A estrada no caminho da preservação do mico leão dourado

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Publicação de: Viomundo

Inspirado na “revolução” de 64, defensor do Sulito diz que separatismo armado é possibilidade

Da Redação

Ele se apresenta como filósofo. Foi um dos fundadores do movimento O Sul é Meu País. Agora é secretário geral do Gesul, Grupo de Estudos do Sul.

Nas redes sociais, reagiu ao turbilhão de memes que acompanhou o surgimento do Sulito, um primo pobre do Dollynho:

Mas de onde saiu tudo isso? Por que viralizou desta forma? As respostas são diretas e sem frescuras ou devaneios. A compatriota Aline Freitas (nossa querida “Nana”), juntamente com outros ativistas da Causa no Rio Grande, entre eles, Douglas Aimoré, Everaldo de Oliveira e Luiz Antônio Medeiros, que criaram o “Sulito” o fizeram da maneira mais amadora possível (no bom  sentido) e com as melhores intenções práticas imaginadas. Queriam apenas divulgar a proposta do nosso Plebisul 2017 que vai consultar no mínimo 1 milhão de eleitores do Sul no próximo dia 7 de outubro de 2017 para saber se querem ou não continuar fazendo parte do Brasil. Por este motivo não preocuparam-se em dar-lhe qualquer ar sofisticado ou de profissionalismo gráfico. Foi isso. Ponto.

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Ele acrescenta que, apesar do deboche, espera que a causa tenha se fortalecido:

A nós dos três continentes meridionais resta-nos erguer a cabeça e seguirmos felizes como Povo e Nação Sulista que tem orgulho e sentimento de pertença. Não queremos mais ser parte disso que querem que continue Brasil. O “Sulito” com calça ou sem calça deu o start necessário a discussão do que queremos para o futuro do nosso Povo. Nós do Movimento O Sul é o Meu País não temos dúvida: mais de 95% da população dos três estados quer transformar o Sul em um país. E vamos provar isso dia 7 de outubro próximo. Parabéns aos compatriotas pela sua criação, mesmo que ela não tenha sido feita para gerar esta celeuma toda. Certamente vamos pensar daqui por diante em ter um mascote oficial para o Movimento. Independente destas discussões superficiais, acreditemos na verdade de que a proposta do Povo Sulista, ao longo destes 25 anos de luta, conquistou o direito de ser levada a sério. Apesar de alguns do “país vizinho” gostarem de transformar tudo em uma piada com cunho sexual.

Deucher, que é morador de Brusque, em Santa Catarina, admite que a proposta que ele propaga é formalmente ilegal.

Numa entrevista à TV Cidade, de Joinville, em 2016, foi perguntado a ele: Existe alguma maneira legal, prevista na Constituição, de proceder essa separação sem que seja pelas armas, pelo conflito, pela ruptura?

Resposta: Não, não existe. O Brasil é indivisível e entre as cláusulas pétreas que existem, a federação ela se tornou cláusula pétrea. Vamos ter um pouco mais de dificuldade para derrubar ela. Pra derrubar uma cláusula pétrea você tem de ter uma revolução armada ou uma revolução pacífica. A Revolução de 64 derrubou nove cláusulas pétreas numa paulada só sem derramar uma gota de sangue.

Na mesma entrevista, Deucher afirmou que o modelo para o Sul pós separação é a Suiça.

Porém, num debate posterior travado num programa local do SBT, o cientista político Elton de Oliveira lembrou que o Sul, notadamente o Rio Grande do Sul, está economicamente quebrado.

Ele foi precedido pelo notório Luiz Carlos Prates, que previu “muito sangue derramado” em torno da questão. Prates, anteriormente, havia dito que o Sul não estava moralmente preparado para a separação — seja lá o que isso signifique.

É o mesmo ser que, quando militava na RBS, a afiliada da TV Globo no Sul, disse em comentário que “qualquer miserável pode ter carro” no Brasil, o que lhe rendeu demissão.

Prates também provocou polêmica quando, já no SBT, afirmou sobre o piloto que atirou um avião contra montanha na Europa:

“Ele não tem que ser chorado. Ele tem que ser execrado. E que o demônio o receba de braços abertos. (…) O depressivo não tem que ser acarinhado, ele tem que ser duramente tocado nas suas verdades, porque ele é um covarde existencial. Nada de pena, mas até de desprezo, se for o caso.”

Demitido por causa da declaração, ele foi recontratado pelo SBT meses depois.

Nestas polêmicas tão caras às redes sociais, o que mais chama a atenção é a quantidade de direitistas reacionários que cavaram nichos em concessões públicas de TV no Brasil para promover suas teses desmioladas.

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Publicação de: Viomundo

Pimenta, exclusivo: “Temer é o chefe da quadrilha; Geddel e Derziê não foram sequer levados coercitivamente para depor porque se falarem, Temer cai”

temer chefe 2Da esquerda para direita: Paulo Pimenta, Michel Temer e Padilha, Moreira Franco e Eduardo Cunha,  Roberto Derziê, Lúcio Funaro, Geddel Vieira de Lima e Fábio Cleto

por Conceição Lemes

10 de dezembro de 2015. Fábio Cleto, recém-exonerado da vice-presidência da Caixa Econômica Federal pela presidenta Dilma Rousseff, é preso na Operação Catilinárias, uma das etapas da Lava Jato.

Cleto faz acordo de delação premiada e afirma que o doleiro Lúcio Bolonha Funaro e o então deputado federal e presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), comandavam o esquema de cobrança de propinas de empresas interessadas em obter empréstimos do Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS).

Diz também que, embora tivesse o poder de indicar os projetos nos quais a Caixa deveria investir, suas decisões, na verdade, se pautavam pela conveniência de Cunha.

Em dezembro de 2015, a Catilinárias cumpre também mandado de busca e apreensão na residência oficial e no gabinete de Eduardo Cunha.

Em 1º de julho de 2016, Funaro é preso. Em 19 de outubro, Cunha também.

13 de janeiro de 2017, sexta-feira passada. Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) é alvo da Operação Cui Bono?, deflagrada pela Polícia Federal, que faz busca e apreensão em imóveis do ex-ministro na Bahia.

Geddel deixou a Secretaria de Governo de Michel Temer em 25 de novembro de 2016, acusado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de fazer pressão para a liberação de um empreendimento imobiliário em Salvador, no qual tinha apartamento.

A Operação Cui Bono? (“a quem beneficia?”, em latim) é um desdobramento da Catilinárias, realizada em dezembro de 2015. Na época, a PF apreendeu um celular em desuso na casa de Cunha que, após ser periciado, acabou por revelar o esquema de fraudes na Caixa.

O aparelho continha intensa troca de mensagens eletrônicas entre Cunha e Geddel, que era vice-presidente da Caixa Econômica Federal de Pessoa Jurídica entre 2011 e 2013.

Relatório da Polícia Federal aponta que Geddel atuava “em prévio e harmônico ajuste” com Cunha, para facilitar a liberação de empréstimos da Caixa Econômica Federal a empresas e, em troca, receber propina.

