Massacre de Pau d’Arco com dez camponeses mortos pela polícia completa 1 ano


Luta no campo

De acordo com testemunha, os assassinos sorriam e atiraram

Lílian Campelo |
MST fez uma homenagem no local onde foram mortos os dez camponeses em Pau d'Arco (PA) MST

Há um ano, numa manhã chuvosa de quarta-feira, dez trabalhadores rurais foram brutalmente assassinados no município de Pau d’Arco, no sudeste do estado, durante operação das polícias militar e civil com a justificativa de cumprimento de mandados judiciais. A ação ocorreu na Fazenda Santa Lúcia, que havia sido novamente ocupada por trabalhadores rurais sem-terra no dia anterior.

Entre os mortos, estava Jane Júlia de Almeida, liderança do acampamento e única mulher assassinada naquele dia. Foram quatro anos de luta resistindo ao processo judicial de despejo e exigindo que a área fosse destinada para a reforma agrária. 

No mês de abril, a Justiça ouviu os acusados pelo massacre. Os depoimentos aconteceram no fórum de Retenção, cidade vizinha de Pau d’Arco. Outras testemunhas serão ouvidas para que seja definido se haverá ou não um tribunal do júri.

O massacre

Segundo o relato de um dos trabalhadores sobreviventes, que foi o primeiro a acordar naquele dia, tudo começou com o barulho incomum de carros se aproximando do acampamento. Ele estranhou e decidiu acordar o restante dos trabalhadores. Dois sem-terra foram verificar do que se tratava.

“Eles voltaram correndo, dizendo que era muita polícia, foi a hora que começamos a correr. Corremos bastante no meio do mato. Paramos em baixo de uma árvore, quando escutamos eles chegarem no acampamento chutando vasilhas, quebrando tudo”, comentou o sobrevivente que terá a sua identidade preservada nesta reportagem. 

Por outro lado, os policiais que participaram do massacre contaram à Justiça que foram recebidos a bala e reagiram.

Para José Batista, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), essa tese não se sustenta. Ele acompanhou os peritos no local do crime e ouviu os sete sobreviventes em depoimento ao Ministério Público Federal, no mês seguinte ao massacre. “Ocorre que as pessoas não foram sequer avisadas que teria um mandado, não teve nem tempo para isso, apenas a elas foi reservado dez sentenças de mortes”, declara.

As testemunhas relataram que a liderança Jane Júlia de Almeida sugeriu ao grupo ficar no local. Ela acreditava que os policiais não iriam procurá-los no meio da chuva, mas estava enganada. “Em menos de dez minutos que a gente estava debaixo da lona esperando a chuva passar e a polícia chegou já gritando: não corre não que vai todo mundo morrer, e já atirando ao mesmo tempo, gritando e atirando”, conta um dos sobreviventes.

Relato forte

A segunda vítima sobrevivente ouvida pelo Brasil de Fato diz que estava escondida em uma moita, de onde viveu os momentos de sofrimento e desespero junto com Jane Almeida. “Eu saí correndo e ela ficou sentada, eu não sei se eles mataram ela sentada, só lembro que eles falavam: levanta para morrer velha safada, velha vagabunda, cachorra. Xingavam de vários nomes e ao mesmo tempo sorriam e atiravam”.

Os corpos dos dez trabalhadores foram levados para Redenção, a cidade vizinha, amontoados na carroceria de caminhonetes e ficaram no hospital até a meia-noite daquele dia.

Segundo o agente da CPT, Igor Machado, as famílias, que aguardavam na funerária a liberação do IML, viram os corpos chegarem amontoados na caminhonete, envolvidos em lonas pretas. A cena causou revolta e indignação. “Isso foi terrível, a própria desumanização, foi muito indigno a forma como chegou, então uma segunda camada de violência foi adicionada, já foram mortos em um contexto de massacre e os corpos chegam nessa situação. Então isso foi muito chocante.”

O sudeste do Pará foi cenário também do Massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 21 trabalhadores rurais foram mortos.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Artigo | A tal da Ismene Mendes


História

Lutadora dos trabalhadores, a advogada foi atraída para uma emboscada, espancada, estuprada e morta

José Renato Resende* |
Em protesto, população da cidade renomeou praça Tubal Vilela para homenagear Ismene Guilherme Gonçalves

O nome de Ismene tem aparecido bastante nos últimos tempos, sobretudo depois que parte da população uberlandense se mobilizou para renomear a praça Tubal Vilela com seu nome. Mas, até 2014, sua história era desconhecida pela maioria das pessoas. Pois foi justamente nesse ano, em janeiro, quando um grupo de teatro se reuniu com uma professora do curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, a fim de pensar no roteiro de uma peça teatral que abordasse a temática da Ditadura. Nisso, a professora exibiu um livro que tinha recebido do Ministério de Direitos Humanos, sobre vítimas da Ditadura Civil-Militar e lá constava: “Ismene Mendes, morta em Patrocínio (MG) em 1985”.

Só isso.

Ismene Mendes nasceu na Fazenda Tijuco, na zona rural de Patrocínio, em 29 de janeiro de 1956, tendo aí vivido até meados de 1965, quando seus pais decidiram se mudar para a cidade, a fim de proporcionar uma melhor educação para a filha.

Por muitos anos, foi filha única de seu Almando, sindicalista, e dona Almelinda, dona de casa. De família humilde, sua infância e adolescência foram comuns, exceto pelo fato de, quase sempre, acompanhar seu pai nas reuniões dos sindicatos e dos camponeses. Desde muito cedo, inclusive, ela auxiliava o pai na condução e na organização dessas reuniões.

Seu Almando, em depoimento à Comissão da Verdade, conta que era bem comum que as sessões sindicais fossem espionadas por agentes da Polícia Federal. Além disso, muitas vezes, após essas reuniões, sindicalistas e trabalhadores eram perseguidos, por fazendeiros ou pelos próprios policiais, os quais lhes ameaçavam e agrediam, e, em alguns casos, assassinavam-nos. Importante lembrar que estamos falando de fatos ocorridos nas décadas de 1960 e 1970, ou seja, em plena Ditadura.

