar Bolsonaro e Alckmin ao segundo turno.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) arriscou propor a chapa Lula-Ciro mas o campo está minado.

Leia também:

Bolsonaro: O tiro no pé da elite jovem

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Publicação de: Viomundo

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