Relatório da Polícia Federal da Operação Cui Bono? cita outro aliado de Michel Temer: o atual vice-presidente de governo da Caixa, Roberto Derziê de Sant´Anna.

Ele é apontado como participante do esquema de concessão de financiamentos do banco que funcionava mediante pagamento de propinas.

Derziê aparece na parte do relatório que detalha a operação para a liberação de um crédito de R$ 50 milhões para a empresa Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários, vinculada ao grupo Comporte Participações. O Comporte pertence à família Constantino, controladora da Gol Linhas Aéreas.

Detalhe: embora Geddel e Derziê sejam muito próximos de Michel Temer, a mídia se comporta como se o presidente não tivesse nada a ver com eles.

Conversei com o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) a respeito. Confira a entrevista exclusiva:

Viomundo – Por que essa blindagem?

Paulo Pimenta — Essa operação [Cui Bono?, que fez busca e apreensão nos imóveis de Geddel] chega direto no Temer, ele é o chefe da quadrilha.

Viomundo – Em que o senhor se baseia para fazer essa afirmação?

Paulo Pimenta – Dois episódios demonstram isso. No celular apreendido na casa do Eduardo Cunha em dezembro de 2015, tem uma conversa entre o Funaro (codinome Lucky), que era o operador de Cunha, e Fábio Cleto (codinome Gordon Gekko) sobre o Geddel.

O Funaro reclama que não aguentava mais o Geddel, pedindo dinheiro. Lá pelas tantas, o Funaro fala: se o Geddel não parasse, “vou foder ele com o Michel”.

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É tal quando você pega uma criança fazendo algo errado e ameaça: “vou contar para o teu pai”.

Ou, quando se quer pressionar uma pessoa, você se refere sempre a alguém superior a ela.

Então a maneira que eles tinham de pressionar o Geddel para pedir menos dinheiro, era ameaçá-lo de contar tudo ao Temer.

Na apreensão da última sexta-feira, surge outra situação envolvendo uma polêmica com o Geddel. E de novo a inferência é a mesma. Se ele não parar, nós vamos ao Temer. No primeiro caso, era sobre o FGTS. Agora, é sobre empréstimos na Caixa Econômica, da qual Geddel foi vice-presidente de pessoa jurídica de 2011 a 2013.

Então, são duas operações, onde há referências expressas do Funaro que demonstram que o Temer é o chefe. Do meu ponto de vista, a simples análise das transcrições da Polícia Federal já demonstra isso.

Viomundo – É suficiente para dizer que o Temer é o chefe?

Paulo Pimenta – Se isso não é suficiente, vamos ao seguinte. No relatório da Polícia Federal sobre a Operação Cui Bono? aparece o nome do Roberto Derziê de San´Anna, atual vice-presidente de governo da Caixa.

O Derziê surgiu trabalhando com o Moreira Franco (PMDB-RJ). Depois, foi alçado a uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal.

Quando Dilma convidou Temer [em 2015, era vice-presidente] para ir para a SRI [Secretaria de Relações Institucionais], ele levou o Roberto Derziê, para ser o secretário-executivo.

Como o Temer acumulava a vice-presidência com a SRI, na prática, era o Derziê quem fazia toda a relação com os deputados, senadores, liberação de emendas.

Quando Temer sai da SRI, o Geddel é exonerado da Caixa, quem é colocado de volta?

É o Derziê, no lugar do Geddel.

Então, o Derziê trabalhou com o Moreira Franco, com o Geddel e com o Eliseu Padilha (PMDB-RS) na SRI.

Quando o Temer assumiu, por que o Derziê não foi nomeado logo vice-presidente da Caixa?

Porque ele ficou até o final, foi demitido pela Dilma e ficou em quarentena. Por isso, ele só pode ser nomeado no final do 2016.

Ele volta para a Caixa para ocupar a vice-presidência de pessoa jurídica, que é justamente a que vai lidar com as empresas.

Viomundo – O que demonstra isso?

Paulo Pimenta — Seletividade. Com todas as informações que constam no relatório da PF, por que o Derziê não foi preso ou levado coercitivamente? Por que também o Geddel não foi preso nem levado coercitivamente para depor?

Afinal, eles não têm foro privilegiado e pessoas com muito menos envolvimento estão presas em Curitiba e Brasília.

Viomundo – Por quê?

Paulo Pimenta — É uma proteção da própria Justiça.

Se pegarem o Geddel ou o Derziê, automaticamente eles vão pegar o Temer.

Por que a mídia não pediu a cabeça do Geddel ou do Derziê?

Por que ninguém – inclusive a mídia — achou estranho o Geddel, a quem Funaro se refere sempre como “boca de jacaré”, não ter sido levado coercitivamente?

Qualquer um dos dois que for preso, vai abrir a boca, vai entregar.

E se falarem, o Temer cai.

Veja bem. Se eu, um deputado, tenho condições com as informações disponíveis de apresentar para ti esse caminho, imagina a Polícia Federal, a Lava Jato.

Viomundo – Tudo isso seria do conhecimento tanto da Polícia Federal quanto da Lava Jato?

Paulo Pimenta – Claro! Se eu, sem os instrumentos que eles têm, simplesmente me baseando nos relatórios, estou fazendo as conexões, é evidente que eles sabem. Tudo o que estou te dizendo aqui eles sabem: o Derzié é o elo da quadrilha, e o Temer o chefe.

Viomundo — Eles têm o potencial para serem um novo Cunha?

Paulo Pimenta — Não. O Cunha é outro esquema. O Geddel e o Derziê faziam a ponte do Temer com o Cunha.

Tem três grupos. Um grupo é o do Senado. Quem comandava a relação do Senado com o Temer era o Jucá [Romero Jucá, PMDB-RR] e o Eunício [Eunício Oliveira, PMDB-CE], mas principalmente o Jucá. O Renan [Renan Calheiros, PMSD-AL] corre em faixa própria.

O núcleo da Câmara era comandado pelo Eduardo Cunha.

O Geddel, o Moreira Franco e o Padilha se articulavam com os interesses desses dois grupos dentro do executivo. Eles já eram instrumentos do PMDB quando o Temer era vice-presidente. Vieram do PMDB com Temer para dentro do palácio.

Viomundo — O Temer comanda os três grupos?

Paulo Pimenta — Quem administrava esses três grupos dentro do PMDB era o Temer, que presidia o partido. O Padilha era presidente da Fundação Ulisses Guimarães. Jucá, o vice-presidente. O Renan era presidente do Senado e o Eduardo Cunha, o presidente da Câmara.

E o Temer administrava isso tudo. Garantia o Geddel num cargo importante. O Moreira Franco, noutro.

Quando ele vem para o núcleo do golpe, ele monta um núcleo com os três caras mais próximos dele: Moreira Franco, secretário especial, Padilha, chefe da Casa Civil e o Geddel, secretário-geral. Foi para esse núcleo que ele trouxe os grandes projetos de privatização.

Viomundo –O silêncio da mídia é mesmo para blindar o Temer?