Ao terminar seus estudos em Patrocínio, veio para Uberlândia para cursar Direito na UFU. E, antes mesmo de se formar, Ismene presta serviços de assessoria jurídica gratuita tanto para os trabalhadores rurais quanto para o sindicato em que o pai atuava. Já graduada, tornou-se oficialmente advogada do sindicato.

Do depoimento de seus pais, consta que Ismene não advogava só para os trabalhadores rurais, mas também para qualquer pessoa da cidade que lhe procurasse na busca de socorro jurídico. Era comum, inclusive, que os habitantes de Patrocínio acreditassem que Ismene era uma espécie de “advogada remunerada pelo governo”, pois era notório seu empenho na defesa dos direitos dos mais humildes. Sobre isso, seu Almando afirma com orgulho que “quem batia na porta dela precisando de ajuda jurídica nunca recebia um não, e eram sempre os pobres explorados pelos poderosos”.

A vereadora

Em 1982, Ismene se candidatou ao cargo de vereadora do município de Patrocínio, pelo PMDB. Segundo seus pais, ela nunca teve grandes pretensões políticas e que a vereança foi muito mais um instrumento de luta pelos direitos dos trabalhadores do que um meio de satisfação pessoal. Fato que ilustra isso é que sua campanha eleitoral foi quase toda desenvolvida por companheiros e pessoas que, antes disso, foram ajudadas por Ismene, as quais se prestavam a andar pela cidade conversando e fazendo campanha.

O pai de Ismene afirma que “ela era muito honesta, muito franca e não aceitava nada errado”. Essa sua característica foi causa de frequentes embates dentro de seu partido, o PMDB, haja vista a intolerância de Ismene com práticas moralmente questionáveis.

O caso dos 70 trabalhadores mortos

Como membro do legislativo municipal, Ismene soube usar muito bem sua posição política em prol dos vulneráveis. Chama-se a atenção para sua influência no trâmite do Projeto de Lei 998/1983, que visava a obrigar o transporte de trabalhadores rurais e urbanos em ônibus adequados, proibindo que este fosse feito por meio de caminhões boiadeiros, por exemplo.

Tal fato se deu após um acidente trágico no município de Ituiutaba, o qual foi causa da morte de 70 trabalhadores rurais que estavam sendo transportados na gaiola de um caminhão, de forma totalmente perigosa e temerária. Ismene, além de ter atuado como advogada no caso, requerendo, judicialmente, a indenização das 70 famílias, deu início a uma grande mobilização política nacional, a fim de se regulamentar o transporte dos trabalhadores.

Por meio dessa atitude, a deputada federal Bete Mendes, também do PMDB, apresentou o projeto de lei já mencionado. Nas atas da Câmara dos Deputados, há, inclusive, um pedido de remissão do trâmite do processo a Ismene, feito por Bete Mendes.

Perseguição e morte

Na tarde do dia 10 de outubro de 1985, numa quinta-feira, Ismene, na volta do trabalho para casa, foi chamada por uma criança, um menino pequeno, em estado de desespero, “porque a mãe dele, grávida, estava embaixo de uma árvore sentindo-se mal e precisando de socorro”. Ismene foi até o local imediatamente, acompanhando o menino, mas, ao chegar, foi rendida por fortes homens encapuzados que a arrastaram pelo mato, espancaram e violaram sexualmente. Antes de irem embora, seus agressores deixaram claro que, caso Ismene procurasse a polícia, o próximo encontro entre eles seria para matá-la.

Ismene, mesmo imunda e gravemente ferida, arrastou-se até seu carro e foi até a delegacia, onde fez o exame de corpo de delito. Nela, foram encontrados cascalho e lascas de madeira.

No inquérito policial, contudo, consta que Ismene teria simulado seu estupro e seu espancamento.

Importante ressaltar que ao menos cinco delegados foram sucessivamente nomeados para apurar tais acontecimentos. Um deles, aludindo ao seu predecessor, afirma que no final de seu brilhante trabalho, concluiu que os fatos do dia 10 de outubro de 1985 não passaram de uma SIMULAÇÃO ou AUTO-FLAGELAMENTO da vítima Ismene Mendes por se tratar de uma mulher de comportamento difícil e recalcada, com um comportamento instável em relação às pessoas.

Aqui chama-se a atenção para a perspectiva sempre machista das autoridades em relação a Ismene.

Doze dias após esse episódio, no dia 23 de outubro de 1985, Islene, irmã de Ismene, conta que a encontrou de manhã, ao que as duas almoçaram juntas em casa. Islene afirma que a irmã estava tranquila e não apresentava nenhum indício do suicídio que supostamente cometeria horas depois. Apenas soube-se, posteriormente, que houve fortes discussões na cooperativa em que Ismene trabalhava.

No final do mesmo dia, quando Islene retornou à residência da família, encontrou a casa cheia de gente estranha e várias pessoas em volta de Ismene, que estava deitada em sua cama. Ismene tentou falar alguma coisa à irmã, mas não conseguiu. Islene, então, perguntou se já haviam chamado a ambulância, ao que responderam que sim. Contudo, apesar de a casa da família ser muito próxima ao hospital, a ambulância só chegou quando já era demasiado tarde.

Ismene foi encontrada, já agonizando, por seu patrão, depois de ter (pelo menos de acordo com o inquérito) cortado os pulsos e ingerido Gastoxin, um veneno utilizado nas lavouras de café. Segundo seu patrão, Ismene deixara escritas várias cartas, em que explicitava a  intenção de se matar. Ao chegar em casa Islene viu tais cartas, mas não reconheceu nelas a caligrafia da irmã. Além disso, ocorreram dois outros fatos estranhos:

i. essas cartas simplesmente desapareceram do inquérito policial;

ii. o primeiro delegado responsável pelo caso questionou, diversas vezes, ao patrão de Ismene e aos demais membros da cooperativa que tinham ciência das cartas, por que eles, se sabiam da intenção dela de se matar, não tomaram nenhuma atitude no sentido de evitar o suicídio.

No outro dia, na Igreja Matriz, celebrou-se uma missa de corpo presente, pela alma de Ismene. Sobre isso, ressalta-se a já presente desconfiança em relação à versão de que Ismene teria se suicidado, haja vista a precaução da Igreja Católica em relação a pessoas que cometem suicídio, ainda mais nessa época.

Nos próximos meses, no âmbito estatal, os vários delegados incumbidos de apurar, tanto o caso da agressão e estupro, quanto do suicídio, não concluíram nada de substancial. Ademais, apenas dois meses depois, no dia 17 de dezembro de 1985, o promotor de justiça responsável pede o arquivamento dos autos, alegando que a pobre moça tinha problemas que a atormentavam, razão pela qual decidiu ela praticar o ato extremo de suicidar-se.

Aparentemente, o promotor estava se referindo a “versão oficial” usada para explicar o extermínio de Ismene Mendes, a qual foi mantida por quase 30 anos: a versão de que ela mantinha um relacionamento adulterino com seu patrão na cooperativa em que trabalhava e que, por ter engravidado e sido enjeitada por ele, simulou a agressão e estupro. Posteriormente, pela humilhação por ter sido “desmascarada”, não suportou a vergonha e se suicidou.

Mas Ismene Mendes, conforme autópsia, não estava grávida.

Também conforme diversas testemunhas, ela jamais manteve qualquer proximidade ou intimidade com o patrão.

Não que isso seja relevante. Tais comentários sempre tiveram tão somente o intuito de desqualificar a pessoa de Ismene Mendes como mulher, querida pelo povo e mais inteligente, competente e profissionalmente bem-sucedida do que a maioria dos homens que a cercavam.

Ismene não foi morta por nenhum detalhe inventado de sua vida pessoal. Tudo o que lhe aconteceu foi devido à sua coragem de desafiar as estruturas injustas de um sistema opressor e desigual ao qual ela estava inserido. 

O inconformismo e a bravura de Ismene foram sua própria sentença de morte.  

Teatro resgata história

A peça “Ismênia”, encenada pela Companhia Artimanha, com roteiro escrito por Felippe Alves e por mim e direção de Geovânia Dias da Costa, foi apresentada para mais de 5 mil pessoas em Uberlândia, no Teatro Municipal, em Passo Fundo (RS) e em Belo Horizonte. 

Além disso, a Comissão da Verdade do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, além de ter adotado o nome de Ismene, homenageou-a em seu primeiro relatório, “Caso Ismene Mendes: o legado classista, machista e fascista da ditadura civil-militar”.

Por fim, no dia 25 de maio, será inaugurada na Faculdade de Direito da UFU, onde Ismene estudou, um busto seu, como ato de justiça e de reparação histórica. 

*José Renato Resende é advogado e pesquisador de Direitos Humanos, integrou a Comissão da Verdade do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba – Ismene Mendes e também escreve literatura.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Engenheiros denunciam a farsa da “Petrobrás quebrada”, usada para privatizar

Geraldo Falcão/Agência Petrobrás

Esclarecendo o “Petrobrás esclarece”

da AEPET

Todo este “circo” foi montado baseado na mentira de que a Petrobrás passava (e passa) por problemas financeiros

Nesta quarta-feira (16/05), depois da AEPET ter publicado o Editorial: “Parente e o balanço, autoengano ou encenação”, a administração da empresa encaminhou mensagem, via correio eletrônico, aos petroleiros, segundo eles: com o objetivo de não deixar que informações imprecisas se transformem em fatos que prejudiquem a reputação e a imagem de nossa empresa.

Em primeiro lugar queremos deixar bem claro que o que pretendemos é discutir quais os melhores planos para a Petrobrás, como empresa estatal que é, para o atendimento das necessidades da população brasileira e o desenvolvimento da Nação.

O resultado de uma empresa estatal não se mede apenas pelo lucro ou prejuízo registrado no seu balanço, mas sim pelo desenvolvimento que ela promove para o país e a forma como contribui para distribuir a renda petroleira em favor dos seus verdadeiros donos: os brasileiros.

Infelizmente hoje a discussão se limita a comparar resultados contábeis entre um período e outro, verificar o desempenho das ações na bolsa de valores, informar quais os ativos vão ser entregues para terceiros para antecipar a redução de uma dívida que já foi chamada de “impagável”, redução da força de trabalho e dos benefícios dos empregados e imposição de pesados e injustos encargos aos participantes do plano de aposentadoria, ao mesmo tempo em que são aprovadas regras para antecipar dividendos aos acionistas e pagar indenização bilionária aos especuladores estrangeiros.

O que a AEPET sempre fez, em toda a sua história, foi defender a reputação e a imagem da Petrobrás.

Quem criou a imagem de que a empresa estava quebrada?

Quem inventou que a dívida era impagável?

Quem gasta páginas do relatório anual para falar em Lava Jato, mas não dispende uma linha para falar das riquezas do pré-sal descoberto?

Quem disse que endeusaram o pré-sal, em tom de menosprezo?

Todo este “circo” foi montado baseado na mentira de que a Petrobrás passava (e passa) por problemas financeiros.

Por isso precisa vender ativos altamente rentáveis e entregar o pré-sal para as petroleiras estrangeiras.

Já falamos muitas vezes sobre isto, mas não custa repetir.

O que mostra se uma empresa tem ou não problemas financeiros são os seus registros contábeis.

Muitos consideram que o principal indicador financeiro de uma empresa é a sua Geração Operacional de Caixa.

É o caixa disponível depois de cobertos todos os custos e despesas.