Paulo Pimenta — Exatamente. Como se o Temer não tivesse nada a ver com esses caras. Se a PF tivesse um mínimo de coerência com a conduta que tem tido com situações muito menos graves, ela teria pelo menos levado coercitivamente para depor o Geddel e o Derziê.

Para mim é mais uma prova robusta da seletividade, da falta de critério e da utilização política do poder judiciário no projeto do golpe.

Da mesma forma que o STF sabia que se afastasse o Renan do Senado, desarranjaria o golpe. Eles sabem que se pegarem o Geddel ou o Derziê, eles avançam o sinal muito próximo ao temer.

Viomundo – Isso vale para a PF, Lava Jato, STF, MPF?

Paulo Pimenta — Claro, para o comando de todos os setores do Judiciário capturados pelo projeto do golpe.

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Boulos é preso pela PM ao tentar evitar conflito em desocupação violenta: “Prisão é ilegal e política”; veja vídeos

Vídeo do Brasil de Fato

Guilherme Boulos, do MTST, é preso pela PM em desocupação violenta na zona leste de SP

Movimento afirma que o coordenador tentava mediar uma solução que evitasse o conflito. Alegação da PM, de que participação de Boulos em protestos anteriores influencia prisão, revela ato político

por Redação RBA publicado 17/01/2017 

São Paulo – O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) Guilherme Boulos foi detido pela Polícia Militar na manhã de hoje (17), após ação de reintegração da Ocupação Colonial, na região de São Mateus, zona leste de São Paulo. A PM alegou desobediência para justificar a prisão. Arbitrariamente, também citou a participação de Boulos em atos contra o governo Temer.

“Temos horas de filmagens suas de outras manifestações e ocupações e sabemos que você é liderança, você está detido por desacato, obstrução da via, obstrução da justiça e incitação de violência”, disse um integrante da Tropa de Choque, em fala colhida pelo coletivo Jornalistas Livres. Ele foi levado ao 49º DP, onde presta depoimento.

Em nota, o MTST afirma ser “absurda” a detenção de Boulos, que tentava buscar uma solução que evitasse o conflito. “Foi uma detenção absolutamente ilegal. Ele estava na tentativa de interceder para evitar o conflito. O MTST não tem atuação na região. O Guilherme tentava apenas mediar. Nada mais”, diz Felipe Vono, advogado do MTST, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

As cerca de 700 famílias da Ocupação Colonial queriam o adiamento da reintegração para que pudessem ser inscritas em programas de habitação da prefeitura. Uma ação do Ministério Público que também pedia o adiamento foi ignorada pela PM, antes mesmo de ser apreciada pela Justiça.

“Não aceitaremos calados que além de massacrem o povo da ocupação Colonial, jogando-os nas ruas, ainda querem prender quem tentou o tempo todo e de forma pacífica ajuda-los”, diz o MTST, que também denuncia a perseguição política aos movimentos sociais.

A bancada do PT na Assembleia Legislativa emitiu nota de repúdio à violência policial determinada pelo governo Alckmin e à prisão arbitrária do líder do MTST. “Além de negar o direito constitucional à moradia o governo Alckmin patrocina cenas lamentáveis de violência, ataca e despeja nas ruas mais 700 famílias neste no momento de recessão e desemprego que assola o país, numa demonstração de insensibilidade com a situação da população carente”, diz a nota.

Ainda detido, Boulos afirma foi uma prisão política. “Foi uma prisão política, evidente. Alegaram incitação à violência. Eles despejam 700 famílias com violência, e eu que incitei?”, questiona o líder do MTST.

Vídeo do Jornalistas Livres mostra a resistência dos moradores que, com pedras, tentam conter o ataque da polícia, armada com bombas e balas de borracha e protegida por escudos.

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Publicação de: Viomundo

Boulos foi preso por exercer direito constitucional de desobedecer

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Os direitos fundamentais do homem e o próprio senso de humanidade se sobrepõem às letras de leis de proteção à propriedade privada. Esse conceito iluminista é pacificado entre a Comunidade das Nações.

À luz do caráter humanitário que deve permear qualquer sociedade civilizada, não se pode sobrepor o direito de propriedade a necessidades básicas de sobrevivência como alimentação ou moradia, conquanto a ocupação de tal propriedade não ameace a sobrevivência de seu detentor.

É nesse contexto que se insere a prisão do ativista humanitário Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

A Polícia de São Paulo prendeu nesta terça-feira (17) o coordenador nacional do MTST. Ele dava apoio às cerca de 700 famílias que foram alvo de reintegração de posse de um terreno em São Mateus, na zona leste da capital paulista, quando foi detido por “incitação à violência” e por “desobediência”.

No caso, a violência a que se refere a justificativa da polícia reside em cerca de três mil pessoas (entre homens, mulheres, crianças e idosos) não quererem sair de onde se abrigam à noite (querem que durmam até nas ruas, se não tiverem pra onde ir) sem ter um lugar definido para se abrigarem.

Note-se que o Ministério Público entrou na semana passada com pedido de suspensão da ação de reintegração de posse porque as famílias não foram cadastradas para outras áreas de destino. Ou seja, se fossem despejadas agora, não teriam para onde ir. Crianças, até mesmo bebês, idosos que mal podem andar, mulheres grávidas, enfermos, todos seriam jogados no meio da rua sem ter para onde ir.

Em qualquer país civilizado, isso seria uma tragédia, uma crise humanitária que mobilizaria aquela sociedade, que se embrenharia em socorrer tantas famílias. Notem: não são presidiários, não cometeram outro crime além de terem necessidades que suas condições financeiras não suportam.

O que fazer? Olhar para o lado e mandar que se danem, porque não é problema seu?

Essas pessoas ocuparam um terreno vazio, mantido como reserva de valor por seu proprietário. Não colocaram em risco a sobrevivência do proprietário do local em que se alojaram. É desumano jogar toda essa gente na rua. O Estado fazer isso é um crime de lesa-humanidade.

O pedido do MP para o governo do Estado de São Paulo achar um lugar para essas famílias antes de despejá-las foi negado na segunda-feira (16) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em julho do ano passado, o MP já tinha pedido o cadastramento das famílias, mas a justiça não aceitou. E, agora, a mesma Justiça manda jogar as 700 famílias no meio da rua.

Mas se você pensa que a situação é catastrófica, própria de uma ditadura cruel, saiba que agora ela vai piorar.  Um comandante do Choque que participava da reintegração citou o ato perto da casa do presidente Michel Temer, ano passado, para justificar a prisão de Boulos. Segundo esse comandante da PM, Boulos incorreu em “reincidência”.

Ano passado, o MTST fez atos públicos perto da casa do presidente Michel Temer, no Alto de Pinheiros (zona oeste de SP), contra a suspensão da construção de casas do Minha Casa, Minha Vida. Em um desses atos, a PM usou bombas de gás e balas de borracha para dispersar os sem teto.

Ainda de acordo com o coordenador nacional do MTST, ele teria sido o único detido de um grupo que tentava negociar, com o comando do Choque, os termos da reintegração –por exemplo, de que maneira as famílias retirariam os pertences da área reintegrada.