É o caixa apto para pagamento da dívida, fazer investimentos e pagar dividendos.

No caso da Petrobrás os números são os seguintes:

Vejam que a Geração Operacional de Caixa da Petrobrás é inabalável.

Onde está o efeito da corrupção que muitos disseram que quebrou a Petrobrás?

Onde está o efeito dos subsídios concedidos (2010/2014) que muitos calculavam em bilhões e bilhões?

Onde está o efeito dos “impairments” (2014/2016) que causaram os prejuízos econômicos astronômicos?

Onde está a dependência do preço do petróleo no mercado internacional em relação à sua capacidade de gerar valor?

Onde está a empresa quebrada?

Se compararmos a Geração Operacional de Caixa da Petrobrás com outras grandes petroleiras temos o seguinte:

 

Importante lembrar que estas petroleiras (principalmente Exxon e Shell ) tem receitas 3 vezes superior à da Petrobrás.

A tabela mostra claramente o efeito da variação do preço do barril na geração operacional das petroleiras estrangeiras.

Efeito que não se vê na Petrobrás.

Mas a atual política de preços não tem o objetivo de seguir a cotação internacional do barril?

Então por que de 2016 para 2017 todas as grandes petroleiras tiveram expressivo aumento de geração operacional enquanto na Petrobrás o número permanece estável?

Venda de ativos rentáveis? Perda de participação no mercado? Ociosidade das refinarias?

Outro importante indicador financeiro é a Liquidez Corrente.

Ela indica a capacidade da empresa de cumprir com seus compromissos de curto prazo.

É resultado da divisão do Ativo Corrente pelo Passivo Corrente.

A tabela a seguir mostra os números:

 

Vejam que a liquidez corrente da Petrobrás se mantem sempre superior a 1,5.

Significa dizer que para cada R$ 1 que a empresa precisa pagar ela dispõe de R$ 1,5 ou mais.

Notem que a situação da Petrobrás é muito mais confortável do que a das maiores petroleiras americanas.

Bom lembrar que as petroleiras americanas tem classificação de risco AAA (nível máximo) enquanto a Petrobrás fica 12 níveis abaixo B+.

A liquidez corrente mostra que a Petrobrás não tem nem nunca teve problemas financeiros.

Interessante de se verificar também o volume de recursos mantidos em caixa pela empresa.

Vejam a tabela a seguir:

 

Reparem que as grandes petroleiras americanas vêm reduzindo sistematicamente o caixa desde 2012 enquanto a Petrobrás mantém caixa elevadíssimo a partir de 2015.

A Exxon que tem uma receita 3 vezes maior que a da Petrobrás, mantem um caixa muito menor.

A única explicação é que o caixa é mantido elevado para permitir a venda de ativos.

Se fosse utilizado o caixa não haveria necessidade de venda de ativos. Pasmem…

Isto fica muito claro quando vemos os quadros de Usos e Fontes dos Planos de Negócio e Gestão-PNG feitos pela atual administração.

Este plano mostra uma geração operacional de caixa de US$ 158 bilhões (já pagos os dividendos, não informado o montante), uma utilização de US$ 2 bilhões do caixa e a venda de US$ 19 bilhões de ativos.

Como no final de 2016 havia mais de US$ 20 bilhões em caixa, os ativos estão sendo vendidos para manter o caixa elevado.

Além disso a empresa vendeu US$ 13,6 bilhões de ativos em 2016 e só recebeu US$ 2 bilhões.

Restavam US$ 11 bilhões a receber.

Mais ainda a Petrobrás já tinha um crédito com a Eletrobrás de US$ 6 bilhões.

O grande absurdo vem à tona quando olhamos o Usos e Fontes do PNG 2018/2022.

Estranhamente a geração operacional cai para US$ 142 bilhões (já pagos os dividendos), uma queda de US$ 16 bilhões em relação ao plano anterior (US$ 158 bilhões).

A geração operacional deveria ter aumentado e não caído.

Qual é a causa? Não é dada nenhuma explicação.

A venda de ativos rentáveis fez cair a geração?

Ou está previsto pagamento de dividendos muito elevados? Não existe clareza.

Consta a venda de US$ 21 bilhões de ativos, ao mesmo tempo em que o caixa é aumentado em US$ 8,1 bilhões.

O que é isto? Estão vendendo ativos para aumentar o caixa?

Mas o caixa já tem mais de US$ 20 bilhões.

Das vendas de ativos feitas em 2016 ainda resta receber US$ 8 bilhões e o crédito com a Eletrobrás de US$ 6 bilhões continua.

Simplesmente ridículo.

Bem, voltemos ao Petrobrás esclarece, que afirma: Para não deixar dúvidas a única vez que registramos resultado em torno de R$ 7 bilhões foi em 2013, quando tivemos um lucro de R$ 7,7 bilhões e o barril do petróleo estava em torno de US$ 100. Agora conseguimos resultado semelhante com a cotação a US$ 67 o barril. Ou seja é o nosso esforço para recuperar a empresa usando todas as ferramentas do plano de negócios que explica o bom desempenho da companhia.

Porque falam em torno de US$ 100 o barril?

É só olhar o relatório do 1º trimestre de 2013, o preço médio do barril era de US$ 94.

Mas em 2013 o governo subsidiava o consumo no mercado interno, mantendo os preços internos abaixo dos preços internacionais.

Portanto este preço de US$ 94 não serve como parâmetro. Esqueceram?

Por outro lado não apenas o preço do barril deve ser avaliado, o câmbio é outro fator tão importante quanto.

No 1º trimestre de 2013 o dólar custava em média R$ 2,00 enquanto que no 1º trimestre de 2018 passou para R$ 3,24.

Vão querer continuar enganando?

E continuam mesmo: A Petrobrás tem um programa de parcerias e desinvestimentos desde 2012 muito antes da posse da atual administração. Não se pode, assim, atribuir a este programa qualquer motivação partidária ou ideológica.

Parece que aqui eles vestiram a carapuça.

E continua: Em dois anos entre 2012 e 2014 a empresa se desfez de US$ 10,8 bilhões de ativos no exterior, campos de produção e áreas exploratórias. Esta portanto é uma ferramenta de gestão usada em diversos momentos e por diversas e distintas administrações da empresa para ajudar a reduzir seu endividamento.

Entre 2012 e 2014 são três anos e não dois, o que dá uma média de US$ 3,6 bilhões/ano.

É normal na atividade da empresa comprar e vender ativos.

Mas nunca se falou em venda de ativos como NTS, Liquigás e BR Distribuidora.

Por outro lado a venda de ativos não era feita para reduzir dívidas, pois naquele momento é que a empresa mais investiu e se endividou.

Quanto se privatizou entre 2012 e 2014 em comparação com US$ 35 bilhões planejados pela atual administração?

Onde estavam e quais ativos foram privatizados nos dois períodos?

Agora tentam esconder a verdade: Neste trimestre a entrada em caixa com parcerias e desinvestimentos teve impacto de R$ 2,2 bilhões no lucro líquido, impacto reduzido quando comparado ao lucro de R$ 7 bilhões.

No relatório aparecem ganhos de R$ 3,2 bilhões com a venda de Lapa, Iara e Carcará.

Mas pode ser que exista algum ajuste para chegar no efeito no lucro líquido.

De qualquer forma o lucro a ser comparado é de no máximo R$ 4,7 bilhões (6,9-2,2).

No 1º trimestre de 2015 o lucro líquido foi de R$ 5,3 bilhões.

Então que estória é esta de melhor resultado dos últimos 5 anos?

Terminamos esta Nota de forma similar a que a atual direção da Petrobrás iniciou o seu Petrobrás esclarece.

Você está recebendo mais esta Nota da AEPET com o objetivo de não deixar que informações imprecisas se transformem em fatos que prejudiquem a reputação e a imagem da nossa empresa.

Leia também:

Petroleiros preparam greve nacional para junho

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Publicação de: Viomundo

Petroleiros fazem “esquenta” em Minas rumo à greve nacional prevista para junho, em defesa da Petrobrás

Foto Sindipetro/MG

PETROLEIROS DE MINAS FAZEM “ESQUENTA” RUMO À GREVE GERAL COM CONTROLE DE PRODUÇÃO

do Sindipetro/MG

Petroleiros da Refinaria Gabriel Passos (Regap) fizeram um corte de rendição na manhã desta quarta-feira (23).

Trabalhadores de turno e do administrativo cruzaram os braços em ato contra a privatização da Petrobrás — que impacta diretamente no preço dos combustíveis e gás de cozinha no Brasil.

A mobilização da categoria petroleira faz parte de um “esquenta” que está sendo realizado ao longo desta semana em todas as bases da Federação Única dos Petroleiros (FUP) no País rumo a uma greve nacional.

Segundo o diretor da FUP e do Sindipetro/MG, Alexandre Finamori, a alta dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha é reflexo direto da política de privatização da Petrobrás.

“Essa política de preços está vinculada a uma estratégia de privatização da Petrobrás. Nenhuma empresa estrangeira quer vir para o Brasil construir ou comprar uma refinaria com o preço da gasolina fixado pelo Estado e tendo como objetivo cumprir uma função social de segurar a inflação. Então, a Petrobrás tem subido o preço de tal forma que hoje é interessante importar gasolina. Hoje, 40% do consumo interno de derivados no Brasil é importado, enquanto temos refinarias com capacidade ociosa. O preço dos combustíveis está tão alto que compensa trazer de fora — em uma jogada estratégica da atual gestão da empresa”.

A manifestação coincidiu com o movimento nacional realizado pelos caminhoneiros.

A categoria reivindica a redução do preço do diesel –0 que desde fevereiro deste ano foi reajustado em 34% pela Petrobrás nas refinarias — e fecha desde a manhã desta quarta-feira os acessos de caminhões e carretas à Regap.

Alta dos preços

Somente de fevereiro até agora (período em que a Petrobrás passou a divulgar o preço da gasolina e do diesel nas refinarias), o valor dos combustíveis repassado aos distribuidores subiu em média 34%.

Isso comprova que a alta dos combustíveis está associada, principalmente, à política da Petrobrás de atrelar os preços praticados no Brasil ao valor do barril de petróleo no mercado internacional.

Segundo dados da própria Petrobrás, a gasolina A subiu 34,89%, passando de R$ 1,5148 em 20 de fevereiro de 2018 para R$ 2,0433 em 23 de maio.

Já o diesel A teve uma alta de 34,44% nos últimos três meses (custava R$ 1,7369 em 20 de fevereiro e passou a R$ 2,3351 em 23 de maio).

A mesma lógica é adotada para o gás de cozinha (botijão 13kg) — cujo preço médio no Brasil saltou de R$ 53,121 em junho de 2017 (quando foi implantada a paridade dos preços do gás com o mercado internacional) para R$ 66,966 em abril de 2018.

No entanto, a própria Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), já é possível encontrar botijão de gás sendo vendido a R$ 120 no Brasil.

Categoria petroleira avança rumo a greve nacional (Sindipetro AL/SE)

A categoria está em alerta desde que a ameaça de demissão ficou iminente, por conta do anúncio da privatização de quatro refinarias (duas no nordeste e duas no sul do país), além de 12 terminais Transpetro e o fechamento das Fafens.

Tudo isso apenas confirma o que Sindipetro AL/SE e demais sindicatos da FNP (Federação Nacional do Petróleo) já denunciam há tempos: a entrega total da cadeia nacional de petróleo e gás, indutora da economia nacional, empregadora de centenas de milhares de trabalhadores.

O governo Temer e a gestão de Pedro Parente agora avançam para consolidar por completo o processo de privatização e desmonte da Petrobras, que vem sendo pavimentado há anos através da quebra do monopólio estatal, leilões, venda de ativos, endividamento, terceirizações, desinvestimento, demissões, corrupção e etc.