A PM se defende acusando as famílias de violência. Diz nota da PM:

“Após tentativa de negociação dos oficiais com as famílias, sem acordo, os moradores resistiram hostilizando os PMs, arremessando pedras, tijolos, rojões e montando três barricadas com fogo. Um policial militar ficou ferido de leve por uma bomba caseira e duas viaturas do Choque foram danificadas”.

Sem querer ser chato, vale lembrar que do outro lado havia soldados equipados com escudos, armaduras, capacetes, bombas de todos os tipos, metralhadoras, pistolas, helicópteros, blindados, enfim, um verdadeiro aparato de guerra.

A própria nota da PM fala em barricadas. Sim, essas pessoas não estavam atacando, estavam se defendendo. Há crianças, mulheres, idosos que vão ser jogados na rua, não vão ter como se alimentar, como dar banho numa criança, como amparar um idoso.

SÃO FAMÍLIAS, Ó DEUS DOS MISERÁVEIS!!

São famílias como as nossas, apesar da cor da pele muitas vezes ser mais escura, o cabelo menos sedoso, a escolaridade e a conta bancária inexistentes. Ninguém deixa de ser humano por falta de diploma ou de dinheiro.

Uma sociedade que joga FAMÍLIAS na miséria, sem amparo algum, só para garantir a reserva de patrimônio de alguém, não é sociedade, é uma horda de bárbaros. E depois, quando um adolescente de uma dessas famílias, faz uma besteira por puro desespero, vira “bandido” e, se não tiver muita sorte, acaba decapitado em alguma rebelião.

A Constituição Federal garante direitos mínimos aos brasileiros. Resistir a ser jogado na fome, no frio junto com seus filhos pequenos e/ou seus idosos (pai, mãe…) é, sim, um direito constitucional. Apoiar moralmente quem se defende também é um direito.

Criminalizar gente como Boulos e tantos outros líderes de movimentos como o MST ou MTST é prática antiga, mas eles representam a resistência da maioria do povo brasileiro, dessa gente humilde, mansa, desarticulada, a qual, muitas vezes, nem conhece seus direitos e é frequentemente usada como massa de manobra, elegendo políticos que a esmagam depois que vota neles, como está se vendo.

Prenderam Boulos por exercer o direito constitucional e humano de desobedecer ao arbítrio, à desumanidade.

E ainda prenderam por razões políticas, já que não há nenhuma lei que proíba alguém de se manifestar contra políticos e um dos argumentos usados para prender esse ativista é de que ele se manifestou contra Michel Temer.

Desobediência Civil já!

Publicação de: Blog da Cidadania

Secretário de Juventude de Temer assume falando em “construir”. Ele é acusado de receber sem trabalhar em município pobre do Maranhão

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As orientações do Presidente Michel Temer são claras: é papel e dever da SNJ criar espaços e caminhos para que a nossa juventude deixe de ser vista apenas como o Brasil do futuro. É a juventude que constrói e cada vez mais construirá o país de hoje, de agora. Programas como o ID Jovem; o Plano Nacional de StartUp; o Inova Jovem e tantos outros empoderam e dão subsídios para que a juventude brasileira lidere a transformação que levará nossa sociedade a um patamar superior, com mais conhecimento, capacitação e plenas oportunidades para que nós, jovens, possamos tomar as rédeas de nosso próprio futuro. Trecho da fala de Assis Filho, correligionário da família Sarney no Maranhão e novo secretário nacional de Juventude do governo Temer

Líder do PT aciona Comissão de Ética da Presidência e pede exoneração do Secretário de Juventude

Héber Carvalho, no PT na Câmara

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assisfilho padilha

O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), protocolou nesta segunda-feira (16) representação na Comissão de Ética da presidência da República contra Assis Filho, recém nomeado Secretário Nacional de Juventude do governo Temer, e o ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Zarattini pede a exoneração de Assis Filho – réu em uma ação de improbidade administrativa na justiça do Maranhão sob a acusação de ter sido funcionário “fantasma” na prefeitura de Pio XII – e ainda a análise da conduta de Eliseu Padilha, que permitiu a nomeação.

Filiado ao PMDB, o novo Secretário Nacional de Juventude é réu desde agosto do ano passado em uma Ação Civil Pública que acusa o então prefeito de Pio XII – Paulo Roberto Sousa Veloso – de manter irregularmente na folha de pagamento da prefeitura “diversos funcionários fantasmas”, entre eles Assis Filho. Segundo o Ministério Público do Maranhão, o esquema gerou um prejuízo de cerca de R$ 2,5 milhões ao erário municipal.

“O governo Temer tem reunido o que tem de pior na política ao trazer pessoas alinhadas aos seus interesses, sem observar o passado delas e o compromisso com a ética na vida pública. É lamentável que esteja ocorrendo isso, e só nos resta encaminhar essa representação a Comissão de Ética para tentarmos interromper essa prática que é comum no governo do Temer”, explicou Zarattini.

Na representação, o líder do PT destaca ainda que as acusações que pesam sobre o novo Secretário Nacional de Juventude “ferem princípios sensíveis da administração pública”, como o da “moralidade pública”. Zarattini diz ainda que a permanência de Assis Filho no cargo “é incompatível com os postulados éticos que devem balizar a atuação (do Secretário) junto a juventude nacional”.

Sobre o ministro da Casa Civil, o líder do PT solicita a análise da conduta de Eliseu Padilha por não ter adotado as “cautelas necessárias quando conduziu ao serviço público, alguém que não goza nesse momento da higidez ética que se espera para a função”.

Confusão – O jornalista Palmério Dória, em seu perfil no Facebook, acusou Assis Filho de ter organizado ataques aos eventos de lançamento do seu livro “Honoráveis bandidos” – sobre a vida política de José Sarney – no Maranhão, em 2010. “[Assis Filho] Comandou uma horda que invadiu o auditório da Universidade do Maranhão em 2010 e implodiu o lançamento de Honoráveis Bandidos em Imperatriz com apoio da PM e suas bombas de efeito imoral”, registrou o Dória.

“Foi a segunda agressão. A primeira aconteceu no Sindicato dos Bancários, em São Luís, poucos meses antes. A Noite das Cadeiradas e a invasão da Universidade pela Juventude Fascista de Sarney estão no Youtube. E Assis Filho agora é o homem de Temer para formar grupos de nazistas prontos a queimar livros em praça pública”, acrescentou o jornalista.

PS do Viomundo: Assis Filho é acusado de ter sido funcionário “fantasma” de Pio XII, no Maranhão, cidade cujo IDH é o de número 172 no estado, baixo. Dentre as atividades econômicas do município está a das quebradeiras de coco, que ralam duro para sobreviver. Ele é da cota do senador João Alberto (PMDB-MA), representante da oligarquia Sarney, e antes de assumir o novo cargo dirigia a EBC no Nordeste. Ou seja, tem o costume de mamar nas tetas do Estado.