A hora da greve é agora!

Não podemos permitir essa entrega.

Da mesma forma não podemos depositar nenhuma esperança na eleição de outubro.

Os trabalhadores têm apenas duas alternativas: se render ou resistir.

Assembleias aprovam greve

Em Sergipe e Alagoas a categoria tem aprovado quase que por unanimidade a indicação do Sindipetro AL/SE de greve nacional contra a privatização da Petrobras, em defesa dos direitos e dos empregos, contra as reformas da previdência e trabalhista, para derrubar Temer e Pedro Parente.

A parcial das assembleias até o momento é de 225 a favor da greve, um voto contra e duas abstenções.

PLR 2017

Os trabalhadores também têm decidido em assembleia pela não assinatura do termo de quitação da PLR da Petrobras.

A empresa desconsidera parcelas que compõem a remuneração e propõe pagamento abaixo do acordado, especialmente ao pessoal operacional, mas também desconsiderando hora-extra, auxílio-almoço e adicional regional, por exemplo, de boa parcela do administrativo.

Entretanto, para os gerentes, inclui no cálculo a gratificação da função, extrapolando qualquer relação piso-teto considerável!

O Jurídico da FNP elaborou um parecer sobre a “Metodologia para definição e pagamento de PLR no Sistema Petrobrás”, considerando que deve ser rejeitada, por não cumprir o acordo anteriormente assinado, no quesito remuneração.

Contribuição Extra

Também está sendo aprovada a cobrança de 1% do salário base como contribuição extra para a campanha em defesa da Petrobras, por dois meses.

É com essa taxa que o sindicato consegue pagar as despesas extras em decorrência da campanha, como faixas, panfletos, carro de som e etc.

Unidade Nacional

A reunião nacional que ocorreu no dia 09 deste mês no Rio de Janeiro integrou os sindicatos da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) com AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), AMBEP (Associação de Mantenedores-Beneficiários da Petros) e ativistas das refinarias atacadas e de outras bases, bem como movimentos sociais como a FIST (Federação Internacionalista dos Sem-Teto) e o SOS EMPREGO do Rio de Janeiro.

Durante reunião, ficou definido que a FNP e seus Sindicatos farão um grande calendário de mobilizações, com atividades até o próximo dia 25.

Infelizmente, a FUP se recusou mais uma vez a estar presente nesta articulação, mas insistiremos em construir uma pauta e um calendário unificado para a realização da greve.

A proposta para as assembleias é deliberar o Estado de Greve contra a privatização, o equacionamento e a perda de direitos (Benefício Farmácia, AMS, Plano de Carreira etc.).

A deflagração do movimento deverá ser articulada nacionalmente, com indicativo para o início de junho. Estaremos a postos!

Leia também:

Engenheiros da Petrobrás denunciam Temer e Parente: Política de preços beneficia Estados Unidos

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Publicação de: Viomundo

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Publicação de: Brasil de Fato – Blog

Frente Brasil Popular: Governo aumenta preço da gasolina enquanto desmonta a Petrobrás

 

Marcos Corrêa/PR

Nota de Apoio da Frente Brasil Popular à Greve dos Caminhoneiros

via e-mail

A responsabilidade pela escalada nos preços dos combustíveis está no Governo golpista e na política de desmonte da Petrobrás.

A politica de refino do governo Michel Temer tirou o foco da Petrobrás do abastecimento nacional e tornou o preço dos derivados flutuante.

As mudanças, algumas vezes diárias, passaram a seguir o preço do barril internacional, sem qualquer proteção ao consumidor e preocupação com o desenvolvimento brasileiro.

Enquanto isso, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, faz pronunciamentos de que é preciso abrir o mercado e afirma que o monopólio é ruim para o Brasil.

Porém, esse monopólio foi quebrado em 1997 e mesmo assim nenhuma empresa privada investiu no refino brasileiro.

Após a mudança da politica de preço, que segundo o Pedro Parente seria benéfica para o Brasil, as importações aumentaram.

Só em janeiro e fevereiro elas cresceram 65%, segundo dados do próprio governo.

O povo já sentiu o aumento dos preços do gás de cozinha, gasolina e diesel.

De julho de 2017 para cá, os preços da gasolina e do diesel nas refinarias aumentaram 59%.

Porém, ao invés da Petrobrás aumentar sua produção para reduzir o preço para povo brasileiro, ou mesmo para aproveitar o preço mais alto e aumentar o caixa da empresa, acontece o efeito contrário, de reduzir a produção nacional de 95% para 75% do que somos capazes de produzir ,facilitando que empresas estrangeiras concorrentes da Petrobrás entrem no mercado nacional.

Neste mês foi anunciada a privatização de quatro refinarias (Rlam-Bahia, Refap-RS, Abreu e Lima –PE e Repar –Paraná).

Muda-se a politica de preçso da Petrobrás, reduz-se a produção nacional já instalada, aumenta-se as importações e anuncia-se a venda das refinarias já construídas pela Petrobrás.

Essa é a politica de abastecimento do governo Michel Temer, implementada por Pedro Parente, para justificar a privatização da Petrobrás.

Por uma politica de preço de derivados de petróleo com foco no desenvolvimento nacional!

Apoiamos a paralização dos caminhoneiros contra o aumento do diesel.

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Publicação de: Viomundo

Maister da Silva: Cuidado com os León Vilarín

León Vilarín, o espectro que paira sobre o Brasil

por Maister F. da Silva*, via Facebook

Aos desavisados, León Vilarín foi um notório agente da CIA que atuou fortemente nos desdobramentos políticos que levaram à derrubada do governo e ao assassinato do Presidente do Chile, Salvador Allende, em 1972.

Formado para atuar como “líder sindical”, Vilarín desempenhou papel determinante como a principal liderança dos caminhoneiros chilenos que deflagraram uma greve sem precedentes.

Com o apoio do setor industrial e logístico, da classe média irritada com a agenda progressista de Allende, e o sustentáculo de milhões de dólares dos EUA, os caminhoneiros cruzaram os braços, paralisaram a indústria – com seu consentimento – e causaram o desabastecimento do combustível, de gêneros alimentícios e de itens de primeira necessidade.

Foi a pá de cal necessária para os militares darem o golpe.

A breve citação histórica serve para ilustrar os próximos capítulos, que estão em aberto, da greve dos caminhoneiros no Brasil.

Sabendo que mais de 60% do transporte de cargas do país é feita por caminhões, nada mais justo que a categoria se organize e reivindique o controle dos preços dos combustíveis, hoje regulado conforme os sabores do mercado, diga-se de passagem atendendo indiretamente à reivindicação da mesma categoria que outrora, num passado não muito distante, protestou exigindo a retirada de um governo que controlava os preços dos combustíveis e criou inúmeras linhas de crédito para que muitos desses caminhões hoje possam cruzar as BR’s do país de norte a sul e leste a oeste.

O preço que os caminhoneiros pagam hoje, não é privilégio só deles, outras categorias estão pagando na mesma moeda, são os famosos patos amarelos.

O cenário enfrentado agora, não é o mesmo do Chile de 1972, tampouco o de 2015.

Não vivemos tempos áureos de políticas progressistas, no entanto a categoria caminhoneira, sem uma entidade de classe forte que possa impor aos patrões e aos interesses corporativos da classe média pautas que avancem além do preço do diesel – como direitos trabalhistas, melhoria da malha ferroviária causadora de mortes por acidentes – e, sabedores da força que tem temas de relevo que beneficiem a sociedade como um todo, possam ganhar o respaldo e encontrar acolhimento no seio da sociedade.

Sem isso, são centenas/milhares de trabalhadores parados, esperando o patronato ser atendido para voltar ao trabalho 12, 14, 16 horas diárias, com sensação de dever cumprido e a certeza infame de que foram vitoriosos.

León Vilarín foi um títere consciente nas mãos do departamento de estado norte-americano.

Aqui os interesses são outros, não há por que os patrocinadores e mandantes da greve exigirem a derrubada de um governo que até então lhes atende fraternalmente.

O “X” da questão é que em ano eleitoral, com os ânimos à flor da pele e a sociedade aberta a abraçar as pautas mais conservadoras como está, tudo é perigoso e deve ser observado com muito cuidado.

Relembremos como a greve enfrentada na gestão Dilma teve um conteúdo político, planejado para desestabilização do governo.

De lá para cá os problemas só pioraram.

É importante fazer esse contexto histórico e estar atentos aos próximos capítulos, para que não tenhamos mais nenhum León Vilarín caminhando pela nossa América Latina.

*Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores

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Publicação de: Viomundo

Centrais anunciam apoio à greve dos caminhoneiros

Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

CTB, CUT e Força Sindical apoiam greve dos caminhoneiros

do Vermelho

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) engrossa as fileiras da greve dos caminhoneiros que entra no terceiro dia consecutivo protestando contra a política de Michel Temer que resultou em aumentos sucessivos no diesel.

O presidente da CTB-RS Guiomar Vidor afirmou, em entrevista ao portal CTB, que a central apoia o movimento dos caminhoneiros porque o governo golpista de Michel Temer faz uma política de aumento dos combustíveis para agradar as multinacionais que entraram no mercado petrolífero brasileiro e para privatizar a Petrobras.

A CUT divulgou nota em que afirma : “Os aumentos nos preços dos combustíveis tornam inviáveis ao trabalhador caminhoneiro prover o seu sustento e da sua família, já que o valor do frete não cobre os reajustes diários e diminui o valor do salário dele. E não são apenas os caminhoneiros que sofrem. Trabalhadores do setor de transporte e a população como um todo arcam com as consequências desses aumentos, que refletem ainda nos preços do gás, no pão e em outros itens da cesta básica”.

Em Catalão (GO), o Sindicato dos Metalúrgicos local, filiado à Força Sindical, prestou solidariedade ao movimento grevista.

O presidente da entidade, Carlos Albino, afirmou à reportagem da Agência Sindical que no centro da cidade há 700 caminhões parados.

“Nossa categoria apoia os caminhoneiros. Essa situação não pode continuar. Foram cinco aumentos de combustível em uma semana”, criticou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou pelas redes sociais que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) será zerada.

Esse tributo incide sobre o preço do diesel.

Por outro lado a greve começa a produzir impacto no abastecimento no Sudeste.

No Estado de São Paulo postos de gasolina podem ficar sem combustível e os estoques de frutas, legumes e verduras nos mercados estão acabando.

Em Curitiba haverá redução na frota do transporte coletivo devido à falta de combustível.

O serviço dos Correios e também os vôos aéreos podem ser impactados pela greve.

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Engenheiros da Petrobrás denunciam política de preços de Temer e Parente

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Publicação de: Viomundo

Engenheiros da Petrobrás denunciam Temer e Parente: política de preços beneficia os Estados Unidos

Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nota sobre a política de preços da Petrobrás

da Associação dos Engenheiros da Petrobrás

A AEPET reafirma o que foi expresso no Editorial Política de preços de Temer e Parente é America First!, de dezembro de 2017.

A Petrobrás adotou nova política de preços dos combustíveis, desde outubro de 2016.

A partir de então, foram praticados preços mais altos, que viabilizaram a importação por concorrentes.

A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada.

A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes.

A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6.

O diesel importado dos EUA,, que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil.

Ganharam os produtores norte-americanos, os traders multinacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil.

Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobrás, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação.

Batizamos essa política de America first! , Os Estados Unidos primeiro!

Diante da greve dos caminhoneiros assistimos, lemos e ouvimos, repetidamente na “grande mídia”, a falácia de que a mudança da política de preços da Petrobrás ameaçaria sua capacidade empresarial.