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Publicação de: Viomundo

Entreguismo: Quando o mundo estuda gaseificação e sequestro de carbono do carvão, governo do RS considera vender jazida de R$ 200 bi por mixaria

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Que raio é carvão limpo? Esse nome esquisitão designa as técnicas de geração de eletricidade por usinas térmicas a carvão em que a emissão de CO2 é eliminada ou muito reduzida. Juntas, todas as termoelétricas emitem 25 bilhões de toneladas de gás carbônico todo ano, mas são importantes: “A economia das maiores potências do mundo depende da energia das termoelétricas”, afirma o economista Paul Joskow, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A curto e médio prazo, eliminá-las está fora de cogitação. Para acabar com o CO2, a estratégia considerada mais promissora consiste em mandar o gás (que não é tóxico, mas contribui para aumentar o efeito estufa) para depósitos naturais no subsolo. “Essa é a técnica mais promissora que conhecemos agora. Se usada em larga escala, ela poderia reduzir as emissões de gás carbônico em 10 bilhões de toneladas por ano”, diz Paul. Thiago Cordeiro, em texto da revista Superinteressante.

[…] o relatório diz que captura e o sequestro de carbono (CCS) é a tecnologia crítica que ajuda a reduzir significativamente as emissões de CO2, permitindo que o carvão seja utilizado para atender às necessidades crescentes de energia no mundo. Relatório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts sobre o futuro do carvão.

A queima de carvão fornece 70% da eletricidade consumida na China, comparados a 26% no Japão, 17% nos Estados Unidos, 12% no Reino Unido e 3,6% na França. Apenas em 2015, a China consumiu quatro bilhões de toneladas de carvão, mais que os Estados Unidos e a Europa ocidental juntos. Hong Kong Economic Journal, 06.01.2017.

Captura de Tela 2017-01-16 às 22.26.05Privatização da CRM pode entregar riqueza de R$ 200 bi por um terço de uma folha salarial

por Marco Weissheimer, no Sul21, em 16.01.2017

A intenção do governo José Ivo Sartori (PMDB) de privatizar a Companhia Riograndense de Mineração (CRM) caiu como uma bomba no município de Candiota, onde a empresa explora a maior jazida de carvão do país, com mais de 1 bilhão de toneladas do minério.

Cobiçada por empresas estatais do setor de energia de outros países, em especial da China, a estatal gaúcha pode acabar sendo vendida a preço de banana, sem que os recursos provenientes dessa venda resolvam o problema financeiro do Estado, advertem lideranças da comunidade.

O Sul21 foi a Candiota conversar com representantes do Sindicato dos Mineiros e da Prefeitura do Município sobre o presente e o futuro da exploração de carvão na região, e também sobre as implicações de uma possível venda da empresa.

Tanto o Sindicato dos Mineiros como a Prefeitura são contrários à proposta de privatização e alertam que ela pode significar uma entrega de patrimônio e de riqueza com conseqüências nefastas para o desenvolvimento de todo o Estado. A direção da CRM também foi procurada, mas não pode receber o Sul21 por “motivo de agenda”.

A proposta de privatização da CRM mexe em raízes profundas no Estado. A história da CRM remonta a 1947, quando foi criado o Departamento Autônomo de Carvão Mineral (DACM) com o objetivo principal de explorar e beneficiar o carvão para abastecer a Viação Férrea do Rio Grande do Sul.

Em 1969, o DACM transformou-se na CRM, uma sociedade de economista mista vinculada à Secretaria de Minas e Energia do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

No auge, a empresa chegou a ter cerca de 3 mil empregados, trabalhando na exploração de carvão nas regiões de Charqueadas, São Jerônimo e Candiota.

A partir do processo de diminuição do parque de usinas térmicas no Brasil, ela começou a ser reduzida.

Hoje, a CRM tem cerca de 440 funcionários, atuando basicamente em Candiota. As unidades de Charqueadas e São Jerônimo foram fechadas.

A unidade de Minas do Leão, que chegou a ter 1.500 trabalhadores, tem hoje apenas 38 funcionários que cuidam da regeneração do passivo ambiental que ainda resta e de alguns trabalhos de manutenção.

A questão ambiental

Para além das escolhas de política energética em nível nacional, a questão ambiental tornou-se um problema para a indústria do carvão.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Mineiros de Candiota, Wagner Lopes Pinto, os acordos do clima, para a redução de gases de efeito estufa, firmados recentemente pelo Brasil, contribuíram para o desmonte do parque de usinas térmicas no Brasil.

“O Brasil se comprometeu a reduzir em 42% a emissão de CO2 na atmosfera, enquanto alguns países desenvolvidos se recusaram sequer a assinar esse acordo. Enquanto a China, que hoje tenta se instalar em Candiota e em toda essa região com planos de conquistar o monopólio no setor energético, tem quase 90% de sua matriz energética baseada no carvão, esse índice no Brasil é de 2,6%. Aqui em Candiota, nós temos a maior reserva de carvão do país e a matriz energética do Estado é apenas 0,9% baseada no carvão”, assinala.

Para ilustrar as dificuldades do setor, Wagner Lopes Pinto lembra que, em São Luiz (MA), foram construídas duas usinas termoelétricas que utilizam carvão colombiano, pagando cerca de dez vezes mais pela tonelada do carvão.

“Por que não fazer essas usinas, instaladas no Maranhão, aqui em Candiota, na boca da mina? Nós já temos uma rede interligada em todo o país. Você joga a energia no sistema e ela estaria lá no Maranhão. Se as reservas de Candiota estivessem em São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais, já haveria no mínimo dez usinas em torno. Ao invés disso, temos aqui apenas uma usina que só não foi desativada ainda porque está na ponta da rede e tem uma função de equilibrar o sistema”, diz o sindicalista.

Questionado sobre o impacto ambiental e na saúde dos trabalhadores da exploração das jazidas de carvão na região de Candiota, o presidente do Sindicato dos Mineiros defende a necessidade de fiscalização, mas diz que não há nenhuma comprovação de impacto negativo. “Sobre a saúde nós não conseguimos comprovar nada. Meu pai, que hoje está aposentado e vendendo saúde, tem 87 anos e trabalhou 35 anos dentro da mina. Aqui do lado do sindicato nós temos um senhor com 98 anos de idade, que também trabalhou muito tempo na mina”.

“Alemanha desativou usinas nucleares e voltou a construir termelétricas”

Wagner Lopes reconhece que o fato de a mina ser a céu aberto pode ter contribuído para isso. Ele admite também que a exploração do carvão tem impacto ambiental.

“Toda atividade humana tem impacto ambiental, desde construir uma casa. Nós defendemos a fiscalização e respeito à natureza. Não queremos que sejam abertas minas que destruam o meio ambiente. Mas acreditamos que há condições de compatibilizar as duas coisas, a mineração e o respeito ao meio ambiente. Nós temos a Alemanha como um exemplo de país civilizado e cuidadoso com o meio ambiente. Após o acidente em Fukushima, no Japão, os alemães decidiram desativar suas usinas nucleares, construíram 13 usinas a carvão e há mais 10 que estão sendo construídas. Estão saindo de 18% para 68% de presença de termelétricas em sua matriz energética. A Itália também está aumentando drasticamente o número de usinas termelétricas”.