Esclarecemos à sociedade que a mudança na política de preços, com a redução dos preços no mercado interno, tem o potencial de melhorar o desempenho corporativo, ou de ser neutra, caso a redução dos preços nas refinarias seja significativa, na medida em que a Petrobrás pode recuperar o mercado entregue aos concorrentes por meio da atual política de preços.

Além da recuperação do mercado perdido, o tamanho do mercado tende a se expandir, porque a demanda se aquece com preços mais baixos.

A atual direção da Petrobrás divulgou que foram realizados ajustes na política de preços com o objetivo de recuperar mercado, mas até aqui não foram efetivos.

A própria companhia reconhece nos seus balanços trimestrais o prejuízo na geração de caixa decorrente da política adotada.

Outra falácia repetida 24 horas por dia diz respeito a suposta “quebra da Petrobrás” em consequência dos subsídios concedidos entre 2011 e 2014.

A verdade é que a geração de caixa da companhia neste período foi pujante, sempre superior aos US$ 25 bilhões, e compatível com o desempenho empresarial histórico.

Geração operacional de caixa, US$ bilhões: 2011, 33,03; 2012, 27,04; 2013, 26,03; 2014, 26,60; 2015, 25,90; 2016, 26,10 e 2017, 27,11.

A Petrobrás é uma empresa estatal e existe para contribuir com o desenvolvimento do país e para abastecer nosso mercado aos menores custos possíveis.

A maioria da população quer que a Petrobrás atue em favor dos seus legítimos interesses, enquanto especuladores do mercado querem maximizar seus lucros de curto prazo.

Nossa Associação se solidariza com os consumidores brasileiros e afirma que é perfeitamente compatível ter a Petrobrás forte, a serviço do Brasil e preços dos combustíveis mais baixos e condizentes com a capacidade de compra dos brasileiros.

Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET)

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Publicação de: Viomundo

Alunos ocupam PUC-SP pela efetivação de docente negra e denunciam racismo acadêmico


Discriminação

Desrespeito a cotas na contratação de professores é recorrente na graduação e pós graduação das universidades

Camila Salmazio |
Desde segunda-feira, alunos bloqueiam o corredor das salas onde é ministrado o curso de serviço social na PUC-SP Foto: alunos PUC-SP

Desde terça-feira (22), alunos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) ocupam dois prédios no campus Perdizes, na zona oeste da capital paulista, para garantir a contratação efetiva da professora Márcia Eurico e pelo cumprimento das cotas raciais entre os docentes da graduação e da pós-graduação na universidade.

No curso de serviço social PUC-SP, Márcia é a única negra entre 11 docentes, e hoje ocupa o cargo de forma provisória, em substituição a outra professora que está afastada por questões médicas.

“Não posso pensar num curso de serviço social, onde a maioria das pessoas que são atendidas são negras, e não se discute raça”, expressa Naomi Quirino, estudante do curso de Relações Internacionais e a única negra da sala que tem cerca de 60 alunos. Ela é uma das estudantes que permanece mobilizada em defesa de uma universidade antirracista.

A efetivação de negros e negras no corpo docente é uma ação afirmativa que traria mais pluralidade para a universidade que tem, historicamente, a presença apenas de brancos. Essa é a avaliação de Maria Gabriela, estudante do serviço social e uma das representantes da ocupação. 

“A representatividade e a permanência de docentes negros é muito importante porque eles precisam desse espaço e a gente sabe que eles são tão capacitados quanto os docentes brancos, que são predominantes em todas as universidades.” 

Alunos que ocupam os prédios da PUC-SP evidenciam o racismo na instituição de ensino através de cartazes. Foto: Divulgação.

Problema recorrente

O caso da PUC-SP não é um episódio isolado na comunidade acadêmica. O professor Denis Oliveira, chefe do Departamento do Jornalismo da USP, é um dos únicos negros a ocupar esse cargo entre as universidades brasileiras. Ele ressalta que a maioria dos processos seletivos de docentes na graduação e pós-graduação é feito pelos próprios professores, o que evidencia as raízes do racismo na estrutura acadêmica. 

“Há uma dificuldade muito grande até agora de implantar as cotas raciais na pós-graduação, porque a seleção para ingresso é feita pelo próprio corpo docente do programa de pós. Ele que elabora a prova, o corpo docente que faz as entrevistas, a seleção. O mesmo acontece em concursos públicos para docentes, tanto que as bancas de seleção são formadas por professores da universidade ou externos. Aí você já está evidenciando justamento o preconceito e o racismo no corpo docente”, conta.

Em 2014, o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT) sancionou a lei 12.990, que estabelece 20% das vagas em concursos públicos para profissionais negros. No último concurso para docentes da UFRJ, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, realizado em maio desse ano, a lei de cotas foi burlada através de uma resolução interna da própria universidade.

O concurso era destinado a preencher três vagas no Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, mas nenhuma delas foi ocupada por negros ou negras, mesmo com a presença desses profissionais no processo seletivo.

“O caso do Rio de Janeiro é ilustrativo. Mesmo tendo uma norma, uma lei, a banca se sentiu tranquila para poder desobedecer. Como há uma resistência muito forte no campo acadêmico e intelectual em admitir que há preconceito e racismo, e admitir, inclusive, ter que abrir mão dos privilégios”, destaca Oliveira.

Outro lado

Em nota a PUC-SP afirmou que “reconhece a necessidade de diversificação e mudança do perfil do quadro docente da Universidade” e que está em fase de elaboração de uma política étnico-racial para a contratação de professores. 

Em relação à contratação efetiva da professora Márcia Eurico, a Reitoria da PUC-SP informou que a decisão cabe aos Departamentos de Fundamentos do Serviço Social e de Política Social e Gestão Social, de acordo com o que está previsto no Estatuto da Universidade, e que espera que o caso chegue à melhor conclusão.

Publicação de: Brasil de Fato – Blog

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