Na mesma linha, o diretor financeiro do Sindicato dos Mineiros, Hermelindo da Trindade, destaca que há uma nova geração de usinas termelétricas, com um processo diferenciado de queima do carvão, baseado na tecnologia dos leitos fluidizados, com uma redução expressiva na emissão de partículas sólidas e de gases na atmosfera.

Um exemplo desse modelo, segundo ele, é a Usina Termelétrica Pampa Sul, que está sendo construída na localidade de Seival, em Candiota, pelo grupo Engie (antiga Tractebel), com tecnologia chinesa e uma capacidade de geração de energia de 340 megawatts.

O prefeito de Candiota, Adriano Castro dos Santos (PT), também rejeita os argumentos que apontam a questão ambiental como uma razão para não investir mais na exploração do carvão.

“Vocês estão aqui em Candiota hoje, na frente da Prefeitura, há três quilômetros da usina que está lá funcionando. Às vezes, a imprensa publica aquelas fotos de fumaça preta para falar da poluição. Mas nós estamos aqui num lugar totalmente agradável. Temos cinco medidores de qualidade do ar espalhados pela cidade e nunca tivemos nenhum problema. Os índices são sempre regulares e chegam a ser 70% menores do que os verificados em Porto Alegre”, destaca o prefeito.

“Carvão de Candiota é um dos mais baratos do mundo”

O presidente do Sindicato dos Mineiros aponta outros dois fatos que ele considera um ponto positivo das usinas termelétricas: a estabilidade das mesmas e o preço.

“Elas são as únicas usinas estáveis. Pode estar chovendo, pode ter seca, pode ficar dez anos sem chover. O carvão está ali para abastecer a usina e produzir energia. A energia térmica pode ser gerada em qualquer tempo”.

Sobre o preço, Wagner Lopes assinala que o carvão de Candiota é um dos mais baratos do mundo em função da facilidade para sua extração.

“É um carvão de baixa cobertura que está, em média, a 15 metros de profundidade. Enquanto lá no Maranhão, o carvão que vem da Colômbia chega a custar 240 dólares, aqui na usina de Candiota, ele custa 43 reais a tonelada. O nosso megawatt é colocado na rede a 159 reais. O megawatt da energia eólica chega a 180 reais. A usina de Uruguaiana funciona a base de gás que vem da Bolívia passa pela Argentina até chegar ao Brasil. O megawatt, neste caso, chega a 1.200 reais. Essa energia é cara”.

O Brasil, acrescenta Wagner Lopes, tem um contrato com o Uruguai e deveria estar entregando energia desde 2014, o que até hoje não ocorreu.

“O Estado do Rio Grande do Sul importa cerca de 80% da energia que consome. A distribuição da energia gerada pela usina de Candiota, que é feita pela CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) é 17% mais barata. Isso mostra que se o setor for bem administrado e a política for séria, temos um grande potencial para ser desenvolvido”.

“Privatização é entrega de patrimônio público inaceitável”

O presidente do Sindicato dos Mineiros de Candiota considera a intenção do governo José Ivo Sartori de vender a CRM uma entrega de patrimônio público inaceitável.

A jazida de Candiota é a maior do país, com mais de 1 bilhão de toneladas (sem contar o que ainda não foi medido). Wagner Lopes estima que a riqueza dessa única jazida, a preços atuais, supera a casa dos R$ 200 bilhões.

“Nos últimos quatro anos, a CRM colocou mais de R$ 60 milhões no caixa único do Estado e fez investimentos de R$ 137 milhões, com recursos próprios, sem recorrer a financiamentos bancários. Fala-se agora em vender a CRM por 400 ou 500 milhões. Quem comprar, controlará uma riqueza de mais de R$ 200 bilhões. É um baita negócio para quem comprar e um péssimo negócio para o Estado. O que o governo vai fazer com esse dinheiro? Pagar um terço da folha de pagamento de um mês? (a folha de dezembro de 2016 foi estimada em R$ 1,41 bilhão). Vai abrir mão de uma riqueza de R$ 200 bilhões para isso?

O sindicalista também defende a manutenção do caráter público da empresa em função do papel que ela cumpre em uma das regiões mais empobrecidas do Estado, onde há poucas indústrias e ofertas de emprego. Além de Rio Grande, que possui um polo naval que também atravessa uma crise, Candiota possui uma das poucas grandes indústrias na metade sul do Estado.

As perspectivas da gaseificação do carvão

Outra possibilidade de futuro para o Estado, com a manutenção da CRM pública, é o desenvolvimento da tecnologia de gaseificação do carvão, observa ainda o presidente do Sindicato dos Mineiros.

Por meio deste processo de transformação, é possível extrair um gás do carvão (syngas).

Esse gás pode ser utilizado diretamente como combustível, com queima direta em motores alternativos e turbinas para geração de energia elétrica ou ser disponibilizado como matéria-prima estratégica para diversas aplicações industriais.

Em maio de 2014, governo gaúcho, a empresa norte-americana Synthesis Energy Systems e sua representante, Vamtec S/A, assinaram um memorando de entendimento para a realização de estudo de viabilidade técnica, econômico-financeira e ambiental voltado à implantação de uma usina de gaseificação de carvão na região de Candiota.

“Esse processo agrega dez vezes mais valor ao carvão, podendo resultar também na produção de ureia, etanol e outros produtos. Poderíamos criar um complexo carboquímico aqui em Candiota. A Cientec (Fundação de Ciência e Tecnologia – uma das fundações que está sendo extinta pelo governo Sartori) tem um trabalho bem adiantado de pesquisa nesta área e já conseguiu montar algumas plantas para gaseificação do carvão. Na Unipampa, em Bagé, há três professores que também conseguiram desenvolver esse processo, chegando a montar um gaseificador. Já tempos, portanto, tecnologia disponível para avançar nesta área”, diz Wagner Lopes.

Localizado próximo à fronteira com o Uruguai, na metade sul do Estado, o município de Candiota tem sua história ligada ao carvão. Embalada pela riqueza potencial representada pelo minério, a cidade quer romper o ciclo de pobreza e decadência econômica que afeta boa parte do sul do Estado.

“O surgimento do município de Candiota se deu em torno do carvão. As terras aqui começaram a ser desapropriadas em 1962 para a antiga Rede Ferroviária Federal. Na época, a idéia era promover a eletrificação da rede ferroviária por meio do carvão. Durante as medições feitas nesta época, descobriu-se que Candiota tinha muito carvão a céu aberto”, conta o advogado Adriano Castro dos Santos, novo prefeito do município, eleito em 2016.

“De lá para cá, a vida do município se transformou. Hoje temos o complexo termelétrico de Candiota, já com três fases, com um potencial ainda maior se houver investimento, e a CRM, que hoje é detentora da maior malha de carvão da nossa região”, assinala.

O município de Candiota vive hoje em torno dessas empresas. Cerca de 80% dos impostos arrecadados pela Prefeitura vem da CRM e da CGTE (Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica).

O prefeito Adriano Castro dos Santos manifesta preocupação com a proposta de privatização da CRM, pelo impacto social negativo que isso poderia causar.

“Temos mais de 900 famílias que vivem em torno do carvão. Teríamos 900 famílias desempregadas, pessoas que conhecem como ninguém essa região e sabem do potencial do nosso carvão que é o carro chefe do desenvolvimento do nosso município. Se ele for utilizado de forma correta, sem agredir o meio ambiente, nós temos condições de ajudar no desenvolvimento do país. Aqui em Candiota nós temos o pré-sal do carvão”, destaca.

Questionado sobre se essa analogia não é um exagero, ele responde negativamente.

“Não é um exagero. A gaseificação do carvão é o próximo passo. Já temos tecnologia testada para dar esse passo. O nosso carvão foi mandado para a China para ser testado e a nossa cinza, que tem um grande potencial cerâmico para a construção civil, foi enviada para a Europa. Hoje, essa cinza já é utilizada para a produção de cimento. Só precisamos que o governo federal libere investimentos para que isso avance. Por outro lado, a criminalização do carvão nos leva também a buscar outras alternativas de desenvolvimento para o município. Hoje, sem a CRM e sem a CGTEE, Candiota deixaria de existir. O carvão é o nosso sangue e a CRM o nosso coração”.

“Vamos entregar a nossa riqueza ou vamos explorá-la?”

O desenvolvimento da cidade, acrescenta o prefeito, passa pela saúde e bem estar de suas famílias.

“Se elas estiverem mal financeiramente, o município também estará mal. Hoje, nós somos um município próspero. Talvez sejamos a esperança da metade sul do Estado para reverter o quadro de pobreza dessa região. Se olharmos em termos de investimento, a única coisa que está funcionando nesta região é a usina da Tractebel. Rio Grande praticamente fechou o pólo naval, deixando mais de 3 mil funcionários desempregados. Grande parte desses trabalhadores vêm bater na nossa porta em busca de uma solução para suas vidas. Então, a solução neste momento não é a privatização de uma empresa que é lucrativa para o Estado e gera emprego e renda nesta região”, defende Adriano Castro dos Santos.

Para ele, os interesses de investidores internacionais, especialmente da China, no carvão de Candiota expõem o prejuízo que todo o Estado pode ter, caso a CRM for privatizada.

“A alternativa é clara: vamos entregar essa riqueza para empresas multinacionais ou nós mesmo vamos explorá-la. Os nossos governos precisam aprender a planejar para evoluir e não, a cada crise financeira, vender os seus maiores patrimônios”.

Adriano dos Santos não limita as possibilidades de investimento na região ao setor do carvão: “Nós temos a possibilidade da energia eólica também. Aqui na Serra do Baú, 280 metros acima do nível do mar, podemos instalar usinas eólicas. Sabemos que o carvão, sozinho, não é a solução para o nosso déficit de energia. Mas se combinarmos a sua exploração, de um modo sustentável, com outras formas de energia, lá na frente até poderemos pensar no fim das térmicas. Hoje não é possível. Cada vez que falta energia nas hidrelétricas do país, o governo bate na nossa porta para garantir o abastecimento do sistema brasileiro de energia que hoje está sucateado. Temos um problema de foco. O país investiu pesadamente em usinas eólicas em Livramento, por exemplo. Mas não investiu em redes de distribuição. Sem uma logística adequada, o sistema simplesmente não funciona”.

O prefeito pretende, durante o seu mandato, lutar pela modernização das térmicas e pela valorização do carvão.

“Sabemos que isso não depende só da nossa vontade política. Depende de políticos maiores que pensem no futuro. Hoje nós não temos nada. Todos os investimentos pararam. Mas essa luta não é de hoje. Quando a minha família veio para cá, na década de 70, se falava no Candiotão. Há uma estrutura montada para se instalar seis unidades térmicas a carvão, o que acabou não acontecendo. Com a inauguração da fase C de Candiota, no governo Dilma, a CRM se preparou para uma ampliação de suas atividades. De lá para cá, estamos envolvidos numa luta que transcende as siglas partidárias. Os interesses da população são maiores”, defende.

PS do Viomundo: Nos Estados Unidos, o então presidente Ronald Reagan atendeu a interesses da indústria e simplesmente prorrogou o funcionamento de usinas a carvão por mais de uma década, considerando que o país já detinha a tecnologia poluidora. Ao mesmo tempo em que tenta diversificar sua matriz energética, a China batalha para assegurar as fontes de fornecimento de sua energia — inclusive do carvão — a longo prazo. Enquanto isso, o Brasil entrega a sua grande jazida de minério de ferro num ritmo que não interessa ao país — lesa-Pátria, segundo o jornalista Lúcio Flávio Pinto –, pretende fazer o mesmo com o pré-sal e agora, aparentemente, com o carvão. O entreguismo à brasileira desconhece a conjuntura mundial, desconsidera o desenvolvimento de novas tecnologias, mira o curto prazo e atende essecialmente aos interesses internacionais, sejam da China ou dos Estados Unidos.

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Publicação de: Viomundo

Temer cola em Ayres Britto para aliviar enfrentamento com Judiciário

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Temer leva Moraes em fogo lento e sonda Ayres Britto para a Justiça

A conversa entre Temer e Ayres Britto ocorreu em meio à mais grave crise ha história dos presídios brasileiros, após a morte de mais de 100 detentos

Do Correio do Brasil

Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto foi convidado, e compareceu, a uma reunião de emergência, fora da agenda do presidente de facto, Michel Temer, na noite deste domingo. Britto foi chamado ao Palácio do Jaburu, residência do ex-vice-presidente.

A conversa ocorreu em meio à mais grave crise ha história dos presídios brasileiros, após a morte de mais de 100 detentos.

O atual ocupante da pasta da Justiça, Alexandre de Moraes, tem negado, sistematicamente, a convulsão nas cadeias brasileiras.

A negativa, porém, não resolve o drama carcerário que se agravou nos últimos 15 dias. Logo após o golpe de Estado, em curso, Ayres Britto chegou a ser convidado para o cargo de Moraes. Mas a nomeação foi substituída pela indicação do tucano, na cota do PSDB.

Sem conversa

Na versão oficial do Palácio do Planalto, Ayres Britto foi chamado, em uma noite de domingo, apenas para ouvir de Temer um pedido.

Queria que Britto interviesse na difícil relação entre o Executivo e a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia.

Segundo assessores, o drama dos presidiários e seus familiares, à mercê das facções criminosas que dominam o cárcere, sequer teria sido citado.

A ministra Cármen Lúcia tem apresentado soluções divergentes quanto à crise do sistema penitenciário.

Embasou, ainda, as ações dos Estados junto ao Supremo, no que se refere às dívidas públic. Esta é a causa do desconforto entre Temer e o Judiciário.

A última rusga entre ambos ocorreu quando a presidente do Supremo decidiu, liminarmente, em favor do desbloqueio de R$ 337 milhões depositados em contas do governo fluminense.

O recurso era cobrado pela União por dívidas antigas.

A decisão de favorecer o pagamento dos servidores público deixou irritado o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Ele encarou a decisão como um risco para política de arrocho fiscal.

O governo Temer defende a venda de estatais, como o serviço de tratamento de água do Estado do Rio, para a iniciativa privada.

A privatização do setor estratégico gerou críticas ainda mais ácidas quanto às intenções privatistas da atual gestão federal.

Britto, advogado

O advogado Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto nasceu em 18 de novembro de 1942, na cidade de Propriá, Estado de Sergipe. I

ngressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Sergipe em 1962. Obteve o diploma de Bacharel em 1966. A partir de 1967, passou a militar na advocacia.

Foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, por decreto, em 2003.

Ocupou a vaga decorrente da aposentadoria do Ministro Ilmar Galvão. Tomou posse em 25 do mesmo mês.

Britto foi eleito pelos seus pares na Sessão Plenária de 14 de abril de 2012 para exercer a Presidência do STF, para o biênio de 2012/2014. Tomou posse em 19 de abril de 2012.

Quando Ministro da Suprema Corte foi, ainda, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (2008/2010). E presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entre 2011 e 2012.

Inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, o magistrado é sócio fundador do escritório Ayres Britto Consultoria Jurídica e Advocacia.

PS do Viomundo: Não se esqueçam que a “presidenta” Cármen Lúcia é a candidata da Globo ao Planalto — ao menos para facilitar os “negócios” dos irmãos Marinho com o governo golpista.

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Julita Lemgruber: “A lei não funciona na entrada nem na saída, o resultado é a superlotação”

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Julita Lemgruber é socióloga. Coordena o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da Universidade Cândido Mendes.

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Hora da xepa: o Brasil está sendo vendido a preço de banana

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Grupos estrangeiros estão sabendo tirar proveito da crise econômica brasileira. Em 2016, as multinacionais desembolsaram pelo menos R$ 119,75 bilhões para aquisições de ativos no País, segundo levantamento da consultoria Transactional Track Record (TTR). De acordo com o trabalho, as fusões e aquisições registraram 1.019 transações no ano passado, totalizando R$ 260 bilhões (os recursos podem ser ainda maiores, uma vez que várias operações não tiveram seu valor divulgado). Das 237 transações em que empresas estrangeiras adquiriram empresas brasileiras, 109 tiveram valor divulgado, somando o total de R$ 119,75 bilhões. A canadense Brookfield e a chinesa State Grid aparecem com destaque nesta lista. “E esses dois vão continuar protagonizando a consolidação em 2017”, disse uma fonte do mercado financeiro. Da revista Exame, 16/01/2017

O Grande Sucesso Da Crise

Do Diário do Capital, 11/01/2017

Tudo é recorde no setor externo da economia brasileira, em 2016. Começando pelo maior superávit comercial da história. Os capitalistas festejam um Balanço de Pagamentos cada vez mais enxuto e equilibrado.

Contabilizando-se suas transações correntes (balança comercial e de serviços) e a conta financeira (investimentos externos diretos no país, etc.) — em 2016 entrou mais dólar na economia do que saiu. Isso é bom para o Brasil?

Não se entusiasme demais com certos resultados da ilusória contabilidade externa. E não esqueça: tudo que diz respeito a atos praticados pela dissoluta burguesia brasileira esconde sempre alguma coisa perniciosa aos interesses nacionais.

Vejamos como isso se realiza praticamente.

Observemos primeiramente os dados mais recentes do comércio externo de exportações e importações de bens.

No acumulado janeiro-novembro/2016, as vendas ao exterior superaram as compras em US$ 40,829 bilhões. Este superávit comercial pode alcançar US$ 50 bilhões no ano. Recorde histórico!

Mas por detrás deste grande sucesso um processo altamente pernicioso aos interesses nacionais. Já analisamos anteriormente essa patologia econômica.

Verificamos agora que ela se atualiza de maneira ainda mais grave do que se poderia imaginar.

As exportações caíram em 2016. E o superávit bate recorde? Que paradoxo é esse?

O valor acumulado das exportações até novembro 2016 (US$ 168,56 bilhões) caiu 2.8% frente ao acumulado no mesmo período do ano anterior (US$ 173,47 bilhões).

As vendas para o exterior crescem muito em volume (quantidade de bens) e caem em valor de mercado (dólar). O valor unitário das exportações em queda livre.

Desesperada liquidação da produção nacional. Simultaneamente, o valor das importações (US$ 127,73 bilhões) caiu 21% frente ao mesmo período do ano anterior (US$ 161,80 bilhões).

Um enfraquecimento nos dois lados da balança comercial.

É assim que a irresponsável burguesia brasileira e seus patrões imperialistas conseguiram a proeza de gerar até novembro do ano um absurdo superávit de US$ 40,829 bilhões.

Um superávit comercial histórico produzido pelo enfraquecimento da capacidade exportadora, de um lado, e, de outro, pelo desabamento muito mais catastrófico ainda das importações.

Como já explicamos anteriormente um comércio externo positivo para o desenvolvimento econômico especificamente capitalista deve ser marcado pela expansão da corrente de comércio (exportação mais importação) e pelo crescimento relativamente equilibrado dos dois lados da balança.

Depois da era mercantilista do estéril protocapitalismo, tão duramente criticado por Smith e Ricardo, principalmente, o virtuoso crescimento do comércio externo sem grandes déficits ou superávits.

Essa é regra do jogo do moderno regime capitalista. O resto é neomercantilismo reservado para as economias dominadas do sistema.

No caso brasileiro acontece tudo aos contrário desta lei enunciada pela boa teoria do comércio internacional: a corrente do comércio em 2016 (US$ 296,29 bilhões) caiu 12% frente a igual período de 2015 (US$ 335,27 bilhões).

Simultaneamente, um superávit comercial recorde do tamanho do patológico desequilíbrio entre os dois pratos da balança.

Um recorde altamente pernicioso aos interesses nacionais.

Baseia-se unicamente em contínua queda da produção interna e rápida elevação do desemprego dos trabalhadores.

Mas uma desvalorização tão radical dos preços de mercado das exportações brasileiras é altamente favorável aos interesses dos chamados “investidores externos”.

Na base da liquidação da produção nacional e dos preços de exportação ocorre simultaneamente a liquidação das propriedades capitalistas nacionais.

Além das mercadorias exportadas, “o Brasil também ficou barato”.

É por isso que o chamado investimento direto externo (IED) continuou jorrando em 2016, as reservas internacionais cresceram um pouco mais e por aí afora.

Além do comércio, os fluxos de capitais externos na economia brasileira merecem uma próxima e mais detalhada análise da Crítica. Até lá.

PS do Viomundo: Os estrangeiros fazem dinheiro no Brasil vendendo doces, refrigerantes e jornais! Já viram as lojas da Hudson News nos aeroportos? É uma empresa de Nova York, que começou como banquinha de jornal. Como diria um blogueiro ansioso, viva o Brasil!

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Publicação de: Viomundo

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